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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

People, we have a problem

Estão neste momento 6 mulheres fechadas num simulador de viagem à Lua, na Academia de Ciências da Rússia. Têm entre 24 e 35 anos, todas com experiência em investigação científica, desde Medicina a Biofísica. Foram escolhidas entre dezenas de voluntárias para testar a viagem que a Rússia pretende fazer à Lua em 2029, e assim estudarem a forma como uma equipa exclusivamente feminina lida com os constrangimentos técnicos, científicos e emocionais de uma missão de ida e volta ao nosso satélite natural.


Apesar da imprensa portuguesa ter ignorado olimpicamente esta experiência, os jornalistas do resto do mundo ficaram interessados na façanha. O Guardian lembra que os russos foram os primeiros a mandar uma mulher para o Espaço, e que esta equipa irá levar a cabo 30 experiências científicas nos 8 dias da missão simulada, sublinhando o interesse dos aspectos psicológicos de uma combinação ainda não testada. Já o Independent e o Daily Life, entre outros, fazem manchete não com a missão mas sim com as perguntas que os jornalistas fizeram durante a conferência de imprensa. Parece que mais interessante que a sua experiência científica, competências técnicas, ambições ou aspirações, é saber como é que as mulheres pensam conseguir sobreviver tanto tempo sem maquilhagem, estar com homens ou lavar o cabelo. Até o director do Instituto, Igor Ushakov, não resistiu a fazer uma piada desejando ausência de conflitos entre os membros da equipa "ainda que se saiba que é difícil a convivência entre duas donas de casa na mesma cozinha".  Não consta que tenham feito perguntas semelhantes ao grupo de 6 homens que fez uma simulação parecida em 2010, mas que durou 520 dias já que Marte é um bocadinho mais longe que a Lua. E é pena, seria interessante saber como pensavam eles manter a nave limpa e arrumada, organizar as refeições, sobreviver sem after shave ou se levavam alguma revista marota às escondidas na mochila.

No mês passado conheci Alice Bowman, Mission Operations Manager da Missão New Horizons da NASA, que nos deu a conhecer Plutão (e de caminho mais umas quantas coisas). Quando conversámos um bocadinho no fim da sua palestra quis saber se lhe perguntavam muitas vezes sobre ser mulher naquele trabalho. Respondeu-me que isso nunca foi uma questão para si, que fez o melhor trabalho possível em todas as equipas em que esteve e nunca ninguém sublinhou o facto dela ser mulher. Apenas quando começou a ter contacto com a imprensa no fim dos 9 anos que durou a missão se deu conta que o seu género podia ter interesse noticioso. Infelizmente estas 6 investigadoras não poderão dizer o mesmo.


"Somos bonitas mesmo sem maquilhagem", "vamos ali para trabalhar, não para estar a pensar em homens", foram algumas das respostas que as investigadoras se viram obrigadas a dar perante a insistência dos jornalistas. 

Portugal é um caso raro no panorama mundial, com 40% dos cientistas mulheres e a chegar aos 50% nas engenharias. Segundo o relatório She Figures, em toda a Europa as mulheres estão a ganhar terreno mas continuam a ser uma minoria dos trabalhadores da Ciência, em especial nos lugares de chefia e liderança. A União Europeia está preocupada com o assunto, e tem lançado programas para estimular a presença feminina na Ciência e a tentar captar os talentos de outra forma perdidos, numa discriminação positiva das mulheres. Às vezes sai o tiro pela culatra, como no video Science, it's a girl thing, que parecia defender que a Ciência tem de ser sexy, sem cabelos fora do sítio, com verniz impecável e maquilhagem ton sur ton adequada para poder interessar às raparigas que interessam. A mensagem deve ter chegado aos jornalistas que apareceram na conferência de imprensa da missão russa.

É trabalho dos comunicadores de ciência, como eu, dar cabo dos estereótipos que não correspondem à realidade. Sem perder a capacidade de apreciar uma boa piada quando a encontramos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

THE FIRST ASTRONAUT


Destaque para a coluna do físico Robert Park, What's New:

"On the 40th anniversary of the Bolshevik Revolution, barely a month after Sputnik 1, a dog named Laika was launched on Sputnik 2. Poor Laika survived a few hours at most. President Eisenhower shared a remarkable report with the American people: "Introduction to Outer Space," prepared by his Science Advisory Committee under the direction of James R. Killian, President of MIT. "The cost of transporting men through space will be extremely high," it noted, "but the cost and difficulty of sending information through space will be comparatively low." A year later, however, NASA chose seven military test pilots to be the first astronauts, romanticized by Tom Wolfe in "The Right Stuff." John Glenn was picked for the first orbital flight, but NASA first sent Ham, a chimpanzee, to test the water. In spite of his lack of test pilot experience, Ham did everything John Glenn would do. Both Ham and Glenn would end up in Washington: Glenn in the U.S. Senate, Ham in the National Zoo."

Robert Park

Na imagem: O chimpanzé Ham.

sexta-feira, 9 de março de 2012

VON BRAUN E KOROLEV: SOBRE "DARWIN AOS TIROS" 1


Recebi estes comentários de José Matos, especialista na divulgação da astronomia e astronáutica. Agradeço vivamente as precisões que faz e deixo-os aqui para benefício de todos os leitores.

"Pág. 42 – Ao contrário do que diz o livro, von Braun não foi preso por tropas americanas e levado à força para o outro lado do Atlântico, na verdade, ele entregou-se voluntariamente aos americanos, para não ser capturado pelos russos e foi por opção própria para os EUA.

Na mesma página diz que a ideia da ida do homem à Lua foi de Korolev. Bem, a ideia do homem ir à Lua é antiga, mas a forma como foi concretizada e o esquema da viagem deve-se obviamente aos americanos e a John C. Houbolt de Langley, que concebeu o método LOR (lunar-orbit rendezvous), fundamental na abordagem lunar. Korolev nunca desempenhou qualquer papel relevante nisto. Agora, a concepção LOR não era original de Houbolt, mas sim de um mecânico russo chamado Yuri Vasilievich Kondratyuk, que calculou em 1916-17 que o LOR era o melhor meio de conseguir uma descida na Lua com a conservação máxima de propulsante. Oberth também discutiu as possibilidades do LOR em 1929 e Harry Ross da British Interplanetary Society, actualizou as ideias de Kondratyuk em 1948. Portanto, mais uma vez, Korolev não tem qualquer papel em nada disto (ver “Chegamos à Lua!” de John Noble Wilford, Edição Livros do Brasil, 1970)."

Sim, o relato que faz de von Braun é verdadeiro. Ele entregou-se, tendo ficado preso. Quanto à ida para os Estados Unidos, não penso que ele tivesse, na altura, muitas opções de escolha...

Sim, a ideia da ida à Lua é antiga, mas Korolev ensaiou no século XX planos de uma viagem tripulada. O design soviético não foi, de facto, o adoptado na viagem Apollo, que ganhou a "corrida". Recomendo também o livro "Chegamos à Lua" do jornalista John Noble Wilford, que li há muito tempo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

DE VOLTA À LUA?


Destaque para a coluna What's New do físico Robert Park:

"LUNACY: BACK TO THE APOLLO MOON RACE?

Newt Gingrich, the other top contender of the US Presidential election, wants to construct a permanent human base on the Moon before China does. In fact, Gingrich says he would like to see six or seven lunar launches every week. Doing what? It's been 40 years sincea human traveled beyond low Earth orbit. Since then, space has become an essential element of the fastest growing segment of our economy: Space communications, weather observations, remote viewing, global positioning, climate monitoring, exploration of the solar system, the discovery of exoplanets, and global climate change studies, are all robotic. Nothing of significance has been learned from human spaceflight.

Apollo itself was a political mission. The space shuttle was terminated and the ISS, which produced nothing of value, now belongs to an international consortium. For an American astronaut to visit the ISS, a ticket on a Russian rocket would have to be purchased. We already have a word for those who clamor to send Americans back to the moon: "lunatics." It's a popular idea in Florida, which lost a lot of space jobs. Mitt Romney warns that the Gingrich plan would be "an enormous expense." It's worse than that; it's insane. Gingrich says his Moon base would be "90% private sector." How do you persuade the private sector to get involved in something as useless as a Moon base? Gingrich says he will offer incentives to the private sector in the form of "prizes" for meeting specific technical goals. Is a prize cheaper than a contract?"

Robert Park

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ONDE ESTÁS HOJE “CURIOSIDADE”?


A nave espacial "Centauro" que transporta o robô “Curiosity” – o robô-cientista high-tech -, lançada no passado dia 26 de Novembro de 2011, do Cabo Canaveral, na Florida (USA), com destino ao planeta Marte, continua a sua paciente viagem sideral a uma velocidade de cerca de 12 mil km/h em relação à Terra.




Hoje, dia 5 de Janeiro de 2011, as câmaras fotográficas, extensões dos nossos olhos para as janelas do espaço, mostram-nos o planeta Terra a cerca de 11 829 mil km de distância.


Voltadas as câmaras teleobjectivas para o seu destino, previsto para o dia 6 de Agosto de 2012, Marte é visto a 143 108 mil km.


A nave Centauro já percorreu 110 milhões da sua trajectória de 567 milhões de km até se separar do módulo estéril em que "Curiosity" está envolto. Este robô todo-o-terreno e dotado com a mais sofisticada tecnologia analítica alguma vez enviada para o espaço pelo engenho humano, há-de poisar no solo da Cratera Gale na superfície de Marte, a 6 de Agosto de 2012, data prevista para a sua “marteagem”.

Pode acompanhar este produto maior da engenharia e ciência humanas diariamente neste local.

Nota: todas as imagens são o produto da mais pura simulação e as imagens gráficas geradas por computador.

António Piedade

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Península Ibérica vista da Estação Espacial Internacional


Uma imagem da Península Ibérica, captada durante a noite pela Estação Espacial Internacional (ISS), no início do mês de dezembro, foi há dias colocada online pela NASA na categoria de «Imagem do dia».

As luzes de Portugal e Espanha definem a Península Ibérica nesta fotografia da ISS. Diferentes áreas metropolitanas dos dois países são visíveis e marcadas por zonas iluminadas, sendo estas relativamente grandes e brilhantes, tais como Madrid ou Lisboa. A cidade de Sevilha, visível a norte do estreito de Gibraltar, é uma das maiores cidades espanholas.

A agência norte-americana partilha na sua página oficial imagens, histórias e descobertas sobre o clima e meio ambiente, baseadas em investigações. Para além de Portugal e Espanha, a agência ainda põe em evidência o estreito de Gibraltar, França e o norte de África.

A Península Ibérica é a mais ocidental das três grandes penínsulas do sul da Europa, sendo as outras a Península Itálica e os Balcãs. É formada pelos territórios de Portugal, Espanha, Gibraltar, Andorra e uma pequena fração do território de França. Tem aproximadamente 590 mil quilómetros quadrados e é banhada pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O FIM DA ESTAÇÃO


Minha crónica no "Sol" de hoje:

É a mais prodigiosa obra de engenharia da história. Circula, a uns 360 quilómetros de altitude, à estonteante velocidade de 28 000 quilómetros por hora, dando uma volta à Terra em cerca de uma hora e meia. Apesar da sua distância e da sua velocidade, consegue-se ver bem a olho nu, sendo um dos objectos mais brilhantes do céu. Constitui um passatempo interessante procurar na Internet em que dia e a que horas ela vai passar por cima do sítio em que habitamos e tentar observá-la numa das suas fugazes passagens.

Chama-se Estação Espacial Internacional, em inglês International Space Station (ISS). Trata-se de um enorme laboratório espacial, resultante da junção de vários módulos, montados com o esforço comum das agências espaciais de muitas nações: os Estados Unidos, a Rússia, a União Europeia, o Japão e o Canadá. Neste momento é habitada por seis astronautas - três russos, dois norte-americanos e um japonês - que lá vivem há alguns meses em boa harmonia. Depois de anos de guerra fria no espaço, a ISS é o perfeito exemplo de como a competição pode dar lugar à cooperação.

Apesar do êxito das numerosas experiências que têm sido realizadas a bordo, designadamente para conhecer o modo como o corpo humano se adapta durante um tempo prolongado a condições de “gravidade zero”, a ISS encontra-se neste momento ameaçada. Em primeiro lugar as viagens à ISS tornaram-se mais difíceis depois de a nave Atlantis ter efectuado, em Julho passado, o último voo do programa norte-americano de vaivéns. Em segundo lugar e pior, um lançamento da nave russa não tripulada Progress, contendo três toneladas de mantimentos, propulsionada por um foguetão Soyuz, falhou estrondosamente em 24 de Agosto. Como as naves Soyuz tripuladas são lançadas por esse mesmo foguetão (neste momento o único meio de subir até à ISS), o desastre vai atrasar a substituição da equipa a bordo que deveria começar a 8 de Setembro. Felizmente que há reservas de víveres em quantidade suficiente... Por último, a ISS já tem 13 anos de plena actividade, pelo que o seu fim começa a estar à vista: segundo declarações recentes de um porta-voz da agência russa, a sua morte poderá ser em 2020, com a sua queda, mais ou menos controlada, no Oceano Pacífico, tal como sucedeu com as suas antecessoras Skylab e Mir. Também na astronáutica não há bem que nunca acabe.

O funcionamento da ISS é extremamente caro e a crise económico-financeira no mundo ocidental tem dificuldado qualquer planeamento. Em particular, a NASA, a agência norte-americana, tem hesitado na formulação dos seus projectos talvez porque não saiba o financiamento com que poderá contar. Mas era bom que ela e as suas congéneres pensassem desde já, em conjunto, no futuro da presença humana no espaço após o fim da estação.

sábado, 25 de junho de 2011

SOBRE A ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL


O físico norte-americano Robert Park, na sua coluna semanal What's New, opina sobre a Estção Espacial Internacional e o vaivém espacial (na figura a Atlantis):

"LEFT BEHIND: WAIT, WAIT! YOU FORGOT SOMETHING.

Don't worry, that's just the international space station. It isn’t "our" space station of course; its operation is overseen by five separate space agencies. Nevertheless we bear a major responsibility for this $160 billion monument to the age of manned space flight. Left alone, it’s a 417,000 kg missile that will return to Earth traveling at 28,000 km/h. I leave it to the students to calculate the energy. I raised this point in 1998 when ISS assembly began and was told it would be disassembled and the parts returned to Earth on the shuttle. President Obama might prefer to see this done with commercial space vehicles, except they don't exist yet. Controlled or uncontrolled, the ISS will return to Earth.

STS-135: THE FINAL MISSION OF A PUBLIC RELATIONS PROGRAM.

The space race with the Soviet Union ended with Apollo-17. Both countries explored the Moon, brought back piles of moon rocks, and took astounding photographs, but today few even remember that the USSR had a Moon program. They had chosen to do it with robots; more technologically advanced than Apollo perhaps, but it counted for little in the hearts and minds of the public. You can't give robots tickertape parades down Broadway. Apollo was followed by the Space Shuttle. For a time, every space mission had to begin with a shuttle launch, guaranteeing a constant supply of heroes but the shuttle could not keep up with the demand for launches. Atlantis is now being prepared for a July 8 launch. A prosaic 12-day "UPS" flight to deliver supplies and equipment to the International Space Station, it will be the final mission in the 30-year-old shuttle program. Sold to Congress as a cost-effective way to get into space, the shuttle will be remembered as the most expensive launch system ever devised."

Robert Park