segunda-feira, 18 de junho de 2018

"Neandertal" no Rómulo com João Zilhão

https://youtu.be/IVwT76I-9eM

Maria do Carmo Vieira contra o acordo ortográfico

MARIA DO CARMO VIEIRA, na Rádio Renascença, contra o "Acordo Ortográfico" de 1990; em especial, relativamente às crianças e professores que "têm de ensinar erros crassos"

Selecção áudio, de 4 minutos, da Página "Tradutores contra o Acordo Ortográfico":
"No programa "Da Capa à Contracapa" (Rádio Renascença, 16/06/2018), a professora Maria do Carmo Vieira aponta a fraude científica e política do Acordo Ortográfico, e desmonta a falsa questão da reversão.
Áudio retirado daqui: https://bit.ly/2tdX47v
Subscreva a iniciativa de referendo:https://participacao.parlamento.pt/initiatives/192
 "

Ciência no Sofá (Ep. 13) "Arquipatologia" de Filipe Montalto

Visão científica dos golos de Ronaldo no "Observador"


https://observador.pt/especiais/a-ciencia-explica-como-ronaldo-marca-aqueles-

"POÇÕES E PAIXÕES" NO PÚBLICO


https://www.publico.pt/2018/06/11/ciencia/noticia/o-fogo-o-amor-e-os-venenos-sao-quimica-mas-tambem-sao-opera-

(na imagem o autor da obra, João Paulo André, eu, a soprano Elisabeth Matos e pianista Luís Pipa, no Museu Nogueira da Silva em Braga, no dia da apreesntação do livro naquela cidade).

domingo, 17 de junho de 2018

Uma avaliação do Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) solicitou a um Grupo de Trabalho o estudo do denominado Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, concebido e posto em marcha pela actual equipa do Ministério da Educação. 

Esse projecto foi, no corrente ano lectivo, aplicado, em "regime de experiência pedagógica", em 235 escolas públicas e privadas do ensino básico e secundário que se voluntariaram para tanto; torna-se obrigatório no próximo ano lectivo.

Parte do estudo em causa foi apresentada em Fevereiro passado, servindo de base a um parecer que a mencionada entidade sindical emitiu e que pode ser lido aqui.

A base é o "inquérito por questionário" a que responderam professores envolvidos na dita aplicação (mais de 400 de 54 escolas). Os resultados, conseguidos até ao momento, foram divulgados no Encontro Nacional sobre Autonomia e Flexibilidade Curricular, promovido pela mesma FENPROF e realizado ontem.

Eis o que diz a coordenadora do Grupo de Trabalho:



Vista esta mensagem, lido o texto do Parecer, a informação recolhida pela agência LUSA e divulgada pelo jornal Público (aqui), bem como outros documentos (por exemplo, aqui) destaco, sem comentar de momento, alguns aspectos imputados pela confederação e pelos professores ao Projecto, tanto pela negativa como pela positiva.
Aspectos negativos do projecto: 
- “trouxe mais lógica centralista, de uma ambição claramente instituidora"; 
coloca em causa o currículo nacional e "conduz a uma progressiva e descontrolada desuniversalização do currículo, o que é contrário ao determinado na Lei de Bases do Sistema Educativo; 
- burocratiza o trabalho docente e provoca um "substancial aumento da carga de trabalho para os professores" 
- não é devidamente avaliado, nem pelo ministério nem pelas escolas; 
- implica recursos materiais, que faltam nas escolas; 
- não tem objectivos bem definidos; 
implica uma preparação dos estabelecimentos e dos professores que não tem sido feita, além de que os professores estão desmotivados; 
- não assenta na auscultação dos professores, a sua voz "está completamente ausente da conceptualização e implementação"; 
- não é compatível com os currículos muitos extensos e com o elevado número de alunos por turma, a quem falta maturidade trabalharem em projectos. 
Aspectos positivos do projecto: 
- valoriza o trabalho centrado no desenvolvimento de competências e não nos conteúdos 
- denota a preocupação com melhores aprendizagens; 
- permite a gestão do currículo de forma flexível e contextualizada; 
- possibilita que os alunos se envolvam em projectos. 
Em suma, diz a Coordenadora do Grupo de Trabalho, o projecto "até podia ser interessante" se tivesse sido eficazmente preparado, com turmas pequenas, com bons espaços e boas salas, mas, ao contrário, trouxe "horários sobrecarregados em turmas de 30 alunos". 

Escola sem telemóveis: a discussão renasce em Espanha

Texto na sequência de um outro recente - Escola sem telemóveis -, a propósito da proibição, restrição ou "pedagogização" do telemóvel.

Depois de o Ministro da Educação de França ter proibido os telemóveis de alunos e de professores na escola, Espanha discute a adopção (ou não) da mesma regulamentação. Estão envolvidos sobretudo investigadores, empresas, mas também sindicatos de professores.

Tal como em Portugal, no país vizinho, cada escola (centro escolar) ao abrigo da figura de autonomia, tem possibilidade de fazer essa regulamentação. Algumas fazem-no, outras não. As escolas que o fazem alegam que o telemóvel:
1) constitui um forte factor de distracção nas aulas, dificultando a aprendizagem. Além de receberem e enviarem constantemente mensagens, jogam e acedem a "sítios" que nada têm a ver com o currículo;
2) provoca conflitos permanentes nas aulas, que além de não terem solução, desgastam os professores, sobretudo os mais empenhados na aprendizagem dos alunos;
3) minimiza a comunicação directa entre as crianças e os jovens, distorce as suas trocas espontâneas, anula as brincadeiras e os jogos no recreio, reduz a sua visão do mundo e do que é estar em interacção em tempo e espaço real. Trata-se, como disse o ministro da educação francês, de "uma questão de saúde pública".

Tanto quanto se percebe das notícias que vão surgindo, estas escolas (públicas) espanholas não serão, muitas. Na verdade, há que reconhecer que a pressão que recai sobre elas, sendo subtil, não deixa de ser fortíssima, tendo efeitos na sua decisão, que vai sendo ponderada e reponderada e... adiada. 

Além dos alunos (alguns dos quais são levados a crer que o telemóvel é o centro da vida) e das famílias (a quem dá "jeito" que crianças e adolescentes estejam sempre contactáveis), há os especialistas, as múltiplas entidades que se infiltram na educação, os decisores políticos e as empresas (que lamentavelmente aparecem ligados, fazendo passar uma mensagem que não sendo um declarado sim, leva a concluir pelo sim).

Para ilustrar este "quarteto", recorremos a uma das notícias lidas para redigir este texto (aqui) (os sublinhados são nossos):
El informe Digital Education Action Plan, publicado por la Comisión Europea en 2018, señala que existen multitud de estudios relacionados con el uso de las tecnologías en los colegios, pero que todos ellos son parciales y que faltan evidencias y recolección de datos para conocer la repercusión aprendizaje real. 
Otro estudio de la Unesco sobre aprendizaje móvil publicado en 2012 ya advertía del peligro de los móviles en el aula por casos de aislamiento, distracción o bullying. Sin embargo, destacaba el potencial de esos aparatos para mejorar la participación de los estudiantes en el aula y el trabajo en equipo. 
... un estudio para medir el impacto de los dispositivos en el aprendizaje, en el que colaboran el Ministerio de Educación y Samsung. Llevan tres años de pruebas en 29 colegios públicos de 13 comunidades autónomas en un "campo emergente" del que existen pocos datos. Aunque faltan evidencias científicas de si afecta al rendimiento académico, han comprobado que mejoran tres competencias: la digital, la de trabajo en equipo y la autonomía en el aprendizaje.
É um "cenário" no mínimo confuso mas que não pode, no entanto, impedir os profissionais das escolas de decidir o que é razoável. E o que é razoável, neste como noutros casos, é que se entenda um recurso como um recurso, sendo que qualquer recurso deve apoiar o ensino e a aprendizagem (e não, obviamente, perturbar o ensino e a aprendizagem).

                                                            Maria Helena Damião e Isaltina Martins
_________

Textos usados para escrever este apontamento:
- La prohibición silenciosa de los móviles en los colegios españoles
- Expertos en Educación, contra la retirada de móviles en el aula como en Francia
- La educación en España abre el debate: ¿hay que integrar el móvil en las aulas?

sábado, 16 de junho de 2018

LISTA BIBLIOGRÁFICA DE E SOBRE EGAS MONIZ


António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (1874-1955) Médico, inventor da leucotomia pré-frontal, Prémio Nobel da Medicina em 1949

Títulos do autor disponíveis no RÓMULO CCVUC

-A vida sexual : pathologia. 2ª ed. Lisboa : Ferreira & Oliveira, Ltdª, 1906.
-A neurologia na guerra. Lisboa : Livraria Ferreira, 1917.
 António Saúde : grande paisagista. [Coimbra] : Museu Nacional da Ciência e da Técnica, [19--?]. Sep. de: Publicações do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, n.º 4.
- A nossa casa. Lisboa : Paulino Ferreira, 1950.
Conferências médicas. Ed. facsimil. Coimbra : Imprensa da Universidade, 2008. (Série Documentos). ISBN 9789898074430.
-Confidências de um investigador científico. 3ª ed. Estarreja : Câmara Municipal de Estarreja, 2009.

Títulos sobre o autor disponíveis no RÓMULO CCVUC

-PROFESSOR EGAS MONIZ : BILIOGRAFIA MÉDICA. [S.l.] : [s.n.], 1936 (Lisboa : Casa Portuguesa).
-ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA - Sessão plenária de homenagem ao eminente académico Prof. Doutor Egas Moniz. Lisboa : Academia de Ciências de Lisboa, [1945?].
-FUNDAÇÃO EGAS MONIZ - Estatutos da Fundação Egas Moniz com sede em Avanca. Aveiro : [s.n.], 1966: (Oficinas da Coimbra Editora).
-MADAIL, António Gomes da Rocha - Instituição da "Fundação Egas Moniz" e da sua "Casa-Museu" em Avanca. Aveiro : Arquivo do Distrito de Aveiro, 1966. Sep. de "Arquivo do Distrito de Aveiro", vol. 32. ~
- MALPIQUE, Cruz - Egas Moniz : um paradigma como professor-investigador universitário : considerações marginais. Aveiro : Arquivo do Distrito de Aveiro, 1969 : (Coimbra Editora). Sep. de: Arquivo do Distrito Aveiro, vol. 35.
-SERRA, Adriano Supardo Vaz - Egas Moniz : análise histórica da sua contribuição para a psiquiatria. Coimbra : [s.n.], 1975. Sep. de: Museu Nacional da Ciência e da Técnica.
-SYMPOSIUM INTERNACIONAL COMEMORATIVO DA 1ª ARTERIOGRAFIA POR EGAS MONIZ, Lisboa - [Symposium Internacional comemorativo da 1ª arteriografia por Egas Moniz [programa]. [Lisboa] : Direcção da Sociedade de Radiologia e Medicina Nuclear, 1977.
- CORREIA, Manuel, ed. lit. - Egas Moniz e o Prémio Nobel : enigmas, paradoxos e segredos. Coimbra : Imprensa da Universidade, 2006. (Séri e Documentos). ISBN 972870495X.
 - ANTUNES, João Lobo - Egas Moniz : uma biografia. 3ª ed. Lisboa : Gradiva, 2011. (Fora de colecção ; 345). ISBN 9789896163983.
-  COLÓQUIO A JUNTA DE EDUCAÇÃO NACIONAL E A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA EM PORTUGAL NO PERÍODO ENTRE GUERRAS, 2, Évora - A Junta de Educação Nacional e a investigação científica em Portugal no período entre guerras : [resultados do 2º Colóquio]. Casal de Cambra : Caleidoscópio, 2013. ISBN 9789896582098.

Títulos do autor disponíveis nas bibliotecas da Universidade de Coimbra 
-  Conferências médicas e literárias. [Lisboa] : Portugália Editoria, 195
 - Uma obra e uma data : comentário do Prof. Egas Moniz à Obra Social de S. Martinho da Gândara. 2ª ed. Lisboa : [s.n., 196?].
- Alterações anatomo-pathologicas n'a diphteria. Coimbra : Imprensa Académica, 1900. 135 p.  Dissertação de licenciatura em Medicina, apresentada á Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
 - A vida sexual. Coimbra : França Amado, 1901-1902. Dissertação inaugural para o acto de conclusões magnas na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. 2 vol. [formato digital]
 - A vida sexual : Physiologia. 2ª ed. Lisboa : Livraria Ferreira, 1904.
- O primeiro teatro de Júlio Dantas : oração proferida na soleníssima sessão em honra de Júlio Dantas. Avanca : Fundação Egas Moniz, [19--?].
 - Um ano de política. Lisboa : Portugal-Brasil, 1919.
 - Júlio Denis e a sua obra. 2ª ed. Lisboa : Casa Ventura Abrantes, 1924.
 - [Carta, s. d., Lisboa a Carolina Michaëlis de Vasconcelos] [manuscrito]. [Lisboa, 1924?].
-  - Júlio Denis e a sua obra. 3ª ed. Lisboa : Casa Ventura Abrantes, 1924.
 - O ensino médico em Lisboa : clínica neurológica. Lisboa : Fac. de Medicina, 1925. - MONIZ, Egas - O padre Faria na história do hipnotismo. Lisboa : Faculdade de Medicina, 1925.
 - A vida sexual : fisiologia e patologia. 7.ª ed., rev. e aumentada. Lisboa : Casa Ventura Abrantes, [1929].
 - Ao mestre José Malhoa. Lisboa : Imprensa Libanio da Silva, 1929.
 - Os pintores da loucura : conferência realizada na Sociedade Nacional das Belas Artes na inaguração da exposição do Grupo Silva Porto, em 7 de Fevereiro de 1930. Lisboa : Imprensa Nacional, 1930.
- O Papa João XXI. Coimbra : Coimbra Ed., 1930.
- Tumor intra-medular : tetraplegia : cura pela radioterapia. Lisboa : Academia das Ciências, 1931.
- MONIZ, Egas - Colesteatomas cerebrais. Lisboa : Hospital Escolar de Santa Marta, 1943. MONIZ, Egas - De la thérapeutique chirurgicale dans la maladie de Parkinson et les états similaires. Lausanne : Imprimerie Centrale S.A., 1943.
s - Última lição : pronunciada a 29 de Novembro de 1944 na Faculdade de Medicina de Lisboa : bibliografia dos seus trabalhos. Lisboa : Portugália Editora, 1944.
 - Guerra Junqueiro e a sua obra : conferência. Porto : Associação dos Jornalistas e Homens de Letras, 1949.
 - O solitário de Amarante. [S.l. : s.n.], 1951 (Figueira da Foz : Tip. Cruz e Cardoso). - MONIZ, Egas - Fisiologia do cérebro. Coimbra : O Instituto, 1951.
 - Sobre uma frase do Padre António Vieira. Lisboa : A Medicina Contemporanea, 1952.
 - Contribuição da escola portuguesa para o futuro da neurocirurgia ; O poeta João de Deus ; O primeiro teatro de Julio Dantas. Lisboa : Portugália, 1952.
 - A leucotomia está em causa : lição proferida em 20 de Maio de 1954. Lisboa : Academia das Ciências, 1954. (Biblioteca de Altos Estudos).
 - Dr. Barbosa de Magalhães : parlamentar e político. Aveiro : [s.n.], 1955.
 - A folia e a dor na obra de José Malhoa. Lisboa : [s.n.], 1955.
 - Subsidios para a história da angiografia. Coimbra : Rev. Filosófica, 1955.
 - Uma obra e uma data : comentário do Prof. Egas Moniz à Obra Social de S. Martinho da Gândara. 5ª ed., rev. [S.l. : s.n.], 1967 (Lisboa : Oficinas Gráficas da Papelaria Fernandes)
 - O Abade Faria na história do hipnotismo. Lisboa : Editorial Vega, imp. 1977.
 - História das cartas de jogar. 1ª ed. Lisboa : Apenas Livros, 1998. ISBN 9729772711.
 - Três ensaios sobre pintura. [Lisboa : CME. Pelouro da Cultura, D.L. 1999]. -
 - Confidências de um investigador científico. [Lisboa] : Fundação Glaxo Wellcome das Ciências de Saúde, D.L. 2000. ISBN 972861800X.

Títulos sobre o autor disponíveis nas bibliotecas da Universidade de Coimbra

 - COELHO, E. Maceira - A ética na medicina : o exemplo de Egas Moniz. In Acta Méd. Port. - ISSN 0870-399X Vol. 8, nº 12 (Dez. 1995), p. 719-722.
- TRINDADE, A. Rodrigues - 1949-1999 no cinquentenário do 1º Nobel português. Oxigénio. ISSN 0873-5603 Vol. 5, nº 18 (Jan./Mar. 1999), p. 13-19.
- NABAIS, João Maria - Egas Moniz "...Segui imperturbável o meu trabalho...". Oxigénio. ISSN 0873-5603 Vol. 8, nº 30 (Jan./Mar. 2002), p. 28-32. O
- OLIVEIRA, Victor - Egas Moniz Revisitado. Sinapse - ISSN 1645-281X Vol. 4, no 1 (Maio 2004), p. 45-49.
- LIMA, Almeida - Antologia: o centenário de Egas Moniz. Rev. Psiq. ISSN 0871-1534, Vol. 18, nº 3 (Set./Dez. 2005), p. 186-189
- SILVA, Mário - Egas Moniz : estudante de Coimbra. Publicações do Museu Nacional da Ciência e da Técnica 1974. Coimbra : M.N.C.T. (1971-1978).
-  CASCAIS, António Fernando - A cabeça entre as mãos : Egas Moniz, a psicocirurgia e o prémio Nobel. Enteados de Galileu? : a semiperiferia no sistema mundial da ciência. Org. João Arriscado Nunes e Maria Eduarda Gonçalves. Porto : Edições Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0573-2. p. 291-359.
-  OLIVEIRA, Vitor - Professor Egas Moniz. Rev. FML. ISSN 0872-4059 Série III, vol. 11, nº 3 (Mai./Jun. 2006), p. 143-145.
- CASTELO, Henrique Bicha - Egas Moniz e a Faculdade de Medicina de Lisboa. Rev. FML. - ISSN 0872-4059 Série III, vol. 11, nº 3 (Mai./Jun. 2006), p. 138-142.
- OLIVEIRA, Vitor - Egas Moniz e a história da psicocirurgia. Rev. FML. ISSN 0872-4059 Série III, vol. 11, nº 3 (Mai./Jun. 2006), p. 147-151.
-  FERNANDES, J. Fernandes e. - Egas Moniz e a descoberta da arteriografia : do método de diagnóstico à moderna imagiologia vascular e intervenção terapêutica. Rev. FML. ISSN 0872-4059 Série III, vol. 11, nº 3 (Mai./Jun. 2006), p. 153-156.
- ANTUNES, J. Lobo - Egas Moniz hoje. Rev. FML. ISSN 0872-4059 Série III, vol. 11, nº 3 (Mai./Jun. 2006), p. 157-161.
- ANTUNES, J. Lobo,  Egas Moniz e o Prémio Nobel. Not. Méd. ISSN 0870-2055. Vol. 36, nº 2935 (Fev. 2007), p. 18.
 - MARTINS, Robert Pereira - Egas Moniz. Acta Reumatológica Portuguesa. Lisboa. Vol. 8, t. 2, nº 27 (Jun. 1983), p. 107-116.
-  CORREIA, Manuel - Egas Moniz e a leucotomia pré-frontal : ao largo da polémica. Análise social. Lisboa. ISSN 0003-2573. Vol. 41, nº 181 (4º Trim. 2006), p. 1197-1213.
-  FERREIRA, A. J. Gonçalves - Egas Moniz e a história da psicocirurgia. Revista Faculdade de Medicina de Lisboa. ISSN 0872-4059. Série 3, vol. 11, n.º 3 (Mai./Jun. 2006), p. 147-151.
- RIBEIRO, Fernando de Almeida 1884-1959 - A neurologia na guerra, pelo dr. Egas Moniz : [bibliografia]. Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Coimbra. Ano 4, nº 34, 35 e 36 (1917-1918), p. 469-474.
- ANTUNES, João Lobo - Egas Moniz : merecido nobel. Público Magazine. Lisboa. Nº 318 (1996), p.11-12.
- ANTUNES, João Lobo - Egas Moniz (1874-1955), o Nobel português. Publico Magazine. Lisboa. N.º 259 (1990), p. 50-51
-  CORREIA, Manuel - Tiques e sotaques da ciência [documento electrónico] : a influência dos cientistas brasileiros na atribuição do prémio nobel a Egas Moniz. Congresso Luso-Brasileiro de História das Ciências. Coimbra, 2011. p. 892. ISBN 978-989-26-0121-2.
- GAMA, Augusto - A questão d'Ambaca : carta aberta ao Exmo Snr. Dr. Egas Moniz. Porto : Officinas do Commercio do Porto, 1912.
- LIMA, Almeida - Em homenagem a Egas Moniz. [S.l. : s.n., 19--?].
- FONTES, Joaquim - Em homenagem a Egas Moniz. Lisboa : [s.n., 19--?].
- COELHO, Eduardo - O sentido da cultura e da investigação científica em Egas Moniz. Lisboa : [s.n., 19--?].
- RAU, Virgínia - Egas Moniz. [S.l. : s.n., 1939?].
- R., Alberto - Egas Moniz visto por um condiscipulo. Coimbra : Tip. Gráfica, 1939.
- NEVES, João Alberto Pereira de Azevedo - O prof. Egas Moniz. Ponta Delgada : Tip. do Correio dos Açores, 1944.
- FLORES, António - O professor Egas Moniz e a sua obra : palavras proferidas. Lisboa : Imprensa Médica, 1944.
- COELHO, Eduardo - A vida científica de Egas Moniz. [S.l.] : [s.n.], 1950 imp. (Porto : Costa Carregal).
- HOMENAGEM DOS HABITANTES DA VILA DE AVELAR AO EXCELENTÍSSIMO PROFESSOR DOUTOR EGAS MONIZ PRIMEIRO PRÉMIO NOBEL DE PORTUGAL. Avelar : - [s.n.], 1950.
- FERNANDES, Barahona - Na homenagem das Beiras ao Sr. Prof. Egas Moniz. [S. l. : s.n., 1950].
- UNIVERSIDADE DE COIMBRA. REITOR - A homenagem da Academia de Coimbra ao Prof. Egas Moniz. [Coimbra] : Associação Académica, 1950.
- CORRÈGE, Orlando - A psiquiatria através dos séculos : o professor Egas Moniz e o Brasil. Lisboa : Rev. Portugal-Brasil, 1952.
- DOYLE, Iracy - Egas Moniz e o Espirito do Tempo. Lisboa : [s.n.], 1956.
- CARVALHO, Lopo de - Egas Moniz. Lisboa : [s.n.], 1956.
- ALFANDARY, I. - Hommage à M. Egas Moniz. Lisboa : [s.n.], 1956.
- LIMA, Almeida - Egas Moniz : investigador científico. Lisboa : [s.n.], 1957.
- FERNANDES, M. Azevedo - Egaz Moniz : alguns aspectos da personalidade do cientista. Porto : [s.n.], 1957.
- SOUSA, Aires de - A última lição de Egas Moniz : conferência. Goa : [s.n.], 1958.
- SOUSA, Aires de - Homenagem a Egas Moniz na Escola Médico-Cirúrgica de Goa. Porto : [s.n.], 1958.
- FIGUEIREDO, Pacheco de - Homenagem a Egas Moniz na Escola Médico-Cirúrgica de Goa. Porto : [s.n.], 1958.
- FIGUEIREDO, João Manuel Pacheco de - Homenagem a Egas Moniz. Goa : [s.n.], 1958.
- PINTO, Francisco de Paula Leite - Discurso proferido na sessão solene inaugural da "Semana Egas Moniz". Lisboa : Academia das Ciências, 1958.
 - BIBLIOGRAFIA CIENTÍFICA E LITERÁRIA DE EGAS MONIZ PRÉMIO NOBEL DE MEDICINA 1949. Lisboa : Centro de Estudos Egas Moniz, 1963.
- COELHO, Eduardo - A missão universitária de Egas Moniz : discurso... Porto : Jornal do Médico, 1964.
-  TAVARES, José Pereira - Inauguração da "Casa-Museu" de Egas Moniz, em Avanca. Aveiro : Arquivo do Distrito de Aveiro, 1968.
-. MALPIQUE, Cruz - Egas Moniz : um paradigma como professor-investigador universitário : considerações marginais. Aveiro : Arquivo do Distrito de Aveiro, 1969 : (Coimbra Editora).
 - NOGUEIRA, Fernando - Egas Moniz : a sua glória e uma pergunta. [Porto] : O Médico, 1972.
- MELO, Boaventura Pereira de - Viagem que o Prof. Egas Monis fez ao Brasil em 1928 em missão científica : discurso que proferiu na Academia Brasileira de Letras. Aveiro : [Arquivo Distrital], 1973.
- LIMA, Almeida - Platão-Bacon-Egas Moniz : a propósito do tratamento cirúrgico das doenças mentais. [Porto : O Médico, 1973].
- GOMES, Fernando José de Oliveira Amaral - Egas Moniz, a sua obra e o futuro da psicocirurgia. Porto : O Médico, 1973.
- MUSEU NACIONAL DA CIÊNCIA E DA TÉCNICA - Egas Moniz : primeiro centenário 1874-1974. Coimbra : Coimbra Editora, 1974. (Publicações do Museu Nacional da Ciência e da Técnica; nº 4.).
-SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA CIÊNCIA E DA TÉCNICA PORTUGUESAS : EGAS MONIZ, PRIMEIRO CENTENÁRIO, 1874-1974. Coimbra : Museu Nacional da Ciência e da Técnica, 1974. (Publicações do Museu Nacional da Ciência e da Técnica ; 4).
- SOUSA, Aires de - Egas Moniz e os problemas técnicos da angiografia. [Porto : O Médico, 1974].
 - SANTOS, Oliveira - Contribuição para as homenagens a Egas Moniz na passagem do seu centenário. Porto : Hospitais da Santa Casa da Misericórdia do Porto, 1974.
- SALDANHA, Aleu - Egas Moniz : o cientista e o homem. [Porto] : O Médico, 1974.
- POLÓNIO, Pedro Carlos do Amaral - Egas Moniz e a terapêutica psiquiátrica. [Porto : O Médico, 1974].
- LIMA, Almeida - O centenário de Egas Moniz. [Porto] : O Médico, 1974.
-SOUSA, Armando Tavares de - Egas Moniz escolar e doutor da Universidade de Coimbra. Coimbra : [Museu Nacional da Ciência e da Técnica], 1974.
- FERREIRA, Armando dos Santos - Egas Moniz e o Instituto de Anatomia Normal da Faculdade de Medicina de Lisboa. [Porto : O Médico, 1974].
- FERNANDES, Barahona - Recordando Egas Moniz. [Porto : O Médico, 1974].
- FERNANDES, Barahona - Egas Moniz, universitário e investigador. [Porto] : Jornal do Médico, 1974.
- BIBLIOGRAFIA DE EGAS MONIZ. Porto : Santa Casa da Misericórdia, 1974.
- FERNANDES, Barahona - Egas Moniz. Genéve : [s.n.], 1974.
- LIMA, Pedro Almeida - Egas Moniz : o homem, a obra, o exemplo. Lisboa : Câmara Municipal, 1975.
- RAMOS, Albano - Egas Moniz : criador de radiologia. [Porto] : O Médico, 1975.
- SÁ, Vitor de ; MOURA, Frederico de ; BRANDÃO, Gama - 1874-1974 : NO I CENTENÁRIO DO - NASCIMENTO DE EGAS MONIZ : 3 PANEGÍRICOS. [Aveiro : Junta Distrital de Aveiro], 1975.
 - SERRA, Adriano Supardo Vaz - Egas Moniz : análise histórica da sua contribuição para a psiquiatria. Coimbra : [s.n.], 1975.
- SILVA, António Carlos Pacheco e - Egas Moniz, sábio e mestre grande amigo do Brasil. Lisboa : [s.n.], 1976 (Lisboa : Tip. Editorial Império, Lda).
-  PAIXÃO, Braga - Egas Moniz, nas letras. Lisboa : Academia das Ciências de Lisboa, 1976.
 - SOUSA, Aires de - Egas Moniz e a microcirculação : a propósito do cinquentenário da descoberta da angiografia. Lisboa : Acad. das Ciências, 1976-1977.
- EXPOSIÇÃO COMEMORATIVA DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO PROF. EGAS MONIZ. Porto : Tipografia do Carvalhido imp., 1977.
-  INDICE BIBLIOGRÁFICO DAS OBRAS MÉDICAS, LITERÁRIAS E POLÍTICAS DE EGAS MONIZ : BIBLIOGRAFIA INTERNACIONAL DE ANGIOGRAFIA. [S.l. : s.n., 1977?].
- EGAS MONIZ CENTENARY : SCIENTIFIC REPORTS. Lisbon : Comissão Executiva das Comemorações do Centenário do Nascimento do Prof. Egas Moniz, 1977.
- SOUSA, Aires de - Génese e evolução da angiografia : a propósito do cinquentenário da descoberta de Egas Moniz. Lisboa : [s.n.], 1978 (Lisboa : Tip. Radio Renascença).
- CENTENÁRIO DE EGAS MONIZ. Lisboa : Comissão Executiva, 1978.
-  PUBLICAÇÕES DO MUSEU NACIONAL DA CIÊNCIA E DA TÉCNICA. Coimbra : M.N.C.T, 1971-1978. O vol. de 1974 é inteiramente dedicado ao primeiro centenário do nascimento de Egas Moniz.
- EGAS MONIZ CENTENARY = CENTENÁRIO DE EGAS MONIZ. Lisboa : Comissão Executiva das Comemorações do Centenário do Nascimento do Professor Egas Moniz, 1977-1978.
- PEREIRA, António de Sousa. ; PEREIRA, José Manuel Melo de Sousa - Evolução da investigação cientifica neurovascular, da anigografia cerebral do Prof. Egas Moniz (1972) ao IX Simpósio Internacional sobre o fluxo sanguíneo cerebral e metabolismo (Tóquio, 1979). [S.l. : s.n., D. L. 1980] (Porto : Tip. Costa Carregal).
- DIAS, Benedito - Medicina portuguesa através dos séculos : personalidade científica do Prof. Egas Moniz. Coimbra : [s.n.], 1980 (Coimbra : Coimbra Ed.) .Trabalho apres. à Fac. de Medicina.
- CALMÓN, Pedro - Egas Moniz e seus descendentes do Brasil. Guimarães : [s.n.], 1982 (Braga : Barbosa & Xavier).
- SOCIEDADE PORTUGUESA DE RADIOLOGIA E MEDICINA NUCLEAR - Catálogo da exposição itinerante da obra de Egas Moniz e Reynaldo dos Santos : 1982-1983. Lisboa : S.P.R.M.Nuclear, 1982.
- FERNANDES, Barahona - Egas Moniz, pioneiro de descobrimentos médicos. 1ª ed. Lisboa : Inst. de Cultura e Língua Portuguesa, 1983. (Biblioteca breve ; 70).
- CALDAS, A. Castro - A criação do Centro de Estudos Egas Moniz. Lisboa : [s.n.], 1986.
- SOCIEDADE PORTUGUESA DE RADIOLOGIA E MEDICINA NUCLEAR - Catálogo da exposição itinerante da obra de Egas Moniz e Reynaldo dos Santos. 2ª ed.. Lisboa : S.P.R.M.Nuclear, 1987.
-  CONGRESSO DE INVESTIGAÇÃO EM MEDICINA, 1, Coimbra - A excelência da investigação na essência da Universidade : homenagem a Egas Moniz paradigma da ciência. Coimbra : Gabinete de Educação Médica da FMUC, 1997. C
- CONGRESSO DE INVESTIGAÇÃO EM MEDICINA 1º COIMBRA, 1997 - A excelência da investigação na essência da Universidade : homenagem a Egas Moniz paradigma da ciência. Coimbra : Faculdade de Medicina, 1999.
- COELHO, António Macieira - Egas Moniz : perfil político. [Estarreja : Câmara Municipal, 1999].
- CONGRESSO DE INVESTIGAÇÃO EM MEDICINA, 1, Coimbra - A excelência da investigação na essência da Universidade : homenagem a Egas Moniz paradigma da ciência. Coimbra : F.M.U.C, 1999.
-EGAS MONIZ : 50 YEARS AFTER THE NOBEL PRIZE. [S.l.] : Tecnimede, D.L. 1999. ISBN 9729831807.
-ALMEIDA, Álvaro de, ed. lit. ; RAMALHO, Vasco Magalhães, ed. lit. ; SEQUEIRA, Paulo, ed. lit. - Egas Moniz and the Portuguese School of Angiography. [S.l : s.n.D.L. 1999. ISBN 9729822301.
- PEREIRA, Ana Leonor ; PITA, Rui ; RODRIGUES, Rosa Maria - Retrato de Egas Moniz. 1ª ed. [Lisboa] : Círculo de Leitores, 1999. ISBN 9724221237.
 -PEREIRA, Ana Leonor, ed. lit. ; PITA, João Rui, ed. lit. - Egas Moniz em livre exame. Coimbra : Minerva, 2000. ISBN 9728318960.
-MELO, António Rocha - Homenagem a Egas Moniz. [Porto] : Fundação Serralves, [D.L. 2001].
- BRANDÃO, António de Sousa - A ascendência avancanense do professor Egas Moniz. Porto : A.S. Brandão, 2003.
- BRANDÃO, António de Sousa - A ascendência avancanense do professor Egas Moniz. 2ª ed., rev. e anot. Porto : Livraria Esquina, 2004.
- ALMEIDA, Álvaro de, ed. lit. ; RAMALHO, Vasco Magalhães, ed. lit. ; SEQUEIRA, Paulo, ed. lit. - EgasMoniz and the Portuguese School of Angiography. Reed. [S.l : s.n.], D.L. 2009. ISBN 9729822301.
- ANTUNES, João Lobo - Egas Moniz : uma biografia. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 2010. (Fora de colecção ; 345). ISBN 9789896163983.
- GIL, Alexandra - Egas Moniz e José Saramago : os galardoados. 1ª ed. Matosinhos : Booklândia, 2010. (Filhos da Nação ; 10). ISBN 9789895547104.
- CORREIA, Manuel da Encarnação Simões - Egas Moniz [documento electrónico] : representação, saber e poder. Coimbra : [s.n.], 2010. Tese de doutoramento em História da Cultura, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, sob a orient. de Ana Leonor Pereira e João Rui Pita.
- ANTUNES, João Lobo - Egas Moniz : uma biografia. 3ª ed. Lisboa : Gradiva, 2011. (Fora de colecção ; 345). ISBN 9789896163983.
- KOTOWICZ, Zbigniew - Psychosurgery : the birth of a new scientific paradigm : Egas Moniz and the present day. Lisboa : Centre for Philosophy of Science, cop. 2012. ISBN 9789898247476
- EGAS MONIZ : PIONEIRO DA NEURORRADIOLOGIA : COLECTÂNEA DE SEPARATAS CIENTÍFICAS. Estarreja : Câmara Municipal de Estarreja, 2015.

INTRODUÇÕES, PREFÁCIOS…

-SILVA, Henriques da. - Tratado do jôgo do Boston. Introd. Egas Moniz. Lisboa : Atica, 1942.
-MATOS, Norton de - A nação una : Organização política e administrativa dos territórios do ultramar português. Pref.Egas Moniz. Lisboa : Paulino Ferreira, 1953.
-DINIS, Júlio - Teatro inédito. Pról. Egas Moniz. Porto : Livraria Civilização, imp. 1946-1947. (Obras completas de Júlio Dinis). [Impressão mais recente : 1980]
-DINIS, Júlio - Poesias. Intr. Egas Moniz. Porto : Livraria Civilização, 1961.[Impressão mais recente : 1980]
-DINIS, Júlio - Cartas e esboços literários. Intr. Egas Moniz. Porto : Livraria Civilização, [1946]. (Obras Completas de Júlio Dinis). [Impressão mais recente : 1980]
-DINIS, Júlio - Serões da provincia. Intr. Egas Moniz. Porto : Livraria Civilização, 1947 imp. (Obras completas de Júlio Dinis). [Impressão mais recente : 1980]

Nota: A presente lista foi elaborada de acordo com a NP 405 e está organizada por ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente).

RÓMULO CCVUC
Paula Pereira
5 Junho 2018

Há ciência fora do laboratório


Trabalho do curso de jornalismo na Universidade de Coimbra da autoria de Carolina Cardoso, no qual colaborei:


São comunicadores de ciência. Mas nem todos são cientistas. Têm o dom de comunicar e fazem-no com paixão. Sobem a palcos, saem à rua, escrevem para jornais, blogs, fazem vídeos para o Youtube, dão aulas, palestras ou workshops. Desde que se queira aprender, há para todos os gostos.

Em Portugal, o termo «comunicação de ciência» usou-se pela primeira vez em 1995, quando Mariano Gago foi ministro da Ciência e Tecnologia. Até essa altura, havia pessoas a praticá-la, mas nunca tinha sido valorizada.

Deve ser simples, sem ser simplista. Mas o que é ser simplista para uma criança de quatro anos? O diretor do Exploratório – Centro Ciência Viva, Paulo Trincão, explica que “falar de ciência para uma criança de quatro anos é ensinar-lhe que todas as ações têm consequências”. Isto pode ser Física, mas também pode ser Ética.

Como explicar o que é um ribossoma? David Marçal esclarece: “são as fábricas de proteína das células”. “Se as proteínas fossem monovolumes, o ribossoma seria a AutoEuropa”, brinca. Bioquímico de formação, o humor é a característica principal da sua forma de comunicar.

“A ciência é da sociedade, não é dos cientistas”, declara o diretor do Rómulo - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais. É para isso que ela existe – para ser partilhada. E é isso que se tenta fazer neste que é um centro diferente da maioria. É um lugar de encontro. É um sítio para se estar. Enquanto que os outros centros Ciência Viva se baseiam na interatividade, através de experiências fáceis, informativas e divertidas, o Rómulo é uma biblioteca. Há mesas redondas, há janelas grandes, há livros de todos os saberes, há filmes, há colóquios, há informação.

A química do amor, a procura do elixir da juventude, o porquê das autópsias e o papel da ciência na investigação criminal são alguns dos temas apresentados por cientistas no ciclo de palestras que acontece no Rómul

Em muitos casos, nestes “ciclos de conversas” que acontecem tanto no Rómulo como no Exploratório, interligam-se as ciências exatas às ciências sociais. É uma forma de esbater esta fronteira, mas também de passar a mensagem de que a ciência está em todo o lado. O que significa o conceito de “sistema” para um sociólogo, um engenheiro informático ou um biólogo? De certo têm significados diferentes, mas há algo de comum entre eles.

“Se não compreendermos a realidade, ficamos mais suscetíveis a ser cidadãos passivos. A comunicação de ciência serve para vivermos em democracia”, considera o diretor do Exploratório. Já fez ciência pura, já foi diretor do Jardim Botânico e do Museu Nacional da Ciência e da Técnica. Hoje, comunica ciência no centro com mais experiências interativas de Coimbra.

 “Um bom comunicador de ciência não deve esmagar os outros com o seu conhecimento”, explica Paulo Trincão. Trata-se de uma relação bilateral. Assim, é suposto que a comunicação seja mais interrogativa do que informativa, de modo a que o público possa tentar encontrar as respostas por si próprio. E é neste momento que o comunicador “deve ser imensamente condescendente com o seu interlocutor”, sublinha o diretor do Exploratório, pois isso significa que o valoriza.

E como os cientistas não são todos loucos nem introvertidos, eles também sobem ao palco. Na companhia de teatro Marionet, as peças sobre ciência surgiram por um acaso, mas hoje são uma referência. A perfeição e a exatidão científica são dispensáveis, uma vez que os guiões são escritos por artistas e, como tal, há muita imaginação.

Em 2017, a companhia estreou uma peça dedicada aos sistemas corporais internos do ser humano: o respiratório, o digestivo, o reprodutor, etc. Desta forma, ensinaram ciência e fizeram arte. Em junho de 2018, vão estrear uma peça sobre os sistemas externos ao indivíduo, onde ele se inclui e se relaciona: o sistema político, o sistema económico, a propaganda, etc. Mais uma vez, os cientistas das Exatas e das Sociais juntam-se e, desta vez, através do teatro.

O diretor artístico, Mário Montenegro, conta que “o foco do teatro é falar de coisas que mexam com a vida das pessoas e a ciência mexe com a vida das pessoas”.

António Piedade, comunicador no projeto Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva, considera que o seu trabalho “é quase como transmitir uma boa-nova”. De facto, esta iniciativa pretende que os jornais regionais tenham disponíveis, numa plataforma na internet, conteúdos de comunicação de ciência, que possam publicar sem custos. Esta é uma forma de democratizar a ciência, de a fazer chegar a todos.

O jornalismo de ciência, a pseudociência e os riscos de uma má comunicação
“Nem todos os cientistas são bons comunicadores”, desabafa a coordenadora da Associação Viver a Ciência, Joana Barros, que considera este trabalho um “dever cívico”.
Por falta de jeito ou de gosto, nem todos os investigadores estão dispostos a isso. Então, essa tarefa acaba por cair sobre os jornalistas, que também têm o dever de anunciar as novidades científicas. O que acontece, porém, é que a maioria dos jornalistas não estudou nem biologia nem física nem química.

O jornalista de ciência tem que ser capaz de simplificar a linguagem científica sem lhe tirar o rigor. Para isso, tem que perceber muito bem do que vai falar.

O diretor do Exploratório lança a questão: “para se falar de ciência tem que se ser cientista, para se falar de loucura tem que se ser louco e para se falar da morte tem que se estar morto?”.

O coordenador do mestrado em Comunicação de Ciência da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, António Granado, garante que “não é a formação cientifica que dá às pessoas a competência para escrever sobre ciência, mas sim a capacidade que elas têm de se interrogar”.

David Marçal escreve e faz as locuções para o programa «Um minuto de ciência por dia não sabes o bem que te fazia», transmitido na Antena 1 e na rádio Zig Zag. O comunicador considera a “pseudociência, isto é, as coisas apresentadas no espaço público como sendo científicas, não o sendo”, como um dos grandes problemas da comunicação de ciência.

“Escrever artigos citando apenas um estudo faz com que as pessoas não desenvolvam uma atitude crítica”, afirma António Piedade, que aponta este como outro dos erros do jornalismo de ciência.

Notícias como “o chocolate negro emagrece” ou “o tango é a melhor dança para o coração” são curiosidades “delirantes”, sublinha David Marçal. Este tipo de notícias engraçadas pode levar à propagação de mitos e mal-entendidos, consequência de uma falha no conteúdo transmitido.

Mas quando a falha é a forma, isto é, a comunicação mesmo, então, ela pode fazer com que as pessoas se afastem da ciência. Pode fazer com que elas não se fascinem e se aborreçam. Pode até fazer com que as pessoas coloquem os avanços científicos em segundo plano.

Para António Granado, há muitos meios de comunicação social portugueses que não abordam corretamente a ciência. “Não há nenhum estudo no mundo que prove que as vacinas são más, mas a RTP fez um Prós e Contras sobre «vacinas: sim ou não». Isto é um absurdo.”, afirma.

Uma má comunicação de ciência pode fazer com que o público perca a confiança e o interesse que tem na ciência. Sílvio Mendes, ex-jornalista generalista, tirou o mestrado em Comunicação de Ciência da FCSH-UNL e alerta para um dos perigos desse desinteresse: o desinvestimento. “Fazer má comunicação de ciência pode criar uma sociedade sem espírito científico, sem capacidade de questionar o mundo que a rodeia de uma forma curiosa e lógica”, acrescenta.

Um serviço que não chega a todos
Neste momento, “para além das escolas e das famílias, estamos todos a pregar aos convertidos”, lamenta a coordenadora da Associação Viver a Ciência. De facto, a maioria dos comunicadores de ciência admite que quem vem às palestras, quem compra os livros, quem ouve os programas e quem visita os centros Ciência Viva são as pessoas que já estão a priori interessadas em ciência e tecnologia. De resto, as crianças continuam a ser o público mais privilegiado.

No entanto, o diretor do Exploratório salienta que, se há uns anos 95 por cento do seu público era escolar, hoje é apenas 55 por centro. Há atividades para adultos e para seniores. No entanto, lamenta a rara adesão dos estudantes universitários às iniciativas do centro. “Criámos um ciclo de conversas sobre ciência chamado Science Beer Talks, em que a cerveja é gratuita e mesmo assim não vêm. Os estudantes só vêm se contar para a nota”, lamenta. Da mesma opinião é António Piedade, que considera “os jovens adultos com ideias pré-concebidas” o público a quem é mais complicado chegar.

“É difícil que a ciência chegue às pessoas que não têm essa predisposição. Daí serem muito importantes os órgãos de comunicação social, como a televisão - nos canais de maior audiência e às horas de maior audiência”, conclui David Marçal.

Uma questão de democracia
“Uma pessoa, ao saber que que tem mais bactérias no seu corpo do que células suas não pode ficar indiferente”, afirma Alexandre Aibéo, comunicador de ciência que faz apresentações em escolas. O papel do comunicador é esse: não deixar as pessoas indiferentes e atingir as suas certezas mais absolutas. Emocioná-las.

A comunicação de ciência deve ser revolucionária. Para o comunicador, “se uma pessoa sair de uma palestra a sentir-se a mesma, sem pensar em coisas que nunca tinha pensado, não foi comunicação de ciência. Foi entretenimento”.

A ciência não se limita a leis e métodos. Estes e outros comunicadores espalhados pelo país e pelo mundo fazem serviço público. Dedicam-se a partilhar conhecimento. A desmitificar teorias. A apresentar novidades. A esclarecer a população. E a fascinar pessoas.

Fazem-no porque sabem que as sociedades que dão valor ao saber científico são mais evoluídas. São mais democráticas. E são mais felizes.


Carolina Cardoso

sexta-feira, 15 de junho de 2018

ALOCUÇÃO DO PROF. ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA NO DIA DE PORTUGAL


Com a devida vénia transcrevo a

ALOCUÇÃO DO PROF. ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA 
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas – 10 de Junho 2018, Ponta Delgada


Ao aceitar o honroso convite do Senhor Presidente da República para vir aqui ocupar um lugar que tem sido preenchido por figuras nacionais para mim venerandas (estou a lembrar-me, por exemplo, de duas já desaparecidas – Jorge de Sena e Natália Correia – o primeiro, para além de todas as sabidas razões, pelo facto de ter vivido nos EUA, e a segunda por ser açoriana), sinto o peso da responsabilidade. Vou, todavia, evitar deixar-me impressionar por esse sentimento potencialmente inibidor, e assumir um papel de porta-voz de duas comunidades a que pertenço por ter sido por elas moldado ou formatado. Primeiro, a açoriana, onde vivi as primeiras duas décadas da minha vida, decididamente as mais marcantes para qualquer ser humano. Depois, a luso-americana, pois passei já cerca de 2/3 da minha existência, nada menos do que 46 anos, no outro lado do Atlântico. Aliás, desde o início interpretei como sendo precisamente isso o que de mim era esperado neste momento. Assim, não venho falar para açorianos nem para os portugueses da diáspora luso-americana, mas chamar para eles a atenção dos meus compatriotas portugueses e de todos os lusófilos. Hoje é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e o Senhor Presidente da República quis colocar no palco duas componentes da pátria – a primeira, os Açores, parte integrante por direito; a segunda, sobretudo pela memória e pelo afeto.

A geografia marca-nos e a minha marcou-me sobremaneira, como fez aos meus patrícios ilhéus. Se geneticamente descendemos quase todos do Retângulo lusitano, com alguns aditamentos adventícios de proveniência variada, incluindo a flamenga, a nossa história insular moldou-nos em peso equivalente, como muito bem viu Vitorino Nemésio ao afirmar que para nós a geografia vale tanto como a história. Era necessário dar apoio às naus que os ventos e as correntes marítimas faziam aportar aqui na volta do largo, que obrigava os marinheiros a semanas e meses à míngua de água e alimentação fresca e por isso havia que, à sua chegada, atender às suas primeiras necessidades. Nessa altura pertenceu a Angra o papel central. Quer dizer, a nossa existência coletiva surgiu do imperativo de desempenharmos uma função vital no grande plano que hoje sabemos resultou na primeira globalização. Foi a nossa primeira razão de viver. Durante o domínio filipino, ainda servimos de entreposto para os navios de Espanha, confirmando esse papel de esteira e de serviço de apoio. Com o esvair-se da energia que nos levou à Índia e ao Japão, os açorianos começaram a sentir-se sem préstimo. Entretanto, porém, o Reino percebeu a urgência de mandar gente para o sul do Brasil. Lembrou-se então da nossa existência, acertadamente decidindo valer-se do excedente demográfico ilhéu, e enviando colonos a ocupar o terreno que os espanhóis, a partir do Uruguai, almejavam controlar. Essa foi a nossa primeira grande ponte para o outro lado do Atlântico, sobretudo para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, na primeira metade do século XVIII, ponte que nos últimos tempos tem sido refortalecida, permitindo uma saudável circulação nos dois sentidos.

É ainda nesse mesmo século, agora já na segunda metade dele, que os barcos da baleação americana, por idênticas razões às que haviam levado os portugueses a usar estas ilhas como base de ligação transatlântica, começaram a aportá-las também, transformando-as em base vital de apoio, bem como em fonte preciosa de mão-de-obra. Os primeiros povoadores, que do interior de Portugal foram trazidos com a missão de cultivar as terras, de modo a se poder reabastecer as naus que ainda demorariam três semanas na viagem daqui para Lisboa, viveram sempre entregues ao cultivo do fertilíssimo solo que a natureza vulcânica lhes proporcionava. Parte dessa gente, tradicionalmente voltada para a terra, fez-se então marinheira nos barcos da baleação norte-americana, e aventurou-se pelas rotas do Atlântico Sul e do Pacífico até ao Alaska. Herman Melville, o grande escritor americano dessa epopeia, rendeu-se, registando no seu clássico Moby Dick que não se sabe porquê mas os ilhéus (açorianos, islandeses e cabo-verdianos) são os melhores baleeiros. Essa frase está hoje estampada numa sala do Museu da Baleação, em New Bedford, Massachusetts, que amanhã o Senhor Presidente da República e a sua comitiva visitarão, por ele constituir hoje um espaço simbólico que narra essa grande epopeia da primeira ligação açoriana àquela que hoje constitui a Décima Ilha dos Açores. Nos dois séculos seguintes, os açorianos rumaram quase sempre para as Américas, sobretudo a do norte, estabelecendo uma forte ligação hoje secular. Os que emigraram para o Sul deixaram mais fraco rasto, mas felizmente a sua memória começou a reacender-se de há meio século a esta parte. Durante muito tempo, o Brasil foi para nós a Terra dos Esquecidos. A América do Norte, pelo contrário, passou cedo a integrar o imaginário açoriano. (Tal como em Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio, a busca, nos anos Quatrocentos, de uma suposta décima ilha a norte dos Açores simbolizava, para a protagonista do romance, a procura de uma felicidade impossível, pois os açorianos, que na pele sentiram sempre duras privações e carências múltiplas, não acreditavam que as suas terras fossem as Ilhas Afortunadas, ou as da Felicidade, a Macaronésia de que falavam os gregos.) E foi assim que o sonho americano foi ganhando forma – as Califórnias perdidas de abundância do poema “A Ilha”, do poeta florentino Pedro da Silveira. Entretanto, passara já a ser a Horta, no Faial, o polo de ligação intercontinental.

O relacionamento foi-se intensificando quando, na época da navegação a vapor, os navios entre a Europa e a América aqui paravam, mas esse papel só passou a ser de novo vital quando foi preciso conectar por cabos submarinos a América do Norte à Europa e depois à África do Sul. Foi todavia durante a 1ª e 2ª Grandes Guerras que o reconhecimento da importância estratégica dos Açores reforçou fortemente esse nexo açoriano com a América, então de novo a partir da Terceira, mas também de Santa Maria, porque os aviões a hélice, da incipiente aviação comercial, necessitavam de um local de reabastecimento a meio do Atlântico. O último grande momento do sentimento da relevância do arquipélago surgiu quando se tomou consciência de que, num conflito não nuclear, a importância estratégica dos Açores era vital para os EUA e, consequentemente, para a Europa.

De então para cá, muito o mundo se alterou. Depois do 25 de abril adveio a União Europeia e a opção açoriana surgiu clara, apesar de momentos difíceis. Tudo acabou sendo colocado no seu devido lugar porque se afirmaram as raízes da personalidade cultural coletiva açoriana, forjada ao longo de 500 anos de isolamento e sujeição à fúria dos elementos, constantemente inconstantes, quando o Governo de Lisboa era longínquo, e só Deus poderia socorrer e segurar esta terra que vomitava lume e volta e meia tremia. Ultrapassou-se esquecimentos e abandonos e reforçou-se a conexão do continente português com as ilhas, agora com novo estatuto, o autonómico.

No fundo, porém, os Açores têm sido uma pirâmide cuja parte superior da camada socioeconómica se inclinou para Lisboa (era no Continente que se formava a elite local), enquanto a base, aliás de longe muitíssimo maior em termos absolutos, era para a América que se voltava, mesmo no que concerne a população que nunca chegou a sair do arquipélago. Tanto pesou o universo norte-americano no imaginário açórico que um dia, ao perguntarem a um homem do Pico se já tinha ido à América, ele respondeu: Pessoalmente nunca fui.

(Esta estória não é inventada. Partilho-a aqui por ser uma realidade significativa na história destas ilhas.)

Interpelados por essas duas grandes forças magnéticas, a das raízes culturais no sentido da Europa e a da gratidão das classes menos privilegiadas pela satisfação das suas necessidades básicas puxando para a América (a partir dos anos cinquenta temos de passar a falar de América do Norte de modo a incluir o Canadá), os Açores forjaram uma personalidade colectiva, que nos habituámos a referir como “identidade”, com tanto de profundo como fundo é o mar que rodeia estas ilhas. Nada abala essa solidez, por mais que se queira tentar. E desafios não têm faltado. Momentos houve mesmo em que, tendo a metrópole vacilado, estas minúsculas ilhas fincaram pé nas profundezas da placa oceânica e dispuseram-se a intervir no todo nacional. São realidades difíceis de se compreender, mas impossíveis de se não constatar. E nunca faltaram sequer os contributos ao mais alto nível, sempre que a pátria precisou de um safanão. Antero de Quental é certamente o exemplo mais significativo, porém está longe de ser um caso isolado.

Foi, aliás, Antero quem mais luminosamente alertou o país para a sua filiação europeia. Portugal pode bem estar no extremo do continente europeu, pronto a lançar-se ao Atlântico, como precisamente fez no passado, todavia não deixa de estar colado a essa terra firma. Afortunadamente, os ventos da história (e, para nós, sobretudo o 25 de Abril) permitiram o regresso à matriz europeia. Por isso hoje Portugal é – e oxalá assim permaneça por séculos – um bastião do espírito europeu. Felizmente, a Europa conseguiu ultrapassar diferenças milenares, esquecer guerras passadas, e congregar nações de falas diversas em torno de um conjunto de ideais, ao forjar uma União, quase à semelhança da união dos estados americanos, como se o modelo americano tivesse nesse aspeto representado o pagamento de uma dívida de gratidão à Europa. E isso porque, contrariamente ao que muitos europeus estão dispostos a admitir, os Estados Unidos são uma ideia europeia decidida a fazer-se realidade. A modernidade euro-americana foi erguida em torno de um conjunto de valores, noutros tempos referidos como Luzes, ou outros nomes quejandos, consoante as diversas línguas que compõem a complexa manta do tecido europeu. Esses, que têm de prevalecer e será tragicamente prejudicial à Europa, ao Ocidente (que inclui as Américas), e ao mundo em geral, se nos afastarmos deles, ou deixarmos de os ter como ideais norteadores das nossas decisões coletivas. Tais valores são a liberdade, a justiça, o progresso, a verdade (que, na sua vertente natural, significa ciência) e a tolerância. Podem ser frágeis, voláteis, imprecisos, podem não constituir regras sólidas, porque por natureza não são fixos, dependem das circunstâncias, dos desejos, interesses e disposições de cada coletividade, da sua vontade de agir e intervir, de uma miríade de fatores, mas são ideais inultrapassáveis e indescartáveis. Como a mítica décima ilha de Fernão Dulmo, podem não ser nunca atingíveis; têm, porém, de ser um alvo, um ponto de mira para onde devem convergir todos os nossos objetivos e esforços. A Europa não pode vacilar. A Europa não pode abdicar do seu papel. Agora, cada vez mais depurada das mazelas que historicamente criou, ou ajudou a criar, e a que nós portugueses não fomos alheios, porque nada humano nos foi alheio (muito embora nos anos da minha formação e na de tantos que me escutam se tivesse procurado convencer-me do contrário), a única saída é olharmos para o futuro, se queremos tê-lo. Reconheço, ainda assim, que uma coisa é o que na prática é possível conseguir-se, e outra o que almejamos atingir. Por isso, prefiro ater-me aqui ao domínio dos possíveis e não ao do já realizado. Fixarmo-nos numa identidade do passado que nos cola ao que fomos é um erro insustentável; há, portanto, que agarrar-nos a outro conceito de identidade, aquele que nos permite unir-nos em torno de um futuro a construir e a deixar como herança aos nossos filhos.

Hoje, infelizmente, as imagens de marca das cinzentas nuvens açorianas pairam densas sobre o Ocidente, e os ditos valores parecem gerar suspeitas e mesmo descrenças. Valham-nos os países com instituições fortes capazes de continuarem a defendê-los. No nosso caso português, a sua força não vem das instituições criadas na modernidade. Mas, felizmente, temos outras ancestrais. Há que mantê-las sólidas, se bem que abertas ao novo, aos tempos que passarão por cima de nós, e nos cilindrarão se não estivermos atentos e abertos a eles e ao que nos trazem.

É altura de regressarmos a estas terras, as dos Açores e da sua décima ilha, este ano palco da comemoração do Dia de Portugal. Eu, para explicar a americanos o porquê da comoção sentida pela comunidade luso-americana nestas festividades, tenho-lhes dito ser esta data equivalente ao 4th of July, acrescentando que, desta vez é como se o Presidente dos EUA tivesse decidido celebrá-la no Hawaii.

Tenho plena consciência de estar a falar de fora. Ouço com frequência esta crítica, tanto de açorianos como de continentais. Paradigmática, e hoje muito corrente nos Açores, é a afirmação do meu saudoso amigo e escritor Daniel de Sá de que emigrar é a pior maneira de se ficar nos Açores. Respondi-lhe que, se calhar, era a melhor. Na verdade, são dois modos de estar nestas ilhas e ambos proporcionam visões diferentes, porque de ângulos díspares. Mas não posso deixar de falar do meu, que é de fora. Por mais que de dentro me sinta. E eu sinto-me.

Por isso, tendo eu ouvido em 1970 um luso-americano, numa rua de Fall River, recomendar-me que falasse baixinho para ninguém à nossa volta perceber que éramos portugueses, terei necessariamente de fazer notar a longa caminhada que entretanto fizemos. Se bem que sem perder nunca o gosto de se sentir portuguesa, a nossa comunidade, então humilde e envergonhada, cheia do cuidado de não ser percebida como tal, passou a assumir-se como integrada de modo descomplexado no tecido americano. Foi longo, mas sólido, o seu percurso em direção ao tempo desafogado em que hoje vive, desinibida, a ponto de se sentir em casa num espaço intermédio entre a América e os Açores. Em tempos chamei L(USA)lândia a esse espaço – uma ilha portuguesa rodeada de América por todos os lados. Hoje não é mais assim. As fronteiras diluíram-se e ela sente-se tão confortável na América como na sua relação com os Açores e Portugal. Nem os jovens luso-americanos hoje seriam capazes de me entender se eu lhes contasse que, também na década de 70, um bem sucedido luso-americano de nome americanizado me garantiu que com o meu sobrenome terminado em vogal (como a maioria dos nomes dos europeus do sul), eu nunca iria a lado nenhum. Hoje gostaria que ele fosse vivo para lhe perguntar se sabia soletrar Obama. Está aí o Nobel Craig Mello a contradizer a sua ultrapassada teoria. Aliás, longe de ser caso único, muito embora sobrenomes como os de Ernest Moniz, ministro no Gabinete de Obama, e John Dos Passos, esse de origem madeirense, terminem em consoante. (No folclore americano, o apelido do músico John Phillip Sousa era explicado como sendo de alguém cuja origem étnica era desconhecida e que, por ter escrito marchas muito patrióticas deram-lhe um sobrenome que é uma abreviatura de Son Of USA).

Não posso deixar de me regozijar com a dita caminhada que temos percorrido. Nunca na minha vida tinha imaginado que Portugal (sobretudo Lisboa, Porto e Açores) seria um dia tão frequente e encomiasticamente referidos nos media anglo-americanos. De repente, o Portugal tradicionalmente olhado de soslaio pela vanguarda da modernidade que nos precedeu (depois – não esqueçamos – de termos nós aberto espaço para ela em Quatrocentos e Quinhentos) é agora redescoberto como um oásis, como se a tal ilha da Felicidade se tivesse tornado real e encalhasse no litoral europeu mais ocidental. Os portugueses, que sempre gostaram de se lamentar e parecem por vezes não conseguir saborear o que têm, poderão ver na actual invasão mais uma razão de queixa.

* * *

Para respirarmos um pouco, interrompo para uma estória a propósito:

Um cientista social fazia um inquérito junto de portugueses que viveram nos anos antes do 25 de Abril e interpelou um entrevistado: Como era a sua vida naquele tempo? O homem respondeu: Não me podia queixar. Então entrevistador pergunta: E agora, depois do 25 de abril, como se sente? Resposta pronta: Bom, agora eu posso queixar-me.

Não estou longe de terminar. Tenho a noção clara de estar a demorar-me um pouco, todavia obtive a tolerância do Senhor Presidente da República. Na tradição do que tem sido feito neste dia, cabia-me falar também logo em Boston. No entanto disse ao Senhor Presidente que nos EUA a comunidade portuguesa não me quer ouvir a mim, mas a ele. Então optei por consolidar aqui as duas intervenções previstas pelo Senhor Presidente. Serei, porém, mais breve do que se falasse nas duas ocasiões.)

* * *

Lá de fora, nós sentimos como um afago todo este inusitado interesse por Portugal e pelos Açores em particular. E bem gostaríamos que ele fosse mais do que apenas uma descoberta de Portugal como paraíso de férias e aposentação. Queremos o reconhecimento de um Portugal que abriu rotas para as mais diversas partes do planeta, e agora bem poderá reassumir esse seu papel de rampa de saída de pontes sobre o Atlântico. Transformado em país moderno e aberto, por enquanto alheio aos grandes conflitos que assolam outras partes do globo, o nosso jardim à beira-mar plantado talvez possa constituir esse espaço privilegiado. Talvez se revele uma ágora grega de encontro de culturas, um polo dinamizador a fortalecer a ligação entre a Europa e a América, utilizando os Açores como trampolim – papel desempenhado pelo arquipélago ao longo de meio milénio. Se o debate sobre os mares atualmente em curso reverter a nosso favor, bem poderemos ver a superfície dos Açores alargada de modo exponencial, e estas ilhas, sempre lugar de pouca terra e muito mar, passarem a ser uma espécie de mapa, um mapa azul, sem os problemas do antigamente chamado mapa cor-de-rosa, antes, ao contrário, de horizontes largos e promissores. Então o oceano envolvente passará a verdadeiro Rio Atlântico.

Não tenho ilusões sobre o português como língua franca, porque esse seu tempo passou, mas vejo ainda assim um lugar para ela. Bom seria que em português nos entendêssemos com os outros países lusófonos, sobretudo os atlânticos, e conseguíssemos ultrapassar preconceitos acumulados ao longo dos séculos, muitas vezes por culpa nossa, pois tanto fomos descobridores como colonizadores e subjugadores. Os tempos são outros e está no próprio interesse de todos nós reunirmo-nos, porque poderemos constituir uma força e uma voz. Não será necessário embarcarmos na preconizada jangada de pedra de Saramago. Podemos continuar fixados nesta geografia onde hoje estamos, e servir novamente de elo de ligação, permitindo a cada país lusófono que segure os seus próprios interesses e descubra a importância da unidade, de modo a não acabarmos todos dominados pelos gigantes mundiais de hoje, sobretudo o anglófono. E aqui de novo a presença açoriana nos EUA pode entrar como um pilar nessa rede de pontes.

Um dia, no início de um ano letivo, entrou no meu gabinete na Brown um jovem com cara de indiano. Falando português com sotaque brasileiro, interpelou-me em tom interrogativo mas algo frustrado: Nasci em Goa. Em 1961, com a invasão da União Indiana, a minha família emigrou para Moçambique. Criança que era, não entendi nada. Em 1975, com a independência de Moçambique, deu-se nova fuga, mas para o Brasil. Eram já três continentes e eu estranhamente sempre num universo português. Achei que bastava, que deveria fugir, e quis fazer uma pós-graduação numa universidade americana. Cheguei ontem a Providence; esta manhã, ao abrir a janela do meu quarto, ouvi falar português na rua. Pensando que estava a sonhar, debrucei-me e deparei com um grupo de homens fumando e de facto falando português. Perguntei como era possível eu viver em quatro continentes e não me libertar do espaço português. Um deles, quando soube que eu vinha estudar para a Brown, recomendou que eu viesse ter com você e pedisse para explicar pra mim como é que isso é possível.

Tal como esse jovem goês/moçambicano e brasileiro, é inevitável a rede em que todos crescemos. Não é a língua que nos molda, como muitas vezes se repete, mas é ela que delimita as malhas das redes em que nos movemos. Esse é outro dado incontornável que os países lusófonos deveriam considerar seriamente. Nada disto tem a ver com neocolonialismo; quando muito, terá a ver com o desejo, ou a necessidade, de se evitar o colonialismo do mundo anglófono sobre nós. Esta é mais uma visão de fora, eu sei, mas impossível não notá-la e lembrá-la aos de dentro.

Não quero minimizar a importância da língua. É ela que nos leva mais fundo nas idas e voltas permitidas por este molho de afetos que nos proporciona a cultura, a grande força que nos une – e refiro-me à cultura no sentido latino, a do todo resultante da intervenção dos seres humanos na natureza. É a nossa e, por ser nossa, é mais doce do que as outras, como eu percebi uma vez quando de mim se veio despedir um emigrante de S. Jorge que, após uma temporada de trabalho duro na América, regressava à sua paradisíaca ilha. Dizia-me ele: Antes de vir para a América, vivi sete anos em França, mas nunca consegui aprender nada de francês. Dez anos na América ainda foi pior porque o meu ouvido era avesso ao inglês. Não sei porquê, mas o português caiu-me bem.

Se não me tivesse alongado já demasiado, terminaria lendo o escrito, meio em português meio em inglês, de uma aluna da escola portuguesa de East Providence, Rhode Island, onde tem como professora uma luso-americana que um dia nos apareceu na Brown dizendo que sempre quisera estudar português para poder conversar com a avó. Hoje fala e escreve fluentemente a nossa língua, além de a lecionar. Do precioso escrito dessa sua aluna, a Camilla Watts, citarei apenas a frase My avós house is my beautiful haven. A casa dos meus avós é o meu lindo aconchego. Essa casa é, afinal, uma das milhentas bases portuguesas espalhadas pela América, da Costa Leste (New Jersey incluída) até à Califórnia e hoje até a Flórida. E, cada vez, mais muitos destes jovens querem reatar a sua ligação com Portugal. O caso mais recente na minha experiência pessoal foi o de um sobrinho meu, nado nos EUA, que, precisamente quando eu escrevia este texto, felicíssimo, me comunicou ter obtido a cidadania portuguesa para si e para a filha.

Tudo o que disse acaba afinal apenas validando a magnífica intuição do nosso muito estimado Presidente da República, aqui simbolicamente representando uma cultura secular de dentro e fora de muros europeus, ao decidir celebrar este Dia de Portugal num espaço alargado, o mapa azul português voltado para a sua vocação natural: o mar – o Atlântico e o seu além. Deste lado ilhéu e do lado de lá do rio Atlântico, milhares de portugueses rejubilam, como o Senhor Presidente testemunhará amanhã com os seus próprios olhos. Tivesse tempo bastante e ainda testemunharia mais, porque só vai chegar à América de baixo. Há ainda a “de cima”, como se diz na Califórnia. E o Hawaii. É que agora não se trata de se mais mundos houvera lá chegara, do verso de Camões, mas se mais tempo houvera, mais portugueses encontraria. Daqui dos Açores, esse espaço para Ocidente vislumbra-se melhor. É vasto, aberto e cheio de promessas e esperanças. Saibamos nós torná-las realidade.

ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA

HISTÓRIA DA ELECTRICIDADE EM PORTUGAL

terça-feira, 12 de junho de 2018

"Ensinar e aprender: de herdeiros a deserdados"

Pela análise que faz do estado da educação escolar e pelo interesse que isso tem, reproduzimos abaixo um texto de Margarida Miranda, professora de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, publicado hoje aqui (Isaltina Martins e Maria Helena Damião).

Ensinar e aprender: de herdeiros a deserdados
 
Para os heróis de 68, a maior conquista foi o descrédito da autoridade e a rutura com a tradição. Como se autoridade se opusesse a liberdade; como se o aluno não tivesse nada para receber. E assim os herdeiros de outrora deram lugar a deserdados solitários. 
Descrédito da transmissão da cultura 
O discurso pedagógico dos nossos dias exalta o protagonismo do aluno. Um professor com “atitude magistral” põe limites, diz-se, à espontaneidade do estudante e impede a sua criatividade. Na escola do futuro há que retirar a palavra ao professor e dá-la ao aluno. Para quê ler livros? Cada aluno é um potencial artista, intelectual, político, cientista, economista… e deve descobri-lo pelos seus próprios meios. Para quê sobrecarregar a memória, se está tudo no Google?… Os que somos professores sabemos que magistral (do latim magister, ‘professor’, ‘mestre’) é algo que está colado a ‘autoridade’. Destoa das qualidades do professor ideal. A aula magistral despreza o aluno e não o deixa acreditar nas suas próprias capacidades. Como se o aluno não tivesse nada para receber; como se autoridade se opusesse a liberdade. 
Mais ainda, ouvimos dizer que a escola é o lugar da reprodução social; e que transmitir conhecimentos é alinhar com o sistema, legitimar desigualdades e assegurar hegemonias sociais. Ou seja, possuir convicções firmes e pretender transmiti-las é visto como forma de opressão que prejudica a aprendizagem (a menos que as convicções não provenham da ciência mas antes de ideologias indiscutíveis, que vieram substituir o dogma). 
Num livro de 1964 que se tornou um clássico da sociologia da educação e que ainda hoje faz escola (Os Herdeiros: Os Estudantes e a Cultura, 1964), P. Bourdieu e J. C. Passeron pretenderam demonstrar a relação estreita entre desigualdade social e desigualdade escolar. Na origem das desigualdades estava a herança cultural. A primeira consequência dessa acusação foi o descrédito da transmissão da cultura na escola. Para estes sociólogos, transmitir a cultura era desenvolver o capital ao serviço da divisão de classes; era fazer dela um instrumento do sistema e das suas injustiças. Herdeiros eram precisamente todos aqueles que pactuavam com o sistema e perpetuavam o mal. 
A rutura com a tradição 
P. Bourdieu não foi um pensador isolado. A sua doutrina esteve por detrás da revolta estudantil de Maio de 68, que incidia precisamente na crítica destrutiva contra a educação, a cultura e a própria ideia de autoridade. Assim se gerou uma onda de mudanças com consequências sobretudo no modo de entender a educação. Cabelos compridos, mini-saias, libertação sexual e idolatria de tudo o que fosse “juvenil” eram apenas a espuma de uma realidade mais profunda e de efeitos muito mais complexos: para os heróis de 68, a maior conquista foi o descrédito da autoridade e a rutura com a tradição, que embaraça o génio de cada um. 
Aparentemente vivemos numa sociedade auto-referenciada, que julga saber muito por dominar os meios de informação, mas desconsidera o passado e julga que tudo começou agora. Não tem lugar para a memória nem para o Outro, ocupada que está com a sua própria satisfação. Prefere as selfies à foto de família, em que as gerações se encontram. A autorreferencialidade não só desvaneceu o sentido do devir geracional, como também desagregou os laços sociais que uniam os indivíduos às suas redes naturais de pertença. Anulou o seu sentido de responsabilidade mútua. E assim os herdeiros de outrora deram lugar a deserdados solitários. 
Deitar fora o bebé com a água do banho 
Marcelo López Cambronero y Feliciana Merino, Mayo del 68: cúentame cómo te ha ido. Conversaciones (Madrid, Encuentro, 2018) abordam a revolução de 68 a partir de 10 entrevistas a outros tanto protagonistas daqueles acontecimentos. Diferentes pontos de vista chegam a resultados comuns: os heróis de 68 buscavam fantasias utópicas para denunciar o sistema asfixiante em que estavam enclausurados. Mas acabaram por “deitar fora o bebé com a água do banho”. É certo que venceram o autoritarismo, mas à custa de derrubarem a autoridade; com o deslumbramento da liberdade derrubaram a noção de compromisso, e com o fim das hierarquias derrubaram a capacidade de organização. Sem todas aquelas barreiras, veio o capitalismo mais consumista e tomou o poder. Cada indivíduo é agora obrigado a consumir e, manipulado pela publicidade, procurar de prazer em prazer uma satisfação inalcançável, sem encontrar mais do que “pequenos chutes de satisfação temporária”. 
Até que venham novos autoritarismos e tomem conta da História – e eles já aí estão, ora naqueles que não sabem perder debates, ora nos inquisidores de livros infantis e de campanhas publicitárias… 
Herdeiros ou deserdados? A diferença entre o professor e o Google 
Educar significa etimologicamente guiar, conduzir a uma meta. Que resta da educação quando o educador já não guia? E se o educador é guia, como pode ignorar o Norte e o Sul, neste mundo supercomplexo que é o nosso? O que é um educador destituído de autoridade? Ou o que é um pai que se limita a ser companheiro do filho? O que é um filho privado do património dos pais? 
Filhos sem património são filhos deserdados. Gerações privadas da cultura que as precedeu são gerações órfãs. Assim, se a escola de Bourdieu se limitava a produzir ‘herdeiros’, o que fazem hoje as nossas escolas? A escola que resiste à transmissão da cultura mais não faz do que produzir gerações de deserdados. 
François-Xavier Bellamy escreveu sobre essa geração de deserdados (Les Déshérités ou l’Urgence de transmettre, Plon, 2014), num livro em que convida a recuperar a relação entre as gerações[1]. 
Os deserdados são a geração de jovens que não lê, que tem medo dos compromissos, fortemente individualista, que se deixa manipular facilmente, alimentada apenas de referentes efémeros e atraída por escassos slogans que preenchem de repente o desconforto do seu próprio vazio. 
Transmitir cultura não é pôr os filhos ou os alunos a reproduzirem uma cassete dos pais ou dos educadores. É educar de modo a que os filhos possam ser livres, dando-lhes o melhor que possuímos da nossa cultura e do património que herdámos e recriámos. Um aluno não é mais livre sem professor; pelo contrário, sujeita-se a ser usado. O professor dar-lhe-á as condições para que possa fazer escolhas mais livres na sua própria busca da verdade – sem se deixar instrumentalizar por interesses. Essa é a diferença entre o professor e o Google. 
Para quê estudar história, literatura, geografia, filosofia se está tudo no Google? Memorizar, em tempos de Google?! 
Em português diz-se “decorar”: guardar no coração. A memória do PC quanto mais se enche menos funciona. Não é assim a nossa memória: quanto mais memorizamos melhor aprendemos. Por que a subestimamos tanto? A cultura não é um armazém de bagagem indistinta que levamos numa mala atafulhada. Não é algo exterior que se leva na mão; faz parte de nós, enriquece-nos, dá-nos ser. Não é um capital que se perde à medida que o repartimos. Pelo contrário, é algo vivo, que aumenta quando se transmite. A tecnologia armazena a cultura, mas não possui a chave do seu próprio armazém. Para aceder à chave da transmissão é preciso um mediador, um mestre, que seja capaz de informar e também de formar. 
Este encontro de gerações nunca foi fácil e hoje também não o é. É possível que hoje o professor veja o seu saber imediatamente contestado em sala de aula por uma pesquisa realizada no motor de busca de um smartphone. Mas cabe-lhe a complexa missão de ensinar a distinguir o trigo do joio, no mundo da informação. Do professor espera-se mais do que informação; espera-se formação. Espera-se que elabore a informação e eduque na busca da verdade, da justiça e do bem, no respeito, na ordem e no diálogo. Espera-se que, em lugar do indivíduo (o consumidor / produtor) saiba valorizar a pessoa que se relaciona, que ama, chora e perdoa. Para isso tem de recuperar a autoridade que a sociedade muitas vezes lhe nega. 
Anões aos ombros de gigantes 
Essa autoridade chega-lhe de todos quantos o precederam. A metáfora de Bernardo de Chartres continua poderosa: se hoje conseguimos ver mais longe do que no passado, não é por sermos mais altos, ou por termos uma visão de maior alcance. É por termos subido aos ombros dos gigantes. Se vemos mais do que Aristóteles e Descartes, é graças a eles. 
Vamos deserdar os nossos filhos? Vamos despojá-los das alturas de onde se vê?
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[1] Lutando contra a transmissão e a herança, escreve, criámos uma geração muito frágil, com acesso à internet mas de alma vazia. E a alma vazia deixa-se encher por todo o tipo de extremismos perigosos, a começar pelo jihadismo. Sim, é verdade que a história conheceu muitos criminosos cheios de cultura. Mas a falta de cultura está a gerar desumanidade. Bellamy examina alguns casos de terroristas da yihad que foram educados em França (como recentemente em Liège, na Bélgica). Não são nunca muçulmanos de grande cultura corânica, enraizados numa tradição. São europeus de fundo nihilista, seduzidos por slogans islâmicos.