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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Djerassi, Freud e Fernando Pessoa reúnem-se em Aveiro

Informação da companhia de teatro Marionet:


A Marionet está a menos de 48 horas de pisar o palco do Estaleiro Teatral com a peça “EGO”.

Esta peça, no conjunto do nosso trabalho, tem um significado especial: a sua produção portuguesa foi financiada pelo autor, Carl Djerassi, um cientista e escritor búlgaro/austríaco/norte-americano que ficou célebre por ser um dos inventores da pílula anti-conceptiva feminina.
Djerassi depois de se reformar da ciência activa, tornou-se um escritor prolífico em vários géneros literários, entre eles o teatral.

A marionet tinha levado a cena em 2011 uma outra peça sua, “Cálculo”, à qual ele veio assistir, a Coimbra, e foi esse nosso trabalho que esteve na origem do seu comissionamento de “EGO” à nossa companhia.
Uma honra.
E um prazer!
“EGO” é uma comédia de fino humor e cativante bagagem cultural. Tem a particularidade, significante para o público português, de ter sido inspirada em Fernando Pessoa e nos seus heterónimos, assumindo o poeta português uma influência decisiva sobre o desenrolar da acção.

Depois da temporada inicial em Coimbra, em Abril, “EGO” é agora apresentada em Aveiro em duas únicas apresentações, 19 e 20 de Junho, 6ª e Sábado.
Para o público de Aveiro é uma óptima oportunidade de se divertirem e conhecerem o universo de Carl Djerassi.

Lá os esperamos!

 
19 e 20 de Junho | Estaleiro Teatral de Aveiro
6ª feira e Sábado | 21h30

Reservas
Estaleiro Teatral Aveiro - 234 386 524 / efemero@mail.telepac.pt
Marionet - 931 671 163 / marionet@marioneteatro.com

Bilhetes
normal: 7,5 Euros
estudante, maiores 65 anos, grupos >=6 pessoas: 5 Euros


FOTOS da peça AQUI.
AQUI um breve VIDEO de apresentação.


Sinopse

Stephen Marx, um escritor consagrado, autor de sucessivos best-sellers, forja o seu próprio suicídio com o objectivo de ler os obituários e ficar a conhecer a verdadeira opinião de críticos e ensaístas sobre a sua obra. Pretende também, inspirado pelas criações heteronímicas de Fernando pessoa, construir e encarnar uma nova personalidade literária, para testar os limites daquilo que chama de "insegurança produtiva", a obsessão com a opinião de terceiros.
A necessidade de manter uma ligação à sua vida anterior para ter pelo menos um espectador para a sua empolgante transformação leva-o, no entanto, a revelar o estratagema ao seu psicólogo, confiante na obrigação de confidencialidade profissional por parte deste último.
Mas a sua extraordinária criação é colocada à prova pela entrada em cena da esposa, supostamente viúva, que constitui uma forte raiz capaz de o prender à vida anterior da qual se pretende libertar.
Conseguirá ele renascer como outro?

Ficha Artística e Técnica

Texto: Carl Djerassi;
Discussão e ideias: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mafalda Oliveira; Marcelo dos Reis; Mário Montenegro, Pedro Andrade, Teresa Girão;
Encenação e tradução: Mário Montenegro;
Interpretação: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mário Montenegro;
Espaço cenográfico, figurinos, adereços e imagem: Pedro Andrade;
Banda sonora original: Marcelo dos Reis;
Iluminação e direcção técnica: Mafalda Oliveira;
Fotografia de cena: Francisca Moreira;
Penteados: Carlos Gago – Ilídio Design;
Produção executiva: Teresa Girão.

Uma produção marionet 2015
A produção portuguesa de Ego foi financiada por Dale Djerassi, herdeiro de Carl Djerassi


© Fotos de Francisca Moreira

Podem manter-se a par do que fazemos através das páginas

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dia Internacional da Memória

Nota prévia: Os meus cumprimentos a todos os leitores. Para primeira publicação no blogue, achei pertinente apresentar-me. Faço-o de corpo inteiro, com um video. 

Declaro o dia de hoje, unilateralmente, Dia Internacional da Memória.

Há precisamente um ano atrás, nesse dia, estreou em Coimbra, no Centro de Neurociências e Biologia Celular, a peça da marionet 'MIM - My Inner Mind', tendo por temas centrais o cérebro, a memória e o esquecimento.

O público deambulava pelos corredores e salas daquele centro de investigação, participava num conjunto de cenas que por aí iam sucedendo, e era convidado a usar o telemóvel ou outros dispositivos de gravação para captar imagens dessa experiência.

Este video é uma montagem, incluindo algumas dessas gravações, de uma das cenas da peça intitulada "Um dia fez-se luz na minha cabeça."

Um bom Dia Internacional da Memória para todos, com boas recordações!


sexta-feira, 29 de junho de 2012

NANO T


Informação que recebi da companhia de teatro marionet:

Decorreu ao final da manhã de hoje uma conversa com os jornalistaspara apresentar a peça que encerrará a Semana Cultural da Universidadede Coimbra (UC), estiveram presentes o encenador, Alexandre Lemos, odirector do Teatro, Fernando Matos Oliveira, e o cientista e professorda UC, Carlos Fiolhais. Estiveram ainda presentes o Director Artísticoda marionet, Mário Montenegro, e o elenco da peça.

A conversa começou com a apresentação da peça peloencenador, contextualizando-a na história da marionet e no seu percursode criação de diálogos entre arte, ciência e tecnologia. “Neste caso aarte e a ciência dialogam sobre nanotecnologia. O que fizemos nosúltimos meses foi uma viagem ao presente da investigação a essa escala,no fundo fomos conhecer o estado da arte da nanotecnologia, com umasérie de visitas e conversas com convidados mais e menos distantes daactualidade tecnológica da nano-escala.”. Alexandre Lemos destacou apropósito das peças da companhia, “a capacidade de comunicar as ideiasde ciência pretende impulsionar e convidar o público a participar emcada novo conceito abordado” referindo-se depois à peça que encenoucomo um convite “a visitar o que nós próprios visitamos, nos últimosmeses”.

O professor catedrático do Departamento de Físicada Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais, também esteve presente naconversa, ele que foi um dos convidados que a equipa visitou naconstrução da peça e que é uma presença regular nos trabalhos damarionet desde que a companhia criou pela primeira vez uma peça emdiálogo com a ciência, no caso A Revolução dos Corpos Celestes,em 2001. O cientísta falou inevitavelmente da sua área de saber edestacou o facto desta não se encontrar em crise “a ciência é acuriosidade humana e dificilmente se apaga, tal como aliás a arte.” Quandoquestionado sobre nanotecnologia, Carlos Fiolhais salientou que esta é umapalavra que está a entrar nas nossas vidas, “uma palavra que já aparecenos títulos dos jornais e que há uns anos não se usava. Nano é umprefixo que vem do grego e significa anão: é uma medida do muito pequeno.”

Durante a conversa recuperou-se uma das perguntasmais vezes feita durante o processo de criação: qual foi a coisa maispequena que já viste? O mesmo Carlos Fiolhais respondeu que já viucoisas da ordem do nanometro, explicando o que significa ver nestecontexto “hoje dispomos de instrumentos que são postos avançados davista e a vista, por sua vez, é um posto avançado docérebro. O nosso cérebro fica maior quando o nosso olho fica maior: vemos mais, sabemos mais, somos mais capazes.”

O director do TAGV, co-produtor da peça teveoportunidade de contextualizar o trabalho da marionet e as suasexpectativas para esta nova estreia: “é interessante o modo como trazempara cena, para o espaço público, um exercicio de comunicação atravésde divulgação científica, mas também questionar o alcance ético ecientífico desta pesquisa de campo que consegue estabelecer um diálogoentre as áreas que não é redutor (...) não me canso de dizer isto, nãohá muitos exemplos assim em Portugal, nem na Europa”.

Em vésperas da estreia desta peça, parece-nospertinente destacar as palavras de Carlos Fiolhais sobre a função destetrabalho: “o teatro consegue levar a ciência ao público etransformá-lo, em particular transformar a noção que ele tem de ciência. Pensa-se que a imaginação não tem um papel na ciência, maso motor do conhecimento é, de facto, a imaginação”.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CONVITE PARA PROFESSORES

A Companhia de Teatro CAUSA tem o prazer de convidar todos os docentes, em particular aos das área científicas, para assistirem ao espectáculo conferência humorística AQUECIMENTO ESCLARECIDO no Teatro da Trindade dia 20 de Maio, sábado às 17horas. 
Esta é a última oportunidade para assistir a um espectáculo visto por milhares de estudantes de todo o país em 2011/12. O grande sucesso obtido junto do público escolar leva-nos a propô-lo de novo no próximo ano lectivo. 
Venha passar connosco alguns momentos hilariantes ao mesmo tempo que conhece um espectáculo vencedor do Prémio Ideias Verdes, que poderá ser uma ajuda complementar à sala de aula. 
Gostamos tanto de fazer rir quanto de reflectir.
Convite válido para 2 pessoas. 
Confirmação através do número de telefone 911 777 144 ou para o email causa.ac[arroba]gmail.com.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

SUPLICANTES DE ÉSQUILO

Informação recebida do grupo de teatro Thíasos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

terça-feira, 27 de março de 2012

TEATRO CIENTÍFICO: OXIGÉNIO

Oxigénio - Carl Djerassi - Roald Hoffmann



No Dia Mundial de Teatro não podia faltar uma peça de teatro científico representada em Portugal: "Oxigénio", de Carl Djerassi e Roald Hoffmann, na versão da Seiva Trupe (direcção de Júlio Cardoso). Depois disso, o mesmo grupo já repreesntou "Falácia", do mesmo autor.

TEATRO CIENTÍFICO: A DANÇA DO UNIVERSO



No Dia Mundial do Teatro apresentamos um excerto de "A Dança do Universo", uma peça baseada no livro com o mesmo nome do físico Marcelo Gleiser e que foi encenado pelo grupo brasileiro Arte e Ciência em Palco, que já esteve em Portugal.

TEATRO CIENTÍFICO: VIDA DE GALILEU



Hoje, Dia Mundial do Teatro, publicamos o início de um filme de 1975 do realizador norte-americano Joseph Losey baseado numa das peças de teatro mais famosas baseadas num personagem da ciência: "A Vida de Galileu", de Bertold Brecht. O resto do filme pode ser encontrado no YouTube.

quinta-feira, 1 de março de 2012

"FALÁCIA" DE CARL DJERASSI


Minha apresentação em vídeo do livro "Falácia" de Carl Djerassi (Editora da Universidade do Porto), no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: aqui.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sobre a ciência no teatro


Já está à venda a revista "Sinais de Cena", n.º 16, que inclui um dossier temático sobre ciência e teatro, onde se pode ler o artigo "O que torna Darwin Dramático?" de Mário Montenegro, actor, encenador, dramaturgo e director artístico da companhia de teatro marionet. Traduziu recentemente Sr. de Chimpanzé, de Júlio Verne [marionet, 2010] (na imagem, cena da peça no Museu de Ciência de Coimbra) e Cálculo, de Carl Djerassi [Imprensa da U.C., 2011]. Trancrevemos a entrada desse artigo, esperando abrir o apetite para o resto:

"Por volta dos anos 80/90 do século XX houve uma espécie de big bang no teatro. Desde essa altura o número de peças que explora temas da ciência tem vindo a expandir-se de modo exponencial. Uma diferença essencial entre este big bang e a teoria homónima que tenta explicar o começo do universo é que neste caso já algo existia antes da explosão. É possível assinalar algumas peças de teatro que anteriormente já integravam temas científicos nos seus enredos, mas estas peças são, no contexto da produção dramática global - continuando com a analogia astrofísica - uma espécie de radiação de fundo no sentido de algo que já existia mas que, a determinada altura, ganhou um significado específico. Exemplos bem conhecidos são a Vida de Galileu, de Bertolt Brecht (1938 [1970]), ou Os físicos, de Friedrich Dürrenmatt (1962 [1965]). As duas peças estão ancoradas nas figuras de importantes cientistas da nossa história e, entre outras coisas, reflectem sobre a responsabilidade social dos cientistas como indivíduos e, através deles, sobre a mais universal responsabilidade da Ciência.

Este fenómeno, nalguns casos bastante alicerçado e impulsionado pela comunidade científica, tem tido ramificações interessantes, nomeadamente através de acontecimentos paralelos à peça de teatro, como sejam os colóquios e conferências em torno não só do texto dramático mas também dos assuntos científicos por ele abordados.

Há, através deste subgénero teatral [1], uma aproximação das tradicionais “duas culturas” (Snow 1959). E esta é uma aproximação prática, em que diferentes linguagens e métodos de transmissão de conhecimentos destes dois campos se relacionam e interpenetram.

Mas porquê este súbito interesse do Teatro por temas científicos? E porquê neste momento? A motivação para este encontro parte dos dois intervenientes. Do lado da Ciência, a vontade de uma maior e mais próxima interacção com a sociedade tem-na levado a procurar novas formas de comunicação (Djerassi 2002, Rose 2003), sendo o Teatro ou, em muitos casos, a dramatização de questões, personagens ou acontecimentos científicos, algumas das formas que encontrou para o fazer. A apresentação de pequenas peças dramáticas em conferências e congressos científicos, a oferta de representações em torno da Ciência por parte de museus e centros de ciência, são exemplos desse esforço consciente de aproximação à sociedade por parte da Ciência. Um caso exemplar é o da fundação norte-americana Alfred P. Sloan que desde 1998 financia a criação e produção de peças de teatro de tema científico e tecnológico [2]. Assim como o são os casos de cientistas-escritores que decidem expor questões relacionadas com a Ciência sob a forma de texto dramático - como fazem, por exemplo, o químico norte-americano Carl Djerassi ou o físico canadiano John Mighton.

Do lado do Teatro, os dramaturgos abordam a Ciência não só sob o ponto de vista de uma análise ética ou das suas consequências, como no caso das referidas obras de Brecht e Dürrenmatt, mas parece existir também uma introdução da Ciência nas obras dramáticas por estarem criadas as condições para uma melhor aceitação, por parte do público de teatro, dos temas e linguagens científicos, facto a que não será alheia a generalização de certos assuntos pelos meios de comunicação social.

Os dramaturgos, poderão também encontrar na Ciência uma fonte de novos mitos e metáforas, e, eventualmente, uma visão mais profunda do ser humano no universo (Shepherd-Barr 2003, Barnett 2005); poderá ainda existir a procura, por parte dos produtores de teatro, de novos campos de actuação, não só pela pertinência e actualidade de alguns temas científicos (ligados à biologia celular, à física de partículas, à astronomia) com implicações imediatas na sociedade, mas também como forma de alargar o seu campo de financiamento, estendendo-o a instituições de índole científica e educacional, indo de encontro aos anseios de maior aproximação à sociedade destas comunidades. (...)"

Mário Montenegro

Notas:

1 Apesar de ser um fenómeno recente, vários estudos referem-se às peças de teatro de tema científico (“science plays” ou “science-in-theatre”) como configurando um novo subgénero dramático. Ver a este respeito Djerassi (2002), Shepherd-Barr (2006), Montenegro (2007) e Zehelein (2009).
2 Informação sobre o programa de promoção da cultura científica através do teatro da Alfred Sloan Foundation pode ser encontrada aqui [consultado em 16.10.2011].

Referências bibliográficas

- BARNETT, David (2005), “Reading and Performing Uncertainty: Michael Frayn’s Copenhagen and the Postdramatic Theatre”, Theatre Research International, Vol. 30, Nr. 2, pp. 139-149.
- BEGORAY, D. & Stinner, A. (2005), “Representing Science Through Historical Drama – Lord Kelvin and the Age of The Earth Debate”, Science & Education, Vol. 14, Nr. 3-5, pp. 457-471.
- BRECHT, Bertolt (1970), Vida de Galileu, trad. Yvette Centeno, Lisboa, Portugália Editora.
- DJERASSI, Carl (2002), “Science and Theatre”, Interdisciplinary Science Reviews, Vol. 27, Nr. 3,Autumn, pp. 193-201.
- DÜRRENMATT, Friedrich (1965), A visita da velha senhora e Os físicos, trad. Irene Issel e Jorge de Macedo, Lisboa, Portugália Editora.
- MAGNI, Francesca (2002), “The Theatrical Communic-action of Science”, JCOM – Journal of Science Communication, Nr.1, March, pp. 1-14.
- MONTENEGRO, Mário (2007), Texto dramático de tema científico: o caso particular de Carl Djerassi, tese de mestrado, Porto, Universidade do Porto.
- ROSE, S. P. R. (2003), “How to (or not to) Communicate Science”, Biochemical Society Transactions, Vol. 31, Part 2, pp. 307-312.
- SHEPHERD-BARR, Kirsten (2006), Science on Stage: From Doctor Faustus to Copenhagen, Princeton, Princeton University Press.
- SNOW, C. P. (1959), The Two Cultures, Cambridge, Cambridge University Press.
- ZEHELEIN, Eva-Sabine (2009), Science: Dramatic. Science Plays in America and Great Britain, 1990-2007, Heidelberg, Winter.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

VIDEO: Aquecimento Esclarecido



Aquecimento Esclarecido já foi apresentado em Almada, Lisboa, Coimbra e Porto! Disponível para apresentações em escolas, sempre seguido de um debate com um especialista em alterações climáticas. Pedidos de informações por email.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ESTREIA: AQUECIMENTO ESCLARECIDO (é hoje!)


Hoje, estreia do espectáculo AQUECIMENTO ESCLARECIDO.

As datas e locais das primeiras apresentações são estas:

- 4 de Janeiro de 2012 Casa da Cerca, Almada (18h30)
- 5 de Janeiro de 2012, Teatro da Trindade, Lisboa (17h30)
- 6 de Janeiro de 2012, Jardim Botânico da Universidade do Porto (16h30)
- 7 de Janeiro de 2012, Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (15h)

Duração aproximada de 35 minutos, seguido de um debate entre público, artistas e especialistas em questões climáticas.

domingo, 1 de janeiro de 2012

"CÁLCULO" DE CARL DJERASSI - O LIVRO


Minha apresentação do livro "Cálculo" de Carl Djerassi (saído há pouco na Imprensa da Universidade de Coimbra) gravado em vídeo no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: aqui.

Na imagem, o autor em Coimbra, no Anfiteatro do Laboratorio Chimico, na apresentação do seu livro.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ESTREIA: AQUECIMENTO ESCLARECIDO

(clique para ampliar)

Vai estrear já no início de Janeiro o espectáculo AQUECIMENTO ESCLARECIDO, , que em conjunto com o espectáculo sobre ambiente dos Cientistas de Pé, faz parte da concretização do Prémio Ideias Verdes 2010.

As datas e locais das primeiras apresentações são estas:

- 4 de Janeiro de 2012 Casa da Cerca, Almada (18h30)
- 5 de Janeiro de 2012, Teatro da Trindade, Lisboa (17h30)
- 6 de Janeiro de 2012, Jardim Botânico da Universidade do Porto (16h30)
- 7 de Janeiro de 2012, Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (15h)

Duração aproximada de 35 minutos, seguido de um debate entre público, artistas e especialistas em questões climáticas.

A entrada, nestas sessões de estreia, é livre. No caso do Museu da Ciência de Coimbra (geral@museudaciencia.org) e da Casa da Cerca (causa.ac@gmail.com ) é necessária uma inscrição prévia por email.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Stand-up-comedy com cientistas em Aveiro

Informação recebida da Fábrica Ciência Viva de Aveiro:

A sessão do ciclo «Café, Livros e Ciência», a 10 de Dezembro na livraria Bertrand, no Fórum Aveiro começa às 15:30h com a actuação dos Cientistas em Pé, e o espectáculo «Salvar o Mundo a Rir ou a Tentar» e no final, Carlos Fiolhais e David Marçal apresentam o seu livro «Darwin aos tiros e outras histórias de ciência».

«Cientistas de Pé» é um projeto de stand-up-comedy com cientistas, criado em 2009 no âmbito da Noite Europeia dos Investigadores, uma iniciativa da Comissão Europeia.

Em 2010 o grupo venceu o Prémio Ideias Verdes, atribuído pela Fundação Luso e pelo Jornal Expresso, cuja concretização é a criação de um novo espectáculo sobre ambiente. Este novo espetáculo, o terceiro dos «Cientistas de Pé», intitula-se Salvar o Mundo ou Rir a Tentar, e estreou-se em setembro de 2011.

Com esta publicação, os autores Carlos Fiolhais e David Marçal reforçam o seu trabalho de divulgação científica, repleto de humor, relatando curiosas histórias de ciência e da vida dos cientistas, de diversas áreas científicas.

«Café, Livros e Ciência» resulta de uma parceria entre a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho e o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

BREVE HISTÓRIA DA QUÍMICA


Minha apresentação em vídeo do livro "Breve História da Química" (teatro infantil em poesia), de Regina Gouveia, saída na editora 7 dias, 6 noites: aqui.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

UM ESCÂNDALO DA MENTE


Deixo mais um pequeno extracto da peça "Cálculo" de Carl Djerassi que hoje à noite estreia no Museu da Ciência de Coimbra. Há uma peça dentro da peça e dois dramaturgos planeiam uma peça sobre um escândalo associado à invenção do cálculo disputado por Newton e Leibniz:

"CIBBER: Estou a ver. (Pausa). Necessitas da vingança para lancetar a pústula.
VANBRUGH: É um método eficiente.
CIBBER: Dependendo da escolha do instrumento. E qual é o teu, se posso perguntar?
VANBRUGH: Escrever uma peça, claro. Uma peça escandalosa.
CIBBER: E pôr-te assim à disposição de renovadas acusações de desvio moral?
VANBRUGH: Comecei como dramaturgo... fui insultado como dramaturgo... desejo acabar como dramaturgo... e vingar-me como tal.
CIBBER: Através de uma peça escandalosa?
VANBRUGH: Sim... mas sem sexo!
CIBBER: Um escândalo... sem sexo?
(Vanbrugh assente.)
CIBBER: Uma aventura ou duas, talvez?
VANBRUGH: Nada de aventuras!
CIBBER: Como pode então ser escandalosa?
VANBRUGH: Têm o sexo e o escândalo de estar sempre emparelhados?
CIBBER: Ajuda... especialmente no palco.
VANBRUGH: Colley, vou mostrar que o verdadeiro escândalo é o da mente."

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Entrevista sobre "Cálculo" de Djerassi


A propósito da estreia do espectáculo "Cálculo", no Museu da Ciência da UC, no dia 17 de Novembro, a jornalista Catarina Martinho colocou-me algumas questões:

P- Pode explicar, muito resumidamente, a "história" desta peça?

R- A peça "Cálculo" é sobre a invenção do cálculo infinitesimal, um ramo da matemática que surgiu no século XVII para descrever os movimentos. Acontece que essa invenção foi feita quase ao mesmo tempo por dois génios da época: o inglês Isaac Newton e o alemão Gottfried Leibniz. Mas Newton tinha mau carácter e, à frente da Real Sociedade de Londres (a Royal Society, onde permaneceu até à sua morte, em 1727), tudo fez para ficar sozinho com os louros e a glória. É, portanto, a história de uma intriga, que retrata a natureza humana, mais do que a apresentação de uma questão científica.

P- Do seu ponto de vista, qual a mensagem chave de "Cálculo"?

R- O teatro tem a virtude de revelar a natureza humana e esta peça fá-lo mais uma vez. Mostra que um grande génio da humanidade, Newton, era humano, tendo muitos dos defeitos dos humanos. Era ambicioso, prepotente, desmedido. Mostra, em geral, que a ciência é uma actividade humana. É feita por humanos e para os humanos.

P- Esta peça poderá atrair a atenção do público em geral ou é mais dirigida ao "público das ciências"?

R- Pode e deve atrair o público em geral, pois pouco da peça é científico e nada ou quase nada da peça é matemático. Não há quaisquer equações! O tema é que tem uma base na história das ciências. E é bom que o público conheça a história das ciências. É tão interessante como, por exemplo, a história da filosofia ou a história da religião. Aliás, todos estes aspectos estavam, na época, ligados Newton e Leibniz são também autores de uma polémica sobre o lugar de Deus no mundo.

P - Que particularidades de Carl Djerassi mercerem ser destacadas?

R- Djerassi é um cientista e empresário norte-americano de origem austríaca que, a dada altura da sua vida, resolveu enveredar pela escrita teatral. Tem algumas peças de tema científio, além do "Cálculo", duas das quais já foram representadas em Portugal: "Este espermatozóide é meu" e "Oxigénio". Actualmente está a ser representada no Porto outra peça dele, "Falácia", sobre as relações entre ciência e arte. Na sua dramaturgia há aquilo que ele próprio chama "science-in- theatre", ciência no teatro. Isto é, trata-se de teatro onde se pode aprender, de uma maneira leve e por vezes divertida, alguma ciência. Tem tido sucesso em palcos de todo o mundo. De facto, o teatro é uma das melhores maneiras de transmitir cultura científica, de levar
a ciência para o seio da sociedade.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

PREFÁCIO A “CÁLCULO” DE CARL DJERASSI


Meu prefácio ao livro "Cálculo" de Carl Djerassi, saído na Imprensa da Universidade de Coimbra, que vou apresentar amanhã, dia 15 de Novembro, pelas 19 h. no Museu de Ciência da Universidade de Coimbra, com a presença do autor, que faz uma conferência no mesmo local pelas 17 horas sobre ciência e teatro:

Um dos maiores confrontos intelectuais de todos os tempos foi o que ocorreu, no início do século XVIII, entre o inglês Isaac Newton e o alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz. O motivo da polémica foi o da invenção do cálculo infinitesimal, um ramo da matemática que acabou por mudar o mundo. De uma maneira resumida, o cálculo infinitesimal permite efectuar previsões sobre o movimento de um objecto desde que se conheça a sua posição e a sua velocidade. Por outras palavras, permite conhecer antecipadamente o futuro a partir de informação sobre o presente. Sem o cálculo não poderíamos nunca ter colocado astronautas na Lua nem, algo computacionalmente mais intrincado embora pareça trivial pois os resultados são publicados todos os dias nos jornais, saber o tempo meteorológico que vai fazer amanhã.

Hoje sabemos que Leibniz publicou primeiro os fundamentos do cálculo – e isso em ciência, pelo menos modernamente, é o que conta – embora, trabalhando de modo independente e usando outras notações, Newton se tenha antecipado a ele. Hoje em dia, apesar de Newton ter ficado mais famoso na galeria mundial dos sábios, preferimos usar as notações de Leibniz, um polímato com formação jurídica que deu não só inestimáveis contributos à ciência como, principalmente, à filosofia. Aliás ele deu também cartas nas leis, na religião, na história, na política e na literatura, revelando-se por isso um pensador muito mais completo do que Newton, que se concentrou à luz do dia na física, ao mesmo tempo que se dedicava na obscuridade à alquimia e à teologia.

A polémica entre os dois gigantes foi bem mais longe do que a disputa na primazia de um grande ramo da árvore da matemática: eles discutiram, embora Newton usasse uma interposta pessoa, o papel de Deus no mundo. Para Newton, Deus tinha criado o Universo, mas este não poderia funcionar sem intervenções pontuis da divindade. Havia uma espécie de “Deus de fato-macaco” que aparecia no mundo a fazer uns trabalhinhos de vez em quando, um pensamento que Lebniz considerava uma evidente heresia, pois ele significaria que Deus não seria perfeito e, portanto, não seria Deus. E a isto contrapunha Newton, pela voz do seu amigo Samuel Clarke, que a ideia de que o mundo é uma máquina, que funciona sozinha, tende a “banir do Mundo a Providência e a governação de Deus”. Era, cúmulo da balasfémia, chamar preguiçoso a Deus. Cada um chamava ímpio ao outro, a pior acusação que se podia fazer na época.

A peça de teatro do químico norte-americano Carl Djerassi que aparece aqui vertida em bom português pela mão do encenador e actor Mário Montenegro, precedida por uma nota do autor sobre as personalidades que são retratadas no enredo, é um magnífico contributo para a cultura científica portuguesa. Serve-se da linguagem muito expressiva do teatro para nos dar conta não só dos problemas do tempo da Revolução Científica – que não são no caso o que mais importa – mas também das perenes questões que têm a ver com o carácter humano da ciência. A construção da ciência é um drama que se insere no grande drama humano no mundo. A personalidade de Newton, em particular, dá ensejo, no teatro, à criação de um personagem que é ao mesmo tempo um génio e um vilão. Um grande génio, é certo, mas também um grande vilão, uma pessoa que, de forma inteligente, não hesita em escolher refinados meios para alcançar os seus pérfidos fins. Em particular, presidindo à Real Sociedade de Londres (Royal Society), a sociedade científica mais antiga do mundo em contínua actividade (foi fundada em 1660 e reconhecida dois anos mais tarde pelo rei Carlos II, o marido da nossa Catarina de Bragança), não hesitou em nomear uma comissão internacional de sábios inteiramente controlada por ele e com trabalho em larga medida fictício para lhe dar inteira razão na polémica da invenção, ou como alguns preferem, da descoberta do cálculo. Leibniz, sem ser ter sido visto nem achado, acabou condenado como um reles plagiador.

De Djerassi já existia na dramaturgia traduzida em português a peça Oxigénio, sobre a polémica associada à descoberta desse elemento químico, escrita em co-autoria com o Prémio Nobel da Química norte-americano Roald Hoffmann, que foi publicada pela Editora da Universidade do Porto em 2005 e posta em cena nesse mesmo ano pela companhia Seiva Trupe do Porto. Tinha, no ano anterior, sido representada no Teatro da Trindade, em Lisboa, a sua peça Esse Espermatozóide é Meu. Mas ainda não foi até à data representada entre nós uma sua peça Three in a Couch, inspirada nos heterónimos de Fernando Pessoa... O autor dá-nos em Cálculo, cuja representação é estreada em Coimbra, pelo grupo Marionet, quase em simultâneo com o lançamento deste livro, uma visão bastante original da polémica setecentista sobre as origens do cálculo. Em vez de Newton e Leibniz o embate é entre dois dramaturgos, os Senhores John Vanbrugh e Colley Cibber (de resto personagens reais da época). E há um teatro dentro do teatro, um pouco à maneira de grandes clássicos como William Shakespeare, em Sonho de uma Noite de Verão, e Bertolt Brecht, em O Círculo de Giz Caucasiano. Quase não há matemática, excepto num trecho em que um matemático come uma maçã – que outro fruto poderia ser? – mais depressa e mais devagar para explicar a noção de velocidade. Não há nenhum cálculo. Mas há pessoas calculistas. Há questões pessoais, retratos psicológicos, problemas éticos, tudo isso coisas que são bem anteriores ao século das luzes e que permanecem actuais nos tempos de hoje.

Carl Djerassi, que é professor jubilado da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, confrontado com a ameaça de um cancro, resolveu mudar de vida. De cientista passou a escritor, procurando como ele diz fazer “science-in-theatre”, isto é, colocar a ciência dentro da ficção: “Procuro contrabandear ciência na ficção para que a pessoas de divirtam e ao mesmo tempo aprendam”. Mário Montenegro, engenheiro de formação que competentemente dirige a companhia Marionet, tem revelado particular atracção pela sua obra, até porque lhe dedicou uma boa parte da sua tese de mestrado em texto dramático na Universidade do Porto. Agora só me resta, antes de abrir o pano, desejar que tanto os leitores do livro como os espectadores da peça se divirtam e aprendam. Que aprendam não tanto o que é a velocidade, e o que ela tem a ver com a mudança, mas mais que a natureza humana, desde os tempos das peças dos gregos Eurípides e Aristófanes, até à actualidade, aos tempos das peças dos autores anglo-saxónicos Tom Stoppard e Carl Djerassi, não mudou assim tanto como isso.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"FALÁCIA" ESTREIA NO PORTO


Informação recebida da Seiva Trupe, Porto, sobre uma peça de teatro que estreia hoje no Porto:

O autor – Carl Djerassi – já esteve em Portugal, na Seiva Trupe, há 4 anos, assistindo a uma sua obra teatral – Oxigénio – que também foi um grande sucesso. Agora, Djerassi pensa regressar ao n/ país para estar presente na estreia de FALÁCIA e pensamos que nessa altura a Universidade do Porto vai nomeá-lo Doutor Honoris Causa, integrando o evento nas comemorações do Centenário da Universidade e no Ano Internacional da Química.

Mas quem é Carl Djerassi? – Muito rapidamente: este génio, para além de ser autor de importantes obras teatrais, é um dos poucos cientistas norte-americanos que mereceram tanto a National Medal of Science (em 1973, pela primeira síntese de um anticoncepcional oral esteróide – a “pílula”) e a National Medal of Technology. Entre as muitas dezenas de homenagens e títulos, recebeu o Prémio Wolf de Química, o primeiro prémio para a Aplicação Industrial da Ciência, conferido pela Academia Nacional de Ciências, e o mais importante prémio da American Chemical Society, a medalha Priestley.

Nesta peça – FALÁCIA – há um debate vivo, audacioso e cativante, com sentimentos amorosos a cruzarem-se e a prender o espectador pelo “bico”. Num importante museu europeu, em Viena de Áustria, encontra-se a estátua de um rapaz nu, atribuída à era romana e que é a jóia da coroa do museu. Mas a ciência, através da química, desmistifica aquela era. E o valor artístico da obra, para além da data da sua feitura? – Aqui está um espectáculo para quem se interessa por tudo que é importante na vida mas, muito especialmente, para quem se interessa por QUÍMICA e/ou MUSEOLOGIA.