domingo, 24 de março de 2019

JOSÉ LIBERATO E "O INVESTIGADOR PORTUGUÊS EM INGLATERRA"


No dia 7 de Março foi lançado na Casa da Escrita em Coimbra por iniciativa da Comissão Liberato o livro "A importância de se chamar português: José Liberato Freire de Carvalho na direcção do Investigador Português, 1814-1819" de Adelaide Maria Muralha Vieira Machado, com a chancela da Lema d´Origem. Trata-se de uma edição impressa da tese de doutoramento em História e Teoria das Ideias que a autora defendeu em 2011 na Universidade Nova de Lisboa sob a orientação da Prof.a Doutora Zília Osório de Castro, que fez um prefácio para a obra. O livro foi apresentado pela Profª Doutora Isabel Nobre Vargues, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra A ocasião da publicação foi o fecho em Fevereiro de 1819, há precisamente 200 anos, do jornal "O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLATERRA", poucos meses (e dois números) após José Liberato Freire de Carvalho ter deixado a sua direcção assim como a escrita da uma coluna intitulada "Reflexões".

O jornal literário, político e científico (albergava uma uma coluna sobre temas científicos, como era comum em jornais enciclopédicos da época) durou entre Junho de 1811 e Fevereiro de 1819, tendo sido editados 92 números mensais (que perfazem 23 volumes). Na Alma Mater da Universidade de Coimbra estão digitalizados alguns números. De 1811 a 1815 foi impresso por H. Bryer, na Bridge Street, passando a ser impresso por T. C. Hansard, na Fleet Street, local histórico da imprensa britânica. Na época havia para além deste dois outros jornais portugueses em Londres. Recorde-se que a Inglaterra era aliada de Portugal e que a corte portuguesa ainda estava no Brasil em 1919 na altura e de lá veio a ordem de proibição, impedindo a sua entrega em Portugal (onde havia um bom número subscritores), em sinal de desagrado pelas ideias liberais, isto é, anti-absolutistas, do periódico. 

Quem foi José Liberato, o director deste jornal entre 1814 e 1819? A ficha na Wikipedia é bastante completa. Nascido em Coimbra (S. Martinho do Bispo) em 1772, ano da reforma pombalina da Universidade e falecido em Lisboa em 1855, foi, jornalista, intelectual e político defensor das ideias liberais (lembre-se que os 200 anos da Revolução Liberal serão comemorados em 2020). De seu nome de baptismo é José Freire de Carvalho  foi frade crúzio (estudou no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra), tendo sido presbítero sob o nome de D. José de Loreto. Embora a sua vocação religiosa não fosse grande, viveu nos mosteiros de Refoios do Lima e  de S. Vicente de Fora, em Lisboa, onde ensinou Lógica e Retórica. Traduziu para português a obra "A Arte de Pensar" de Étienne de Condillac, da qual há um uma recente edição em fac-simile. Em Lisboa, conviveu com Gomes Freire de Andrade, o general maçon que haveria de ser enforcado em S. Julião da Barra em 1817, e com o poeta Manuel Maria Bocage, também ele maçon. José Liberato foi um dos grandes nomes da maçonaria portuguesa, tendo ingressado na loja Fortaleza do Grande Oriente Lusitano, sob o nome de Spartacus.

Durante a Guerra Peninsular, a vida de Freire de Carvalho foi bastante atribulada. Começou por servir de intérprete em S. Vicente de Fora no diálogo com os franceses da primeira invasão (o general Junot era maçon), Foi feito refém em Coimbra durante a terceira invasão (do general Massena, também maçon) quando esta cidade foi ocupada. Acusado de colaboração com os franceses foi retido em Santa Cruz e em Refoios do Lima, sítios da sua ordem. Foi nessa altura que decidiu fugir clandestinamente, abandonando de vez a vida religiosa.

 O nome de Liberato foi adoptado pelo próprio quando se exilou em Londres, no ano de 1813, fugindo das perseguições que lhe estavam a ser movidas pelo governo português e pela própria igreja. O jornal "O Investigador Português" e depois deste "O Campeão Português" foram os órgãos através dos quais divulgou as suas ideias, denunciando a incompetência da corte no Brasil assim como a má gestão do general inglês William Beresbord, que na prática dirigia o reino na metrópole. O jornal tinha sido fundado com o patrocínio da Coroa portuguesa, sendo seus redactores os médicos Bernardo Abrantes e Castro, Vicente Nolasco da Cunha e Miguel Caetano de Castro. Houve apoio inicial do embaixador português em Londres, D. Domingos de Sousa Coutinho,  Conde do Funchal. José Liberato substituiu Abrantes e Castro, mas mudou a linha editorial ao opor-se às posições da  Coroa no Brasil. Não admira por isso que o príncipe D. João tivesse parado com o apoio ao jornal, uma posição assumida em Londres pelo novo embaixador, o Duque de Palmela. Sem o pagamento de algumas assinaturas a expensas da coroa o periódico não poderia sobreviver. Durante o tempo que durou foi um periódico importante para se compreender a política da época: o "Investigador Português" cobriu por exemplo, a Convenção de Viena, em 1814-1815 , que discutiu o futuro da Europa após a derrota de Napoleão, conforme bem descreve Adelaide Machado na sua tese.

José Liberato regressou a Portugal em 1821, reingressando no Grande Oriente Lusitano. Fundou o jornal  "O Campeão Português em Lisboa", onde continuou as suas críticas à corte portuguesa no Brasil, foi deputado às cortes em 1822-1823, mas, em consequência da Vilafrancada, foi obrigado a voltar à sua casa de Coimbra. Voltou à política após a Carta Constitucional de 1826, tendo ocupado um lugar no Ministério dos Negócios Estrangeiros e sido redactor da "Gazeta de Lisboa", orgão do governo liberal. Com a subida ao poder de D. Miguel voltou a exilar-se em Londres, tendo integrado em 1833 as forças liberais que se juntaram no Porto. Foi no tempo do segundo exílio que teve contacto com o futuro Marechal Saldanha, igualmente  maçon. Voltou depois a ocupar um lugar parlamentar. Foi arquivista da Câmara dos Pares e director a Imprensa Nacional. Foi membro da Academia das Ciências de Lisboa. Perto do fim da vida, publicou em 1854 as suas Memórias, que podem ser lidas no Google.

Para saber mais:

- DIAS, Mário Simões, José Liberato Freire de Carvalho (1772-1855)- Sua Vida e Pensamento. Carviçais: Lema d' Origem.

Carta(s) de Sophia a Jorge de Sena


Sophia Andresen e Jorge de Sena (o poeta que foi aluno de Rómulo de Carvalho (e que prefaciou a poesia reunida de António Gedeão) nasceram no mesmo ano, 1919. Jorge em 2 de Novembro em Lisboa e Sophia a 6 de Novembro no Porto. Foram amigos, estando publicada alguma da correspondência que trocaram. Mas Sophia viveu mais tempo, morreu com 84 anos, pelo que soube da morte em 1978 de Jorge de Sena, com apenas 58 anos. Escreveu este poema ao Amigo:

Carta(s) a Jorge de Sena

 I

 Não és navegador mas emigrante
Legítimo português de novecentos
Levaste contigo os teus e levaste
 Sonhos fúrias trabalhos e saudade;
 Moraste dia por dia a tua ausência
No mais profundo fundo das profundas
 Cavernas altas onde o estar se esconde

 II

 E agora chega a notícia que morreste
 E algo se desloca em nossa vida

 III

Há muito estavas longe
Mas vinham cartas poemas e notícias
E pensávamos que sempre voltarias
Enquanto amigos teus aqui te esperassem —
E assim às vezes chegavas da terra estrangeira
Não como filho pródigo mas como irmão prudente
E ríamos e falávamos em redor da mesa
E tiniam talheres loiças e vidros
Como se tudo na chegada se alegrasse

 Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades
— Grandioso vencedor e tão amargo vencido —
E havia avidez azáfama e pressa
No desejo de suprir anos de distância em horas de conversa
E havia uma veemente emoção em tua grave amizade
E em redor da mesa celebrávamos a festa
Do instante que brilhava entre frutos e rostos

 IV

 E agora chega a notícia que morreste
A morte vem como nenhuma carta

 in Ilhas, 1989

Quatro poemas sobre os Descobrimentos de Sophia


Quatro poemas sobre os Descobrimentos de Sophia de Mello Breyner Andresen que li no centro Cultural de Belém no passado sábado, para assinalar o Dia Internacional da Poesia (o segundo, sobre a morte de Bartolomeu Dias, é em duas linhas uma História Trágico Marítima):

Navegámos para oriente (1977)
Navegámos para Oriente ―
A longa costa
Era de um verde espesso e sonolento
Um verde imóvel sob o nenhum vento
Até à branca praia cor de rosas
Tocada pelas águas transparentes
Então surgiram as ilhas luminosas
De um azul tão puro e tão violento
Que excedia o fulgor do firmamento
Navegado por garças milagrosas
E extinguiram-se em nós memória e tempo

In Navegações (1983)

Ele porém dobrou o cabo (1982)
“Ele porém dobrou o cabo e não achou a Índia
E o mar o devorou com o instinto de destino que há no mar”

in  Navegações  (1983)

NAVEGADORES

O múltiplo nos enebria
O espanto nos guia
Com audácia desejo e calculado engenho
Forçámos os limites -
Porém o Deus uno
De desvios nos protege
Por isso ao longo das escalas
 Cobrimos de oiro o interior sombrio das igreja

 In Ilhas (1989)

DESCOBRIMENTO 

Saudavam com alvoroço as coisas ~
Novas
O mundo parecia criado nessa mesma
Manhã

 In Ilhas (1989)




sexta-feira, 22 de março de 2019

(Ep. 53) "Filosofar : da curiosidade comum ao raciocínio lógico"

As penalizações extravagantes por reformas antecipadas

Destaco esta carta de um leitor publicada hoje no Público. Concordo em absoluto. Coloca para ilustração um gráfico que também saiu no Publico on-line e que mostra a "diferença portuguesa". Portugal é europeu? Ainda falta, infelizmente, muito.

Reforma antecipada

 Li no site do PÚBLICO que a “OCDE defende mudanças no factor que penaliza “excessivamente pensões antecipadas”. Nada mais correcto. Trabalho há 47 anos e ainda me penalizam perto de 30% se me reformar agora. Assim, espero que a comunicação constante do Governo sobre a boa saúde das nossas finanças se foque nesta área. Considero da mais elementar injustiça determinados factores penalizantes nas actuais reformas antecipadas.

 Gens Ramos, Porto

O fim do liberalismo


Extracto da Introdução de "Por que está a falhar o liberalismo?" de Patrick J. Deneen, que acaba de sair na Gradiva:

Uma filosofia política concebida há 500 anos e implementada com o nascimento dos Estados Unidos há quase 250 anos propunha que a sociedade política poderia assentar numa base diferente. Concebia os seres humanos como indivíduos detentores de direitos que podiam criar e perseguir a sua própria versão da vida boa. As oportunidades de liberdade eram mais proporcionadas por um governo limitado dedicado à «garantia dos direitos», com um sistema económico de mercado livre que dava espaço para a iniciativa e a ambição pessoais. A legitimidade política assentava numa crença partilhada num «contrato social» original que até os recém-chegados podiam subscrever, continuamente ratificado por eleições livres e justas de representantes atentos. O governo limitado, mas eficaz, o Estado de direito, um poder judicial independente, funcionários públicos atentos e eleições livres e justas eram algumas das marcas distintivas desta ordem predominante e visivelmente bem-sucedida.

 Hoje, cerca de 70 por cento dos Americanos acreditam que o seu país está a mover-se na direcção errada, e metade do país pensa que os seus melhores dias já passaram. A maioria pensa que os seus filhos serão menos prósperos e terão menos oportunidades do que as gerações anteriores. Todas as instituições do governo mostram um declínio dos níveis de confiança pública dos cidadãos e o cinismo profundo em relação à política reflecte-se numa revolta em todos os pontos do espectro político contra as elites políticas e económicas. As eleições, outrora vistas como um processo bem orquestrado para conferir legitimidade à democracia liberal, são cada vez mais vistas como prova de um sistema profundamente viciado e corrupto. É para todos evidente que o sistema político está em ruptura e que o tecido social está esgarçado, em particular quando se alarga cada vez mais o fosso entre os ricos e os pobres abandonados, quando há uma divisão cada vez maior entre os fiéis e os seculares e persiste um desacordo profundo sobre o papel da América no mundo. Os americanos ricos continuam a viver em enclaves murados em cidades privilegiadas, enquanto cada vez mais cristãos comparam o nosso tempo ao do fim do Império Romano e ponderam uma retirada fundamental da sociedade americana geral para formas actualizadas de comunidades monásticas beneditinas. Os sinais dos tempos sugerem que há muita coisa que está errada na América. Um coro crescente de vozes até adverte que podemos estar a testemunhar o fim da República actual, com um regime ainda sem nome a ocupar o seu lugar.

Quase todas as promessas feitas pelos arquitectos e criadores do liberalismo foram quebradas. O Estado liberal expande-se e controla quase todos os aspectos da vida, enquanto os cidadãos vêem o governo como um poder distante e incontrolável, um governo que lhes aumenta o sentimento de impotência ao avançar irredutivelmente com o projecto de «globalização». Os únicos direitos que hoje parecem garantidos pertencem aos que têm riqueza e posição suficientes para os protegerem, e a sua autonomia — incluindo direitos de propriedade, o direito de voto e o seu controlo concomitante sobre as instituições representativas, a liberdade religiosa, a liberdade de expressão e a segurança na própria residência — é cada vez mais comprometida pela intenção jurídica ou pelo facto consumado tecnológico. A economia favorece uma nova «meritocracia» que perpetua as suas vantagens pela sucessão geracional, reforçada por um sistema educativo que, inexoravelmente, separa os ganhadores dos perdedores. O fosso cada vez maior entre as alegações do liberalismo e a sua realidade lança mais dúvidas sobre essas alegações do que engendra confiança de que o fosso será estreitado.

 O liberalismo falhou — não por ter ficado aquém, mas porque foi fiel a si próprio. Falhou porque foi bem-sucedido. Quando o liberalismo se «tornou mais ele próprio», quando a sua lógica e as  suas contradições internas se tornaram mais evidentes, gerou patologias que são, em simultâneo, deformações das suas alegações e realizações da ideologia liberal. Uma filosofia política que foi lançada para promover maior igualdade, defender um tecido pluralista de diferentes culturas e crenças, proteger a dignidade humana e, obviamente, expandir a liberdade gera, na prática, uma desigualdade gigantesca, impõe a uniformidade e a homogeneidade, promove a degradação material e espiritual e compromete a liberdade. O seu sucesso pode ser avaliado pela realização do oposto daquilo que se acreditava que iria realizar. Em vez de vermos a catástrofe crescente como indício do nosso fracasso em estar à altura dos ideais do liberalismo, devemos ver claramente que as ruínas que produziu são os sinais do seu próprio sucesso. Tentar curar os males do liberalismo aplicando mais medidas liberais é o mesmo que deitar achas para a fogueira. Só aprofundará a nossa crise política, social, económica e moral.

 Este pode ser o momento para mais do que meros remendos institucionais. Se, na verdade, estiver a ocorrer algo de mais fundamental e transformativo do que «política normal», então não estamos apenas no meio de um realinhamento político, caracterizado pelo último estertor de uma velha classe trabalhadora branca e pela fúria de uma juventude afogada em dívidas. Podemos, ao invés, estar a testemunhar um fracasso sistémico crescente, devido à falência da sua filosofia política subjacente, do sistema político que, de uma forma geral, tomámos como garantido. O tecido das crenças que deram origem à experiência constitucional americana de quase 250 anos pode estar a chegar ao fim. Embora alguns dos Pais Fundadores acreditassem ter criado uma «nova ciência da política» que resistiria à tendência inevitável de todos os regimes para a decadência e morte eventual — chegando a comparar a ordem constitucional com um mecanismo de movimento perpétuo à prova da entropia, «uma máquina que se moveria por si mesma» —, deveríamos pensar se a América, em vez de estar nos primeiros tempos da sua vida eterna, não estará a aproximar-se do fim do ciclo natural de corrupção e declínio que limita o tempo de vida de todas as criações humanas. 2

Para os americanos modernos, esta filosofia política tem sido como água para os peixes: um ecossistema político englobante no qual nadavam, sem darem conta da sua existência. O liberalismo é a primeira das três grandes ideologias políticas do mundo moderno, e, com o fim do fascismo e do comunismo, é a única ideologia que ainda se pode dizer viável. Como ideologia, o liberalismo foi a primeira arquitectura política que propôs transformar todos os aspectos da vida para se conformar a um plano político preconcebido. Vivemos numa sociedade e num mundo cada vez mais refeitos à imagem de uma ideologia — os Estados Unidos foram a primeira nação fundada pela adesão explícita à filosofia liberal, cuja cidadania está quase totalmente modelada pelos seus compromissos e pela sua visão.

 No entanto, ao contrário dos regimes claramente autoritários que surgiram baseados nas ideologias do fascismo e do comunismo, o liberalismo é menos visivelmente ideológico e só de forma sub-reptícia refaz o mundo à sua imagem. Em comparação com as ideologias concorrentes, mais cruéis, o liberalismo é mais insidioso: como ideologia, finge-se neutral, não advoga preferências e nega qualquer intenção de moldar as vidas de quem está sob o seu domínio. Insinua-se apelando às liberdades fáceis, às diversões, às atracções da liberdade, do prazer e da riqueza. Faz-se invisível, como um sistema operativo de computador, que passa praticamente despercebido — até ir abaixo. O liberalismo é agora mais visível porque as suas deformações se tornaram demasiado óbvias para serem ignoradas. Como Sócrates nos diz em A República de Platão, a maioria dos seres humanos, quase em toda a parte, está numa caverna, julgando que vê a realidade. O elemento mais insidioso sobre a caverna em que nos encontramos é o facto de as suas paredes serem como os cenários dos filmes antigos, que sugerem vistas aparentemente infindáveis, sem obstáculos ou limites; deste modo, o nosso confinamento continua a ser invisível para nós.

 Das leis de ferro da política, poucas parecem mais inquebráveis do que a definitiva insustentabilidade da ideologia na política. A ideologia falha por duas razões: em primeiro lugar, porque se baseia em falsidades sobre a natureza humana e, por isso, só pode falhar; em segundo, porque, quando essas falsidades se tornam mais evidentes, aumenta o fosso entre aquilo que a ideologia diz e a experiência vivida dos seres humanos sob o seu domínio, até o regime perder a legitimidade. Ou impõe a conformidade a uma mentira que se esforça por defender, ou colapsa quando o desfasamento entre as afirmações e a realidade resulta numa perda total de crença por parte dos cidadãos. Com frequência, uma razão precede a outra.

 Assim, mesmo depois de o liberalismo ter penetrado em quase todas as nações do mundo, a sua visão de liberdade humana parece ser cada vez mais uma afronta do que uma promessa. Longe de celebrar a liberdade utópica no «fim da história» que parecia estar ao alcance após a queda da última ideologia concorrente em 1989, a humanidade fortemente moldada pelo liberalismo sofre hoje as misérias dos seus sucessos. De forma generalizada, vê-se apanhada numa armadilha que ela própria criou, presa no mesmo aparelho que, supostamente, lhe deveria dar uma liberdade pura e completa.

 Podemos ver isto hoje em especial em quatro áreas distintas, mas interligadas, da nossa vida comum: política e governo, economia, educação e ciência e tecnologia. Em cada um destes campos, o liberalismo transformou as instituições humanas em nome da expansão da liberdade e do aumento do nosso domínio e controlo sobre os nossos destinos. E, em cada caso, surgiu uma fúria generalizada e um descontentamento profundo da percepção cada vez maior de que os veículos da nossa libertação se transformaram em celas de ferro do nosso cativeiro.

(...)

Patrick J. Deneen

quinta-feira, 21 de março de 2019

"Pedras do Sol e da Lua: Megalitismo e Arqueoastronomia Cultural"

PRIMEIROS TEXTOS SOBRE HISTÓRIA E PRÉ-HISTÓRIA

Convidamos para o lançamento do volume dedicado aos primeiros textos de pré-história, história e heráldica da coleção Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa. Esta sessão terá lugar na Sala de Atos da Universidade Aberta (Rua da Escola Politécnica, n.º 141-147), no dia 26 de março de 2019, pelas 18.00h. O livro será apresentado por Nuno Bicho e Carlos Fabião, contando com a presença do coordenador do volume, João Luís Cardoso, e dos diretores da coleção, José Eduardo Franco e Carlos Fiolhais.

NOVOS LIVROS DA GRADIVA

Informação recebida da Gradiva sobre os livros publicados em Março de 2019, à  venda a partir de dia 22 de Março.

Patrick J. Deneen
Porque Está a Falhar o Liberalismo?

Leitura imperativa para quem se preocupe com as crescentes fragilidades que ameaçam o liberalismo. Mesmo e porventura sobretudo para os liberais, para quem não subscreva a conclusão última do Autor, que pensa que «os males que afectam a sociedade liberal não podem ser resolvidos com a realização do liberalismo». É um livro raro, porque não é uma crítica marxista ou neoliberalista, vinda dos extremos políticos da esquerda e da direita. É uma crítica menos comum, numa perspectiva tradicionalista humanista. O seu valor maior é seguramente ser o inventário, o levantamento rigoroso, fundamentado, do que ameaça hoje os ideais e as realizações mais estimáveis das sociedades liberais. Partindo da evidência histórica de que o sistema desaba quando o fosso entre o ideal e a sua realização é demasiado grande, J. Deneen sustenta que o liberalismo terá sido vítima do seu próprio sucesso.
Patrick J. Deneen é Professor de Ciências Políticas na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. É autor de várias obras sobre política contemporânea.

«Trajectos», 208 pp., € 17,50
https://www.gradiva.pt/catalogo/46057/porque-esta-a-falhar-o-liberalismo?


Jacinto Jardim e José Eduardo Franco (dir.)
Empreendipédia - Dicionário de Educação para o Empreendedorismo
Nesta vasta e abrangente obra põe‑se ao alcance de um público alargado os conceitos, os modelos teóricos, as estratégias pedagógicas, as competências e as teorias que formam o corpus actual das ciências do empreendedorismo. Sendo o primeiro dicionário enciclopédico do género em Portugal, é sem dúvida de uma utilidade singular, tanto para estudantes como para os empreendedores e aspirantes a sê‑lo. Um guia competente e exaustivo.

«Fora de Colecção», 800 pp., € 40,00
https://www.gradiva.pt/catalogo/46066/empreendipedia


António Carlos Cortez
Voltar a Ler

A poesia portuguesa moderna e contemporânea, os ensaístas portugueses, a educação e outros temas de cultura, integram este livro dirigido a professores e pais, mas também aos que querem aceder a conhecimento sobre os referidos temas. O autor, com vários livros publicados, professor no Colégio Moderno, agita as águas e propõe um sério convite ao debate, enfrentando ideias feitas.

«Fora de Colecção», 392 pp., € 18,00
https://www.gradiva.pt/catalogo/45345/voltar-a-ler

Jasmine Guillory
Um Elevador Chamado Desejo
Uns minutos presos no elevador mudam a vida de Alexa Monroe e Drew Nichols. Sem nunca se terem visto, ele convida‑a para o acompanhar num casamento naquele fim‑de‑semana. Estranhamente, ela aceita. Na festa, ambos se divertem mais do que antecipavam, mas chega rápido o tempo de regressarem às suas vidas exigentes, distantes. O problema é continuarem a pensar um no outro. Um romance sedutor e bem‑humorado.

«Fora de Colecção», 368 pp., € 17,70
Riad Sattouf
O Diário de Esther (vol. 2)

Esther é uma criança inteligente e observadora. Comenta e enfrenta um quotidiano que é também o das nossas famílias, escolas, actualidade social. Um livro obrigatório também para os adultos, pais e professores. Do mesmo autor de O ÁRABE DO FUTURO, as tiras de O Diário de Esther foram publicadas semanalmente no Le Nouvelle Observateur.

«Fora de Colecção», 56 pp., € 11,00
https://www.gradiva.pt/catalogo/46074/o-diario-de-esther


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A ORIGEM LUSO-BRASILEIRA DO LÍTIO



Meu artigo no último Das Artes entre as Letras (na figura José Bonifácio de Andrada e Silva):

Está a ser celebrado em todo o mundo o Ano Internacional da Tabela Periódica, tomando como pretexto os 150 anos do seu aparecimento, que se deveu ao químico russo Dmitri Mendeleiev (1834-1907).

Portugal teve um papel histórico na descoberta do terceiro elemento da Tabela Periódica, o lítio. De facto, esse elemento químico, que aparece na Tabela logo após o hidrogénio e do hélio, foi identificado pelo químico sueco Johan August Arfwedson (1792-1841) no ano de 1817, no laboratório em Estocolmo de um outro químico sueco, Jöns Jacob Berzelius (1779-1848), analisando um mineral chamado petalita, que tinha sido encontrado em 1800 pelo químico luso-brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) numa mina na pequena ilha de Utö, na Suécia, no arquipélago de Estocolmo. A petalita ou petalite é um aluminosilicato de lítio, cuja fórmula química se escreve LiAlSi4O10.

José Bonifácio, cientista polifacetado (químico, mineralogista e metalurgista), foi primeiro aluno e depois professor da Universidade de Coimbra. Formou-se na nova faculdade de Filosofia, estabelecida após a Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra em 1772 em Filosofia Natural e Direito Canónico, em 1787 e em 1788 respectivamente (não há muitos cientistas naturais que concluíram um curso de Direito!). Após estudar em Coimbra, iniciou em 1790 uma campanha de viagens na Europa. Beneficiou de estadas em bons centros científicos da Europa, que duraram até 1800. Durante este período visitou alguns dos melhores institutos da França, Itália, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Suécia, Grã-Bretanha, etc. Em Paris teve por mestres de Química dois continuadores de Lavoisier – Jean-Antoine Chaptal (1756-1832) e Antoine François de Fourcroy (1755 – 1809). Foi discípulo de René Just Haüy (1743-1822), o fundador da Mineralogia em França. Os seus conhecimentos em Metalurgia foram aprofundados sob a orientação de Baltazhar-Georges Sage (1740-1824), director da Escola de Minas de Paris. Na Escola de Minas de Freiburg foi discípulo do alemão Abraham Gottlob Werner (1749-1817). Nessa mesma escola, foi colega do naturalista Alexander von Humboldt (1769-1859), irmão do filósofo Wilhelm. (1767-1835).

José Bonifácio anunciou a descoberta de doze novos minerais num artigo do Allgemeines Journal der Chemie (1800) de Leipzig. Entre esses minerais estavam a petalita e o espodumeno, os dois aluminossilicatos de lítio. O artigo tinha por título (traduzido para português): Exposição sucinta das características e das propriedades de vários minerais novos da Suécia e da Noruega... A importância deste trabalho justificou a sua publicação, em inglês, no Journal of Natural Phylosophy, Chemistry and the Arts (1801) e, em francês, no Journal de Physique, de Chimie, d’Histoire Naturelle et des Arts (1800). Foi a partir precisamente deste mineral encontrado na ilha de Utö e dos trabalhos de  José Bonifácio que Arfwedson identificou o novo elemento, que veio a ocupar a terceira casa da Tabela Periódica, ao qual Berzelius deu o nome de lítio, do grego lithos (pedra). No ano seguinte, um outro grande químico, o inglês Sir Humphry Davy (1778 – 1829), aplicou a recente técnica da electrólise, desenvolvida por ele próprio, para isolar o lítio.

Após uma década plena de actividade científica por toda a Europa, José Bonifácio regressou a Coimbra, dedicando-se a trabalhos de campo e ao ensino da Metalurgia (foi criada para ele uma cadeira com esse nome na Universidade de Coimbra). Participou como professor em 1808 nas Invasões Francesas, na defesa de Coimbra e do país, como mem­bro do Batalhão Académico).  Para além da sua actividade docente, foi Intendente Geral de Minas e Metais do Reino. Administrou também as minas de carvão de Buarcos, no Cabo Mondego, Figueira da Foz, e de S. Pedro da Cova, Gondomar, e das Reais Ferrarias da Foz de Alge, um afluente do Zêzere. Foi Director do Laboratório de Docimasia da Casa da Moeda em Lisboa, onde se determinava a proporção de metais nos minérios. Foi ainda da sua responsabilidade a criação de um laboratório de apoio de prospectores mineiros.

Realizou experiências de fundição de metais no Laboratorio Chimico, onde hoje é o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Revelou‑se preponderante no uso de um forno, descoberto na obra de restauro daquele labo­ratório.  Foi José Bonifácio quem usou pela primeira vez entre nós a palavra “tecnologia”. E foi também ele quem pode ser considerado pioneiro da ecologia em Portugal, quando escreveu um livro sobre a plantação de árvores no Reino (saiu recentemente nas Obras Puioneiras da Cultura portuguesa). Foi membro das Academias de Estocolmo, Copenhaga, e Turim, da Sociedade dos Investigadores da Natureza de Berlim, das Sociedades de História Natural e Filomática de Paris, da Sociedade Geológica de Londres, Werneriana de Edimburgo, Mineralógica e Lineana de Jena, Filosófica de Filadélfia, etc. Foi ainda membro da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro. Finalmente, José Bonifácio, que foi também poeta, ficou conhecido na história brasileira, pela sua intervenção no processo da independência do Brasil, ocorrida em 1822.

O elemento lítio, que ultimamente ganhou renovado interesse pela possibilidade da sua utilização em baterias, tem ainda uma outra ligação – esta actual – ao nosso país. Com efeito,  Portugal é o sexto maior país produtor de lítio em todo o mundo, existindo reservas que oferecem o potencial para exploração. Eis pois como um elemento, cujo mineral-mãe foi descoberto por um português em prospecção na Suécia, tem afinal entre nós jazidas onde pode ser encontrado. Não era preciso José Bonifácio ter ido tão longe…

"VISÃO, OLHOS E CRENÇAS"


No seu recente livro Visão, Olhos e Crenças, saído na colecção “Ciência Aberta” da Gradiva, o professor de Física da Universidade do Porto Luís Miguel Bernardo ensaia uma combinação entre física, medicina, história e etnologia. Começando por abordar a visão nos animais e nos seres humanos, foca a seguir nos olhos, adoptando a perspectiva histórica, para no final tratar dos mitos, lendas e superstições que proliferam a respeito da visão e dos olhos. Os interessados pela biologia poderão conhecer a diversidade dos sistemas de visão no reino animal, incluindo o espantoso camarão louva-a-deus, que possui um dos mais desenvolvidos sentidos cromáticos do mundo vivo. Os apreciadores da história da ciência seguirão com prazer a evolução das ideias sobre o funcionamento da visão e dos olhos. Finalmente, aqueles que apreciam a fantasia e a religiosidade, poderão aprender histórias do mau-olhado, o mal provocado\ por bruxas e feiticeiras com um simples olhar.

Para os médicos será particularmente interessante a apresentação da vida e obra de alguns médicos portugueses que trataram os olhos, designadamente a meia dúzia que alcançou fama internacional. O primeiro e talvez o maior de todos foi Pedro Hispano, que, sob o nome de João XXI, foi eleito papa, até hoje o único papa português. Ele escreveu no século XIII o Tractatus de Oculis, onde descreve o olho humano e aborda várias doenças oftalmológicas assim como o seu tratamento. Consta que, mais tarde, o pintor Miguel Ângelo teria tratado uma doença dos olhos com uma receita do papa lusitano. Para o único Nobel português em ciência, Egas Moniz, este seria “um dos primeiros tratados de oftalmologia escritos no mundo”. No século XVII, pontificou o médico Filipe Montalto, um judeu natural de Castelo Branco tal como outro grande médico judeu, Amato Lusitano. Tendo vivido exilado em vários sítios da Europa, publicou em Florença o Optica intra philosophiæ & Medicinæream (1606), onde apresenta a fisiologia do olho ligando-a às teorias da óptica, isto é, combinando a medicina com a física imediatamente antes do auge da Revolução Científica (antecede, por exemplo, Descartes, que também tratou os olhos a óptica). Montalto recebeu merecida atenção tanto dos seus contemporâneos. Um outro tratado notável de oftalmologia, Elementos de Cirurgia Ocular (1793) teve por autor o médico Joaquim José de Santana, que trabalhou no Hospital de S. José, quando este, após o grande terramoto, sucedeu ao Hospital de Todos os Santos. Merece relevo nos séculos XIX e XX o médico António Plácido da Costa, que foi professor primeiro na Escola Médico-Cirúrgica no Porto e depois na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Inventou o queratoscópio, um disco útil para o exame da córnea. Um médico da Sorbonne pretendeu a prioridade desse invento, mas Ricardo Jorge surgiu a defender o seu colega. Em Lisboa destacou-se como médico e cirurgião também em finais do século XIX e inícios do século XX o médico de origem indiana Caetano Gama Pinto, cujo nome foi dado a uma rua perto do Hospital de Santa Maria em Lisboa. O livro de Luís Miguel Bernardo chega até à actualidade com as referências que faz ao médico da Universidade de Coimbra José Cunha Vaz, premiado internacionalmente pelos seus trabalhos sobre a retinopatia diabética, e aos prémios na área da visão da Fundação Champalimaud, que são os maiores em todo o mundo.

Em suma, um livro que, a propósito da visão e dos olhos, mostra as ligações entre ciência e sociedade de uma maneira muito original. Bons olhos o leiam!

“POÇÕES E PAIXÕES”



O Elixir do Amor, ópera cómica em dois actos do italiano Gaetano Donizetti, estreada em 1832 em Milão, é um exemplo das muitas conexões que podemos encontrar entre a química e a ópera. Um médico aldrabão, o Dr. Dulcamara (“doutor enciclopédico”) recomenda um licor que faz milagres, curando uma variedade de doenças, desde a impotência sexual à asma.  O nome do médico, que significa “doce e amargo,” coincide com o de uma planta da família da beladona e da mandrágora. Um camponês apaixonado (o tenor) solicita a bebida ao falso médico (baixo) a fim de conquistar a sua amada, uma rica proprietária (soprano). O líquido não é mais do que vinho de Bordéus, mas circunstâncias fortuitas fazem com que surta o pretendido efeito e, como convém a um bom final, o amor triunfe.

Esta história evoca uma outra, medieval e lendária, da paixão entre o cavaleiro Tristão e a princesa Isolda. Os dois bebem uma poção mágica que os vai unir, apesar de Isolda estar prometida a outro. O enredo é trágico em vez de cómico pois Tristão acaba por morrer, ferido por uma lança, e Isolda morre a seguir, ferida de tristeza. O tema serviu ao alemão Richard Wagner para escrever uma das óperas mais famosas do seu reportório, Tristão e Isolda, em três actos, que estreou em 1865 em Munique. Segundo o médico alemão Gunther Weitz, que publicou em 2003 sobre o assunto um artigo no British Medical Journal, os sintomas de Tristão e Isolda são típicos de drogas como alguns alcaloides presentes na família das solanáceas, precisamente aquela a que pertence a dulcamara. Os sintomas da intoxicação, descritos no libreto, são inequívocos. Quer dizer, pode-se fazer um diagnóstico médico com base num texto cantado.

Tudo isto e muito mais e encontra no livro do João Paulo André, professor de  Química na Universidade do Minho e apaixonado da ópera, no livro intitulado Poções e Paixões e subintitulado Química e Ópera, que é o número 225 da colecção “Ciência Aberta” da Gradiva. Com extraordinária erudição e num estilo cativante, o autor conduz-nos numa viagem ao mundo da ópera. Ao lê-lo ficamos a perceber que a ópera, o chamado espectáculo total, é muito mais do que “histórias em que o barítono ama o soprano, que ama o tenor”. A obra, ricamente ilustrada, é uma tentativa bem-sucedida de junção das duas culturas, a cultura científica e a cultura artística.

Ficamos, logo no início do livro, a saber que a ópera começou em 1597, em Florença com a representação de Dafne, do italiano Jacopo Peri, membro da Camerata Fiorentina. Não deixa de ser curioso notar que a esse grupo tenha pertencido Vincenzo Galilei, tocador de alaúde e teórico da música, que foi pai do físico Galileu Galilei, que também tocava esse instrumento. Portanto, a ópera começou praticamente ao mesmo tempo que a ciência moderna. Arte e  ciência estão mais ligadas do que se julga… A Química, como bem assinala João Paulo André, é mais recente: só começou em 1789, o ano da Revolução Francesa, com a publicação do Tratado Elementar de Química, do francês Antoine-Laurent Lavoisier.

O ECLIPSE QUE TORNOU EINSTEIN FAMOSO

O Eclipse Solar de 1919: as expedições científicas e as observações feitas em Sobral

O Prof. Doutor Ildeu Moreira, Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, irá apresentar uma palestra dia 2 de abril, pelas 18h00, no Rómulo de Carvalho - Centro de Ciência Viva da UC, Departamento de Física, para a qual muito gostaríamos de poder contar com a vossa presença.




Neste ano se comemora em todo o mundo o centenário das observações astronômicas feitas no eclipse solar de 29 de maio de 1919. As medidas da deflexão da luz das estrelas na borda do Sol constituíram uma confirmação importante da Teoria da Relatividade Geral de Einstein. As observações decisivas foram feitas por astrônomos britânicos em Sobral e na Ilha do Príncipe. Nesta palestra discutiremos a primeira tentativa feita no Brasil, em 1912, para se medir este efeito durante um eclipse solar.  Depois comentaremos sobre os preparativos, feitos em Sobral, para a observação do eclipse pelas comissões britânica, brasileira - que fez observações sobre a corona solar - e norte-americana - que realizou medidas do magnetismo terrestre e de eletricidade atmosférica. Em seguida, analisaremos como ocorreram as observações em Sobral, no dia 29 de maio, e os resultados referentes à deflexão da luz da luz obtidos pela comissão britânica e anunciados em novembro de 1919. Finalizaremos com uma discussão sobre a repercussão destes resultados no Brasil para a aceitação de Teoria da Relatividade Geral e para o reconhecimento de Einstein como cientista. Quando esteve no Rio de Janeiro, em 1925, Einstein escreveu a seguinte frase para os jornais: “O problema concebido pelo meu cérebro incumbiu-se de resolvê-lo o luminoso céu do Brasil.”
Ildeu de Castro Moreira
Instituto de Física - UFRJ

Genética para Todos: De Mendel à Revolução Genómica do Século XXI


Hoje  quinta-feira, dia 21 de Março, às 18h, realiza-se no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a apresentação do livro "Genética para Todos: De Mendel à Revolução Genómica do Século XXI: a prática, a ética, as leis e a sociedade" da autoria de Heloísa G. Santos e André Dias Pereira, publicado pela editora Gradiva em Janeiro de 2019. 

A sessão de apresentação contará com as intervenções do Professor Carlos Fiolhais (Departamento de Física da FCTUC e Director do Rómulo), do Professor Francisco Corte Real (Presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses e Professor da Faculdade de Medicina da UC) e do Professor Luís Almeida (Faculdade de Farmácia da UC e Investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular UC). No fim, haverá sessão de autógrafos.

ENTRADA LIVRE


SINOPSE DO LIVRO:

Poderemos compreender as principais potencialidades e limitações dos conhecimentos hoje adquiridos em Genética Humana?
O que é o ADN? O que são testes genéticos? E testes genómicos?
Podemos alterar os nossos genes e os do nosso bebé?
Poderemos contar com medicamentos personalizados e um sistema público de saúde que, com base no conhecimento das características do genoma de cada um e recurso a algoritmos, nos irá proporcionar uma medicina de total rigor e precisão?
Qual será o preço social e humano que poderemos ter de pagar por estas mudanças tão radicais?
Que papel desempenham, neste contexto, a ética e o direito?
No nosso país, são escassas as publicações que procuram dar resposta a estas questões candentes no contexto da actual 4.ª Revolução Industrial. Na esperança de ajudarem a suprir essa lacuna, os autores convidam o leitor a acompanhá-los numa fascinante viagem, desde a descoberta das células e dos cromossomas até às mais recentes inovações na área da genética humana. 


NOVA ATLANTIS

 A revista “Atlantís” acaba de publicar o seu último número (em acesso aberto). Convidamos a consultar o sumário da revista para aceder à informação.

Imprensa da Universidade de Coimbra
Atlantís - review
v. 26 (2019)

Sumário
http://impactum-journals.uc.pt/atlantis/issue/view/358
[Recensão a] ALVAR, Jaime, Los Cultos Egipcios en Hispania, Besançon, Presses Universitaires de France-Comté, 2012, 192 pp. ISBN: 978-2-84867-418-6.
Nídia Catorze Santos

[Recensão a] CÂNDIDO, Maria Regina (org.), Mulheres na Antiguidade, Rio de Janeiro, Núcleo de Estudos da Antiguidade - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2012, 368 pp. ISBN 978-85-60538-08-9.
Maria Fernandes

[Recensão a] PINHEIRO, Marília P. Futre, BIERL, Anton et BECK, Roger (eds.), Intende, Lector. Echoes of Myth, Religion and Ritual in the Ancient Novel, Boston, Walter de Gruyter GmbH, 2013, 319 pp. ISBN: 978-3-11-031181-5.
Nuno Simões Rodrigues

[Recensão a], GALGANO, Nicola Stefano, I Precetti della Dea. Non Essere e Contraddizione in Parmenide di Elea, Bolonha, Diogene Multimedia, 2017, 236 pp. ISBN: 978-8893630863.
Lucio Angelo Privitello

[Recensão a] COELHO, Maria Helena da Cruz & REBELO, António Manuel Ribeiro, D. Pedro e D. Inês. Diálogos entre o Amor e a Morte, Coimbra, Imprensa da Universidade, 2016, 117 pp. ISBN: 978-989-26-1159-4.
Nair de Nazaré Castro Soares
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Atlantís
http://impactum-journals.uc.pt/atlantis

NOVAS EFEMÉRIDES

Informação de Adriano Simões da Silva (Biblioteca Municipal Pública do Porto):

20 de março –  Ciência

Costuma ser o dia do Equinócio da Primavera, no Hemisfério Norte. O que é o equinócio? O nome diz tudo: aequus = igual e nox = noite, pelo que o equinócio é quando a noite e o dia duram o mesmo tempo. Os equinócios definem as mudanças de estação. Nas culturas pagãs, os equinócios eram celebrados com tradições que passaram para as comemorações cristãs da Páscoa. Ciência.

20 de março de 1800 – Alexandro Volta informa a Royal Society, de Londes, da construção de um equipamento para produzir corrente elétrica contínua. O aparelho ficou conhecido como “Pilha de Volta”. Ciência.

20 de março de 1848 – “Bela aquisição para a Biblioteca Pública: acabou de chegar de França… 2ª série dos Annaes de Chymica e Physica…” (jornal “Periódico dos Pobres no Porto”, p. 292). Outros tempos… mas há bibliotecas públicas que ainda hoje fazem isso. Ciência.

20 de março de 1916 – Albert Einstein publica a sua “Teoria Geral da Relatividade”. Ciência.

20 de Março Indústria

20 de março de 1942 – Guerra: é declarado o racionamento da energia elétrica e do gás. Energia. Indústria.

20 de março de 1950 – Finalmente, chegou a Portugal o Volkswagen carocha (“O Tripeiro”, mar.2000, efem.). Indústria automóvel.

20 de março de 1954 – Assinada a escritura com a Termo-Elétrica Portuguesa para instalação da Central Térmica do Douro (“O Tripeiro”, mar.2004, efem.). Energia. Indústria.

20 de março de 1957 – Última operação bancária da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, que findara a sua atividade no 8 de setembro passado, por se ir integrar na Ordem dos Engenheiros (cf. Relatórios na BPMP na cota P-A-7303). Engenharia. Indústria.

20 de março de 1956 – Transformação da Sociedade das Minas de Vila Cova, Lda., em Minas de  Vila Cova, S.A.R.L., com minas em Vila Real (como pode ser lido no seu 1º relatório e contas, na BPMP, na cota P-A-6771). Indústria extrativa.

20 de março de 1969 – A CIDLA entregou 1/3 do valor da energia elétrica do país, afirma-se no Relatório de 1968: abastece 36% dos lares portugueses (“Diário do Norte”, p. 3). Energia. Indústria.


20 de março de 2000 – Enterro de Ruy de Lacerda, industrial químico, presidente da Associação Comercial do Porto, etc. (“O Tripeiro”, abr.2000, p.149). Indústria química.

21 de março de 1795 Ciência: morte de Giovanni Arduino, geólogo italiano, professor em Veneza de química, mineralogia e metalurgia, foi o fundador da Estratigrafia. Foi ele que em 1735 dividiu a história em 4 períodos: Primitivo, Secundário, Terciário e Quaternário. Ele considerava que todos os períodos eram delimitados por catástrofes como inundações, glaciações, etc. Ciência.

21 de março de 2018 – A árvore europeia de 2018 é um sobreiro assobiador português: venceu a 8ª edição do concurso: da aldeia de Águas de Moura, Palmela (“Público, 22 mar.2018, p. 27). Biologia. Ciência.

 21 de março de 2019 Indústria

21 de março de 1839 – Anúncio: Caetano José Dias de Sá continua a fabricar folares de pão-de-ló, em toda a semana santa, na Calçada da Esperança, nos fornos do sr. Capitão Borges (“Periódico dos Pobres no Porto”, p. 279). Indústria da panificação.

21 de março de 2018 – Inauguração, em Moreira da Maia, de uma fábrica do grupo suíço Azurea, de mecânica de ultra-precisão (“Primeira Mão”, Maia, 29 mar.2018, p. 11). Indústria.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Nova colecção EU AMO CIÊNCIA

Informação recebida da editora Saída de Emergência





A Desassossego, chancela de não ficção da Saída de Emergência, apresenta a EU AMO CIÊNCIA, uma coleção que pretende revolucionar a forma como se divulga a ciência em Portugal e conquistar espaço e visibilidade para a ciência nas livrarias. Prevemos publicar 4 a 6 títulos por ano, sobre vários ramos da ciência, desde a genética à astrofísica, da saúde à alimentação, passando pela biologia do cérebro à origem da vida na Terra.
A coleção pretende divulgar a ciência e o método científico. Não pretende confrontar nem antagonizar, mas sim dar a conhecer. Queremos criar céticos que usam a razão para fazer as suas opções. Num país onde as teorias da conspiração e as fake news estão em crescimento; onde a pseudociência na saúde e alimentação faz cada vez mais vítimas; onde os antivax e os negacionistas das alterações climáticas têm cada vez mais voz, é preciso reagir. Com informação credível. Com divulgação científica acessível ao grande público. É preciso amar a ciência.



Manifesto:
LOGO EU AMO CIÊNCIA
É verdade, amamos ciência. E amamos a curiosidade,
a paixão pelo mistério e o prazer da descoberta que alimenta
os cientistas. Amar ciência é muito mais do que respeitar um
corpo de conhecimentos. É abraçar uma forma de pensar que
exige evidências verificáveis e as analisa com o uso da lógica.
E porque Portugal precisa de mais literacia científica, aqui
estamos nós – livro a livro, queremos ajudar os portugueses
a serem mais céticos, a estarem mais informados e, acima
de tudo, mais preparados para o futuro.

CIÊNCIA E DEUS. DEUS AINDA TEM FUTURO?




Na próxima 4ª feira, dia 27 de Março de 2019, pelas 18h00, vai ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestraCiência e Deus. Deus ainda tem futuro?”, por Anselmo Borges, padre católico, teólogo, ensaísta português, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Esta palestra integra-se no ciclo "Ciência às Seis - Terceira temporada"*

Sinopse da palestra:
Há uma ideia generalizada na sociedade de uma incompatibilidade secular entre ciência e religião. Será mesmo assim? A religião terá sido um obstáculo ao avanço científico? Um cientista tem necessariamente de ser um não crente em Deus? Nesta palestra, o padre Anselmo Borges vai conversar com os presentes no sentido de esclarecer sobre: o que se entende por religião/religiões; o que se entende por ciência/ciências; a evolução desde o conflito à compatibilidade e á colaboração possível entre religião e ciência. E por fim, tentar responder à questão sobre se Deus ainda tem futuro na sociedade científica e tecnológica em que vivemos.




Sobre o Padre Anselmo Borges
Padre da Sociedade Missionária Portuguesa. Doutorado em Filosofia pela Universidade de Coimbra de cuja Faculdade de Letras é Professor. Licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma. Tem o D. E. A. (Diplôme d’études approfondies) em Ciências Sociais pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. É também Professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e na da Universidade de Coimbra. Tem várias obras publicadas, todas com várias edições. É colunista do “Diário de Notícias”.

*Este ciclo de palestras é coordenado por António Piedade, Bioquímico, escritor e Divulgador de Ciência.

ENTRADA LIVRE
Público-Alvo: Público em geral

Homenagem "Prestígio Profissional"

Transcrevo, na íntegra, o meu artigo de opinião cuja primeira parte foi publicada hoje no "Diário as Beiras": 

Homenagem “Prestígio Profissional”, promovida pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (I) 

“Época triste!
É mais fácil cindir-se um átomo do que um preconceito.”
(Einstein).

Hesitei em escrever este texto recordado dos meus tempos de português/latim do ensino liceal que nos alertava para o facto de “laus in ore proprio vilescit” (louvor, na própria boca, perde todo o valor). Todavia, por toda a moeda ter duas faces, o seu reverso obrigava-me à gratidão de tornar pública a recente homenagem “Prestigio Profissional” que me foi prestada no decurso da Conferência de Honra do “XIX Forum Internacional do Desporto”, pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (08/03/2019).

Durante a supracitada conferência, intitulada “Treino da força para idosos e evidências em estudos de intervenção”, proferida por Edilson Serpeloni Cyrino, professor universitário coordenador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício da Universidade Estadual Londrina (Brasil), o professor catedrático que a ela presidia, Manuel João Coelho e Silva, da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física (UC), quando da apresentação do conferencista feita por si, referiu-se a mim em generosas e amigas palavras que muito me desvaneceram por virem de um prestigiado académico que muito admiro e tenho em grande estima.

Nessa mesma ocasião, outra referência foi feita à minha pessoa por Edilson Cyrino que, poucos dias depois, publicaria, no meu facebook, uma mensagem que transcrevo com gratidão: “Homenagem merecida a um dos precursores do Levantamento de Peso/Halterofilismo/ Culturismo em Portugal, Prof. Rui Baptista. Me senti extremamente lisonjeado e emocionado de estar ao lado de uma lenda viva do Desporto”.


Reportavam-se estas duas personalidades ao meu livro “Os Pesos e Halteres, a função cardiopulmonar e o doutor Cooper” (publicado em idos de 73, e rapidamente esgotado). Qual pedrada no charco, atrevi-me a escrever esse livro numa época em que Kenneth Cooper, responsável pelo treinamento físico de astronautas norte-americanos, e autor de um estudo levado a efeito em cinco mil “cobaias” da Força Aérea, sustentava, num dos seus best-seller’s (1968), que o levantamento de pesos pouco representava em benefício da capacidade aeróbica dos praticantes de pesos e à sua saúde cardiovascular, embora com incontestada vantagem para o desenvolvimento dos músculos esqueléticos.

Pela minha responsabilidade na orientação de uma classe de culturismo do Clube Ferroviário de Moçambique, e pelo receio de um dos meus alunos, António Vasconcelos, por ter lido o livro de Cooper supracitado, resolvi, em dever de consciência, submeter ao teste, com o seu nome (correr ou caminhar, sem qualquer paragem durante 12 minutos), 6 praticantes de atletismo do Grupo Desportivo de Lourenço Marques e 9 praticantes de culturismo, por mim treinados, tendo obtido os 15 a classificação de excelente (o teste foi cronometrado pelo respectivo treinador de atletismo, António Matos, falecido em Coimbra onde viria a exercer, outrossim, uma acção digna de louvor).

Homenagem “Prestígio Profissional”, promovida pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (II)

“Preconceito é opinião sem conhecimento” (Voltaire).

Pouco tempo depois, ratificado pelo médico  Jorge Pessoa Monteiro, docente do curso de Medicina de Lourenço Marques, com a ajuda de um finalista desse mesmo curso, Raúl Silveira, praticante oficial de atletismo, foi levado a efeito por mim um outro estudo sobre o efeito dos pesos e halteres nos valores das pressões arteriais máxima, mínima e diferencial, em que participaram 9 atletas da minha classe de culturismo, demonstrativo dos benefícios aportados por este treino de força na saúde cardiovascular dos testados.

Ao tempo, era eu havido como um apóstata da Educação Física chegando-se a ponto, de quando ministrei preparação física com pesos aos nadadores de Lourenço Marques que viriam a competir, em Portugal continental, nos Campeonatos Nacionais de Natação (1958), onde pulverizaram vários recordes nacionais, ser comentado em surdina estar-se a cometer uma heresia por os pesos “prenderem os músculos”!

Sessenta e quatro anos volvidos, sendo eu docente da Faculdade de Desporto de Coimbra (2001), tomei frutuoso conhecimento de valiosos estudos científicos sobre os benefícios da exercitação com pesos da autoria de José Maria Santarem, doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo, com um extenso e valioso currículo de vida, em mero exemplo, ex-coordenador dos cursos de pós-graduação em Fisiologia do Exercício e Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento, personalidade do mundo científico com um perfil respeitado mundialmente, a quem enviei o meu livro: “Os Pesos e Halteres, a função cardiopulmonar e o doutor Cooper”.

Passado pouco tempo, recebi o seguinte mail que reproduzo com natural orgulho:
“Com muita alegria recebi o seu livro. Nossos ideais são comuns, e nossas dificuldades históricas também Felizmente hoje as evidências nos apoiam e somos ouvidos, mas é sempre emocionante lembrar os tempos em que éramos quase ignorados. Gostei muito do seu texto que, naturalmente, deve ser lido com a lembrança da situação do conhecimento de então. Como me pediu, segue em anexo um texto meu actual, é um capítulo do livro de medicina do esporte, ainda a ser editado. Meu desejo é que um dia possamos nos encontrar e rir bastante com as dificuldades do passado.
Um fraterno abraço!
Santarem”. 
Viviam-se então tempos em que vigorava o enraizado preconceito contra os pesos e halteres e o receio entre os seus praticantes, que esgotaram o amplo auditório da Sociedade de Estudos de Moçambique, entidade científica “Palmas de Ouro” da Academia de Ciências de Lisboa, quando aí proferi a conferência “Os Pesos e Halteres, a função cardiopulmonar e o doutor Cooper” que serviria de base à publicação do meu livro com idêntico título.

Dois anos antes, realizei, nesse mesmo local, uma outra conferência, intitulada “Educação Física, Ciência ao Serviço da Saúde Pública” que abriu a porta grande à Educação Física, tendo eu sido eleito, meses depois, vice-presidente da respectiva direcção e presidente da Secção de Ciências. Ou seja, “nihil fit sine causa” (nada acontece sem uma causa).