The rules of the game: the evaluation of Portuguese research units

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

PÚBLICO: Reitores arrasam avaliação da FCT: “Um falhanço pleno”


"Pela primeira vez, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) arrasa a avaliação que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) está a fazer aos centros de investigação do país. Os 15 reitores do CRUP divulgaram esta sexta-feira a posição consensual, tomada a 14 de Outubro, que enviaram no início da semana ao ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, em que lhe dizem que já não é mais possível dar o “benefício da dúvida” ao actual processo de avaliação. “Para que um sistema de avaliação seja capaz de promover a excelência tem de, ele próprio, ser pelo menos excelente, se não excepcional. Não é o caso.”

Ler a notícia completa do PÚBLICO aqui.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

WORMS CONTRA-ATACA

JC Worms, funcionário da ESF que ameaçou a investigadora Amaya Moro-Martin, escreveu uma carta para a Nature em que: 1) Se mostra CONTRA os cortes na investigação em Portugal (ver título) e 2) Retrata os investigadores portugueses como trogloditas que não sabem o que é a avaliação pelos pares.

UMA CANETA BIC CRISTAL PARA A FCT ASSINAR OS CONTRATOS

"As adendas ao contrato ainda não estão assinadas, respondeu a FCT ao PÚBLICO (...)"
“Fico muito contente que os deputados olhem para este caso, pois parece-me muito estranho que ainda não estejam assinadas adendas de um contrato em plena execução, para mais quando elas foram anunciadas há mais de 80 dias”, considera António Granado."
Está visto que temos que levar uma caneta à FCT e enviar por DHL outra para ESF, para assinarem as adendas do contrato de avaliação em execução. Suponho que Miguel Seabra e JC Worms quando fazem obras em casa também só assinam o contrato com o empreiteiro quando já está tudo feito.

Um Nobel para a Educação - 2: A determinação de Kailash Satyarth

Texto na sequência de um outro intitulado Um Nobel para a Educação - 1: O sonho de Malala.

Nesse texto notei que o Prémio Nobel da Paz atribuído no presente ano poderia ser o Prémio Nobel da Educação, caso ele existisse. Referi-me a Malala Yousafzai e agora refiro-me a Kailash Satyarthi. 

Kailash Satyarthi é um engenheiro indiano que muito cedo, ainda rapaz, percebeu a iniquidade da desigualdade social e não se conformou com isso. Não se conformou sobretudo com a realidade do trabalho infantil, um trabalho escravo que sacrifica os mais pobres. Rouba a infância, rouba vida a muitos milhões de crianças não apenas na Índia, mas um pouco por todo o mundo.

O seu esforço de três décadas tem permitido libertar alguns milhares e levá-las para a escola. A educação é o seu fim.

O presidente do Comité Nobel traduziu esse esforço da seguinte maneira "As crianças devem ir à escola e não serem exploradas financeiramente". E é aqui que me detenho.

Na Europa o trabalho infantil, existindo, não tem uma expressão comparável à de outras partes do mundo: a luta pela "educação para todos" deu frutos inequivocamente positivos mas não se pode considerar terminada, afinal tudo o que é civilizacional pode regredir e de modo rápido. Não devemos, pois, respirar fundo e descansar.

Além disso, as crianças constituem uma imensa população sugestionável e, nessa medida, muito apetecível em termos financeiros. Por isso mesmo, grandes empresas têm rondado os sistemas de ensino, as escolas, os professores e os próprios pais para, dizem, colaborarem, participarem na educação. A sua demagogia é apresentada como altruísmo, apoio, cooperação; as ofertas são da mais variada natureza; a técnica é sofisticada e subtil. Ninguém tem resistido.

Esta é uma forma de exploração igualmente inaceitável: também aqui a criança deixa de ser vista como pessoa para ser ver vista como objecto de interesse alheio. Mas, como se pode fazer compreender isto numa sociedade tão refém da economia e de tudo o que gira à sua volta?

UM MONUMENTO À GEODIVERSIDADE E À BIODIVERSIDADE DOS AÇORES


Acaba de ser editada pelo Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA), sob a direcção de Victor Hugo Forjaz, Professor Catedrático Jubilado da Universidade dos Açores, a obra de que se reproduz a capa.

Ilha do Pico, numa gravura de 1819 
Em formato A4 deitado, com capa em cartão, com 400 páginas profusamente ilustradas, a cores, regista, em capítulos individualizados: a Geologia, a Zoologia e a Botânica da ilha mais recente e a mais enigmática do arquipélago açoriano, acompanhados por um preâmbulo histórico-geográfico-climatológico.

Os autores do livro são vulcanólogos, biólogos, climatologistas, cartógrafos e técnicos de geologia.

A obra, ao preço de 22,00€, pode ser adquirida na sede da OVGA, Av. Vulcanológica, nº 5, Atalhada, Lagoa – São Miguel. ou pedida pelo telefone 96 241 48 77, ou por E-mail vforjazovga@gmail.com


Não é comum ver a totalidade do vulcão do Pico.


As mais das vezes esconde-se atrás das nuvens.
A. Galopim de Carvalho

Tenhamos a coragem de reconhecer o plágio, a cópia e toda outra qualquer forma de enganar

Plagiar, copiar, enganar são comportamentos académicos reprováveis.
E isto independentemente de os seus autores serem alunos, professores ou investigadores.
Todos os códigos, regulamentos e normas o referem, prevendo as correspondentes sanções.

Agora a realidade: plagiar, copiar, enganar são comportamentos académicos generalizados de que toda a gente tem conhecimento e que a maioria, por múltiplas razões, tolera. Pior, muitas pessoas, alunos e também professores, nem sequer terão consciência clara da ilicitude desses comportamentos e da sua gravidade.

A razão desta discrepância entre "o que deve ser" e "o que é"?

Muito simples: é assim!

O problema está nas escolas e nas universidades, mas é mais geral, está instalado na sociedade. Tenho sabido de várias empresas que fazem trabalhos para qualquer ano de escolaridade incluindo relatórios e teses (por exemplo, aquiaqui), apresentam contactos de correio electrónico, de telemóvel... Fazem isso porque podem fazer isso, porque sabem que nada lhes acontece. Permitido não será, mas proibido também não.

E avança-se...

Soube hoje de uma inovação, ao que li recente e com muita procura: uma aplicação gratuita (ainda para mais, gratuita!) para, num clique mágico, se ficar com os trabalhos de casa de matemática feitos (e logo os trabalhos de matemática!): o aluno fotografa o problema e o resultado aparece imediatamente (imediatamente, como se quer que tudo aconteça).

Só há um pequeno senão: problemas escritos à mão (ainda) não são decifráveis... Mas isso, verdade seja dita, não é bem um obstáculo, pois muito em breve, com o projecto de escola digital, recomendadíssimo (ou obrigado) pela União Europeia, todo o aluno terá o seu laptop, tablet ou algo assim... e nem professores nem alunos precisarão de se esforçar na caligrafia.

Tudo pacífico, como se pode ler aqui, aqui ou aqui. Logo, talvez fosse mais honesto reconhecermos o plágio, a cópia e outra qualquer forma de enganar (se é que alguém engana e anda enganado) como comportamentos académicos aceitáveis. Ao menos seríamos mais coerentes!

Manipulação dos rankings académicos

Um colega fez-me chegar este artigo de investigadores alemães que mostra como uma universidade da Arábia Saudita consegue posição nos rankings: contrata, pagando bem, por uma semana ao ano, investigadores altamente cotados, que pertencem primariamente a outras instituições. Em Portugal também existe este problema de "pertença" a duas, três e por vezes mais instituições (basta ver os papers), ninguém sabendo por vezes qual é a verdadeira instituição desses investigadores.

Os autores usaram a lista dos cientistas mais citados segundo a Thomson-Reuters. Em Portugal, no meio de milhares e milhares de cientistas mundiais, há apenas dois e nenhum é da área da biomedicina, a área que a FCT pretende escandalosamente favorecer. Lembro que é um físico da Universidade do Minho, que pertence a um centro chumbado pela FCT, e um engenheiro do Instituto Superior Técnico, que a FCT chumbou numa primeira fase.

O "MONSTRO" CONTINUA

Várias vozes têm desculpado o Ministério da Educação e Ciência dizendo que os erros na colocação dos professores (há um professor já colocado nos Açores que, depois disso,  foi colocado 104 vezes!) se devem a uma tentativa em curso de descentralização. Paulo Guinote explica, no Público de hoje, que não é bem assim: que a centralização vai de vento em popa e que a voragem do "monstro" da 5 de Outubro  continua fazer vítimas. Os professores e, acima de tudo, os alunos, como bem lembra João Miguel Tavares no mesmo Público. A última coisa em que o Ministério pensa é nos alunos.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Propostas da ANICT portadoras do vírus que está a destruir a Ciência e aniquilar da dignidade dos Investigadores?

Informação recebida do Sindicato nacional do Ensino Superior:
A Associação Nacional de Investigadores em Ciência e Tecnologia (ANICT) tornou público um documento que designou por “Princípios orientadores para a criação do Estatuto do Trabalhador de Investigação Científica e restruturação da Carreira de investigação Científica (Decreto de Lei 124/99)”, para o qual, diz ter solicitado (ou irá solicitar) pareceres à FCT, CRUP, ABIC, SNESup e FENPROF. Mais ainda, tem agendado uma campanha para publicitar o seu documento pelas universidades portuguesas, iniciando a campanha na Universidade do Porto no dia 22 e terminando-a na Universidade do Aveiro a 4 de novembro, passando pelas Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro, Minho, Coimbra, Beira Interior, Lisboa, Évora e Algarve. Estranhamente, as universidades não só cederam uma sala para que a ANICT possa reunir com os seus associados como se associaram à sua iniciativa dando-lhe a honra da presença de uma vice-reitoria e, no caso da reunião em Lisboa, o Governo de Portugal também se faz representar pela senhora Leonor Parreira, Secretária de Estado para a Ciência.
 Mas afinal, o que é que a ANICT advoga e propõe para que as Reitorias da Universidades Portuguesas e o Governo de Portugal lhe estejam a dar tamanha importância?
 Da leitura do documento facilmente se constata que a ANICT pretende:
1.   O fim da exclusividade de todos aqueles que integram ou vierem a integrar o dito Estatuto do Trabalhador de Investigação Científica (o qual propõem substituir o atual Estatuto da Carreira de Investigação Científica), ou seja, a perda 1/3 do atual salário; Grande atropelo à dignidade e à atividade dos cientistas Portugueses; defendem uma discriminação negativa para os investigadores (ou será que têm também outras propostas para estender a perda de exclusividade a todos os funcionários e agentes públicos?).

2.   A perpetuação dos contratos a prazo, os quais poderão durar até VINTE ANOS e na melhor das hipóteses durarão sempre DEZ anos; Uma Violação da legislação Europeia, do Código do Trabalho e a institucionalização da precariedade.

3.    A criação de uma nova categoria para Investigadores Doutorados que designam por Investigador Assistente (com um salário menor do que o de Professor Auxiliar), ao qual não reconhecem competência para desenvolver investigação de um modo autónomo; Defendem que a carreira de investigação deve ter menor dignidade do que a carreira docente; e que os doutoramentos dos investigadores são menos valiosos do que os dos docentes.

4.    Possibilidade dos Investigadores receberem suplementos remuneratórios, para recuperarem até 1/3 do salário perdido com a perda de exclusividade, através da lecionação de aulas (2.º e 3.º ciclos, mas não de 1.º ciclo) ou através de projetos de investigação que sejam investigadores responsáveis. Assim, defendem que a recuperação de 1/3 do atual salário fica dependente das vontades daqueles que ocupam cúpulas do poder da instituição e/ou da capacidade de angariar fundos para a investigação. Assim, subalternam o nobre objetivo da Ciência (a promoção do conhecimento) tornando-o mero acessório dos interesses económicos e/ou pessoais. O importante será apenas obter financiamento…

5.  Que a categoria de Investigador Coordenador seja apenas acessível aos investigadores que estiverem a fazer a gestão científica de um centro de investigação; Apesar de não darem significado ao termo “gestão científica” subentende-se que corresponde à posição dos atuais coordenadores das unidades de investigação do SCTN, os quais, de acordo com os Estatutos da maior parte das unidades de investigação, são eleitos pelos investigadores doutorados integrados em cada uma das unidade de investigação. Portanto, a não ser que a ANICT tenha também um novo diploma para regular o regime jurídico das unidades de investigação, a ascensão a esta categoria terá um caráter temporário e em Portugal não poderá haver mais do que algumas (poucas) centenas de investigadores coordenadores!

6.  O estatuto do bolseiro de investigação seja exclusivamente cingido a estudantes do ensino superior, que usufruem de bolsas de estudo durante os seus estudos de doutoramento e/ou mestrado; Deve salientar-se que se trata da única medida positiva que o documento contém. No entanto, nada tem de original pois tanto os sindicatos (SNESup, FENPROF) como a Associação dos Bolseiros de Investigação (ABIC) há muito que defendem esta posição. Por exemplo, nesta legislatura apresentaram esta proposta aos vários grupos parlamentares, à Comissão Parlamentar de Ciência, Educação e Cultura e à Secretaria de Estado da Ciência. Infelizmente, a atual maioria não só não quis resolver o problema da precariedade dos bolseiros como a expandiu para o setor privado através dos projetos QREN. Não nos devemos esquecer que foi necessário os Sindicatos (SNESup e FENPROF) vincarem na Comissão Parlamentar de Ciência, Educação e Cultura que o desrespeito pelo Bolseiro de Investigação em Portugal atingiu o inimaginável numa democracia, bem explícito no facto da atual maioria parlamentar ter aprovado no Estatuto do Bolseiro de Investigação Científica um artigo que viola direitos fundamentais - “O bolseiro de investigação científica será punido pelas falsas declarações dos seus supervisores”, para que este artigo fosse alterado.

Se ao exposto juntarmos o comunicado público da direção da ANICT branqueando as evidentes e públicas irregularidades/ilegalidades subjacentes aos concursos InvestigadorFCT2013 e para atribuição das bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, torna-se evidente que nos últimos tempos esta associação não estará interessada em defender os interesses da ciência nem dos investigadores, não expressando também qualquer sinal de respeito pelas conquistas mais recentes. Parece antes tratar-se de uma organização muito peculiar, uma organização controlada por uma direção cujos membros terão sido infetados pelo vírus que está a destruir a Ciência em Portugal e aniquilar da dignidade dos Investigadores. E uma organização que até ignorará que no Politécnico também se faz investigação e existem investigadores que merecem tanto respeito como os demais.
Uma palavra final para a associação das Reitorias das universidades públicas à “discussão pública” promovida pela ANICT que não deixa de evidenciar uma inversão na forma como o CRUP tem acolhido as diversas movimentações da sociedade civil, mas numa estranha direção face à crítica generalizada sobre a forma como se está a gerir a Ciência em Portugal. Talvez esteja aqui também a justificação para a enorme passividade do CRUP em torno da ação da FCT e em particular da recente avaliação das unidades de I&D.
O SNESup expressa assim o seu completo repúdio pelas propostas da ANICT e apela à mobilização de todos para travar propagação deste vírus. Esta é uma posição que sabemos partilhada também por outras organizações sindicais representantes de docentes do ensino superior e investigadores.
A Direção do SNESup

Em 21 de outubro de 2014

A INSISTÊNCIA NA PODA

Disseram-me que António Coutinho, conhecido como "grande podador" devido à autoria da ideia de que o sistema português de ciência e tecnologia devia ser cortado em 50%, foi de novo ao programa de Medina Carreira, que acha pouco pois não se importaria de cortar 100%.

Não vi, mas disseram-me que se da sua primeira aparição no mesmo programa o imunologista desdenhou das ciências sociais e humanas da segunda desdenhou das engenharias, em particular das que se aprendem e fazem no Instituto Superior Técnico. Quanto às Universidades, para ele só se salvam a de Lisboa e  a  do Minho, deduzindo-se que as outras todas poderiam ser podadas.  A ciência portuguesa, para Coutinho, apesar dos erros monumentais e demonstrados da actual FCT, tem de se reduzir à viva força aquilo que ele chama "excelência". Além de "grande podador" afirma-se também como "grande avaliador", uma vez que já sabe onde está a dita cuja "excelência": está no Instituto Gulbenkian de Ciência, que ele dirigiu e aconselha, e está na Fundação Champalimaud, que ele também aconselha, curiosamente as duas na área da biomedicina no sector privado e na região de Lisboa. Quer dizer, Coutinho não consegue ver mais do que o seu umbigo. Não sabe que a ciência disciplinar, toda ela mas principalmente a excelente, se caracteriza por uma humilde consciência das suas limitações. Não sabe que só o trabalho interdisciplinar nas várias áreas permite hoje em dia avançar sobre o desconhecido. E não sabe que a cultura científica é a argamassa que deve cimentar a comunidade científica com a sociedade e que a unidade das ciências está na base dessa cultura.

Não sei se ainda existe um órgão colectivo  intitulado Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia ou se esse órgão passou a ser unipessoal, falando agora pela boca do seu presidente. Talvez não fosse má ideia haver um Conselho Nacional da Ciência e Tecnologia que defendesse a ciência e a tecnologia por inteiro e não apenas uma fatia dela, principalmente agora que elas estão seriamente ameaçadas por uma política inculta e irresponsável.

ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2015: CRATO GLOSA BOCAGE

Santana Castilho, em crónica no Público de hoje:

"Mas há lata maior. A “esclarificação” com que Crato nos brindou sobre o Orçamento do Estado para 2015 reconduziu-me ao Bocage boémio: o corte que aquela senhora deu, não foi ela, fui eu! É preciso topete para querer transformar 704,4 milhões de euros de corte orçamental na Educação (-11,3%) nos 200 milhões saídos da lógica anedótica do ministro."

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

BLOCO DE ESQUERDA EXIGE ADENDAS DO CONTRATO DE AVALIAÇÃO DA FCT

Num requerimento enviado esta terça-feira ao Ministério da Educação e Ciência, o deputado Luís Fazenda solicitou as adendas ao contrato que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) celebrou com a European Science Foundation (ESF) para realizar a avaliação das unidades de investigação,  e que a FCT se recusa a revelar há mais de 80 dias.


Texto do requerimento:

Assunto: Avaliação dos centros de investigação a decorrer com base em contrato com adendas ainda não assinadas pelas partes

O processo de avaliação dos centros de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) continua a criar polémica pelas piores razões. A revelação de que o contrato estabelecido pela FCT e a European Science Foundation (ESF) implicava obrigatoriamente um corte de 50% das instituições, que não passariam à segunda fase, ficando assim arredadas do acesso ao financiamento estratégico, independentemente do mérito do seu trabalho, deu já origem a um largo conjunto de acções e iniciativas, cujo desfecho jurídico teremos de aguardar. No entanto, as ameaças já tornadas públicas por parte ESF a uma investigadora que alertou para as falhas graves do processo de avaliação e a recusa da FCT em dar a  conhecer os termos do contrato e respetivas adendas, celebrado entre FCT e ESF revelam novos elementos que é necessário esclarecer.

Devido à falta de cooperação da FCT, um investigador recorreu à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos para aceder ao contrato e respetivas adendas. Em consequência recebeu uma resposta da FCT em que esta admite a existência de adendas ao contrato mas que, dado que as mesmas não foram ainda assinadas, não podem ser reveladas. Ou seja, a FCT lançou uma avaliação com base num contrato cujos termos não estão esclarecidos a meio da 2ª fase do processo de avaliação.

A confirmar-se esta situação estamos perante um caso de gravidade jurídica cujas consequências são difíceis de calcular. Dada a demonstrável incapacidade da FCT em gerir o processo de forma transparente é claramente necessário que o governo se responsabilize e disponibilize ao parlamento todos os documentos necessários para esclarecer o problema publicamente.  
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Educação e Ciência, requerer o contrato estabelecido entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia e a European Science Foundation e respetivas adendas propostas.

O deputado, 
Luís Fazenda 

PLÁGIO E COPIANÇO SÃO COISAS MUITO FEIAS


 “Antigamente, muito antigamente, copiar era uma coisa muito feia” (Alice Vieira, escritora).

Acerca do copianço escolar, não poucas vezes génese do plágio na vida futura profissional, transcrevo parte de um artigo da autoria de um nosso compatriota, Ricardo Reis, professor de uma das mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos e do mundo ,  com o sugestivo título “Copianço”.

Ao contrário do que acontece neste canto mais ocidental da Europa, nesse artigo descreve Ricardo Reis o que se passa numa das mais prestigiadas  universidades  dos Estados Unidos  e do mundo onde lecciona:

“Em Princeton, o professor é obrigado a deixar os alunos sozinhos na sala durante o exame. Vigiá-los seria uma falta de confiança, até porque todos assinam no topo da folha de resposta uma jura de que se vão comportar de uma forma honrada. Mas se alguém é apanhado a copiar (ou porque foi denunciado por um colega ou porque as respostas o tornam óbvio) então a punição é muito severa: pelo menos suspensão por um ano e talvez expulsão”(“Diário Económico”, 03/04/2007).

Pelo exposto se verifica que o plágio e o copianço, quer se processem em simples testes ou exames de todos os níveis de ensino, comunicações  científicas ou não, ou, ainda mesmo,  mesmo  provas de doutoramento, são uma questão ética de honrados costumes que devem ser inoculados, a exemplo das vacinas,  a partir dos primeiros anos dos bancos de escola, porque “é fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores” (Albert Einstein).


O plágio e  o copianço são fenómenos intemporais, não poucas vezes,  uma espécie  do gato e do rato em que o prevaricador  tenta encontrar justificação “moral”  chegando a ponto de alegar em sua defesa casos famosos de celebridades que pretensamente o cometeram. E os nomes surgem em catadupa e vilipêndio de gente medíocre: Eça, Camões, Gabriel d’Annunzio, Stendal, Lord Byron, entre outros, sobre quem recaiu, injustamente,  o opróbrio de plágio e não, apenas, de se terem inspirado em outras celebridades das Belas-Letras para escreverem as sua notabilíssimas obras.

Eles foram, isso sim, homens de génio que produziram textos imortais com característica bem pessoais e, por isso, isentos da infâmia do crime de plágio. A inspiração em obras de outros autores  não pode ser tida como plágio porque, escreveu-o Afrânio Peixoto (crítico literário e ensaísta brasileiro), “o homem de génio tem o direito de se apropriar das imagens e das ideias alheias e lhes dar colorido, harmonia, sedução, vida, que as farão imortais”.


O que, em Portugal  de “brandos costumes” e declarada falta de civismo, ou, sem papas na língua,  por “vivermos num país de aldrabões congénitos” (Maria Filomena Mónica, referindo-se ao “copianço” num exame a candidatos a juiz e a procurador) se me afigura difícil que se volte a tempos em que “antigamente, muito antigamente, copiar era uma coisa muito feia” porque,  no desânimo de Almada Negreiros, “o povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, Portugueses, só vos faltam as qualidades”. Neste particular, e neste dealbar do século XXI, os defeitos continuam excedentários!

LANÇAMENTO DE "DOURO" DE ANTÓNIO BARRETO

Informação recebida da Relógio d'Água:


Convite

O Autor, o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I. P., e a Relógio D’Água Editores
têm o gosto de convidar para o lançamento de


Douro
Rio, Gente e Vinho
de António Barreto

(Organização fotográfica de Ângela Camila Castelo-Branco)


que terá lugar no auditório do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I. P.,
na Rua Ferreira Borges, n.º 27, no Porto, na terça-feira, 28 de Outubro, às 17.45h.

A apresentação será feita pelo historiador Gaspar Martins Pereira.

Será servido um Porto de Honra após a sessão.

Relógio D’Água Editores • Rua Sylvio Rebelo, n.º 15 — 1000-282 Lisboa • relogiodagua@relogiodagua.pt •Tel. 218 474 450 • Fax 218 470 775


COMBATER O EFEITO DE ESTUFA

Texto recebido de Arnaldo Dias da Silva:

O projecto parece muito sedutor na versão que chegou às mãos: incluir na dieta de monogástricos (aves e suínos) um alimento single cell protein resultante da cultura de uma ou mais bactérias utilizadoras de metano como fonte de energia, fazer crescer essa cultura de bactérias, granular, incorporar em dose adequada nas rações daqueles animais e... esperar que os animais comam, tenham saúde e cresçam!

Desde que sejamos capazes de captar metano em quantidade suficiente e segura das inúmeras fontes disponíveis – pelo menos as mais importantes -, incluindo os milhões de ruminantes existentes à superfície da Terra, certamente que não será muito difícil fazer o resto.

(Antes de prosseguir é preciso dizer que a bactéria em causa – Metylococcus capsulatus – foi descoberta após a assinatura do protocolo de Kyoto, em Fevereiro de 2005)   

O Departamento de Ciência Animal da Universidade de Agricultura em Aarhus, propõe-se justamente realizar o trabalho de alimentação, para já em porcos (HanneDamgaard.Poulsen@agrsci.dk).

O trabalho será realizado em conjugação com outro estabelecimento de ensino superior agrário da Dinamarca e com uma empresa, também ela dinamarquesa, que domina a componente tecnológica do processo - a produção industrial da bactéria ou, o que é o mesmo, de single cell protein.

Este projecto, que se espera possa durar 3 a 5 anos, é apoiado financeiramente pelo fundo dinamarquês para a inovação (InnovationsFonden) que, para o efeito, disponibiliza desde já 15 milhões de coroas dinamarquesas.

Como anunciou a Universidade de Aarhus, este projecto pode bem representar uma prenda para o ambiente - a gift for the environment, assim pode ler-se no Boletim de divulgação da Universidade de Aarhus do mês de Outubro de 2014.

Se nos lembrarmos da enorme dependência dos países da UE para fontes proteicas usadas em alimentação animal como a soja e seus derivados – a dependência de Portugal é bem maior que a da média comunitária – é fácil perceber o alcance do projecto.

Devemos acentuar que a via da produção de single cell protein, além de poder contribuir para reduzir a dependência europeia em fontes proteicas para animais (e, portanto para o homem), pode dar contribuição valiosa para a redução do efeito de estufa diminuindo as responsabilidades do metano para (potencialmente) tão grave problema.

Na minha opinião seria excelente se o nosso INIAV – sigla, permitam que lembre, de Laboratório Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (sob alçada do Ministério da Agricultura e Pescas) - e das várias unidades ID das várias universidades e institutos politécnicos trabalhassem sobre este assunto.

E porque que me parece ser a altura muito  boa, infelizmente para todos os portugueses, seria também muito bom que o Presidente da FCT em conjunto com os seus assessores para a parte agrária se ocupassem seriamente destes problemas. Se os assessores que o actual presidente da FCT tem, não ficarem ofendidos por ter empregue esta maldita palavra agrária …

Arnaldo Dias da Silva

Vila do Conde,15 de Outubro de 2014 

NOVOS LIVROS DA GRADIVA

Informação recebida da Gradiva:

A Chave de Salomão

A Chave de Salomão é o novo romance de José Rodrigues dos Santos e estará à venda a partir de dia 23 de Outubro. A apresentação está marcada para o sábado, 25 de Outubro, pelas 17h00, no auditório 1 da FIL, no Parque das Nações, na Rua do Bojador, (junto ao pavilhão Atlântico), em Lisboa. O novo romance do autor será apresentado pelo psiquiatra Mário Simões e pelo físico Pedro Ferreira. A sessão de lançamento será precedida pela encenação de um excerto do romance pela companhia de Teatro Fatias de Cá. A Chave de Salomão aborda o maior mistério científico de todos os tempos, uma espantosa descoberta feita pelos físicos e que indicia que é a consciência que cria a realidade. Perante estas desconcertantes descobertas, Albert Einstein afirmou: "Gostaria de acreditar que a Lua existe se ninguém estiver a olhar para ela." Através de um romance de ficção, José Rodrigues dos Santos apresenta as respostas que a ciência encontrou para algumas das mais importantes perguntas da humanidade: O que acontece quando morremos? O que é o universo?;  O que é a realidade?; O que é a consciência? A Chave de Salomão é o décimo terceiro romance de José Rodrigues dos Santos, autor da Gradiva que já vendeu mais dois milhões de exemplares em todo o mundo e está publicado em mais de vinte línguas. À semelhança do que acontece em Portugal, José Rodrigues dos Santos tem conquistado consecutivamente os primeiros lugares nos tops de vendas em vários países.

«Fora de Colecção», n.º 429, 624 pp. €22,00

José Veiga Simão — Uma Vida Vivida, vol. I  - Do Estado Novo de Salazar à Primavera Marcelista
Pedro Vieira

Neste primeiro volume da biografia de José Veiga Simão, o leitor é conduzido através do percurso menos conhecido do protagonista de uma das maiores reformas do ensino em Portugal: cobre cronologicamente a etapa até 1970, quando Veiga Simão deixa Lourenço Marques para ser ministro da Educação Nacional do governo de Marcelo Caetano. Uma obra necessária e oportuna. 

«Fora de Colecção», n.º 424, 260 pp.

Do Pântano Não se Sai a Nado - Meias Verdades nos Consulados de Salazar e Caetano, no Contexto da Revolução de Abril e na Progressiva Consolidação Democrática
Joaquim Silva Pinto

Passados todos estes anos, reforça-se o sentimento ou mesmo a convicção de haver algo ainda por contar na história do 25 de Abril. Nesta e noutras matérias, numa linguagem acutilante, o autor enfrenta decididamente as meias verdades que convenientemente foram sendo transformadas em lugares‑comuns. Um livro repleto de surpresas.

«Fora de Colecção», n.º 423, 144 pp.

Jardins de Cristais - Química e Literatura
Sérgio Rodrigues

Encontram‑se aspectos de química em quase todos os textos literários? Sérgio Rodrigues acredita que sim e, neste livro, mergulha numa multidão de autores, que, como diz João Lobo Antunes no prefácio, «o sábio Mendeleev não conseguiria encaixar em qualquer tabela», e convoca‑os para convencer os leitores dessa ideia aparentemente estranha. Num mundo dependente da química, mas que parece condena‑la à invisibilidade, podemos ir de Homero e da Bíblia a Marx e Ian McEwan, passando por Camões, Camilo, Victor Hugo, Dostoiévski, Miguel Torga e muitos, muitos outros, todos eles ligados pela química. Um livro que agradará a leitores das áreas científica e literária.

«Ciência Aberta», n.º 209, 276 pp.
http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/7814

O Mito de Inglaterra - Anglofilia e Anglofobia em Portugal (1386‑1986)  
Luiz Eduardo Oliveira

Este livro procura apreender, nos discursos que «narram» Portugal na longa duração da sua história, os momentos de tensão, ambiguidade e oscilação das representações de anglofobia e anglofilia, com base nas relações político-diplomáticas, dinásticas e culturais entre os dois países. Assim, foram demarcados dois limites cronológicos significativos: 1386, ano em que foi firmado o Tratado de Windsor, e 1986, ano em que Portugal foi admitido na Comunidade Económica  Europeia.

«Fora de Colecção», n.º 430, 464 pp.

Um Olhar Sobre a Indústria de Moldes
Henrique Neto

O livro Um Olhar Sobre a Indústria de Moldes, de Henrique Neto [...] é o testemunho vivo de um marinhense, operário, técnico, dirigente, gestor e empresário. Um cidadão que nunca abdicou de assumir a participação política como actividade ao serviço de ideais sociais e do Bem Público. [...] O objectivo com que Henrique Neto escreve o seu livro é plenamente atingido ao dar‑nos conta da importância dos principais acontecimentos de quase oitenta anos da indústria de moldes, protagonizados no nosso país por gentes da Marinha Grande e de Oliveira de Azeméis.» José Veiga Simão, in Prefácio.

«Fora de Colecção», n.º 425, 180 pp.



Os livros estarão disponíveis para venda a partir do dia 23 e 27 de Outubro.


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1.ª DAS NOVAS CONFERÊNCIAS DO CASINO


Letras Com Vida
A não perder no próximo dia 25 de outubro, no Espaço CASINO ESTORIL, pelas 16:00h, mais uma sessão das Novas Conferências do Casino, subordinada ao tema  O Hiper Humano e as Sociedades do Futuro, reunindo os oradores Viriato Soromenho-Marques e José Augusto Bragança de Miranda, com a coordenação a cargo de Annabela Rita.

Luto pela Ciência

Comunicado divulgado pelo SBESUP no dia 17 de Outubro:
  
Infelizmente, temos vindo a assistir a um retrocesso em termos de políticas científicas, quebrando-se a coesão nacional que existia, em prol de um projeto de elitização da Ciência. Este projeto de concentração e redução está longe de reunir consenso, (exceto na sua condenação). Apesar da intenção de redução para metade, quer em termos de investigadores, quer de unidades de investigação, há ainda intenções que vão tentar levar esta agenda a pontos do impensável. Nelas inclui-se a divisão da comunidade científica, a pretensa revisão de vencimentos e muitas outras propostas que, dado a descredibilização corrente da Secretaria de Estado da Ciência e da Fundação de Ciência e Tecnologia, terão de ser apresentadas por outrem.
 
Os tempos são de uma crise profunda, que afeta os próprios valores científicos de cultura e liberdade.
 
Por todas estas razões, iniciaremos uma campanha de luto pela ciência. Luto esse que se prolongará durante o tempo necessário em que se mantiverem as falhas gritantes que têm atingido um setor fundamental para o país.
 
A enunciação deste luto é simples. É uma exteriorização do descontentamento através da impressão de uma folha em negro, que pode ser afixada na porta do gabinete, nas janelas, ou em outro qualquer local das instituições, representando a página negra da ciência em Portugal. É também a demonstração de um luto que se alastra a uma peça de vestuário, nesta sexta-feira, dia 17 de Outubro, em que vários países europeus estarão em protesto.
 
É um luto académico e científico pelo enclausuramento da ciência. É a indignação que a todos nos atravessa. É um luto que luta pela ciência.
 
 
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O que viu Passos Coelho em Nuno Crato?

Com a devida vénia, transcrevemos o artigo de Pedro Tadeu, jornalista do DN, saído no número de hoje desse jornal. Também eu não percebo o que passa pela cabeça de Nuno Crato para pensar que menos é mais: que menos dinheiro para a educação é melhor para a educação, que menos institutos de ciência é melhor para a ciência. A matemática dele pode estar de acordo com a de Passos Coelho, mas não bate certo com a lógica ou o bom-senso.

Pedro Passos Coelho noticiou ontem que Nuno Crato, após a catadupa de falhas e erros no início do ano letivo, se ofereceu, de baraço ao pescoço, ao sacrifício da demissão mas "nunca evitou agarrar no problema e nunca procurou lavar as mãos do assunto. Isso só significa que acertei quando o escolhi para ser ministro da Educação". E, por isso, Crato prossegue, serenamente, a gestão de um ministério onde, no projeto de Orçamento do Estado, se promete cortar para o ano mais 700 milhões de euros. Se o objetivo de Passos, quando formou governo, foi a de procurar homens e mulheres que teimosamente insistissem em repetir erros em cima de erros, sem nunca perder a determinação com que procuram novos erros para cometer, então, não há dúvida, Nuno Crato foi uma escolha espetacular.


De resto o homem já reincidiu: os tais 700 milhões de cortes inscritos por Maria Luís Albuquerque nas contas da Educação são "na prática, 200 milhões" disse-nos ele guiado, suspeito, pela habitual matemática obstinadamente errada e candidamente adorada pelo chefe do governo. Com números lidos assim adivinho já as casas de apostas a tratar de cotar a data da próxima paralisia das aulas em Portugal: "Será antes das férias de Natal (pagamos 1,2 por cada euro apostado) ou no segundo período (4,50 por cada euro apostado)?"


Com a confiança de quem está habituado a prever coisas que não acontecem - qualidade certamente imprescindível para trilhar caminhos políticos com Passos Coelho - o homem que coloca professores à balda e depois pede desculpa garante que não encerrará escolas em 2015, nem decidirá novos despedimentos de professores, nem aplicará experimentalismos nas salas de aula... à luz do passado deste político deverá acontecer, portanto, o contrário.


Este governo retirou, desde 2012, mais de 1750 milhões de euros ao financiamento do ensino pré-escolar, básico e secundário e 401 milhões ao ensino superior. Isto foi feito com Crato a garantir, obstinado, que o ensino público ia melhorar. O desastre está avista, claro. "Não faz mal", repete o hipotético demissionário, "para o ano reforçamos a dose". E, neste caso, nem desculpas pede!


A teimosia de Crato é a mesma qualidade que levou Passos a aprovar orçamentos errados, retificados várias vezes ao longo dos exercia cios, como irá acontecer em2015. A teimosia de Crato é a mesma que leva Passos a insistir, para salvar o país, em levar uma boa parte dos portugueses ao nível de vida limiar à pobreza. Por isso Passos está certo quando diz que viu, em Crato, as virtudes que, cegamente, acha que ele próprio tem. Há muito tempo que não ouvia palavras tão acertadas do primeiro-ministro.  

Pedro Tadeu - Jornalista  


Diário de Notícias 2014-10-21

PASSOS COELHO REVELA PEDIDO DE DEMISSÃO DE NUNO CRATO

Hoje Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal, revelou o que já se sabia: que Nuno Crato, ministro da Educação do seu governo, se quer vir embora, pretensão que o responsável máximo pela governação, pelo menos por enquanto, impediu. Muito provavelmente vai aceder à pretensão do seu ministro após a discussão do Orçamento de Estado, por uma razão marcadamente partidária: o ministro da Educação, com a sua actuação desastrada na educação e na ciência (designadamente a má colocação dos professores e o abate de metade das unidades de investigação), está a fazer perder muitos votos ao PSD e ao CDS. A tentativa de sobrevivência política por mais algum tempo de Passos Coelho irá ditar a sorte do seu ministro mais impopular. Para a sua substituição será provavelmente usada uma solução interna, do tipo da que hoje foi publicitada: o secretário do Ensino Básico e Secundário, autor de um plágio, foi substituído  por um ex-adjunto do ministro e burocrata do ministério.

Politicamente é insuportável que Passos Coelho mantenha por muito mais tempo um ministro que, pela monstruosidade da máquina  e por manifestos erros próprios, já foi colocado por um jornal económico de referência a par do inefável Mário Nogueira e cuja popularidade está abaixo da do extraordinário Miguel Relvas.  Na altura certa, isto é, num dia em que se fale menos do assunto, assistiremos a queda do maior responsável pela baixíssima cotação do governo, tal como alguns "barões" do PSD já preconizaram. O anúncio feito hoje de que houve  uma demissão destina-se a preparar deste já a concretização futura da saída. Já não será grande novidade.

Curioso é que quem já fez no seu íntimo a avaliação política do ministro da Educação e Ciência é alguém que, tanto na educação como na ciência, tem muito menos capacidades do que o avaliado. Com efeito, toda a gente sabe que o actual primeiro-ministro tentou fazer um curso de matemática numa universidade pública sem o conseguir e acabou por completar, aos 37 anos, um curso de Economia numa universidade privada.  Apesar de todos os seus erros mais recentes, na educação e na ciência, Nuno Crato fez uma licenciatura em economia no ISEG e um doutoramento em matemática aplicada pela Universidade de Delaware. Muita gente pergunta como é que ele se deixou encantar por um primeiro-ministro com tantas limitações. E como é que conseguiu conviver com ele durante tanto tempo.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

O meu ensaio sobre Pseudociência


Já está disponível o meu novo livro "Pseudociência", publicado na Colecção Ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Já aqui transcrevemos as primeiras páginas, acrescento agora mais acerca do livro e temas que são abordados.

O que é a pseudociência?
É tudo o que se faz passar por ciência sem o ser. 

O que é a validade científica?
A validade científica não se baseia em figuras de autoridade (médicos, cientistas da NASA, especialistas, gurús) nem no uso abusivo de linguagem científica (pulseiras com um holograma quântico, iogurtes com bactérias especiais, etc.). A ciência assenta em provas e a validade científica concretiza-se com experiência ou observações passíveis de serem reproduzidas por outras pessoas, de modo a que possam ser confirmadas ou refutadas de modo independente.

De que trata o livro?
Na primeira parte, intitulada “De que estamos a falar”, procura-se definir pseudociência e chamar a atenção para os exemplos que estão por todo o lado (na internet, nos jornais, nos supermercados, nas farmácias, etc).

Na segunda parte, intitulada “Manual de Aldrabices” são apresentadas várias das estratégias habituais da pseudociência (figuras de autoridade, uso abusivo de linguagem científica, teorias da conspiração, síndrome do génio solitário, tática da controvérsia, publicidade enganosa, etc.) e apresentados exemplos (homeopatia, acupuntura, lei da regulação das terapias alternativas, movimentos anti-vacinas, medicina quântica, alimentos geneticamente modificados, alterações climáticas, iogurtes com probióticos, ensaios clínicos escondidos). 

Na última parte, intitulada "Luz ao fundo do túnel" são propostas algumas ferramentas que visam ajudar o leitor a melhor distinguir ciência de pseudociência (mas sem prometer nenhum milagre, o única antídoto contra a pseudociência é a cultura científica).

Sabia que os remédio homeopático são só água e açúcar?
O único efeito que os remédios homeopáticos têm é o placebo, ou seja a sensação de melhoras subjectiva e transitória que sentimos simplesmente porque somos alvo de atenção médica. Os preparados homeopáticos são obtidos através de diluições sucessivas, de tal modo que no final não sobra nada, a não ser água, que depois é vertida para cima de um comprimido de açúcar. Os homeopatas dizem que não faz mal e que água tem uma espécie de memória das moléculas que teve dissolvidas. Essa memória não existe. Caso contrário, já imaginou os traumas de uma molécula de água depois de saltar de um autoclismo?

Sabia que é um erro regular o exercício da profissão de homeopata?
No dia 8 de Outubro de 2014 foi publicado em Diário da Republica uma portaria (207-C/2014) que regula o exercício da homeopatia. Regular uma medicina que não funciona é equivalente a regular a amestração de dragões, incluindo práticas de bem-estar animal.

Sabia que a Danone foi condenada por publicidade enganosa em vários países?
Já reparou que nunca mais lhe disseram que o iogurte Activia “regula o trânsito intestinal”? E que essa afirmação foi substituída por um gesto largo à volta da barriga e pela expressão “barrigas felizes”?

Sabia que não vacinar os filhos é uma moda egoísta, anti-social e irresponsável?
Os movimentos anti-vacinas são tão antigos como as vacinas e, paradoxalmente, resultam do sucesso das vacinas: se não há praticamente casos de uma determinada doença porque haveremos de nos vacinar? Os movimentos recentes têm origem numa possível associação entre a vacina tríplice e o autismo, proposta num artigo científico publicado em 1999 e da autoria do médico inglês Andrew Wakefield. Esse artigo era uma fraude, com dados falsificados, Wakefield  foi desacreditado e impedido de exercer medicina.

ATENÇÃO: UNIDADES CHUMBADAS TÊM QUE RECLAMAR ATÉ 23 DE OUTUBRO

As unidades que tiveram o seu recurso desfavorável no âmbito da audiência prévia têm recebido informações contraditórias por parte da FCT. Alguma têm sido informadas que a contestação formal só poderá ser feita depois de terminada a 2º fase, outras têm tido a indicação de que o poderão fazer nos 15 dias úteis a seguir à notificação da decisão. À luz do Código de Processo Administrativo a hipótese correcta é a segunda. Apesar da FCT não ter aberto, para esta fase, a possibilidade de contestar através da plataforma, esta deve ser feita fora da plataforma e dirigida ao Presidente da FCT.

Transcrevemos uma mensagem do SNESup acerca deste assunto:

Estimados Coordenadores de Unidades de Investigação,

(...)

O SNESup vem por este meio informar que, de acordo com o artigo 23º do regulamento do concurso, as unidades que não viram o seu recurso favorável após a audiência de interessados podem (e devem), apresentar reclamação, nos 15 dias uteis após a notificação da decisão, junto do conselho diretivo da FCT. Assim, para as unidades que foram notificadas no dia 2 de outubro, o prazo para apresentar esta reclamação termina no próximo dia de 23 Outubro. Esta reclamação tem a grande vantagem de obrigar a FCT a nomear um novo júri para fazer a avaliação, pelo que incentivamos todas as unidades que se sintam prejudicadas com o processo a apresenta-la.

A direção da FCT tem a obrigação de dar resposta a esta reclamação no prazo de 30 dias uteis, ou seja, até 5 de Dezembro de 2014.

As unidades de investigação que vierem a ter resposta desfavorável à sua reclamação, assim como todas aquelas que não tiverem resposta até 5 de dezembro, tem mais 90 dias consecutivos para interpor uma ação em tribunal com o objetivo repor a justiça e legalidade no processo.

Também Informamos que:

1 - O SNESup disponibiliza apoio jurídico a todas as unidades de investigação que necessitem de recorrer aos tribunais para repor a justiça;

2 - As unidades de investigação (mesmo sem número fiscal) têm legitimidade para interpor a Acão em tribunal;

3 - Os custos associados a um processo deste tipo só se aplicam se a decisão vier a ser desfavorável às unidades e, correspondem a 612 euros (resolução numa primeira instância, distribuídos em duas partes: 306 euros no início mais 306 euros no final) ou no máximo de 1800 euros se se apresentar recurso, esgotando todas as possibilidades legais para um processo deste tipo.


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domingo, 19 de Outubro de 2014

“O Moedas, o Moedas! Eu punha já o Moedas a funcionar”

O título de cima foi uma frase de um membro da família Espírito Santo, numa reunião gravada do grupo Espírito santo. Ricardo Salgado, o chefe do BES ,  pegou no telefone e ligou imediatamente a Carlos Moedas "para o pôr a funcionar": Queria que facilitasse ao BES um contacto com um ministro do Luxemburgo e com o Presidente da Caixa Geral de Depósitos. O Eng. Moedas, funcionando, anuiu e afirmou que ia fazer o que lhe era pedido.

Não fui uma das pessoas que vituperou Moedas quando ele foi indigitado comissário europeu para a ciência. Mas, com notícias destas, o começo dele não está a ser nada bom. Esta informação relativa ao seu passado recente mostra a sua estreita ligação a grandes banqueiros responsáveis por calamidades financeiras. Alguém imagina algum grande cientista, um prémio Nobel ou à nossa escala um colaborador de prémios Nobel como Nuno Peres, a telefonar ao Eng. Moedas? Mas os banqueiros telefonam devido  talvez  à passagem do comissário indigitado pela Goldman Sachs. O Eng. Carlos Moedas não conhece a grande ciência  (nem sequer conhecia Nuno Peres, o cientista português mais citado da última década, conforme revelou  ao jornal I). mas, em contrapartida, conhece a grande banca. Começamos a recear pela ciência europeia.

Censura europeia e lápis azul na ciência

O professor universitário de Economia Francisco Louçã escreve no Público sobre a censura europeia à ciência: aqui.

CONSELHO CIENTÍFICO DA FCT AFIRMA QUE AVALIADOR FOI FORÇADO A DESCER NOTA

Num documento de 6 de Outubro intitulado "Relatório-síntese Reações das Unidades de I&D à 1.ª  Fase de Avaliação", o Conselho Científico para as Ciências Sociais e Humanas da Fundação para a Ciência e Tecnologia - FCT critica duramente o processo de avaliação em curso das unidades de investigação, ao dar voz às posições de unidades dessa área, que foram auscultadas. A maior parte das que respondera apontaram  erros graves no processo.

O documenta elenca três aspectos positivos e nove aspectos negativos, entre os quais:
h) Condicionamento dos/as avaliadores/as. Este aspeto foi referido por uma única unidade de I&D. No entanto, a gravidade do que foi relatado leva-nos a incluir esta referência. No contributo da unidade respetiva, cita-se o seguinte comentário, com indicação concreta do Reviewer: “5/5 overall for C would be right; since I am not allowed this mark, it has to be 4”.
É significativo que um dos Conselhos Científicos da própria FCT expresse duras críticas ao processo (afinal, a maioria silenciosa, evocada por Miguel Seabra como defensora da avaliação, nem dentro das paredes da FCT se faz ouvir). Mas, como o próprio Conselho Científico afirma, é de particular gravidade o comentário do avaliador revelado. Mostra, sem margem para dúvidas, que as classificações das unidades de investigação tiveram que ser ajustadas de modo a se encaixarem na quota de 50% de passagens à segunda fase definida no contrato entre a FCT e a European Science Foundation. Era preciso baixar a nota a uma unidade, independentemente do seu mérito, para que outra pudesse passar.

O relatório completo está aqui:

sábado, 18 de Outubro de 2014

JOÃO GRANCHO, PLÁGIO E DOXOMANIA


“Quem o alheio veste na praça o despe”
Ditado popular. 

A recente notícia do Público (17/10/2014), em título de 1.ª página – “Secretário de Estado plagia textos sobre ‘dimensão moral’ da profissão docente” –, ainda que de forma indirecta, chama a atenção para a necessidade da criação de uma Ordem dos Professores para consubstanciar, num código deontológico, a “dimensão moral da profissão docente”, de que João Grancho se fez arauto público, em nítida doxomania (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: “impulso excessivo e mórbido de alcançar glória”), porquanto teve ele unicamente um papel pouco relevante para a consecução desse desiderato relativamente à forte acção desenvolvida, nesse sentido, pelo Sindicato Nacional dos Professores Licenciados.

Aliás, acção essa posta em destaque pelo Estudo Nacional, coordenado por João Ruivo (com a honestidade, a isenção e o rigor cientifico que devem presidir a trabalhos desta natureza), intitulado “Ser Professor-Satisfação Profissional e Papel das Organizações Docentes”, edição do Instituto Politécnico de Castelo Branco e Associação Nacional de Professores ((Maio 2008).

Desse estudo (ao que julgo, baseado num meu artigo de opinião no “Jornal de Notícias”, em 8 de Março de 2006, intitulado ”Ordem dos Professores e AR”), respigo: "De acordo com Baptista (2006), já em Junho de 1996 o SNPL submeteu à Assembleia da República uma proposta de estatutos da possível Ordem a criar. Mais tarde, a 25 de Fevereiro de 2004, este sindicato submeteu, também à Assembleia da República, uma petição para a criação da ordem, contendo 7857 assinaturas. 

Por último, e de acordo com o autor supra mencionado, no dia 2 de Dezembro de 2005 debateu-se na Assembleia da República a petição n.º 74/IX (2.ª) do SNPL e outros para a criação da Ordem. As várias intervenções proferidas pelos deputados dos diversos grupos parlamentares também não denotaram convergência de opinião relativamente a esta matéria.

A deputada do PCP, Luísa Mesquita, centrou a sua intervenção na necessidade de haver uma maior autonomia profissional, cabendo aos professores a decisão de se criar um código deontológico para essa classe profissional. Por sua vez, para João Teixeira Lopes, deputado do Bloco de Esquerda, deveria caber ao Estado a definição dos critérios de acesso à profissão, bem como os códigos de natureza ética e deontológica. O seu argumento assenta no pressuposto de que a profissão docente assume-se como sendo um serviço público, pelo que deve ser tutelado pelo Estado. 

Já o deputado do Partido Socialista, João Bernardo, referiu que a criação de uma ordem profissional carece de uma reflexão profunda, para que não fiquem dívidas acerca das suas funções e competências, e de modo a não colidir com outras entidades profissionais.

Por último, as intervenções dos deputados do Partido Social Democrata e do CDS/PP. Fernando Antunes e Abel Baptista, respectivamente, foram muito favoráveis à criação de uma Ordem dos Professores, alegando o primeiro que “a ambição de criar uma Ordem dos Professores surge, pois, aliada a um forte sentimento de união de classe” (Baptista, 2006), e o segundo que “[…] a criação da ordem dos Professores, acrescentaria, desde logo, a dignificação da actividade docente […]” (Baptista, 2006)". 

Reporto-me, novamente, a João Grancho, ex-secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, diplomado pela Escola do Magistério Primário do Porto (1980), habilitado com o Curso de Estudos Superiores em Administração Escolar, pelo Instituto Superior de Ciências Educativas, e antigo presidente da actual Associação Nacional de Professores (antiga Associação Nacional de Professores do Ensino Básico, representativa de professores diplomados pelas antigas Escolas do Magistério Primário e de Educadores de Infância) por ele ser eterno reclamante da criação de uma Ordem dos Professores, tendo anunciado, inclusivamente, “num seminário, realizado em 91, em Viseu, o firme propósito de se transformar em Ordem” (“Diário de Coimbra”, 07/05/91).

Debruço-me, agora, sobre o texto da notícia em título de 1.ª página do Público, citada no 1.º § deste meu post. Nela lê-se: “João Grancho copiou [em acrescento meu, verbo pro verbo], sem citar, partes de dois textos sobre educação numa comunicação que apresentou num seminário espanhol em 2007. O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário recusa a acusação”.

Ou seja, João Grancho usou do seu pleno direito em ser ouvido, mas como escreveu Hubert Humprhey, “o direito de ser ouvido não inclui automaticamente o direito de ser levado a sério”. Essa recusa em aceitar a acusação recaída sobre vários textos por si copiados sem referência aos académicos seus autores, nem sequer na respectiva bibliografia, ou assinalados, no mínimo dos mínimos, com simples aspas, é fundamentada por João Grancho com a “afinidade entre o pensamento da ANP e do professor” [Reis Monteiro, professor do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa] que, “depois de consultar os trabalhos em causa, optou por não se alongar. Admitiu a ‘reprodução’, mas escusou-se a fazer um juízo de valor sobre o sucedido”.

Já outro dos plagiados, “João Pedro da Ponte, director do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa foi mais assertivo. ‘Isto é uma cópia integral, nem sequer houve trabalho de disfarçar, disse ao Público. ´É um tipo de prática que deve ser condenada na nossa sociedade e é de assinalar que tenha sido feito por uma pessoa com responsabilidades na Educação’, afirmou. E mais acrescentou, João Pedro da Ponte, “sobre a gravidade do acontecido”: “Nós no Instituto da Educação consideramos que – e explicamos isso aos alunos – é intelectualmente desonesto copiar um texto como se fosse feito por nós, seja um texto científico ou qualquer outro texto”.

Dado o facto de “a originalidade ser a única coisa cuja utilidade não podem compreender os espíritos vulgares” (John Stuart Mill), penso que o código deontológico de uma Ordem dos Professores serviria de travão a procedimentos de necessitados de uma bússola do que lhes indicasse os procedimentos éticos a seguir e que não se coadunam - mais do que isso, são recriminados e incriminados - com o plágio por parte dos professores de posse de uma futura cédula profissional que lhes impusesse direitos e deveres.

Aquilo que o próprio João Grancho, ao demitir-se, tem, segundo a 1.ª página do Público de hoje, como um “imperativo de consciência”. Imperativo esse, embora por si mitigado pela desculpa esfarrapada de “motivos de ordem pessoal”, como se, ao contrário de que nos diz George Bernanos, houvesse meias verdades

O medo de não cometer um erro

Existe um fenómeno no nosso sistema educativo que não consigo entender e muito menos explicar: a persistência em práticas contraproducentes, e isto mesmo quando são reconhecidas como tal.

Uma das práticas que me deixa mais desconcertada é a passagem, no início do ano escolar, de um questionário/ficha biográfica/de caracterização do aluno/de caracterização sócio-económica do aluno/do aluno e da família (as designações variam, as perguntas nem tanto). Falei várias vezes dela neste blogue (por exemplo aqui, aqui, aquiaqui), por isso, desculpem-me os leitores a insistência.

Há muitos anos que abordo o assunto na universidade, em centros de formação, em escolas, e, do que me é dado perceber, em geral, os professores, alguns deles directores de turma, entendem os argumentos (de ordem, psicológica, pedagógica, ética, legal...) que permitem afirmar tratar-se de uma prática sem qualquer suporte no conhecimento pedagógico e a que se imputam diversos efeitos nocivos para a aprendizagem. Logo, é um erro.

Quando, passado um tempo, procuro saber os "efeitos da formação", o que vejo? Que a ficha, o questionário continua a ser passado, tal e qual como era. Mais recentemente comecei a perguntar: Porquê? A resposta é desconcertante: porque tem de ser, porque alguém manda, porque a avaliação..., porque tem de constar no dossier, porque caso não se faça... Em suma, o medo!

O medo de não cometer um erro! Cometer um erro é uma segurança!
Haverá outras profissões, que não o ensino, onde isto aconteça?