sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Em defesa da memória

A implantação da República foi um bambúrrio, diz-se. Mas não se esqueçam de que tudo estava preparado por dentro para esse bambúrrio ... bastou o estrondo para desabar o trono. Raul Brandão

Durante a minha estadia nos Estados Unidos, fiquei surpreendida pelo conhecimento de história do país demonstrado pelos meus colegas de laboratório, conhecimento adquirido nas aulas de História no ensino básico e secundário. É certo que para muitos a História norte americana iniciava-se com a colonização europeia do continente e visitei no Arizona ruínas «pré-históricas» dos Hohokam ou Anasazi que descobri serem datadas dos século XIV-XV. Mas durante as celebrações do 4 de Julho pude confirmar que todos sabiam exactamente e com todos os pormenores o que se tinha passado nesse dia no ano de 1776, data em que o Segundo Congresso declarou oficialmente a independência das Treze Colónias e sabiam que em 3 de Setembro de 1783 o Reino Unido reconhecera oficialmente a derrota no Tratado de Paris.

Hoje, dia em que se celebra a implantação da república que fará 100 anos dentro de apenas mais 3, pergunto-me quantos de nós se inquiridos poderiam responder com a desenvoltura dos meus amigos americanos sobre os detalhes da data que se assinala.

Não sei qual será a experiência dos nossos leitores, mas pessoalmente contei a disciplina de História entre as minhas favoritas nos graus de ensino em que me foi ministrada, até ao actual 9º ano e em conjunto com Geografia. Aprendi imenso sobre a Antiguidade Clássica, decorei nomes e cognomes dos primeiros reis de Portugal mas a minha História detalhada parou na Restauração. Depois de 1640, o curriculo da época incluía apenas uma breve incursão pelos «horrores» pombalinos. História de Portugal nos séculos XIX e XX era um buraco no currículo que mesmo a minha irmã, que se licenciou em História, não preencheu totalmente na Faculdade.

Durante muitos anos, as reminiscências infantis do meu avô materno, que nasceu em 1900 nas imediações de Mafra, eram a única fonte de informação sobre o porquê do feriado uns escassos dias depois de as aulas começarem.

A três anos do centenário da República, praticamente a única alteração a este panorama é que hoje em dia não há testemunhos vivos. Felizmente começam a ser (re)publicados alguns livros fundamentais para a compreensão deste período conturbado da História nacional, que continua neglicenciado nos curricula do secundário.

Comprei hoje «A Revolução Portuguesa 1907-1910», escrito por António Maria de Azevedo Machado Santos, o herói da Rotunda e o actor principal do 5 de Outubro de 1905, reeditado pela Sextante com prefácio de António Reis. Do livro, uma das fontes fundamentais para a compreensão da História da implantação da República, existiam apenas os exemplares da edição de 1911, alguns exemplares facsimilados editados por alfarrabistas e os magros 2500 exemplares da reedição de 1982 pela Assírio e Alvim, prefaciados por Joel Serrão.

Nele encontramos um relatório factual dos acontecimentos ocorridos entre a noite de 3 e a épica manhã de 5 de Outubro em que Machado Santos, com os seus nove sargentos, umas escassas centenas de militares e alguns civis, resistiu na Rotunda ao que parecia a derrota certa das forças republicanas.

Por um bambúrrio de sorte e por mercê do encarregado dos negócios da Alemanha, às oito e trinta da manhã, Machado Santos desce pela Avenida a caminho do quartel-general monárquico instalado no Palácio do Almada, no Largo de S. Domingos. Dentro de 14 minutos iria acontecer o último acto do regime real, a República foi proclamada por Machado Santos às 8h44mn do dia 5 de Outubro de 1910.

Mas este bambúrrio foi de facto apenas o estrondo que faltava para fazer desabar o trono. Ler Machado Santos será certamente necessário para se perceber em detalhe os acontecimentos do dia que hoje celebramos. Mas o que urge para que não se esvazie a memória, o primeiro passo para a sua deturpação, é perceber porque qualquer estrondo seria suficiente para a queda da monarquia.

22 comentários:

  1. Se calhar é porque a República não foi assim tão importante: as Monarquias europeias proporcionam aos seus cidadãos tantas ou mais regalias.
    E a nossa independência aconteceu muitos séculos antes...

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  2. O comentário do José só confirma o que a Palmira escreveu:

    Mas o que urge para que não se esvazie a memória, o primeiro passo para a sua deturpação, é perceber porque qualquer estrondo seria suficiente para a queda da monarquia.

    A beatada monárquica tem anadado muito activa a deturpar a História. Já me tinha perguntado se não iriam escrever nada neste dia e repôr a verdade histórica.

    Viva a República!

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  3. Concordando com tudo o que aqui foi dito, devo relembrar que a Historia nao serve apenas para nos envergonharmos ou orgulharmos dela, serve para aprendermos com ela e prepararmos o futuro... os motivos pelos quais qualquer estrondo seria sufuciente são os mesmos que se avolumam agora na nossa sociedade... interessante referir o Diário de Governo de 1893 (que encontrei ha uns tempos), na secção das petições do qual estava descrita uma da Real Associação Académica (que deverá corresponder á Académica de Coimbra actualmente) na qual se reinvidicavam exactamente os mesmos direitos que agora se reinvindicam; pior, reinvidicava-se (mais do que para os unversitários) para que se baixassem os impostos que sobrecarregavam os portugueses da altura (equivalente ao IRS e ao IVA) e, em especial, sobre aqueles que eram alunos e que trabalhavam (pedindo um regime de isenção)... Soa a alguma coisa familiar? No entanto, a seguir á Revolução e a todos os seus principios de educação das massas, decidiu-se prosseguir pela via errada: tentou-se que todos estes motivos, descontentamentos se obliterassem da memória colectiva de modo a que não passasse pela cabeça do cidadão comum tentar outra aventura como esta. Mas nao o foram (obliterados) e a Verdade é como o Azeite - vem sempre ao de cima. Servindo-me, assim, da Historia para fazer prognósticos creio que irá acontecer o mesmo dentro de alguns anos... mas não nos esqueçamos que, agora, o nível de literacia é muito maior, e o desfecho será definitivamente diferente... esperemos que para melhor...

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  4. A Monarquia caiu sobretudo, porque o Regicídio a decapitou das suas duas cabeças pensantes. Não se esqueçam que antes do 5 de Outubro de 1910 havia uma democracia (que, curiosamente, havia quase o dobro de eleitores da República...), que os republicanos tinham direitos (e a primeira república não os deu aos monárquicos). Depois convem não esquecer o que foi a primeira república (15 anos de anarquia e venha a nós...) e a que esta conduziu: o Estado Novo/II República.

    O dia que ontem uma pequena minoria da população portuguesa comemorou não foi propriamente dos mais felizes e melhores para o nosso país.

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  5. Mas há momentos dessa feliz democracia de menos gente que são sinais seguros de que algo estava podre na república da nossa Dinamarca. José Relvas, o símbolo da revolta triunfante, cedo abandonou as hostes republicnas como protesto contra os desmandos dos vencedores, que se tornaram piores que os "rotativistas" Hintze ou João Franco, por exemplo. Era cumprir-se o fado português: a situação criada pelos reformadores é por norma mais cruel do que a situação que quiseram reformar. Lembremos Sebastião José, os liberais, os republicanos até 1926, a ditadura que se seguiu... (E, falando baixinho, os tempos do PREC em relação a Caetano.)

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  6. Caro Fernando Martins:

    Como referi no texto, há muito pouca informação disponível, mas sendo este tema um que me desperta curiosidade há algum tempo tenho tentado investigar o que na realidade se passou. Pessoalmente tenho uma certa dificuldade em considerar o Estado Novo como a II República, para mim estamos agora na II República. O Estado Novo de República só tinha o nome...

    Como diz António Reis no prefácio do livro, Machado Santos é um símbolo do que foi a Primeira República, que nasceu e morreu com ele - Machado Santos foi assassinado na tristemente célebre "Noite Sangrenta" de 19 de Outubro de 1921. «Profundamente idealista e construída de um modo teimosamente voluntarista, sempre ameaçada pela indefinição programática, que tão bem caracterizavam o herói da Rotunda.Como ele, a República começou por ser heróica. Como ele, morreu tragicamente».

    Ainda na Rotunda de 5 de Outubro de 1910 este dizia «Já não há inimigos! Hoje todos os portugueses, trocando abraços fraternais, vão colaborar na obra de regeneração da Pátria! Já não há inimigos! Há só irmãos!»

    No dia 1 de Dezembro, O Intransigente, o jornal fundado por Machado Santos, dava a estampa o artigo «Revolucionários para arranjarem emprego», onde se podia ler o seguinte:

    «Muita gente imagina que isto da República é empregar toda a gente de afogadilho».

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  7. Na minha experiência de Ensino Secundário, que é recente, a República de 5 de Outubro (o acto) teve um destaque considerável, sobretudo devido ao gosto pessoal do professor.

    O desenrolar da mesma, e concordo com algumas das opiniões acima expostas, é que precisaria de maior desenvolvimento e reflexão.

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  8. Caro Fernando Martins:

    Devo dizer que não concordo em absoluto com a sua afirmação:

    A Monarquia caiu sobretudo, porque o Regicídio a decapitou das suas duas cabeças pensantes.

    D. Carlos especialmente só com muita dificuldade pode ser considerado uma cabeça pensante, especialmente no que à política diz respeito. Dá-me ideia que reservava os seus pensamentos essencialmente para as suas caçadas, pinturas e aventuras amorosas.

    As suas reflexões sobre o regime podem ser resumidas na sua apreciação de que Portugal era uma «monarquia sem monárquicos» que traduzia o que na realidade era o Portugal da época, uma monarquia praticamente só no nome em que o rei era uma figura de proa que mantinha a unidade entre o passado e um futuro em que o povo estivesse preparado para a república e governar-se a si próprio.

    O problema é que nem o passado dos Bragança era particularmente brilhante nem o presente sob João Franco era muito auspicioso. Segundo Oliveira Martins, os Bragança eram culpados de ter querido vender o Brasil aos Holandeses, durante a Restauração, e de abandonar Portugal a Napoleão um século antes. O presente sob João Franco era aquilo a que muitos chamam uma ditadura.

    Mas o próprio João Franco não era um monárquico fervoroso. Como ele explica em Maio de 1903 «não pode haver Portugal, como ele é há oito séculos, sem monarquia», por razões «internas, peninsulares e internacionais». As primeiras tinham que ver com o «atraso da nossa educação cívica mais consolida isso», as últimas com a independência de Portugal. Para João Franco a monarquia era necessária para a independência do Estado português e para a ordem nas ruas.

    Em 1906, João Pinheiro Chagas escrevia: «Entre monárquicos e republicanos, em Portugal, não há diferença de crenças. O que há é diferença de posições. Republicanos somos nós todos, mesmo os monárquicos. Se estes aceitam a monarquia, é porque a monarquia existe, nada mais.»

    O regícidio não o foi de facto. A monarquia há muito que estava morta, por morte morrida não morte matada. O alvo não era o rei mas sim o regime ditatorial de Franco: o elo fraco deste regime era o rei. Sem o rei, João Franco não tinha base política que o sustentasse. Não foi um regicídio: foi um ataque cirúrgico a uma ditadura.

    Convém recordar que João Franco, incentivado por D. Carlos, tinha tomado a iniciativa de dissolver as Cortes em 1907 e passar a governar por Decretos naquilo designou por Ditadura Administrativa.

    Em 8 de Maio de 1907 foi emitido o primeiro decreto ditatorial.

    Em Março começara a greve académica de Coimbra. O pretexto foi a reprovação de um candidato a doutoramento em direito, José Eugénio Dias Ferreira, filho de José Dias Ferreira, que se declarava republicano e dedicara a tese a Teófilo Braga. Em 23 de Maio foram encerradas as matrículas.

    Isto é, antes do antes do 5 de Outubro de 1910 não havia uma democracia nem havia esperança que as instituições voltassem a funcionar de forma regular num futuro próximo.

    A situação insustentável tinha levado à sublevação falhada de 28 de Janeiro de 1908, enquanto o ausência rei caçava em Vila Viçosa. Foram presos vários membros da chefia republicana como Luz de Almeida, Afonso Costa, Egas Moniz, Ribeira Brava, João Pinheiro Chagas e António José de Almeida.

    Na véspera do regícidio, D. Carlos assinou em Vila Viçosa um decreto que previa a deportação para as possessões ultramarinas (isto é a morte) sem julgamento nem nada dos que João Franco considerasse terem atentado contra a segurança do Estado, isto é, dos seus opositores políticos.

    En quanto assinava D. Carlos terá dito: assino a minha sentença de morte. Diria que o afirmou no raro se não único momento de acuidade e presciência política que alguma vez manifestou...

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  9. Cara Palmira:

    Houve, de facto uma Ditadura aprovada pelo Rei antes de 1 de Fevereiro de 1908 - depois voltou a haver Democracia, mais democracia do que houve na I República. Quando se dá o 5 de Outubro havia (poucas) Câmaras Municipais republicanas, alguns deputados republicanos e muita liberdade. Depois do 5 de Outubro foi preciso esperar pela III República para se monárquicos a terem possibilidade (e a conquistarem) tais lugares.

    Quanto ao Estado Novo não ser a II República, convem recordar que, depois da Constituição do Salazar, sufragada por plebiscito em 1933, manteve-se o banimento dos Braganças, a eleição por sufrágio universal do Presidente da República (mais do que a I República se atreveu...) e a bandeira republicana, com grande pesar dos monárquicos. Quer mais república do que isto...?

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  10. A Republica, supostamente, deveria ser baseada na vida publica, como o seu nome indica (do lat. "Res Publica" - a coisa publica)... Ora, num Estado Novo em que as abstenções contavam a favor, onde "mortos" votavam, onde o presidente era, na prática, eleito por um governo persistente no tempo, com uma constituição votada (como ainda hoje, diga-se) pela ignorância das pessoas que mal sabiam o que era uma constituição (mal sabiam ler, coitadas), em que um dos pilares de uma verdadeira República - o Estado Laico - tinha sido eliminado de raiz, em que as eleições ocorriam nas igrejas sob o olhar atento do clero (o braço esquerdo do Regime), que Republica é esta? que tem isto de Republica? Os símbolos? as figuras da hierarquia de estado? A estrutura? É preciso nao esquecer que uma Républica é um sistema politico, não um sistema administrativo, sistema esse que ja existia, aliás, antes de 1910... E não nos esqueçamos também que hoje Ditadura tem uma conotação bastante negativa devido aos negros 48 anos de Estado Novo, mas que, na prática, na Ditadura (que o era) de João Franco fez-se mais pelo país do que durante o Rotativismo (uma ideia muito mal copiada da Inglaterra de Disraeli e Gladstone), tendo sido também um período em que o povo estava de acordo com as suas decisões (disto poucos falam)... E se o problema são as deportações e os presos políticos, também os houve na I Republica... e, sob o capote de outras acusações, no PREC, o que prova, como é natural, que todos os regimes, quando ameaçados arranjam uma maneira de se defenderem...

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  11. Palmira, eu recordo essencialmente o mesmo da História de Portugal: tudo muito bem até 1640 e depois apenas uns toquezinhos rápidos sobre o liberalismo e a guerra civil e uma passagem como cão por vinha vindimada pelo Estado Novo. De resto, um deserto.

    Caro Fernando Martins, dizer isso é o mesmo que dizer que por Saddam Hussein ter eleições, o Iraque dele era uma democracia. O Estado Novo tinha um chefe, incontestado e incontestável, que se perpetuava no poder e não admitia sombra. Deixava que houvesse presidente da república, mas era escolhido a dedo e sempre subjugado ao "Sr. Presidente do Conselho". Dar travestis de república pouco se pode chamar de República.

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  12. Qual era a diferença entre o Presidente da República da I e da II República?

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  13. "Caro Fernando Martins, dizer isso é o mesmo que dizer que por Saddam Hussein ter eleições, o Iraque dele era uma democracia."

    Há aqui alguém a confundir República com Democracia...

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  14. Para Aristóteles, demokratia (democracia) era um governo injusto governado por muitos; um sistema justo governado por muitos chamou politeia ou república (res publica).

    Para mim, uma monarquia não pode nunca ser um sistema justo nem pode ser o "governo do povo, pelo povo e para o povo".

    Não admito como justo um sistema político em que alguém tem direito hereditário a qualquer tipo de poder sobre todo um país. Se não tem poder é uma fantochada que só serve para encher de fotos glamorosas as revistas cor-de-rosa e gastar dinheiro do erário público.

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  15. "Quanto ao Estado Novo não ser a II República, convem recordar que, depois da Constituição do Salazar, sufragada por plebiscito em 1933, manteve-se o banimento dos Braganças, a eleição por sufrágio universal do Presidente da República (mais do que a I República se atreveu...)".

    Essa do sufrágio universal do Presidente da República tem muito que se lhe diga... Eu ainda tive uma disciplina no liceu, denominada "Organização Política e Administrativa da Nação" em que se dizia que o presidente era eleito por um colégio eleitoral... Apesar de criança, lembro-me bem das 1ªs eleições "ganhas" pelo Américo Tomás (1958) contra Humberto Delgado. E das histórias que se contaram sobre a queima dos votos em Delgado (como na freguesia de Eiras, Coimbra, por exemplo). E de passar noites em claro a rezar o terço (aos 10 anos de idade, quando por motivos de doença, estive internada num sanatório da "linha" de Cascais), que era transmitido a partir da capela do sanatório para as enfermarias, por um sistema interno de rádio, com o argumento de que, caso ganhasse o general Delgado, fechariam todos os conventos, seriam expulsas todas as freiras e nós, doentinhas, não teríamos quem cuidasse de nós...

    Graça

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  16. Caro João Paulo:

    "Para mim, uma monarquia não pode nunca ser um sistema justo nem pode ser o "governo do povo, pelo povo e para o povo"." Folgo em saber que o Reino Unido, os Países Baixos, a Bélgica, a Suécia, a Noruega e a Espanha, entre muitas outras, não são democracias - ainda não tinha percebido.

    Cara Graça:
    Na I República o Presidente era eleito à italiana (pelo Congresso, que incluia os Deputados e Senadores). O Estado Novo/II República elegeu, até 1965, os Presidentes da República por voto directo popular, mas como se sabe, com as fraudes de 1958 (em que só assim o Almirante Américo Tomás ganhou) acaba por voltar ao modelo da I República (as duas Câmaras do Parlamento a eleger o Presidente da República). Espero que tenha entendido tudo...

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  17. Fernando Martins:

    Se leu o meu comentário leu que "Não admito como justo um sistema político em que alguém tem direito hereditário a qualquer tipo de poder sobre todo um país."

    As monarquias dos países que indica são fantochadas, os monarcas não têm qualquer poder. alguns mantêm-se porque os actuais reis/rainhas são do agrado do povo. Na Bélgica com este principe herdeiro a monarquia não tem grandes hipóteses de futuro...

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  18. "As monarquias dos países que indica são fantochadas, os monarcas não têm qualquer poder."

    Quer-se-me parecer que ainda não leu bem os poderes do Presidente da República Portuguesa e os comparou com os poderes de um Monarca Constitucional... Já deve ter percebido que eu sou a favor de um regime Democrata em primeiro lugar e só depois de uma Monarquia Constitucional - ou não?

    Boa, João Paulo - que tal isto para TPC e depois conversamos? Pode começar pela Constituição Portuguesa e depois ir à Espanhola ou à que estava em vigor antes da República em Portugal e depois diz qualquer coisa.

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  19. OS LADRÔES DA REPÙBLICA

    Acaba de ser afirmado na RTP - Versão Nacional, que os custos comparados actuais entre Portugal e Espanha, a respeito do que custa a Monarquia e a Presidência da República, são os seguintes:

    Portugal (PR): € 1,34 por ano por contribuinte

    Espanha (Monarquia): € 0,19 por ano por contribuinte

    No Reino Unido, o custo, que inclui todo o espectacular aparato, cerimonial e demais pompa e circunstância, de todos bem conhecidos, o custo é de apenas £ 0,56 pence (= € 0.81 cêntimos), por ano e por contribuinte.

    Todas as outras monarquias europeias custam menos do que a Presidência da República!

    E diziam os paspalhões republicanos dos ultimos anos da monarquia, a propósito dos adiantamentos à Casa Real que por muito menos que os exageros com os custos, se tinha decapitado o Rei de França, esquecendo-se que o orçamento da Casa Real Portuguesa não tinha sofrido qualquer actualização desde o reinado de Dom João VI.

    E teve a escumalha demagógica republicana do fim do século XIX a grande lata de dizer ao Povo que os custos da Monarquia equivaliam a dois pães de pataco para 400.000 famílias, que ninguém recebeu, porque como é sabido, a república estoirou com o orçamento do Estado e ficou na mais completa penúria e na bancarrota. Portanto o Povo afinal não teve 800.000 pães de pataco... TEVE FOME!... E depois TEVE GUERRA por cima da Fome! E depois teve DITADURA durante 48 anos! E com ela novamente GUERRA COLONIAL!

    Grande lata de facto! E depois sou eu o acusado de ser "demasiado bruto" na avaliação que faço destas questões... Pois! Mas a verdade é que, no meu pleno bom senso, entre a baratice de uma gaja de barrete frígio e topless e um Estado representado por símbolos mais condignos e mais antigos, prefiro este último um milhão de vezes, em especial se for mais barato, num país que quase ao fim 100 anos de republica, de pobreza e de miséria, de desemprego e de desespero para os jovens, ainda tem o DESPLANTE de cobrar imposto sobre as reformas dos pensionistas, uma novidade que hoje me chegou aos ouvidos, quando é sabido que juízes, funcionários do Estado e outros gatos bem gordos recebem reformas mensais muitas vezes acima dos € 3000 Euros, quando o ordenado mínimo nacional continua a ser € 300 Euros.

    Será que sou só eu? Ou de facto há mais quem pense que os tais pãezinhos de pataco saíram bem caros ao Povo Português?

    Pois é! Se por 800.000 pães de pataco se enviou a Monarquia para o exílio, bem gostaria de saber o que mereceria a República, tendo em conta o enorme desnível entre pobres e ricos. É certo que reis não governam e regimes não curam maleitas, mas talvez tivesse sido melhor termos dado continuidade à experiência democrática da Monarquia do Séc. XIX, dando-lhe a oportunidade de, estando ao tempo a meio da tabela do desenvolvimento europeu, seguir o caminho das outras monarquias europeias, todas elas entre 5 e 15 vezes mais ricas que Portugal.

    Só digo que é pena que os Portugueses não vejam o que está mesmo debaixo do nariz deles.

    Saudações

    Fonte : LG , Forum Democracia Real

    Para além de assasínos são ladrões LOL

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  20. Os republicanos sabiam que jamais conseguiriam implantar o seu regime Democraticamente, daí terem recorrido a assassinatos e atentados. Onde está a legitimidade de quem mata para conquistar poder? Outro ponto da incoerência republicana é o motivo que os levou a ter alguma expressão: conseguiram algum apoio fomentando o ódio à Inglaterra (e à Familia Real Portuguesa)por causa do mapa cor-de-rosa e depois entram na primeira grande guerra como aliados de Inglaterra. Porque não se limitaram os valentes republicamos a enviar tropas para as colonias para travar as escaramuças nas fonteiras com as colónias Alemãs? Afinal os republicanos não eram assim tão dotados de valentia, muito menos de razão.

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  21. 'tá certo! estamos mal, é culpa da república; para estarmos bem era voltar à monarquia!

    e porque é que não voltamos antes para os tempos do... ulisses por exemplo? aquilo é que era bom, barcos e marinheiros, sereias e assim. não havia fome nem guerra nem nada.

    se a república não tem dado a este país e a este povo aquilo que deviam, não é culpa da república. é culpa dos governantes que tivemos de há 100 anos para cá. exactamente como quando cá estava a monarquia.

    a grande diferença é que, com a república sempre posso dizer que não gosto deste e daqui a uns tempos escolho outro. já na monarquia, tenho que aturar qq um que tenha nascido com aquele sangue (ou com o sangue da mãe dele e dos senhores que com ela se deitavam, não necessariamente o rei) até que ele morra. mm q seja tontinho, que aquilo é gente mt dada a consanguinidades.

    e esta é uma diferença fundamental.

    havia ditaduras na república? sim, tal cm na monarquia.

    havia fome na república? sim cm na monarquia.

    havia salazar na república? sim, mas aquilo não foi república nem foi nada e, além disso, a monarquia tb teve um senhor sebastião josé que era jeitoso.

    por isso, viva o 5 de Outubro e, já agora, viva o 31 de Janeiro de 1891.

    quanto aos pobres monárquicos que ainda aí andam, deixai-os andar pelas revistas cor de rosa, ao lado dos castelos brancos e das maias adivinhas. é gente que se costuma dar muito bem... uns c'os outros... ahh... uns c'as... uns e umas e outros que não percebo, enfim é gente que se dá.

    cumps

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