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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

“SERÁ QUE OS JORNALISTAS SABEM FALAR DE CIÊNCIA?”




Na próxima 4ª feira, dia 30 de Janeiro de 2019, pelas 18h00, vai ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra “Será que os jornalistas sabem falar de Ciência?”, por Vera Novais, Bióloga e Jornalista de Ciência do jornal online  Observador.

Vera Novais, vencedora do Prémio Comcept - Comunidade Céptica Portuguesa em 2018, é, actualmente, uma das mais relevantes jornalistas de ciência portuguesa e tem-se destacado pela publicação de excelentes artigos jornalísticos sobre temas científicos e de saúde pública do maior interesse para a sociedade. Paralelamente, tem sido muito activa no contexto da comunidade portuguesa de comunicadores de ciência. Pela Rede SciComPT, será a jornalista de ciência representante portuguesa no European Science Journalist of the Year.


Sinopse da palestra:
"O jornalista está exposto diariamente ao escrutínio de colegas e concorrentes, de editores e diretores, e, sobretudo, de uma audiência implacável. Pouco importa se leu três tratados sobre o assunto, falou com os melhores especialistas e passou duas semanas a preparar a peça, o trabalho do jornalista é facilmente posto em causa. E quanto mais específica for a área pior. Mas estará o jornalista assim tão mal preparado para falar sobre áreas de especialidade, como os temas de ciência? E que competências precisa reunir para fazer um bom trabalho?" Vera Novais

Esta palestra integra-se no ciclo  "Ciência às Seis - Terceira temporada". Este ciclo de palestras é coordenado por António Piedade, Bioquímico, escritor e Divulgador de Ciência.

ENTRADA LIVRE

Público-Alvo: Público em geral
Link para o evento no facebook

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Devemos temer os químicos?

Créditos: Dicasfree

O Diário de Notícias (DN) publicou hoje a minha opinião sobre o receio generalizado dos químicos, que pode ser lida aqui: Devemos temer os químicos?.

Surgiu a ideia deste texto após ter lido uma notícia, na semana passada, precisamente sobre os perigos dos químicos. Esta notícia tinha por base um estudo que analisou as substâncias químicas no interior das casas dos Estados Unidos da América. Apesar do artigo científico apresentar uma análise ponderada, a notícia saiu com um tom algo alarmista. Além disso, também o químico monóxido de di-hidrogénio (H2O) foi descrito como um perigo, mesmo tendo reconhecido que se tratava da água. 

Assim, é de valorizar o trabalho do DN pela abertura em publicar agora este texto, que esperamos que ajude a esclarecer conceitos. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

FLORIR NO ESPAÇO ou SOBRE O MAU JORNALISMO À VOLTA DE UMA FLOR

Crónica primeiramente publicada na imprensa regional.





As plantas com flor, ou angiospérmicas, surgiram na história da vida no planeta Terra há pelo menos 130 milhões de anos e, depois delas, a relação entre animais e plantas mudou e intensificou-se. As plantas angiospérmicas mudaram os ecossistemas, a paisagem com as suas pétalas coloridas. Hoje, as plantas angiospérmicas englobam cerca de 230 mil espécies por toda a biosfera. A propósito, refira-se que a designação “angiospérmicas” deriva das palavras gregas "angios" para "urna", e "sperma" para "semente".

Mas já não só na Terra há plantas com flores! Na Estação Espacial Internacional já floriram plantas. Recorde-se, antes de mais, que a estação, um laboratório espacial concluído em 2011, "encontra-se em órbita baixa (entre 340 km e 353 km), o que possibilita que possa ser vista da Terra a olho nu, e viaja a uma velocidade média de 27 700 km/h, completando 15,77 órbitas por dia", conforme se pode ler aqui.

No passado dia 16 de Janeiro, o astronauta norte-americano Scott Kelly, comandante da actual missão da Estação Espacial Internacional, publicou na sua conta no Twitter a seguinte frase: “Primeira flor de sempre a crescer no espaço faz a sua estreia”. A flor é de uma zínia (Zinnia é um género botânico pertencente à família Asteraceae) e a notícia espalhada naquela rede social fez com que inúmeros meios de comunicação social internacionais divulgassem o acontecimento, tal como se tivesse sido a primeira vez que uma planta tivesse florido no espaço.

Mas o entusiasmo de Scott Kelly deturpou a história e os meios de comunicação social publicaram o florescimento sem terem feito uma simples investigação na internet para confirmarem a primazia afirmada pelo astronauta.

É que, em abono da verdade, não foi esta a primeira vez que uma planta cresceu e floriu no espaço, mesmo naquela Estação Espacial. E, entre nós, que eu tivesse dado conta, só o jornalista de ciência Nicolau Ferreira, do jornal Público, investigou e escreveu a verdade sobre esta questão (ver aqui).

De facto, há mais de 30 anos que várias missões espaciais conseguiram que diversas plantas florissem no espaço. Nicolau Ferreira consultou o site oficial do Guinness World Records e encontrou que “em 1982, a tripulação da estação espacial Saliut-7, pertencente à então União Soviética, cultivou a bordo algumas Arabidopsis. Durante o seu ciclo de vida de 40 dias, elas tornaram-se as primeiras plantas com flor a produzir sementes no espaço em gravidade zero”.

Acrescenta ainda o jornalista do Público que “na estação russa Mir, entre 1996 e 1997, cultivou-se trigo, obtendo-se flores e sementes” e que “o astronauta norte-americano Donald Pettit mostrava em 2012 fotografias de uma flor de girassol durante a sua missão” na Estação Espacial Internacional.

O cultivo de plantas com flor no espaço sempre teve o objectivo científico de, por um lado, compreender o comportamento e desenvolvimento das plantas no espaço em situações de micro-gravidade, o que, por outro lado, ajuda os cientistas a compreenderem também o papel que a gravidade terrestre tem no crescimento das plantas no nosso planeta. Para além deste interesse científico, a investigação do cultivo de plantas no espaço é importante pois permite desenvolver as condições propícias para a produção de alimentos vegetais frescos para alimentar os astronautas. Este aspecto é crucial se a humanidade empreender futuramente viagens espaciais durante longos períodos de tempo, como seria o caso da colonização de outros planetas no Universo.

Voltando às zínias, a sua escolha para a presente missão não foi ao acaso. Segundo a NASA, aprender a cultivar esta espécie de planta é uma aproximação para o passo seguinte que será o de se conseguir cultivar o tomateiro. Ambas as plantas possuem um período de crescimento semelhante e precisam de florir. O início do cultivo de tomateiros está previsto para 2017, segundo a NASA.

Este caso das zínias é mais um exemplo de como a generalidade (como em tudo há excepções) da comunicação social trata as notícias de ciência a partir de fontes supostamente credíveis: acriticamente, traduzindo, replicando e publicando sem mais investigações. É um mau serviço, não só à ciência, mas sobretudo ao jornalismo em si próprio.


António Piedade

terça-feira, 22 de abril de 2014

NÃO ESPALHE ESTA MENSAGEM

Excelente artigo, do jornalista Ricardo Nabais na última edição do Sol, para o qual prestei algumas declarações.




Imagine que recebe o seguinte email: «Laranja (ou Vitamina C) + Marisco, Nunca! (veneno fatal produzido no organismo…)». O que faz? a) interrompe tudo o que está a fazer e vai até à marisqueira mais próxima; b) comparece nas urgências do hospital mais próximo, em agonia, a pedir uma lavagem ao estômago; c) vai imediatamente a um notário lavrar o seu testamento.

Se escolheu as respostas b) e c) e reencaminhou o email para a maior parte dos seus amigos e conhecidos, em pânico, pode fundar uma nova igreja, pois acredita em tudo. Se os seus amigos e conhecidos tiverem a mesma reacção, parabéns, a sua igreja terá muitos seguidores.

Mas se escolheu a opção a) está no bom caminho. Será só ao paladar que laranja e marisco não combinam. De resto, ninguém encontrou uma relação tóxica ou perversa entre os dois ingredientes. E a saúde pública – felizmente – não faz os seus alertas assim, de email em email, propagando pânico sem fundamentação. 

Se, ainda assim, acredita nesta tese, basta ler as primeiras linhas daquela mensagem –  «Em Taiwan, uma mulher morreu de repente com sinais de hemorragia em seus ouvidos, nariz, boca e olhos. Depois de uma autópsia preliminar, foi diagnosticado como ‘causa mortis’ envenenamento por arsénico. Mas qual foi a origem do arsénico?». 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O PORTUGUÊS QUE TRABALHOU COM O NOBEL DA QUÍMICA 2012


O artigo publicado no Diário de Notícias de hoje, em que a excelente jornalista Filomena Naves conta como o cientista português David Aragão ajudou a pôr a cereja em cima do bolo do Nobel da Química deste ano.

(clique para ampliar a imagem)

David Aragão ficou todo satisfeito quando abriu, ontem, a sua caixa de correio eletrónico. Tinha uma mensagem de Brian Kobilka, um dos dois norte- americanos a quem a Real Academia das Ciências sueca atribuiu há dias o Prémio Nobel da Química 2012 – o outro foi Robert Lefkowitz. “Logo na quarta- feira, quando foi anunciado o prémio, mandei- lhe um e- mail a dar- lhe os parabéns e nem estava à espera que me respondesse tão depressa, porque deve ter recebido imensas mensagens”, conta o investigador português.

Na volta do correio, Brian Kobilka aproveitou para pôr David Aragão a par das últimas novidades do seu trabalho nos Estados Unidos. “Mas disso não posso falar”, diz, divertido, o jovem português. Essas investigações, estima, ainda hão de dar que falar, talvez sob a forma de novas pílulas para combater problemas de saúde como a diabetes ou a obesidade.

Atualmente investigador no Australian Synchrotron, em Melburne, David Aragão tem uma história em comum com Brian Kobilka. O jovem português trabalhou de perto com o novo Nobel da Química durante dois anos, e em janeiro de 2011, foi um dos coautores do artigo publicado na revista Nature que o comité Nobel considerou a “cereja no topo do bolo” do trabalho realizado pelo cientista norte- americano na busca dos recetores acoplados à proteína G, como são designados estes recetores celulares, que estão na base de algumas funções básicas do organismo e cuja descodificação foi o motivo do Nobel.

Nesse artigo da Nature, “Brian Kobilka e a sua equipa capturaram uma imagem do recetor adrenérgico- beta no momento exato em que é ativado por uma hormona e envia um sinal para dentro da célula”, justificou o comité Nobel, sublinhando que “esta imagem é uma obra- prima molecular”. David Aragão chegou em 2009 a essa busca. Na altura estava integrado no grupo de Bioquímica e Imunologia do Trinity College, de Dublim, na Irlanda, com uma bolsa Marie Curie. E foi então que Brian Kobilka lhes pediu colaboração naquilo em que eram especialistas de topo mundial: a cristalização de proteínas com lípidos e sua caracterização estrutural.

“Tive de desviar-me um pouco do meu projeto para trabalhar no que nos propôs”, conta David Aragão. Valeu a pena. Nos dois anos seguintes, estabeleceu- se uma rotina. Brian Kobilka produzia as proteínas no seu laboratório e enviava-as via FedEx para a Irlanda. Uma viagem delicada, de 24 horas. “Nós depois fazíamos a cristalização e voávamos todos os meses para os Estados Unidos, para recolher dados no sincrotrão de Chicago.”

No sincrotrão, um acelerador de partículas que produz raios X para fazer, entre outras experiências, a chamada cristalografia por raios X, era então feita a leitura da estrutura da proteína. Foi assim que equipa obteve a sua“obra- prima molecular”, como lhe chamou o comité Nobel.

Nesses vaivéns entre os dois lados do Atlântico, David Aragão e os seus colegas irlandeses acabaram por estabelecer uma boa relação de trabalho com Brian Kobilka. “A cada duas semanas falávamos por videoconferência e houve uma altura em que ele e a mulher foram passar uma semana de férias à Irlanda, durante a qual acabámos por estar trabalhar.”

Já este ano, David Aragão publicou outro artigo na Nature, na sua própria linha de trabalho, e agora, na Austrália, continua a perseguir proteínas de membranas celulares que poderão dar respostas no combate a doenças por bactérias.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Recensão Crítica a “Por que Choramos Quando Cortamos uma Cebola?”


Recensão crítica primeiramente publicada na imprensa regional portuguesa.



Por que Choramos Quando Cortamos uma Cebola” é o título do livro de divulgação científica que as jornalistas de ciência Teresa Firmino e Filomena Naves, respectivamente dos jornais Público e Diário de Notícias, acabam de publicar (Julho de 2012) na editora A Esfera dos Livros.

Este livro “partiu de um convite da editora, a Esfera dos Livros, que aceitámos como uma aventura divertida”, diz Teresa Firmino. “Pensámos que era uma bela ideia e aproveitámos para ir atrás da nossa própria curiosidade”, acrescenta Filomena Naves.

As autoras guiam o leitor através de 130 perguntas que preenchem seis capítulos a saber: “Danças Cósmicas”, “Humores da Terra”, “Dos Vírus à Baleia-Azul”, “Mundanidades” “Humanos aos Microscópio” e “Uma Mão-cheia de Mitos e Outras Curiosidades”.

A escolha das perguntas “resultou de muitas conversas entre nós as duas e também com os nossos amigos, a quem pedimos para dizerem o que gostariam de ver respondido”, explica Teresa Firmino e acrescenta, “procuramos que o livro fosse diversificado e assim chegámos a 129 perguntas sobre ciência, mais uma, a da cebola que se encontra no título”. Para Filomena Naves “algumas perguntas estão aqui (neste livro) porque as suas respostas se nos revelaram através de histórias fascinantes. A verdade é que a ciência e a busca científica estão cheias de histórias fantásticas”. A escolha tem ainda a particularidade de apresentar ao leitor temas de interesse nacional, logo aumentando a proximidade com o leitor.

O livro é de leitura muito acessível, suportada por uma escrita debruada com algum humor e ironias despretensiosas, que cativa e que concilia o rigor científico com a simplicidade na terminologia. Diga-se que a actividade de jornalistas de ciência das duas autoras pressente-se ao longo de todo o livro. Se o jornalismo serve para nos ajudar a compreender o mundo, o estilo jornalístico como as autoras contam as histórias com que respondem às perguntas, facilita a compreensão do conhecimento científico que se pretende divulgar.

Há pelo menos três aspectos que fundamentam a qualidade da divulgação científica presente neste livro. Um, é o de as autoras darem voz a diversos investigadores portugueses que ajudam a responder às questões formuladas. Outro é a actualidade dos conteúdos presentes ao longo do livro. De facto, as autoras recorrem aos conhecimentos e investigações mais recentes (algumas já do primeiro trimestre deste ano!) para fundamentarem as respostas. Por fim, sublinhe-se a existência de uma bibliografia generosa que serve, simultaneamente, para remeter o leitor mais curioso para onde pode aprender mais, e para “ilustrar”, identificar, as fontes primárias e secundárias utilizadas pelas autoras na elaboração das respostas. Este último aspecto não deixa de se revestir de um certo didactismo, útil para quem quer saber por onde começar a obter informação sobre as novidades da ciência e tecnologia mundial.

As autoras parecem convidar o leitor para uma conversa agradável, ao longo de 130 assuntos sobre o Universo em que vivemos. Que leitor? “Este livro é para o grande público, dos 9 aos 99 anos”, indica Teresa Firmino. “Escrevemo-lo”, desvenda Filomena Naves, “de uma forma simples e acessível e, pensamos que interessante, justamente com o intuito de tornar apelativa a sua leitura e de despertar o interesse pela ciência e pelas questões que são objecto da sua busca”.

Um excelente livro de divulgação de ciência para todos, uma brisa refrescante no panorama da divulgação científica portuguesa.

Uma agradável leitura para as férias, mas são só.

António Piedade
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

terça-feira, 24 de julho de 2012

“Por que Choramos Quando Cortamos uma Cebola?”


Entrevista que Teresa Firmino e Filomena Naves, jornalistas de ciência dos jornais Público e Diário de Notícias, respectivamente, me concederam no âmbito do programa “Ciência na Imprensa Regional-Ciência Viva”, a propósito do seu último livro de divulgação de ciências que acabam de publicar pela editora A Esfera dos Livros, e que se intitula: “Porque Choramos Quando Cortamos uma Cebola?”.



Teresa Firmino e Filomena Naves

AntónioPiedade – Por que é que escreveram este livro agora?
TeresaFirmino- Partiu de umc onvite da editora, a Esfera dos Livros, que aceitámos como uma aventura divertida. A ideia era responder às perguntas do quotidiano que todos fazemos,mas depois acabamos por não procurar uma resposta. Algumas são interrogações sobre aspectos comuns do dia-a-dia, a começar pela razão de ser da agressão dac ebola aos nossos olhos, das malaguetas picarem ou de os ovos não se colarem à sfrigideiras, ou pelo menos, a algumas delas. Outras não são tão banais, como o destino que vai ter o Universo, se há vida noutros planetas fora do sistema solar ou qual é o sítio mais fundo dos oceanos.
Filomena Naves- Este foi um desafio que a editora Esfera dos Livros nos lançou no ano passado. Pensámos que era uma bela ideia e aproveitámos para ir atrás da nossa própria curiosidade. Os nossos amigos, em algumas conversas bem animadas, também nos fizeram algumas boas sugestões.

AP- Para quem escreveram este livro e quem são essas “pessoas curiosas” a quem destinam o livro?
TF - Este livro é para o grande público, dos 9 aos 99 anos. Não é preciso saber muito de ciência para o ler, porque a linguagem é simples e fácil de entender. Quisemos espicaçar a curiosidade de toda a gente, respondendo às perguntas que nós ou os nossos amigos já fizeram alguma vez. É um livro de porquês. E, para lhes responder, recorremos às explicações dadas pelos cientistas. Mesmo para os mais pequenos, os pais,depois de lerem as respostas, podem explicar-lhes os muitos mistérios de que fala este livro de uma forma ainda mais simples.
Procuramos ainda que contasse histórias, algumas relacionadas com Portugal, o que foi uma maneira de tornar o livro diferente de outros e de o aproximar dos leitores portugueses. Também não é preciso lê-lo de uma ponta a outra. Pode saltar-separa as perguntas sobre as quais se tem mais curiosidade e as respostas são geralmente curtas.
FN - Este livro destina-se a um público alargado e a pessoas de quase todas as idades. Escrevemo-lo de uma forma simples e acessível e, pensamos que interessante, justamente com o intuito de tornar apelativa a sua leitura e de despertar o interesse pela ciência e pelas questões que são objecto da sua busca.

AP- Que resposta ao vosso desafio esperam dos leitores?
TF - Que se divirtam a ler o livro e que, pelo caminho, se deixem cativar pela ciência e pelo que ela tem de maravilhoso e inspirador. Saber que pode haver vida noutras do Universo é inspirador, como saber que o nosso Sol vai morrer é uma forma de pôr tudo em perspectiva. A ciência procura desvendar os mistérios da natureza e as respostas que vaie ncontrando não diminuem em nada a beleza das coisas, pelo contrário. Essa procura constante do saber faz parte da essência do ser humano e a ciência molda-nos na forma como vemos o mundo e até fazemos escolhas pessoais, em aspectos tão simples como não abandonarmos a toma de um antibiótico a meio.
FN - Se as pessoas se interessarem, e se ele puder despertar mais curiosidade pelas coisas da ciência, isso será certamente uma boa resposta.

AP- O que é que presidiu à escolha dos 6 territórios em que se desenvolvem omesmo número de capítulos do vosso livro?
TF - Foi uma maneira de organizar todas as perguntas que tínhamos. Reparámos que podiam organizar-se em seis temas ou, como diz, em 6 territórios. Um desses territórios remete para o que está por cima das nossas cabeças – o espaço e a astronomia –, outro para fenómenos no planeta Terra. Não esquecemos o território dos animais, nem o das mundanidades,nem das inquietações e dos mistérios sobre nós próprios. A fechar o livro estão os mitos e as curiosidades, começando pela ideia de que o tamanho dos pés pode indicar o dos pénis e terminando na lenda de que D. Afonso Henriques bateu na mãe.
FN - Decidimos logo no início que seria mais útil, mesmo em termos de facilidade de leitura, ter grandes áreas que permitissem aos leitores uma “navegação” mais imediata e simples do livro. Pensamos que as seis áreas acabam por abranger quase tudo: o universo e o espaço, a Terra nas suas várias dimensões, os seres vivos, o ser humano e as suas complexidades e também alguns mitos e curiosidades do dia-a-dia.

AP- Qual o critério que utilizaram na escolha das 130 perguntas?
TF- A escolha das perguntas resultou de muitas conversas entre nós as duas e também com os nossos amigos, a quem pedimos para dizerem o que gostariam de ver respondido. Procuramos que o livro fosse diversificado e assim chegámos a 129 perguntas sobre ciência, mais uma, a da cebola que se encontra no título.
FN- Conversámos com amigos e exercemos a nossa curiosidade, como já disse, mas procurámos também conta ralgumas histórias através destas perguntas. Algumas perguntas estão aqui porque as suas respostas se nos revelaram através de histórias fascinantes. A verdade é que a ciência e a busca científica estão cheias de histórias fantásticas.

AP- Este livro é uma extensão, um complemento, da vossa intensa actividade de jornalismo científico?
TF - Sem dúvida que este livro decorre da nossa actividade como jornalistas de ciência. Todos os dias, nos nossos jornais, eu no “Público” e a Filomena Naves no “Diário de Notícias”, escrevemos sobre as novidades científicas para os leitores. Procuramos descodificar a ciência e as descobertas que acabam de ser feitas, que muitas vezes são herméticas e áridas,utilizando uma linguagem compreensível e, sempre que possível, agradável de ler. Também é essa ponte entre a ciência e o leitor, neste caso para as curiosidades do dia-a-dia, que procurámos fazer no livro.
FN - Creio que sim. Em jornalismo, um dos critérios essenciais para publicar algo é o facto de esse algo ser notícia.Aqui não existe esse constrangimento, por assim dizer. O livro é portanto mais abrangente e, nesse sentido, pode dizer-se que é uma extensão da nossa actividade de jornalistas de ciência.

AP- Como classificam a produção de ciência e tecnologia em Portugal desde o 25 de Abril de 1974?
TF - Cresceu tremendamente. E não foi só a produção científica, também subiu o número de doutorados e a percentagem do produt ointerno bruto (PIB) gasto em ciência e desenvolvimento (I&D). A forma como se faz ciência no país também mudou desde o 25 de Abril. Era fechada ao resto do mundo, muitas vezes feita por um cientista sozinho e isolado, mas entretanto internacionalizou-se, com a adesão a organizações internacionais como o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) ou a Agência Espacial Europeia, e muitos jovens foram doutorar-se no estrangeiro.
Actualmente,a grande incógnita é se, com a crise e com menos dinheiro, vai ser possível manter, pelo menos, a produção científica e outros indicadores, como o PIBgasto em I&D.
FN - Um crescendo notável, que decorreu directamente do investimento político e financeiro que foi feito nessa área e que hoje permite a Portugal ser parceiro científico em diferentes áreas a nível internacional. Esta, parece-me, é hoje uma ideia bastante consensual.

AP- Seria possível fazerem o mesmo exercício (o de escreverem um livro de divulgação de ciência que dá "voz" aos cientistas portugueses) quando começaram a vossa actividade de jornalistas de ciência?
TF- Parece-me que já teria sido possível, porque havia bons cientistas portugueses e eles tinham notícias e histórias para contar. Tornei-me jornalista nessa altura, em 1992, quase logo desde o início na área da ciência, e a diferença que notei ao longo destes anos é que agora há mais investigadores portugueses a publicar resultados em revistas científicas internacionais. Ou seja, os jornalistas têm mais investigações sobre as quais podem escrever. E os cientistas não só estão mais habituados a falar com os jornalistas, como querem divulgar o seu trabalho. Consideram que faz parte das suas funções comunicarem aos cidadãos o que fazem e uma forma de o fazerem é falando com os jornalistas.

FN - Comecei a trabalhar nesta área em 1986, no já extinto "Semanário", justamente no momento em que se iniciou o crescimento da actividade científica em Portugal. Nessa altura já havia alguns bons exemplos de cientistas e grupos científicos a trabalhar no país, e eu andei justamente à procura deles, para poder relatar os seus trabalhos, mas não teria sido possível escrever na época um livro assim, com tantas “vozes” de cientistas portugueses.

Autores: Teresa Firmino e Filomena Naves
Editora: A Esfera dos Livros
Colecção: Fora de Colecção
N.º de páginas: 264
ISBN:978-989-626-397-3
Data: Julho de 2012
http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=316

António Piedade

quarta-feira, 20 de junho de 2012

"Comunicar Ciência"


Porque é que os cientistas se queixam de que os jornalistas nunca percebem nada do que se lhes diz? Porque é que os jornalistas se queixam de que os cientistas não sabem contar o que fazem? Porque é que os cientistas e os media estão de acordo quanto à necessidade de comunicar ciência mas têm perspectivas tão diferentes dessa actividade? Em que consistem as diferenças entre estes dois grupos? É possível esbater essas diferenças? E é conveniente fazê-lo?