quinta-feira, 25 de abril de 2019

"E depois, continuou a Revolução"


"Lembra-se de tirar essa fotografia? Lembro perfeitamente. Aquilo é uma fotografia que esteve esquecida durante 20 anos. Ele deu uma conferência de imprensa e eu falhei-a porque cheguei atrasado. Cheguei a correr, ele olhou para mim e parou, como que a dizer "fotografa-me lá". E eu fiz a fotografia que depois foi recusada. Mas o Vicente Jorge Silva, nos 20 anos do 25 de Abril, escreve um texto chamado "Os Olhos do Capitão", ilustrado por essa fotografia, e é a partir daí que ela se torna conhecida. E essa fotografia é publicada numa dupla página, apanhando a primeira e a última.
Alfredo Cunha sobre uma das fotografias que tirou ao Capitão Salgueiro Maia no dia 25 de Abril de 1974, faz hoje quarenta e cinco anos. O extracto é retirado de  uma entrevista dada no passado ano a Diogo Barreto (aqui). 

"Esta foto é o meu Gue Guevara", tem dito Alfredo Cunha. Repetiu-o ao jornal Público num breve apontamento em que conta a história do encontro com o revolucionário, cujos passos seguiu nesse dia que mudou nossa História. Maia fez pose "e depois, continuou a Revolução" (aqui).

terça-feira, 23 de abril de 2019

Num saudoso tempo em que "a escola era risonha e franca"

(Fachada da Escola Industrial de Lourenço Marques)

Meu artigo de opinião publicado hoje no "Diário as Beiras":
“A saudade é o que faz as coisas pararem no Tempo”.
Mário Quintana (poeta e jornalista brasileiro)

Em memória de um tempo em que “a escola era risonha e franca” (1.º verso de um  poema de Acácio Antunes), escrevi estas sentidas palavras para serem lidas, no passado dia 13 deste mês de Abril, num restaurante repleto de uma centena e tal de antigos alunos da Escola "Industrial Mouzinho de Albuquerque" de Lourenço Marques. Reproduzo-as, na íntegra, em singela homenagem aos alunos que nela se formaram  sob o ponto de vista intelectual, físico e moral:

“Minhas Senhoras e Caros Alunos da Escola Industrial:

Ameaçado, pelo meu dedicado e bom amigo Godinho, de que teria de vos dirigir a palavra nesta efeméride, embora julgue desenvencilhar-me na palavra escrita, falar em público, ademais em situação emocional, não é bem a minha praia. Mas como dizem os nossos jovens: “bora lá!”

Começo por cumprimentar, com muito agrado e respeito, as Senhoras aqui presentes mostrando, contudo,  a minha admiração por aturarem, anos a fio, os vossos maridos, os "bons malandro” da nossa saudosa Escola Industrial de Lourenço Marques.

Aliás, rapaziada ladina e irreverente quanto baste que nada tem a ver, portanto,  com o título de um livro de Mário Zambujal, “Crónicas dos bons malandros”, que nos dá conta de estórias de um grupo de amigos que se reuniam por razões nem sempre  honestas!

Depois, envolvo esses “bons malandros” num grande abraço de gratidão por me terem dedicado uma amizade que justifica o facto de não dizerem basta de o convidarmos. Ao contrário, insistindo na minha presença no nosso/vosso convívio anual que começou, qual pequena  bola de neve rolando da Serra da Estrela para a Lusa Atenas.

Reporto-me a um almoço promovido, anos atrás, por quatro alunos da nossa Escola Industrial (Godinho, Adolfo, Carvalhinho e Jack, em ordem de nomes aleatória) que resolveram generosamente presentear-me e honrarem-me em Coimbra, deslocando-se do Norte e Sul de Portugal. Almoço que a vossa persistência transformou  numa avalanche de “industriais” aqui presentes!

Seja-me permitido, apenas, um pequeno reparo. A minha presença  justificava que deixasse de ser chamado ao nosso encontro um almoço de cocuanas [velhos respeitáveis ] mas, sim, um repasto de  cocuanas  e de um  mufana [rapaz], que sou eu com os meus 87 anos de idade, a dias, de se transformarem, se Deus quiser, em duas bicicletas, que esse era  o nome que os cábulas da minha geração davam aos oitos valores das classificações escolares que, por vezes, mereciam uma palmada (só?) dos nossos progenitores ou o castigo de não ir às matinés de cinema, aos sábados e/ou domingos.

Afirmou Einstein que o génio possui 1% de inspiração e 99% de transpiração. Parafraseando-o, a vossa amizade por mim tem 1%  de razão de ser e 99% de indulgência por eu não feito por vós tanto quanto devia e, apesar disso, ter tido um retorno que muito me comove, tanto que não encontro palavras para dizer quanto!

Como é meu uso costumeiro, evoco Eça, meu escritor de mezinha de cabeceira de noites insones, pela sua crítica impiedosa aos políticos do seu tempo por si ridicularizados em “As Farpas”. Políticos, ou melhor politiqueiros actuais que tudo fazem  para perdurar essa podridão como herança pecaminosa para nossos filhos e netos numa época  em que a honestidade se tornou excepção excepcional, passe a redundância!

Num dos seus livros, a imortal pena queirosiana citou o filósofo francês, Proudhon, que disse que “em todas as decadências o primeiro sintoma é a depravação do sentimento da amizade”.

A nossa presença nestas reuniões académicas é prova que desse mal não fomos achacados por estarmos vacinados por uma Escola que inculcou, entre docentes e discentes, vírus inactivados de desrespeito e malsã amizade e, porventura, outros valores negativos.

Finalmente, saúdo-vos estimadíssimos alunos e familiares da nossa gloriosa EIMA, verdadeira génese de gente de excelente cepa aqui reunida, ano após ano! Envolvo todos num abraço “ex corde”!”

domingo, 21 de abril de 2019

Uma data e uma tradição

Recordar datas e tradições é importante para manter viva a memória do passado, um passado que não deve ser esquecido porque ele se projecta no presente, e porque só olhando o passado podemos ver, com clareza, o que se passa no nosso mundo e compreender os avanços e os recuos da civilização.

Hoje, domingo de Páscoa para os que acreditam num Cristo que veio trazer ao mundo uma nova filosofia de esperança e de amor, assistimos ao horror dos atentados contra aqueles que querem celebrar a sua fé e o seu Deus, o Deus do amor.

E vêm-nos à memória os relatos longínquos das perseguições aos cristãos no tempo de Nero, Domiciano, Diocleciano, e outros, impedindo uma religião de deus único, numa Roma que sempre foi aberta a outros cultos e outras religiões. É só em 313, com o édito do imperador Constantino, que os cristãos têm, em termos oficiais, uma liberdade religiosa total.

Tantos séculos passados, tantos avanços civilizacionais e a intolerância continua, agora em maior escala porque maiores e mais potentes são as armas da morte. Parece que os homens do nosso tempo nada aprenderam com o passado, as lições da história foram esquecidas, os valores conquistados, a liberdade, a fraternidade são letra morta em mentes "formatadas" para o desprezo da vida, para o desprezo do outro, mentes perversas que julgam "salvar" o mundo pela violência contra inocentes.

Rubens - Rómulo e Remo
E nesta relação do presente com o passado, lembrar esta data — 21 de Abril, do ano 753 a.C. Segundo a tradição Romana, de que o historiador Tito Lívio nos dá conta, e Varrão, que procura confirmar uma data exacta, terá sido neste dia que Rómulo, o filho de uma Vestal e do deus Marte, fundou a cidade, aquele pequeno povoado de pastores, que se veio a tornar o centro de um poderoso império. Roma cresceu, em território e em cultura, aproveitou os ensinamentos dos povos conquistados e deixou-nos um legado, um legado cultural e linguístico, um património que não podemos desprezar.

No melhor e no pior somos herdeiros, continuadores desse passado, desse mundo e dessa civilização, que evoluiu, que cresceu e da qual devíamos retirar os bons ensinamentos, os valores perenes e não os maus exemplos.

"Ora os autores estão de acordo em que a fundação se deu no décimo primeiro dia antes das calendas de Maio*, data festejada pelos Romanos como sendo o nascimento da pátria.”
(Plutarco, Vida de Rómulo, tradução de Delfim Leão, Minerva Coimbra, 2006). 

* Corresponde ao dia 21 de Abril.

"Comecei a contar o Ulisses e isto durou o ano inteiro". O legado para o ensino de Maria Alberta Menéres

"E Ulisses, existiu? E Homero, existiu? E o Sol, existe? E a lua, existe? E o mar, existe?
Há muitos milhares de anos, um poeta grego, Homero, contou-nos no seu livro Odisseia a história de Ulisses que andava no mar, gostava de Sol, desejava a Lua.
É esta história que eu vos vou contar. Quem conta, é bem certo que acrescenta um ponto. Oh, mas quando eu conto, são tantos os pontos sempre a acrescentar, que mesmo com esforço não conseguiria nunca tais pontos ... bem, todos os pontos contar!" (Ulisses, p.7).

Maria Alberta Menéres, autora das palavras acima reproduzidas, foi professora e escritora. Teve outras actividades profissionais, mas é a partir da sua condição de professora e escritora que deixo o apontamento que se segue. 

Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas no início dos anos de 1950, tempo em que a cultural e as línguas clássicas, como componente do currículo escolar começavam a sofrer uma forte e alargada contestaçãoveiculada por elites da educação, a que se seguiram as políticas, não apenas no contexto internacional, mas também, e em consequência, no contexto nacional. 

De qualquer maneira, em Portugal, nessa década e nas seguintes, elas eram estudadas na universidade, nos cursos de Humanidades, e no liceu, na área de Letras. Como bem sabemos, num passado mais recente esta situação alterou-se: a cultural e as línguas clássicas são, agora, residuais, no sistema educativo público, tanto na universidade como no ensino secundário.

Trata-se de uma situação irreversível? Não, se as escolas quiserem que não o seja. Numa política de continuidade, o Ministério da Educação, ao abrigo da figura de "autonomia e flexibilidade curricular", permite que as escolas decidam vinte e cinco por centro do seu currículo, disponibilizando componentes curriculares/projectos que tenham significado no seu contexto.

Ora, nessa margem, podem optar por ofertas verdadeiramente educativas (no sentido de terem o poder para formar os alunos intelectualmente com base em conhecimento substancial) ou por ofertas deseducativas (ainda que sedutoras, oferecidas, ou mais do que isso, por "parceiros" que estão muito longe de serem educativos). Mais: em 2016 o Ministério acolheu a proposta designada por Introdução à Cultura e Línguas Clássicas (aqui) que oferece uma estrutura de base para o trabalho dos professores. E, sim, falamos de uma componente curricular/projecto com significado no contexto dos alunos: a cultura e as línguas clássicas, constituindo uma parte substancial da matriz contemporânea de pensamento, estão, obviamente, entre nós.

Voltando a Maria Alberta Menéres, percebendo isto mesmo, sem dúvida muito melhor do que eu, já perto do final da carreira, como professora singular, colocada na ingrata função de substituta, decidiu levar o Ulisses aos mais miúdos. Nas suas palavras:
(...) a certa altura tinha de fazer aulas de substituição de cada vez que uma professora faltava. E, então, como não eram meus alunos e não os conhecia, comecei a contar o Ulisses e isto durou o ano inteiro. Às tantas, todos queriam ouvir a história e acabei numa sala polivalente enorme a contar o fim. Escrevi-o em cinco dias e foi escrito tal e qual como foi contado. Tem uma grande oralidade, mas resulta muito bem porque as crianças quando o lêem é como se estivessem a ouvir a história. Mas tudo começou de uma tentativa de captar a atenção dos miúdos e fazê-los interessarem-se pelo que estava a contar (in Notícias Magazine, 30 de Maio de 2010). 
Homenagear Maria Alberta Menéres, como outros nomes que dignificam o ensino, é sobretudo inspirarmo-nos no seu legado, no que fizeram de melhor em prol dos "miúdos".
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Livro citado: Menéres, M.A. (1989). Ulisses. Lisboa: Asa [Ilustrações de Isabel Lobinho].

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Finlândia, versão dois: Portugal

O jornal El País publicou ontem uma entrevista ao Ministro da Educação de Portugal, obtida no Forum Education & Skills, realizado, entre 22 e 24 de Março, no Dubai. Num tom manifestamente elogioso, a entrevistadora, Elisa Silió, compara o nosso país a Espanha, catapultando-o para um elevado patamar de sucesso comparável ao que configurou o "milagre finlandês".
"Portugal converteu-se num referencial mundial na melhoria educativa e pedagogia inovadoras. É a nova Finlândia (…). A imprensa internacional descreve Portugal como a “estrela emergente em educação” pelos seus resultado na relatório PISA (…). É o país que se destaca também na autonomia de escola, na inovação pedagógica, na gratuitidade dos manuais e na intensa formação de professores." 
Eis o mais relevante da mencionada entrevista:
"Diferentemente de Espanha, há um consenso político... A espinha dorsal do sistema educativo tem 30 anos. Há um consenso político e social sobre a necessidade de aumentar a sua qualidade para haver igualdade de oportunidades e sirva de alavanca do crescimento económico e democratização cultural (…). 
Isso é fruto de muitas iniciativas, não de um dia. Sim, o sistema gratuito de pré-escolar, o plano nacional de leitura, o programa de matemática o de enriquecimento curricular... As crianças do 1.º a 4.º têm, por dia, duas horas gratuitas e voluntárias de actividades extra-escolares para aprender um instrumento, outra língua ou ir a um clube de ciência. Além disso, temos 130 escolas de intervenção prioritária, de zonas deprimidas, que recebem recursos extra. 
Diz o director do PISA, Andrea Schleicher, que os professores de Espanha “trabalham como uma cadeia de produção”. O modelo português é o oposto. Deixamos que as escolas trabalhem 25% do currículo nacional com a sua própria estratégia. Podem fundir-se disciplinas — História e Geografia, ou Matemáticas e Física —, trabalha-se experimentalmente ou organizam-se projectos anuais (…). Não há que ser impositivo, as escolas viram que se confia nelas e têm respondido muito bem. 
Autonomia com controlo. Especialistas da universidade e inspectores visitam uma escola durante uma semana e fazem um relatório. Não para classificar mas como uma espécie de auditoria para apoiar o projecto pedagógico. 
Portugal apresenta uma grande brecha entre classes sociais nos resultados académicos. Sim, há diferenças notáveis e devemos trabalhar isso. Portugal vem de uma ditadura em que a educação não era tema central. Muitos adultos têm ainda grandes carências de qualificação e é preciso formá-los. 
Surpreende-os a redução do índice de abandono precoce? (…) em Portugal passou de 44% para 12,6% [a média europeia é de 10,6%] (…) Há que fazer um trabalho com cada aluno. 
As subvenções para os colégios com contratos de associação tendem a desaparecer no seu país. Havia 79 colégios que consumiam 140 milhões de euros por ano, a lei diz que devem existir onde a escola pública não cumpre a sua função. Retirámos a subvenção a 49 (…). Não negamos a sua importância, só cumprimos a lei (…). 
Em Espanha há o consenso de que as crianças estudam demasiadas coisas mas com pouca profundidade. Vocês tomaram medidas. Reduzimos o currículo sem o mudar substancialmente. Não é uma revolução (…), damos coerência às melhores práticas internacionais. Um antigo ministro da Educação, Guilherme d’Oliveira Martins, e um grupo de académicos elaboraram um relatório sobre os valores, capacidades e habilidades que os alunos devem demonstrar no final da escolaridade obrigatória. Agora avaliam-se também nas provas nacionais também as expressões artísticas e psicomotoras que se haviam descuidado em detrimento do Português e da Matemática. Muito meninos não sabiam dar cambalhotas. 
Portugal avançou na inclusão de crianças com necessidades especiais nas escolas regulares. A ONU criticou a Espanha pela sua demora a este nível. 97,5% destes alunos já estavam nessas escolas. Começámos em 1992, antes de quase todos na Europa. Agora criámos um diploma legal para a inclusão (…) O importante é que possam estar cada vez mais nas aulas para facilitar a sua transição para a vida laboral. Estamos capacitando os profissionais e damos-lhe apoio, não é apenas uma tarefa dos professores de educação especial (…)."

quinta-feira, 18 de abril de 2019

PROCURA DE VIDA EM MARTE: PASSADO, PRESENTE E FUTURO


Na próxima 4ª feira, dia 24 de Abril de 2019, pelas 18h00, vai ter lugar no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra “Procura de vida em Marte: passado, presente e futuro”, por Zita Martins, primeira e principal astrobióloga portuguesa, professora no Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Esta palestra integra-se no ciclo "Ciência às Seis - Terceira temporada"*

Sinopse da palestra: “A missão espacial Viking da NASA pousou em Marte em 1976. Esta foi a primeira vez que uma missão espacial: i) procurou por vida extraterrestre, ii) pousou com sucesso em Marte e cumpriu os seus objetivos, e iii) enviou imagens (a preto e branco, e também a cores) de Marte. No entanto, nenhuma forma de vida extraterrestre foi detetada no Planeta Vermelho. A comunidade científica não desistiu e, desde então, Marte tem sido visitado por várias missões espaciais (em órbita e à superfície). Embora ainda não se tenha detetado vida extraterrestre em Marte (ou em qualquer outro lugar do sistema solar), resultados recentes tentam dar resposta a esta questão. Nomeadamente, a potencial presença de metano na atmosfera de Marte tem sido objeto de uma longa discussão na comunidade científica. A sua origem pode ser devido a um processo biológico, ou a um processo geológico chamado de serpentinização. No início de abril uma equipa de cientista, utilizando instrumentos a bordo da missão espacial Mars Express mostraram que o metano anteriormente detetado na atmosfera poderá ter sido libertado através de uma fratura localizada numa camada de gelo na superfície de Marte, tendo uma origem geológica. Contudo, uma semana depois a equipa do Trace Gas Orbiter (TGO) da missão espacial ExoMars publicou um artigo em que metano não foi detetado na atmosfera. Nesta palestra iremos discutir todos estes resultados (incluindo a aparente contradição relacionada com a presença e origem do metano), assim como os próximos passos na exploração do Planeta Vermelho.”

*Este ciclo de palestras é coordenado por António Piedade, Bioquímico, escritor e Divulgador de Ciência.

Link para o evento no facebook

ENTRADA LIVRE. Público-Alvo: Público em geral

Hoje Guilherme Valente fala da China no RÓMULO em Coimbra, pelas 18 horas




A China sempre esteve no imaginário ocidental. Um exemplo é o filme "A Grande Muralha"- Trailer Oficial 2 (Universal Pictures) [HD]

A promiscuidade entre política, sindicalismo e ordens profissionais (2)



Segunda parte do meu anterior artigo de opinião, com o mesmo título (16/04/2019), publicado hoje no "Diário as Beiras":


"Em 17 de Julho de 2002, noticiavam os jornais a conferência de imprensa dada pelo Sindicato Nacional dos Professores Licenciados (SNPL) para a criação de uma Ordem dos Professores (OP). Anos depois (20.Junho.96) é entregue na Assembleia da República uma pequena brochura contendo  uma Proposta de Estatutos da Ordem dos Professores. Em 25 de Fevereiro de 2004, apresenta a supracitada organização sindical, também aí, uma petição com 7857 assinaturas para a criação da OP, Finalmente, em 2 de Dezembro do ano passado, foi debatida na Assembleia da República a petição n.º 74/IX (2.ª) do SNPL.” Foi ela votada, pelos quatros partidos com assento na Assembleia da República,  CDS, PSD, P.S., PCP , tendo apenas votado favoravelmente o primeiro”.

Tem a actual direcção da Ordem dos Enfermeiros sido intérprete da confusão entre as funções dos sindicatos e das ordens profissionais, apesar da doutrina defendida, com argumentação bem estruturada pelo, ao tempo, bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano de Sousa, num seu artigo de opinião, “Ordens versus sindicatos”, de que transcrevo este elucidativo naco de prosa:

“Mas o que é da missão dos sindicatos deve ficar com os sindicatos. O que é missão de uma ordem profissional deve ocupar toda a sua energia. Confundir áreas e acolher ingerências acaba por descredibilizar as instituições, desvalorizar a intervenção na comunidade e ser um sinal de falta de inteligência social” (“Diário de Notícias”, 26/07/2014).

Anos volvidos, Rute Lima, professora do ensino politécnico, no Instituto Superior  de  Educação e  Ciências de Lisboa, reforça em  artigo de opinião (“Público”, 08/022019):

“Grave é abusar do estatuto da sua organização para fazer guerrilhas corporativas contrariando todas a mais elementares regras democráticas de manifestação, repito, próprias de uma força sindical, e nunca de uma actividade reguladora”.

A promiscuidade entre politica, ordens profissionais e sindicalismo encontra expressão muito significativa na enfermeira Ana Rita Cavaco (foi presidente da JSD de Almada, é bastonária da Ordem dos Enfermeiros e presença constante em manifestações sindicais dos  enfermeiros) onde é filmada e fotografada vezes sem conta. Aliás,  sem necessidade de protagonismo por já ter participado no programa da manhã da SIC de Cristina Ferreira, passaporte para ser tida como uma das colunáveis portuguesas!

A sua última aparição deu-se na “Manifestação Branca”, para a qual a Ordem dos Enfermeiros disponibilizou quatro autocarros para deslocação dos  participantes (DN, 08/03/2019), sob a alegação de Ana Rita Cavaco de que “é para isto que se pagam quotas”.

Bem pode ela, portanto, como diria Eça, “hesitar, tataranhar, embaralhar, e fazer um pastel confuso que nem o Diabo lhe pega, ele que pega em tudo”, jurando, sem qualquer credibilidade,  não estar a exagerar nas suas competências.

Em tradição ancestral, têm  os enfermeiros dado uma dádiva preciosa ao próximo em sofrimento que os enobrece merecendo, como tal, que as suas manifestações sindicais não sejam terreno invadido pela Ordem dos Enfermeiros. Ou seja, em tradução do brocado em epígrafe, “a cada um o seu"!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

DO MANUSCRITO AO LIVRO IMPRESSO

Divulgo informação recebida de António Andrade, da Universidade de Aveiro:
Temos muito gosto em anunciar a publicação do livro “Do manuscrito ao livro impresso I”, cuja versão electrónica está integralmente disponível na plataforma UC Digitalis, sendo também possível descarregar em separado os capítulos do livro, clicando na ligação “ver capítulos” (https://digitalis.uc.pt/pt-pt/livro/do_manuscrito_ao_livro_impresso_i).
Este volume, com a chancela conjunta da UA Editora e da Imprensa da Universidade de Coimbra, decorre das duas primeiras edições do Ciclo de Conferências “Do manuscrito ao livro impresso”, realizadas no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro (2015/16 e 2016/17), com o objectivo de promover a investigação e a divulgação científica na área da História do Livro e da Edição, no âmbito da Licenciatura em Línguas e Estudos Editoriais e do Mestrado em Estudos Editoriais.
Anunciamos que livro está também disponível, em qualquer parte, através de edições print-on-demand e digitais. Eis as ligações onde é possível aceder a estas modalidades:
1)     Amazon (print-on-demand) - https://www.amazon.com/dp/989261710X (também está disponível nos canais de países como Espanha, Reino Unido, etc.)
2)     Amazon (Kindle) - https://www.amazon.com/dp/B07Q467X7W

António Manuel Lopes Andrade
Universidade de Aveiro
Departamento de Línguas e Culturas
3810-193 Aveiro

tel: +351.234370358 (ext. 23333)

fax: +351.234370940