THE PORTUGUESE RECTORS ON THE EUROPEAN SCIENCE FOUNDATION EVALUATION

domingo, 23 de Novembro de 2014

PSEUDOCIÊNCIA POR TODO O LADO



Terça-feira, 25 de Novembro, pelas 18h00, no espaço Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra.



Sobre a palestra:
"Enquanto a ciência tiver credibilidade, haverá sempre quem queira vender as suas ideias, produtos e serviços, alegando que estes têm validade científica, sem que isso seja verdade. A pseudociência está por todo o lado e recorre a um conjunto de estratégias reconhecíveis, na tentativa de se validar. O uso abusivo de linguagem aparentemente científica e a evocação de figuras de autoridade (tais como especialistas e médicos), são as estratégias mais comuns da pseudociência. Mas a ciência não se baseia em nada disso, mas sim em provas, passíveis de confirmação. Há algumas ferramentas para ajudar a distinguir ciência de pseudociência, mas o único antídoto para a pseudociência é a cultura científica."

David Marçal


Esta palestra insere-se no ciclo "A Ciência no Dia-a-Dia" organizado por António Piedade.

Menos do que uma molécula?

Meu artigo no Público de hoje:

Escreveu-me em carta aberta neste jornal Telma Gonçalves Pereira, a propósito do meu artigo “Ciência Diluída”. Começa por me informar que a homeopatia é antiga. Bem, a crítica é tão antiga como ela. Camilo Castelo Branco, que estudou medicina, escreveu com ironia: “Não duvidava assegurar-me que dez gotas de nux lançadas das Berlengas ao mar podiam converter o oceano num remédio bom para dores de estômago, de cabeça e outras.”  

Diz que a homeopatia actualmente “é indicada” em vários países, entre os quais Portugal. Não sei o que quer dizer com isso, há sempre quem “indique” as coisas mais absurdas. Se, no caso do nosso país, se está a referir às recentes portarias que regulamentam o exercício de terapias alternativas, concedo que o efeito dos grupos de pressão fora da ciência não é nada diluído. Sobre a cultura científica dos políticos portugueses e sobre a sua permeabilidade a influências já todos nós sabemos. Mas nada disso substitui as provas científicas, e estas mostram que os remédios homeopáticos são belíssimos placebos, nada mais. Claro que há alguns ensaios clínicos enviesados que podem dar a ideia contrária, pois há asneiras em todo o lado, até na ciência. Se esses ensaios fossem credíveis, a homeopatia não era alternativa mas sim mainstream. Ou acha que há milhões de cientistas em todo o mundo que, de modo conspirativo, querem esconder a enorme eficácia da homeopatia? De resto, vender remédios homeopáticos é um óptimo negócio para as farmacêuticas e, se de facto funcionassem, seria ainda melhor. Seria bom não só para elas mas também para todos nós.

Fala-me no efeito de pequenas dose de radiação. O problema da homeopatia é que não tem pequenas doses: não tem dose nenhuma. Como porventura sabe, o efeito de menos do que um fotão é nenhum. O efeito de menos do que uma molécula também é nenhum.

Termina oferecendo-me uma consulta e eu fiquei na dúvida se será consigo. Estou bem, obrigado, mas se tiver algum problema não irei decerto a um “médico homeopata”, que me parece uma contradição nos termos. Aliás, acho muito estranho que a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde se formou e onde ensinou (e onde também se formou e ensina o actual Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia), albergue ideias ou práticas homeopáticas. Não foi isso decerto o que aprendeu e ensinou na Faculdade.

Desejo-lhe muita saúde, pelo menos tanto quanto a que vou tendo,


Carlos Fiolhais

sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

AS QUOTAS PARA A SEGUNDA FASE DE AVALIAÇÃO DAS UNIDADES

A Fundação para a Ciência e Tecnologia tem negado, de modo surrealista, a existência de uma quota de 50% para passagem das unidades de investigação à segunda fase a avaliação. Essa quota está definida no contrato de concessão da avaliação que a FCT celebrou com a European Science Foundation e é inegável. Mas há ainda mais quotas.

As quotas para as classificações que as unidades de investigação podem ter na segunda fase, estão definidas no documento Review Panels Stage 2 - Final Meeting Guidelines, e são as seguintes:

EDITORIAL DO JORNAL I SOBRE A CIÊNCIA

Luís Osório escreveu hoje no jornal I:

"Estou convencido de que um dos mais lamentáveis erros estratégicos deste governo, e do legado de Nuno Crato, é a destruição de vários centros de excelência e o desmembramento da comunidade científica nacional. Não é justa, não faz sentido e é criminosa, por alienar o futuro numa das poucas áreas que nos podem ajudar a descobrir novos caminhos."

Concordo. No resto o artigo é algo confuso, uma vez que não se pode chamar arrogante a um matemático que afirme que 2 + 2 = 4. Ler aqui.

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

O HISTORIADOR LUÍS REIS TORGAL ATACA O "REINO DA ESTUPIDEZ"

"Vem isto a propósito da Estupidez que parece hoje regressar, numa altura em que se encara a Cultura, a Ciência e o Ensino em nome da sua rentabilidade, sob o signo de outras deusas, a Economia e as Finanças. Já nem falamos de graves erros que se cometem com uma avaliação formatada e “eliminatória” de centros e de cientistas candidatos a bolsas e a lugares de pesquisa. Basta por agora falar de situações simples, mas que revelam o sentido que se quer dar a este país, enquadrado num sistema que se tem vindo a instalar em todo o mundo."

Luís Reis Torgal (Professor Catedrático de História, jubilado,  da Universidade de Coimbra)
Ler mais aqui.

EUROSCIENCE CRITICA O DESPEDIMENTO PELA COMISSÃO ONDE ESTÁ CARLOS MOEDAS DA CHIEF SCIENCE ADVISOR

A União Europeia perdeu a sua Chief Science Advisor, a bióloga britânica Anne Glover, o que pode querer significar diminuição do papel dos cientistas na Comissão em favor do papel dos políticos. A Euroscience critica. Ler aqui. A Science já noticiou: aqui.

DOSSIER DA VISÃO SOBRE EXAMES


Na Visão da semana passada o tema de capa foi Exames: ler aqui. O físico Carlos Fiolhais, ex membro do Conselho Geral do IAVE,  fez declarações  nas secções sobre Matemática e Física. O químico João Paulo Leal publicou na Visão de hoje uma carta, onde esclarece que o IAVE, longe de seguir uma via independente, executa nos exames de alunos e professores apenas o que o ministério manda.

O CAMINHO FAZ-SE AVANÇANDO

Artigo de divulgação científica do físico Eduardo Martinho saído no jornal O Mirante: aqui.

A IMPOSSIBILIDADE POÉTICA DE CONTER O INFINITO


EDGAR MARTINS
A IMPOSSIBILIDADE POÉTICA DE CONTER O INFINITO
THE POETIC IMPOSSIBILITY TO MANAGE THE INFINITE

Sala da Cidade – Paços do Município
08. Outubro – 03. Janeiro. 2015
3ªf a sábado,  13h-18h
Entrada livre

Organização
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC)

com Câmara Municipal de Coimbra
Agência Espacial Europeia (ESA)
e Fundação Calouste Gulbenkian

Coordenação Geral: Sérgio Seixas de Melo
Curadoria: Catarina Pires

‘A Impossibilidade Poética de Conter o Infinito’ é o mais recente trabalho do artista Edgar Martins (Évora, 1977). Realizado ao longo de 2012 e 2013 nas várias instalações da ESA (European Space Agency), em nove países de três continentes, este trabalho singular é o resultado de uma situação inédita: pela primeira vez, a agência espacial abriu portas a um olhar externo, investindo na relação com o grande público através da mediação artística.  

Sensível à importância do trabalho artístico de Edgar Martins, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC associou-se a este projecto desde o momento da sua criação e produção.

"AUTÓMATO VIVO" NO MUSEU DE CIÊNCIA DE LISBOA


O FÍSICO GEORGE ELLIS SOBRE A FILOSOFIA


"You cannot do physics or cosmology without an assumed philosophical basis. You can choose not to think about that basis: it will still be there as an unexamined foundation of what you do. The fact you are unwilling to examine the philosophical foundations of what you do does not mean those foundations are not there; it just means they are unexamined.
Actually philosophical speculations have led to a great deal of good science. Einstein’s musings on Mach’s principle played a key role in developing general relativity. Einstein’s debate with Bohr and the EPR paper have led to a great of deal of good physics testing the foundations of quantum physics. My own examination of the Copernican principle in cosmology has led to exploration of some great observational tests of spatial homogeneity that have turned an untested philosophical assumption into a testable – and indeed tested – scientific hypothesis. That’ s good science."
George Ellis

O resto da sua entrevista ao Scientific American pode ser lido aqui.

SÉRGIO GODINHO NO RÓMULO EM COIMBRA


RÓMULO – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra: 6.º Aniversário

RÓMULO ‐ Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra , localizado no Departamento de Física da FCTUC (ver local no mapa), tem o gosto de o(a) convidar para a comemoração, na próxima 2ª feira,​ ​dia 24 de Novembro de 2014, do seu 6º aniversário. É o dia em que se assinala o aniversário de Rómulo de Carvalho, patrono do Dia Nacional da Cultura Científica e patrono do Centro.
• Às 16h30Fernando Nogueira​ (do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra)​ dá início à celebração com Pirilampo, Física e Computadores, uma sessão de divulgação de ciência aberta a todos, mas dirigida sobretudo aos jovens (estudantes de ciências ou não).
• Às 18h00Sérgio Godinho, o muito conhecido músico português mas também contista e poeta (para além de argumentista, realizador, actor e ilustrador, embora menos conhecido nessas qualidades), que falará do seu mais recente livro “Vidadupla” que será apresentado por Carlos Fiolhais, Director do Centro.
Entre as duas sessões, a científica e a literária, haverá o já habitual magusto, que será um momento de confraternização de amigos da ciência e da arte e, portanto, da cultura.
Entrada Livre.

"PIRILAMPOS, FÍSICA E COMPUTADORES" NO RÓMULO



O físico Fernando Nogueira numa palestra acessível a  toda a gente inaugura o Ano Internacional da Luz 2015 em Coimbra.

“O início da cirurgia no mundo e em Portugal”


No dia 21 de Novembro de 2014 pelas 18:00 horas no auditório do Exploratório CCV de Coimbra,

“O início da cirurgia no mundo e em Portugal”

Carlos Fiolhais (Professor Catedrático da FCTUC)

Resumo:

No ano de 2014 passam exatamente cinco séculos após o nascimento do médico belga André Vesálio (Bruxelas 1514 – Zakynthos 1564), figura maior do Renascimento por ser considerado o pai da medicina moderna. De facto, Vesálio pode ser visto não apenas como o pai da medicina, mas também da cirurgia, uma vez que a Medicina se afirmou como ciência através do corte e observação de cadáveres humanos. Com efeito, foi o exame direto e cuidadoso da anatomia humana que permitiu, no século XVI, colocar em causa ensinamentos transmitidos por autores clássicos greco-latinos, como Hipócrates e Galeno e os árabes, como Averróis e Avicena, que, na Idade  Média, proporcionaram uma proveitosa ponte com a Antiguidade.
Contudo, um contemporâneo de Vesálio, o francês Ambroise Paré (Laval 1510 – Paris 1590) rivaliza com ele na paternidade da cirurgia. Paré pertenceu não à classe privilegiada dos médicos letrados que nas universidades liam os textos antigos, mas sim à dos barbeiros que nas universidades eram ajudantes na episódica dissecação de cadáveres ou na vida prática executavam sangrias cujos benefícios eram mais supostos do que reais. Será passada em revista a ação pioneira de Vesálio e Paré e a sua recepção em Portugal, designadamente na Universidade de Coimbra.

HOMENAGEM A LUCIANO PEREIRA DA SILVA NO MUSEU DE CIÊNCIA DE COIMBRA

LUCIANO PEREIRA DA SILVA (1864-1926)

Luciano Pereira da Silva nasceu no dia 21 de Novembro de 1864, em Caminha. Por ocasião dos 150 anos do seu nascimento, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, em parceria com o Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia, organiza um colóquio de homenagem a este ilustre Professor da Universidade de Coimbra. Os trabalhos de Luciano Pereira da Silva (1864-1926) desenvolveram-se maioritariamente nas áreas da história da astronomia, da ciência náutica e dos descobrimentos portugueses. A ele se deve também a criação do Gabinete de Geometria da Universidade de Coimbra. Foi ainda por diligência sua que teve lugar a recuperação da Igreja Matriz de Caminha, do Século XV, já depois da sua morte. Uma incursão pelas suas Obras Completas  permite-nos constatar que os seus estudos percorreram matérias tão diversas como o actuariado, a mecânica, mas também a literatura: um apaixonado por Camões, Luciano Pereira da Silva demonstrou que aquele era um profundo conhecedor da astronomia.

Usando as palavras de Luís de Albuquerque, podemos dizer que "Luciano Pereira da Silva reconstituiu a história das origens da marinharia moderna, completando assim o que outros autores, e em especial Joaquim Bensaúde, tinham pouco antes iniciado; os pequenos estudos que foi editando sobre as tábuas astronómicas de Abraão Zacuto, sobre as tavoletas da Índia, sobre as regras das festas mudáveis de Gonçalo Trancoso, etc., prepararam a sua Arte de Navegar desde o Infante D. Henrique até D. João de Castro, primeira exposição sistemática da náutica praticada pelos navegadores portugueses entre 1450 e 1550 e obra que decisivamente contribuiu para o aparecimento de uma corrente de estudos sobre um tema até então praticamente ignorado."

PROGRAMA

14H30 - Sessão de abertura

14H45 - As "Obras Completas" de Luciano Pereira da Silva, 
por Carlota Simões (Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra)

15H15 - Luciano Pereira da Silva e a Biblioteca Matemática da UC, 
por Carlos Tenreiro (Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra)

15H45 - Curta passagem de Luciano Pereira da Silva pelo actuariado português,
por Ana Patrícia Martins (Escola Superior de Educação de Viseu/CIUHCT)

16H15 - Astrolábios - desde Luciano Pereira da Silva aos nossos dias, 
por António Costa Canas (Museu de Marinha)

16H45 - O ensino da náutica nas pranchas das caravelas.
por Francisco Contente Domingues (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) 

MAIS INFORMAÇÕES

Horário: 14H30-17H15 no Museu de Ciência da Universidade de Coimbra. Entrada livre.
Este evento faz parte das comemorações da Semana da Ciência e da Tecnologia.

3.ª NOVA CONFERÊNCIA DO CASINO


Clicar para ver melhor.

OS CIENTISTAS FORA DO LABORATÓRIO

Os cientistas fora do laboratório
21 de Novembro, Largo Café Estúdio, Intendente, Lisboa

No âmbito do seu 10º aniversário, a Associação Viver a Ciência (VAC)  e o LARGO Residências têm o prazer de o convidar para assistir e participar no evento “Os Cientistas fora do laboratório”.
Qual o papel de um cientista fora do laboratório? A quem interessa a ciência? Porque se fala em aproximar a ciência e a sociedade? Como se integra o quotidiano na ciência que se faz, e vice-versa? Maria Mota (Fundadora da VAC, ex-presidente da VAC, investigadora e Prémio Pessoa 2013) e Ana Sousa Dias (jornalista) encontram-se numa conversa informal, moderada por Marta Agostinho (presidente da VAC).A tarde é encerrada com um espectáculo de stand up comedy dos Cientistas de Pé.




18h30 –  Olhares de longe e de perto: Conversa com Maria Mota (Prémio Pessoa 2013), Ana
Sousa Dias (jornalista) e Marta Agostinho (Presidente VAC).

19h30Espectáculo dos Cientistas de Pé + cocktail

De 21 de Novembro a 11 de Dezembro: Exposição "VAC - 10 anos de Ciência em Sociedade"

JOSÉ VEIGA SIMÃO - UMA VIDA VIVIDA



Sessão de lançamento - CONVITE

TRIBUTO A JOSÉ VEIGA SIMÃO
O Centro Nacional de Cultura e a Gradiva convidam para um Tributo a José Veiga Simão.

Dia 20 novembro, pelas 19 horas, no Centro Nacional de Cultura, com entrada pelo Largo do Picadeiro, n.º 10, em Lisboa.

Com testemunhos, entre outros, de Guilherme d´Oliveira Martins, José Fragoso Rebelo, Joaquim da Silva Pinto e Roberto Carneiro e com a apresentação do livro, da autoria de Pedro Vieira, José Veiga Simão - Uma Vida Vivida - Volume I - Do Estado Novo de Salazar à Primavera Marcelista, pelo Dr. António de Almeida Santos.

A ENTRADA É LIVRE

NOITE DE EMOÇÕES NO RÓMULO

DESASTRES NATURAIS


Trancrevemos um artigo de opinião de Victor Hugo Forjaz, Professor de Vulcanologia, escrito a propósito do dia 13 de 0utubro, Dia dos Desastres Naturais: 

1- Ao longo de cada ano existe uma já longa lista de "dias comemorativos", desde  o Dia Mundial das Zonas Húmidas, a 2 de Fevereiro ao Dia Internacional das Montanhas, a 11 de Dezembro, passando pelo Dia Internacional da Literacia, a 8 de Setembro. O Dia dos Desastres Naturais deveria ser o mais importante dos Açores,  dado o  galopante  analfabetismo que grassa  por  todas  as  ilhas, presentemente contaminadas por um ebolante surto de  futebol  e de pirosas  "casas  dos segredos", habitadas por gente  dos mais humilhantes  habitats. Até porque "analfabetismo" é um conceito cada vez mais alargado, mais abrangente - já não basta saber ler e escrever, como no tempo do Doutor Salaza… Nestas ilhas as variantes de analfabetismo assustam. O analfabetismo politico - acentuadamente  esquecido e desleixado - é uma dessa chagas açorianas  e pode  explicar a vergonhosa percentagem de abstenção em actos  eleitorais  fulcrais, realidade a que os partidos pouco se dedicam ou aplicam receita. Porém o dia mundial  comemorativo mais curioso é o que se marcou para 13 de Outubro, porque é móvel como certas festas religiosas, ou seja, deve ser evocado num combinado dia  de Outubro, chamando-se  Como a lista anual de  "dias"  vai engrossando ano após ano, os dias nacionais, europeus, internacionais e mundiais banalizaram-se e deixaram de agregar a pedagogia que os  aureolava. Enfim - é a vida! (como dizia o tal senhor).
2- No caso dos Açores os dias comemorativos são poucos, secos de ideias e  pouco credíveis. Salvo os que, muito bem aceites, incluam ementas pesadíssimas  com coentradas sopinhas  de pão (as afamadas sopas do banco bom),  couvinhas do quintal, roxas e perfurantes  vinhaças de tintol  americano e arroz doce peganhento de canela  - tudo de borla e   repetido. Por esse motivo, com  a crise eurótica (de euros) por que passamos (nem todos…), os dias comemorativos andam muito esquecidos. Quem quer comemorar, à escala de arquipélago, para que todos se sintam juntos e menos isolados, o Dia da Poesia, o Dia do Livro,o Dia do Clima, o Dia Nacional da Água, o Dia do Animal, o Dia do Voluntário? Este  último - um dos mais importantes - é uma aflição porque vivemos em terra onde o voluntariado cada vez mais escasseia ou se deturpa. Desgraçados os voluntários que nos hospitais, nos grupos de auxílio a pobres e desprotegidos ainda se amarram, por espírito de solidariedade, a causas! Nestas ilhas as causas são cada vez menores e  mais perseguidas! Mas são cada vez mais numerosos  os que exigem que a Região-Estado tudo deve  fazer… e pagar. ´

Mas - Como  o tema de hoje é específico, passemos ao dito - porque interessa comemorar as  Reduções dos Desastres Naturais?
3 -  Há muitos anos  que me dedico a esse tema. Deambulei  por esse mundo dos desastres sísmicos, vulcânicos e de deslizamentos (de terras, a que os geosabichões da ilha  chamam  agora de" movimentos de massa", como se fossem um banco!). Em 1984 até fui frequentar um curso internacional  do US Geological Survey,em Denver - Colorado, com uma geofísica do ex-INMG, que felizmente desapareceu.Uma vez mais integrei uma equipa  científica de apoio ao vulcão Santa Helena  e aprendi  actuações muito úteis. Mais tarde estive em Disaster City, no Texas, onde participei em diversas operações de socorro em simulacro sísmico e vulcânico. Também estive em Itália a aprender a arrefecer lavas do Etna e a encaminhar a fase fluida das lavas vermelhas  para topografias adequadas. Para meu treino pessoal, incluindo no Japão, deliciei-me com esses conhecimentos. Para a Região a minha evidente experiência  pouco serviu porque entrei na lista negra do Dr. Ricardo Barros, eterno e verdadeiro chefe da Protecção Civil dos Açores e dá em diante - kaput! - Deixei a Universidade aos 70 anos sem um simples adeus do reitor De Menezes  e também não disseram   good buy, até por  educação de berço ou  mera e súbita delicadeza, os  inefáveis  docentes que meti  no Departamento de Geociências  quando de mim precisaram. Alguns, há anos, eram  apenas "militantes" das ruas da cidade, passeantes das calçadas de basalto polido. Agora são importantissimos  políticos da governança. Não estou arrependido dessas  bondades - apenas concluí  que não soube escolher melhor. Amen!
4- Bem gostaria, neste dia comemorativo, de elogiar  as diversas equipas anti-desastres naturais do arquipélago. Mas não o devo nem posso, apenas para ser simpático. Os nossos bombeiros são bestiais? São - mas precisam de experiência em coisas que  irão surgir. Assim,  de facto, sendo a Islândia  tão aparentada e tão próxima, a poucas horas de voo e estando a vulcão fissural Bardarbunga em plena actividade, durante meses veranis, quem, dirigente (da Protecção Civil), se deslocou, que se saiba, aquela área? Para observar, para aprender, para conhecer materiais, estratégias  e até erros? A actuação de bombeiros, de forças de segurança e de militares é essencial em  todos os cenários de desastre  natural.  No cenário sísmico, um dos agentes  muito perturbadores, com as poeiras e o caos  destrutivo, é a chuva  . No cenário vulcânico, totalmente diferente, os agentes parasitas e incómodos são bem maiores, caso de gases, de cinzas, de ventos, de enxurradas  (além da sismicidade acompanhante). O que sabem as Protecções Civis Regional e Municipais sobre o Bardarbunga da Islândia ("gémeo" do Complexo dos Picos de S. Miguel, dos Sistemas Fissurais da Terceira, da Graciosa, do Pico, de S. Jorge e do Faial)? O que aparece no youtube ou são remetidos pelos amigos?  E sobre as mortes  recentes  do  Otake do Japão , com similitudes com o Vulcão do Fogo de S. Miguel?

O Dia das Reduções das Catástrofes Naturais não se destina a meter medo. Destina-se também a advertir. E os geólogos, cada um com a respectivas especialidade, competência  e entusiasmo, não devem prescindir do seu papel social, afastando as teias do sensacionalismo e das querelas pessoais. E os senhores do Governo, já que gastam tanto dinheiro em festivais e festivalecos, sem retorno de qualquer tipo, pelo menos que apoiem mais a prevenção de desastres  naturais. Incluindo a tal cultura de protecção civil, tão badalada  e útil.  Não se zanguem com este reformadinho....            

Amen!

Victor Hugo Forjaz, geólogo  --   vforjazovga@gmail.com



PRIMOS GÉMEOS, TRIÂNGULOS CURVOS E OUTRAS HISTÓRIAS DE MATEMÁTICA


Dois poemas maravilhosos:


Eugénio De Andrade
Poema do livro Obscuro Domínio:
Escrito no muro

Procura a maravilha.

Onde a luz coalha
e cessa o exílio.

Nos ombros, no dorso,
nos flancos suados.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

Ou a sombra espessa.

Na laranja aberta
à língua do vento.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.

Federico García Lorca

Tenho medo de perder a maravilha

Tenho medo de perder a maravilha
de teus olhos de estátua, e o acento
que de noite me põe em plena face
a solitária rosa de teu alento.

Tenho pena de ser nesta imagem
tronco sem ramos; e o que mais sinto
é não ter a flor, polpa ou argila,
para o verme de meu sofrimento.

Se tu és o meu tesouro oculto,
se és a minha cruz e minha dor molhada,
se sou o cão do teu senhorio,

não me deixes perder o que ganhei
e decora as águas do teu rio
com folhas do meu Outono alienado
 

quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

MEC CONTRADIZ-SE E RECONHECE QUE AFINAL AS ADENDAS AO CONTRATO COM A ESF NÃO ALTERAM AS QUOTAS


Foi hoje conhecida a resposta do Ministério da Educação e Ciência, ao requerimento do deputado Luís Fazenda para que revelasse as adendas que fez ao contrato que celebrou com a ESF para a avaliação das unidades de investigação. O conteúdo da adenda (afinal era só uma) foi entretanto divulgado, na sequência desta requisição interposta pelo Bloco de Esquerda. Mas é relevante a explicação contida nesta resposta.

É o próprio MEC que agora reconhece que:
"Note-se que a adenda não tem qualquer impacto sobre o procedimento para o processo de avaliação, o qual está descrito no Regulamento e no Guião de Avaliação;"
Mas numa mensagem de 31 de Julho, enviada para milhares de investigadores e assinada por todo o Conselho Directivo da FCT, pode ler-se:

Não é verdade que o contrato assinado entre a FCT e a European Science Foundation (ESF) exclua automaticamente metade das unidades da segunda fase da avaliação. O conteúdo do contrato reflete estimativas que marcam o ponto de partida para estabelecer os valores do contrato em função das despesas previstas e do trabalho envolvido em cada etapa. As estimativas descritas no contrato com a ESF têm em conta o cenário atual para as unidades (cerca de 30% com classificação Bom) e o que aconteceu no concurso de 2007 (em que cerca de 20% ficaram abaixo de Bom). Esta estimativa não significa que, na hipótese de se vir a registar uma desproporção entre essas estimativas e o volume de unidades a passar à segunda fase, não seriam revistos os custos e as condições do contrato. De facto, algumas estimativas feitas não se concretizaram e estamos a preparar adendas ao contrato com revisão e ajustamento dos valores relevantes.
Ou seja, ao contrário do que a direcção da FCT disse repetidamente, a adenda nenhuma alteração faz ao contrato que anule ou relativize a imposição de quotas definidas no contrato.

Quanto às datas, a grande questão é porque é que só foi assinado a 24 de Outubro. O que faz com que, Miguel Seabra e Nuno Crato, se tenham escudado numa adenda que não existia quando em Julho alegaram o seu conteúdo como justificação para a inexistência de quotas. Foi uma cortina de fumo, a adenda de nada adianta nesse aspecto, e o MEC/FCT estiveram este tempo todo a aludir uma caixa negra para explicar o inexplicável.

A Expressão das Emoções



Nova peça da Marionet em estreia no Teatro da Cerca de São Bernardo


Estreia:

25 de Novembro | 21h30 | Teatro da Cerca de São Bernardo

Em cena de 25 a 27 de Novembro



Sobre o projecto:

Em 1872 Charles Darwin publicou a sua obra “The Expression of the Emotions in Man and Animals” onde apresenta o seu estudo sobre a relação entre as expressões faciais e estados emotivos de pessoas e animais. Uma das fontes para a sua investigação foi o trabalho do médico e fisiólogo francês Guillaume Duchenne que na sua obra “Mecanisme de la Physionomie Humaine” apresenta o resultado das suas experiências onde aplicava choques eléctricos em determinadas zonas da cara de pacientes para identificar os músculos envolvidos na expressão de determinadas emoções. A sua obra é acompanhada por imagens fotográficas das experiências, que Duchenne considerava o melhor método para o registo deste seu trabalho. Foram estas imagens que Darwin, uns anos depois, utilizou numa experiência num serão caseiro com um grupo de amigos, pedindo-lhes para identificar a emoção na expressão dos pacientes das imagens de Duchenne. Os resultados da investigação de Darwin apontam para uma universalidade no reconhecimento das emoções ditas básicas (tristeza, raiva, surpresa, medo, nojo, desprezo, alegria).

Os modos de expressão e comunicação entre seres humanos têm evoluído de modo drástico nos últimos anos. Na altura das experiências de Duchenne a câmara fotográfica era invenção recente, introduzindo um novo suporte para a comunicação de imagem que Duchenne rapidamente adoptou. Hoje, a par dos modos de comunicação à distância em que criamos e desfazemos laços sem olharmos as rugas do outro na cara, temos a criação de alter-egos computacionais, avatares que vestimos e que utilizamos para nos relacionarmos com outros seres humanos e que já conseguem captar e reproduzir as nossas expressões em tempo real. Uma pele virtual.

Tendo como ponto de partida estas referências e as fotografias das experiências de Duchenne, a ideia base para a nossa “A Expressão das Emoções” foi a de criar um dispositivo experimental, para o qual, à semelhança de Darwin, convidamos o público, que leve à percepção e provoque a reflexão sobre os modos como nos comunicamos e nos exprimimos, sobre as cambiantes e os desvios entre a expressão de uma emoção e um estado emocional mental, sobre o que construímos com base naquilo que pensamos que o outro está a sentir.
Sendo o palco teatral um dispositivo criado e ainda frequentemente usado para a expressão de emoções, a nossa abordagem a este tema usando este suporte inclui necessariamente uma meta-análise sobre o meio de expressão e comunicação que é o teatro.

Em paralelo à peça de palco, e em torno do mesmo tema da expressão das emoções, desenvolveu-se o LabX - Laboratório Experimental de Fotografia, orientado pela fotógrafa Susana Paiva e com a participação de um grupo de onze voluntários, cujos primeiros resultados serão partilhados a par da apresentação da peça de teatro no Teatro da Cerca de São Bernardo. Constituem mais um conjunto de olhares, reflexões e provocações sobre o tema da expressão das emoções.

Será um conjunto de experiências intensas. A não perder. São só três dias, como o Carnaval.


Sinopse:

Um grupo de arqueólogos das emoções procura recuperar emoções do passado recorrendo a técnicas teatrais para a representação de emoções. Ao enorme desafio de recuperar sentimentos há muito vividos e desaparecidos, soma-se um outro, o de lidar com as próprias emoções no processo de investigação.
Como poderia dizer um ditado: quem mexe com as emoções, não sai incólume.


Ficha artística e técnica:

Discussão e ideias: Beatriz Dias, Dara Couceiro, Guilherme Lima, Inês Almeida, Marcos Marques, Mário Montenegro, Miguel Silva, Paula Rita Lourenço, Pedro Andrade, Teresa Girão, Susana Paiva;
Interpretação: Beatriz Dias*, Dara Couceiro*, Guilherme Lima*, Marcos Marques, Mário Montenegro, Miguel Silva*, Paula Rita Lourenço;
Texto e encenação: Mário Montenegro;
Espaço cenográfico, figurinos, adereços e imagem: Pedro Andrade;
Fotografia e orientação do LabX-Laboratório Experimental de Fotografia: Susana Paiva;
Banda sonora original: Marcelo dos Reis;
Iluminação e direcção técnica: Mafalda Oliveira;
Fotografia de cena: Francisca Moreira;
Penteados: Carlos Gago - Ilídio Design;
Produção executiva: Teresa Girão.
*estagiários - alunos do Curso Profissional de Artes do Espectáculo do Colégio de S. Teotónio

Classificação etária: maiores de 12 anos

Bilhetes

10€ [Normal]

6€ [Estudantes, jovens, reformados, profissionais e amadores de teatro, profissionais de ciência, grupos de 10 ou mais pessoas]

5€ [grupos de 20 ou mais pessoas, entidades protocoladas TCSB (CMC, Sindicato dos Professores da Região Centro, Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Caixa Geral de Depósitos, Círculo de Leitores). Assinaturas TCSB: 5 Entradas, 30 Euros; 11 Entradas; 50 Euros]


Reservas
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt
Estrutura financiada por: Câmara Municipal de Coimbra
Apoios: Fundação Bissaya Barreto; Ilídio Design Cabeleireiros; MAFIA – Federação Cultural de Coimbra; TCSB – Teatro da Cerca de São Bernardo; Bonifrates Grupo de Teatro; Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra; TEUC; RÓMULO – Centro Ciência Viva; Colégio de São Teotónio.
Apoios à divulgação: Rádio Universidade de Coimbra, Dolce Vita Coimbra; Bloco de Esquerda Coimbra
Agradecimentos: A Escola da Noite, Condomínio Criativo de Coimbra, RÓMULO – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra