quarta-feira, 15 de agosto de 2018

"Ciência e Literatura" no IV Festival Literário de Ovar

No próximo dia 16 de Setembro, pelas 15 h, estarei à conversa sobre "ciência e literatura" com a poeta, crítica literária e ensaísta Maria João Cantinho no IV Festival Literário de Ovar, uma iniciativa da Câmara Municipal de Ovar.

O coordenador do Festival, Carlos Nuno Granja, apresenta-o assim;

"A quarta edição do Festival Literário de Ovar  (FLO4) vem revelar a consolidação de um evento com cariz alternativo no panorama nacional dos eventos literários. A sua proximidade com os
leitores, num ambiente informal e descontraído, em que a leitura realizada vai ao encontro
dos interesses comuns de todos os participantes. O seu ambiente informal e a envolvência
descontraída facilitam um convívio mais generalizado, de grande proximidade entre os
escritores e os leitores. Este evento busca a promoção e a consolidação da leitura, afirmando a
importância da literacia na construção de uma identidade e do pensamento livre em constante
reflexão, algo que só os livros nos pode conceder.

A continuidade da aposta na cultura e num evento literário dão corpo a uma visão mais
abrangente da atualidade e da constante evolução dos nossos tempos. A literacia, a nossa
literatura deixou um legado único no mundo. Somos um país de poetas, de gente que sempre
soube mostrar os sentimentos pelas palavras.

Assim, deixamos o convite para que participem no FLO4, que assistam às conversas, que
acompanhem as diversas atividades. Serão quatro dias de grande amizade, com os livros, entre
os livros, para todos."


Por que caem as pontes?


A propósito da queda da ponte em Génova, Itália, transcrevo aqui o meu artigo relativo à queda da ponte de entre os Rios que saiu no meu livro "A coisa mais preciosa que temos (Gradiva, 2002; está esgotado):


Desde que o homem existe sobre a Terra que vê os objectos caírem para a superfície do planeta, atraídos sem dó nem piedade pela força da gravidade. Mas só desde há cerca de trezentos anos, com os trabalhos de Galileu e Newton, é que se conseguiu, em primeiro lugar, descrever os movimentos de queda e, em segundo lugar, compreender as causas desses movimentos.

Também desde que o homem existe sobre a Terra que faz edifícios e pontes de modo que eles não caiam logo. A tecnologia da construção que permitiu as pontes romanas ou as catedrais da Idade Média foi de base empírica. Construía-se e, se a construção não caísse, então... ficava de pé. Experimentava-se tal como se faz ao provar um produto culinário. O conto de Alexandre Herculano sobre a abóbada da Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha é elucidativo: o arquitecto Afonso Domingues teria permanecido debaixo da abóbada para se certificar da respectiva segurança. Segundo um estudioso das catedrais góticas, as construções que não caem nos primeiros cinco minutos não cairão nos seguintes quinhentos anos... Talvez seja verdade para edifícios de pedra fundados em rocha firme. Mas há excepções, como a Torre de Pisa, erguida no século XVI e emblematicamente associada a Galileu, que não caiu nos primeiros cinco minutos mas, que devido a inconsistências do solo, tem vindo a cair desde então. Não fora a tecnologia moderna que hoje a segura e cairia rapidamente.

A tecnologia de fazer e manter edifícios e pontes – a Engenharia Civil – conheceu forte expansão nos séculos XVIII e XIX pelo simples facto de se ter percebido que a mecânica de Galileu e Newton, com as mais-valias introduzidas por outros cientistas como Hooke, Cauchy, Young, etc., permitia efectuar cálculos de forças e, portanto, conhecer antecipadamente a estabilidade estrutural de uma dada “obra de arte” (curiosa esta expressão usada em Engenharia Civil mesmo para as obras cuja fealdade é evidente). A física, cuja linguagem natural é a matemática, permitiu prever não só se uma obra teria a devida segurança mas também escolher os materiais mais adequados para a construir e a melhor maneira de ligar a forma com a função (assegurando uma verdadeira vertente estética). Como disse Franklin Guerra, em “História da Engenharia em Portugal”, edição do autor de 1995, o Eng. Edgar Cardoso passou de comboio na primeira travessia da sua ponte de S. João, no Porto, com a mesma segurança com que Afonso Domingues se teria colocado no centro da sala capitular (manda a verdade dizer que foi o mestre francês Huguet o provável autor da abóbada onde Herculano decidiu colocar Domingues, o arquitecto-geral da obra).

No século XIX, o ferro passou a ser material de construção das pontes, complementarmente à pedra ou mesmo substituindo-a totalmente. Sintomático da importação que fizemos da Revolução Industrial chegou cá talvez seja o facto de terem sido engenheiros franceses (vide o caso de Gustave Eiffel, autor da ponte de Maria Pia, no Porto) e ingleses que projectaram muitas das pontes portuguesas erguidas nesse século (a ponte de Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva, que desabou em 2001 não é excepção). Segundo Franklin Guerra:

 “Durante todo o século do ferro, o país vegetou numa quase total dependência em matérias-primas, equipamentos mecânicos e matéria cinzenta.”

Claro que avançámos... mas os outros países avançaram ainda mais. Talvez seja também sintomático das nossas debilidades estruturais o facto daquela que até há pouco era a maior das nossas pontes – a Ponte 25 de Abril - ter sido erguida, durante o Estado Novo, por tecnologia norte-americana, incorporando embora uma parcela nacional. E é também elucidativo o facto de, no desastre ocorrido durante a construção da ponte Vasco da Gama, terem morrido quase só engenheiros e operários estrangeiros (os últimos africanos).

A velha ponte de Maria Pia não caiu, embora tenha sido substituída pela ponte de São João. As modernas Ponte 25 de Abril e Ponte Vasco da Gama (esta última é a nossa maior e a segunda maior da Europa) aí estão impecavelmente de pé. Assim como estão no ar as outras pontes do Eng. Edgar Cardoso. Por que caiu então a ponte de Entre-os-Rios?

Caiu porque nada é eterno, nem as pontes. Os materiais corroem. Os defeitos alstram. As fundações fragilizam. O remédio é estar atento e vigiar, reparar e substituir. No Porto, a ponte de Maria Pia foi substituída a tempo e, em Lisboa, a Ponte 25 de Abril tem sido reparada (de resto, tem alternativa na Ponte Vasco da Gama). O engenheiro J. E. Gordon, autor do interessante livro ”Structures or Why Things Don’t Fall Down”, Penguin, 1978, põe o dedo na ferida:

Todas as estruturas acabam quebradas ou destruídas – tal e qual como as pessoas, que acabam por morrer. O propósito da medicina e da engenharia é adiar estas ocorrências por um intervalo de tempo decente”.

A ponte de Entre-os-Rios viveu mais de cinco minutos e menos do que quinhentos anos: apenas pouco mais de cem anos. Será um tempo de vida decente? Não. Foi indecente a morte que teve e as mortes que causou. O acidente, como muitos outros, foi perfeitamente escusado. Não tendo havido defeito óbvio de construção nem sendo os materiais desadequados de todo, a vigilância e a reparação da ponte foram pura e simplesmente insuficientes. Não serve dizer que a ponte foi feita há mais de um século para diligências a cavalo: a ponte de Maria Pia também não foi feita para os modernos comboios, mas foi primeiro reparada e depois substituída. Também não serve dizer que há desastres naturais imprevisíveis (“os actos de Deus”, como se dizia nas antigas apólices de seguro), pois as cheias do mesmo rio não levaram outras pontes, obviamente mais preparadas para as intempéries. O que aconteceu era, pelo menos para alguns, perfeitamente previsível. O fim da velha ponte era tão previsível que havia planos, infelizmente adiados, para erguer uma nova ponte.

A queda da ponte é, afinal, um indicador da falta de cultura científica e tecnológica. Importámos a ciência e a tecnologia mas não as interiorizámos, não as colocámos de forma consequente ao serviço das nossas vidas. Confiamos demais na sorte. Ignoramos que a ciência e a tecnologia fazem previsões a respeito do mundo e que, com isso, podemos acautelar o nosso futuro. Claro que não se faz isso com absoluta certeza mas sim, o que já chega, com suficiente probabilidade. O engenheiro J. E. Gordon, muito antes da queda de pontes portuguesas, tem no livro citado uma secção intitulada “O design do engenheiro como teologia aplicada”, cuja adequação ao caso da ponte de Entre os Rios é evidente. Apesar do extracto ser longo, vale a pena trancrever:

“Em quase todos os acidentes temos de distinguir dois níveis de causas. O primeiro é a razão imediata, técnica ou mecânica para o acidente; o segundo é a razão humana subjacente. É bem verdade que o design não é uma coisa muito precisa, que acontecem coisas inesperadas, que ocorrem erros genuínos, etc., mas na maior parte dos casos a razão ‘real’ de um acidente é um erro humano que se pode prevenir.

Está hoje na moda supor que o erro é uma das coisas pelas quais não é justo acusar as pessoas, que, no fim de contas, fazem ‘o seu melhor’ ou são vítimas da sua educação e do seu ambiente, ou do sistema social, etc. Mas o erro oculta-se naquilo que não está na moda chamar ‘pecado’ (...) Muitos poucos acidentes ‘acontecem’ de um modo moralmente neutro. Nove em cada dez acidentes são causados não por efeitos técnicos mais ou menos abstrusos, mas pelo velho e relho pecado humano, que às vezes roça a pura malvadez.

(...) São pecados sórdidos como o descuido, a inacção, o não-pergunto-nem-preciso-de-aprender, o ninguém-me-pode-dizer-nada-sobre-o-meu-trabalho, o orgulho, a inveja e a cupidez que matam as pessoas (...) Sob a pressão do orgulho e da inveja, da cupidez e da rivalidade política, só se atende às miudezas do quotidiano. As avaliações gerais, o primado da engenharia, acabam por se tornar impossíveis. As coisas tornam-se imparáveis e deslizam para o desastre à vista de todos. Assim se cumprem os desígnios de Zeus”.

No rio Douro não se passou uma tragédia grega mas uma tragédia portuguesa. Passou-se uma tragédia muito nossa, que tem raízes fundas na nossa história. Se fizermos uma avaliação geral, reconheceremos tratar-se apenas e infelizmente de parte de uma tragédia maior que é a ignorância continuada das leis do funcionamento do mundo.

Prémio Ler+

Prémio Ler+ tem por finalidade reconhecer trabalhos realizados em prol do desenvolvimento e da melhoria das competências de leitura, do fomento do gosto pela leitura e pela escrita, contribuindo assim para o aumento e consolidação dos hábitos de leitura dos portugueses.

Instituído pelo Plano Nacional de Leitura, (PNL2027), o prémio, que se propõe galardoar pessoas ou entidades que pela sua excelência se destacam nestes domínios, conta com o patrocínio exclusivo da Fundação La Caixa e do BPI, no valor de 10.000 euros. 

As candidaturas estão abertas, entre os dias 18 de julho e 30 de setembro, a todos os que pretendam concorrer ao Prémio Ler+, em conformidade com o regulamento publicado.

Os resultados serão divulgados na conferência anual do PNL, que se realiza no próximo dia 31 outubro.

Na expectativa de que a 1.ª edição do prémio possa vir a ter uma adesão alargada, apelamos à participação dos interessados, na convicção de que são muitos os que reúnem condições e qualificações para se candidatarem.

Contamos igualmente com a colaboração de todos na divulgação desta iniciativa, incentivando colegas e amigos a submeter os seus trabalhos ao Prémio Ler+.

"Ciência, pseudociência e não ciência" no Congresso dos Psicólogos Portugueses

No próximo dia 12 de Setembro, pelas 18 h, estarei no Forum Braga no IV Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses para uma "psitalk" sobre o tema de cima. O programa do do Congresso está aqui.

Comentários sobre a queda da Universidade de Coimbra no ranking de Xangai

Nem sempre estou de acordo com Fernando Pacheco-Torgal, um engenheiro civil da Universidade do Minho formado na Universidade de Coimbra, que me enche a caixa do correio de emails. Mas desta vez estou. Os comentários dele, que transcrevo abaixo, sobre a resposta do Reitor de Coimbra são acertados:

- Outras universidades nacionais com dimensão menos do que a de Coimbra permanecem no top 500.
- A subida das universidades asiáticas afectará a posição de todas as universidades europeias e não apenas a de Coimbra.

Pacheco-Torgal fala da falta de "Highly cited researchers" in Coimbra nos tempos mais próximos (nem sempre foi assim). Isso deve-se a falta de uma política agressiva de contratações de jovens que se distinguem no seu trabalho científico. A ênfase da administração da Universidade de Coimbra é colocada na burocracia, designadamente nas regras dos concursos em vez de fazer como outras Universidades nacionais que procuram activamente talentos. Só com jovens cientistas de grande talento é possível assegurar uma dinâmica da investigação científica e há vários Departamentos em Coimbra onde não vemos entrarem jovens há muito tempo.

Ainda um outro ponto sobre os rankings. Valem o que valem, mas a Universidade de Coimbra andou a ufanar-se da sua posição dos rankings: ainda recentemente se ufanar com as estrelas do ranking QS, referido em baixo. Agora não pode distanciar-se dos rankings. Quer se queira quer não eles existem e o de Xangai não é dos piores.

Emails de Pacheco-Torgal:

.  "Um extenso artigo hoje nas páginas 6 e 7 do jornal Público tenta explicar porque razão a Univ. de Coimbra desceu no ranking Xangai. Tenha-se presente que há um mês atrás, escrevi no email abaixo, que o pagamento que aquela mesma Universidade andou a fazer a uma firma de consultoria para subir no ranking não impediria que a mesma descesse ao invés de subir.

No artigo o Reitor daquela Universidade mostra-se confiante que para o próximo ano o resultado será melhor e tenta explicar que a chatice que agora teve lugar se fica a dever ao tamanho da instituição, pois como os seus competidores tem produtividade similar são favorecidos aqueles de maior dimensão, explicação bizarra pois as universidades de Aveiro e do Minho, que continuam no Top 500 têm menor dimensão que a de Coimbra. Diz também que os resultados se devem à entrada de novas universidades da China mas não diz porque é que esse facto não levou à saída das universidades de Aveiro e do Minho mas somente à saída da Universidade de Coimbra !

Curiosamente o artigo não menciona (talvez a jornalista se tenha esquecido dele) o segundo critério utilizado na ordenação, o número de "Highly Cited Researchers". A universidade melhor classificada neste ranking têm 109 HCR. https://clarivate.com/blog/news/clarivate-analytics-names-worlds-impactful-scientific-researchers-release-2017-highly-cited-researchers-list/  Curiosamente a Universidade de Coimbra não possui nenhum investigador dessa categoria ao contrário do que sucede com as universidades de Aveiro e do Minho e essa é pergunta que interessa fazer. Porque será que a Universidade de Coimbra não têm nenhum HCR ? Pergunta essa porém que o jornal Público preferiu não fazer.

É verdade que não é barato contratar um cientista que tenha um prémio Nobel no currículo (tema que é abordado pelo Reitor da Univ. de Lisboa no mesmo artigo) porém será por certo mais barato contratar um ou dois Highly Cited Researchers ? Talvez fizesse muito mais sentido essa alocação de verba do que andar a pagar a firmas de consultoria, despesa que não impediu a descida no presente ranking da Universidade de Coimbra.



De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 2 de Julho de 2018 8:34
Assunto: O vice-reitor explica

No Sábado um certo vice-reitor de universidade que prefiro não identificar, pois que em face da noticia em causa, me envergonho de me lá ter licenciado no inicio da década de 90, resolveu dizer numa certa imprensa paga maravilhas do ranking QS (aquele ranking comentado noutros emails meus) e muito pior do que isso explicar que aquela universidade é uma das contribuidoras para os lucros da empresa que elabora tal ranking para assim poder ter direito a uma série de estrelas. Explica o vice-reitor que o pessoal da firma que elabora o ranking, gente que sabe de rankings a potes e como bem subir neles, deu a receita após ter recebido o pagamento (ou depois já que o artigo não é claro neste detalhe) depois a Universidade aplicou a receita, voltam os tais especialistas para nova auditoria e toma lá 5 estrelas, confirmadoras de que se atingiu o firmamento da qualidade universitária. Note-se que estas 5 estrelas não garantem que noutros rankings a referida universidade não possa descer em vez de subir, mas isso é pormenor irrelevante pois o ranking da QS é que conta até porque têm estrelas e os outros não.

Desde logo é caricata a assunção que uma universidade como aquela onde há especialistas de craveira internacional nas mais diversas áreas não sabe qual a receita para se subir num ranking.  Sabendo-se também que há rankings de elevada qualidade que fazem o serviço de borla é espantoso que haja quem não se importe de pagar para estar em ranking de baixa qualidade. Talvez seja um caso de dinheiro a mais ou inteligência a menos. Ou o inverso. Se trabalhasse naquela universidade sentir-me-ia enxovalhado pelo acto e quero crer que aqueles que naquela instituição têm desempenho de elevadíssima qualidade não merecem que a sua reputação seja enxovalhada porque associada às estrelas sem brilho daquele ranking. 

Acho importante ressalvar que nos comentários acima parti sempre do principio que a verba que a referida universidade pagou à firma que elabora o tal ranking foi verba que não saiu do Orçamento de Estado. Tivesse eu conhecimento ou a profunda convicção que um milésimo de um cêntimo do dinheiro dos meus impostos tivesse sido utilizado no referido pagamento e teria que ampliar ainda mais o meu direito de opinião para ir de encontro ao vertido naquele Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça 3017/11.6TBSTR.E1.S1 onde se escreve sobre a crítica contundente, sarcástica, mordaz, com uma carga exageradamente depreciativa ou caricatural e com o uso de expressões agressivas ou virulentas pois este país não merece ter responsáveis universitários que acham que os dinheiros públicos são para ser gastos com tanta falta de inteligência. Se é assim que se gasta o dinheiro nas universidades imagine-se o que se fará noutras instituições públicas onde não existe sequer um milésimo da massa cinzenta !​

Para terminar e a custo zero aproveito para dar conselho ao referido vice-reitor para subir nos rankings. Trate de reduzir a endogamia pois é a diversidade que contribui para o impacto como se explica abaixo
Wagner, C. S., & Jonkers, K. (2017). Open countries have strong science. Nature News, 550(7674), 32.
Clauset, A., Larremore, D. B., & Sinatra, R. (2017). Data-driven predictions in the science of science. Science, 355(6324), 477-480.
E no entretanto enquanto não conseguir reduzir a endogamia peça aos professores e investigadores da sua universidade que tentem colaborar com professores e investigadores das melhores universidades do mundo. Como alguns já o fazem é só perguntar-lhes a receita pois estou certo que eles não lhe cobrarão nada por ela."

Fernando Pacheco-Torgal

BEN GOLDACRE CONTRA A "CIÊNCIA DA TRETA"

O médico britânico, autor de "Ciência da Treta", virá brevemente a Portugal. Eis aqui o seu TED talk sobre "Combater a Ciência da Treta":

 

Entrevista do historiador João Oliveira e Costa ao Sol sobre o Museu dos Descobrimentos



https://sol.sapo.pt/artigo/622391/joao-paulo-oliveira-e-costa-antes-dos-descobrimentos-nenhum-ser-humano-sabia-como-era-o-planeta

AVIGNON E COIMBRA: UMA COMPARAÇÃO IMPOSSÍVEL



Coimbra é uma cidade mas gerida  que continua a dever muito a si própria. Meu artigo de opinião saído há dias no Diário de Coimbra, onde ensaio uma breve comparação com Avignon, que visitei recentemente:

A cidade francesa de Avignon é do tamanho de Coimbra (tem cerca de 90 000 habitantes) mas, nesta altura do Verão, está cheia de cultura e turismo. Estive lá há pouco tempo como convidado dos Rencontres Récherche et Création do Festival de Teatro de Avignon e encontrei muita gente, a maioria jovem, por todo o lado, incontáveis cartazes de espectáculos (eu nunca vi tanto cartaz, pendurado em tudo o que era sítio!), música e dança na rua, restaurantes, cafés e esplanadas a abarrotar, alfarrabistas e feiras ao ar livre, etc. Compare-se com Coimbra por esta altura e a diferença é flagrante.  A cultura em Coimbra pode-se considerar encerrada para férias e o turismo é reduzidíssimo em relação ao que poderia ser.

Avignon tem uma universidade fundada em 1303, pouco depois da de Coimbra, que é de 1290 (de facto a Universidade só chegou a Coimbra em 1308), mas hoje é menor do que a nossa. A cidade é Património Mundial da UNESCO, devido principalmente ao imponente Palácio dos Papas, que é o centro da urbe medieval. Foi Capital Europeia da Cultura em 2000. Organiza desde há 70 anos o festival de teatro mais conhecido do mundo, onde já passaram alguns dos maiores artistas dramáticos francófonos e não só. Vi uma tragédia de Séneca no pátio do Palácio dos Papas, onde estavam duas mil pessoas: esgotou tal como nos outros dias (num deles houve transmissão directa pela TV France 2). Todos os jornais e revistas francesas falaram da encenação inovadora do jovem Thomas Jolly, que esteve nos Rencontres em diálogo com outros artistas e com cientistas.

Avignon é governada pelo PS local, mas qualquer comparação com o PS de Coimbra revela-se impossível. Quer dizer, possível é, mas não faz muito sentido porque Avignon está bastante à frente. Avignon tem sido bem governada. A sua estação de comboios  bate de longe Coimbra B: basta dizer que não se passa por cima das linhas. E existe uma outra estação, fora do centro, servida pelo TGV, que faz uma ligação rápida à capital. Tem um aeroporto perto, mas o aeroporto internacional de relevo é o de Marselha, a uma hora de comboio, havendo muitos ao dia a funcionar pontualmente, O site do turismo muito pouco a ver com o nosso. As lojas de souvenirs estão nos antípodas das de Coimbra.

A ligação do turismo com a cultura existe, em Avignon como em qualquer cidade do mundo (eu fui lá por causa da cultura!), mas é óbvio que a cultura está longe de se reduzir ao turismo. Em Coimbra as duas áreas estão unidas na mesma vereação, cujo discurso se tem centrado no turismo, relegando a cultura para segundo plano. O mesmo risco se corre agora na Universidade de Coimbra, quando a “pasta” da Cultura, com a saída de uma vice-reitora, passou para o vice-reitor com o pelouro do turismo. Tal como a Câmara de há um tempo a esta parte não tem uma voz cultural relevante, essa ausência paira agora sobre a Universidade.

Falando da cultura de Coimbra, nesta época estival durante a qual, em forte contraste com Lisboa e Porto, o turismo não abunda (não admira: Coimbra não apareceu no filme da Eurovisão, não aparece nos filmes de promoção da TAP, não aparece na revista que a Visão lançou para estrangeiros), dois bons eventos merecem destaque: o Festival das Artes na Quinta das Lágrimas, o concerto de Elisabeth Matos com a Orquestra Clássica do Centro na mata do Buçaco e o Citemor – Festival de Teatro de Montemor-o-Velho. Todos eles mereciam mais público, que não vem por insuficiente divulgação. Mas houve também más notícias: a transferência da Feira das Velharias da Praça Velha para o Terreiro da Erva, que corresponde a uma certidão de óbito (fui lá aos alfarrábios e vi uma feira deserta e moribunda) e o fim, inglório, da associação dos Amigos do Conservatório de Coimbra, que há anos organizava temporadas artísticas muito concorridas (vi muitos e bons espectáculos na Sala do Conservatório).  Foi a Câmara que cometeu o disparate de mudar a feira de sítio e foi a mesma Câmara que permaneceu muda e queda com a extinção de uma associação, que era semelhante ás que há em Lisboa e Porto. O que está bem muda-se?

E a Coimbra - Capital Europeia da Cultura? Terá, assustada com as temperaturas, ido para banhos? A última vez que ouvi falar dela foi a propósito da organização, em seu nome, de serenatas de fados em diversas localidades da região (“À volta do fado”). O discurso oficial, muito pobre, centrava-se na necessidade de promover o turismo local. A relação entre cultura e turismo não está bem articulada nalgumas cabeças. Talvez porque lhes falte a necessária cultura.

REPENSAR PORTUGAL, A EUROPA E A GLOBALIZAÇÃO


Grande congresso de homenagem ao jesuíta Manuel Antunes, por ocasião do seu centenário, organizado pelo incansável José Eduardo Franco.

António Carlos Cortez escreve sobre "Os Maias"


António Carlos Cortez (na foto) sabe do que fala: além de professor de Português no ensino secundário é um dos poetas contemporâneos mais considerados. Tive o privilégio de estar em diálogo com ele na Quinta das Lágrimas em Coimbra sobre o tema do amor na poesia e na ciência.


REVISTA BRASILEIRA DO ENSINO DA FÍSICA - N.º ESPECIAL SOBRE FEYNMAN QUE FARIA 100 ANOS ESTE ANO

Dear Reader,

We are pleased to send the table of contents of volume 40, number 4, of the Revista Brasileira de Ensino de Física (2018), which is already available online.

In this issue

SPECIAL SECTION – CELEBRATING 100 YEARS OF BIRTH OF RICHARD P. FEYNMAN
Feynman's legacy seen by Brazilian researchers
Studart, Nelson
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Remembering Feynman
Caticha, Nestor
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Feynman and his lectures on physics teaching in Brazil
Moreira, Ildeu de Castro
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

What distinguishes the Feynman lectures from traditional physics textbooks?
Karam, Ricardo
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Feynman diagrams: The power of a picture
Aguilar, Arlene Cristina
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Feynman Path Integrals
Viana, J. David M.
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

The Path Integral: A bridge between Quantum and Classical Mechanics
Almeida, Alfredo M. Ozorio de
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Richard Feynman and the QED
Pleitez, Vicente
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Feynman's quantum electrodynamics – translation of his Nobel lecture
Novaes, Marcel
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

There is plenty of history at the bottom – an invitation to revisit a talk
Schulz, Peter A.
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Feynman, dissipation and quantum computation
Caldeira, Amir
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Feynman, the superfluidity and the superconductivity
Farinas, Paulo F.
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Feynman and the polarons
Studart, Nelson
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

The invention of pártons
Escobar, Carlos Ourivio
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

ARTICLES
Gauge theories a la Utiyama
Acevedo, O.A.; Cuzinatto, R.R.; Pimentel, B.M.; Pompeia, P.J.
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Setting up finite transforms using Sturm--Liouville Theory
Rispoli, Vinicius Carvalho; Amorim, Ronni; Nunes, Ana Paula Castro
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

The violin bow
Fomin, Igor Mottinha; Schafhauser, Lucas Guilherme; Matos, Jorge Luis Monteiro de; Nisgoski, Silvana; Freitas, Thiago Corrêa de
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

The inverted pendulum under different perspectives
Luchese, Thiago de Cacio
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

The meanings of mass and E = mc2: an approach based on conceptual maps
Kneubil, Fabiana B
abstract in English      text in English      English (PDF)

A pedagogical proposal for teaching quantum computing using a 5-qubit processor
Rabelo, Wilson R.M.; Costa, Maria Lúcia M.
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Introduction to the Protein Folding Problem: An Approach Using Simplified Computational Models
Godoi Contessoto, Vinícius de; Oliveira Junior, Antonio Bento de; Chahine, Jorge; Oliveira, Ronaldo Junio de; Pereira Leite, Vitor Barbanti
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Cosmic habitability and the possibility of life existence in other places of the universe
Vieira, Frederico; Machaieie, Dinelsa; Fornazier, Karin; Corazza, Lia; Castro, Manuel; Vilas-Boas, José Williams; Cecatto, José Roberto; Wuensche, Carlos Alexandre
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

A fundamental experimental activity on Hall effect
Baccino, Daniel; Falcón, Sergio Leopoldo; Trinidad, Guzmán Pablo
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Electrostatics in charged colloidal systems
Ramos, Igor Rochaid Oliveira; Braga, João Philipe Macedo; Ataíde, João Vitor Alencar; Lima, Alexsandro Pereira; Holanda, Lino
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Polarization of light: basic concepts and applications in astrophysics
Rodríguez, Jenny Marcela
abstract in English | Spanish      text in Spanish      Spanish (PDF)

Application of the Restricted Three Bodies Problem in the study of the move the objects of the solar system
Macedo, Gabriel da Silva; Roberto Junior, Artur Justiniano
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

PHYSICS EDUCATION RESEARCH
Historical approach in electromagnetic field teaching
Tobaja, Luis Manuel; Gil, Julia
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Physics learning difficulties from the perspective of ENEM results
Barroso, Marta F.; Rubini, Gustavo; Silva, Tatiana da
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Investigative activities and the development of skills and competences: an experience report of the Physics course of the Federal University of Pará
Fraiha, Simone; Paschoal Jr, Waldomiro; Perez, Silvana; Tabosa, Clara E.S.; Silva Alves, João Paulo da; Silva, Charles Rocha
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

DIDACTIC RESOURCES
The teaching of spin: an approach integrated to tecnology and society
Belançon, Marcos Paulo
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Enhancing and validating a low-cost photogate
Macêdo, Josué Antunes de; Pedroso, Luciano Soares; Costa, Giovanni Armando da
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Dissemination and teaching of Astronomy and Physics through informal approaches
Costa Junior, Edio da; Fernandes, Bruno da Silva; Lima, Guilherme da Silva; Siqueira, Andreza de Jesus; Paiva, Jéssica Natália Miranda; Santos, Marina Gomes e; Tavares, João Pedro; Souza, Taynara Vitória de; Gomes, Thaciara Marcela Ferreira
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Comparing the Schrödinger and Dirac Descriptions of an Electron in a Uniform Magnetic Field
Villamizar, David Velasco; Russell, Benjamin
abstract in English      text in English      English (PDF)

Device for studying resonance and elasticity in cylindrical beams
Reis, Renan dos; Ito, Pedro Hiroshi Ely; Felicio, Solano Elias Souza; Paiva, Fernando Fernandes
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

High-Relief Sheets for teaching ondulatory phenomena to visual deficients
Silva, Alexandre Chaves da; Santos, Carlos Alberto dos
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

Early Exposure of Digital Natives to Environments, Methodologies and Research Techniques in University Physics
Asorey, H.; Núñez, L.A.; Sarmiento-Cano, C.
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

HISTORY OF PHYSICS AND RELATED SCIENCES
Genesis of the Physics Laboratory of the Federal University of Pará
Crispino, Luís Carlos Bassalo; Serra, Victor Façanha
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

The History of Electricity and Magnetism: from antiquity to middle ages
Tonidandel, Danny Augusto Vieira; Araújo, Antônio Emílio Angueth de; Boaventura, Wallace do Couto
abstract in English | Portuguese      text in Portuguese      Portuguese (PDF)

BOOK REVIEWS
Light and some of its technologies; a study of the physics
Tort, Alexandre
text in Portuguese      Portuguese (PDF)
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