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domingo, 25 de dezembro de 2022

CD a “A Química do Amor”



[Escrevi esta recensão para o Boletim da Sociedade Portuguesa da Química (todos os artigos estão online). Mas como esta pode demorar algum tempo a aparecer fica aqui o que escrevi e o link para obter o CD.]

“Há química em toda parte” é o título da primeira canção do CD, “A Química do Amor”, do grupo “Encerrado para Obras”. Este reúne uma parte das canções do espetáculo “Quimicomic” estreado em 2019, Ano Internacional da Tabela Periódica. São sete canções bem humoradas, com Letras e Música de David Cruz, cantadas por este e Cláudia Santos, dirigidas por João Balão e com arranjos muito interessantes e divertidos de David Cruz e João Balão. 

As seis primeiras canções são do espetáculo e a sétima foi composta para este disco e pensada para professores e alunos que queiram decorar a Tabela Periódica com mnemónicas divertidas. Estamos certos de que este CD e as suas músicas terão interesse não só para os professores de Química e para os amantes desta ciência, mas para todos, dada a qualidade e originalidade do resultado.  

As canções são muito divertidas e seguem a peça de teatro, onde são realizadas várias demonstrações científicas, em particular de Química. Lino Alcalino, um cientista distraído e bastante cómico, encontra o grande amor da sua vida em Fiona Fosfato, que veio do Brasil e por isso canta com sotaque. A primeira canção começa com Fiona a limpar a sujidade originada pelas experiências de Lino, mas rapidamente evolui para um dueto que é também uma análise do mundo centrada na Química. Naturalmente, há alguns atritos entre Fiona e Lino, os quais fazem parte da trama da peça e originam novas canções. Em algumas alturas, Fiona acusa Lino de ser “ácido,” mas isso é que ele não é, diz ele! O seu nome é “Lino Alcalino” e responde-lhe com um fado também muito engraçado sobre esse aspeto do pH.  

A canção seguinte, a qual dá nome ao disco, “A química do amor,” é também muito bem humorada e, de certa forma, bastante profunda. O resultado, envolvendo os neurotransmissores noradrenalina, dopamina e seritonina e as proteínas oxitocina e vasopressina e é também bastante interessante em termos musicais. 

Segue-se um “lamento” de Fiona por Lino lhe ligar menos de que esta esperaria, pois Lino distrai-se com as suas experiências: “Onde está a química do amor?” e a “Dança da couve roxa” onde Fiona mostra  que também sabe Química. Esta canção é especialmente interessante, pois procura contrariar alguns dos estereótipos da peça de teatro (os quais, sendo usados para potenciar o efeito cómico, podem acabar por contribuir tanto para o descrédito como para o reforço social destes). Assim, nunca é demais reafirmar a igualdade das mulheres perante a ciência.

As canções do espetáculo terminam com “Criogénica” que dá conta de uma discussão mais grave entre os dois. A letra é também muito divertida. É especialmente engraçado o verso “Você é mais fria que zero absoluto.” Ora os autores e os cientistas, assim como o público em geral, sabem (ou deveriam ser) que isso não é possível, mas as relações humanas envolvem muitas vezes estas impossibilidades e paradoxos. Felizmente, no espetáculo tudo acaba bem. É a “Química do amor” que é muito mais do que oxitocina, claro, mas também passa por esta molécula.

Finalmente, como referi, a última música “O Alfabeto do Universo”, apresenta várias mnemónicas divertidas para a Tabela Periódica e tem a particularidade de contar na orquestração com uma banda de música, a “Sociedade Filarmónica Lousanense.” 

Em resumo, é um CD muito interessante, original e bem humorado, de um espetáculo bem conseguido que vale a pena rever e ouvir.

(Para obter o CD pode usar-se https://encerradoparaobras.net/ que tem um formulário para esse efeito)

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

lançamento do CD "A Química do Amor", no dia 27 de novembro, às 16h30, no Momo - Museu do Circo, em Foz de Arouce

Recebemos a seguinte informação que está disponível Direção-Geral das Artes:

"A companhia Encerrado para Obras vai lançar o CD "A Química do Amor", no dia 27 de novembro, às 16h30, no Momo - Museu do Circo, em Foz de Arouce, com o apoio da Direção-Geral das Artes.

O disco reúne as canções do espetáculo de teatro "Quimicomic". Ao todo, são sete canções que abordam diversos temas da Química, tais como as reações  ácido-base, a tabela periódica, os estados físicos da matéria, ou ainda as hormonas, tópico principal da canção A Química do Amor, tema musical que dá o nome ao disco.

A sessão de apresentação do CD inclui um concerto com os músicos Cláudia Santos, David Cruz e João Balão. Inclui, ainda, a projeção de um vídeo com algumas cenas do espetáculo "Quimicomic" e o videoclipe da canção "O Alfabeto do Universo", que será disponibilizado livremente na internet, a partir de dezembro.

Todas as canções têm letra e música de David Cruz, diretor da Encerrado para Obras. A direção musical do disco está a cargo do músico multi-instrumentista João Balão. Participam no trabalho  um total de nove músicos profissionais oriundos de várias regiões do país. Destaque para a participação da Sociedade Filarmónica Lousanense no tema "O Alfabeto do Universo".

Apoios: Direção-Geral das Artes, Câmara Municipal da Lousã e Companhia Marimbondo"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Ciência e Teatro

 
 
[Este texto sobre o teatro científico por várias razões ficou inédito, partilho-o aqui] 

Carmen Dolores (1924-2021) escreveu a sua autobiografia para o Jornal de Letras, "Vivendo outras vidas" (JL, maio de 2005). Gostou de representar, diz no livro “Nos Palcos da Memória” (Sextante, 2013)  a Margrethe de “Copenhaga”, uma peça de Michael Frayn que envolve a vida de cientistas. Ao ouvir na rádio um programa sobre esta atriz, “Tempo da Dálias”, nasceu logo ali a ideia de escrever sobre ciência e teatro. De facto, o teatro é dos meios mais poderosos para transmitir e tornar inesquecíveis ideias e dilemas. Os científicos também.

Entre a primeira edição inglesa de 1906 e a versão de 2017 de Andew Upton de “Children of the Sun,” peça de Máximo Gorki, desapareçam algumas piadas como a da criada que diz “Physistry” e “Chemics” as quais em Português não resultariam pois “Física” e “Química” têm a mesma terminação. É interessante que Upton tenha uma visão positiva da química e que explique o que pode significar atualmente ser “filho do sol” (algo que não era tão claro na versão de 1906): os nossos elementos foram feitos nas estrelas. A peça, que foi representada entre nós em 1979, tem um químico como personagem. Trata-se de uma família em isolamento devido à cólera (isso foi lembrado há pouco tempo, pois a situação é semelhante à atual). De forma convencional, refere-se que Gorki retrata o isolamento e a alienação, antecipando as revoltas que se seguiram. Mas a personagem do químico diz-nos também como a ciência era vista na altura.

Carl Djerassi foi um químico muito prolífero, que morreu em 2015. Ficou conhecido como o “pai da pílula” por ter inventado uma molécula que poderia ser usado como contracetivo oral. No final da sua vida que daria uma peça de teatro (na verdade a peça “Ego” é baseado em si próprio), dedicou-se ao que ele próprio designou como “teatro científico” e deixou fundos para apoiar artistas. E colaborou com autores e companhias de teatro portuguesas, em particular com Mário Montenegro, licenciado em Engenharia Electrotécnica e de Telecomunicações e doutorado em Estudos Artísticos (Estudos Teatrais e Performativos), que encenou muitas das suas peças e Manuel João Monte, professor e investigador da Universidade do Porto. Uma das suas peças mais conhecidas é “Oxigénio”, escrito com o Nobel Roald Hoffmann (tradução de Manuel João Monte, Edições UP, 2015) e ilustra bem o conceito. Querendo a Academia Nobel sueca dar um retro-Nobel da Química, escolhe o elemento oxigénio. Nada mais confuso. Há três candidatos: Scheele que o descobriu primeiro, mas atrasou-se na publicação, Priestley que o descobriu de forma independente e Lavoisier que lhe deu nome. Quem deverá ter o prémio? Toda esta história é contada pelas companheiras dos três cientistas, aproveitando para referir a condição da mulher. A Academia Sueca tem nesta peça uma presidente que também vive essa questão. No final… No final é necessário ver a peça, ou ler o livro! Aprende-se acompanhando esta peça de teatro multifacetada. É isso que acaba por se fazer com todas, claro, mas as de Djerassi são especificamente pensadas nesse sentido, como a “Falácia” (“Phallacy” no original, Edições UP, 2011). Nesta peça há uma historiadora que usa métodos tradicionais para datar uma estátua de bronze como sendo grega, mas afinal um colega que usou métodos instrumentais, mostra que a estátua é uma imitação renascentista. Há várias questões em jogo: A estátua perdeu o seu interesse por ser uma imitação renascentista? Os métodos científicos não deveriam ser usados já que estão disponíveis? O conflito, competição mesmo, entre a mulher e o homem (em muitas peças de Djerassi esse aspeto está presente e dá-lhe uma densidade adicional). As eternas questões do valor da Arte, das várias áreas de estudos, e, da natureza humana, são aqui retratadas ao mesmo tempo que se aprende.

Depois de traduzir Djerassi, Manuel João Monte, escreveu as suas próprias peças. Tive a sorte de acompanhar de perto a evolução do “Bairro da Tabela Periódica” (Edições UP, 2019) no “Ano Internacional da Tabela Periódica” em 2019. Desde as récitas em palestras até à encenação por Mário Montenegro, a peça foi evoluindo e percebi muito melhor o que era a criação teatral e a importância das palavras ditas. Mais recentemente, escreveu a peça “Arsénico” com que ganhou o prémio de divulgação cientifica da Sociedade Portuguesa de Autores e, com Sofia Miguens, “Que coisa é o mundo (o estado dogmático)" (Edições UP, 2021).

Tom Stoppard tem também algumas peças de teatro em que a ciência tem um papel importante. Por exemplo, em “Arcadia” (Faber & Faber, 1993) refere as questões da teoria do caos que fazem com a mecânica clássica também seja probabilística. A tese de mestrado de 2007 de  Cláudia Correia Saraiva, “Teatro Científico e ensino da Química”, refere muitas outras peças que não é aqui possível referir com mais detalhe: a “Revolução dos Corpos Celestes”, com textos de Mário Montenegro e produzida pela Marionet; também produzida pela Marionet, “Bengala dos Cegos” com textos de Mário Montenegro, que se centra na figura do matemático Pedro Nunes; “Copenhaga”, já referida, produzida pelo Teatro Aberto; “O Homem que via passar as estrelas” de Luis Mourão, pelo Teatro da Trindade; “Picasso e Einstein”, de Steve Martin, que se centra num encontro fictício entre Picasso e Einstein em 1904 em Paris; “Os Sonhos de Einstein”, na qual Alan Lightman procura refletir sobre o tempo, entre outras. O grupo “Encerrado para obras” tem peças com demonstrações científicas, assim como canções que envolvem estes temas, nomeadamente o “Quimicómico”. As listas dos projetos podem ser muito grandes, tal como são ainda mais longas as listas de projetos fracassados. As produções teatrais envolvem muitos custos e variáveis e nem sempre os promotores vêm o risco como aceitável, coisa que nós, público, nem sempre entendemos.

E mesmo as peças de teatro que parecem não ter nada que ver, acabam por nos contar coisas relacionadas com as questões científicas. Estreada em Maio de 2021, no Teatro de São João, no Porto, a peça de Henrik Ibsen, “Espectros”, tem uma personagem que sofre de sífilis congénita (curiosamente esta peça foi também destacada por Carmen Dolores que fez de mãe). A explicação é a devassidão do pai, mas sabemos hoje que havia muitas formas de transmissão, muitas delas inocentes. Que cura eficaz  na altura não havia e que a loucura espreitava. Com a profilaxia e o aparecimento dos antibióticos este flagelo acabou por quase desaparecer.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Djerassi, Freud e Fernando Pessoa reúnem-se em Aveiro

Informação da companhia de teatro Marionet:


A Marionet está a menos de 48 horas de pisar o palco do Estaleiro Teatral com a peça “EGO”.

Esta peça, no conjunto do nosso trabalho, tem um significado especial: a sua produção portuguesa foi financiada pelo autor, Carl Djerassi, um cientista e escritor búlgaro/austríaco/norte-americano que ficou célebre por ser um dos inventores da pílula anti-conceptiva feminina.
Djerassi depois de se reformar da ciência activa, tornou-se um escritor prolífico em vários géneros literários, entre eles o teatral.

A marionet tinha levado a cena em 2011 uma outra peça sua, “Cálculo”, à qual ele veio assistir, a Coimbra, e foi esse nosso trabalho que esteve na origem do seu comissionamento de “EGO” à nossa companhia.
Uma honra.
E um prazer!
“EGO” é uma comédia de fino humor e cativante bagagem cultural. Tem a particularidade, significante para o público português, de ter sido inspirada em Fernando Pessoa e nos seus heterónimos, assumindo o poeta português uma influência decisiva sobre o desenrolar da acção.

Depois da temporada inicial em Coimbra, em Abril, “EGO” é agora apresentada em Aveiro em duas únicas apresentações, 19 e 20 de Junho, 6ª e Sábado.
Para o público de Aveiro é uma óptima oportunidade de se divertirem e conhecerem o universo de Carl Djerassi.

Lá os esperamos!

 
19 e 20 de Junho | Estaleiro Teatral de Aveiro
6ª feira e Sábado | 21h30

Reservas
Estaleiro Teatral Aveiro - 234 386 524 / efemero@mail.telepac.pt
Marionet - 931 671 163 / marionet@marioneteatro.com

Bilhetes
normal: 7,5 Euros
estudante, maiores 65 anos, grupos >=6 pessoas: 5 Euros


FOTOS da peça AQUI.
AQUI um breve VIDEO de apresentação.


Sinopse

Stephen Marx, um escritor consagrado, autor de sucessivos best-sellers, forja o seu próprio suicídio com o objectivo de ler os obituários e ficar a conhecer a verdadeira opinião de críticos e ensaístas sobre a sua obra. Pretende também, inspirado pelas criações heteronímicas de Fernando pessoa, construir e encarnar uma nova personalidade literária, para testar os limites daquilo que chama de "insegurança produtiva", a obsessão com a opinião de terceiros.
A necessidade de manter uma ligação à sua vida anterior para ter pelo menos um espectador para a sua empolgante transformação leva-o, no entanto, a revelar o estratagema ao seu psicólogo, confiante na obrigação de confidencialidade profissional por parte deste último.
Mas a sua extraordinária criação é colocada à prova pela entrada em cena da esposa, supostamente viúva, que constitui uma forte raiz capaz de o prender à vida anterior da qual se pretende libertar.
Conseguirá ele renascer como outro?

Ficha Artística e Técnica

Texto: Carl Djerassi;
Discussão e ideias: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mafalda Oliveira; Marcelo dos Reis; Mário Montenegro, Pedro Andrade, Teresa Girão;
Encenação e tradução: Mário Montenegro;
Interpretação: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mário Montenegro;
Espaço cenográfico, figurinos, adereços e imagem: Pedro Andrade;
Banda sonora original: Marcelo dos Reis;
Iluminação e direcção técnica: Mafalda Oliveira;
Fotografia de cena: Francisca Moreira;
Penteados: Carlos Gago – Ilídio Design;
Produção executiva: Teresa Girão.

Uma produção marionet 2015
A produção portuguesa de Ego foi financiada por Dale Djerassi, herdeiro de Carl Djerassi


© Fotos de Francisca Moreira

Podem manter-se a par do que fazemos através das páginas

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dia Internacional da Memória

Nota prévia: Os meus cumprimentos a todos os leitores. Para primeira publicação no blogue, achei pertinente apresentar-me. Faço-o de corpo inteiro, com um video. 

Declaro o dia de hoje, unilateralmente, Dia Internacional da Memória.

Há precisamente um ano atrás, nesse dia, estreou em Coimbra, no Centro de Neurociências e Biologia Celular, a peça da marionet 'MIM - My Inner Mind', tendo por temas centrais o cérebro, a memória e o esquecimento.

O público deambulava pelos corredores e salas daquele centro de investigação, participava num conjunto de cenas que por aí iam sucedendo, e era convidado a usar o telemóvel ou outros dispositivos de gravação para captar imagens dessa experiência.

Este video é uma montagem, incluindo algumas dessas gravações, de uma das cenas da peça intitulada "Um dia fez-se luz na minha cabeça."

Um bom Dia Internacional da Memória para todos, com boas recordações!


sexta-feira, 29 de junho de 2012

NANO T


Informação que recebi da companhia de teatro marionet:

Decorreu ao final da manhã de hoje uma conversa com os jornalistaspara apresentar a peça que encerrará a Semana Cultural da Universidadede Coimbra (UC), estiveram presentes o encenador, Alexandre Lemos, odirector do Teatro, Fernando Matos Oliveira, e o cientista e professorda UC, Carlos Fiolhais. Estiveram ainda presentes o Director Artísticoda marionet, Mário Montenegro, e o elenco da peça.

A conversa começou com a apresentação da peça peloencenador, contextualizando-a na história da marionet e no seu percursode criação de diálogos entre arte, ciência e tecnologia. “Neste caso aarte e a ciência dialogam sobre nanotecnologia. O que fizemos nosúltimos meses foi uma viagem ao presente da investigação a essa escala,no fundo fomos conhecer o estado da arte da nanotecnologia, com umasérie de visitas e conversas com convidados mais e menos distantes daactualidade tecnológica da nano-escala.”. Alexandre Lemos destacou apropósito das peças da companhia, “a capacidade de comunicar as ideiasde ciência pretende impulsionar e convidar o público a participar emcada novo conceito abordado” referindo-se depois à peça que encenoucomo um convite “a visitar o que nós próprios visitamos, nos últimosmeses”.

O professor catedrático do Departamento de Físicada Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais, também esteve presente naconversa, ele que foi um dos convidados que a equipa visitou naconstrução da peça e que é uma presença regular nos trabalhos damarionet desde que a companhia criou pela primeira vez uma peça emdiálogo com a ciência, no caso A Revolução dos Corpos Celestes,em 2001. O cientísta falou inevitavelmente da sua área de saber edestacou o facto desta não se encontrar em crise “a ciência é acuriosidade humana e dificilmente se apaga, tal como aliás a arte.” Quandoquestionado sobre nanotecnologia, Carlos Fiolhais salientou que esta é umapalavra que está a entrar nas nossas vidas, “uma palavra que já aparecenos títulos dos jornais e que há uns anos não se usava. Nano é umprefixo que vem do grego e significa anão: é uma medida do muito pequeno.”

Durante a conversa recuperou-se uma das perguntasmais vezes feita durante o processo de criação: qual foi a coisa maispequena que já viste? O mesmo Carlos Fiolhais respondeu que já viucoisas da ordem do nanometro, explicando o que significa ver nestecontexto “hoje dispomos de instrumentos que são postos avançados davista e a vista, por sua vez, é um posto avançado docérebro. O nosso cérebro fica maior quando o nosso olho fica maior: vemos mais, sabemos mais, somos mais capazes.”

O director do TAGV, co-produtor da peça teveoportunidade de contextualizar o trabalho da marionet e as suasexpectativas para esta nova estreia: “é interessante o modo como trazempara cena, para o espaço público, um exercicio de comunicação atravésde divulgação científica, mas também questionar o alcance ético ecientífico desta pesquisa de campo que consegue estabelecer um diálogoentre as áreas que não é redutor (...) não me canso de dizer isto, nãohá muitos exemplos assim em Portugal, nem na Europa”.

Em vésperas da estreia desta peça, parece-nospertinente destacar as palavras de Carlos Fiolhais sobre a função destetrabalho: “o teatro consegue levar a ciência ao público etransformá-lo, em particular transformar a noção que ele tem de ciência. Pensa-se que a imaginação não tem um papel na ciência, maso motor do conhecimento é, de facto, a imaginação”.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CONVITE PARA PROFESSORES

A Companhia de Teatro CAUSA tem o prazer de convidar todos os docentes, em particular aos das área científicas, para assistirem ao espectáculo conferência humorística AQUECIMENTO ESCLARECIDO no Teatro da Trindade dia 20 de Maio, sábado às 17horas. 
Esta é a última oportunidade para assistir a um espectáculo visto por milhares de estudantes de todo o país em 2011/12. O grande sucesso obtido junto do público escolar leva-nos a propô-lo de novo no próximo ano lectivo. 
Venha passar connosco alguns momentos hilariantes ao mesmo tempo que conhece um espectáculo vencedor do Prémio Ideias Verdes, que poderá ser uma ajuda complementar à sala de aula. 
Gostamos tanto de fazer rir quanto de reflectir.
Convite válido para 2 pessoas. 
Confirmação através do número de telefone 911 777 144 ou para o email causa.ac[arroba]gmail.com.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

SUPLICANTES DE ÉSQUILO

Informação recebida do grupo de teatro Thíasos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

terça-feira, 27 de março de 2012

TEATRO CIENTÍFICO: OXIGÉNIO

Oxigénio - Carl Djerassi - Roald Hoffmann



No Dia Mundial de Teatro não podia faltar uma peça de teatro científico representada em Portugal: "Oxigénio", de Carl Djerassi e Roald Hoffmann, na versão da Seiva Trupe (direcção de Júlio Cardoso). Depois disso, o mesmo grupo já repreesntou "Falácia", do mesmo autor.

TEATRO CIENTÍFICO: A DANÇA DO UNIVERSO



No Dia Mundial do Teatro apresentamos um excerto de "A Dança do Universo", uma peça baseada no livro com o mesmo nome do físico Marcelo Gleiser e que foi encenado pelo grupo brasileiro Arte e Ciência em Palco, que já esteve em Portugal.

TEATRO CIENTÍFICO: VIDA DE GALILEU



Hoje, Dia Mundial do Teatro, publicamos o início de um filme de 1975 do realizador norte-americano Joseph Losey baseado numa das peças de teatro mais famosas baseadas num personagem da ciência: "A Vida de Galileu", de Bertold Brecht. O resto do filme pode ser encontrado no YouTube.

quinta-feira, 1 de março de 2012

"FALÁCIA" DE CARL DJERASSI


Minha apresentação em vídeo do livro "Falácia" de Carl Djerassi (Editora da Universidade do Porto), no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: aqui.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sobre a ciência no teatro


Já está à venda a revista "Sinais de Cena", n.º 16, que inclui um dossier temático sobre ciência e teatro, onde se pode ler o artigo "O que torna Darwin Dramático?" de Mário Montenegro, actor, encenador, dramaturgo e director artístico da companhia de teatro marionet. Traduziu recentemente Sr. de Chimpanzé, de Júlio Verne [marionet, 2010] (na imagem, cena da peça no Museu de Ciência de Coimbra) e Cálculo, de Carl Djerassi [Imprensa da U.C., 2011]. Trancrevemos a entrada desse artigo, esperando abrir o apetite para o resto:

"Por volta dos anos 80/90 do século XX houve uma espécie de big bang no teatro. Desde essa altura o número de peças que explora temas da ciência tem vindo a expandir-se de modo exponencial. Uma diferença essencial entre este big bang e a teoria homónima que tenta explicar o começo do universo é que neste caso já algo existia antes da explosão. É possível assinalar algumas peças de teatro que anteriormente já integravam temas científicos nos seus enredos, mas estas peças são, no contexto da produção dramática global - continuando com a analogia astrofísica - uma espécie de radiação de fundo no sentido de algo que já existia mas que, a determinada altura, ganhou um significado específico. Exemplos bem conhecidos são a Vida de Galileu, de Bertolt Brecht (1938 [1970]), ou Os físicos, de Friedrich Dürrenmatt (1962 [1965]). As duas peças estão ancoradas nas figuras de importantes cientistas da nossa história e, entre outras coisas, reflectem sobre a responsabilidade social dos cientistas como indivíduos e, através deles, sobre a mais universal responsabilidade da Ciência.

Este fenómeno, nalguns casos bastante alicerçado e impulsionado pela comunidade científica, tem tido ramificações interessantes, nomeadamente através de acontecimentos paralelos à peça de teatro, como sejam os colóquios e conferências em torno não só do texto dramático mas também dos assuntos científicos por ele abordados.

Há, através deste subgénero teatral [1], uma aproximação das tradicionais “duas culturas” (Snow 1959). E esta é uma aproximação prática, em que diferentes linguagens e métodos de transmissão de conhecimentos destes dois campos se relacionam e interpenetram.

Mas porquê este súbito interesse do Teatro por temas científicos? E porquê neste momento? A motivação para este encontro parte dos dois intervenientes. Do lado da Ciência, a vontade de uma maior e mais próxima interacção com a sociedade tem-na levado a procurar novas formas de comunicação (Djerassi 2002, Rose 2003), sendo o Teatro ou, em muitos casos, a dramatização de questões, personagens ou acontecimentos científicos, algumas das formas que encontrou para o fazer. A apresentação de pequenas peças dramáticas em conferências e congressos científicos, a oferta de representações em torno da Ciência por parte de museus e centros de ciência, são exemplos desse esforço consciente de aproximação à sociedade por parte da Ciência. Um caso exemplar é o da fundação norte-americana Alfred P. Sloan que desde 1998 financia a criação e produção de peças de teatro de tema científico e tecnológico [2]. Assim como o são os casos de cientistas-escritores que decidem expor questões relacionadas com a Ciência sob a forma de texto dramático - como fazem, por exemplo, o químico norte-americano Carl Djerassi ou o físico canadiano John Mighton.

Do lado do Teatro, os dramaturgos abordam a Ciência não só sob o ponto de vista de uma análise ética ou das suas consequências, como no caso das referidas obras de Brecht e Dürrenmatt, mas parece existir também uma introdução da Ciência nas obras dramáticas por estarem criadas as condições para uma melhor aceitação, por parte do público de teatro, dos temas e linguagens científicos, facto a que não será alheia a generalização de certos assuntos pelos meios de comunicação social.

Os dramaturgos, poderão também encontrar na Ciência uma fonte de novos mitos e metáforas, e, eventualmente, uma visão mais profunda do ser humano no universo (Shepherd-Barr 2003, Barnett 2005); poderá ainda existir a procura, por parte dos produtores de teatro, de novos campos de actuação, não só pela pertinência e actualidade de alguns temas científicos (ligados à biologia celular, à física de partículas, à astronomia) com implicações imediatas na sociedade, mas também como forma de alargar o seu campo de financiamento, estendendo-o a instituições de índole científica e educacional, indo de encontro aos anseios de maior aproximação à sociedade destas comunidades. (...)"

Mário Montenegro

Notas:

1 Apesar de ser um fenómeno recente, vários estudos referem-se às peças de teatro de tema científico (“science plays” ou “science-in-theatre”) como configurando um novo subgénero dramático. Ver a este respeito Djerassi (2002), Shepherd-Barr (2006), Montenegro (2007) e Zehelein (2009).
2 Informação sobre o programa de promoção da cultura científica através do teatro da Alfred Sloan Foundation pode ser encontrada aqui [consultado em 16.10.2011].

Referências bibliográficas

- BARNETT, David (2005), “Reading and Performing Uncertainty: Michael Frayn’s Copenhagen and the Postdramatic Theatre”, Theatre Research International, Vol. 30, Nr. 2, pp. 139-149.
- BEGORAY, D. & Stinner, A. (2005), “Representing Science Through Historical Drama – Lord Kelvin and the Age of The Earth Debate”, Science & Education, Vol. 14, Nr. 3-5, pp. 457-471.
- BRECHT, Bertolt (1970), Vida de Galileu, trad. Yvette Centeno, Lisboa, Portugália Editora.
- DJERASSI, Carl (2002), “Science and Theatre”, Interdisciplinary Science Reviews, Vol. 27, Nr. 3,Autumn, pp. 193-201.
- DÜRRENMATT, Friedrich (1965), A visita da velha senhora e Os físicos, trad. Irene Issel e Jorge de Macedo, Lisboa, Portugália Editora.
- MAGNI, Francesca (2002), “The Theatrical Communic-action of Science”, JCOM – Journal of Science Communication, Nr.1, March, pp. 1-14.
- MONTENEGRO, Mário (2007), Texto dramático de tema científico: o caso particular de Carl Djerassi, tese de mestrado, Porto, Universidade do Porto.
- ROSE, S. P. R. (2003), “How to (or not to) Communicate Science”, Biochemical Society Transactions, Vol. 31, Part 2, pp. 307-312.
- SHEPHERD-BARR, Kirsten (2006), Science on Stage: From Doctor Faustus to Copenhagen, Princeton, Princeton University Press.
- SNOW, C. P. (1959), The Two Cultures, Cambridge, Cambridge University Press.
- ZEHELEIN, Eva-Sabine (2009), Science: Dramatic. Science Plays in America and Great Britain, 1990-2007, Heidelberg, Winter.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

VIDEO: Aquecimento Esclarecido



Aquecimento Esclarecido já foi apresentado em Almada, Lisboa, Coimbra e Porto! Disponível para apresentações em escolas, sempre seguido de um debate com um especialista em alterações climáticas. Pedidos de informações por email.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ESTREIA: AQUECIMENTO ESCLARECIDO (é hoje!)


Hoje, estreia do espectáculo AQUECIMENTO ESCLARECIDO.

As datas e locais das primeiras apresentações são estas:

- 4 de Janeiro de 2012 Casa da Cerca, Almada (18h30)
- 5 de Janeiro de 2012, Teatro da Trindade, Lisboa (17h30)
- 6 de Janeiro de 2012, Jardim Botânico da Universidade do Porto (16h30)
- 7 de Janeiro de 2012, Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (15h)

Duração aproximada de 35 minutos, seguido de um debate entre público, artistas e especialistas em questões climáticas.

domingo, 1 de janeiro de 2012

"CÁLCULO" DE CARL DJERASSI - O LIVRO


Minha apresentação do livro "Cálculo" de Carl Djerassi (saído há pouco na Imprensa da Universidade de Coimbra) gravado em vídeo no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: aqui.

Na imagem, o autor em Coimbra, no Anfiteatro do Laboratorio Chimico, na apresentação do seu livro.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ESTREIA: AQUECIMENTO ESCLARECIDO

(clique para ampliar)

Vai estrear já no início de Janeiro o espectáculo AQUECIMENTO ESCLARECIDO, , que em conjunto com o espectáculo sobre ambiente dos Cientistas de Pé, faz parte da concretização do Prémio Ideias Verdes 2010.

As datas e locais das primeiras apresentações são estas:

- 4 de Janeiro de 2012 Casa da Cerca, Almada (18h30)
- 5 de Janeiro de 2012, Teatro da Trindade, Lisboa (17h30)
- 6 de Janeiro de 2012, Jardim Botânico da Universidade do Porto (16h30)
- 7 de Janeiro de 2012, Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (15h)

Duração aproximada de 35 minutos, seguido de um debate entre público, artistas e especialistas em questões climáticas.

A entrada, nestas sessões de estreia, é livre. No caso do Museu da Ciência de Coimbra (geral@museudaciencia.org) e da Casa da Cerca (causa.ac@gmail.com ) é necessária uma inscrição prévia por email.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Stand-up-comedy com cientistas em Aveiro

Informação recebida da Fábrica Ciência Viva de Aveiro:

A sessão do ciclo «Café, Livros e Ciência», a 10 de Dezembro na livraria Bertrand, no Fórum Aveiro começa às 15:30h com a actuação dos Cientistas em Pé, e o espectáculo «Salvar o Mundo a Rir ou a Tentar» e no final, Carlos Fiolhais e David Marçal apresentam o seu livro «Darwin aos tiros e outras histórias de ciência».

«Cientistas de Pé» é um projeto de stand-up-comedy com cientistas, criado em 2009 no âmbito da Noite Europeia dos Investigadores, uma iniciativa da Comissão Europeia.

Em 2010 o grupo venceu o Prémio Ideias Verdes, atribuído pela Fundação Luso e pelo Jornal Expresso, cuja concretização é a criação de um novo espectáculo sobre ambiente. Este novo espetáculo, o terceiro dos «Cientistas de Pé», intitula-se Salvar o Mundo ou Rir a Tentar, e estreou-se em setembro de 2011.

Com esta publicação, os autores Carlos Fiolhais e David Marçal reforçam o seu trabalho de divulgação científica, repleto de humor, relatando curiosas histórias de ciência e da vida dos cientistas, de diversas áreas científicas.

«Café, Livros e Ciência» resulta de uma parceria entre a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho e o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

BREVE HISTÓRIA DA QUÍMICA


Minha apresentação em vídeo do livro "Breve História da Química" (teatro infantil em poesia), de Regina Gouveia, saída na editora 7 dias, 6 noites: aqui.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

UM ESCÂNDALO DA MENTE


Deixo mais um pequeno extracto da peça "Cálculo" de Carl Djerassi que hoje à noite estreia no Museu da Ciência de Coimbra. Há uma peça dentro da peça e dois dramaturgos planeiam uma peça sobre um escândalo associado à invenção do cálculo disputado por Newton e Leibniz:

"CIBBER: Estou a ver. (Pausa). Necessitas da vingança para lancetar a pústula.
VANBRUGH: É um método eficiente.
CIBBER: Dependendo da escolha do instrumento. E qual é o teu, se posso perguntar?
VANBRUGH: Escrever uma peça, claro. Uma peça escandalosa.
CIBBER: E pôr-te assim à disposição de renovadas acusações de desvio moral?
VANBRUGH: Comecei como dramaturgo... fui insultado como dramaturgo... desejo acabar como dramaturgo... e vingar-me como tal.
CIBBER: Através de uma peça escandalosa?
VANBRUGH: Sim... mas sem sexo!
CIBBER: Um escândalo... sem sexo?
(Vanbrugh assente.)
CIBBER: Uma aventura ou duas, talvez?
VANBRUGH: Nada de aventuras!
CIBBER: Como pode então ser escandalosa?
VANBRUGH: Têm o sexo e o escândalo de estar sempre emparelhados?
CIBBER: Ajuda... especialmente no palco.
VANBRUGH: Colley, vou mostrar que o verdadeiro escândalo é o da mente."

"UM INDIVÍDUO VULGAR"

“De repente as portas abrem-se e vemos um homem patético, simples, pequeno, igual a qualquer um, não tinha chifres, nada. E este homem tinha...