domingo, 1 de novembro de 2026

LITERACIAL FINANCEIRA: ESTÁ CRIADO UM ESTADO DE NECESSIDADE

Talvez alguns leitores estejam lembrados de, há uns doze, quinze anos, ser celebrada a nossa superioridade em termos de literacia financeira. Os alunos portugueses foram campeões da Europa! Repetiu-se que éramos uma referência mundial nessa matéria. Veja-se a notícia abaixo (e um texto aqui). 

 

Em 2023, A Associação Portuguesa de Bancos dava a notícia que identifico de seguida, sendo que na sua página constam outros feitos gloriosos dos nossos alunos em matéria de literacia financeira (ver aqui).

 

Mas, eis que, ainda em 2023, se viu declarado num relatório do Conselho Europeu, com base nos dados do Eurobarómetro - 2023, o baixo nível de literacia financeira dos europeus e, em especial, dos portugueses, que ficaram na segunda pior posição da União Europeia: (ver aqui). Pelas minhas contas, foi por essa altura que se espelhou consistentemente a ideia de que a nossa capacidade, como nação, para gerir finanças era nada mais nada menos do que uma desgraça. 

Veja-se a notícia abaixo, saída muito recentemente no jornal As Beiras. Uma desgraça, sem dúvida, quando nem os licenciados são educados em matéria financeira! 

 

E, já se sabe, para grandes males, grandes remédios; remédios que, no caso, foram vários: 
- declarar-se a tal literacia financeira como obrigatória e colocar-se no centro no currículo;
- produzirem-se documentos e recursos, bem como actividades que respondem a todas as necessidades das escolas, as que têm ou podem vir a ter. Isto sem esquecer a formação de professores;
- levarem-se bancos e outros stakeholders que lhes estão associados à escola, mas também autarcas, secretários de estado e ministros, presidentes e vice-presidentes e, até o Governador do Banco de Portugal;
- e, claro, envolver-se a academia, que na sua boa vontade, espalha a palavra com a bênção científica.

Está criado um autêntico "estado de necessidade", o que justifica a vontade colectiva para lhe acudir e em todas as frentes. Só que este "estado de necessidade" não é dos alunos, pois a literacia financeira não cabe na educação escolar, é um pretexto construído (diria, bem construído) para quem tem interesse em chegar aos alunos, chegar efectivamente aos alunos.

As escolas, que deveriam perceber o "jogo", abrem-lhes as portas; os professores aceitam ser secundarizados na sua tarefa de ensinar quando quem não tem habilitações para tal quer assumir-la. E as instituições de ensino superior, que deveriam analisar o "jogo" de modo esclarecido, participam nele.

Tem de haver uma saída para esta campanha ideológica...

LITERACIAL FINANCEIRA: ESTÁ CRIADO UM ESTADO DE NECESSIDADE

Talvez alguns leitores estejam lembrados de, há uns doze, quinze anos, ser celebrada a nossa superioridade em termos de literacia financeir...