Nota prévia: Os meus cumprimentos a todos os leitores. Para primeira publicação no blogue, achei pertinente apresentar-me. Faço-o de corpo inteiro, com um video.
Declaro o dia de hoje, unilateralmente, Dia Internacional da Memória.
Há precisamente um ano atrás, nesse dia, estreou em Coimbra, no Centro de Neurociências e Biologia Celular, a peça da marionet 'MIM - My Inner Mind', tendo por temas centrais o cérebro, a memória e o esquecimento.
O público deambulava pelos corredores e salas daquele centro de investigação, participava num conjunto de cenas que por aí iam sucedendo, e era convidado a usar o telemóvel ou outros dispositivos de gravação para captar imagens dessa experiência.
Este video é uma montagem, incluindo algumas dessas gravações, de uma das cenas da peça intitulada "Um dia fez-se luz na minha cabeça."
Um bom Dia Internacional da Memória para todos, com boas recordações!
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013
sábado, 25 de junho de 2011
MILIA PASSUUM - A MILHA ROMANA
Crónica publicada no Boas Notícias elaborada a partir de um exercício no 1º Atelier de Escrita em Comunicação de Ciência, que teve lugar na Casa da Escrita, em Coimbra, no passado dia 21 de Junho.
Qual a distância que um centurião romano percorria ao fim de mil passos? Uma milha romana, a primeira medida unitária para longas distâncias.
A quanto é que uma milha romana equivale em metros?
Não sabemos ao certo! É que o metro é uma medida padrão e o nosso bom senso “diz-nos” que uma passada de um centurião deveria variar consoante a altura das suas pernas e da propulsão dada pelo avanço de cada perna.
De facto, os milia passuum (mil passos) deste militar romano percorreriam uma distância que lhe era característica. Até porque os mil passos a que refere a milha romana não eram os de um só homem, o centurião, a marchar, mas do conjunto de cem soldados (a centúria), que ele comandava e que marchavam atrás dele. A propósito, acrescente-se que uma centúria era uma formação militar constituída por dez filas de dez soldados formando um quadrado.
Este quadrado militar avançava então em ritmo de marcha e comandada pelo centurião que marca o compasso. De certa forma, a distância percorrida dependia da velocidade da marcha, do ritmo do passo. O que sugere que uma milha romana não só indicava uma distância percorrida após mil passos mas também o intervalo de tempo necessário para os cumprir.
Este raciocínio transporta-nos para a ideia de que uma milha romana seria, na realidade útil, mais a medida da velocidade do centurião a marchar, do que só uma medida de uma distância. Ao dizer que precisavam de marchar, por exemplo, dez milhas, o centurião não só indicava a distância a que se encontrava de um eventual alvo, mas também o tempo que demoraria a conduzir os seus cem soldados até ele.
Mas voltemos à questão da conversão possível para o “nosso” metro padrão até para podermos precisar a variabilidade da milha romana. Isto é relevante também para a importância do erro aplicado a escalas com grandezas diferentes. Vamos a seguir concretizar este problema.
Uma passada em marcha de três centuriões diferentes poderia diferir em poucos centímetros.
Suponhamos uma diferença média de 15 centímetros entre as passadas de cada um dos centuriões. Esta diferença pode não parecer muito crítica numa única passada, por exemplo de 1,5 metros: 10% de variação média. Mas essa diferença de 15 centímetros seria suficiente para que os 3 centuriões percorressem distâncias substancialmente diferentes ao fim dos seus mil passos, se marchassem com uma velocidade igual: 1350 metros, 1500 metros e 1650 metros!
Noutra perspectiva, para que percorressem a mesma distância depois de mil passos, os três centuriões no exemplo anterior teriam de marchar a velocidades diferentes. Ou seja, gastariam períodos de tempo diferentes para percorrer uma milha romana.
Mas a história deixou-nos registos sobre a diferença entre a marcha dos centuriões.
De facto, há indicações arqueológicas que balizam na história a milha romana entre os 1481 e os 1580 metros. Ou seja, 99 metros de diferença! Outro dado arqueológico que se encontra hoje no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, mostra que quatro milhas romanas são iguais a 5920 metros. Segundo esta prova, baseada na distância de um marco viário, com a indicação “IIII” e encontrado àquela distância métrica de Aeminium (designação romana da povoação que deu origem a Coimbra), uma milha romana equivale a 1480 metros.
Uma outra fonte indica-nos que uma milha romana equivalia a 5000 pés romanos. Isto garante-nos, pelo menos, que os pés dos inúmeros centuriões romanos não tinham todos o mesmo tamanho!
E a milha americana? Isso é uma outra história, também imperial, mas inglesa.
António Piedade
Qual a distância que um centurião romano percorria ao fim de mil passos? Uma milha romana, a primeira medida unitária para longas distâncias.
A quanto é que uma milha romana equivale em metros?
Não sabemos ao certo! É que o metro é uma medida padrão e o nosso bom senso “diz-nos” que uma passada de um centurião deveria variar consoante a altura das suas pernas e da propulsão dada pelo avanço de cada perna.
De facto, os milia passuum (mil passos) deste militar romano percorreriam uma distância que lhe era característica. Até porque os mil passos a que refere a milha romana não eram os de um só homem, o centurião, a marchar, mas do conjunto de cem soldados (a centúria), que ele comandava e que marchavam atrás dele. A propósito, acrescente-se que uma centúria era uma formação militar constituída por dez filas de dez soldados formando um quadrado.
Este quadrado militar avançava então em ritmo de marcha e comandada pelo centurião que marca o compasso. De certa forma, a distância percorrida dependia da velocidade da marcha, do ritmo do passo. O que sugere que uma milha romana não só indicava uma distância percorrida após mil passos mas também o intervalo de tempo necessário para os cumprir.
Este raciocínio transporta-nos para a ideia de que uma milha romana seria, na realidade útil, mais a medida da velocidade do centurião a marchar, do que só uma medida de uma distância. Ao dizer que precisavam de marchar, por exemplo, dez milhas, o centurião não só indicava a distância a que se encontrava de um eventual alvo, mas também o tempo que demoraria a conduzir os seus cem soldados até ele.
Mas voltemos à questão da conversão possível para o “nosso” metro padrão até para podermos precisar a variabilidade da milha romana. Isto é relevante também para a importância do erro aplicado a escalas com grandezas diferentes. Vamos a seguir concretizar este problema.
Uma passada em marcha de três centuriões diferentes poderia diferir em poucos centímetros.
Suponhamos uma diferença média de 15 centímetros entre as passadas de cada um dos centuriões. Esta diferença pode não parecer muito crítica numa única passada, por exemplo de 1,5 metros: 10% de variação média. Mas essa diferença de 15 centímetros seria suficiente para que os 3 centuriões percorressem distâncias substancialmente diferentes ao fim dos seus mil passos, se marchassem com uma velocidade igual: 1350 metros, 1500 metros e 1650 metros!
Noutra perspectiva, para que percorressem a mesma distância depois de mil passos, os três centuriões no exemplo anterior teriam de marchar a velocidades diferentes. Ou seja, gastariam períodos de tempo diferentes para percorrer uma milha romana.
Mas a história deixou-nos registos sobre a diferença entre a marcha dos centuriões.
De facto, há indicações arqueológicas que balizam na história a milha romana entre os 1481 e os 1580 metros. Ou seja, 99 metros de diferença! Outro dado arqueológico que se encontra hoje no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, mostra que quatro milhas romanas são iguais a 5920 metros. Segundo esta prova, baseada na distância de um marco viário, com a indicação “IIII” e encontrado àquela distância métrica de Aeminium (designação romana da povoação que deu origem a Coimbra), uma milha romana equivale a 1480 metros.
Uma outra fonte indica-nos que uma milha romana equivalia a 5000 pés romanos. Isto garante-nos, pelo menos, que os pés dos inúmeros centuriões romanos não tinham todos o mesmo tamanho!
E a milha americana? Isso é uma outra história, também imperial, mas inglesa.
António Piedade
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
COIMBRA E O FUTURO

Declarações que prestei há poucos dias à Lusa:
P- Gostaria de ter a sua opinião sobre o protagonismo de Coimbra, se a cidade o está recuperar ou não, e em função essencialmente de que factores (novas tenologias, poder político, etc.).
R- Fiz um top-ten pessoal sobre a ciência e tecnologia em Coimbra (a ordem não interessa):
1- Instituto Pedro Nunes, premiada como a melhor incubadora do mundo.
2- Empresas spin-off da universidade sediadas em Coimbra (Critical Software, ISA, etc).
3- Um dos maiores supercomputadores portugueses: o "Milipeia".
4- O Centro de Neurociências, que foi o primeiro Laboratório Associado no país.
5- O Museu da Ciência da Universidade, que já ganhou prémio europeu e tem agora a 2ª fase no Colégio de Jesus em bom andamento.
6- O BioCant, em Cantanhede, o parque de biotecnologia do país.
7- O Instituto de Medicina Legal e o Centro Internacional de Matemática, instituições nacionais com sede em Coimbra.
8- A oferta em novos meios de imagiologia médica (PET, etc.)
9- O serviço de cirurgia cardiotorácica dos HUC.
10- Os serviços de oftalmologia e relacionados (HUC, IBILI, etc.)
Podia também dar exemplos fora da ciência embora com ela relacionados (as Bibliotecas da Universidade, no seu conjunto talvez a maior biblioteca do país, acrescida agora dos novos repositórios digitais, o crescimento do turismo na Joanina, agora com a abertura de novos espaços, tomados pela exposição da Royal Society, a entrada da Universidade no ITunes, o Mosteiro e o Museu de Santa Clara a Velha, recuperado das águas, o Museu Nacional Machado de Castro, renovado e em breve a abrir, etc.) Coimbra, do ponto de vista da Universidade está pujante, e a eleição do Reitor em breve será em breve um momento de reafirmação. Infelizmente do ponto de vista político tem sido um desastre: o presidente da Câmara desistiu, pelo que o município está, neste momento, sem perspectiva, e o governo nacional tem praticamente ignorado a cidade (o Metro Mondego é um bom exemplo do mal que nos é infligido por políticos irresponsáveis e mentirosos, mas poderíamos falar também do Aeroporto do Centro, em Monte Real, que não anda nem desanda...). Não temos outro futuro que não o da auto-afirmação do nosso trabalho, designadamente nas áreas em que somos os melhores. A Universidade e a cidade têm de entender mais e melhor (por exemplo, no IParque, na futura Casa do Conhecimento, etc.). Quanto ao governo, vai ter de nos respeitar. E vai ter de contar com contribuições de Coimbra para o acordar da crise.
P- Posso deduzir que não atribui grande importância ao protagonismo político que a cidade perdeu (e de algum modo parece poder vir a recuperar, como indiciado pela reeleição do bastonário dos advogados, possível eleição do bastonário dos médicos, pela presidência do Tribunal Constitucional, etc?)
R- Não, não acredito que a cidade ganhe muito em ter uma ou duas pessoas de cá como bastonários de ordens profissionais ou um ou outro cargo num órgão do Estado. Não estamos necessitados de protagonismos desse tipo, que são aliás formas de provincianismo. Quero crer que já lá vai o tempo em que o poder local se exercia por influências pessoais junto de poderes centrais... Precisamos mais de um Presidente da Câmara com visão e ambição, que infelizmente não temos tido, e da continuação de um Reitor com visão e ambição. E de uma aliança bastante mais efectiva da Câmara com a Universidade. Dou-lhe um pequeno exemplo que é elucidativo: o Estado distribui a Coimbra, por depósito legal, tudo o que se publica no país tanto à Câmara como à Universidade. Mais: nenhuma cidade, além de Lisboa, recebe esse material em duplicado. Mas nenhuma dessas entidades dispõe de meios suficientes para tratar esses fundos e as duas têm-se revelado incapazes de trabalhar em conjunto. A culpa é do governo? É verdade que o governo em geral não tem ajudado, mas, mesmo quando o governo ajuda, é também verdade que temos sido incapazes de sair das nossas capelinhas. Coimbra tem condições de futuro próspero e deve principalmente a si própria esse futuro. O poder central não pode ser um constante bode expiatório.
P- Por que razão a pujança, a cultura, a ciência, o prestígio, a história e a modernidade da Universidade não se reflectem na governação local, designadamente, na câmara? Acredita que o "impulso científico" que a cidade está a protagonizar poderá ter reflexos nos poderes locais e regionais?
R- Coimbra sempre teve uma separação estúpida, alimentada por uns e por outros, entre futricas e doutores, entre os adeptos do União de Coimbra e os da Académica. Essa barreira mental, como todas as barreiras desse género, é difícil de derrubar, demora muito a ultrapassar. Uma cumplicidade muito maior entre Câmara e Universidade numa cidade universitária, numa cidade que se diz do conhecimento, é a única maneira de nos afirmarmos e de conquistarmos a admiração do país. E é pela afirmação aqui na cidade da ciência e da cultura, que na universidade são cultivadas em alto grau, que ganharemos esse futuro. Não podemos ter, por exemplo, um trânsito mal regulado e termos os maiores especialistas na ciência e técnica da regulação de trânsito. Não podemos, outro exemplo, ter filas de espera em serviços de saúde e os melhores especialistas e equipamentos de medicina. Não podemos, ainda outro exemplo, ter cidadãos que não lêem livros na cidade que possui o maior número de livros por habitante (e, já agora, de autores por habitante). Por que não tomar como modelo cidades com universidades antigas como Oxford e Cambridge, onde é agradável viver, onde a cidade e a universidade estão de mãos dadas? Nessas cidades o "impulso científico" tem, de facto, reflexos nos poderes locais e regionais, e vice-versa. O momento próximo de eleição do Reitor assim como o momento, eventualmente também próximo, de eleição do Presidente da Câmara têm de ir nesse sentido. ...
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