quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

"PROFESSORES PARA QUÊ? ESTÁ TUDO NO GOOGLE!"




Na próxima terça-feira, dia 28 de Janeiro, às 18h, no âmbito do ciclo de palestras de cultura científica "Ciência às Seis - 4ª temporada", realiza-se no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a palestra intitulada "Professores para quê? Está tudo no Google" com Helena Damião, Professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e membro integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20) da mesma Universidade.



RESUMO DA PALESTRA:
"A designada “narrativa da educação do futuro/do século XXI”, criada por organizações internacionais de alcance global e adoptada nos mais diversos sistemas de ensino, incluindo o português, é composta por um conjunto de slogans que se vê reproduzido pelos agentes que, directa ou indirectamente, participam nesses sistemas. Entre esses slogans, destaca-se o seguinte: “está tudo no google” ou, numa formulação aproximada, “o google sabe tudo”. Explica-se que o conhecimento escolar, “antes” transmitido pelo professor, pode “agora”, com inúmeras vantagens, ser encontrado e trabalhado, de modo autónomo, pelos alunos com vista à aquisição de “competências”. A palestra centra-se neste slogan, cuja essência, note-se, vem de longe, apesar de a contemporaneidade lhe emprestar novas roupagens. Em concreto, com base na obra clássica “Professores para quê?”, de George Gusdorf, discute-se o seu sentido e consequências de que, como sociedade, devemos estar bem conscientes."

O Ciclo "Ciência às Seis" é coordenado por António Piedade, bioquímico, escritor e comunicador de ciência.

A entrada é livre e destinada ao público em geral interessado em cultura científica.

Natural isn't necessarily good. | David Marçal | TEDxPorto

My Ted talk, about the myths of natural products, now with English subtitles. Thanks Norberto Amaral for the translation!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Novidades dos Classica Digitalia. “Autores Gregos e Latinos”

Os Classica Digitalia têm o gosto de anunciar duas novas publicações com chancela editorial da Imprensa da Universidade de Coimbra. 

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital, em acesso aberto. 

Série “Autores Gregos e Latinos” [textos]

- Carlos A. Martins de Jesus: Antologia grega. Epitáfios (Livro VII). Tradução do grego, introdução e comentário (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2019). 302 p.
[O livro VII da Antologia Grega reúne um total de 748 epigramas que, salvo algumas exceções, respondem à categorização de epitáfios. Planudes copiou 582 destes epigramas, onze dos quais ausentes da tradição palatina, não sendo claro o critério que levou à exclusão dos outros 179 presentes em P. Dialógico ou não, desde as suas origens o epitáfio encena, implicitamente que seja, uma relação efémera entre o defunto celebrado e outro indivíduo que o lê. Trata-se de imortalizar, de garantir que o primeiro mantém, por via da memória (mnema), uma relação com o mundo dos vivos, conseguida no momento em que o seu nome é pronunciado pelo transeunte que o lê na lápide.]

- Rui Morais & Andreia Arezes, Minoicos: os guardiães da primeira civilização europeia (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2020). 119 p. [Manual de apoio à iniciação ao estudo da Civilização Minoica.]

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

COMUNICAR CIÊNCIA - COLÓQUIO



No próximo dia 22 de janeiro de 2020, pelas 15.00, no Auditório do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC)/Coimbra Engineering Academy irá promover o Colóquio subordinado ao tema “Comunicar Ciência”, que contará com a presença do professor de jornalismo António Granado, da comunicadora e gestora de ciência Joana Lobo Antunes e da astrobióloga Zita Martins. Outras personalidades do jornalismo e comunicação de ciência portuguesas já indicaram a sua presença, pelo que a organização antecipa um colóquio muito participado e profícuo, que poderá constituir-se com um dos principais acontecimentos em Portugal nesta área do ano que agora começa.
A participação de todos os cidadãos interessados é livre mas, para obtenção de certificado de presença deverá ser efectuada uma INSCRIÇÃO cujo formulário está disponível na página da internet do ISEC.

Sinopse
Vivemos num mundo globalizado pautado pela ciência e pela tecnologia como forças motrizes do desenvolvimento, do conhecimento e bem-estar. Contudo, existe um fosso muito grande entre o conhecimento detido pelos cientistas e engenheiros, altamente especializado e desenvolvido, por um lado, e o conhecimento científico ou até a perceção dele, que a esmagadora maioria da população possui.
De facto, a literacia científica continua a ser vestigial na sociedade portuguesa. Entre as várias consequências negativas que este fosso provoca nos cidadãos, está a sua opinião pouco informada sobre assuntos e problemáticas actuais (e.g., como as alterações climáticas ou a exploração do lítio), o que enferma a sua liberdade e participação democrática.
A falta de uma sólida cultura científica diminui a liberdade democrática e potencia uma crescente expansão de pseudociências que, em alguns casos preocupantes, põem em risco a própria saúde da população (como é o caso dos movimentos anti vacinação, ou o alastrar desinformado de terapias alternativas sem fundamento científico). Daqui decorre a urgente implementação de práticas efectivas de comunicação de ciência para estabelecer pontes de conhecimento entre os cientistas e engenheiros e a população em geral.
O jornalismo de ciência e tecnologia desempenha um papel muito importante para este empreendimento. António Granado terá como ponto de partida a constatação de que o papel dos media na comunicação de ciência tem vindo a ser alterado com as enormes transformações que a Internet trouxe ao espaço público. Com a terceira década do século XXI faz sentido continuar a contar com os jornalistas para o papel de intermediários entre cientistas e público? Que alternativas têm as universidades e os centros de investigação para fazer chegar o seu trabalho até à sociedade que os financia?
A actividade junto da sociedade de gabinetes de comunicação de ciência nas instituições de ensino superior também é de importância crucial. Neste contexto, Joana Lobo Antunes explicará a importância da profissionalização da comunicação de ciência e do impacto positivo do investimento em gabinetes de comunicação de ciência em unidades de investigação e faculdades.
Mas não pode haver jornalismo nem comunicação de ciência sem cientistas que façam ciência. A representá-los, teremos presente a cientista Zita Martins, que considera a comunicação da ciência fundamental para divulgar o trabalho dos investigadores para toda a sociedade. Isto pode ser feito de várias formas com a ida de cientistas a escolas de forma a comunicar com os alunos e informando os professores; com a interacção dos cientistas com os meios de comunicação social e dando palestras públicas; e finalmente participando activamente nas redes sociais (blogs, twitter, Facebook, etc.).
Estes são genericamente os três pontos de partida para este colóquio que o ISEC/Coimbra Engineering Academy promove e oferece à sociedade.

A moderação do colóquio estará a cargo do comunicador de ciência António Piedade.


Breves notas biográficas do painel

Joana Lobo Antunes
Joana Lobo Antunes é comunicadora de ciência, presidente da rede SciCom PT, actualmente Directora de Comunicação no Instituto Superior Técnico e docente no Mestrado em Comunicação de Ciência da FCSH Universidade Nova de Lisboa. Foi responsável pelo Gabinete de Comunicação do Instituto de Tecnologia Química e Biológica ITQB NOVA, directora do Centro Ciência Viva de Sintra e investigadora pós doc em Promoção e Administração de Ciência e Tecnologia na FCSH e ITQB NOVA.

António Granado
António Granado é professor universitário na NOVA FCSH onde coordena o mestrado em Jornalismo e co-coordena o mestrado em Comunicação de Ciência. Foi jornalista profissional durante 25 anos, tendo-se especializado na área do jornalismo de ciência. Fez a maior parte da sua carreira no jornal Público, onde foi, para além de jornalista, editor de ciência, sub-director, chefe de redacção e editor do Publico.pt. Entre Setembro de 2010 e Março de 2014, foi editor multimédia na RTP.

Zita Martins
Zita Martins é Astrobióloga, Professora Associada no Instituto Superior Técnico (IST), e Co-Diretora do Programa MIT-Portugal. Foi Cientista Convidada da NASA Goddard (2005 e 2006), e Professora Convidada na Universidade Nice-Sophia Antipolis (França) (2012). Em 2009 foi galardoada pela Royal Society com uma University Research Fellowship no valor de 1 milhão de Libras. Foi University Research Fellow (URF) da Royal Society no Imperial College em Londres de 2009 a 2017. Faz ativamente comunicação de Ciência, tendo dado mais de 100 entrevistas sobre Ciência nos meios de comunicação social internacional e foi selecionada pelo canal de TV BBC como Expert Scientist Women. O seu retrato foi pintado para a exposição da Royal Society sobre mulheres de sucesso em Ciência, e encontra-se agora de forma permanente na sede da Royal Society em Londres. Em 2015 foi selecionada como um dos 11 “Portugueses fora do tempo” pelo Jornal Público, em 2016 foi selecionada como uma das “Mulheres na Ciência” pela Ciência Viva, e em 2018 foi uma das 10 mulheres portuguesas a receber um Barbie Award2018 da Mattel no dia Internacional da Rapariga por ser considerada uma inspiração para as novas gerações de raparigas. Zita Martins foi condecorada em 2015 por Sua Excelência o Presidente da República de Portugal com o título de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

UM ABRAÇO QUE LEVOU QUASE VINTE ANOS EM TRAVESSIA ATLÂNTICA


(Na foto o Professor José Maria Santarem e eu a seu lado)

Meu artigo de opinião publicado hoje no "Diário as Beiras".

Na altura a que me reporto vivia-se um tempo de mitos e falácias sobre os malefícios  dos pesos e halteres  refutados, com muita autoridade, pelo Professor José Maria Santarem, reputadíssimo especialistas a nível mundial sobre os efeitos benéficos do treinamento com pesos e halteres.

Colho do seu extenso e valioso currículo pequena notas: José Maria Santarem é doutorado em Medicina, pela Universidade de São Paulo, especialista em Fisiatra e Reumatologia. Coordenador dos cursos de pós-graduação  em Fisiologia do Exercício Físico e Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento no Centro de Estudos em Ciências da Actividade Física, da Faculdade de Medicina da  Universidade  de São Paulo. Dirige actualmente o Instituto Biodelta, instituição dedicada  às aplicações, ensino e pesquisa  do treinamento resistido. É autor do livro “Musculação em todas as idades” (1ª edição, 2012), merecedor, entre outras,  da seguinte referência: “Há um paradoxo que identifica o entendimento de progresso, caracterizado por um evidente desenvolvimento cognitivo concomitante  a uma progressiva redução da capacidade física dos seres humanos, cuja longevidade se implementou mais no último seculo do que nos que o precederam . Nesta obra, Santarem mostra a magnitude dos efeitos do sedentarismo e a forma mais adequada de preveni-lo ou reverte-lo em prol de um envelhecimento saudável” (Wilson Jacob Filho, Professor Titular de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Em edição de 1973, contradisse, no meu  livro, “Os Pesos e Halteres, a  função cardiopulmonar   e o  doutor  Cooper” (edição de 1973), as críticas  feitas,  por Kenneth Cooper aos exercícios com resistências progressivas, no seu livro,  “Aptidão Física em qualquer idade”, de que cito : “Os halterofilistas representam apenas a aptidão muscular tendo a motivação certa, mas a orientação errada, por estarem  presos ao mito de que a musculatura forte ou a agilidade significam aptidão física.  Eis um dos maiores enganos no campo do exercício”
.
Anos mais tarde, encontrei respaldo sólido para a minha fidelidade aos pesos e halteres nos trabalhos de investigação do Professor Santarem sobre a sua prática na melhoria  e manutenção da  forma física dos seus executantes. Sendo  eu, ao tempo, docente da Faculdade de  Ciências do Desporto e Educação Física da  Universidade de Coimbra (2002) que melhor personalidade  da Fisiologia do  Exercício Físico para se pronunciar sobre o meu livro? Passado pouco tempo do seu envio recebi do Professor Santarem  o seguinte mail:

“Com muita alegria recebi o seu livro e a sua carta. Nossos ideais são comuns, e nossas dificuldades  históricas também. Felizmente hoje as evidências nos apoiam e somos ouvidos, mas é sempre emocionante lembrar os tempos em que éramos quase ignorados, Gostei muito do seu texto que, naturalmente, deve ser lido com a lembrança da situação do conhecimento de então. Como me pediu, segue em anexo um texto meu actual, é um capítulo de um livro de medicina do esporte, ainda a ser editado. Meu desejo é que um dia nos possamos encontrar e rir bastante com as dificuldades do passado. Um fraterno abraço. Santarem”.

Por escassos dias, esteve o Professor José Maria Santarem  em Portugal, tendo-me visitado na minha residência em Coimbra para me dar um abraço, onde me encontro temporariamente imobilizado numa cadeira de rodas, após uma queda por me levantar  de supetão da cama. Óptimo regresso ao Brasil e bem haja pela sua visita amiga que muito me honrou e conforto me trouxe. 

Como sentenciou Francis Bacon, “as amizades duplicam as alegrias e dividem as tristezas”. Eu tive a prova disso mesmo pela nobreza que a Amizade  representa  para o Professor Santarem  em horas de infortúnio dos amigos!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Hernani Hefner - Cinema e Revolução Industrial

Uma Fotobiografia de António Sérgio

Mais um artigo de Eugénio Lisboa, saído no "J.L.", que ora se transcreve, com muito agrado, aqui no DRN": 

O cinquentenário da morte de António Sérgio não tem sido assinalado com a forma e a dimensão que esta grande figura indubitavelmente merece. Um artigo aqui ou ali e pouco mais. A universidade tem-lhe decididamente voltado as costas: colóquios ou uma edição cuidada da sua obra completa – não há qualquer indício disso.

E, no entanto, António Sérgio é um dos nossos maiores ensaístas, se não o maior. Problematizador exímio, definia assim o ensaio: “… o ensaio, com efeito, é a mais nítida forma de ver a criação ideológica; do exercício real, efectivo, de uma inteligência viva que indaga. Evoca a pesquisa, o tenteio, o ímpeto descobridor, o progresso.

Um «tratado» pode limitar-se à mera organização do já feito, ou a uma obra de carácter primacialmente erudito, ou ainda à aplicação a casos particulares definidos de uma teoria genérica já previamente admitida; pelo contrário, o ensaio promete originalidade, agilidade, finura; o esto juvenil, desportista; o duvidar metódico cartesiano, que está sempre aberto à problemática.” 

Inquiridor incorrigível, intemerato experimentador de hipóteses, Sérgio deixou-nos um acervo de obras ensaísticas que fecundou, deixando marcas profundas, mais de uma geração – mesmo que alguns discípulos o hajam depois traído, trocando o duvidar metódico pelos confortos de uma ortodoxia compacta. Mas, apesar da sedução do seu caminhar indagador, a verdade é que, após a sua morte, um injusto esquecimento tem caído sobre o homem e a obra. E nem o pretexto do cinquentenário da sua morte contribuiu para alterar, de modo substancial, esta situação.

Eis, porém, que chegou ao meu conhecimento que se estava a preparar, para sair em data não muito distante, uma volumosa e sumarenta fotobiografia do grande ensaísta, da responsabilidade de Alfredo Campos Matos. O qual acaba, aliás, de dar à luz uma terceira edição, muito aumentada, do seu Diálogo com António Sérgio. Uma fotobiografia será sempre uma muito útil revisita à obra, às ideias e ao mundo do autor dos Ensaios, além de constituir um permanente instrumento de consulta. E talvez seja uma boa maneira de acender o interesse de novos leitores e reacender o esmorecido interesse de outros. Resolvi, pois, fazer um certo número de perguntas ao autor da futura próxima fotobiografia.

– Porquê trabalhar agora numa fotobiografia de António Sérgio? 

Vivemos hoje numa época de predomínio da imagem, e este género literário permite transmitir, com mais facilidade, os dados biográficos fundamentais e o pensamento de um autor que é, decerto, o nosso maior escritor de ideias. Como o meu Amigo salienta no seu prólogo, Sérgio continua muito esquecido, pelo menos do grande público, a quem ele se quis dirigir. Digamos que se trata de um género aliciante, capaz de atingir um mais vasto número de leitores. Eça de Queiroz, António Nobre, Pessoa, Torga, Vergílio Ferreira e outros mais, eis nomes de fotobiografados. António Sérgio carece de uma fotobiografia.

– Uma fotobiografia exige uma minuciosa recolha de materiais, um enorme empenhamento e um profundo conhecimento do autor escolhido… 

De acordo. Tal como acontece com Eça de Queiroz, vem da juventude o meu convívio com o autor dos Ensaios. Tenho, de há muito, tudo o que publicou e a maior parte do que sobre ele se escreveu, inclusivamente, em periódicos. Acresce que editei uma enorme antologia dos seus textos, em recente reedição aumentada e definitiva, Diálogo com António Sérgio. E, em 1983, publiquei uma desenvolvida Bibliografia, na Revista da História das Ideias, de Coimbra. Além disso, dispus do maior espólio deste autor, o do Arquivo Família de Fernando Rau. Servi-me também do arquivo do grande sergista Jacinto Baptista; do vasto acervo da Casa de António Sérgio, através de Sonia Queiroga, e do material inédito reunido por vários outros amigos e bibliófilos.

– Suponho que um grande motivo de interesse deste trabalho é o capítulo que contém os testemunhos sobre António Sérgio…

Assim acontece de facto. Trata-se de uma extensa e importante secção que implica verdadeiros ensaios, uns já publicados e completamente esquecidos, da autoria de eminentes sergistas, outros agora escritos propositadamente para inserção na fotobiografia. Muitos deles contêm matéria de altíssimo interesse para a dilucidação do pensamento filosófico, nada fácil, diga-se de passagem, do autor dos Ensaios. Capítulo não menos importante é o do levantamento de todos os autores com quem Sérgio polemicou, alguns deles que hoje já ninguém conhece.

– Teremos então novidades com interesse? 

Certamente. No domínio biográfico da imagem, consegui um feito único, graças à ajuda da já referida Dra. Sónia Queiroga que, através de um descendente de Sérgio, me conseguiu a fotografia de seus pais na Índia, cerca de 1880, poucos anos antes do seu nascimento, entre altos dignitários brâmanes, foto muito bela e muito rara, apenas conhecida dos seus descendentes. Neste trabalho apresento muita matéria de reflexão no domínio ensaístico, que constitui preciosa ajuda para uma futura Biografia, dado que exige grande cultura filosófica e, mesmo, científica. Um outro capítulo com interesse é o do levantamento de todas as numerosas epígrafes da sua obra, o que permite tirar certas conclusões… Gostaria de salientar que me tenho esforçado por dar uma ideia alargada da atmosfera opressiva da ditadura salazarista, “tempos para sempre passados, memória quase perdida”, relatando as prisões, os exílios de Sérgio, as proibições das suas obras, publicando na íntegra, por exemplo, a carta de Sérgio ao Cardeal Cerejeira e a resposta deste, e a carta do bispo do Porto a Salazar, etc.

– Quando podemos contar com a publicação da fotobiografia?

Logo que entregue o trabalho a Edições 70, para o final do ano. Propus-lhes, desde o início, a sua edição, mas devo dizer que não tenho garantia a 100%...

– Algum outro projecto sergiano ou queirosiano?

Como é evidente, o Eça é uma constante sempre presente na minha vida, tanto assim que vou preenchendo um enorme dossier, com artigos meus e de outros, destinados ao prolongamento do Dicionário de Eça de Queiroz, que darei por terminado no próximo ano. Entretanto, tenho quase pronta a recolha de um livro de ensaios intitulado Comentários, título expressivo sugerido por um clássico bem conhecido da autoria de Júlio César. Além do mais, trabalho também, nos intervalos, na reedição da Bibliografia de Sérgio, trabalho ciclópico e minucioso que implica milhares de novas entradas. Ninguém pode imaginar a quantidade de estudos, teses e artigos que constantemente aparecem sobre o autor dos Ensaios, o que nos leva a afirmar que, entre o público erudito, Sérgio permanece vivo!... Aqui tem o meu Amigo, apetecendo-me concluir com uma citação expressiva, que Sérgio algumas vezes usou: “So runs my dream” (Tennyson)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Maya Almeida, Dancing with Neptune, 2013 - A cineasta e mergulhadora Maya inaugura exposição no Ocenário no dia 12

A Number - Uma peça sobre clonagem em breve no Teatro da Trindade, Lisboa

Mostra bibliográfica "Ciência no Feminino" no Rómulo


Na figura: Hedy Lamarr, actriz e tecnóloga.

No âmbito da exposição “Ciência no Feminino” organizada pelo RÓMULO – Centro Ciência
Viva da Universidade de Coimbra no seu 11º Aniversário em Novembro de 2019, preparou-se
uma  Mostra Bibliográfica com a selecção de alguns obras genéricas do seu
acervo sobre mulheres que contribuíram para a história da ciência e
também algumas obras sobre as cientistas homenageadas na exposição.

A exposição e a mostra podem ser visitadas de forma livre e gratuita no corredor do piso 0
do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de
Coimbra (FCTUC).

Todos os documentos da mostra estão disponíveis para consulta e empréstimo domiciliário.
A presente lista foi elaborada de acordo com a NP – Norma Portuguesa 405 e organizada
por ordem cronológica ascendente.

Ciência no Feminino

Mulheres na ciência : Lise Meitner, Maria Goeppert-Mayer, Marie Curie. Introdução,
apresentação e tradução de A.M Nunes dos Santos, M. Amália C. Bento e Christopher
Auretta. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 1991. (Panfletos Gradiva ; 15). ISBN 9726622026.
RC 001 MUL

COLLIN, Françoise, ed. lit. - Le sexe des sciences : les femmes en plus. Paris : Éditions
Autrement, cop. 1992. (Sciences en Société ; 6). ISBN 2862603937.
RC 001 SEX

MCGRAYNE, Sharon Bertsch - Mulheres que ganharam o prêmio nobel em ciências :
suas vidas, lutas e notáveis descobertas. Tradução de Maiza F. Rocha e Renata Brant
de Carvalho. São Paulo : Marco Zero, 1994. ISBN 8527901714.
RC 001 MCG

SCHIEBINGER, Londa [et al.] - Ciência e género : quatro textos de quatro mulheres.
Selecção, tradução e prefácio Teresa Levy e Clara Queiroz. Lisboa : Centro de Filosofia
das Ciências da Universidade, 2005. (Cadernos de Filosofia das Ciências ; 2). ISBN
9729979413.
RC 001 CIE

WITKOWSKI, Nicolas - Trop belles pour le nobel : les femmes et la science. Paris :
Éditions du Seuil, 2005. (Science ouverte.). ISBN 2020685531.
RC 001 WIT

NORONHA, Ana, ed. lit. - Mulheres na ciência. 1ª. ed. Lisboa : Ciência Viva - Agência
Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, 2016. ISBN 9789729825156.
RC 001 MUL

FIGUEIRA, Catarina, ed. lit. ; FREIRE, Diana, ed. lit. - Mulheres na ciência. Lisboa :
Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, 2019. ISBN
9789729860263.
RC 001 MUL

**************************************************************
Cientistas Homenageadas na Exposição.

-Hipátia de Alexandria (c.355-415)
-Caroline Herschel (1750-1848)
-Mary Somerville (1780-1872)
-Mary Anning (1799-1847)
-Ada Byron Lovelace (1815-1852)

PADUA, Sidney - The thrilling adventures of Lovelace and Babbage : with interesting &
curious anecdotes or celebrated and distinguished characters. London : Penguin Books, 2016.
ISBN 9780141981536.
RC 74 PAD

WALLMARK, Laurie ; CHU, April, il. - Ada Byron Lovelace e a máquina pensadora. 1ª ed. Lisboa
: Gradiva, 2018. ISBN 9789896168148.
RC 82-93 WAL

-Sofia Kovalevskaya (1850-1891)
-Alice Eastwood (1859-1953)
-Marie Curie (1867-1934)

BIRCH, Beverley - Marie Curie : a cientista polaca que descobriu o rádio e suas propriedades
salvadoras. Tradução de Eduardo Lourenço. Lisboa : Editora Replicação, 1990. (Pessoas que
Ajudaram o Mundo). ISBN 9725700422.
RC 92 BIR

FIOLHAIS, Carlos ; SANTOS, A. M. Nunes dos ; PITA, Rui - Em torno da vida e obra de Pierre e
Marie Currie. Coimbra : Centro de Recursos da D.R.E.C, 1992.
RC 53 FIO

CURIE, Marie ; CHAVANNES, Isabelle, ed. lit. - Leçons de Marie Curie : recueillies par Isabelle
Chavannes en 1907. Les Ulis : EDP Sciences, 2003. ISBN 2868836356.
RC 001(091) LEC

DRY, Sarah - Curie. 1ª ed. London : Haus Publishing, 2003. (Life & Times). ISBN 1904341292.
RC 92 DRY

GOLDSMITH, Barbara - Obsessive genius : the inner world of Marie Curie. 1ª ed. New York :
W.W. Norton & Company, cop. 2005. (Great Discoveries). ISBN 0393051374.
RC 001(091) GOL

GONÇALVES-MAIA, Raquel - Marie Sklodowska Curie : imagens de outra face. Lisboa : Colibri,
2011. (Extra-Colecção). ISBN 9789896891169.
RC 92 GON

-Lise Meitner (1878-1968)

HERMANN, Armin - The new physics : the route into the atomic age : in memory of Albert
Einstein, Max von Laue, Otto Hahn, Lise Meitner : with 147 documents, manuscripts, and
photographs. Bonn-Bad Godesberg : Inter Nationes, cop. 1979.
RC 53 HER

- Emmy Noether (1882-1935)
- Matilde Bensaúde (1890-1969)
- Gerty Cori (1896-1957)
- Ida Noddack (1896-1978)
- Irène Joliot-Curie (1897-1956)
- Branca Edmée Marques (1899-1986)
- Cecilia Payne Gaposchkin (1900-1979)
- Barbara McClintock (1902-1992)
- Maria Goeppert-Mayer (1906-1972)
- Grace Hopper (1906-1992)
- Rachel Carson (1907-1964)
- Rita Levi-Montalcini (1909-2012)

MONTALCINI, Rita Levi - O elogio da imperfeição. Tradução Marcella Mortara, Valerio Mortara
São Paulo : Studio Nobel, 1991.
RC 92 LEV

MONTALCINI, Rita Levi - Contre vents et marées. Paris : Editions Odile Jacob, 1998. ISBN
2738105653.
RC 92 LEV

LEVI-MONTALCINI, Rita - Tiempo de acción : el mundo global y el nuevo siglo. 1ª ed.
Barcelona : RBA, 2012. ISBN 9788490063644.
RC 3 LEV

- Dorothy Crowfoot Hodgkin (1910-1964)

GONÇALVES, Raquel - Dorothy Crowfoot Hodgkin : Pepsina, Penicilina, Colesterol, Vitamina
B12, Insulina. Lisboa : Colibri, 2010. (Extra-Colecção). ISBN 9789727729913.
RC 92 GON

- Hedy Lamarr (1914-2000)
- Gertrude Elion (1918-1999)
- Rosalind Franklin (1920-1958)

MADDOX, Brenda - Rosalind Franklin : the dark lady of DNA. 1.ª ed. New York : HarperCollins,
2003. ISBN 0006552110.
RC 92 MAD


Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra
Maria João Oliveira | Revisão de Carlos Fiolhais
Janeiro de 2020

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

"Roda que Roda" de João Manuel Ribeiro

J
oão Manuel Ribeiro é um dos autores nacionais com mais títulos de literatura infanto-juvenil.
Licenciado e Mestrado em Teologia pela Universidade Católica do Porto, com a dissertação  «A evolução espiritual de Antero de Quental – Um itinerário da modernidade em Portugal», é doutor em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, com a dissertação  «A Poesia na Escola – Resposta ao texto poético e organização do ensino». É também mestre em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores, pela mesma Faculdade, com dissertação sobre «A Poesia no 1.º Ciclo do Ensino Básico – Das Orientações Curriculares às decisões docente» e Master em libros y literatura infantil y juvenil, pela Universitat Autònoma de Barcelona.

Formador de professores e outros formadores, criou em 2017 e dirige o projecto "A Casa do João", que consiste de uma Revista de Literatura Infantil e Juvenil (trimestral) (www.acasadojoao.info), revista à qual dei uma entrevista que saiu no último número,  um Canal de WEB TV, uma Web Rádio (www.radiotropeliasecompanhia.online) e prepara um Programa de Educação Literária (www.tropeliasecompanhia.pt ).

Tenho em mãos, com data de Outubro de 2019, um dos seus últimos livros de poesia infantil (com o ritmo com que publica nunca se sabe se é o último. De capa dura e colorido intitula-se "Roda que Roda" (editora Trinta por uma Linha, do Porto) e tem ilustrações de Miriam Reis. Os poemas infantis, em linguagem simples. são todos eles, de uma maneira ou de outra, inspirados pela ciência. Resultam muito bem se forem lidos com a necessária expressão. Trancrevo um, relacionado com o título:

"ENERGIA SOLAR

O Sol
O Sol volta
O Sol volta e volta
O Sol volta e volta e volta
O Sol volta e volta e volta e volta
&
O Sol nunca se revolta,
o Sol nunca se cansa
de ser criança."

Livros como este não deveriam faltar nas bibliotecas de jardins de infância e de escolas básicas. Obrigado, João, pelo magnífico trabalho que tens feito com a tua Casa.

"Portugal nos séculos XX e XXI" de Luísa Villarinho Pereira

O livro "Portugal nos séculos XX e XXI" e o subtítulo "Recordado através da imprensa, TV e algumas obras de referência" é uma história de Portugal desde a implantação da República até à actualidade.

Trata-se de uma edição da autora, Luísa Villarinho Pereira, que acaba de ser publicado em Lisboa. É o 13.º livro da autora, a maioria também em edições da autora de boa qualidade. Destaco "Um médico no Chiado- Dr. Salvador Villarinho Pereira (1879-1948)", (Lisboa, 2003), "Moçambique -Manoel Pereira (1815-1894). Fotógrafo commissionado pelo Governo português" (Lisboa, 2013),  "Moçambique II - Manoel Joaquim Romão Pereira (1815-1894). Novas revelações sobre a sua colecção fotográfica" (Lisboa, 2017) e "Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1936-1911). Contributo para a sua memória" (Lisboa, 2018). A autora, que é artista plástica e também autora de poesoia,  focou-se nestas obras na  história familiar, uma microhistória que no caso é muito interessante: Salvador Pereira, médico obstreta e fotógrafo amador,  foi o seu pai e Manoel Pereira, fotógrafo, foi seu bisavô, avô do seu pai  (Manoel Pereira foi no século XIX, fotógrafo pioneiro em Moçambique). 

Marcas fortes do seu último livro são a profusa iconografia a preto e branco (muitas das imagens são do arquivo familiar, estando reservados os direitos de reprodução) e a lista de mais de 100 páginas com todos nomes dos governantes da República Portuguesa desde o seu estabelecimento. É um trabalho que é tão meticuloso quanto útil, que exigiu bastante tempo e o recurso a várias fontes.

Este livro - em contraste com outros com um teor mais memorialista e pessoal - é mais objectivo e impessoal. Mas não deixa por isso de manifestar opinião e opinião forte. Uma tónica da autora, patente tanto na contracapa como num poema no final do corpo de texto, é a luta contra a indignidade e a corrupção. Com base em relatos de imprensa, são apresentados vários casos recentes, que ensombram a nossa política e que não convém esquecer. A autora tem razão ao apontar o dedo a essas velhas chagas nacionais que ainda nos assolam. A resistência contra esse inimigos não se pode fazer sem a memória  histórica  de que este livro dá amplo testemunho..