domingo, 27 de novembro de 2022

"A VOSSA VOZ CONTA" PORQUE ELA É A NOSSA VOZ, QUE QUEREMOS QUE SEJA VOSSA

Saiu no Expresso online de ontem, sábado, um texto muito esclarecedor do jornalista Rui Duarte Silva sobre as terceiras Jornadas da Juventude, promovidas por uma tal Fundação da Juventude. O desafio colocado neste ano aos jovens, situados num amplo intervalo etário (entre os 15 e os 30 anos), foi "identificar problemas e apresentar aos políticos propostas concretas" no respeitante à saúde mental, emprego, educação e sustentabilidade. 

O trabalho, de três dias, resultou em conclusões (de grande “qualidade", segundo a presidente executiva da fundação) que foram apresentadas presencialmente a "decisores e assessores políticos", sendo a breve trecho comunicadas à "Assembleia da República e aos diferentes grupos parlamentares". O Presidente da República enviou uma mensagem com os seguintes dizeres: 
“A vossa voz conta, as vossas ações contam (...). Agora, aos decisores políticos, cabe querer fazer alguma coisa ou querer só ouvir. Se for só ouvir, é fácil mas não serve para nada. Se for para ouvir e aplicar, então vamos melhorar um bocadinho o nosso país e a nossa Europa”. 
Mas que conclusões tão relevantes são essas que convém acolher dentro e fora de portas? Direccionei o olhar para as que se referem à educação. São elas (meus destaques):
  • Reformular a forma como as aulas são dadas, tornando-as mais lúdicas e dinâmicas, recorrendo ao modelo de ensino não-formal, onde os alunos são o foco. Os alunos podem, assim, aprender os conteúdos de forma mais autónoma, interativa e motivadora. O professor assume um papel de moderador, guiando os alunos de forma pouco intrusiva, para serem eles a terem a iniciativa de aprender.
  • Rejuvenescer a classe docente, dando melhores condições àqueles que entram na carreira (aumento dos salários, redução da carga horária, entre outras).
  • Dar formação a todos os professores, nos períodos de interrupção letiva, ao longo de vários anos, de forma a dotá-los de novas ferramentas e métodos pedagógicos.
  • Inovar os conteúdos lecionados e inserir no programa ferramentas necessárias no dia a dia, ou seja, competências que têm utilidade prática para todos, como saber procurar emprego, fazer o IRS, pagar impostos, etc.
  • Promover um sistema de cooperativas [de material escolar], de forma a diminuir desigualdades. Cada encarregado de educação contribuiria com um valor monetário baixo, de modo a permitir que a escola compre e faça a manutenção desse material. Todos os alunos, cujos encarregados de educação contribuíssem, poderiam utilizar o material. 
  • Criar projetos de mentoria/“apadrinhamento”, com o intuito de promover uma só comunidade escolar, onde os alunos mais novos terão oportunidade de criar laços com alunos mais velhos. Esta é uma forma de os alunos poderem ter acesso a muita informação, relevante para decisões futuras, nomeadamente o percurso profissional e académico.
  • Integrar na média de acesso ao ensino superior uma percentagem atribuída com base no percurso/participação cívica dos jovens em projetos escolares, voluntariado, associações juvenis. 
E, confirma-se, a educação está ligada ao "mercado de trabalho": 
  • Alargar e implementar estágios curriculares obrigatórios em todo o ensino superior desde o início. 
  • Criar uma semana de empreendedorismo jovem a nível nacional.
  • Criar estágios observacionais no ensino secundário ou pós-secundário.
As minhas conclusões (muito gerais):
1) Rigorosamente, nada de novo. Quantas vezes já lemos, já ouvimos esta retórica? Centenas? Milhares? Os (estes) jovens repetem o que os (certos) mais velhos querem que repitam, tão simples quanto isto. Os primeiros pensam que estão a dizer grande coisa, coisa "inovadora"; os segundos... não sei, confesso ter dificuldade em entender o que leva adultos, até com formação académica superior, a afirmar, de modo convicto, o que se pode ler acima; 
2) Não me pronuncio sobre cada uma das propostas, seria repetir uma prosa interminável, relembro apenas que elas fazem parte do pacote que é a "transformação global da escolaridade". Pacote saído do mais refinado e eficaz neoliberalismo global, o qual passou a governar os governos e, portanto, a nossa vida; 
3) Note-se que chegámos a um patamar tão refinado e eficaz desse neoliberalismo, que mais velhos e mais novos são levados a pensar exactamente o que se pretende que, nesse quadro, pensem, julgando que é pensamento próprio. Somos já nós que pedimos a transformação que há muito está definida para nós, nada nos é imposto, nós queremos o que nos prejudica, crendo que nos beneficia; 
4) A debilidade política de governos e governantes é aqui bem visível (será que estes não a vêem?): pede-se a jovens que indiquem aos decisores políticos as decisões que lhes cabem. E é o próprio Presidente da República a reconhecê-lo, sugerindo os ganhos de efectivar essas decisões em acções (o Ministro da Educação tem feito o mesmo); 
5) Por último, estamos perante um excelente exemplo d' "a morte da competência": quem não tem formação, saber, experiência em áreas tão sensíveis e importantes como as assinaladas, áreas que requerem um elevado grau de especialização, é convidado a dar a "sua opinião", sendo que, não obstante, como referi acima, essa opinião comum, desavisada é ouvida "atentamente" por representantes do país que, além disso, dizem, levá-la em conta.
Para se compreender bem o que acima escrevi, será de "visitar" a fundação em causa. Ver aqui.

sábado, 26 de novembro de 2022

ORIGINAL É A CULTURA: NATUREZA E CULTURA

 https://omny.fm/shows/expresso-original-a-cultura/a-natureza-e-a-cultura

NADA DO QUE TENS NO CORAÇÃO TE PERTENCE

I

Nada do que tens no coração te pertence.

Mas há uma razão para aí permanecer

Para além do tempo que já não te pertence.

Luz e palavra que ninguém pode exceder.

É aí que reside o amor: é outro rosto,

A doçura da palavra quase dita sem fôlego,

A melancolia que sucumbe num tímido sorriso.

Ninguém pode suceder a esse outro rosto.

Brilho vernal que nas águas escuras floresce.

Zumbido que acorda e me leva o coração.

II

Que poderei dizer do amor,

Se o coração me responder?

Ao coração tanto respondo

Que me ouve sem nada dizer.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

OS GLADIADORES DA GLÓRIA

Lutar pela glória permite tudo:
a cegueira, a traição, o atropelo.
É preciso ter coração peludo
e maneiras de cobra de capelo.

Poder trepar aos píncaros da glória
exige corpo frio de lagarto,
como a Lady Macbeth da história:
o ventre gelado, o peito farto!

Trepa-se a murro e com punhal,
insensível ao grito e ao sangue.
Sacode-se o empecilho da moral

e deixa-se o obstáculo exangue.
O aspirante à glória abomina
quem dela se não torna Messalina. 

Eugénio Lisboa

lançamento do CD "A Química do Amor", no dia 27 de novembro, às 16h30, no Momo - Museu do Circo, em Foz de Arouce

Recebemos a seguinte informação que está disponível Direção-Geral das Artes:

"A companhia Encerrado para Obras vai lançar o CD "A Química do Amor", no dia 27 de novembro, às 16h30, no Momo - Museu do Circo, em Foz de Arouce, com o apoio da Direção-Geral das Artes.

O disco reúne as canções do espetáculo de teatro "Quimicomic". Ao todo, são sete canções que abordam diversos temas da Química, tais como as reações  ácido-base, a tabela periódica, os estados físicos da matéria, ou ainda as hormonas, tópico principal da canção A Química do Amor, tema musical que dá o nome ao disco.

A sessão de apresentação do CD inclui um concerto com os músicos Cláudia Santos, David Cruz e João Balão. Inclui, ainda, a projeção de um vídeo com algumas cenas do espetáculo "Quimicomic" e o videoclipe da canção "O Alfabeto do Universo", que será disponibilizado livremente na internet, a partir de dezembro.

Todas as canções têm letra e música de David Cruz, diretor da Encerrado para Obras. A direção musical do disco está a cargo do músico multi-instrumentista João Balão. Participam no trabalho  um total de nove músicos profissionais oriundos de várias regiões do país. Destaque para a participação da Sociedade Filarmónica Lousanense no tema "O Alfabeto do Universo".

Apoios: Direção-Geral das Artes, Câmara Municipal da Lousã e Companhia Marimbondo"

A Figueira, os Livros e os Autores

Artigo meu saído no jornal O Figueirense (foto minha das margens do Mondego na Figueira):

Ouvi há dias na TSF uma excelente entrevista, que está disponível em podcast, do jornalista Fernando Alves, da série «Onde nos levam os caminhos», com Miguel de Carvalho, designado pelo entrevistador por «livreiro, editor e poeta da Figueira da Foz que se enamorou dos surrealistas». Nele conta a sua história de vida, o modo como se tornou alfarrabista deixando de ser geólogo e como trocou a Baixa de Coimbra pela arejada livraria com o seu nome na Rua Dr. José Jardim, em plena Baixa da Figueira da Foz (segundo ele, a cultura na Baixa coimbrã foi uma senhora que morreu de prolongada doença).  A entrevista acaba num restaurante próxima, com paredes cheias de memórias da antiga Figueira.

A Figueira da Foz tem, felizmente, mantido viva a cultura, sabendo absorver os «emigrantes culturais» e outros sítios. No capítulo das livrarias, para além da loja de Miguel de Carvalho, a oferta não é muita, mas destaco a livraria infanto-juvenil Bruaá no Centro de Artes e Espectáculos. Mas gosto sempre de visitar a Feira das Velharias, que se realiza nos primeiros sábados de cada mês, que passou do jardim municipal para a beira-rio (um sítio magnífico pelas vistas sobre a água!), e que, sem qualquer dúvida, ganha à Feira de Velharias de Coimbra, que deixou a Praça Velha para ir para as imediações da Loja do Cidadão (vulgo «bota-abaixo», foi de facto um «bota-abaixo do local da Feira). 

No domínio dos livros, visitei a Feira do Livro da Figueira da Foz durante o Verão numa tenda gigante em Buarcos, que continuava bem fornecida apesar da mudança de sítio (fiquei com a ideia de que o sítio anterior era melhor): vi a Guida Cândido, autora de vários e bons livros de história da gastronomia (tem um sobre a gastronomia figueirense, apoiado pelo município) a assinar as suas obras e só não assinou para mim porque tenho tudo o que ela publicou. 

E também já tive o gosto de participar nas «Quintas de Leitura» organizada pela Biblioteca Municipal (que tem um espólio de dimensão impressionante e que teve o mérito de digitalizar e mostrar on-line boa parte dos jornais regionais), tendo verificado que o evento mobilizava público. Mais ocasionalmente, também já participei em lançamento de livros e outros eventos culturais no Casino da Figueira da Foz, tendo ficado com a ideia, talvez injusta, de que o Casino pode fazer, nesta área, muito mais do que tem feito.

É bem conhecida a riqueza do rol de autores literários que a Figueira tem fornecido. Lembro-me assim, de repente, ordenando-os por ordem cronológica de nascimento, de João de Barros (1881- 1960), não o das crónicas da Índia, mas o poeta, pedagogo e político que se distinguiu durante a Primeira República (o filho Henrique de Barros distinguir-se-ia após o 25 de Abril): João Gaspar Simões (1903-1987), que durante muito tempo foi o «campeão» na nossa crítica literária: Maria Manuel Viana (n. 1955), uma escritora que se tem distinguido na defesa dos direitos das mulheres; Gonçalo Cadilhe (n. 1968), o incansável cronista de viagens; Afonso Cruz (n. 1971), um dos mais originais autores contemporâneos; e Nuno Camarneiro (n. 1977, em Coimbra, mas com família ligada à Figueira), que foi meu aluno no curso de Engenharia Física da Universidade de Coimbra. 

Tenho, para ler, na minha mesa de cabeceira, os recentes As Evidências Nocturnas, de Maria Manuel Viana (Teodolito, 2021), A Casa das Perguntas (Minotauro, 2022), uma obra infanto-juvenil de Nuno Camarneiro que ele fez o favor de me mandar assinada,  e estou à espera de mais um volume da Enciclopédia da História Universal de Afonso Cruz, intitulado Deuses e Afins, prometido para o mês de Novembro (estes volumes deixam-nos sempre na dúvida entre ficção e realidade).  Isto para já não falar de referências à Figueira por autores que por lá passaram como Jorge de Sena, no admirável Sinais de Fogo, que retrata os conturbados tempos da Guerra Civil espanhola.

No domínio das ciências, pontificaram os seguintes figueirenses, que elenco de novo por ordem cronológica de nascimento: António dos Santos Rocha (1853-1910), arqueólogo de renome e primeiro director do Museu Municipal; Luís Wittnich Carrisso (1886-1937), botânico  da Universidade de Coimbra que faleceu em Angola na sua terceira missão científica aquele território; Joaquim de Carvalho (1892-1958), filósofo e historiador de ciência que dirigiu a Imprensa da Universidade de Coimbra; e Manuel Rocha (1913-1981), um dos nossos maiores engenheiros civis, que se distinguiu como director do LNEC- Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

De alguns destes figueirenses notáveis, designadamente os mais antigos, arranjam-se livros na Livraria Miguel de Carvalho ou, procurando bem, na Feira das Velharias. Sempre que lá vou gosto de ser surpreendido. A Figueira da Foz tem o enorme dom de me surpreender de cada vez – e são muitas – que lá vou.


*Professor Aposentado de Física da Universidade de Coimbra

Dois poemas

I)

Se eu amar, se houver amor,
E o amor por vezes é um rio veloz
Ficando aquém da razão de florir,
Canto, como se fossem mar
Até as águas que não foram foz.

II)
A noite longe de ti, mãe.
Longe do teu colo e do brilho.
Tenho o quarto, ninguém.
Tenho o rio, ninguém.
Olho ao redor, ninguém.
Estou só, longe de ti, mãe.
Apenas o coração ainda faz
Com que eu chame retiro
A este quartinho e ao rio.
Oh, o peito perseguido pela dor!
A noite longe de ti, mãe.
E jazem o quartinho e o rio.
E jaz o sonho latente.
Jaz tudo em mim e ao redor.
O teu passo estugado persigo
Na terra dura do trilho, mãe.
Então começa, no amplo silêncio, 
Do menino o amplo sopor.
Ao teu colo, me retiro,
Em paz, do mundo, onde
Ainda nada sei sobre o amor.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

REPRESENTAR A PÁTRIA OU SOMOS OS MELHORES DO MUNDO

Esta ditosa pátria minha amada
enviou os seus barões assinalados,
de cabeça solene e levantada,
representá-la num dos emirados. 

Jogava-se ali o nosso destino:
ganhar ou não ganhar o campeonato
fazia do país grande ou franzino,
o que tornava o povinho insensato.

Que importavam os direitos humanos,
que não tinha a mulher Qatari
e os trabalhos mais que desumanos

se o que importava era o charivari?
Ali, no abençoado relvado,
o nosso passado era confirmado!

Eugénio Lisboa

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Branca no canto a espuma

Branca no canto a espuma

A espraiar-se no tempo.

A correr a areia e a sitiar-te

Mais veloz do que chuva.

E o sol alto só podia dar-te

Uma outra pele e lume.

Do sal dos ombros tão perto,

Perto do chão do teu ventre,

O sol a arder, quase no cume.

E o peito que só podia dar-te

A dor, o negrume, o deserto,

Deu-te o canto, para sempre,

O branco do mar e o sol ardente.


segunda-feira, 21 de novembro de 2022

O ÁLVARO DE CAMPOS NÃO SABIA O QUE ERA LEVAR PORRADA

O Álvaro de Campos descobriu
nunca haver descoberto ninguém 
que tivesse levado porrada. Viu
que, porrada, só ele e mais ninguém.

Com desprezo, olhou à sua volta
e só viu gente porreira e intacta.
Mas esta conversa ligeira e solta
só deixa a gente d’hoje estupefacta!

Renascesse e fosse ver a Ucrânia,
e veria o que é levar porrada,
da dura, como era na Germânia.

Porrada que deixa a gente cagada,
estropiada ou morta, só na guerra,
onde morto nem sempre se enterra!

Eugénio Lisboa

OS PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO : 2.ª PARTE

Segunda intervenção minha no debate on-line sobre educação realizado em 15/Junho/2020:

Mário Fortes –Tenho aqui uma que vai já diretamente para o Prof. Carlos Fiolhais, que é do Prof. Eduardo Leite: não obstante a importância da educação, tendo em mente a lição de Hannah Arendt, o homem sem consciência e moral, não estará, infelizmente, a prosperar nas sociedades modernas?

Carlos Fiolhais – Quando me pedem-me para comentar as possibilidades que podem acontecer no futuro, sei que corro sempre alguns riscos. Aliás qualquer pessoa que fala do futuro arrisca-se a errar, quer dizer, adivinhar o futuro é impossível. Nós não sabemos o que vai acontecer. Quem diria no final do ano passado que este ano estamos a viver a situação de pandemia? As pessoas, com base na pandemia, estão agora já a projetar cenários. Esses cenários são, em geral, desejos das próprias pessoas. Essa atitude é bastante natural. Nós projetamos aquilo que por que ansiamos, mas o certo é que ninguém sabe como será o mundo daqui a um ou dois anos e muito menos a dez ou vinte anos. Não fazemos ideia nenhuma. Apesar dessa incerteza ou mesmo por causa dessa incerteza, a educação escolar continua a ter um papel. E é um papel muito forte.

 Permitam-me que seja crítico de algum rumo deste mundo cuja economia, com a ajuda da técnica, se globalizou muito rapidamente. O dinheiro circula muito mais rapidamente do que as pessoas. Ganha-se, aliás, dinheiro só com a circulação de dinheiro, por vezes sem acrescentar nada, sem prestar quaisquer serviços: ganha-se dinheiro simplesmente ao movê-lo de um lado para o outro. A economia do mundo decorre sem grande controlo. Ora, a economia está relacionada com a educação e nem sempre da melhor maneira. Não é por acaso que o Banco Mundial, por exemplo, trata de problemas de educação, estabelece objetivos para a educação. Não é por acaso que as métricas (a Luísa falou da questão das classificações) comparativas da educação dos vários países sejam criadas pela OCDE – a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico – que anda a par com o Banco Mundial. Isto significa que, de uma maneira ou de outra, por vezes de maneiras muito subtis, a educação escolar pública – noto o carácter “público” – é colocada ao serviço da economia, podendo nós ter dúvidas acerca dos princípios de justiça social subjacentes. E podendo nós ter dúvidas se o desenvolvimento de que se fala é apenas para uns e não para todos. Vivemos num mundo ferido por profundas desigualdades. Daí que apareçam esses sentimentos da falta de consciência e moral.

Curioso, nesse processo de domínio da educação pela economia e é que os professores tenham perdido boa parte da autoridade que tinham. Uso aqui a expressão “autoridade” no sentido que Arendt lhe deu: ser “autor” por ter dado uma interpretação única ao conhecimento de que beneficiou, e que oferece aos mais jovens para que eles construam a sua “autoridade”. Os professores, dizia eu, têm de cumprir objetivos comportamentais, que são embrulhados em frases bonitas, onde consta destacada, por exemplo, a palavra “humanismo”. Por vezes não há nada de humanista nos objetivos que são determinados e que parecem estar afinados para excluir o pensamento abstrato, aquele pensamento que nos conduz ao que de melhor há na nossa condição humana. Esses objetivos, a que agora se chamam “competências transformadoras”, estão por todo o lado do mundo, incluindo em Portugal.

A estrutura pretensamente teórica que é invocada desvaloriza o conhecimento (a Luísa concordará comigo porque eu estou a concordar com ela), o que interessa já não é o saber, mas o fazer. Nessas competências – definidas de uma forma muito equívoca, de modo que ficamos sem saber o que realmente são –, os conhecimentos estão lá, mas como ingredientes práticos para resolver problemas do quotidiano, têm perdido a dignidade que tinham. Incluem ou remetem para as emoções, os afetos, o trabalho de grupo, a aprendizagem ativa... coisas que fazem um belo ramalhete, mas julgo que não serão relevantes sem um conhecimento sólido das ciências, das humanidades, das artes, da motricidade. Quando se fala, por exemplo, de passarinhos da Primavera, temos de ter uma ideia sobre aves e sobre estações do ano, o que não nos deve impedir de gozarmos o chilrear. E não estou apenas a falar de conhecimento científico. Por vezes, fala-se em passarinhos na Primavera sem conhecer o que a grande literatura já disse sobre isso. Por outras palavras, há um apagamento do saber em nome de outras coisas que não conseguimos perceber bem o que são, mas do que percebemos podemos conjeturar que não concorrem nem a bem dos mais jovens nem do mundo. Um responsável do PISA – Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes –, da OCDE, disse em Portugal, como diz noutros países que não é necessário dar conhecimento aos alunos, pois lhes bastará usar o Google, que tem respostas para tudo. A ideia é que agora está tudo nos telemóveis, está tudo nos computadores e, portanto, só temos de os consultar. Ora o Google é um grande «burro», não sabe nada, quer dizer, se eu quiser saber alguma coisa o Google poder-me-á ajudar, mas tenho primeiro de saber alguma coisa. Se eu não souber nada, o Google será absolutamente inútil. O Google não pode levantar as questões por mim, não pode antecipar nenhuma das minhas questões…

As orientações da OCDE estão cheias de metas, uma noção que tem muito a ver com a economia, à qual está subjacente a questão da produtividade. Trata-se, no fundo, de fazer uma escola – ou algo parecido com ela – que não pense nem leve a pensar. Os professores não são chamados a pensar e os alunos muito menos. Como é que os alunos vão, com essa escola, conseguir pensar?

Portanto, estamos perante perigos vários, e alguns deles estão relacionados com a globalização económica. Há aspetos positivos na globalização – partilho dos ideais do José Eduardo Franco sobre um melhor mundo global -, mas temos de encontrar, entre os diversos conceitos de globalização, o que está de acordo com os princípios éticos que assistem à educação. Agora a questão é como é que vamos afirmar esses ideais na vida, em particular, como é que vamos incorporá-los na escola? Voltando a Hannah Arendt – cuja vida, como a nossa, teve as suas contradições: sendo judia perseguida pelo nazismo teve um caso amoroso com Martin Heidegger, um reputado nazi (mas atenção, não deixou de ser um grande filósofo por ser nazi) – no ensaio que referi – A Crise da Educação – escreveu: «O papel da escola consiste em ensinar às crianças o que é o mundo e não lhes inculcar a arte de viver. Dado que o mundo é velho, sempre mais velho do que eles, o facto de aprender está inevitavelmente voltado para o passado, sem ter em consideração a proporção da nossa vida que se dedicará ao presente.» O que quer isto dizer? Nós falamos de futuro – é essa a tónica da educação – quando não sabemos nada do futuro. Isto não quer dizer que a escola negue a preparação para o futuro, efetivamente tem de a assegurar, e sabemos que, nesse futuro, seja ele o que for, precisamos de pessoas razoáveis, sensatas, dialogantes, que não tenham uma atitude rígida, dogmática, mas isso não significa que as tornemos mão-de-obra servil, não pensante. A escola devia ter o propósito iluminista, kantiano, de “ter o atrevimento de pensar”. Temos de ter o atrevimento de pensar a escola, a escola nos seus fundamentos e propósitos. A escola está, neste momento de globalização, ameaçada pelo grande perigo de afastar o pensamento; compete-nos evitar as suas consequências mais funestas.

Mário Fortes – Prof. Carlos Fiolhais, atrevo-me a formular mais uma questão depois daquilo que disse e da sua brilhante exposição: como é que seria para si a escola ideal?

Carlos Fiolhais – A escola, a educação que desde há milénios lhe está confiada, é um problema que temos de enfrentar. Não há uma solução para ele que seja imediata e definitiva. Há um princípio da escola, um propósito da escola, que eu considero intemporal, que é a garantia do humano. Os seres humanos constroem-se com a ajuda da escola. Os seres humanos não seriam os mesmos, não serão os mesmos sem a escola – eu, em particular, não seria o que sou se não tivesse andado na escola. Eu sou eu, claro, mas isso resulta em primeiro lugar dos meus pais (que me deram os genes), em segundo lugar dos meus professores (que me deram o conhecimento do mundo, que não estava nos genes) e só em terceiro lugar de mim próprio (que procurei o conhecimento do mundo). Para esse desafio que me lança, não encontro outra resposta além desta. Em cada momento histórico, temos de construir a escola que é melhor para construir o ser humano e para a odisseia da humanidade. Não consigo imaginar como será a escola de amanhã. E o que eu critiquei é o facto de algumas pessoas hoje quererem alinhar a escola por um projeto de sociedade a que chamam «Quarta Revolução Industrial», um conceito que é mais ou menos quimérico. Não digo que o mundo de amanhã não vai ser diferente. Claro que vai. Mas eu não sei quais vão ser as diferenças e a escola tem de ter guardiã da tradição que permite enfrentar o futuro. A escola tem de ser, eu vou arriscar dizer – espero que esta seleta audiência não me crucifique por dizer isso –, conservadora. Arendt disse isto e não foi bem vista nos Estados Unidos há seis décadas. Se a escola deixar de ser conservadora, deixará de cumprir a sua função essencial. A escola tem de dar o melhor do passado para termos um futuro melhor.

Mário Fortes- A pergunta foi provocatória...

Carlos Fiolhais – Na escola ideal vamos sempre colocar a questão de melhorar a escola. Daqui a dez anos vai-me colocar de novo essa questão e não haverá ainda uma solução, mas os princípios que estou agora a enunciar, os princípios de uma escola que seja uma garantia da história humana, poderão ser repetidos.

 

OS PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO

 

Trancrição de parte do debate sobre educação que tive on-line em 15/6/2020 com José EDuardo Franco e Luísa Paolinell.moderado por Mário Fortes: 

Mário Fortes- Prof. Carlos Fiolhais, deixo-lhe daqui um desafio: não acha que a educação é dominada pelas ciências exatas e tecnologias e ganharia em dar espaço às ciências humanas numa educação mais integral?

Carlos Fiolhais – A educação sempre se apropriou da tecnologia existente em cada tempo, não é só hoje que o faz. Isso é uma coisa maravilhosa se permite melhorar a educação. Podemos, agora, por exemplo, que professores e alunos estejam próximos mesmo quando distantes. Eu vou responder à pergunta, mas a intervenção do José Eduardo Franco foi tão inspiradora, que retomo a questão básica do dever da educação: porque é que devemos educar, porque é que temos a responsabilidade de educar, porque é que não podemos passar sem educar? Há também a questão dos conteúdos e dos dilemas de escolha, de que falarei a seguir.

Seja-me permitido reafirmar o básico. Como cientista, gosto sempre de começar por aí. A educação existe desde que a humanidade existe. A humanidade inventou a educação e a educação trouxe-nos até aqui. Sem educação a humanidade regride, definha. A educação é um elemento essencial da humanidade. Num certo momento da nossa história, quando o conhecimento construído pela humanidade, em virtude da educação, começou a ser extenso e complexo, já não podia ser todo transmitido pela comunidade. Então, algum desse conhecimento passou a ser transmitido por aqueles que o dominavam, formando progressivamente uma nova organização social, que veio a designar-se por “escola”. Na Grécia Antiga, a escola – não tendo uma única concretização, mas diversas  –, já apresentava, no essencial, a configuração que lhe reconhecemos hoje. Por exemplo, a relação mestre-discípulo, que entendo ser o fundamental da escola, ocupa aí um lugar central, o mesmo acontece na Idade Média, ainda que com características diferentes, e no Renascimento, quando se deu a recuperação de alguns dos valores da Antiguidade Clássica. No Iluminismo, no século XVIII que o José Eduardo Franco conhece bem, há uma afirmação muito forte do valor de educação. Devemo-la a um dos maiores filósofos de sempre, Immanuel Kant. Num pequeno livro intitulado Sobre a Pedagogia, que continua actualíssimo neste tempo global, Kant, disse, de forma lapidar, o que deveria ser a educação moderna. Todos saberão que o filósofo foi um homem global sem nunca ter saído da sua cidade, Königsberg, quer dizer, ele tinha o mundo dentro da sua cabeça sem nunca o ter visitado. Considero que não podemos pensar o mundo sem o pensamento que ele nos deu dele. Ele escreveu o que passo a ler: “O homem só consegue ser homem através da educação [quer dizer, não há homem sem educação]. Não é mais do que aquilo que a educação faz dele [repito porque tem de soar aos ouvidos de hoje: o homem não é mais do que aquilo que a educação faz dele]. É importante sublinhar que o homem é sempre educado por outros homens, os quais por sua vez também foram educados.” Por outras palavras, e estou agora a comentar Kant, a educação é uma prática continuada: a essência humana está lá, sempre esteve, mas a educação acrescenta, modifica. Continua Kant: «A educação é uma arte cuja prática deve ser aperfeiçoada ao longo das gerações». É isso que, com pontos altos e baixos, umas vezes bem outras vezes fracamente mal, tem sido feito; o resultado é o estado civilizacional em que nos encontramos. Educar é fácil? Não é. Kant disse, na mesma obra: “a educação é o problema maior e mais difícil que se pode colocar ao homem. Com efeito, as luzes dependem da educação e a educação depende das luzes.” Quer dizer, há aqui uma dupla implicação: nós não podemos ter certos conhecimentos sem a educação, e não podemos ter educação sem ter certos conhecimentos. A educação escolar é a condição mais importante do conhecimento a que damos valor. Sobretudo, a partir do tempo das Luzes nunca mais deixámos de poder abdicar desta implicação básica entre a educação e o conhecimento. A humanidade nunca mais deixou de ter a questão da educação. É uma questão do nosso destino humano.

Vou saltar por cima do século XIX e mencionar dois filósofos do século XX, que uma pedagoga minha amiga me recomendou, também alemães, e que têm para o tema aqui em debate especial importância. Os dois viveram a experiência trágica da Segunda Guerra Mundial. Uma é Hannah Arendt, que passou por Portugal a caminho dos Estados Unidos, onde produziu boa parte da sua obra. Num dos seus grandes livros – A Condição Humana – consta o texto A crise da educação, onde, desassombradamente, diz: “A educação é o ponto em que decidimos se amamos suficientemente o mundo para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fossem a renovação e a vinda dos novos e dos jovens. A educação é também onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não as expulsar de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as, em vez disso, com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum.” Por outras palavras, a educação é a maneira – a única maneira – que temos de levar cada ser humano a integrar a herança da humanidade e, assim, poder expressar-se de modo único no mundo e, também, de manter e melhorar o mundo. O mundo já existia antes de as crianças nascerem, mas, para elas, o mundo é sempre novo, e é no mundo que elas descobrem que devem ser desafiadas a pensar. O imperativo de Kant que marcou a era iluminista era “atreve-te a pensar”. A educação deve propiciar esse atrevimento que é colocar questões sobre o mundo, que incluem também questões sobre nós, porque somos parte do mundo, sempre numa perspetiva de gradual autonomia de pensamento dos educandos. É muito claro que Arendt estudou Kant, bem como outro grande mestre muito anterior: Santo Agostinho, que não posso omitir nesta conversa.

Um outro filósofo alemão do tempo da Segunda Grande Guerra, que era judeu como Arendt e que, como ela, fugiu do nazismo foi Hans Jonas. Jonas publicou em 1979 (na altura em que eu fui para Alemanha fazer o doutoramento, o que explica o meu lado da cultura alemã), o livro O Princípio da Responsabilidade. Ele diz aí que a educação para ser consequente, tem de levar à ação. Repare-se que a expressão de Arendt “se amamos suficientemente o mundo” vai no sentido de amor mundi, de “amar o mundo”, de Santo Agostinho. Este doutor da Igreja declarou a necessidade de estarmos numa boa relação com a Terra, que é a parte do Universo que habitamos. Por sua vez, Jonas falou da necessidade de agirmos de forma responsável nela; inspirando-se no imperativo moral de Kant, afirmou o seguinte: “Age de tal maneira que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a preservação da vida humana genuína.” Quer dizer, nós temos a responsabilidade da continuação da espécie, porque somos, que saibamos, os únicos no mundo que conseguem pensá-lo: se, por qualquer razão, desaparecêssemos, deixaria de haver consciência do mundo, isto é, o mundo não teria quem o pensasse. Temos, portanto, a obrigação de sobrevivência não apenas perante nós próprios, como seres individuais e coletivos, mas perante a própria vida, que inclui a vida animal e vegetal. É uma questão muito atual educar para respeitar o mundo: ao contrário do que se passou outrora, neste tempo em que o mundo está a sofrer o impacto das nossas ações, temos de pensar empenhadamente como podemos não comprometer as condições para que a vida continue sobre a Terra. Este é um problema que não podemos adiar, um problema que temos de resolver a breve trecho.

Quanto à questão que me foi colocada sobre a eventual oposição ciência-humanidades, não considero que seja muito pertinente. Tal como está expressa, é uma falsa questão, porque dá a entender que as ciências não são parte das humanidades. Ora a ciência é um empreendimento humano. É tão humano como outra atividade humana qualquer. Não há nada de desumano em fazer matemática e ciência. Já os antigos gregos, os mesmos que faziam filosofia, cultivavam a ciência – Aristóteles não se sentiria menos humano quando escreveu a sua Física do quando escreveu a sua Poética; e o mesmo se pode dizer de qualquer autor renascentista com uma vasta mundivisão, como Leonardo da Vinci; ou Voltaire, o filósofo do Iluminismo que levou a física de Newton da Inglaterra para França. A pergunta não faz muito sentido. Fernando Savater, o filósofo espanhol, que está vivo felizmente (para não falar só de filósofos mortos), salientou que o grego e o latim são importantes já que permitem uma agilidade de pensamento, mas acrescento que a matemática e a física também o são. O que é que o latim e o grego têm que possam excluir a matemática e a física? Pelo contrário, a matemática usa caracteres gregos e a nomenclatura da física recorre a raízes gregas e latinas…

Por outras palavras, a educação tem de ser completa no sentido de que tem de incluir as ciências e as ciências humanas, sem esquecer as artes e a expressão física. Percebo a origem da pretensa dicotomia. Vivemos numa sociedade que faz a apologia do utilitarismo, orientada para a produção e consumo, pelo que as questões da vida prática são tratadas por uma «filha» da ciência, a tecnologia. Então, confunde-se ciência com tecnologia. De facto, atualmente, não se pode fazer tecnologia sem ciência, mas as duas não se identificam. A confusão entre as duas deve ser evitada. Eu posso produzir pensamento sobre o Universo, por exemplo sobre a matéria escura e a energia escura (dois dos maiores enigmas atuais), sem nenhuma intenção – nem sequer possibilidade – de ter qualquer tipo de intervenção técnica. Todavia, numa sociedade dominada pelo fazer, numa economia que se baseia na produção e no comércio, identifica-se muito apressadamente ciência com tecnologia. Ora, os grandes espíritos, quer os antigos, quer os atuais, sabem que ciência e tecnologia se tocam – não estou a dizer que não se tocam – mas se tocam de uma maneira que não é essencial. Quando se diz que a tecnologia está a prejudicar as humanidades, tenho alguma dificuldade em concordar, pois isso significaria uma grande debilidade das humanidades. Acho que as humanidades permanecem e permanecerão, aproveitando para seu benefício o que a tecnologia lhes oferece. Se vemos no mundo contemporâneo sinais de que o latim ou o grego, a filosofia e a história, etc.   estão a ser preteridas, deve também reparar-se que a minha disciplina – a física teórica – não o está menos. Eu, físico teórico, estou do lado das humanidades, estou do lado do saber abstrato, do saber inútil. E também me junto àqueles que cultivam o saber pelo saber, o saber desinteressado, o saber que é capaz de avançar questões sem pensar em aplicações.

Para abreviar, o que é que a educação permite – ou pode permitir – hoje? A educação permite dar às pessoas que povoam o mundo o melhor do nosso passado, o melhor da tradição, o melhor da nossa herança para que haja um futuro melhor. Só podemos dar o passado para ter esse futuro. Vamos ter futuro, mas este terá de ser construído por nós. E não poderemos ter futuro se não conhecermos o passado, se não tivermos munidos do melhor do nosso passado. Temos de saber quem foi Galileu e temos de saber quem foi Montaigne. E temos de saber também quem foi Descartes, que estava com os pés nos dois lados, tanto era matemático e físico, como filósofo e teólogo. Portanto, a escola onde se estudam esses e muitos outros génios da humanidade, continua a ser essencial, como sempre foi. Diria até que é cada vez mais relevante, porque cada vez há mais questões para resolver, algumas das quais muito complexas, em particular nesta altura a questão da sustentabilidade do planeta. O que temos de fazer? Temos de dar o melhor de nós na educação, dar o melhor de nós no dia-a-dia da escola, porque a escola é o modo que a sociedade instituiu para pôr a educação do que é sofisticado e difícil em prática. A escola continua imprescindível, porque continua a ser a instituição por excelência da humanidade para fazer humanidade.

Mário Fortes - Muito obrigado, Professor. Tocou aqui em pontos fundamentais e extraordinariamente pertinentes na educação, falando na Hannah Arendt, que é inspiradora e o ponto que enfatizou que a educação é o lugar onde decidimos a responsabilidade é algo extraordinário. Disse muito bem o que é educação e que, para cada nova criança no mundo, abre-se um mundo novo. De facto, o professor trouxe para este debate e para esta discussão aspetos muito pertinentes. Depois também terminou a sua intervenção dizendo que a educação é cada vez mais relevante para respondermos a tantas questões da nossa sociedade, para que consigamos dar respostas às questões que a sociedade nos dirige neste momento.

"A VOSSA VOZ CONTA" PORQUE ELA É A NOSSA VOZ, QUE QUEREMOS QUE SEJA VOSSA

Saiu no  Expresso   online de ontem, sábado, um texto muito esclarecedor do jornalista Rui Duarte Silva sobre as terceiras Jornadas da Juven...