Comerciais divertidos e... tecnológicos.
Intel inside: imagine the possibilities
What we mean by a star at Intel
Team Work at Intel
Co-worker at Intel
Sony robot
:-)
Intel inside: imagine the possibilities
What we mean by a star at Intel
Team Work at Intel
Co-worker at Intel
Sony robot
:-)
Posted by
J. Norberto Pires
at
15:02
0
comments
Texto de João Boavida, na sequência de outro aqui recentemente publicado: Aparição, há cinquenta anos.
Um livro pode ser muita coisa. Alguns, os melhores, são aqueles que, pela sua força, pela profundidade com que nos atravessam nos obrigaram a profundas reformulações, nos despertaram para evidências antes ignoradas e nos formam a personalidade. Em certos casos transformam as nossas vidas. Às vezes é uma questão de oportunidade, de ocasião. Felizes os que encontram o livro necessário na hora certa.
Vem isto a propósito da Aparição, de Vergílio Ferreira, de que antes falei. Muitos jovens foram obrigados a lê-lo nos liceus e terão bocejado ou dito mal do autor; outros terão tido sentimentos muito diferentes. Para mim foi uma obra fundamental. Apanhou-me com quinze ou dezasseis anos e foi um livro com o qual andei em luta mas que me deixou um rasto fundo para o resto da vida.
A melhor homenagem será talvez dar conta da emoção daquela leitura primitiva, e dos sentimentos ambíguos e contraditórios que me provocou. Por um lado, a incompreensão ainda de muitas passagens do texto, e do sentido profundo que me parecia escapar e simultaneamente julgava intuir com alguma clareza; por outro a força profunda que o texto transmitiu e que me tocou fundo. A intensidade das ideias e dos sentimentos, mais intuídos que explicados ou descritos, por um lado, e por outro a espessura das palavras, a bela densidade que elas conseguiam e que arrebatava. Tudo isto foi para mim uma experiência inigualável. Devo a este livro o impacto profundo da descoberta do eu, essa condição indispensável para toda a vida intelectual e moral. Pela primeira vez senti a força da pessoa que eu era, e ao mesmo tempo percebi a sedução e o perigo que isso poderia representar. E, portanto, como a aventura da vida de cada um era simultaneamente espantosa e angustiante, e como quase tudo estava nas nossas mãos.
Para um jovem a sair da adolescência, que contributo maior se pode esperar de um livro? A descoberta do eu até à evidência mais frontal e quase insuportável de nós face a nós mesmos; a força das ideias e a sua profunda e insuperável relação com a pessoa que há em nós, com o que somos e podemos vir a ser. E ainda a qualidade estética que transforma a obra literária na realidade pura; qual dos contributos foi mais importante?
Lembro-me das longas sugestões provocadas pela capa de Sebastião Rodrigues, naquela 2.ª edição da Portugália: uma estilização pesada do templo de Diana e um sol alentejano soberano e dominante. E a incredulidade perante a frase da contra-capa em que Gaspar Simões dizia: “eis-nos sem dúvida perante um dos melhores romances escritos em língua portuguesa depois de Eça de Queirós”. Como podia Gaspar Simões dizer tal coisa? E, todavia, e minha emoção face à força do texto ali estava para o confirmar. A verdade é que, se em termos estéticos era diferente do que lera até então, o principal do livro não estava aí, embora, como se sabe, não se possa separar o conteúdo da forma. Mal do livro que não consegue harmonizar estas duas componentes. Mas este consegui-o estabelecendo connosco uma relação difícil mas profunda, uma espécie de sucção em que a evidência do eu, a “aparição” do eu ao autor e o que isso significava seduzia e perturbava, mas também projectava e estimulava de uma maneira como nunca antes tinha sentido.
Como disse, há momentos certos no crescimento e na vida para ler um livro, e há momentos errados, ou menos adequados. Tive a sorte de ler Aparição na altura certa. Ou talvez um pouco cedo, quem sabe? Mas aquilo a que me obrigou foi uma das razões da sua força e da sua profunda e duradoura influência. Naquela idade, foi um dínamo para a minha formação. Como esquecê-lo?
Posted by
De Rerum Natura
at
11:20
0
comments
As crianças e os jovens devem estar na escola? Com certeza. Mas, será legítimo recorrer a todos os meios para conseguir esse fim que é tê-los numa sala de aula?
Em França está a ser implemantada uma medida destinada a diminuir o absentismo que tem entre os seus defensores convictos, reitores, o Alto Comissário para as Solidariedades Activas, o ministro da educação.... Essa medida, noticiada na TSF, é a seguinte:
"E se a turma do seu filho ganhasse um jackpot, digamos 10.000 euros ao fim do ano como prémio pela assiduidade à escola, aplaudiria?
Pense duas vezes... A experiência - cagnotte, como lhe chamam os jornais franceses, enquanto a experiência vai alastrando (...) - começou ontem em três escolas profissionais (...). Cagnotte (...) é do jargão do jogo a dinheiro. O conceito é simples: se toda a turma for assídua a escola põe no bolo, no monte, 2.000 euros. A coisa pode chegar ao jackpot de 10.000 euros no fim do ano se todos atinarem (...).
Os sindicatos dos professores pediram já a retirada desta medida, considerando que a assiduidade é o primeiro dever do aluno. Uma federação de estudantes liceais contesta a medida que define como inútil, estúpida e perigosa, e propõe a redução do número de alunos por turma, por exemplo (...).
A experiência está lancada, pode alastrar metade das escolas profissonais da região de Paris. A polémica enche os jornais franceses que vão dando notícia, entretanto, de outros truques de escolas, porventura pressionadas pela exigência de estatísticas favoráveis. O liceu de Marselha, por exemplo, já começou a oferecer lugares para o futebol (...) para os alunos mais assíduos."
Pode o leitor ouvir a notícia integra aqui e valerá a pena ouvi-la, pois nela se avançam outras medidas, aparentemente mais construtivas para ter os alunos na escola.
Posted by
Helena Damião
at
9:55
0
comments
Labels: Sistema educativo
Convidado a comentar o recente estudo sobre o nível de literacia na leitura dos portugueses, do qual acabámos de dar conta no De Rerum Natura, João Salgueiro referiu que o problema não se resolve com um investimento maior em Educação.
Afirmou este economista: "Se há indicador em que não estamos mal é no volume de recursos que dedicamos à Educação e temos dos piores resultados no desempenho". A causa "está no funcionamento do sistema de educação e no sistema económico".
A mesma opinião foi formulada, há uns anos, por um outro economista, Paulo Trigo Pereira, em entrevista ao jornal Público: "Opta-se, por aumentar a despesa pública em educação. Só que isso pode não resolver nada. Aliás, o que vemos é que Portugal gasta mais na educação por aluno do que grande parte dos países europeus (...) o acréscimo de despesa não está a ser orientado para aquilo em que é mais eficaz do ponto de vista do sucesso educativo. Com o problema de finanças públicas que temos, é fundamental gastar melhor. Mas para isso é preciso conhecer a realidade, ter dados, analisá-los, ter metas quantificadas e ver se foram cumpridas ou não."
Posted by
Helena Damião
at
21:30
3
comments
Labels: Sistema educativo
"O que se passa hoje no ensino é um reflexo daquilo que nós vivemos também na sociedade. E o que se passa no ensino é exemplo do absurdo e do mundo às avessas.
Esta expressão do mundo às avessas é uma expressão clássica de Gil Vicente e de Luís de Camões. E porque é que eu digo que vivemos num mundo às avessas? É porque, no fundo, o professor não tem de reflectir sobre aquilo que é o seu ensino e as suas responsabilidades do acto de ensinar, mas está, neste momento transformado num servidor do estado, tem que obedecer, tem que cumprir, tem de aceitar aspectos extremamente imbecilizantes que aparecem nos programas quer do básico quer do secundário e que testemunham (…) uma grande ignorância (…) uma falta de amor pela língua portuguesa, pela cultura portuguesa, pelo património que herdámos.
E todas estas alterações são feitas com palavras que se envolvem numa capa protectora, que é o progresso e a democracia. Com elas tentam fechar todas as pessoas que querem fazer alguma crítica porque aqui estamos a ir contra o progresso e a democracia. E sabemos antecipadamente que qualquer critica que façamos não vai ter qualquer resultado."
Estas palavras são da Professora Maria do Carmo Vieira, que Mário Crespo, Henrique Medina Carreira e Nuno Crato convidaram para uma conversa sobre a Educação em Portugal no programa de televisão Plano inclinado, que pode ser visto na íntegra aqui.
Posted by
Helena Damião
at
21:02
4
comments
Labels: Ensino, Sistema educativo
Posted by
Rui Baptista
at
20:49
6
comments
Informação recebida das Edições MinervaCoimbra
No dia 10 de Dezembro, pelas 17h00, no Auditório do Departamento de Engenharia Mecânica, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra será apresentado o livro Cercados pelo fogo - Parte 2, da autoria de Domingos Xavier Viegas. A apresentação será feita pelo Dr. Duarte Nuno Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses.
Sobre o livro: Depois de publicado em 2004 um volume com este mesmo título, neste relatam-se e analisam-se acidentes ocorridos nos incêndios florestais que ocorreram em Portugal e Espanha no ano de 2005, causando várias mortes. Trata-se de um trabalho de investigação científica levado a cabo pelo autor e pela sua equipa, que visa melhorar a segurança pessoal de cidadãos comuns e dos próprios bombeiros. Assim, destina-se ao público em geral, constituindo uma leitura indispensável para todos aqueles que trabalham ou vivem junto da floresta e aqueles que estejam empenhados na defesa da Natureza e da Vida.
Sobre o autor: Licenciado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico e doutorado em Aerodinâmica pela Universidade de Coimbra em 1981. É, desde 1992, professor catedrático do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia desta universidade. Entre outras funções que exerce, é membro do Conselho Nacional de Educação e director do Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais.
Posted by
De Rerum Natura
at
18:59
0
comments
Labels: livro
Foi recentemente realizado um estudo sobre o nível de literacia na leitura dos portugueses.
Como se saberá, este tipo de literacia envolve competência para ler e compreender o que se lê, de modo a dar resposta a problemas concretos.
Tal estudo, realizado pela Data Angel Policy Research Incorporated e coordenado por Scott Murray, foi apresentado na passada semana na Fundação Calouste Gulbenkian, confirmando os dados a que chegou outros apurados em estudos anteriores: são graves as deficiências nas competências de literacia da nossa população.
Em concerto, e de modo muito sumário, este estudo evidenciou que em cada cinco sujeitos apenas um possui um nível médio de literacia. O que é o nível mais baixo do conjunto de países investigados.
Notas:
- O relatório do referido estudo, intitulado A dimensão económica da literacia em Portugal: uma análise, pode ser consultado aqui.
- A referência ao mesmo no Portal da Educação, pode ser consultada aqui.
- Uma notícia de jornal da autoria de Isabel Teixeira da Mota, pode ler-se aqui.
Posted by
Helena Damião
at
13:37
6
comments
Labels: Sistema educativo
Texto de João Boavida quando faz cinquenta anos que o romance Aparição de Vergílio Ferreira foi dado à estampa.
Ainda ninguém se lembrou, que eu saiba, mas decorre este ano, 2009, o quinquagésimo aniversário da publicação do romance Aparição, de Vergílio Ferreira. Estamos todos fartos de comemorações, mas nestes tempos de publicações às toneladas é justo falar deste livro pelo grande impacto que teve: local e nacional, à esquerda e à direita.
O livro produziu, na Évora do final dos anos cinquenta, em que decorre a acção, algum burburinho, com o reconhecimento das pessoas que teriam inspirado as personagens, e inferências sobre realidade e ficção, o que foi e não foi, como foi e como terá sido. Mas o importante não estava aí. A sua grande influência foi na literatura portuguesa do século XX, porque veio abanar o mundo literário de então e os padrões dominantes. Sobretudo os de um realismo social – o neo-realismo – que entendia a literatura como forma de denúncia e combate das injustiças sociais e das formas de exploração pelo capital e pelo latifúndio, impondo uma arte ao serviço dessa luta e remetendo o estético e formal para uma segunda linha. O que acabava por influir nos cânones de apreciação com esquemas psico-afectivos, culturais e estéticos que dominavam os editores, os críticos e os leitores.
Vergílio Ferreira introduziu a problemática do Eu, na linha de Albert Camus, André Malraux, Jean-Paul Sartre, é certo, mas com uma preocupação estética que afirma como prioritária. Poderemos dizer que é nessa síntese da importância do formal com a temática humanista que assenta a importância da sua renovação e se encontra a explicação para as ondas de aceitação e de rejeição que o livro provocou.
Agora parece-nos simples, mas estas situações causam em geral polémica e controvérsia que só o tempo acalma. Vergílio Ferreira trouxe para a literatura o tema do homem, colocou o homem concreto, a evidência do sujeito com sua fragilidade e grandeza no centro das preocupações estéticas e dos temas importantes, segundo ele, acabando por criar novos cânones de produção e apreciação. É certo que seguia os existencialistas, como disse, mas estes respondiam com a angústia do homem concreto e sua afirmação à cegueira das ideologias que, em nome do Homem e da Humanidade em abstracto o tinham esquecido provocando, e continuando a provocar a sua destruição em quantidades assombrosas, e impensáveis depois do Iluminismo e do Racionalismo.
Ora, para uma certa ortodoxia política e cultural então dominante, que vivia e sofria a ditadura salazarista e sonhava derrubá-la, o livro era uma manifestação da ideologia burguesa decadente e servia os interesses da política instalada. Muitos outros, porém, perceberam a sua novidade e importância, separando as coisas. Daí as polémicas directas e indirectas que provocou. Para o realismo social a problemática do eu existencial, a angústia individual na base do eu como produtor de arte, era o sinal de uma alienação moral e social inaceitáveis, porque o eu era insignificante, não tinha significado, não devia ter face aos grandes e imparáveis movimentos de libertação dos povos. As problemáticas individuais só atrapalhavam e as preocupações estéticas em excesso confundiam escondendo o essencial.
Ao revalorizar o formal, afirmando o seu valor intrínseco Vergílio Ferreira demonstrou, mais uma vez, que o essencial da arte está na força que emana dos criadores e não nos cânones que de fora lhes querem impor, ou manter para além do que a própria arte manda. A qualidade de Aparição mostra que ele tinha razão. A arte deve impor-se por si e o estético – no sentido de perfeita harmonia entre a forma e o conteúdo - é o grande e único critério. O resto é lixo que o tempo varre.
Posted by
De Rerum Natura
at
20:59
3
comments
Labels: literatura, livro
Na continuação das minhas crónicas de viagem, desta vez conto a ida a uma grande cidade que é um destino turístico improvável mas, mesmo assim, muito interessante (na foto uma imagem do Thinktank, o Museu de Ciência de Birmingham):
Birminghan, a maior cidade inglesa depois de Londres, fica no interior profundo da Inglaterra, no meio do meio (a região é mesmo chamada Midlands, literalmente “terras do meio”). O aeroporto internacional de Birmingham permite conexões à Europa Continental, evitando passar por Londres.
A Revolução Industrial começou aqui, dada a existência de abundantes recursos naturais como o carvão. Não admira por isso que a cidade tenha ganho uma reputação de “feia, porca e má”. É uma fama hoje tornada injusta: Birminghan empreendeu há muito num plano de remodelação urbana que lhe permite hoje apresentar-se limpa (até entrou para o “top-ten” das cidades mais limpas de Inglaterra!) e bonita (tem havido, por exemplo, um programa de plantação de árvores, que leva Birmingham a reclamar o lugar de cidade com mais árvores em todo o Reino Unido). Os canais, que alguns dizem serem mais do que em Veneza (para alguns Birmingham disputará com Brugges o título de “Veneza do Norte”, mas trata-se de um exagero, a encantadora Brugges não permite meças a esse nível), foram limpos.
O centro de Birmingham, em torno de estação ferroviária de New Street (que no tempo da Revolução Industrial foi uma das primeiras estações do mundo, uma vez que o comboio nasceu por essa altura e por estes lados), é uma zona de comércio. A própria estação está hoje embebida no meio de um centro comercial. Saindo da estação ao longo da New Street – uma rua pedonal frequentada por gente de muitas raças e cores, que dão à baixa um ar cosmopolita - na encontra-se um prédio de forma muita estranha, uma espécie de cogumelo gigante, com uma cobertura de escamas de alumínio – é o edifício dos Selfridges, que é um marco de um certo estilo de arquitectura dos anos setenta hoje reconhecidamente datado (entrando lá dentro, o ambiente não difere muito do de um bar da “Laranja Mecânica”, um dos primeiros filmes de Stanley Kubrick). O estilo contrasta fortemente com o da igreja neogótica próxima e com muitos outros edifícios em redor. Arquitectonicamente, Birmingham é uma cidade de contrastes: os estilos arquitectónicos aparecem salpicados e até as casas vitorianas, tão comuns noutras cidades inglesas (Londres, Manchester, etc.), se encontram aqui mas sem vizinhas com quem possam falar.
Tão contrastante como a arquitectura é o nível do comércio na “down-town”. Há de tudo e para todos. Como é próprio da baixa das grandes cidades compra-se e vende-se de tudo. Quem achar o comércio do bizarro Selfridges bom demais encontrará muito perto um armazém com tecto de chapa de zinco que, lá dentro, é uma autêntica Feira de Carcavelos.
Chove, chove sempre, por todo o lado. Os turistas podem, como é proverbial, refugiar-se da chuva nos museus ou nas igrejas: o Museu de Birmingham, bem perto da estação de New Street, alberga uma colecção de pré-rafaelistas e também alguns impressionistas e a Igreja principal, com o seu verde cemitério à volta, vale também uma visita não só para fugir da chuva mas para conhecer melhor a Church of England.
Mas o melhor museu, na opinião deste visitante, é o “Thinks Tank”, situado num grande e moderno edifício chamado Milennium, sempre a “walking distance” da estação. Trata-se de um museu de ciência que alberga desde uma interessantíssima colecção de máquinas históricas, no rés do chão, que nos faz mergulhar nas entranhas da Idade Industrial, em minas, fábricas de têxteis, oficinas, etc., até uma galeria interactiva, no cimo, que nos faz entrar directamente no futuro. Os temas aqui são, como não poderiam deixar de ser, as nanotecnologias, a biónica, a engenharia genética, os novos materiais, o aeroespacial, etc. Entre esses pisos encontra-se uma galeria para as crianças brincarem com a ciência. Destacam-se as actividades de medicina e biologia, ciências que estão progressivamente a ganhar lugar nos museus de ciência.
E o melhor do museu é, sem dúvida, o grande “hall” das máquinas, que faz lembrar o do “Science Museum” de Londres e que alberga desde máquinas a vapor gigantes, algumas das quais ainda funcionam, até uma locomotiva descomunal, que repousa cansada depois de durante muitos anos ter feito o serviço de Londres para Glasgow. As máquinas a vapor estão no sítio certo, pois foram elas que aqui proporcionaram a tal revolução industrial que transformou radicalmente a cidade.
O inventor da máquina a vapor – James Watt – que andou por estas paragens é adequadamente recordado no “Think Tank”. Não se pense que ele era um mecânico: ele era um cientista que integrou uma sociedade de cientistas livres pensadores, a “Lunar Society” que, no século XVIII, se juntava aqui todos os meses, ou melhor, todas as luas novas. E fica bem lembrar que um amigo de Watt foi o português, natural de Aveiro, João Jacinto Magalhães que, na altura, estava exilado em Inglaterra e que foi um grande intermediário de ideias e instrumentos científicos.
Um outro museu de Birmingham que vale a pena ver, encontra-se a um quarto de hora de New Street. É preciso tomar o comboio até à estação da Universidade. A Universidade de Birmingham é enorme e dispõe de um verdíssimo “campus”, onde não falta uma torre florentina (parecida com a torre do “campus” de Berkeley, em São Francisco) e um edifício ao estilo de palácio oriental onde está o gabinete para o “chancellor” universitário. Pois no interior do campus encontra-se um edifício neo-clássico que alberga uma pequena mas notável colecção de arte, a “Barber Collection”. O edifício tem no rés-do-chão um auditório para espectáculos e no piso de cima as famosas colecções: há um quadro apenas de cada artista, mas tratam-se sempre de artistas famosos. Vem-nos à memória o nome de Gulbenkian e a semelhança torna-se mais notória quando ficamos a saber que Barber era um “wealthy man” que investiu a sua fortuna em obras de arte para depois a doar generosamente à universidade.
Outra visita que se pode fazer facilmente de comboio a partir da New Street de Birminghan é a Stratford upon Avon, a encantadora terra natal de Shakespeare. Paradoxalmente o berço da indústria não é longe do berço do maior bardo da literatura anglo-saxónica...
Ir a Inglaterra para muitos portugueses é sinónimo de ir a Londres. Está bem que Londres vale não uma mas várias visitas, mas por que não ir, pelo menos uma vez, a Birmingham e às Midlands?
Posted by
Carlos Fiolhais
at
10:24
0
comments
Informação recebida do Museu da Ciência de Coimbra:
ANIVERSÁRIO COM VIAGEM MUSICAL AOS TEMPOS DE DARWIN
No dia em que celebra o 3.º aniversário, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) abre portas a crianças e adultos para uma tarde de demonstrações científicas que culminará ao som de Mozart, Haydn, Domingos Bomtempo e Schubert, pela voz da soprano Filipa Lã com pianoforte de Helena Marinho.
É um monumento único da arquitectura científica europeia e no dia 5 de Dezembro vai ser inundado pelos sons de Mozart, Haydn, Domingos Bomtempo e Schubert, num final de tarde onde a ciência e a música farão o público "viajar" à época de um dos maiores cientistas de todos os tempos: Charles Darwin. O Museu da Ciência da UC comemorará o 3.º aniversário com uma tarde de demonstrações científicas no Laboratorio Chimico que culminará com um recital de canto e pianoforte pela voz da soprano Filipa Lã e pela música de Helena Marinho. A entrada é livre.
"Foram anos de intenso trabalho de todos - equipa do museu e muitos colaboradores - que nos permitiu ir cimentando um projecto de divulgação da ciência e, simultaneamente, de preservação do património científico da Universidade de Coimbra", explica o director do Museu da Ciência da UC, Paulo Gama Mota.
Em dia de aniversário, todos poderão também visitar gratuitamente aquele que, em 2008, foi considerado o melhor museu da Europa em Ciência. Das 10 às 18 h, o Laboratorio Chimico abre assim as portas a todos aqueles que, consigo, queiram comemorar o final de um ano marcado pelo lançamento da 2.a fase de construção do Museu da Ciência da UC, que se estenderá em breve ao vizinho Colégio de Jesus, permitindo um acréscimo de 13 mil metros quadrados às actuais instalações.
O programa das comemorações prossegue às 17 h, com a intervenção, entre outros, do director do Museu da Ciência da UC, Paulo Gama Mota.
Às 17h30 arranca um espectáculo de novas demonstrações científicas que prometem deslumbrar.
Finalmente, às 19 horas, terá início o recital de canto e pianoforte, com Filipa Lã (canto) e Helena Marinho (pianoforte). Pelo primeiro laboratório universitário português, erigido no século XVIII, ecoarão então sons contemporâneos de Charles Darwin, entre composições de Mozart, Haydn, Domingos Bomtempo e Schubert.
Helena Marinho tem-se apresentado nas principais salas e festivais portugueses, e também nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Suécia e Noruega. Entre outros, protagonizou recitais e concertos de música no Museu Gulbenkian, Teatro S. Luís, ACARTE e CCB, Auditório Carlos Alberto, Teatro Helena Costa, Fundação Eng.º António de Almeida, Teatro São João, Teatro do Campo Alegre e na Casa da Música.
Dividida entre o canto e a investigação em Música, Filipa Lã realizou vários concertos de canto e piano em Inglaterra, Irlanda, Austrália e Espanha. Como investigadora apresentou o seu trabalho de investigação em várias conferências internacionais de renome sobre Voz, sendo-lhe atribuídos dois prémios de investigação “Jovens Investigadores”, atribuídos pela “Society for Education, Music and Psychology Research” (2005), em Portual, e pela “European Society for the Cognitive Sciences of Music”, (2007), na Estónia.
Um ano de sucessos
Depois de, em 2008, ter ganho o prémio Micheletti para o melhor museu de Ciência, Técnica e Indústria, o Museu da Ciência da UC voltou a ser reconhecido em 2009, desta vez com o Prémio ENOR de Arquitectura - Portugal. O galardão foi atribuído pela qualidade do projecto de reabilitação do Laboratorio Chimico, da autoria de João Mendes Ribeiro, Carlos Antunes e Desirée Pedro. Esta foi a primeira vez que o prémio ibérico distinguiu um projecto de reabilitação de um edifício.
Mas o 3.º ano do Museu da Ciência viu nascer outros projectos de sucesso. O Museu juntou-se, desde o primeiro momento, às celebrações do Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009), acolhendo a comissão organizadora nacional. De resto, é o autor do "projecto especial" ("special project") do AIA 2009 "The Sky: Yours to Discover" (em português "Descobre o Teu Céu), um concurso que pretende que crianças e famílias de todo o mundo redescubram o céu e criem novas constelações e as suas histórias.
Um dos pontos altos do terceiro aniversário do Museu da Ciência foi em Maio, quando acolheu, vinda directamente da NASA, uma pedra da Lua recolhida por James Irwin durante a missão Apollo 15 (26 de Julho a 7 de Agosto de 1971), considerada pela Agência Espacial Norte-Americana a missão tripulada mais bem sucedida de sempre.
Em 2009, o Museu juntou-se ainda às comemorações do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos do seu livro mais famoso, "A Origem das Espécies": lançou a exposição alusiva à vida e obra do naturalista "Darwin 150, 200" e trouxe a Coimbra alguns nomes de peso da Ciência em Portugal - como o biólogo Alexandre Quintanilha ou o paleontólogo Octávio Mateus - para revelarem ao público o impacto da Teoria da Evolução.
Mas não só de Ciência se fez o ano de 2009. O Museu aliou o rigor científico à arte, acolhendo a exposição "O Laboratório Invisível", um projecto do artista plástico austríaco Herwig Turk e do investigador Paulo Pereira que questiona a objectividade e os procedimentos científicos.
O Laboratorio Chimico foi ainda palco de encontros de Design e Arte e, com especialistas em Literatura, mergulhou com o público nas terras, gentes e céus retratados na obra de Luís de Camões, redescobrindo assim a Geografia, a Antropologia e a Astronomia por detrás da epopeia "Os Lusíadas". De resto, também o Teatro esteve em destaque no Museu da Ciência: em Setembro, a instituição juntou-se à comemoração da Noite Europeia dos Investigadores, com a exibição de três peças satíricas alusivas a temas científicos que contaram com a participação de alguns cientistas conhecidos do público.
5 de Dezembro
MÚSICA PARA CANTO & PIANOFORTE DO TEMPO DE DARWIN…
FILIPA LÃ, soprano
HELENA MARINHO, pianoforte
W. A. MOZART (1756-1791)
Ariette - Oiseaux, si tous les ans, K.307
Ariette - Dans un bois, K. 308
Abendempfindung an Laura, K. 523
An Chloe, K. 524
J. HAYDN (1732-1809)
Sailor’s Song
She Never Told Her Love
The Mermaid’s Song
INTERVALO
D. BOMTEMPO (1775-1842)
Fantasia Op. 6, sobre um tema de Paisiello
F. SCHUBERT (1797-1828)
Frühlingsglaube, Op. 20
Lied der Mignon, Op. 62
Die Forelle, Op. 32
MODINHAS E LUNDUS DOS SÉCULOS XVIII E XIX
Tranquiliza, doce amiga
Menina você que tem
Graças ao Ceos (lundum)
Tenho um bicho cá por dentro
Posted by
De Rerum Natura
at
10:13
0
comments
Labels: divulgação da ciência, museus, música
Destacamos a opinião do médico J.L. Pio Abreu no "Destak" de hoje:
Desde há algum tempo que em Portugal apareceram uns espécimes de sucesso. Classificam-se a si próprios de realistas mas, na verdade, são uns pessimistas desbragados. Para eles, tudo vai mal e não há solução para este país. O seu sucesso pessoal vem da procura que têm na Comunicação Social, onde assinam colunas e programas. Literalmente, alimentam-se daquilo que escrevem ou dizem. Imagino que leiam ou oiçam as suas próprias opiniões e, tão deprimidos ficam, que a próxima sairá mais negra ainda.
Os realistas-pessimistas têm história. No passado estiveram perto do poder, com oportunidade de aplicar na prática as ideias que apregoavam. Resta saber se o conseguiram ou não, porque uma coisa é dizer, outra é fazer. Mas todos saíram de lá e nota-se que estão zangados. Chega-lhes agora o palco mediático e o convencimento de que alguém tome por boas as suas negras profecias.
Como a mudança é permanente e o futuro uma incógnita, os pessimistas até podem estar certos. Não pelas razões que aduzem nem com o fim que profetizam, pois cada um tem a sua opinião. Mas temos pela frente o aquecimento global, a superpopulação, a falta de água, os terramotos, o princípio da entropia e, evidentemente, o facto mais do que seguro de que todos nós haveremos de morrer.
Não faltam realidades para os argumentos pessimistas. De facto, as pessoas saudáveis são pouco realistas e preferem as suas ilusões. Mas são essas pequenas ou grandes ilusões que nos fazem viver e, com altos e baixos, alcançar o que antes parecia impossível.
J. L. Pio de Abreu
Posted by
De Rerum Natura
at
16:25
4
comments
Labels: jornais, politica, psicologia, televisão

Minha crónica publicada no "Sol" de hoje (imagem do CERN):
A mensagem, vinda dos arredores de Genebra, na Suíça, chegou através do Twitter a todo o lado: “A new record. Both beams in LHC reach 1.18 TeV at 00:42 on 30 November.” Acabava de ser batido um recorde do mundo da Física, com a ultrapassagem do limite da energia de um teraelectrão-volt (1 TeV) por partícula para cada feixe de protões que circulam, em sentidos contrários, no Large Hadron Collider (LHC), em português Grande Colisionador de Hadrões, na European Organization for Nuclear Research (CERN). O recorde anterior pertencia ao Fermilab, perto de Chicago, nos Estados Unidos, e a nova marca significava um primeiro êxito para a maior experiência do mundo, depois do contratempo que foi a reparação de uma avaria ao longo de um ano.
O que significa a energia de 1 TeV? O prefixo tera vem do grego e significa monstro. Um tera é, de facto, um número monstruoso: um milhão de milhões, um número que se exprime pelo algarismo um seguido de doze zeros: 1 000 000 000 000. O electrão-volt (1 eV), uma unidade muito usada na Física, é a energia adquirida por um electrão quando submetido à tensão eléctrica de um volt. Trata-se de uma energia típica da Física Atómica, ao passo que o milhão de electrões-volt (um megaelectrão-volt ou 1 MeV) é uma energia típica da Física Nuclear. A energia que acaba de ser obtida na maior experiência do mundo, realizada com a maior máquina do mundo, só dificilmente pode ser imaginada: é cerca de um milhão de vezes maior do que a energia necessária para arrancar um protão de um núcleo atómico.
Mas a experiência realizada no sítio onde foram filmadas cenas de “Anjos e Demónios” ainda só vai no início. Planeia-se atingir em cada feixe – na experiência, há dois feixes de protões que chocam frontalmente, tendo já sido registadas as primeiras colisões – a fantástica energia de 7 TeV. O Natal e Ano Novo vão, no CERN, ser passados a trabalhar para que 2010 seja um grande ano para a ciência. No próximo ano saberemos mais sobre o Universo, tanto sobre a sua constituição como sobre a sua origem.
Posted by
Carlos Fiolhais
at
8:59
3
comments
Labels: divulgação da ciência, fisica

Execrtos de entrevista publicada no "The Guardian" ontem, o climatologista James Hansen (na foto), director do Nasa Goddard Institute for Space Studies em New York, USA:
"The scientist who convinced the world to take notice of the looming danger of global warming says it would be better for the planet and for future generations if next week's Copenhagen climate change summit ended in collapse."
(...) "In Hansen's view, dealing with climate change allows no room for the compromises that rule the world of elected politics. "This is analagous to the issue of slavery faced by Abraham Lincoln or the issue of Nazism faced by Winston Churchill," he said. "On those kind of issues you cannot compromise. You can't say let's reduce slavery, let's find a compromise and reduce it 50% or reduce it 40%.
He added: "We don't have a leader who is able to grasp it and say what is really needed. Instead we are trying to continue business as usual."
(...) "Hansen has emerged as a leading campaigner against the coal industry, which produces more greenhouse gas emissions than any other fuel source.
He has become a fixture at campus demonstrations and last summer was arrested at a protest against mountaintop mining in West Virginia, where he called the Obama government's policies "half-assed".
He has irked some environmentalists by espousing a direct carbon tax on fuel use. Some see that as a distraction from rallying support in Congress for cap-and-trade legislation that is on the table.
He is scathing of that approach. "This is analagous to the indulgences that the Catholic church sold in the middle ages. The bishops collected lots of money and the sinners got redemption. Both parties liked that arrangement despite its absurdity. That is exactly what's happening," he said. "We've got the developed countries who want to continue more or less business as usual and then these developing countries who want money and that is what they can get through offsets [sold through the carbon markets]."
Posted by
De Rerum Natura
at
22:46
6
comments
Labels: climatologia
Posted by
Rui Baptista
at
16:20
18
comments
Labels: politica educativa, Sistema educativo
Fazer ciência em Portugal. Moscas, surf e boa comidaGostam de praia e estranham tantos coffee breaks."Sabemos que há países que estão à frente de Portugal em termos científicos. Mas eu quis um equilíbrio entre trabalhar bem e viver bem. Aqui a comida é muito boa, as mulheres são muito giras."(...)"É com a mesma graça que o japonês Masayoshi Murakami, 32 anos, sabe dizer "Bairro Alto", lugar de eleição em Lisboa. Veio há um ano e meio para Portugal quando o líder do laboratório onde estava, em Nova Iorque, aceitou trabalho no programa de neurociências da Fundação Champalimaud, instalado no IGC. Estuda os mecanismos básicos por detrás das decisões impulsivas. Rendeu--se às praias e ao facto de não ter de pagar 5 euros por uma cerveja, como fazia em Tóquio."Texto completo aqui.
Posted by
David Marçal
at
12:47
4
comments
Labels: vida de cientista

Por incrível que seja, nesta data em que se comemoram os 400 das primeiras observações astronómicas de Galileu realizadas com o telescópio, não há edição portuguesa disponível de "O Mensageiro das Estrelas" ("Sidereus Nuncius"), o livrinho que o sábio italiano publicou, em latim, em 1610 para anunciar as suas descobertas.
Sei que o nosso grande historiador de ciência Henrique Leitão prepara uma edição a sair no próximo ano, mas até lá foi uma boa surpresas encontrar na última edição da edição brasileira da "Scientific American" distribuída em Portugal, uma reedição da tradução em português publicada em 1987 pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins do Brasil, com tradução, introdução e notas de Carlos Ziller Camenietzki. Só foi mudado o título da edição de 1987, que era "A Mensagem das Estrelas" para "O Mensageiro das Estrelas".
Deixo aqui o título completo do encantador livrinho, onde se descrevem os movimentos das luas mais próximas de Júpiter:
"O MENSAGEIRO DAS ESTRELAS, desvendando grandes e muito admiráveis espetáculos, e convidando à sua contemplação a todos, especialmente aos filósofos e astrônomos, tais como foram observados por GALILEU GALILEI, Nobre Florentino, professor de Matemática na Universidade de Pádua, como auxílio de um ÓCULO ASTRONÓMICO, há pouco inventado por ele, na superfície da Lua, em inumeráveis Estrelas Fixas, na Via Láctea, em nebulosas e sobretudo em QUATRO PLANETAS, que giram com admirável rapidez em torno de JÚPITER em diferentes distâncias e períodos, os quais ninguém conhecia antes do Autor havê-las descoberto recentemente, e que decidiu denominar ASTROS MEDÍCIOS".
Posted by
Carlos Fiolhais
at
12:20
0
comments
Labels: Astronomia, história da ciência, Livros

Informação recebida da editora Fonte da palavra sobre um livro que acaba de sair:
Título: A Cozinha é um Laboratório
Autor: Margarida Guerreiro e Paulina Mata
Prefácio: Maria de Lurdes Modesto
Preço: 14,00 €
Com este livro gostaríamos de mostrar às pessoas que cozinham que a maior parte das directivas culinárias que têm recebido ao longo da vida têm uma razão – mas que também as há que não têm razão alguma. É importante questioná-las, tentar compreendê-las... As alterações que os alimentos sofrem durante os processos culinários têm justificações de base científica que a maior parte das pessoas desconhece. Daí que cada passo duma receita possa ser compreendido à luz de conhecimento científico. A cozinha é mesmo um laboratório! Compreender o que se passa quando preparamos um belo bife grelhado, com ovo a cavalo e acompanhado de batatas fritas pode não trazer grandes melhorias no resultado final, mas dá, por certo, algum prazer intelectual e faz-nos entender que as tais instruções são o resultado de um trabalho baseado no método da tentativa e erro levado cabo ao longo de anos e anos. Certamente já lhe disseram que a curiosidade matou o gato. Não vá nessa... Não tenha medo! Vamos decifrar conjuntamente alguns dos enigmas culinários que nos têm perseguido.
Posted by
De Rerum Natura
at
1:22
1 comments

Informação recebida do Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, em Coimbra:
Café, Livros e Ciência
«Ciência da Treta« de Ben Goldacre (Bizâncio, 2009)
5ª feira, 3 Dezembro ‘09 l 18h00 - 19h00
Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, Edifício do Departamento de Física, Rua Larga, Coimbra
Numa parceria entre o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, o Museu da Ciência e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro surgiu Café, Livros e Ciência, projecto de comunicação de ciência com o objectivo principal de promover a leitura de livros de ciência junto do público em geral. Este evento acontece num ambiente informal, onde o café acompanha os livros.
Carlos Fiolhais e Jorge Buescu apresentam-nos «Ciência da Treta» de Ben Goldacre, livro galardoado pela Real Sociedade Inglesa como finalista do prémio para o melhor livro de ciência de 2008. "Ciência da Treta" apresenta-nos algumas ferramentas para desmontar falsas informações, abusivamente transmitidas sobre produtos ou terapêuticas milagrosas.
Posted by
De Rerum Natura
at
1:16
0
comments
Labels: divulgação da ciência, Livros
Posted by
David Marçal
at
14:56
58
comments
Labels: alterações climáticas, ambiente
Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:
3 a 13 de Dezembro
O dia 3 de Dezembro é, desde 1998, o "Dia Internacional das Pessoas com Deficiência".
Trata-se de uma data comemorativa internacional promovida pelas Nações Unidas, com o objectivo de promover uma maior compreensão dos assuntos relacionados com a deficiência. Para assinalar esta data, que ocorre no ano em que se celebram os 200 anos do nascimento de Louis Braille (1809-1852), o Museu da Ciência promove diversas iniciativas numa semana dedicada às pessoas invisuais, seus familiares, professores e educadores, mas também ao público em geral.
3 de Dezembro | 15h00
APRESENTAÇÃO DE UM TRADUTOR DE TEXTO COM ANOTAÇÕES MATEMÁTICAS PARA BRAILLE TÉCNICO
Miguel Filgueiras, Universidade do Porto
No intuito de facilitar a produção de textos em Braille por parte de quem não conhece essa notação foi desenvolvido um programa que traduz textos com anotações matemáticas para Braille. Nesta sessão serão descritos o modo de usar o programa, as suas limitações e possíveis melhorias a introduzir.
MATERIAIS INTERACTIVOS DE MATEMÁTICA PARA INVISUAIS
Manuel Arala Chaves e Ana Cristina Oliveira, Associação Atractor
A Associação Atractor - Matemática Interactiva planeou e construiu materiais interactivos de matemática para serem utilizados por alunos invisuais nas escolas e também por visitantes invisuais de exposições de matemática e adaptou outros, já existentes para alunos de visão normal. Entre estes últimos, referimos alguns jogos frequentemente usados no Ensino Básico / Secundário, como o Jogo do 24 ou dominós de fracções e de geometria - que foram adaptados, por forma a poderem ser usados simultaneamente por alunos invisuais e alunos não invisuais.
Foi ainda criado material que permite veicular ideias sobre os diferentes tipos de simetria (translações, rotações, reflexões, ...) e sobre a sua utilização na classificação dos frisos e padrões.
10 de Dezembro | 17h00
APRENDER A EDUCAR CÃES-GUIAS PARA CEGOS
Filipa Paiva, Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual
Um cão-guia para cegos é geralmente um labrador de raça retriever, educado durante dois anos para conduzir o seu dono em segurança nas suas deslocações. Ele evita que o seu dono choque com obstáculos, ajuda-o a encontrar a entrada dos locais onde pretende dirigir-se, procura um multibanco ou um telefone público, encontra a passadeira para peões e até impede que pise poças de água e excrementos de outros animais. Nesta sessão, que conta com a presença de um cão guia, vamos aprender como se faz a sua educação e como cada um de nós pode participar directamente nessa formação.
13 de Dezembro | 11h00
DESCOBRE COMO É VER COM AS MÃOS
Manuel Arala Chaves e Ana Cristina Oliveira, Associação Atractor
Ana Cristina Abreu, Luís Barata e Lucília Vicente, Apoio Técnico-Pedagógico a Estudantes Deficientes (ATPED)
Já alguma vez tentaste identificar um objecto apenas pelo tacto, sem usares a visão? Será que consegues distinguir só pelo toque um quadrado de um triângulo, um hexágono de um octógono, um ovo de uma esfera? E será que consegues distinguir só pelo tacto uma esferográfica de uma pen-drive, um baton de uma caneta de feltro? Uma pinha de um búzio? E será que consegues identificar padrões e simetrias se não puderes olhar para eles? Sabes o que é o alfabeto braille? Sabes como se escreve o teu nome em braille? Nesta sessão serão ainda apresentados diversos materiais didácticos e jogos matemáticos que podem ser usados simultaneamente por visuais como invisuais.
Sessão integrada no Programa Ciência em Família
3 a 13 de Dezembro
VER COM AS MÃOS - OBJECTOS DE HISTÓRIA NATURAL
Vem identificar objectos de história natural pelo tacto e descobre a relação que existe entre eles. Se souberes Braille a tarefa vai ser facilitada pois cada objecto tem uma legenda em relevo e um curto texto em Braille.
Posted by
De Rerum Natura
at
14:28
0
comments
Labels: aprendizagem, educação, pedagogia
Alguns vídeos que mostram simulações sobre os novos lançadores da NASA, bem como dos novos veículos espaciais.
Objectivo: Moon, Mars and beyond.
:-)
Posted by
J. Norberto Pires
at
8:04
0
comments
Labels: Astronomia, exploração espacial, inovação

Temos falado aqui repetidas vezes do papel da escola. Ao ler os "Discursos sobre Educação" do filósofo alemão G. W. F. Hegel (Edições Cotovia, 1994, tradução e introdução de Maria Ermelinda Trindade Fernandes) achei que valia a pena deixar aqui um passo do discurso de encerramento do ano lectivo do Gymnasium (Liceu) de Nuremberga que Hegel, na qualidade de Reitor, proferiu a 2 de Setembro de 1811 (a gravura mostra Hegel a dar uma lição):
"A vida na família, isto é, aquela que antecede a vida na escola, é uma relação pessoal, uma relação do sentimento, do amor, da fé e da confiança naturais; não é o laço de uma coisa, mas o laço natural do sangue; a criança aqui vale porque é criança; experimenta, sem o merecer, o amor dos pais, assim como tem de suportar a sua cólera, sem ter qualquer direito contra esta. Em contrapartida, no mundo, o homem vale por aquilo que realiza; só tem valor na medida em que o merece. Pouco lhe advém do amor ou por causa do amor; aqui vale a coisa, não o sentimento e a pessoa particular. O mundo constitui um ser comum, independente do que é subjectivo; o homem vale aí segundo a sua habilidade e utilidade para uma das suas esferas, tanto mais quanto ela se desfez da particularidade e se formou no sentido de um ser e um agir universais.
A escola é portanto a esfera mediadora que faz passar o homem do círculo familiar para o mundo, das relações naturais do sentimento e da inclinação para o elemento da coisa. Isto é, na escola começa a actividade da criança a receber, no essencial e de forma radical, um significado sério, na medida em que deixa de estar ao critério do arbítrio e do acaso, do prazer e da inclinação do momento; aprende a determinar o seu agir segundo uma finalidade e segundo regras; cessa de valer pela sua pessoa imediata e começa a valer por aquilo que realiza, a conquistar para si um mérito. Na família, a criança tem de agir correctamente no sentido da obediência pessoal e do amor; na escola tem de se comportar segundo o sentido do dever e de uma lei, por causa de uma ordem meramente formal, fazer isto e abster-se daquilo que de outro modo poderia bem ser permitido ao singular. Ao ser ensinado em comunidade com muitos, aprende a atender aos outros, a ter confiança em outros homens que de início lhe são estranhos, a ganhar confiança em si mesmo ma sua relação com eles, e, deste modo, a iniciar-se na formação e na prática das virtudes sociais."
Posted by
Carlos Fiolhais
at
22:27
1 comments
Labels: Concepções de educação, Escola, filosofia da educação

Reproduzimos, com a devida autorização e agradecimento ao autor, o artigo publicado ontem no Expresso online pelo Prof. Delgado Domingos, reconhecida autoridade nacional em Climatologia e Engenharia do Ambiente, sobre o escândalo Climategate:
"O escândalo do 'Climategate' e a Conferência de Copenhaga
Posted by
Jorge Buescu
at
17:23
20
comments
Labels: alterações climáticas, aquecimento global, climatologia
"Existe uma erótica do novo, o velho é sempre suspeito" (Roland Barthes, 1915-1980)
No passado dia 27 de Novembro publiquei um post intitulado “Para um debate sobre telemóveis na escola”, em cedência a um pedido formulado por Tiago Videira que justificava assim a sua solicitação: “Escrevi esta reflexão que gostaria de lançar como repto, provocação, ou ponto de partida para um debate neste sentido a ser lançado no vosso blogue, se assim for entendido como pertinente.”
Mereceu “esta reflexão, repto, provocação, ou ponto de partida”, 27 comentários, que dão conta da polémica suscitada, que ficou longe de se esgotar pese embora os argumentos pró e contra de dois dos comentadores, respectivamente, Adelina Moura e Fartinho da Silva.
Revisitando um post publicado há já algum tempo no Rerum sobre as novas tecnologias na escola, da autoria de Nuno Crato, autor que dispensa qualquer apresentação pelos valiosos contributos que tem dado às questões da educação, entendi ser do maior interesse trazer a terreiro a sua opinião, embora ela se refira, essencialmente, ao uso de computadores. Reproduzo-a aqui ipsis verbis:
"INOVAÇÃO
Há palavras tão gastas que perdem o seu significado. Uma delas é inovação. Parece que basta mudar para progredir. Mas há mudanças boas e mudanças más. Ou será que todas as inovações são boas?
Ontem à tarde estive numa reunião de discussão de programas de ensino. Um dos oradores explicava as suas ideias e repetia de minuto a minuto: «é um programa diferente», «é um programa inovador», «é um programa diferente», «é um programa inovador», «é diferente», «é inovador»...
Disse-o tantas vezes que um dos professores na sala o interrompeu e perguntou «Já percebemos que é diferente. Mas é melhor?» O orador ficou encavacado. Encavacadíssimo. Como se nunca tivesse pensado nesse problema insólito. Balbuciou umas justificações e passou à frente.
Hoje de manhã passei pela Rotunda da Boavista, no Porto, e fui surpreendido com um anúncio de uma escola de línguas. Uma larga faixa estendida no edifício afirmava, orgulhosa: «Aqui não há computadores»!
Curioso! Como se pode ter orgulho em não seguir a moda das novas tecnologias?! Lembrei-me de um laboratório de línguas que existiu durante uns tempos no meu liceu. Tínhamos de falar para um gravador, com uns auscultadores na cabeça, e ouvir a nossa própria voz, para depois corrigir a pronúncia. Na altura aprendia-se francês.
Foi um fracasso, porque se exagerou. Ninguém tinha paciência para ficar muito tempo sozinho às voltas com uns auscultadores e uns microfones. Ao fim de pouco tempo regressámos por completo ao ensino presencial, com uma professora, com diálogos, com leituras, com ditados, com redacções.
Está-se hoje a passar por uma fase semelhante. Há vantagens imensas no uso dos computadores, mas as novas tecnologias têm um papel que não deve ser exagerado. O filósofo pós-moderno Lyotard afirmou, triunfante, que os computadores iam acabar com o trabalho dos professores. Alguns filósofos, sobretudo dessa corrente delirantemente desligada do mundo, dizem qualquer coisa para serem inovadores. Felizmente, a realidade desmente-os. E na Boavista há uma escola que está orgulhosa de ter professores. Daqueles vivos, de carne e osso.
Encontrei depois um amigo e conversámos um pouco. Lembrei-me de um dos segredos da Nokia: os transformadores têm quase todos a mesma saída, de forma que um carregador de um telemóvel serve em outro da mesma marca. É uma ideia positiva. Inovar nos carregadores de telemóvel de cada vez que sai um modelo novo é um hábito desagradável de outros fabricantes.
Mas o meu amigo é filósofo. Retorquiu-me: «Sabes... quando a Nokia decide não inovar, está a ser inovadora.»
Palavras, palavras, palavras!"
Nuno Crato (in Expresso Online, adaptado pelo autor)
Posted by
Rui Baptista
at
17:15
11
comments
Labels: educação, Tecnologia
Sabendo-se que a leitura de qualidade tem uma importância fundamental ao nível das aprendizagens escolares e da própria formação da pessoa, diversos sistemas de ensino têm, nos últimos anos, investido na sua promoção.
Os discursos em torno do que se entende por "leitura de qualidade" e do "modo como se deve promover a leitura" não são, porém, sempre convergentes.
Para se pensar neste assunto, deixamos ao leitor do De Rerum Natura algumas opiniões de intelectuais, investigadores e professores que se têm debruçado sobre o assunto.
Começamos com um extracto de uma entrevista de Anne Rapin a Daniel Pennac (na imagem) professor e escritor francês empenhado em, como ele próprio afirma, "reconciliar as crianças com a leitura".
"Na sua obra sobre a leitura Como um Romance, o senhor promulga os dez direitos imprescindíveis do leitor, um dos quais é não ler, como meio de reconciliar alguns jovens com os livros?
Regra número um: não envergonhar os iletrados. Durante toda a minha vida trabalhei em ritmo de urgência nessa área. Tive contacto constantemente com crianças que estavam não apenas aborrecidas com a escrita, mas também socialmente ameaçadas. A leitura, além disso, é para elas algumas vezes ameaçada pela maneira como a escola a apresenta, que é puramente "médico-legal" e que funciona muito bem com "os que sabem ler", mas não com as crianças em dificuldade escolar. É urgente portanto reconciliar essas crianças com a leitura. Eu, pessoalmente, faço isso nas aulas, lendo em voz alta, falando-lhes de literatura, "contando-lhes histórias". Como um Romance tinha a função de apresentar a minha prática nessa área, sem a pretensão de transformá-la em "método". O problema das crianças que vivem nos inumeráveis círculos da periferia não é mais o facto de serem iletrados, nem é o de perderem o gosto pela leitura, mas o facto de nem mesmo dominarem a linguagem oral, por não terem a quem falar. A oralidade é a primeira coisa que se perde na periferia, onde os garotos são “encerrados” em blocos, onde se organizam necessariamente em bandos, onde a linguagem está reduzida a códigos de reconhecimento próprios ao bando, portanto à sua mais simples expressão (…).
A escola preenche então o seu papel de promover uma abertura?
Antes de mais nada, ela é obrigada a fazer o papel de promotora da reinserção social. O professor que chega até essas crianças deve, antes de as ensinar a ler e escrever, ensinar-lhes primeiro a se comportar, em segundo lugar a falar, ou seja a se comunicar, a levar em conta a presença de um interlocutor... Esse já é, por si só, um trabalho enorme que precede a simples transmissão de um saber.
A seu ver, o que seria necessário modificar em matéria de pedagogia e educação?
Não tenho uma posição teórica sobre essas questões, porque estou bem situado para saber que, seja qual for a opinião que tenhamos, existe sempre um momento, no dia 6 ou 7 de Setembro, no reinício do ano escolar, em que nos vemos sós diante de 35 indivíduos que vão constituir uma entidade realmente particular, diferente da classe ao lado e de todas as que tivemos antes. E dentro dessa entidade existem 35 individualidades que eu preciso obrigatoriamente de levar em consideração individualmente se quiser fazê-las progredir seja em que área for. A ginástica intelectual do professor consiste em criar uma dinâmica no interior desse grupo sem jamais negar qualquer uma das individualidades que a compõem; o que não faz parte do que se ensina aos professores, mas é a realidade quotidiana do seu trabalho. Porque, se eu nego um aluno como indivíduo, ou se, ao contrário, dou atenção demais a ele, o ambiente da turma ir-se-á desestabilizar. O professor deve portanto administrar, como se diz hoje, e de maneira instintiva, esse tipo de problema que não é, para falar a verdade, problema de ordem pedagógica, mas comportamental e afectivo. Se essas dimensões não forem levadas em consideração, se não nos ocuparmos dos "bons" alunos, a pedagogia vai-se tornar uma espécie de mecânica cega que alcança apenas 10% das crianças escolarizadas. Nós, professores, deveríamos poder dar provas de atenção real, de paciência, e também de uma certa gratuitidade nas nossas relações com os alunos. Talvez seja isso que eles chamam respeito.
Mas a transmissão dos conhecimentos na escola é cada vez menos desinteressada.
É verdade. Nós, professores, temos tendência, para nosso próprio conforto metodológico e para atingir os objectivos "rentáveis" que nos são determinados, a comportar-nos como usurários: é preciso que haja rendimento, e o mais rápido possível! Eu ensino-lhe uma lição hoje à tarde e você tem de a recitar amanhã. Isto, evidentemente, é necessário para criar nas crianças o hábito da regularidade no trabalho, mas é perfeitamente insuficiente para me dar a garantia de que essa lição será assimilada e que restará alguma coisa dela em dez anos. Da mesma forma, para fabricar verdadeiros leitores é preciso de vez em quando recorrer à informalidade. Por exemplo: na minha turma de 1.º ano do 2.º grau, das seis horas de francês por semana, eu reservava sistematicamente duas horas para falar da literatura em si mesmo, para ler romances com o entusiasmo de leitor. Fora do programa e sem qualquer exigência de restituição. De tanto ler, de relatar romances, de propor livros aos alunos e de os fazer circular na classe, no final do ano os 35 alunos tinham necessariamente encontrado um romance, um autor e, consequentemente, outros romances do mesmo autor, outros autores da mesma família literária, etc. Se raciocinarmos em termos objectivos, como professor de letras o meu objectivo é duplo: preparar os alunos para o baccalauréat (...) e, se me conseguir organizar, dedicar o meu tempo a fabricar leitores a longo prazo. Esperando, com isso, fabricar ao mesmo tempo homens e mulheres capazes de uma boa conversa e que saibam aproveitar para pensar um pouco por si próprios. Mas esse ensino só pode passar através do exemplo e da valorização de uma certa gratuitidade."
Mais da entrevista pode ser lido aqui.
Posted by
Helena Damião
at
13:43
3
comments
O blog que partilha o título com o poema de Lucrécio fala também de várias coisas do mundo, procurando expor a sua natureza. Parte da realidade do mundo (o nosso mundo, feito de átomos e espaço vazio) para discutir o empreendimento humano da descoberta do mundo, que é a ciência, e as profundas implicações que essa descoberta tem para a nossa vida no mundo.