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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Uma biografia de António Arnaut

Foi lançado este ano o livro "António Arnaut - Biografia", da autoria dos jornalistas Luís Godinho e Ana Luísa Delgado. 

António Arnaut (1936-2018) foi um advogado português que nasceu em Penela e viveu a maior parte da sua vida em Coimbra. Teve uma relevante participação cívica e cultural no panorama nacional: do ponto de vista político, foi um dos fundadores do Partido Socialista, foi deputado, vice-presidente da Assembleia da República e Ministro dos Assuntos Sociais; ainda enquanto político, criou e defendeu o Serviço Nacional de Saúde (SNS); foi autor de dezenas de livros de poesia, ficção e ensaios; pertenceu à maçonaria, uma instituição filantrópica, tendo exercido o cargo de Grão-Mestre do GOL. 

Sempre que possível, utilizava o espaço mediático para defender o SNS, a ética, a justiça e a igualdade, assim como para criticar a corrupção e o neoliberalismo.

O livro pode ser divido em oito partes: do capítulo 1 ao 6 é apresentada a história da criação e vicissitudes do SNS, o capítulo 7 aborda os aspetos principais da sua vida, os capítulos 8 a 10 são dedicados à sua experiência militar, o capítulo 11 centra-se na sua relação com a religião e a perda da fé, nos capítulos 12 a 15 é dada a conhecer a sua vida política, os capítulos 16 a 18 são dedicados à sua atividade literária, os capítulos 19 a 21 abordam a sua preocupação com a ética e a sua intervenção cívica e social, o capítulo 22, o último, encerra com o reconhecimento público que mereceu. 


sábado, 1 de novembro de 2014

Vampiros, zombies e bruxas



No Jardins de Cristais, Química e Literatura escrevi um pouco sobre as histórias de vampiros e de zombies. Saliento em particular o excerto seguinte:

Brian Stableford, biólogo e autor de ficção científica britânico, procurou, em O Império do Medo, de 1988, outra forma de apresentar o mito do vampiro, dando‐lhe verosimilhança científica e histórica. Neste livro, fantasia uma história alternativa em que uma aristocracia de vampiros imortais domina a terra. Estes não têm problemas com a luz, mas o aumento do seu número é muito limitado, embora continuem a precisar de sangue, mas apenas em pequenas quantidades. Com o desenrolar da história, que vai de 1623 e 1983, percebe‐se que se trata de uma doença benigna causada por um germe (mais tarde identificado como um vírus) que repara danos celulares e retarda os processos de envelhecimento celular. O sangue, modernamente substituído por comprimidos, é necessário porque alguns neurotransmissores importantes deixam de ser produzidos no corpo transformado, que entra em hibernação na sua falta.

No caso do mito dos zombies é também possível encontrar ligações químicas. Existe a teoria, mais ou menos confirmada, de que em determinados locais da América Central são usadas toxinas como a tetrodoxina que causa paralisia e outras drogas para fazer zombies através de vodu. Para o sucesso disso, concorre a credulidade das pessoas, mas não é totalmente descabido.
Mas acabei por não referir directamente a questão das bruxas e da química que lhes está associada. É notável a similitude das narrativas que nos chegaram sobre estas mulheres, e também homens, acusados de bruxaria. São em geral pessoas que têm bons conhecimentos empríricos sobre ervas com actividade biológica e que saberiam com certeza quais eram alucinogénicas. Estes conhecimentos eram provavelmente transmitidos como segredos e vários autores acreditam que a similitude das narrativas reside nas propriedades alucinogénicas das moléculas envolvidos. Numa sociedade opressiva para a mulher, possuir segredos sobre a cura e alívio de algumas doenças através das plantas e ter a possibilidade de se libertar das tarefas diárias através do voo numa vassoura, era arriscado mas compensador. Claro que o voo era uma alucinação, mas pareceria muito mais real com a ajuda de compostos como a atropina, a hioscimina e a escapolamina da beladona e figueira do diabo, por exemplo, e da batracotoxina obtida dos sapos, entre vários outros compostos obtidos de plantas e animais. Paralelamente, resistindo ao sofrimento insano causado pelos perseguidores de bruxas, foram sendo preservados conhecimentos importantes sobre plantas medicinais tais como a dedaleira que possui o glicosídeio digitoxina que é um estimulante cardíaco, a casca de salgueiro e choupo com salicina e tantas outras mezinhas ou poções que derem origem ou inspiraram um grande número de medicamentos modernos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Jardins de Cristais, Química e Literatura



Um pequeno excerto do meu livro Jardins de Cristais, Química e Literatura, editado pela Gradiva:


Há uma pequena história num dos cinco volumes de O Guia Galáctico do Pendura, do escritor britânico Douglas Adams, mais concretamente no volume intitulado O Restaurante no Fim do Universo, que retrata bem o papel, aparentemente modesto, mas fundamental, que a química tem em muitas histórias e na vida em geral. A história tem a ver com um poeta cuja obra é alterada, acabando por desaparecer, no decurso de viagens no tempo efectuadas por um grupo de empresários que o querem convencer a participar num anúncio de um líquido corrector. Mais tarde, a obra do poeta acaba por ser reconstruída a partir de uma cópia vinda do futuro, e, ao lermos a história, fixamos-nos nas grandes questões: o Universo e tudo o resto, em particular na possibilidade de efectuar viagens no tempo e nos paradoxos que essa possibilidade causa. No entanto, esta história só é possível porque um químico criou uma coisa que passa quase despercebida, mas tem um papel fundamental para o desenrolar da história: o líquido corrector.

O livro está disponível a partir de hoje nas livrarias, página da Gradiva e ainda na Wook.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

LER +, LER MELHOR: PIPOCAS COM TELEMÓVEL

Edição do programa da RTP Ler+, Ler Melhor acerca do livro Pipocas com Telemóvel e Outras Histórias de Falsa Ciência, da autoria de David Marçal e Carlos Fiolhais.

Para ver aqui.

domingo, 19 de maio de 2013

LANÇAMENTO DO LIVRO "DOIS DEDOS DE CONVERSA SOBRE O DENTRO DAS COISAS"

No dia 21 de Maio de 2013, às 18h30, na Livraria Ferin, no Chiado – Lisboa, tem lugar a apresentação do livro Dois Dedos De Conversa Sobre o Dentro das Coisas – Um Crente, Um Ateu e a Verdade Como Provocação.

O evento conta com a presença dos autores, Bruno Nobre e Pedro Lind e a intervenção do professor Carlos Fiolhais.

João Lobo Antunes e Carlos Fiolhais são os autores dos prefácios que introduzem esta obra, que reporta a correspondência entre os dois físicos, um crente, jesuíta, e um ateu, num diálogo intenso e sugestivo sobre o modo de entender a relação entre a ciência e a religião.


terça-feira, 16 de abril de 2013

"TODA A CIÊNCIA (MENOS AS PARTES CHATAS)" É O NOVO LIVRO DOS CIENTISTAS DE PÉ

O novo livro dos Cientistas de Pé, um grupo de cientistas que faz stand-up comedy desde 2009, chega às livrarias no final de Abril, editado pela Gradiva.


«Com esta obra, além de ficarmos a saber mais sobre alguns aspectos das multifacetadas ciências modernas, as ciências que tão fortemente moldam o mundo de hoje, ficamos também com uma imagem mais verdadeira da ciência e dos cientistas. Estes são capazes de não se levar demasiado a sério. Tal como estes Cientistas de Pé, os melhores cientistas são capazes do melhor humor. Uma das anedotas mais engraçadas da ciência que conheço é aquela em que alguém pede a Einstein para fazer uma conta simples, que deveria ser feita mentalmente por um físico laureado com o Nobel. Resposta, surpreendente, de Einstein: 'Julgam que eu sou algum Einstein?'» in Prefácio (Carlos Fiolhais)

Neste livro podem ler-se piadas sobre a ciência que há no futebol, no sexo e no bacalhau. Ficará a saber que as ciências são como as drogas, há as leves e as duras. Conta-se o caso dramático de um jovem privado de homeopatia desde pequenino e a vida de um informático na óptica do utilizador. Ficará rendido à eficácia do speed dating com arroz hermafrodita e preocupado com a crise de identidade do lixo. Também é explicado como a capacidade de planeamento pode prejudicar o desenrascanço e feito um tocante peditório para financiar um programa de reprodução de ideias ameaçadas em cativeiro. A comicidade é assegurada por uma série de rigorosos testes realizados em laboratório, de modo que o leitor nem precisa de se preocupar em rir.

«Do ponto de vista de um observador à velocidade da luz, este livro parece engraçadíssimo.»
Albert Einstein

«Este livro tem e não tem piada ao mesmo tempo.»
Erwin Schrödinger

«Tentei rir-me pouco para não emitir muito dióxido de carbono.»
Al Gore

«Tenho pena não estar cá para ler isto.»
Dodô (Raphus cucullatus)  ave extinta no século XVII

Os autores são os Cientistas de Pé, um grupo de cientistas de diversas áreas (desde a biologia à Buraca) que (desde 2009) faz espectáculos de stand-up-comedy sobre temas científicos. Já actuaram em teatros, anfiteatros, centros de investigação, museus de ciência, jardins e para muitos polícias de trânsito, na esperança de verem perdoada uma multa de estacionamento abusivo de velocípede.

Coordenação: David Marçal
Bruno Pinto
Cheila Almeida
Daniel Silva
Ivette Pacheco
João Cruz
João Damas
Joaquim Paulo Nogueira
Leonor Medeiros
Ricardo Sequeira
Sandra Mateus
Sofia Guedes Vaz
Sofia Leite
Romeu Costa
Sónia Negrão

Na próxima quinta-feira, dia 18 de Abril, irei fazer uma pré-apresentação do livro no Museu da Ciência de Coimbra, às 18h. Ainda sem livro, numa lógica muito semelhante à de consultar o saldo do multibanco "no ecrã". É mais ecológico. No futuro talvez as pessoas também leiam livros no ecrã do Multibanco, já que levantar dinheiro será cada vez mais difícil!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Passatempo “Pipocas com telemóvel…”: Oferta de um exemplar à resposta mais criativa



A Associação Viver a Ciência oferece um exemplar do livro "Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência" para quem der a resposta mais original sobre mirabolantes refeições que (não) possam ser confeccionadas usando as radiações dos telemóveis. Mais informações aqui.

domingo, 25 de novembro de 2012

BOA TARDE DE PIPOCAS COM TELEMÓVEL NA SIC

A participação de Carlos Fiolhais e David Marçal no programa da SIC Boa Tarde, a propósito do livro Pipocas com Telemóvel, pode ser vista aqui.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

CAFÉ, LIVROS E CIÊNCIA: PIPOCAS COM TELEMÓVEL

PIPOCAS COM TELEMÓVEL, ENTREVISTA NO DIÁRIO DIGITAL

Entrevista aos autores Carlos Fiolhais e David Marçal, publicada no Diário Digital, acerca do livro Pipocas Com Telemóvel e Outras Histórias de Falsa Ciência, editado pela Gradiva.


Carlos Fiolhais: «Não há nenhum fundamento científico que abone a eficácia da homeopatia»

Em «Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência», editado pela Gradiva, David Marçal, doutorado em Bioquímica pela Universidade Nova de Lisboa, e Carlos Fiolhais, doutorado em Físia Teórica pela Universidade de Frankfurt, procuram desvendar algumas das pseudociências que assolam o nosso dia-a-dia, certezas que podem inclusive causar problemas de saúde.

«Iogurtegate», «Pulseiras quânticas», «A racionalidade diluída da homeopatia», «Não há duas sem ómega-3», «A bazófia dos basófilos» são apenas alguns dos sub-capítulos de «Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência», uma obra que tem todas as possibilidades de deixar o leitor incrédulo, já que certamente vai «abalar» com as suas convicções.

Uma obra portanto obrigatória e que deve ser lida com urgência, ainda mais quando procura desvendar as pseudociências que estão um pouco por todo o lado nas nossas vidas diárias.

Como explicam haver tanta falsa ciência a circular no nosso dia a dia?
David Marçal - A ciência tem credibilidade e, por isso, ajuda a vender. Muita gente usurpa a validade científica para vender a sua banha da cobra ou, pelo menos, para exagerar os benefícios dos seus produtos.
Enquanto uns ganham, os outros perdem: a falsa ciência pode fazer muito mal à carteira.

Porque as pessoas estão dispostas a aceitar isso como uma verdade?
Carlos Fiolhais - Por falta de cultura científica, isto é, por estarem pouco familiarizadas com a natureza e o método da ciência. A ciência baseia-se na observação e na experiência e não em auto-intituladas autoridades. Face a uma afirmação alegadamente científica devemos perguntar que provas existem em seu abono. A falsa ciência, em vez disso, apresenta cientistas da NASA que a NASA não sabe quem são ou meninas de bata branca e sorriso amplo em anúncios de televisão. Este tipo de marketing, que tanto vende curas quânticas como iogurtes que eliminam o colesterol, é muito eficaz: faz muitas vítimas.

Acreditam que a pseudociência é o principal mal da ciência?
David Marçal - A pseudociência é um mal da sociedade, não da ciência. Vendedores da banha da cobra sempre existiram e hoje em dia os vendedores de banha de cobra científica  evocam a ciência apenas para fazer passar melhor a sua mensagem. Curiosamente, nas sociedades modernas, que são modernas devido à ciência, a pseudociência continua a ter um lugar de relevo.

Mas essa pseudociência não acaba por atrair mais pessoas para a área?
Carlos Fiolhais - Não, de modo algum. A pseudociência não tem nada a ver com o processo de construção do conhecimento científico. Baseia-se até na negação desse processo. A pseudociência apenas atrai mais pessoas para a pseudociência. A cultura científica, o melhor conhecimento da ciência, é que atrai mais gente para a ciência.


Se a pseudociência chega ao dia a dia como uma verdade, não há uma falha da própria Ciência na sua comunicação?
David Marçal -  Sem dúvida. Em primeiro lugar há falhas no ensino das ciências, no qual falta demasiadas vezes a componente experimental. Por outro lado, há também falhas no transporte dos resultados e da atitude da  investigação científica aos cidadãos. Os cientistas devem intervir mais na sociedade e partilhar os seus conhecimentos e os seus valores. Nesse último aspecto, temos tido um grande progresso em Portugal nas últimas décadas graças, por exemplo, à editora Gradiva, à Agência Ciência Viva e a várias associações e instituições de investigação científica. Trata-se de uma aposta que tem que ser mantida e reforçada. Mas, faça-se o que se fizer, haverá sempre vendedores da banha da cobra. Poderão é ser menos ouvidos.

Como tiveram a ideia de explicarem a ciência através da falsa ciência?
Carlos Fiolhais - A falsa ciência assenta em equívocos acerca da natureza ciência e do processo científico. Esclarecer esses equívocos é uma das maneiras de mostrar o que é a ciência. O nosso livro anterior teve muito êxito (já vai na 3.ª edição) e nele já tratávamos a falsa ciência.

Na vossa opinião, qual a pseudociência mais popular?
David Marçal - A concorrência é grande! Talvez os produtos de grande consumo, tais como iogurtes com probióticos, que alegadamente têm benefícios para a saúde, ganhem nessa «competição». Tais benefícios não estão demonstrados e, por causa disso, as empresas produtoras têm sido multadas por publicidade enganosa e até proibidas de emitir certos anúncios em vários países. Por exemplo: há cerca de um mês, no Canadá, a Danone foi obrigada a indemnizar os seus consumidores ao abrigo de um processo judicial, por induzir erradamente a ideia de que os iogurtes reforçam o sistema imunitário. Cada consumidor vai receber entre 15$ e 50$. Não é muito, mas é simbólico, e, em Portugal, neste tempos de crise, seria certamente uma ajuda.

E qual a que provoca mais espanto?
Carlos Fiolhais - As falsas ciências que têm os defensores mais acérrimos são talvez as medicinas alternativas. E elas provocam-nos grande espanto. Entre elas, a homeopatia conseguiu adquirir um estatuto especial e muitas pessoas ficam surpresas quando lhes dizemos que não tem  qualquer fundamento científico. Pensam que há um fundamento qualquer porque é vendida em farmácias e há sistemas de saúde de alguns países que a comparticipam. Por isso nunca é demais dizer: não há nenhum fundamento científico que abone a eficácia da homeopatia. Nos ensaios clínicos que foram realizados (e são muitos) não funciona melhor do que um placebo. O que não admira porque os remédios homeopáticos são preparados através de um conjunto de diluições sucessivas e, no final, não sobra nada da substância original. É só água e açúcar. Na apresentação do livro eu e o David tomámos uma sobredose de medicamentos homeopáticos e estamos vivos.

Portanto, em termos sociais, a pseudociência na saúde, por exemplo um iogurte que afirma reduzir o colesterol, é o principal problema de uma sociedade?
David Marçal - Os iogurtes não são problemas desde que as pessoas que precisam de medicamentos para o colesterol não os troquem por iogurtes. Do ponto de vista social, o principal problema está nos falsos tratamentos médicos que levam as pessoas com doenças graves a abandonarem tratamentos com provas dadas substituindo-os por outros que nada fazem ou até agravam a situação. Por exemplo, na África do Sul, no início do século XXI, foram vendidos suplementos vitamínicos para tratar a SIDA, levando muitas pessoas a usa-los em vez dos medicamentos anti-retrovirais. Isto foi criminoso e resultou na morte prematura de milhares de pessoas. Outro caso é o dos adeptos dos movimentos anti-vacinas, que não só se colocam em risco a si próprios como a toda a comunidade...

Apesar de ser um tema sério, a pseudociência, escolheram o tom do humor na hora da escrita. Porquê?
Carlos Fiolhais - Se a ciência pode ser divertida, a pseudociência, com todo o carrossel mirabolante de ideias que a procura justificar, pode ser muito mais divertida. Nalgumas situações rir poderá ser o melhor remédio. Mas há vários tons no livro, não apenas o humorístico. Este é um livro sério sobre um assunto sério. Se o leitor duvida, experimente ler.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

PIPOCAS COM TELEMÓVEL NA SÁBADO

Foi ontem publicado da Revista Sábado um artigo sobre o livro Pipocas com Telemóvel e Outras História de Falsa Ciência, da autoria de David Marçal e Carlos Fiolhais.


(clique para ampliar)


Por limitações de espaço da revista, penso que será útil fazer aqui alguns esclarecimento adicionais acerca da preservação de células do sangue do cordão umbilical em bancos privados, para uso próprio. 

Em primeiro lugar há uma confusão muito grande acerca dos vários tipos de células estaminais.  O processo de diferenciação celular, ou seja, o modo como as células se especializam, tem algumas semelhanças com o percurso escolar. As células totipotentes, ou seja, as que se podem diferenciar em todas as células e dar origem a um organismo completo, apenas existem numa fase muito inicial do desenvolvimento do embrião (o óvulo fecundado). Depois, há as células pluripotentes, que se podem diferenciar em várias linhas celulares, ou seja, em quase todos os tipos de células do organismo, mas que já não podem dar origem a um organismo completo. Na senda de potencial decrescente seguem-se as células multipotentes, que apenas se podem diferenciar em todas as células de uma determinada família. É este o caso das células hematopoéticas, que se obtêm a partir do sangue do cordão umbilical e que podem dar origem a todos os tipos de células do sangue. Há ainda as células unipotentes, que podem dar origem apenas a células especializadas iguais a elas próprias. Para que não restem dúvidas, o potencial de
diferenciação decrescente é o seguinte:

Totipotentes → Pluripotentes → Multipotentes* → Unipotentes

O asterisco assinala onde se encaixam as células do sangue do cordão umbilical. São células estaminais adultas, produzidas pela medula óssea e que podem também ser colhidas ao longo da vida. As células estaminais de que, por vezes se fala quando se aborda a medicina regenerativa são células embrionárias, pluripotentes. Mas estas podem colher-se apenas até cerca de quatro ou cinco dias após a fecundação. As células estaminais do cordão umbilical são essencialmente hematopoéticas. Isto significa que podem dar origem a todos os tipos de células do sangue. Já foram detectadas nalgumas amostras de sangue do cordão umbilical células estaminais pluripotentes, em quantidades muito pequenas. No entanto, está por demonstrar que possam ser usadas.

Como é mencionado na Sábado, a utilidade das células do sangue do cordão é muito reduzida, já que muitas das potenciais aplicações ainda não existem. São um exercício de pura futurologia médica, mais próximo da ficção científica do que da ciência. Acresce a isto que muitas condições clínicas que poderiam ser ser tratadas com células do sangue do cordão umbilical já existem no sangue da criança. E, fazendo futurologia médica, não há razão para pensar que a medicina regenerativa do futuro seja baseada em auto-transplantes de células do sangue do cordão umbilical. Pode, por exemplo, ser baseada em reprogramação de células diferenciadas, que são induzidas a voltarem a ser células estaminais. Esta técnica de reprogramação celular esteve na origem da atribuição do Prémio Nobel da Medicina deste ano.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

PORTUGUESES ENGANADOS COM A HOMEOPATIA

O Correio da Manhã de hoje publica uma notícia sobre o lançamento do livro Pipocas com telemóvel, com as primeiras reacções homeopáticas à nossa demonstração de ontem. Como é típico da falsa ciência, o presidente da Sociedade Homeopática de Portugal evoca argumentos de autoridade (é usado em hospitais, é antiga) em abono da sua hipótese e neste caso também da falta de autoridade (nossa!). Só que a ciência não se baseia em figuras de autoridade, mas sim em provas. Não explica porque é que julga que funciona. Isso sim, seria interessante e esclarecedor. Apenas diz que há autoridades que acreditam que a homeopatia funciona. Isso vale muito pouco.

"Portugueses enganados com homeopatia"

Os investigadores Carlos Fiolhais e David Marçal apresentaram esta segunda-feira o livro ‘Pipocas com telemóvel’, no qual apresentam exemplos de falsa ciência. A homeopatia, uma forma de terapia alternativa, adoptada por milhões de portugueses, é para os autores o melhor exemplo de falsa ciência.
“Diz-se que há cerca de 3 milhões de portugueses a serem tratados pela homeopatia. Estão a ser enganados, porque não é mais do que água com açúcar”, afirmou David Marçal, doutorado em bioquímica pela Universidade Nova de Lisboa.
Carlos Fiolhais, professor catedrático no departamento de Física da Universidade de Coimbra, corrobora. “Alguém os anda a enganar. A verdade é que aquilo que as pessoas tomam não faz mal nenhum, a não ser à carteira”, comentou ao CM.
Para demonstrar que a homeopatia não funciona, Carlos Fiolhais e David Marçal tomaram uma caixa inteira de um medicamento homeopático à frente de uma plateia de cerca de 30 pessoas.
“O conceito passa por diluir uma substância activa para se atingir um resultado. A diluição é tão grande que não sobra nada da substância inicial. A memória da água, ao contrário do que já se tentou demonstrar, não existe”, afirmou David Marçal, sublinhando: “A homeopatia não tem base nenhuma de conhecimento científico”.
Confrontado com as declarações de Carlos Fiolhais e David Marçal, o presidente da Sociedade Homeopática de Portugal questionou os conhecimentos de ambos. “Dá vontade de rir ou talvez de chorar. São detractores da homeopatia, que é usada em muitos hospitais de referência em todo o mundo, como São Paulo, Viena ou Munique”, afirmou Francisco António Franco Patrício, recomendando aos dois investigadores “mais estudo sobre o que é a homeopatia”.
“Estes cientistas pensam que são o supra-sumo da barbatana. Deviam era estudar mais e melhor o que é a homeopatia”, acrescentou o médico de clinica geral, que pratica a homeopatia há 30 anos.
No livro são mostrados outros exemplos de falsa ciência, inclusive usada pelas escolas. “As crianças índigo, as lâmpadas que melhoram as capacidades das crianças são tudo exemplos de falsa ciência que são apresentados neste livro”, referiu Carlos Fiolhais.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

LANÇAMENTO PIPOCAS COM TELEMÓVEL COM OVERDOSE HOMEOPÁTICA


Tudo preparado para a overdose homeopática logo à tarde, no lançamento do livro "Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência" (às 19h, na FNAC Colombo). No folheto informativo pode-se ler: "se for informado pelo seu médico que tem intolerância a alguns açúcares, consulte-o antes de tomar este medicamento". Nisso estamos de acordo, já que açúcar é a única coisa que estes ditos medicamentos contêm! Com a diferença de que este é o açúcar mais caro que se pode encontrar no mercado.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

LANÇAMENTO DO LIVRO "PIPOCAS COM TELEMÓVEL E OUTRAS HISTÓRIAS DE FALSA CIÊNCIA"

O lançamento do livro Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência, editado pela Gradiva, será na próxima segunda-feira, dia 5 de Novembro pelas 19 horas na FNAC Colombo, em Lisboa. 


O livro conta histórias de falsa ciência. O menu é muito variado, sendo esta obra uma degustação que Carlos Fiolhais e David Marçal entenderam como representativa deste mundo pseudo-científico. O lançamento conta com a presença de ambos os autores que farão uma diluição homeopática, mostrando que os remédios homeopáticos são só água e açúcar, vendidos a um preço exorbitante!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Isto Não é (Só) Matemática

Isto Não é (Só) Matemática
de Alexandre e Pedro Aibéo
Editora QuidNovi 

Isto Não é (Só) Matemática, eis o título da primeira obra da autoria de Alexandre Aibéo (texto) e do seu primo, Pedro Aibéo (ilustração).

Em primeiro lugar, a necessária declaração de interesses: conheço o Alexandre desde 1996, ano em que entrei na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e no mesmo curso do Alexandre - Astronomia - e este foi o último livro que tive o prazer de trabalhar e "recomendar" na editora QuidNovi antes da minha saída dessa mesma editora. Tem, por isso, uma dupla dose emocional a minha ligação a este livro...

Devo dizer (escrever) também em tantos anos que levo como leitor apaixonado de divulgação científica, nunca encontrei uma obra tão "deliciosamente estranha" como esta. Esta "estranheza" é, neste caso, um perfeito adjectivo; é uma obra de pura divulgação científica? É. É uma obra de banda desenhada? Também. É humor? Definitivamente. Seja por palavras, seja pelos recheados "cartoons humorísticos" que contém.
Não, a Matemática não é fácil. Não tem de ser necessariamente assustadora. E esse é a principal valia do esforço do Alexandre: tem a honestidade (e legitimidade) intelectual para reconhecer a imagem diabólica que a Matemática tem mas aproveita precisamente essa "onda de temor" para a transformar em "onda de humor"; como muito bem indica o Nuno Markl no prefácio, "é pelo humor que vamos", é o humor que deve ser o combustível para esta longa caminhada que leva os leitores desde as mais fundamentais noções matemáticas, as suas raízes históricas, as suas aplicações e implicação no nosso quotidiano até a um patamar de mínima compreensão, de mínima curiosidade. É, precisamente, o acto de resgatar essa "mínima curiosidade" que constitui, por vezes, o mais hercúleo desafio de qualquer bom autor de divulgação científica. E o magistral diálogo entre a mais refinada e cientificamente inatacável prosa literária do Alexandre e o traço único e irónico do Pedro fazem deste livro algo absolutamente sui generis no panorama da literatura de divulgação científica em Portugal e, arrisco-me a declará-lo, mesmo em termos internacionais. 

O Alexandre Aibéo de 2012 é precisamente o mesmo que tive a honra e prazer de conhecer em 1996; totalmente apaixonado e entendendo como "espírito de missão" esta coisa bela da "arte da divulgação científica"... o Alexandre estará para sempre ligado à criação dessa aventura associativa chamada GIRA - Grupo de Informação e Recreação Astronómica - e que foi o primeiro projecto de amor pela comunicação da Ciência de tantos jovens estudantes do curso de Astronomia do Porto, entre eles o autor deste post, o Pedro Russo (sim, o Coordenador do Ano Internacional da Astronomia em 2009) e o Ricardo Reis (do Núcleo de Divulgação do Centro de Astrofísica da UP), apenas para citar alguns. O entusiasmo, dedicação e qualidade que o Alexandre emprestava a cada projecto sempre foi absolutamente contagiante, incendiando ainda mais o nosso prazer por tal "ofício". Resumidamente: o livro do Alexandre é a extensão literária desse fogo e de delícia de partilha que sempre foi a imagem de marca do autor, algo que hoje também podemos constatar como evidente após a vitória que o mesmo obteve em 2010 no concurso FameLab... 


O livro tem um blog, uma página no Facebook e o lançamento será esta 6ª feira, pelas 21:30h, na Fnac do NorteShopping e terá, no dia seguinte, uma apresentação na Bertrand Palácio do Gelo Shopping, em Viseu, pelas 16h.

Os presentes e futuros patamares de excelência da literatura de divulgação científica escrita em português passam por este nome: Alexandre Aibéo. E isto está muito, muito longe de ser apenas a convicção de um amigo...

Parabéns, Alex!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

NOVO LIVRO: PIPOCAS COM TELEMÓVEL E OUTRAS HISTÓRIAS DE FALSA CIÊNCIA


O novo livro de dois também autores deste blogue (Carlos Fiolhais e David Marçal) já chegou às livrarias (pelo menos a algumas). Ficam aqui as primeiras páginas.


(clique na imagem para aumentar)

A ABRIR

A credibilidade da ciência é um selo apetecível. Por isso há muita gente que não hesita em disfarçar a sua banha da cobra como ciência para a vender melhor. Por outro lado e paradoxalmente, há quem despreze a ciência, considerando-a demasiado fechada a novas ideias, por exemplo, mas que, ao mesmo tempo, não se inibe de a evocar em abono das suas teorias, sempre que isso lhe é conveniente. 
O astrofísico e grande divulgador de ciência norte-americano Carl Sagan afirmou um dia que a ciência significava “uma grande abertura a todas as ideias, mas não tão grande que os miolos caiam para fora da cabeça”. É o método científico, do qual um dos principais ingredientes é o espírito crítico, que determina o que é e o que não é ciência. Chama-se falsa ciência ou pseudociência a tudo aquilo que, embora disfarçando-se de ciência para ganhar credibilidade, não passa no crivo apertado do espírito crítico. A astrologia, a numerologia, o criacionismo, a homeopatia, as curandices quânticas, os movimentos anti-vacinas, a negação do aquecimento global, etc. são exemplos de falsas ciências. Não porque à partida não haja abertura para considerar esses movimentos dentro do quadro da ciência, mas porque, sujeitas a exame, “chumbam” em critérios simples de lógica e de conformidade com o funcionamento do mundo. As leis do mundo são como são e não como alguns gostariam que fossem. Há quem diga “não negue à partida uma ciência que desconhece”. Mas essas actividades humanas, que de resto estão muito difundidas, não são ciências e têm sido negadas por muitos cientistas que as puseram à prova. Podem perfeitamente ser negadas por quem confie nesses cientistas. É uma pura perda de tempo estar constantemente a experimentar tudo, uma vez que podemos confiar em quem já experimentou o suficiente e viu que a coisa deu mal ou simplesmente não deu.

O espírito crítico é uma marca da ciência, mas, com certeza, não é um exclusivo da ciência. É uma marca maior do homem, que é um ser racional, e que conseguiu e consegue afirmar-se no mundo num exercício permanente de racionalidade. Acontece, porém, que, na ciência, o espírito crítico está ainda mais desenvolvido do que noutras actividades. Conhecer o método da ciência revela-se útil para a vida de todos os dias, pois quem o conhece e o sabe aplicar a todo o tipo de stituações estará menos sujeito a enganar-se e a ser enganado. Há no mundo (pelo menos, na Terra) muita gente a querer enganar os outros, abusando da ignorância alheia, mas a cultura científica, o conhecimento ainda que elementar dos factos e das atitudes científicas, constitui o melhor antídoto contra esses logros.

Há uma ideia com a qual nos deparamos várias vezes ao longo deste livro e que vale a pena explicitar: uma conclusão científica não depende de nenhum artigo científico em particular. Na realidade, muitos artigos científicos estão pura e simplesmente errados. Alguns deles têm falhas metodológicas que viciam os resultados. Outros contêm conclusões abusivas acerca dos resultados apesar destes estarem correctos. A força da ciência assenta em todo um corpo de provas produzido por uma vasta comunidade científica. Ao contrário de outros saberes, a validade da ciência resulta da capacidade de encontrar e corrigir erros, não da recusa da sua existência. 

A validade da ciência também não depende da credibilidade ou prestígio de nenhum cientista em particular. A ciência assenta na prova, independentemente de quem propõe uma nova hipótese ou teoria. Watson e Crick propuseram em 1953 que a molécula de ADN tem a forma de uma dupla hélice, como uma escada em caracol. A estrutura dessa molécula seria a mesma, independentemente de quem a tivesse proposto. 

É, porém, demasiado fácil escolher a dedo apenas um artigo para apoiar uma determinada teoria. Esse artigo até já pode ter sido desmentido. Quando queremos obter o melhor conhecimento científico acerca de um determinado assunto, temos que olhar para a paisagem toda. Apenas uma ou duas fotografias, ou um curto vídeo, podem ser enganadoras. Continuando essa analogia, se o leitor confiar num ou dois postais ilustrados para escolher o próximo local das suas férias, arrisca-se a apanhar uma grande desilusão. 

Um bom exemplo de uma tentativa de enganar os outros é dado pelo vídeo da produção de pipocas com a ajuda de vários telemóveis, que alguns engraçados colocaram na Internet, talvez para se divertirem, mas que espalharam o pânico sobre hipotéticos perigos daqueles aparelhos. Mas muitos outros exemplos se encontram ao longo deste livro. Os autores, o primeiro bioquímico e o segundo físico, depois de, nesta mesma editora, terem contado, em Darwin aos Tiros algumas histórias de ciência, contam neste Pipocas com telemóvel, algumas histórias de falsa ciência. Se as histórias do livro anterior eram divertidas (foi, pelo menos o que disseram a maioria dos leitores que contactou os autores, não sendo, por isso, a amostra neutra), as histórias do presente livro são divertidíssimas. Se a ciência pode ser divertida, a pseudociência então é garantidamente muito divertida...

O livro encontra-se dividido por capítulos, de acordo com os sítios onde se passaram ou onde se relatam as histórias de falsa ciência. Há falsa ciência, muita falsa ciência, na Internet; há falsa ciência, também muita, nos media; há falsa ciência, muitíssima, no supermercado; há falsa ciência, pasme-se, na escola; há falsa ciência na saúde, bastante mais do que o leitor imagina; há até, imagine-se, falsa ciência na ciência. Algumas histórias são antigas, mas a maioria são recentes, algumas muito recentes: por muito importante que a ciência seja no mundo de hoje, a falsa ciência encontra-se hoje por todo o lado, por vezes parecendo mesmo que lhe disputa a importância. Os autores esperam que a leitura destas histórias não só divirta o leitor como o coloque em estado de prevenção contra a falsa ciência que pode encontrar em qualquer substância. Se conseguirem que o leitor não seja enganado em qualquer situação com custos superiores aos do custo do livro, já ficarão contentes, pois ter-lhe-ão dado lucro.

O seu a seu dono. No capítulo 1 (Falsa ciência na Internet) a história Pipocas com telemóvel, foi escrita por Carlos Fiolhais (CF) e A paz no mundo ou um orgasmo a tentar foi escrita por David Marçal (DM). No capítulo 2 (Falsa ciência nos media), as três primeiras histórias (Horóscopos ou horós-copos?, Os números enganam e Não vem aí o fim do mundo!) foram escritas por CF, ao passo que as duas últimas (Aquecimento esclarecido e o O gene gay) são da responsabilidade de DM. No capítulo 3 (Falsa ciência no supermercado) todas as histórias foram escritas por DM (dos dois, o maior especialista em supermercados, portanto). No capítulo 4 (Falsa ciência na escola) as histórias voltaram a ser repartidas entre os dois autores: CF escreveu sobre as Crianças entre o azul e o violeta e DM redigiu Olhar para uma lâmpada para ter ideias luminosas). No capítulo 5 (Falsa ciência na saúde), CF escreveu Radiações por todo o lado, e Curas quânticas, enquanto DM escreveu sobre A racionalidade diluída da homeopatia, Milagres congelados (que se refere às células do cordão umbilical) e “os movimentos anti-vacinas”. Finalmente, no capítulo 6 (Falsa ciência na ciência), CF escreveu sobre Cientistas espíritas, Ciência sem consciência, Fusão fria e Plástico fantástico, tendo DM escrito sobre a A memória da água e o mágico. No final oferecem-se recensões de quatro livros em português sobre o mesmo assunto que este (não há quatro sem cinco!), algumas indicações de blogues e abundantes notas para o leitor interessado em saber mais. Apesar da divisão descrita, os autores declaram que, aqui e ali, meteram a colher na prosa do outro com autorização recíproca. Isto é, este livro é dos dois.

Alguns dos temas aqui tratados já foram tratados pelos autores no seu blogue De Rerum Natura, um sítio onde se têm multiplicado discussões acerca destes e de outros temas de ciência e cultura em geral. Espera-se que o debate prossiga...

Os autores estão cientes de que algumas pessoas ou grupos se poderão sentir atacados por algumas coisas ditas neste livro. Ma essa não foi, em nenhum momento, a intenção dos autores. Usámos apenas a arma da racionalidade, ajudada por uma pitada de ironia, não para atacar quem quer que seja mas para atacar algumas ideias que circulam. Todas as ideias podem ser discutidas. E há algumas que são altamente discutíveis! Mas às pessoas que eventuamente se zanguem com uma ou outra parte do conteúdo deste livro, lembramos Aristóteles:

"Qualquer um pode zangar-se - Isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na hora certa, pelo certo e da maneira certa - isso não é fácil".

Os autores querem, tal como é costume (pelo menos foi o que fizeram em Darwin aos Tiros), agradecer às suas famílias e aos seus amigos o tempo e a compreensão que lhes deram para eles escreverem estas histórias. Agradecem a José Souto e à Olifante Design o cartune da capa. DM gostaria ainda de agradecer aos biólogos André Levy pela revisão do texto Desenho Inteligente e Francisco Branco pela revisão do texto do Aquecimento Esclarecido.

Querem agradecer antecipadamente aos seus leitores (antecipadamente coisíssima nenhuma, pois já leram até aqui...) E querem agradecer à sua editora, a Gradiva, e, em particular ao seu editor, Guilherme Valente, que continua, com determinação e coragem, a acender, como tão bem disse Sagan, “uma vela na escuridão”.

Coimbra e Lisboa, 2 de Setembro de 2012