Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

CITAÇÃO SOBRE MENTIRAS E ESTATÍSTICAS

Terá sido o político britânico Benjamin Disraeli (1804 - 1881) quem afirmou, como é voz corrente?

"Há três tipos de mentiras: Mentiras, mentiras sujas e estatísticas" ("There are three kinds of lies: lies, damned lies and statistics").

Sobre o assunto ver aqui.

A VIAGEM À LUA 40 ANOS DEPOIS

Clique aqui para reviver a histórica viagem à Lua da Apollo 11.

CITAÇÃO SOBRE BIQUINI E ESTATÍSTICA

Foi Aaron Levenstein, professor norte-americano de Economia (1911-1986), quem afirmou:

"A estatística é como um biquini. O que mostra é sugestivo, mas o que esconde é essencial".

(No original: "Statistics are like a bikini. What they reveal is suggestive, but what they conceal is vital.")




HUMOR - GRIPE 3

HUMOR - GRIPE 2

HUMOR- GRIPE 1

O curso de Medicina da Universidade do Algarve


Novo post de Rui Baptista:

“Pela sua natureza, a universidade é uma instituição que deve ser frequentada pela aristocracia intelectual, que tem como vocação a universalidade e que deve adoptar como critério a exigência" (Maria Filomena Mónica).

Sem me reportar ao caso da Universidade Independente, que foi obrigada a fechar as portas depois do escândalo público despoletado pelas respectivas licenciaturas em Engenharia, reporto-me, agora e apenas, à criação de cursos superiores públicos que, para além de não ser devidamente planificada em termos quantitativos, estabeleceu uma confusão textual entre os ensinos universitário e politécnico, através de articulados da própria Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro) destinados a esta matéria (pontos 3 e 4 do respectivo art.º 11.º).

Assim, nestes formulários os ensinos universitário e politécnico pouco ou nada diferem na forma e no conteúdo, consentindo diversas leituras que permitem ao ensino politécnico navegar a todo o pano em águas de interesses dos seus diplomados e com a terra à vista dos sucessivos graus académicos que eles foram exigindo sem levantar muitas ondas, com excepção de doutoramentos.

Em 2004, quiçá no intuito de transformar uma matéria de facto em matéria de direito, um estudo coordenado por Veiga Simão (a quem é atribuída a desastrosa extinção das escolas técnicas, industriais e comerciais, quando ministro da Educação nos derradeiros anos do Estado Novo), com o título ambicioso de “Bolonha: agenda para a excelência”, previa a criação de universidades politécnicas outorgantes do grau académico de doutor, embora estabelecendo um prazo dilatado para esse efeito. Ora, todos nós, pelo andar da carruagem dos sucessivos graus académicos que foram sendo atribuídos pelo ensino politécnico, sabemos como os prazos se encurtam e a facilidade com que se moldam a interesses nem sempre justos.

Estranhamente, este estudo não agradou a gregos e troianos. Assim, o “Diário de Coimbra” (13/10/2004) noticiava que o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos entendia que a criação de universidades politécnicas “discrimina o ensino superior politécnico e revela-se desconhecedor deste subsistema”, acrescentando que “esta matéria é demasiado importante para nos ancorarmos apenas na opinião de três sábios”(para além de Veiga Simão, subscreveram este estudo António Almeida e Costa e Sérgio Machado dos Santos). Por seu turno, ainda segundo essa notícia, o presidente do Conselho de Reitores da Universidade Portuguesa “também não está totalmente convencido quantos às vantagens da criação das universidades politécnicas”.

É-se agora confrontado com a criação já oficializada do curso de Medicina na Universidade do Algarve com a duração de quatro anos. Sem entrar em pormenores que não possuo do respectivo currículo e da maneira como se poderá adaptar a clientelas tão diferentes, reporto-me a notícias que vão sendo publicadas em catadupa e de que respigo esta breve passagem: “Para se ser um candidato elegível tem de se ter, pelo menos, um diploma de licenciatura nas áreas da Saúde (Medicina Dentária, Medicina Veterinária, Enfermagem, Farmácia, Ciências Biomédicas, etc.)”.

Por ser do meu melhor conhecimento, em fins da década de 80 e princípios dos anos de 90, a licenciatura universitária em Medicina Dentária da Universidade de Coimbra exigia os três primeiros anos da licenciatura em Medicina, diferindo dela apenas nos três anos sequentes. Será que, para o ingresso nesse novel curso de Medicina, a licenciatura politécnica em Enfermagem é considerada de igual exigência científica, no que se refere às cadeiras de Anatomia, Fisiologia, Bioquímica, Histologia, etc., relativamente aos três anos iniciais da licenciatura em Medicina Dentária? Obviamente que, não sendo, de forma alguma, esse o caso, se está na presença de tratamento igual para situações completamente diferentes.

Por outro lado, sendo, actualmente, da competência da Ordem dos Médicos o reconhecimento da qualidade dos cursos que permitem a respectiva titulação de médico, não se estará a tentar retirar-lhe um direito conferido por lei? Em mera hipótese, o que sucederia se a Ordem dos Médicos por discordar (como diz discordar publicamente) dos moldes em que este curso se virá a processar se recusasse a admitir os licenciados em Medicina pela Universidade do Algarve como seus membros? Terá sido nessa previsão que o Partido Socialista (com base na intransigência da Ordem dos Engenheiros em reconhecer as licenciatura em Engenharia da Universidade Independente) se apressou em retirar às futuras ordens profissionais a competência legal de serem entidades capacitadas para reconhecerem e sancionarem a qualidade dos respectivos cursos?

Seria, no mínimo, verdadeiramente insólito se, em final de legislatura, o Partido Socialista tentasse estender essa limitação institucional às ordens profissionais já criadas, julgando, com isso, fazer obra democrática e progressista com respaldo, entre outros, num saber de experiência feito “em regime de voluntariado com grupos sociais vulneráveis” (texto das condições de acesso ao novo curso). O futuro o dirá!

Rui Baptista

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Os "focos de tensão" que a avaliação dos professores provoca

Sublinhando a necessidade de manter a avaliação do desempenho docente, os peritos de OCDE aconselham a modificação do modelo em vigor no nosso país.

As razões constantes do Relatório que deram a conhecer são as que toda a gente já sabe: o carácter interno da avaliação e o facto de ser referenciada ao contexto escola, a falta de preparação de quem avalia…

Trata-se de razões que, além de potenciarem injustiças e desigualdades, provocam “focos de tensão", aspecto que já havia sido destacado pelo Conselho Científico para a Avaliação dos Professores.

Os referidos peritos põem a tónica na necessidade de se encontrarem avaliadores externos credíveis, com formação especializada e devidamente acreditados, "provavelmente, professores, reconhecidos como profissionais altamente competentes e bem sucedidos, detentores de conhecimentos específicos e com competências pedagógicas aprofundadas, capazes de orientar e apoiar os outros professores".

Ainda que o Ministério da Educação aceite as referidas recomendações, a convivência entre professores está abalada. Demorará muito, muito tempo a voltar a níveis aceitáveis.

A “lógica” do Ministério da Educação

A coerência do discurso é uma característica essencial da racionalidade. Num plano mais imediato, apela a preceitos da lógica, entre as quais se conta a não contradição entre argumentos; num plano mais mediato, implica a estabilização de argumentos, a menos que reflexões de carácter filosófico e/ou evidências de natureza científica obriguem a sua revisão, revisão essa que deve ser explicitada e devidamente justificada.

Mas a coerência do discurso parece estar ausente no Ministério da Educação. Se não, vejamos:

Na passada semana, a Ministra e um Secretário de Estado acusavam a comunicação social, comentadores, partidos e sociedades científicas do abaixamento de resultados do exame do 12.º ano de Matemática; nesta semana, os mesmos responsáveis políticos deixaram de imputar a culpa do aumento de classificações negativas no exame de Língua Portuguesa do 9.º ano a estas entidades. Trata-se, para o Ministério, de "variações perfeitamente normais", de “oscilações aceitáveis”.

E, dou outro exemplo:

Ainda, que os resultados negativos dos exames do 9.º ano de Língua Portuguesa sejam de 30,1% e os de Matemática de 36,2%, a Ministra da Educação disse: “Gostava de sublinhar que a larga maioria dos alunos teve nota positiva tanto a Português como a Matemática. Isso deve encher-nos de orgulho. É muito positivo e muito bom para o País".

Mas, resultados negativos na casa dos 30% em exames nacionais serão aceitáveis ou não? Depende muito do ponto de partida, da consistência dos resultados e das nossas aspirações, mas julgo que estão longe de poderem servir de apelo a um sentimento de exaltação patriótica. Isso mesmo foi o que a Senhora Ministra deve ter percebido, pois, logo de seguida, acrescentou que o País não se pode "conformar com estes resultados".

Em que ficamos, então? Devemos ter orgulho nos resultados dos alunos ou não? Não, assim não vamos a lado nenhum: é preciso, antes de qualquer outra coisa, acertar a lógica...

AINDA A VIAGEM À LUA E AS TEORIAS DE CONSPIRAÇÃO

O "New York Times" de 14 de Julho aborda as teorias de conspiração sobre as viagens à Lua: ler aqui. Último parágrafo do artigo de John Schwartz:

"Harrison Schmitt, the pilot of the lunar lander during the last Apollo mission and later a United States senator, said in an interview that the poor state of the nation’s schools has had predictable results. “If people decide they’re going to deny the facts of history and the facts of science and technology, there’s not much you can do with them,” he said. “For most of them, I just feel sorry that we failed in their education.”

PORTUGUÊS E MATEMÁTICA

A opinião de Jorge Buescu no jornal "I "de 14 de Julho a propósito dos exames nacionais de Português e Matemática:

"Sem o domínio perfeito da língua materna é impossível o rigor na comunicação, na expressão oral e escrita. Muitas vezes, no ensino superior e na vida profissional, parte substancial dos problemas reside na deficiente compreensão de um texto. Um mau domínio da língua materna corresponde hoje a uma disfunção intelectual. A matemática desempenha o papel correspondente na estruturação do pensamento abstracto e do rigor lógico. É ainda a linguagem universal da Ciência e da Tecnologia. Hoje não é possível sequer formular ideias com um mínimo de sofisticação científica ou técnica sem o recurso à Matemática".

Jorge Buescu

CITAÇÃO SOBRE BÊBADOS E ESTATÍSTICA


Foi o escritor escocês Andrew Lang (1844 - 1912) quem afirmou:

"Ele usa a estatística como os bêbados usam os postes dos candeeiros: mais para apoio do que para iluminação" (no original "He uses statistics as a drunk man uses lamp-posts — for support rather than for illumination")
- A. Lang citado na p. 72 de "Essentials of debate‎", de John Reinder Pelsma, Thomas Y. Crowell Company, 1937.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

O PASSEIO DO BÊBADO


Informação recebida da Bizâncio sobre um livro acabado de publicar:

Título: O Passeio do Bêbado
Subtítulo: Como o Acaso Rege as Nossas Vidas
Autor: Leonard Mlodinow
Colecção: Máquina do Mundo, 27
ISBN: 978-972-53-0432-7
Págs.: 228
Preço: Euros 17,5
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«Um guia extremamente interessante, e agradável de ler, que mostra como as leis da aleatoriedade afectam as nossas vidas.» (Stephen Hawking)

Pode ser chocante saber que a probabilidade de morrermos num acidente de automóvel, quando vamos comprar um bilhete de lotaria, é duas vezes maior do que a de ganhar a própria lotaria. Neste livro irreverente e instrutivo, o autor mostra-nos que a aleatoriedade, o acaso e as probabilidades são muitíssimo importantes no nosso dia-a-dia. Mlodinow demonstra de modo expressivo que, por exemplo, as classificações escolares, as sondagens políticas ou a ascensão e a queda de uma estrela de cinema, entre tantas outras coisas do nosso quotidiano, são menos fiáveis do que pensamos. Esta viagem original e inesperada pelo acaso e pela aleatoriedade faz-nos recordar que muito do que acontece nas nossas vidas é tão previsível quanto os passos de um homem cambaleante que sai do bar ao fim de uma noite de copos.

CRIANÇAS DIZEM ADEUS AO PEDAÇO DE LUA


Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:

Dia 24 de Julho, nos 40 anos da Missão Apollo 11, crianças dizem adeus a pedra da Lua

A pedra da Lua (na foto) está quase a deixar o Museu da Ciência de Coimbra e a regressar à NASA precisamente no dia em que, há 40 anos, terminava a missão que levou à Lua o primeiro homem. Na despedida, as pedras de estimação dos mais pequenos vão ser estrelas por uma noite...

A pedra foi recolhida por James Irwin naquela que a NASA considerou a missão tripulada mais bem sucedida de sempre. Em Portugal desde Maio, prepara-se agora para regressar à agência espacial norte-americana. A pedra da Lua da missão Apollo 15 deixará o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra no dia 24 de Julho (sexta-feira), precisamente na data em que se comemoram os 40 anos do regresso dos primeiros homens que pisaram a superfície lunar (missão Apollo 11).

Na despedida, o Museu da Ciência desafia os mais pequenos a fazerem das suas pedras de estimação estrelas por uma noite. Das 21 às 24 horas, a ideia é que as crianças e as suas famílias descubram no Laboratorio Chimico, com a ajuda de duas geólogas da Universidade de Coimbra, as verdadeiras origens das pedras de que tanto gostam. Para além de uma viagem pelos mistérios das pedras de estimação, os mais pequenos poderão ainda encarnar um astronauta e levar para casa uma fotografia do momento.

No anfiteatro do Museu, as famílias terão opor tunidade de espreitar vídeos das missões Apollo e reviver a ida do Homem à Lua.A entrada é livre.

A iniciativa "Um Pezinho na Lua" é organizada pelo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e integra as comemorações do Ano Internacional da Astronomia, que assinalam os 400 anos das primeiras observações astronómicas de Galileu. De resto, a missão Apollo 15 (26 de Julho a 7 de Agosto de 1971), que trouxe a pedra da Lua em exibição no museu, foi palco de uma experiência que confirmou a teoria do cientista acerca da queda dos corpos: sem o efeito da atmosfera, uma pena e um martelo largados em simultâneo atingem o solo precisamente ao mesmo tempo.

Em exposição desde 22 de Maio, a pedra da Lua tem estado em Portugal graças a uma parceria entre o Museu da Ciência, a NASA e a Critical Software.

VALTER LEMOS E OS "RESULTADOS SUPERIORES"

Transcrevo do jornal "Público" de hoje declarações do secretário de Estado Valter Lemos sobre os resultados dos exames nacionais de Matemática (9º ano):

"Segundo Valter Lemos, "à medida que se melhora, cada vez é mais difícil apresentar resultados superiores". O responsável admitiu, contudo, que estes "ainda não são" aqueles que o Ministério da Educação gostaria que fossem."

Desta vez que os "culpados" dos resultados já não são os jornalistas que teriam propagado a ideia de facilitismo, como disse Valter Lemos há poucos dias a propósito dos resultados dos exames nacionais de Matemática (12º ano), no que foi acompanhado pela ministra, na tentativa, velha como o mundo, mas sempre vã, de ignorar as más notícias ao matar o mensageiro...

O actual Ministério da Educação, como confessa o secretário de Estado, tem querido a todo o custo "resultados superiores" e agora não sabe o que mais há-de fazer para os obter. É, de facto, difícil apresentar "resultados superiores" mexendo nas provas e não no ensino. O secretário de Estado não tem, porém, de pensar muito sobre isso nem sobre coisa nenhuma de educação, porque o seu mandato está, felizmente para todos, a chegar ao fim.

Mulheres cientistas no Mundo Lusófono


Informação recebida da Associação Viver a Ciência (na foto a matemática Irene Fonseca):

O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Viver a Ciência, o Círculo de Leitores e a Temas e Debates têm o prazer de o convidar para o lançamento do livro «Vidas a Descobrir — Mulheres Cientistas do Mundo Lusófono», coordenado por Joana Barros.

Este livro leva-nos numa viagem cultural e científica por vários continentes, apresentando as histórias de mulheres de origem lusófona que construíram carreiras profissionais ímpares no mundo da ciência.

A sessão terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 3, Av. Berna, 45A, 1067-001 Lisboa, no dia 14 de Julho pelas 19h. No final da sessão será servido um cocktail.

A obra será apresentada por Nuno Crato.

Nota sobre o conteúdo do livro:

Este livro reúne reportagens realizadas entre 2006 e 2008 sobre cientistas naturais de sete países lusófonos. O livro leva-nos numa viagem cultural e científica através da história de vida de dez investigadoras de diferentes gerações e culturas que trabalham em diversas áreas do conhecimento. Queremos que este livro seja uma celebração da diversidade e que contribua para o abandono de alguns estereótipos relacionados com ciência e cientistas.

Cientistas entrevistadas:

- Anabela Leitão (Angola) - Engenharia Química e Ambiental, Univ. Agostinho Neto, Angola
- Norma Andrews (Brasil) – Microbiologia, Univ. de Yale, EUA
- Thaisa Storchi Bergmann (Brasil) – Astrofísica, Univ. Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
- Niède Guidon (Brasil) - Arqueologia, Parque Nacional Serra da Capivara, Brasil
- Fátima Monteiro (Cabo Verde) - Ciências Políticas, Univ. Católica Portuguesa, Portugal
- Amabélia Rodrigues (Guiné-Bissau) - Epidemiologia, Projecto de Saúde Bandim, Guiné-Bissau
- Alcinda Honwana (Moçambique) - Antropologia, Open University, Reino Unido
- Cláudia Sousa (Portugal) – Primatologia, Univ. Nova de Lisboa, Portugal
- Irene Fonseca (Portugal) – Matemática, Univ. de Carnegie Mellon, EUA
- M. Jesus Trovoada (S. Tomé e Príncipe) - Antropologia Biológica, Instituto Gulbenkian de Ciência, Portugal

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

"Poesia temperada com música" – 2

Continuação da entrevista a Paulo Rato, iniciada aqui. Fala-se, agora, da intenção manifestada há alguns meses pela Antena 2 da Rádio de conquistar novos, variados e mais jovens públicos.


P: Depois de tantos anos a fazer rádio, se deitar um olhar para o futuro pensa que o caminho é investir em programas que contribuam para a "educação dos públicos", mas que têm nichos de audiências, ou é antes a subordinação aos "gostos" do público?

R: A "educação dos públicos" dilui-se na quantidade de estações que atravancam as radiofrequências, a maioria sem sombra de intenção cultural ou "educativa" (ou, mesmo, seja do que for). O que passa por muitos microfones e leitores de CD ou outros suportes de áudio é, não raras vezes, catastrófico. Mas são esses "conteúdos" que atingem (mortalmente?…) vastas audiências. É por isso que considero perigosa a ideia de "aligeirar", com mui deslizante ligeireza, a programação da Antena 2, no intuito de "conquistar novos públicos, sobretudo os jovens".

Parecer-me-ia melhor que se aprofundasse e alargasse a programação, partilhando mais esclarecidamente, com a Antena 1 e a Antena 3, a abordagem dos diversos géneros musicais e temas culturais, de modo a que todas as antenas incluíssem "pequenas amostras" dos conteúdos das vizinhas, em quantidades variáveis em cada uma delas: não me chocaria nada que houvesse um pequeno programa semanal sobre a música pop de maior qualidade na Antena 2, porque ela existe e habita o mundo onde estamos e por ela passam e com ela convivem muitos dos jovens criadores culturais. Sabendo distinguir a cultura popular da de massas, não podemos ignorar esta última e o que nela se gera com qualidade. Pelo contrário, parece-me francamente demais uma hora diária de música étnica (era muito mais interessante um programa semanal de meia hora, que houve há uns anos, da autoria de um investigador dessa área, mais tarde professor universitário) e outra de jazz, género que escasseia na Antena 1 e que não deve existir na Antena 3.

A poesia caberia em todas estas antenas, e não tenho qualquer dúvida de que iria conquistar muitos "fãs". É claro que a Antena 2 terá sempre, neste campo, especiais deveres. Mas sei que, actualmente, o dinheiro escasseia, a rádio passou a ser o parente pobre da "R e T de P", enquanto há gastos que me parecem, em tempo de crise, francamente deslocados no serviço público, como os enviados especiais ao funeral do Michael Jackson ou à recepção ao Cristiano Ronaldo (mas, atenção, puritanos!, há que dosear as coisas, incluindo a publicidade, que também pode fazer parte do espectáculo, para alguns sectores da audiência — uma audiência que o serviço público deve procurar manter num patamar aceitável). E, entretanto, a União Europeia vigia, qual urubu, não vá o serviço público receber "favores" do Estado e estragar o negócio dos queridos operadores privados.

P: Presumo que seja uma pessoa atenta ao ensino da poesia e da música que é facultado às nossas crianças e jovens. Qual é a sua opinião a respeito?

R: Creio que o ensino da música melhorou muito. Há muito mais escolas e professores, o nível pedagógico é bem mais elevado e temos hoje uma quantidade muito maior de intérpretes de grande qualidade, bem como de jovens compositores. Quanto ao ensino, em geral… não quero bater mais no ceguinho! Quanto ao ensino do Português, é público e notório que os programas têm decaído, os governantes (estes e os outros, não esqueçamos) aparentam ter desistido da educação, embora não o queiram confessar. E, quanto aos "últimos desenvolvimentos", a Ministra podia ser um génio e os professores uns madraços, todos uns… Mas quem é incapaz de descobrir que não é possível nem útil insistir em reformas contra a quase totalidade daqueles a quem se aplicam é, na minha modesta (e politicamente incorrecta) opinião, demasiado estúpido, mesmo para um génio.

Tudo junto, os resultados estão à vista e ao ouvido: poesia, para despertar a atenção da maioria dos jovens, terá de incluir muitos "palavrões". Espero que ninguém se ofenda. O que são os chamados "palavrões"? Termos de origem tão nobre e latina (ou grega ou…) como os outros — em geral relacionados com matérias que as ideologias dominantes foram tornando escusas, pecaminosas, inefáveis! —, de que o povo, isto é, as classes baixas, a ralé, faz uso, à falta de outros, mais eruditos, mas igualmente — inefáveis... Pelo que - perdoe-se-me - a sua utilização não me choca absolutamente nada.

A "palavra feia" poderia ser outra, se a sua etimologia fosse diversa. E, depois, os sons não têm culpa das maldades que lhes atribuem e que variam consoante as línguas: se tem algum amigo chamado Rui que tencione visitar a Rússia, recomende-lhe que escolha outro nome para se apresentar...; e há os termos que são perfeitinhos ou "obscenos", conforme o contexto, como o (le) baiser francês; e que malandrice tem, tomado palavra por palavra, o ternurento echar un polvito?

Não consigo perturbar-me com estas coisas, como não me comovem outras normas de "etiqueta". Porque é que não posso rapar o prato da sopa? Porque é feio, dizia a minha avó... ora, ora: é mas é para mostrar que "não preciso" — se o menino quiser mais, a criada traz, diria a senhora dona...

O que me incomoda é que a vulgarização do palavrão lhe retira as fortes conotações que adquiriu ao longo de tantos séculos de dura vida, tornando a sua utilização — ocasional mas oportuna — inócua, sem significado, incapaz de cumprir a sua função de transmitir uma honesta indignação, uma fúria, um susto, uma dor de martelada num dedo.

Como saborear Em Creta, com o Minotauro, de Jorge de Sena, se perderem força expressões como: "(… e, como todos os heróis gregos, um filho da puta…)" ou "toda esta merda douta cagada há séculos pelos nossos escravos, …)". Tenham dó! Senão lá se vai todo o encanto dos grandes poemas fesceninos…

O que verdadeiramente me choca é que a frequência dessa linguagem "de carroceiro" (classe baixa, ralé!...) traduz uma tal pobreza de vocabulário que a comunicação praticamente deixa de existir. Palavras que eu conhecia quase desde a mais tenra infância são hoje completamente desconhecidas de tais falantes (?) e receio que, com o avanço de tantas e tão boas reformas pedagógicas, o nosso português caminhe para o "grunhês". De resto, com o precioso auxílio dos media (e não "mídia", como os sambistas adoptaram e os nossos especialistas anglocoiso ostentam, orgulhosamente incultos), onde a asneira, falada ou escrita, fervilha.

Imagem: http://attambur.com/Imagens0/Banco36/violino1m.jpg

A DECIFRAÇÃO DA REALIDADE 2


Segunda parte do texto do post anterior, extraído do "Universo, Computadores e Tudo o Resto" (na imagem, Immanuel Kant, c. 1775):

Vou analisar, num breve bosquejo, dois personagens que caracterizaram os anos seguintes aos de Newton: trata-se de excelentes exemplos de pensamento autónomo, um na esteira das ideias newtonianas e o outro decididamente avesso a elas.

Refiro-me aos alemães Kant e Goethe, que influenciaram o pensamento europeu no século das luzes. Immanuel Kant, apesar de admirador de Newton, veio a interessar-se mais pelo "nomenal" do que pelo "fenomenal". Johann Wolfgang Goethe, crítico feroz de Newton, chegou a trocar a óptica oficial por uma duvidosa "doutrina das cores" que relevava mais o psicológico do que o físico. A Kant se deve, em larga medida, o afastamento da Física e da Filosofia. A Goethe se deve, em boa parte, a separação da ciência e da poesia. No século XVIII, a Física divorcia-se dos outros saberes humanos e foge, apressadamente, para a frente.

Kant estudou a mecânica newtoniana e ficou desde logo marcado por um autor que, para ele, "personificava" a própria ciência. Aceitou, tal como Newton, de bom-grado o primado da Matemática, tendo chegado a afirmar que "em toda a teoria particular da natureza, só há ciência propriamente dita na medida que houver Matemática". Se se atentar nas suas biografias, Kant e Newton têm, de resto, bastante em comum: ambos morreram velhos, prestigiados e solteirões...

Em 1755, quando a terra treme em Lisboa (diga-se de passagem que Kant ficou tão impressionado com essa catástrofe que escreveu duas obras sobre terramotos) Kant entrava como "Privatdozent" da sua Universidade de Koenigsberg e publicava uma das suas obras pré-críticas mais importantes: "Allgemeine Naturgeschischte und Theorie des Himmels" ("História Natural Geral e Teoria do Céu"). Esse livro é singular por razões que se prendem com a percepção pelo autor da complexidade e historicidade cósmicas. Aí se apresenta, pela primeira vez, uma causa natural e coerente para a origem do mundo.

O mundo teria evoluído de uma situação caótica (a palavra caos, hoje tão em voga, aparece repetidamente em Kant). Kant chama "universos-ilha" às galáxias que então se começavam a observar e apercebe-se da imensidão do cosmo no espaço e no tempo. Desenvolve uma teoria de formação do sistema solar que, no essencial e depois dos refinamentos do francês Pierre Simon de Laplace e outros, ainda hoje se mantém. Afirma Kant, peremptório: "Dêem-me matéria e eu dar-vos-ei um mundo". Deus só é necessário como mero fornecedor de matéria-prima, tudo o resto aparecendo em resultado de auto-organização. A visão retrospectiva do universo kantiano contrasta com a visão prospectiva de Newton: Kant diz que o mundo é assim porque outrora foi de outra maneira. Newton diz que o mundo será amanhã de outra maneira porque hoje é assim. Mas os dois concordam na capacidade de previsão, baseada em leis.

Depois, Kant afasta-se do edifício da Física, para alicerçar a metafísica. Deixa o mundo observado para se dedicar ao mundo do observador. Discute nas duas "Críticas da Razão" as condições e possibilidades de observação e compreensão. Não é o objecto que está no centro e o observador à volta, mas o observador que está no centro e os objectos à volta. Conclui a sua discussão com uma sentença que ficou famosa: "Duas coisas enchem a alma de admiração e respeito sempre novos e crescentes(...): o céu estrelado por cima de mim e a lei moral dentro de mim". A doutrina kantiana teve uma influência decisiva em muitos físicos, como Einstein, para quem Kant foi o "único filósofo que teve alguma coisa a dizer a um cientista". Mas representa decisivamente o ponto de rotura da Física com a metafísica. A partir de então, a decifração da realidade física passa a ser especializada e assunto de especialistas.

Goethe, quase uma geração mais novo que Kant, leu a obra do filósofo de Koenigsberg (já o inverso não é verdade uma vez que Kant ignorou praticamente Goethe, para grande consternação deste). Não é preciso conhecer em profundidade a biografia de Goethe para se saber que a sua vida amorosa foi diametralmente oposta às de Newton e de Kant. Uma das suas inúmeras amadas foi Frau Charlotte von Stein, uma senhora casada a quem, num belo dia de 1781, enviou os seguintes versos:

PENSAMENTOS NOCTURNOS

"Lastimo-vos ó estrelas infelizes,
Que sois belas e brilhais tão radiosas,
Guiando de bom agrado o marinheiro aflito
Sem recompensas dos deuses ou dos homens:
Pois não amais, nunca conheceste o amor!
Continuando horas eternas levam
As vossas rondas pelo vasto céu.
Que viagens levaste já a cabo!
Enquanto eu, entre os braços da amada,
De vós me esqueço e da meia-noite."

Repare-se na aversão à astronomia, no desdém pelas estrelas que tinham sido o motivo central da obra de Newton ("não presteis a mínima atenção aos newtonianos", advertia Goethe). É também conhecida a sua aversão à matemática ("matematizar é matar", escreveu). À análise experimental preferia a síntese poética. Admirava a natureza de uma maneira diferente, a maneira dos poetas.

Menos conhecido que a polémica da "doutrina das cores" é o interesse de Goethe pela classificação das plantas em tipos e pelos variados processos de "metamorfose" a partir de uma "Urpflanze", a planta primordial. O tipo corresponderia à unidade, enquanto a metamorfose corresponderia à evolução. As suas qualidades de observador judicioso do mundo botânico nem sempre têm sido devidamente ponderadas e divulgadas. Mais do que a majestade e a rigidez dos astros interessava-lhe a maravilha da Biologia, que não obedece à lei da gravitação (as plantas crescem para cima!) nem a uma qualquer outra lei matemática simples. É esta desobediência, este capricho e variabilidade permanentes, que enchem a alma do poeta.

Porém, tanto Immanuel Kant como Johann Wolfgang Goethe tinham algo em comum com Isaac Newton e alguns físicos modernos, os físicos, digamos, mais optimistas. Cito aqui o físico Henry Margenau, que escreveu no livrinho "Os Elementos Metafísicos da Física":

"Permitam-nos que preste homenagem a uma construção, na qual, apesar do seu carácter nitidamente ultra-perceptível, ainda acreditam quase religiosamente muitos dos mais eminentes físicos vivos. Referimo-nos ao pressuposto da existência de uma realidade última, para a qual a realidade dinâmica tende lentamente. Isso não passa no entanto de uma simples aspiração, de uma esperança, de uma profissão de fé, a que aliás se ligam os nomes geniais de um Platão, de Kant e de um Goethe."

É pois claro que tanto Newton como Kant e Goethe permanecem actuais. Como eles, os físicos modernos confiam na existência de um "plano das coisas", confiam em que a realidade é de todo decifrável. Mas como se decifra hoje a realidade natural?

Queria chamar a atenção para um novo aspecto metodológico que marca não só a forma como o conteúdo da ciência moderna. Para nos auxiliar na compreensão da complexidade dos factos avulsos dispomos actualmente de um instrumento desconhecido de Newton, Kant e Goethe, que está a permitir uma terceira via entre teoria e experiência. Quando a escolha parece limitada a dois caminhos, há sempre vantagem em procurar um terceiro. Esse instrumento é o computador e a terceira via consiste na simulação computacional da Natureza.

O papel do observador em astronomia é limitado e passivo, porque as luas, os planetas, as estrelas e as galáxias permanecem, felizmente, fora do alcance das nossas possibilidades de manipulação. É tecnicamente impossível parar a Lua e medir quanto tempo ela demoraria a cair sobre as nossas sapientes cabeças. Não podemos subtrair as luas a Júpiter ou Neptuno, nem pôr a Via Láctea a girar em sentido contrário. Por muita perícia e astúcia que tenha o experimentador, os céus estão ao abrigo dos seus actos mais malvados. O poder da ciência de Newton não significa posse material, absoluta, porque a Terra é a Terra e o Céu, lá no alto, é o Céu.

Com o computador é, no entanto, possível uma certa "posse", ainda que lúdica e inofensiva, das coisas da Terra e do Céu. Podem lançar-se luas no écrã de um computador, se introduzirmos neste um programa que contenha, codificadas, as leis do movimento na mecânica newtoniana. Com esse programa, "mutatis mutandis", pode brincar-se com uma, duas, muitas estrelas, ou com uma, duas, muitas galáxias. O código da Física (software) é universal e o grande computador analógico (hardware) que é afinal o universo pode ser recriado num computador digital. O computador permite uma cópia do universo ou de parte dele.

Numa experiência computacional, observa-se com grande pormenor uma parte do mundo. Uma simulação computacional, embora seja mais suave (soft) do que uma experiência tradicional, apresenta muitas afinidades com esta, podendo até substituí-la em muitas circunstâncias. Para um habitante inteligente de uma galáxia distante, uma experiência tradicional e uma experiência computacional realizadas por terrestres são praticamente indistinguíveis. Na primeira, manipula-se e interroga-se um bocado de matéria qualquer, ao passo que na segunda se inquire um bocado de matéria - o computador - cujas partes se reuniram com um dado propósito. Na primeira, age-se sobre uma Natureza em princípio desconhecida e vê-se como ela responde, ao passo que na segunda se introduz um código num dispositivo em princípio conhecido e se analisam os resultados para compreender todas as implicações do código, isto é, conhecer melhor o que está codificado. Se houver ciência e paciência, pode voltar-se atrás quantas vezes se quiser, reescrever o código e corrê-lo de novo. Cria-se assim no computador um universo de "faz-de-conta", que nos permite, se formos hábeis e bem sucedidos, novas decifrações de uma realidade multifacetada.

Compreender é neste caso imitar a natureza, recriar a complexidade dos factos na simplicidade de um algoritmo (o código deve ser, evidentemente, mais breve do que o respectivo resultado). As leis - chamemos-lhes leis por conveniência de linguagem embora se trate de procedimentos computacionais - devem ser mais simples do que o floreado de todas as suas consequências.

O físico, diante de uma máquina, pode assim assistir ao grande espectáculo colorido e tridimensional tanto do mundo real como, eventualmente, de mundos que apenas existem na sua imaginação. Pode simular em Abril a aproximação da nave "Voyager" de Neptuno, que só vai ter lugar em Agosto. Pode simular a formação do sistema solar, apesar de ninguém lá ter estado ao vivo. Pode fazer colidir numa fracção de segundo galáxias que, de facto, colidem ao longo de milhões de anos. Pode ainda, por exemplo, deleitar-se com o movimento de meia dúzia de estrelas no écrã que, como alguém sugestivamente descreveu, entram em cena para um bailado cósmico e saem no fim de terminada a actuação.

Com o auxílio do computador, pode o físico fazer crescer plantas em câmara rápida, compreender a divisão morfológica das plantas e pesquisar se existe ou não um tipo primordial de planta. Pode criar begónias com a mesma facilidade com que cria espécies fantásticas inexistentes (ou talvez existentes apenas num recanto perdido da Amazónia). Pode criar paisagens luxuriantes e assistir à espantosa alquimia das plantas. Pode até engendrar frondosas macieiras, de onde caem maçãs, em obediência estreita às leis de Newton.

Nem Kant nem Goethe teriam desdenhado um auxiliar tão precioso. Assim, alguns dos actuais manipuladores de instrumentos computacionais não se esquecem de os invocar. É curioso referir que o físico norte-americano Mitchell Feigenbaum, um dos criadores da moderna teoria do caos, foi encontrar numa estante universitária a "Teoria das Cores" de Goethe, que já todos julgavam perdida para a ciência. Convém acrescentar que o químico alemão Manfred Eigen, Prémio Nobel da Química, quando fala dos jogos computacionais da criação da vida, não se esquece de citar Goethe e referir a obsessão deste pela metamorfose dos seres vivos. Importa, finalmente, notar como a classificação das catástrofes do matemático francês René Thom e os seus ensaios sobre ciência qualitativa se aproximam da classificação dos tipos proposta por Goethe.

O trabalho criativo dos físicos é pois hoje recriação de (e recreação com) uma Natureza complexa. As leis, em vez de regulamentos rígidos e limitativos, são antes vistas como regras ou algoritmos, maleáveis e generalizáveis, que dão lugar a sucessos ou a insucessos, à sobrevivência ou à não sobrevivência, tanto de estrelas e planetas como de animais e plantas. A Biologia, onde pareciam não vigorar quaisquer leis além da regra darwinista do "triunfo do mais apto", e a Física estão a aproximar-se. A Biologia apresenta-se como o futuro da Física. Por paradoxal que seja invocar um adversário de Newton para enaltecer a arquitectura do Universo, fiquem algumas palavras, optimistas, de Goethe sobre a perenidade da Física. O poeta escreveu sob o título "Testamento":

"Confia alegre e feliz sempre no ser!
Que o ser é eterno: existem leis
para conservar vivos os tesouros
dos quais o Universo se adornou"
.

A DECIFRAÇÃO DA REALIDADE 1

Texto subintitulado "Da complexidade do mundo à simplicidade das leis" - publicado no meu livro "Universo, Computadores e Tudo o Resto" (Gradiva, 1994), que entretanto se encontra quase esgotado no editor. Devido à sua extensão divido-o em duas partes, a primeira sobre Newton e a segunda sobre o newtoniano Kant e o anti-newtoniano Goethe:

Existem muitas realidades: a realidade para um físico é diferente, por exemplo, da realidade para um filósofo ou da realidade para um poeta. Os físicos chamam realidade a tudo o que, de uma maneira ou de outra, conseguem observar com os seus instrumentos. Os filósofos e os poetas chamam realidade a outros mundos e estão, bem entendido, no seu pleno direito.

Consideremos a realidade física. A realidade, vista pelos físicos, revela-se extremamente rica e variada. O "milagre" que possibilita a Física consiste no facto notável de serem possíveis descrições simples do mundo natural, que tem uma aparência complexa. É esse "milagre" - o facto de uma compreensão do real ser de todo possível - que permite a empresa científica e todos os seus resultados culturais, sociais e económicos. Para o físico norte-americano de origem alemã Albert Einstein, "o que há de mais incompreensível na natureza é o facto de ela poder ser compreendida".

A verificação de que enunciados sucintos permitem abarcar uma multidão imensa de fenómenos, aparentemente díspares, constitui, mesmo para os próprios físicos, um motivo de permanente surpresa e encantamento.

Foi o inglês Sir Isaac Newton o primeiro a experimentar o deslumbramento de uma compreensão unificada do mundo físico. Até ao século XVII, a Lua, os planetas e as estrelas moviam-se ao longo das circunferências de Ptolomeu segundo uma ordem que era estranha ao que se passava no centro de todo o sistema. Havia uma Física do Céu e uma Física da Terra, o que significa, afinal, que não havia Física nenhuma. A história da maçã e da Lua é uma bela parábola sobre a conciliação entre a Terra e o Céu que se dá na mente, subitamente desperta, de Newton.

Com Newton iniciou-se pois a Física, que mais não é do que o trabalho dos físicos para harmonizar as várias porções do mundo natural que teimam em parecer desconexas. A decifração da realidade física consiste em descobrir os grandes princípios ou leis que tornam inteligíveis os fenómenos avulsos. Compreender os fenómenos físicos consiste em estabelecer paralelos, analogias, regularidades.

A primeira grande lei da Física - a lei da gravitação universal - constitui um quadro geral da descrição do movimento de maçãs e luas, de Júpiter e dos seus satélites, do Sol e das outras estrelas, da nossa e das demais galáxias, dos enxames de galáxias e de tudo o resto do "grande jardim zoológico" dos céus. Sabia-se, desde as experiências do italiano Galileu Galilei, como as maçãs e outros graves caíam. Sabia-se, desde as observações do astrónomo dinamarquês Tycho Brahe analisadas pelo seu discípulo alemão Johannes Kepler, como as luas e outros astros se moviam. Passou-se a saber, com a aceitação da lei da gravidade, que as luas também caem e que o fazem da mesma maneira que as maçãs. Pode dizer-se que caem muito pouco: a nossa Lua, por cada quilómetro que anda, cai de um mísero milímetro em relação à trajectória que descreveria se não existisse a força de atracção da Terra. E, todavia, cai. Tanto maçãs como luas são atraídas pela Terra na razão inversa do quadrado da distância.

A história original da Física, como em geral todas as grandes histórias originais, contém um ensinamento profundo: ensina que a experiência, a prática manual, e a teoria, a especulação mental, se impregnam e fecundam. A teoria da gravitação foi proposta para encaixar dados experimentais sobre a queda da Lua e da maçã. Em Física, uma teoria é espúria se não for avaliada pela natureza. Por isso, nem toda a especulação é lícita a um físico sensato. Mas, felizmente, há mais gente, que tenta decifrar outras realidades par além daquela estritamente mensurável.

A lei da gravitação, que tão bem descreve a macroeconomia do cosmo, tem servido de inspiração na busca de outras leis físicas. Procuraram-se, por exemplo, as leis da electricidade e magnetismo à imagem e semelhança da lei da gravitação de Newton. Verificou-se que a força eléctrica entre duas cargas é, tal como a força de gravitação, inversamente proporcional ao quadrado da distância. Essa razão, se mais não houvesse, bastaria para tentar unificar os dois tipos de força. É tarefa ainda não concluída, mas os físicos, esses eternos optimistas, esperam um dia concluí-la. Têm boas razões para o seu optimismo, porque a natureza costuma ser magnânima a deixar juntar o que está, aparentemente, separado. Costuma ser mais optimista do que eles.

Foi a confiança em Newton e na sua lei da gravitação e algum engenho na observação das luas de Júpiter que permitiu determinar a velocidade da luz, pelo dinamarquês Olof Roemer logo no século XVII.

É a confiança ainda em Newton e na sua lei universal que nos permite hoje saber, com antecedência, como e quando a nave "Voyager 2" vai passar perto de Neptuno e da sua lua Tritão. Tornámo-nos crianças travessas que, não contentes em deixar cair maçãs ao chão, lançam maçãs ao espaço e perturbam, ainda que tenuamente, o equilíbrio milenário entre Neptuno e a sua lua maior.

É ainda a confiança em Newton e na sua lei que nos permite afirmar que existe um halo de matéria escura no universo, isto é, uma parte invisível do mundo que atrai tudo o resto. O conhecimento quantitativo dessa matéria escura será essencial para averiguar o nosso destino cósmico.

Newton triunfou, portanto. Com ele triunfou uma certa estratégia de decifração da realidade que se baseia na formulação de hipóteses teóricas, na sua confirmação ou infirmação pela experiência, e na redução dos fenómenos a fórmulas matemáticas concisas. É o chamado método científico.

Newton teve uma corte de seguidores e adversários. Dos seguidores estão repletos os compêndios de ciência. Os adversários, que são raros na comunidade dos físicos, consideraram as concepções de Newton autoritárias, castradoras mesmo. O mundo seria tratado na mecânica clássica como uma instituição militar, sendo as respectivas leis um regulamento de disciplina. Não haveria espaço para a imaginação e o livre arbítrio. Há que reconhecer que houve manifestamente abusos de poder feitos pelo e em nome do grande cientista inglês. A ciência nunca é estranha à personalidade dos seus autores e Newton era um personagem forte, arrogante e intimidatório, que moldou com o seu estilo a ciência transmitida às gerações seguintes.

A CiÊNCIA NÃO É NEUTRA

Tenho vindo a seguir um novo blogue sobre questões de ciência, tecnologia e política científica e tecnológica, "A Ciência não é Neutra", da autoria do Engenheiro Electrotécnico Pinto de Sá, professor do Instituto Superior Técnico:

http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/

MASSA CRÍTICA


Informação recebida da Gradiva (clicar para ver melhor)

O GRANDE APAGÃO


Informação recebida da organização nacional do Ano Internacional da Astronomia:

A 18 DE JULHO AIA2009 PROMOVE "APAGÃO" PARA FAZER BRILHAR AS ESTRELAS

Do Bom Jesus de Braga aos Jerónimos. Da Praça Velha de Angra à Baía de Cascais. Da Universidade de Coimbra à cidadela de Bragança. Portugal vai 'desaparecer' na noite para acender as estrelas do céu.

O Ano Internacional da Astronomia vai provocar um "apagão" que atingirá cidades e vilas por todo o país no dia 18 de Julho (sábado). De Braga a Lisboa, de Angra do Heroísmo a Cascais, de Coimbra a Bragança, da Calheta a Espinho, de Moimenta a Mira, alguns dos mais emblemáticos monumentos e praças centrais vão "desaparecer" na noite para fazer brilhar as estrelas. A iniciativa, promovida pelo Ano Internacional da Astronomia, pretende alertar os portugueses para o grave problema da poluição luminosa e, ao mesmo tempo, mostrar a beleza do céu nocturno.

Na "Noite das Estrelas", em Braga, o horizonte nocturno vai deixar de ser recortado pelo Santuário do Bom Jesus. O monumento, que é uma referência da arte barroca na Europa, vai render-se ao apagão nacional e tornar-se palco de um passeio pelo céu estrelado, orientado pelo ORION - Sociedade Científica de Astronomia do Minho e outros astrónomos da região. Música e palestras são outras das actividades previstas para a esplanada do Bom Jesus, a partir das 18h30.

Na região de Trás-os-Montes, Bragança é o palco central do Universo. Com a cidadela às escuras, os curiosos poderão descobrir no castelo, a partir das 21h30, Júpiter e Saturno, a Lua, alguns enxames de estrelas, nebulosas e galáxias, com a ajuda de astrónomos amadores e da equipa do Centro Ciência Viva de Bragança.

Ainda a Norte, Espinho vai desaparecer na noite, saindo de cena para deixar passar as estrelas. A iluminação pública da área central da cidade vai ser desligada e os seus habitantes poderão contemplar com os seus próprios olhos os efeitos da ausência de poluição luminosa. No Centro Multimeios de Espinho terão ainda lugar, a partir das 22 horas, sessões de observação do céu abertas a toda a população. "Iremos subir até ao topo do edifício do Centro Multimeios e observar com o nosso telescópio objectos que em condições normais não poderíamos observar", avança Lina Canas, do Centro Multimeios.

No distrito de Viseu, Moimenta da Beira é a protagonista das celebrações da "Noite das Estrelas", mais uma vez uma aposta conjunta da câmara municipal e do Clube das Ciências da Escola Secundária Dr. Joaquim Rebelo, que já este ano foi responsável pela organização da maior concentração nacional de telescópios. A iluminação pública de cerca de um quarto da cidade será desligada durante uma hora e meia, abrangendo a zona das escolas. A partir das 21h30, em frente ao Pavilhão Gimnodesportivo de Moimenta da Beira, haverá ainda passeios pelo céu nocturno, uma cortesia do Clube de Ciências.

No centro, Coimbra mobilizou-se em força para a "Noite das Estrelas". Um dos maiores símbolos do país, a Universidade de Coimbra, irá deixar de coroar a encosta da Alta da cidade, abrindo o céu nocturno à contemplação de todos. Com as luzes reduzidas, o Pateo das Escolas acolherá, a partir das 21 horas, observações astronómicas e ainda o espectáculo "Setestrelo", do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra. Para quem não medo das alturas e tenha uma lanterna à mão, será ainda possível subir à Torre da Universidade e olhar o céu com uma luneta igual à que Galileu utilizou há 400 anos. Do outro lado do rio, em Santa Clara, o Ano Internacional da Astronomia vai fazer parar a música do I Festival das Artes para homenagear o Universo. A partir do premiado Anfiteatro da Colina de Camões, na Quinta das Lágrimas, os curiosos poderão, assim, deambular pelos astros da noite, com a ajuda de astrónomos, a partir das 22h30. A entrada é livre.

Ainda no coração de Portugal, Mira volta a ser uma das mais entusiastas participantes do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009). A iluminação pública do centro da vila vai ser desligada, deixando as ruas à mercê das estrelas. As celebrações vão concentrar-se no Jardim Municipal, onde, a partir das 20 horas e ao som de música, decorrerão observações astronómicas, orientadas pelo Observatório Astronómico de Mira. Antes, às 16 horas, decorrerá ainda, na Casa do Povo, uma palestra sobre os perigos da poluição luminosa.

Mais a Sul, em Lisboa, a "Noite da Astronomia - Noite das Estrelas" vai fazer apagar o edifício do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). Na Tapada da Ajuda, os curiosos poderão visitar o OAL e passear os olhos pelo céu nocturno, com a ajuda de uma equipa de astrónomos. As actividades decorrem entre as 21 e as 23 horas.

Em Cascais, as luzes da baía vão extinguir-se e dar lugar, na praia, das 22h00 à meia-noite, a um passeio guiado pelo céu. Além das constelações visíveis a olho nu, o público poderá descobrir imagens comentadas de objectos celestes, captadas ao vivo a partir de um telescópio e projectadas sobre um grande ecrã, ou olhar directamente para o céu através dos vários telescópios disponibilizados no local. Com pufs dispersos pelo areal, o NUCLIO - Núcleo Interactivo de Astronomia irá também às 20 horas dar corpo a uma palestra sobre os 40 anos da Missão Apollo, que pela primeira vez na História levou o Homem à Lua. O NUCLIO convida ainda todos os interessados a trazer os seus próprios telescópios e a participar nessa noite inesquecível.

No arquipélago da Madeira, a Calheta é a grande figura da "Noite das Estrelas", com a célebre Promenade entregue à noite durante meia-hora. Antes e depois do apagão, que tem início marcado para as 22 horas, decorrerão sessões de observação na zona. Na Calheta, haverá ainda lugar a medições do brilho do céu nocturno, uma iniciativa da Universidade da Madeira.

Nos Açores, o horizonte vai deixar de contar com Praça do Alto das Covas de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. A iluminação pública estará desligada entre as 22h30 e as 24 horas para facilitar as observações do céu profundo.

DE OLHOS NO CÉU

Sem apagões confirmados, mas de olhos no céu estarão ainda o Porto e Faro. Na cidade invicta, as celebrações concentram-se na entrada do Palácio de Cristal e na Praça Parada Leitão, onde, a partir das 22 horas, decorrerão visitas guiadas ao céu. Na iniciativa do Palácio de Cristal, que terá lugar no âmbito de uma LAN Party, a Associação de Física da Universidade de Aveiro (FISUA) ajudará os curiosos a desvendar as constelações visíveis. Junto à Reitoria da Universidade do Porto (UP), o Porto Cidade de Ciência e o Centro de Astrofísica da UP promovem observações astronómicas, numa iniciativa da Astronomia no Verão.

No Algarve, as estrelas voltam ser as personagens principais de mais um espectáculo de observação do céu na açoteia do Centro Ciência Viva, em Faro. As comemorações da Noite das Estrelas têm início às 22 horas.

A poluição luminosa resulta da má utilização dos sistemas de iluminação e é produzida sobretudo por candeeiros e projectores que, por concepção inadequada ou instalação incorrecta, emitem luz muito para além da zona pretendida. A luz emitida em excesso causa graves prejuízos ambientais e sociais: para além de exigir gastos supérfluos de energia, agravando o problema da poluição ambiental, ela ainda produz danos sociais, na medida em que afecta, por exemplo, o comportamento dos condutores e dos peões nas ruas, mas também o próprio bem-estar das populações.

As celebrações da "Noite da Astronomia - Noite das Estrelas" fazem parte do projecto internacional do AIA2009, "Dark Skyes Awareness" , que visa sensibilizar o público para o impacto negativo de uma iluminação artificial excessiva. Coincidem também com uma nova edição de observações do programa do AIA, E Agora Sou Galileu, desta vez dedicada à Via Láctea. No dia 18, assinala-se também o arranque do programa educativo Astronomia no Verão, da responsabilidade da Agência Nacional Ciência Viva.

O Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009) é coordenado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Agência Nacional Ciência Viva, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e da Fundação Calouste Gulbenkian.

Mais informações: aqui

LIVROS SOBRE A VIAGEM À LUA


O "New York Times" recenseia aqui dois novos livros sobre as viagens à Lua, agora que se aproximam os 40 anos sobre a chegada dos astronautas à lua.

PASSEIOS SUBTERRÂNEOS


Informação recebida da Sociedade Portuguesa de Espeleologia, SPE (na foto grutas de Mira de Aire):

Com o apoio do Programa Ciência Viva do Ministério da Ciência e Tecnologia a SPE organiza oito visitas geológicas a regiões cársicas num total de 60 sessões:

- Grutas e nascentes do vale em canhão do Rio da Ota e de Alenquer;
- Grutas da Praia da Adraga e Pedra d?Alvidrar, com a serra de Sintra à vista;
- Passeio pela serra de Montejunto entre o Vale das Rosas e o anfiteatro de Pragança;
- Grutas e Nascentes de Porto de Mós;
- Do canhão da Caranguejeira, pelo menino do Lapedo, às fontes do rio Lis e ao Buraco Roto;
- Da Arriba Fóssil da Serra dos Candeeiros às Grutas e Nascentes de Chiqueda;
- As grutas que escondem as águas subterrâneas da Serra da Arrábida;
- As nascentes dos rios Almonda e Alviela e a água que forma as grutas e os tufos calcários;

Consulte mais pormenores aqui .

RELÓGIOS REAIS


Informação recebida do jornalista e investigador do tempo Fernando Correia de Oliveira (na foto o Palácio da Ajuda, em Lisboa):

A italiana Maria Pia de Bragança (1847 - 1911), mulher de D. Luís, é a
grande responsável pela colecção de relógios da Casa Real portuguesa.
Com o advendo da República, todos os que foram considerados objectos
pessoais foram devolvidos aos Bragança, enquanto os que foram
considerados pertença do Estado ficaram espalhados pelos vários Paços.
O acervo mais importante, cerca de 80 peças, encontra-se no Palácio da
Ajuda. Cronologicamente, a colecção pode balizar-se entre os finais do
século XVII e os últimos anos do século XIX, entre relógios de sala,
de secretária, de bolso, de transporte ou jóias e adereços. Há ainda
um núcleo de relógios de sol e bússolas.

Fernando Correia de Oliveira, jornalista e investigador da temática do
Tempo, da Relojoaria e da Evolução das Mentalidades a eles ligada, faz
no sábado, 18 de Julho, a partir das 15h00, uma visita guiada pelo
conjunto de peças do palácio. Mais informações e inscrições aqui, por email - eventos@clubedosentas.com ou pelo telefone: 960055526 ou 912839833.

Investigando Darwin

Informação recebida do Centro Ciência Viva de Estremoz

No período do Verão campos de férias científicas destinadas a jovens entre os 10 e os 14anos.

Celebrando-se em 2009 o Ano de Darwin, o Centro de Ciência Viva decidiu dedicar as férias deste ano à realização de um conjunto de actividades destinadas a compreender a evolução da Vida no nosso planeta, a qual contribuiu para a maravilhosa diversidade que encontramos actualmente.

Mais informações aqui.

O que é o literário?

Texto de João Boavida antes publicado no semanário As Beiras, na sequência de um outro intítulado Por onde passa o literário?

Há tempos, numa tertúlia da Livraria Almedina de Coimbra, a escritora convidada era Lídia Jorge, que é, como se sabe, um dos mais sólidos nomes da literatura portuguesa actual.

No debate pus uma questão que consistia no seguinte: "Como leitor de quase toda a sua obra sinto que houve uma mudança significativa entre o seu primeiro livro – O dia dos prodígios – e quase todos os seguintes. Embora sem perder a qualidade, que se reconhece, houve algo que se perdeu, ou que, pelo menos, se modificou. Havia um universo encantado e encantatório a que correspondia um modo de dizer adequado, que criava a própria adequação, constituindo um belo exemplo daquilo a que se pode chamar a verdadeira dimensão do literário, o modo por onde a literatura se revela no seu esplendor. E a que poderemos chamar, à falta de melhor, de especificidade literária. Ora, foi esta especificidade, tão fortemente afirmada numa estilística notável que, de algum modo, se tornou menos nítida e evidente. Restou qualidade suficiente para ser uma grande escritora, mas algo do mais autêntico e original parece ter-se perdido."

Respondeu dizendo que, de facto, no primeiro livro tinha havido a preocupação de pintar uma certa realidade algarvia (e, portanto, portuguesa), e que, fixando-a no texto, de algum modo se tinha libertado para produzir uma literatura mais interventora. Vilamaninhos e a sua serpente prodigiosa, aquele mural esplêndido onde a palavra pintura é a mais adequada, ficara como a imagem de um Portugal perdido, sublimado literariamente e assim cristalizado para sempre. A realidade nacional em rápida transformação exigira-lhe uma outra atitude e ela seguira-a. No final, em conversa mais restrita, repetindo o argumento, acabou, porém, por compreender o que eu tinha querido dizer.

A questão é subtil e traça uma linha quase invisível entre a verdadeira literatura e a que já não o é, levantando em cada autor um problema particular. O mais interessante é saber como cada um encontra um modo pessoal de fixar esse específico na sua produção. É um problema incontornável, mas que passa frequentemente despercebido. Perceber-se-á o que quero dizer se pensarmos na quantidade de livros e de autores que se editam, muitos deles apreciados e com sucesso, mas que, dentro de vinte anos, ou menos, ninguém lerá. Enquanto que outros, muito poucos, uns já hoje reconhecidos, outros ainda ignorados, serão no futuro lidos e apreciados. Ora, o que fará que muitos desapareçam e outros, muitos menos, sobrevivam? É a qualidade, dir-me-ão. Talvez, embora a expressão ”qualidade” seja ambígua e dependa muito dos leitores e das épocas.

Penso que é exactamente por essa linha divisória que passa o específico literário como definidor da literatura e, portanto, como o que, embora muito subtil e variável, vai distinguindo o que é bom do que não tem força para sobreviver artisticamente. Tem a ver com estilo, mas a noção é também ambígua porque há estilos que são a desgraça do seu autor e outros a verdadeira glória dele. Ninguém, em cada momento, saberá dizer o que é, e por onde passa essa linha, mas é o que fará a diferença; o que há séculos faz a diferença. Quem poderá dizer ao certo, do que hoje se produz, o que perdurará pela qualidade e pela originalidade?

João Boavida

Sábado, 11 de Julho de 2009

"Poesia temperada com música" - 1

Em 31 de Dezembro de 2008, deixei a nota no De Rerum Natura que o único programa da Antena 2 da rádio dedicado à poesia e à música se extinguia com o ano. Na altura, percebi que o Os Sons Férteis, assim se chamava esse programa, ia fazer falta. E faz.

Ainda a propósito dele, falei com Paulo Rato que, despretensiosa e calmamente, deu voz a centenas de poetas e compositores durante quase quinze anos.

Como a conversa se alongou, reparto-a por dois ou três posts, consoante a temática que abordámos.


P: Como escolhia o Paulo a poesia que se dizia no seu programa e como é que a “temperava a com a música”?


R: Comecei por escolher "temas", numa interpretação bastante lata, sendo os primeiros: a própria poesia, a música e as artes plásticas. Depois, passei a utilizar um critério de "referências": os quatro elementos, as estações e outros. A ideia era utilizar uma fórmula que orientasse a selecção, para evitar repetir demasiado os mesmos autores, o que inevitavelmente aconteceria sem essa orientação. Pensei, desde o início, em aproveitar as efemérides para aprofundar um pouco mais alguns autores.

Após a aposentação, sabendo que não seria possível manter o programa por muito mais tempo, devido a disposições legais, empenhei-me em divulgar muitos poetas, sobretudo estrangeiros que, por falta de edições em português, seriam do conhecimento de um reduzido número de ouvintes interessados: foi essa razão de as efemérides passarem a ser quase uma constante.
Parte da programação de Dezembro de 2008 pretendeu ser uma homenagem a poetas que, além da sua qualidade literária, são também meus amigos. Foi, naturalmente, a única ocasião em que este critério foi utilizado.

Quanto à música, não pretendia que surgisse sistematicamente como simples "ilustração" do texto, embora algumas vezes isso acontecesse. Ocasionalmente, utilizei-a até como comentário irónico ou contraposição ao conteúdo do poema. Procurei partir da junção das duas componentes para chegar a um objecto diferente da sua soma, deixando aos ouvintes a possibilidade de fazerem as suas "leituras". Nunca tive nenhum critério imutável: como me contou o João Pereira Bastos, que era meu ouvinte assíduo ainda antes de ser Director da Antena 2, — "quando parecia que estavas muito "certinho", lá vinha uma maluqueira"...

Em relação a poemas (sobretudo em línguas estrangeiras) aproveitados por compositores para canções ou outras obras, pareceu-me sempre interessante utilizar trechos dessas peças musicais, por conterem uma "interpretação musical" do poema, a que se somava, quase sempre, a possibilidade de ouvir, pelo menos, parte do texto na sua versão original.

Também recorri a peças instrumentais inspiradas pelo poema ou pelo seu autor: foi o que aconteceu com não poucos programas com textos de Fernando Pessoa, que é referência de numerosas obras musicais de compositores das mais diversas partes do mundo. Usei, com alguma frequência, música popular e /ou étnica. Também utilizei, deliberadamente, música de menor qualidade ou em más interpretações, com intenções que, espero, não terão passado despercebidas à maioria dos ouvintes.

Sem carácter obrigatório, procurei acompanhar os poemas com obras da mesma época, por se inserirem no mesmo movimento artístico. O que também justifica o recurso muito frequente à música contemporânea. Mas também usei obras contemporâneas com textos antigos e vice-versa. Quando dedicava uma semana inteira a um poeta cuja obra fora alvo da atenção de compositores de diferentes épocas, procurava abranger essas abordagens tão diversas.
Tentei também divulgar a música, erudita ou genuinamente popular, dos países dos autores que escolhia: um dos casos mais inacreditáveis é o do Brasil, de que, em Portugal, praticamente só se conhece o Villa-Lobos.

P: Além da poesia e da música que ficou em si, o que lhe ficou mais d’ Os Sons Férteis?

R: O próprio programa me levou a alargar muito significativamente os meus conhecimentos musicais. Foi-me muitíssimo grato o retorno do programa: o apreço manifestado por pessoas que muito considero, intelectualmente e/ou pelas suas posições e intervenções cívicas; o apoio de muitos outros ouvintes e a atenção que prestavam ao programa, não raras vezes alertando para qualquer anomalia na sua emissão; os inúmeros pedidos de envio dos poemas, de identificação das edições de que constavam, ou dos trechos musicais e das gravações que os incluíam, o que me obrigou a muito trabalho "suplementar", mas gratificante — ainda que, por vezes, com meses de atraso, em particular quando dirigi os arquivos sonoros, creio que nunca deixei ninguém sem resposta.

Também foi francamente enriquecedora a colaboração de vários colegas que passaram pelo programa, na leitura de poemas, e que se foram afastando, por razões profissionais ou de reforma, e a dedicação e virtuosidade da Eugénia Bettencourt, que me acompanhou até final — e não se trata aqui de uma lista de vénias cerimoniais, a que sou completamente avesso, mas de evocar uma efectiva partilha cultural e estética e uma edificação de afectos.

Finalmente, o programa proporcionou-me o contacto, em absoluto não esperado, com muitos poetas, com quem estabeleci laços que vão de um cordial mútuo apreço a amizades fortes, o que constitui um património inapreciável e que me aquece o coração.

P: Terminou a sua nota de despedida de Os Sons Férteis dizendo “A poesia, essa, continua". Na altura em que a ouvi surgiu-me a pergunta que agora lhe faço: é um desejo ou uma certeza, quando termina um dos poucos programas que lhes era dedicado?

R: A poesia continua, sem cuidar dos desejos de cada um, ou da existência de programas de rádio ou televisão que lhe sejam dedicados. A sua divulgação é que pode ser descurada. Foi o que pretendi transmitir a quem me ouvisse: a poesia continua, com quem a cria, quem a lê, quem a desvenda a outros. E cada um pode recorrer àquilo que tem ao seu alcance, para não perder a poesia. Também desejo que a poesia volte às emissões da Antena 2.

Sabemos que continua a haver quem goste de coisas de que não pode usufruir, por falta de meios ou de oportunidade. Raras serão as pessoas que podem adquirir todas as obras musicais que gostam de ouvir (ou gostariam, se as conhecessem). A rádio (o serviço público) tem o dever de lhes dar isso: o prazer de voltar a escutar o que conhecem, a informação e a experiência do que não conhecem. O mesmo se dirá em relação à poesia.

É por isso que é tão importante a existência de um serviço público que possa proporcionar essa fruição a todos os amantes de coisas infelizmente excluídas pela cultura de massas e pouco atraentes para o negócio. Como são a música erudita ou a literatura. É por isso, também, que é tão importante ter em conta qual é, na realidade, o público que precisa do que uma programação lhe pode dar, e não apenas o "alvo" (target, em ignorantês), isto é, o público que se pretende atingir, de acordo com os ditames de uma das coisas mais imbecis que a "economia de mercado" criou — o marketing, em geral interpretado por umas criaturas embalsamadas em estado de virginal e convicta ignorância. Pode não parecer, mas há uma diferença de perspectiva… essencial.

O desejo que tenho é de que o serviço público de rádio e televisão consiga vencer os seus inimigos jurados e a irresponsabilidade de quem os serve. Ainda muito recentemente, a União Europeia excretou nova legislação, para apertar ainda mais o cerco ao serviço público, em geral, mas com consequências para o de rádio e televisão. Tudo em nome da sagrada "livre-concorrência", o bezerro de ouro dos dias de hoje, a que tudo se sacrifica — a democracia, a cultura, a liberdade (a sério).

Outra coisa muito importante que me ficou foram os convites para dizer poesia em sessões públicas, de que devo destacar uma especial colaboração com a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo e com a Livraria Círculo das Letras.

Imagem: Bibliothèque de Vieira da Silva

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Exames (não) comparáveis?

Com referi em texto anterior, o Secretário da Educação Valter Lemos acusou directamente a Sociedade Portuguesa de Matemática de veicular a ideia de que o exame nacional do 12.º ano de Matemática iria ser fácil. Segundo este dirigente, a Sociedade em questão terá, assim, contribuído para o aligeiramento do estudo por parte dos alunos, o que explicaria a descida das classificações, que efectivamente se verificou neste ano. Para Valter Lemos, tratou-se de uma “agressão gratuita” aos alunos e às famílias.

A TSF ouviu a este respeito o vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Filipe Oliveira. Transcrevemos alguns extractos das suas declarações que podem ser lidas e ouvidas aqui.

«Os alunos não estudam mais ou menos consoante aquilo que se diz dos exames. Na realidade os alunos estudam mais ou menos consoante os próprios exames: é bem sabido que consultam e resolvem os enunciados dos anos anteriores como forma de se preparar para as provas. Tal sucede também de forma sistemática na Universidade.»

«Visto que em 2007 e 2008 atingimos o fundo em termos de facilidade de exames é perfeitamente plausível que os alunos tenham estudado menos, pensando estarem bem preparados apesar de apenas dominarem superficialmente as diferentes matérias».

«Assim, a ter havido efectivamente este ano menos estudo por parte dos alunos, tal deve-se sobretudo à incapacidade do ministério em fazer exames de grau de dificuldade comparável de ano para ano e não às declarações de uma ou outra instituição.»

Em todo o caso «a descida das classificações explica-se facilmente pelo aumento da dificuldade da prova relativamente a 2008, aumento esse constatado publicamente pela Sociedade Portuguesa de Matemática muito antes de os resultados serem conhecidos».

Filipe Oliveira recordou, ainda, que esta Sociedade nunca afirmou que os exames iriam ser fáceis, pois «apenas comenta exames já realizados, elaborando um parecer técnico no próprio dia das provas». No comentário que este ano fez, elogiou «certas partes da matéria, que estão bem cobertas» e que o «exame era bem mais razoável que o do ano passado».

ORIGEM DA VIDA E ARGUMENTOS ANTRÓPICOS


Informação recebida da Câmara Municipal de Oeiras (clicar para ver melhor).

COM A CABEÇA NA LUA

De um artigo de Sara Belo Luís, que acaba de sair na revista "Visão História" (número especial dedicado à viagem à Lua), respigo o depoimento prestado por Maria Luísa Malato Borralho e por mim próprio:

"(...) Maria Luísa Malato Borralho, professora na Faculdade de Letras na Universidade do Porto e uma das investigadoras do projecto Utopias Literárias e Pensamento Utópico, tem estudado o tema [a utopia das viagens à Lua]. E afirma: "[O filósofo francês] Bergson diz-nos que só nos conseguimos rir se formos superiores e estivermos distanciados. E a Lua é um óptimo sítio para nos sentirmos assim: superiores e distanciados. Porque se estivermos demasiado imbuídos nas situações, estas, em vez de risíveis, tornam-se trágicas".

"(...) Carlos Fiolhais está de acordo com o essencial da visão de Maria Luísa Malato Borralho. "Vemo-nos a nós pelos olhos dos outros", comenta o professor de Física da Universidade de Coimbra. E acrescenta: "Imaginamos os habitantes da Lua e, ao imaginá-los, estamos a fazer introspecção. É uma forma de ver o 'eu' ao longe, uma simulação de distância, que também nos dá a noção da nossa pequenez cósmica".

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

O HOMEM E A LUA


A propósito dos 40 anos da ida do homem à Lua o jornal universitário "A Cabra" (C) fez-me algumas perguntas. Aqui estão elas com as respectivas respostas:

C- O que fez os Estados Unidos mandar astronautas para a Lua?

CF- Há um motivo maior e há um motivo menor. O motivo maior não é nacional, mas de toda a humanidade. Os astronautas foram a Lua porque o homem sempre quis ir mais longe. Foram à Lua pela mesma razão que levou os descobridores portugueses a avançar nos oceanos desconhecidos. Porquê a Lua? Parafraseando o explorador inglês que primeiro tentou escalar o Everest: "Porque estava lá!" A Lua é a primeira "estação" que se encontra quando se viaja no espaço a partir da Terra. Não está muito perto, mas também não está muito longe. O motivo menor, embora importante, foi decerto a competição entre os Estados Unidos e a União Soviética nos anos da guerra fria. O Presidente Kennedy anunciou em 1961 que, antes do fim dessa década, um astronauta americano estaria a pisar a Lua e esse anúncio cumpriu-se. Os Estados Unidos mobilizaram para o efeito um conjunto impressionante de meios. Tão impressionante que a viagem não voltou a ser repetida depois do grande êxito que foi a concretização do programa Apollo. Terá valido a pena? A melhor resposta talvez seja a que foi dada pelo primeiro astronauta lunar, Neil Armstrong: "Foi um pequeno passo para o homem mas um passo de gigante para a humanidade". Pela minha parte, espero que esse passo volte em breve a ser dado.

C- Qual a sua opinião acerca da teoria da conspiração segundo a qual os homens nunca foram à Lua? Acredita que o homem lá tenha ido?

CF- Essa teoria da conspiração é tão absurda que não vale a pena perder um minuto com ela. Está ao nível de teorias segundo as quais Elvis Presley ainda está vivo ou a CIA preparou os ataques do 11 de Setembro às torres gémeas. Einstein terá dito: "Sá há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana, e quanto à primeira não tenho a certeza". Aposto que não demorará muito a surgir uma teoria segundo a qual Michael Jackson ainda está vivo ou que Bin Laden está disfarçado dentro da Casa Branca...

C- Acha que na década de 60 havia tecnologia suficientemente poderosa para fazer a viagem?

CF- Sim, claro. Tanto havia que a viagem se fez e até várias vezes.

C- Mas, relativamente aos argumentos da teoria da conspiração, apresentados na Internet, como lhes responde?

CF- As pessoas que inventam essas patetices é que têm de as provar, não sou eu que tenho de as rebater. Era só o que faltava que qualquer pessoa dissesse um qualquer disparate e o ónus da prova do disparate ficasse do lado de quem o tivesse ouvido. De qualquer modo, encontram-se na web respostas adequadas a afirmações desse tipo, que revelam o mais profundo desconhecimento de leis físicas, químicas e geológicas. Na Internet há muito, muito lixo mas também há, felizmente, bastantes produtos de limpeza.

C - Porque é que os Estados Unidos não voltaram a enviar nenhuma missão à Lua?

CF- Acima de tudo por falta de vontade política, num mundo onde já não há guerra fria. A tecnologia para repetir a proeza é conhecida e está acessível, embora não seja barata. Espero que a ideia de uma base habitada na Lua ganhe força assim como a ideia de a usar para servir de trampolim numa viagem mais além, nomeadamente ao planeta Marte. Um pouco mal comparado, é semelhante ao estabelecimento pelos descobridores portugueses de uma base na ilha da Madeira antes de avançarem para sul, na costa de África... Será o Presidente Obama capaz de relançar o sonho espacial? Que sim, é o meu oxalá.

EDITAL DA ANTÍGONA

EDITAL recebido da editora Antígona, sobre a reedição de uma obra de Tomás da Fonseca:

A editora Antígona informa que vai começar a publicar as obras de Tomás da Fonseca (1877-1968), famoso iconoclasta, que viu alguns dos seus livros proibidos durante o Estado Novo.

Autor de uma vasta obra, nenhum dos seus títulos foi editado nos últimos cinquenta anos.

A Antígona sairá, já em Setembro, com O Santo Condestável – Alegações do Cardeal Diabo, que reproduz uma conferência realizada na Universidade Livre de Coimbra, em 1932, de onde o autor foi obrigado a sair escoltado, não tendo terminado a sua comunicação.

Num ano (2009) em que Nun’Álvares foi oficialmente canonizado, fica o eco das palavras de Tomás da Fonseca: «Nossa Senhora terá vergonha de ter ao seu lado um militar-santo com as mãos sujas de sangue.»

Seguir-se-á a publicação, em Outubro, de Na Cova dos Leões, o livro mais anticlerical de sempre, que desmonta e denuncia a grande e espectacular mentira de Fátima, humilhando a Igreja e a padralhada em geral.

Disto ficam os críticos e os leitores avisados.

Luís Oliveira (editor da Antígona)