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segunda-feira, 7 de julho de 2014

A PARTÍCULA NO FIM DO UNIVERSO

Recensão sobre o livro com este título primeiramente publicada na imprensa regional.



Passam-se dois anos desde a comunicação da descoberta do bosão de Higgs. Nada melhor para o celebrar do que termos, agora, à disposição um livro que nos relata a história dessa descoberta científica extraordinária.

Trata-se do livro “A partícula no fim do Universo – como acaça ao bosão de Higgs nos levou ao limiar de um mundo novo”, de Sean Carroll, e foi em finais de Junho publicado pela Gradiva na sua prestigiada colecção Ciência Aberta, título número 208.

Esta é a primeira edição portuguesa deste livro que foi considerado o melhor livro de ciência de 2013 pela Royal Society de Londres (recebeu o Winton Prize for Science Books), o prémio de maior prestígio internacional para livros de divulgação de ciência.

A tradução do original inglês foi feita pelo físico Miguel Fiolhais, um dos físicos portugueses que estiveram envolvidos nas experiências da descoberta. A revisão científica foi efectuada por Carlos Fiolhais que também é o actual director da colecção “Ciência Aberta”. O prefácio desta edição portuguesa é da responsabilidade de José Mariano Gago, Amélia Maio e João Varela, físicos do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) que inclui cientistas portugueses que participaram directamente nas experiências que permitiram detectar o bosão de Higgs. Aliás, o prefácio sublinha e descreve essa participação e é ao mesmo tempo uma homenagem à ciência portuguesa, uma dedicatória ao futuro da ciência em Portugal.

Quanto ao autor deste livro, Sean Carrol, deve dizer-se que se trata de um físico norte-americano que trabalha no California Institute of Technology (Caltech) e que tem presença assídua nos meios de comunicação social enquanto divulgador de ciência. Este é o seu segundo livro de divulgação de ciência, tendo o primeiro, “From Eternity to Here (2010), alcançado grande êxito.

Como se diz no prefácio, «o livro trata da história dessa partícula imaginada (…) o “bosão de Higgs”, e da sua efectiva descoberta ao fim de um esforço experimental mundial sem precedentes na ciência». De facto, ao longo de 400 páginas o autor guia-nos pela história do conhecimento que levou à descoberta daquela partícula, e fá-lo com uma linguagem clara, acessível e com todo o rigor científico. Este livro é na realidade um guia seguro para quem quer compreender os mais intrigantes fascinantes avanços da física moderna, olhar para o horizonte do conhecimento e conviver com as novas perguntas e com o muito que ainda não sabemos sobre a constituição do Universo.

De salientar a inclusão neste livro de três apêndices que permitem aprofundar o conhecimento sobre estes assuntos, e da sugestão de leituras adicionais para quem quiser aprender mais.

Mas afinal o que há de tão especial com o bosão de Higgs? Leia este livro para descobrir a resposta.



António Piedade 

terça-feira, 3 de julho de 2012

THE HIGGS FIELD IS ALL THERE IS


WHAT’S NEW Robert L. Park Friday, 3 July 2012 Washington, DC:

INDEPENDENCE DAY: THE HIGGS FIELD IS ALL THERE IS.

After 200,000 years or so of putting up with imposters, the creator has been exposed. CERN will hold a press conference with the details tomorrow.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Na véspera do Bosão de Higgs também conhecido por “partícula de Deus”

Crónica primeiramente publicada no "Diário de Coimbra" e noutra imprensa regional:


Quando o Homem pisou a Lua pela primeira vez, alguns de nós puderam assistir em directo esse acontecimento através da televisão. Foi possível, não só ver como ouvir a frase que Neil Armstrong proferiu para a história: “Um pequeno passo para um Homem, um gigantesco passo para a Humanidade”.

De facto, a tele e radiodifusão transformaram a relação de cada um com a proximidade, e o distante passou a ser nosso vizinho.

Os tempos mudam assim como as tecnologias que difundem a comunicação com (ou sem) informação. Hoje em dia a notícia chega muito através da internet. Ou, de outra forma, chega mais cedo através do “rio cibernáutico” que desagua em multimédia numa panóplia de diversos receptores (computador fixo ou portátil, telemóvel, “tablet”, entre outros), formando novos deltas mediáticos com escrita, som, vídeo, num compósito informativo do século XXI, que amplifica e aumenta a realidade sensorial.

As redes sociais, veiculadas e agilizadas por uma acessibilidade de bolso, antecipam-se inúmeras vezes à notícia que já não se espalha com o vento: o segredo lê-se e vê-se e o sussurro cai em desuso, obsoleto.


Emissor e receptor já não se olham de frente, olhos nos olhos. Entrepõe-se toda uma tecnologia cujo desenvolvimento deve muito ao estudo sobre a matéria de que nós, e o cosmos em que estamos imersos, somos feitos. Pode parecer estranho e seguramente distante, mas a construção deste portátil onde escrevo esta crónica não seria possível sem a compreensão, centenária, de que o átomo é composto por electrões, neutrões e protões, sem a química e a física quântica que, entre muitas outras coisas, nos informa sobre como ocorrem as transições de energia entre as partículas elementares subatómicas que definem os átomos.

Precisamos de conhecer a natureza íntima da matéria, dos átomos que respiramos, para desenvolver a tecnologia que permite fazer uma “TAC”, ou tirar uma radiografia de raios x e o radiologista “ver” o resultado segundos depois!

Precisamos de saber de que é que é feito o mundo, não só para gáudio da inteligência humana, mas muito para resolver problemas que afectam a nossa vida, a qualidade da mesma, também a nossa sobrevivência. Aliás, para eventualmente resolver os estragos que fizemos aos outros seres vivos que connosco coabitam este "ponto pálido azulado" (a Terra vista do espaço) na infinidade do cosmos, para mitigar a nossa ignorância beligerante, para reverter a "fatalizante" desigualdade social que semeia a humanidade de morte pela sede, fome e pela doença.

É certo e sabido que isto não é uma tarefa isolada da ciência, mas de todo o conhecimento humano. Contudo, o conhecimento científico, pela confrontação permanente de ideias diferentes, pela característica metodológica da sua validação interlaboratorial independente, pela sua construção contínua e cumulativa, pela humildade forjada pela sua inerente "falsicabilidade", é força motriz para uma melhor cidadania em democracia, para uma melhor liberdade de escolha. Ferramentas feitas de conhecimento para melhor compreendermos o mundo.

Se o conhecimento de que os átomos também são compostos por quarks, mesões, bosões, entre outras partículas, permitir desenvolver tecnologia para tratar doenças como alguns cancros, ou para que se possam fazer medicamentos ajustados às especificidades e necessidades de cada ser humano, então a notícia sobe os últimos resultados obtidos em experiências que investigam a natureza sub-atómica deveria ser do interesse de todos, deveria ser notícia de abertura dos telejornais, devidamente comentada e explicada. Até porque estas experiências são financiadas por dinheiros públicos.

E eis o cais da notícia: dia 4 de Julho, às 8h00 da manhã (hora portuguesa) “terá lugar no CERN” segundo fonte ligada ao Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, "um seminário científico no qual as experiências´ATLAS e CMS vão apresentar resultados preliminares” sobre a existência, ou não, do bosão de Higgs “com base nos dados obtidos este ano” e “realizadas por colaborações cada uma com cerca de 3500 investigadores de 180 instituições em 40 países”, entre os quais Portugal através daquele laboratório.

“Os seminários de 4 de Julho no CERN e a conferência de imprensa que se segue, serão difundidos via webcast, podendo ser seguidos aqui http://webcast.cern.ch.”.

Para uma muito melhor contextualização sobre o estado da arte e do que se espera, vejam-se estes dois vídeos: aqui e aqui.

A confirmação da existência do bosão de Higgs pode permitir compreender porque é que as partículas fundamentais, tais como os quark ou os electrões, têm massa.

A colisão entre dois pequenos protões pode resultar numa grande expansão do conhecimento para a Humanidade!

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António Piedade