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quinta-feira, 31 de maio de 2012

TRÊS ANOS DE “AS ARTES ENTRE AS LETRAS”


Meu artigo que acaba de sair no número de aniversário de "As Artes entre as Letras":

O tempo tem muita pressa. Foi o que pensei quando recebi o convite da Nassalete Miranda para a festa do 3.º aniversário do jornal cultural As Artes Entre As Letras. Ainda outro dia assistíamos, com a saída do número um, ao parto, e já temos a criança, desenvolta, no jardim de infância, qualquer dia a entrar para a escola. Está a crescer e a aparecer. Precisa, claro, de mais alimentação e mimos, mas vai crescer ainda mais.

Tão pouco tempo volvido e já As Artes Entre as Letras ganhou um lugar destacado no nosso panorama cultural, um lugar que é reconhecido por todos que o têm visto crescer e aparecer. Como, afinal, as publicações crescem bem mais rapidamente do que as pessoas, o jornal pode já ser considerado adulto, pelo lugar que alcançou no espaço público. Hoje não se pode ter uma ideia do que é a cultura portuguesa, especialmente a norte, sem o ler com a devida atenção. É um jornal que reflecte a cultura e faz cultura, verdadeiramente imprescindível num tempo de crise.

A cultura é vista pelo jornal no seu sentido mais amplo, que é o único que hoje faz sentido. As artes em geral mas também as ciências são parte da “cultura humana” (a expressão, título de um livro do filósofo espanhol Jesús Mosterín, parece pleonástica, mas reflecte o moderno conhecimento científico de que outros seres vivos, com quem partilhamos muitos genes, são capazes de manifestações culturais). Na sociedade humana contemporânea, bem mais do que na sociedade pretérita, artes e ciências convivem, informando-se e enriquecendo-se mutuamente. Longe vamos dos tempos da polémica das “duas culturas” do literato e cientista C. P. Snow. Ao contrário do que essa refrega sugeria, a cultura humana não são duas, mas uma só. Apesar da pluralidade das suas formas, a origem e o destinatário dela é sempre o ser humano. Foram as artes e as ciências que ajudaram o homo a ficar sapiens. O dramaturgo e poeta romano Terêncio não perdeu actualidade: Sou homem pois nada do que é humano me é estranho. Por outro lado, tem-se alargado a ideia de que sentidos e sentimentos estéticos estão no âmago não só das obras artísticas mas também das obras científicas: Na ciência, reconhece-se muitas vezes o verdadeiro apenas porque é belo.

Parabéns à Nassalete Miranda, que tem liderado a equipa que tem feito crescer o jornal. Parabéns a todos os colaboradores. Eu próprio, que, por férias sabáticas, tenho andado arredio da colaboração regular, prometo voltar em breve, para ajudar a promover o convívio entre as artes e as ciências.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

DO AVESSO

Meu retrato "do avesso" feito pela jornalista Carina Fonseca e saído ontem  na revista "Notícias Magazine", que acompanha o DN e o JN


Professor catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais, de 55 anos, mantém o seu papel de divulgador da ciência. “Gosto de dar a ciência às pessoas, de lhes dizer que a ciência é bela, não é aquela senhora feia que alguns julgam que é, com a qual não se pode ter uma relação”.

PESSOAL
Ano de nascimento 1956
Naturalidade Lisboa
Residência actual Coimbra
Estado civil Casado
Liceu D. João III, em Coimbra (actual José Falcão)
Formação Física, licenciatura em Coimbra e doutoramento em Frankfurt
Primeiro trabalhoAos 18 anos, como monitor, ajudando nos trabalhos de laboratório”
Em criança queria ser...Físico nuclear, por causa dos mistérios do núcleo atómico. E fui.”
Se não fosse físico… Seria escritor
Defeito Dispersão
Na mochila Um Molleskin
Mania Responder a tudo e a todos

VIDA PROFISSIONAL
Quem o inspirou  Os pais, Rómulo de Carvalho e Einstein.
Trabalhos de que mais se orgulha Um artigo científico que teve cerca de 10 mil citações, o mais citado de um autor português.

VIDA MUNDANA
Gadget iPhone
Relógio Tommy Hilfiger, comprado num avião. Está parado por falta de pilha
Perfume Hugo Boss
Cabeleireiro Ilídio Design, em Coimbra
Cores Sou daltónico
Roupa  Não liga muito.
Calçado Sapatos de vela
Lojas Livrarias e quiosques.
Extravagância “Já me tem acontecido comprar livros que já tinha”

MESA
Restaurantes Casa de Pasto Dona Especiaria, do Chef Gil, em Coimbra. E a Taberna, idem
Prato preferido Cozido à portuguesa
Sobremesa Arroz-doce
Bebidas Tintos da Bairrada

GOSTOS
Cientistas Albert Einstein e Carl Sagan
Música Clássica (Bach, Carlos Seixas, Gershwin, Kurt Weill) e Jazz (Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Mário Laginha)
O que anda a ouvir António Pinho Vargas, Prémio Universidade de Coimbra  
O que anda a ler Matemática em Portugal , de Jorge Buescu, da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Galileu na Prisão, de Ronald Numbers (editor), da Gradiva. The Swerve How the Renaissance began,  de Stephen Greenblatt
Escritores Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Luiz Pacheco, Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes
Designer de moda A sobrinha Mafalda, que estuda Design de Moda em Guimarães
Fotógrafos Helmut Newton e Jan Saudek
Arquitecto João Mendes Ribeiro

CINEMA
Filme de vida 2001: Odisseia no espaço
Realizadores Stanley Kubrick e Woody Allen
Actrizes Rachel Weisz e Scarlett Johansson

TEMPOS LIVRES
Hobbies Ler e viajar (mais para Norte do que para Sul)
Viagem de sonho Noruega
Desporto Pedestrianismo (“Fui espeleólogo em tempos idos”)
Clube  Académica de Coimbra

LUGARES
CidadesCoimbra, Lisboa, Frankfurt e New Orleans, one vivi. Mas gosto também de Madrid, Londres e Estocolmo”
Hotéis “Estive há pouco no Eurostars Rio Douro, em Castelo de Paiva, com vistas para o rio e marina fluvial. E, por falar em vistas, já estive no Grand Hyatt de Hong Kong
Jardim Botânico, em Coimbra.
Café do Museu da Ciência, em Coimbra
Praia Gala, na Figueira da Foz

MEDIA
Televisão “Substituí pela Net”
Série The Big Bang Theory
Rádios TSF e Antena 2
Jornais portugueses Público e Sol
Revistas “Todas as de divulgação científica. Dou-as ao Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho”
Blogue “O meu, De Rerum Natura

Foto - nos anos 90 na China (foi uma das publicadas) 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O NEGÓCIO DAS REVISTAS CIENTÍFICAS DE ACESSO PAGO



Segundo uma notícia recente, publicada no edição on-line do jornal inglês Guardian, Winston Hide, um dos editores da prestigiada revista Genomics, demitiu-se. A razão segundo o próprio é esta:

"Eu não posso trabalhar mais para um sistema que põe o lucro acima da investigação"

Em causa está o facto de a Genomics, que faz parte do poderoso grupo editorial Elsevier, ser uma revista de acesso pago (siga esta ligação, veja a extensa lista de publicações que fazem parte deste grupo e avalie o poder que a Elsevier terá a negociar a venda do acesso às suas publicações, que comercializa em pacotes como os pacotes de canais da TV Cabo). Isto significa que muitos investigadores, nomeadamente os que trabalham em países africanos (exemplo dado por Winston Hide, que é oriundo da Africa do Sul) não têm acesso aos resultados de investigação mais recentes. Têm que perder uma parte considerável do seu tempo a "mendigar artigos", ou seja a enviar emails aos autores  a pedir para que lhes enviem uma cópia em pdf.

Acrescentaria que isto não acontece apenas no caso de países africanos. Mesmo em instituições portuguesas, com uma boa biblioteca e acesso a publicações on-line, é normal os investigadores depararem-se com artigos barrados e em que no lugar do artigo que pretendem ler surge um formulário para introduzir os dados do cartão de crédito.

Isto é absurdo.

Grande parte da investigação fundamental, em qualquer lugar do mundo, é paga com fundos públicos. Não faz sentido pagar para ter acesso aos seus resultados. Em última análise, para além dos investigadores, os próprios cidadãos deverão ter o direito de lerem os artigos científicos que contêm os resultados de trabalhos de investigação pagos com o dinheiro dos seus impostos.

Acresce a isto que, por vezes, os autores têm que também pagar para que o artigo seja publicado (para incluir figuras, por exemplo) e que os revisores (os famosos, do sistema de revisão pelos pares) não são pagos. E muitas vezes os editores também não. São funções que se entende que fazem parte das obrigações de um cientistas.

Ou seja: os contribuintes pagam para que a investigação se realize e não raras vezes pagam também à revista para que o artigo seja publicado. Os revisores e editores fazem o trabalho de graça. As editoras vendem o acesso às revistas, que é pago mais uma vez pelos contribuintes, para que os cientistas do seu país os possam ler. Os contribuintes, esses, não lêem nada. Lêem, quanto muito, notícias na comunicação social acerca dos artigos. Se quiserem consultar o artigo científico original: têm que pagar novamente. É um negócio da China (literalmente, na medida em que grande parte da produção científica actual tem origem na China).

Houve talvez um tempo em que se justificasse o acesso pago, tendo em conta as despesas de distribuição em massa de uma publicação. Esse tempo, como é evidente, acabou.

Há hoje novos modelos de publicação de acesso livre, como é o caso da Public Library of Science (PLoS). Neste caso, são os autores que pagam uma pequena contribuição, assumida e tabelada, para que o artigo seja publicado. Essa pequena contribuição, no contexto de um projecto de investigação, não têm um valor significativo. E os artigos publicados podem depois ser livremente lidos por qualquer pessoa.

Há quem não goste desta solução. Mas há outros modelos. Como repositórios públicos de artigos científicos. Segundo alguns dos modelos, nem sequer são necessários artigos científicos (o artigo científico, pela importância que tem na progressão na carreira dos cientistas, tornou-se num fim em si, quando deveria ser um meio para divulgar os resultados). Até há quem pense que, tal como aconteceu com a produção de videos, a produção científica deixará de ser um exclusivo das instituições e profissionais de investigação. E que, tal como acontece a captação e edição de videos, poderá ser feita em casa por amadores.

De momento, as agências de financiamento públicas, como a nossa FCT, deveriam estar atentas e proibir que sejam publicados resultados dos projectos de investigação por elas financiados em revistas que não sejam de acesso livre. Inteiramente livre para toda a gente.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O QUE PRECISO SABER SOBRE QUÍMICA

A minha participação na edição de hoje da revista Visão, na secção Radar.

O QUE É A QUÍMICA?
É a ciência que estuda a matéria e as transformações por ela sofridas. Assim, não é surpreendente que a química seja fundamental em muitas outras áreas do conhecimento (biologia, geologia, ambiente, medicina, etc.) Experimente encontrar conceitos em que não esteja envolvida matéria (tudo o que tem massa e ocupa espaço). Não é tão fácil como parece. Mesmo as ideias, que são imateriais, não existem sem um suporte físico!

DE QUE É FEITO O UNIVERSO?
Se tivéssemos que responder numa palavra: hidrogénio. Mais de 90% dos átomos do universo são de hidrogénio pela simples razão de que são os mais leves. Todos os restantes elementos são originados por condensações sucessivas de átomos de núcleos de elementos mais leves (começando no hidrogénio) no interior das estrelas, a temperaturas de 5 a 10 milhões de graus. O segundo elemento mais abundante é o Hélio, que também é o segundo mais leve. Existem cerca de 90 elementos na natureza, sendo que o mais pesado (com 92 protões no núcleo) é o urânio. É possível fazer elementos artificiais mais pesados, mas que só existem por fracções de segundo e em quantidades muito pequenas.

DE QUE É QUE NÓS SOMOS FEITOS?
De hidrogénio, carbono, oxigénio, e azoto. Estes quatro elementos perfazem 99% dos nossos átomos. Não por acaso são quatro dos cinco elementos mais abundantes no universo (a vida fez-se com o que estava mais à mão!). Os vários tipos de moléculas biológicas - açúcares, gorduras, proteínas e nucleótidos (que constituem o nosso material genético) são feitos com estes quatro elementos, como peças de lego ligadas de formas diferentes. Há mais sete que perfazem 0,7% do total dos nossos átomos (sódio, magnésio, potássio, cálcio, fósforo, enxofre e cloro) e duas dezenas de outros que também se julgam serem essenciais à vida, embora em quantidades mínimas.

O QUE É A TABELA PERIÓDICA?
É uma tabela em que os elementos estão ordenados por número crescente de protões no núcleo (número atómico) e de acordo com as suas propriedades. É como um baralho de cartas um pouco estranho, em que os vários naipes agrupam elementos com propriedades semelhantes, mas em que os números (atómicos!) das cartas nuca se repetem.

PARA QUE SERVE A QUÍMICA?
Para entender o mundo ao nível das moléculas e dos átomos. Uma parte importante da investigação médica faz-se ao nível molecular. Por exemplo, os medicamentos anti-virais encaixam em locais específicos das proteínas dos vírus. A química tem aplicações muito vastas, que englobam, por exemplo, a química analítica (análise de águas, solos, etc.), química orgânica (produção de medicamentos, plásticos, etc.) e a bioquímica (estudo das transformações químicas nas células). Os níveis actuais de produção agrícola são, em grande parte, possíveis por causa do uso de fertilizantes artificiais.

ENTÃO, A QUÍMICA É A CAUSA DA POLUIÇÃO?
A produção de bens que fazem parte do nosso modo de vida (combustíveis, medicamentos, plásticos, fertilizantes, etc.) tem um grande impacto no ambiente. E a industria química, para além de má fama, também tem a sua quota parte de responsabilidade. Mas, num planeta a caminho dos 9 mil milhões de habitantes (em 2050) a questão é que temos que mudar de vida! Ou seja, encontrar maneiras de reduzir a quantidade de recursos naturais que usamos e resíduos que produzimos E nisso, a química também pode ajudar.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

Haja Luz!- Uma História da Química Através de Tudo
Jorge Calado
(Imprensa do Instituto Superior Técnico)

A História Química de uma Vela
Michael Faraday
(Imprensa da Universidade de Coimbra)

O Sistema Periódico
Primo Levi
(Gradiva)

A Dupla Hélice
James Watson
(Gradiva)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

UM ANO DE C


A revista C de notícias do Centro fez um ano. Eis a minha crónica publicada no número de hoje:

Aprendi a ler a soletrar os títulos dos jornais e revistas: lembro-me, em petiz, em Lisboa de O Século e de O Século Ilustrado. Ganhei o vício da leitura diária da imprensa. Mudado de Lisboa para Coimbra comecei a ler além da imprensa nacional a imprensa local, que na altura pouco mais era do que o Diário de Coimbra. Pese embora a forte tradição daquele diário foi favoravelmente que recebi o aparecimento do jornal As Beiras, da propriedade de António Abrantes, e dele me fiz assinante. De vez em quando espreitava outros jornais regionais como O Campeão das Províncias (um título singular!) e O Despertar. No primeiro cheguei a colaborar ocasionalmente e talvez por isso ficou uma simpatia que me leva ainda hoje a segui-lo regularmente.

A imprensa regional tem um papel insubstituível pela sua proximidade às populações. Sempre assim foi e sempre assim será, apesar das transformações em curso nos jornais e revistas. O que se passa perto de nos interessa-nos mais do que se passa longe: por exemplo, um desastre de trânsito com um morto numa rua em que passamos todos os dias diz-nos muito mais do que uma catástrofe com dezenas de mortos em Pequim. A imprensa regional ajuda-nos, sobretudo, a construir uma identidade. Ajuda-nos a construir uma cidade e uma região.

Coimbra, pese embora o seu fundo enraizamento na história, tem ainda problemas de relação consigo própria e com o país. É de certo modo a capital do Centro, uma região antes e ainda hoje chamada de Beiras, mas assistiu ao desenvolvimento de cidades como Aveiro, Leiria e Viseu, que competem com Coimbra em várias áreas. E tem uma relação difícil com Lisboa. Mas o que une essas cidades será decerto maior do que as separam, estando todas elas próximas entre si e afastadas da capital de um país macrocêntrico.

Foi, por isso, com gosto que vi nascer, pelas mãos de António Abrantes e de uma equipa provinda em parte de As Beiras, um novo magazine devotado a todo a região Centro. Pese embora a ambiguidade do seu título, C (ver aqui o sítio), julgo que esta letra remeterá mais para o Centro do que para a sua capital tradicional, Coimbra. Não só o conceito como o formato eram novos. Passou um ano. Muitos parabéns e os votos de que faca muitos mais!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Revista sobre pseudo-ciência

O blogue de astronomia astro.pt disponibiliza uma revista só sobre pseudo-ciência, cujos artigos desmontam todo o tipo de tretas das mais ingénuas às mais sofisticadas: aqui.

sábado, 23 de abril de 2011

A EUROPA DA FÍSICA


Minha crónica na "Gazeta de Física" que está a sair:

Passo a passo, a Europa da Ciência tem vindo a ser construída e, dentro dela, a Europa da Física. Dois dos meios que tem ajudado a essa construção têm sido a revista European Physical Journal (abreviadamente EPJ), publicada por um consórcio germânico – franco - italiano (Springer, EDP Sciences e Sociedade Italiana de Física), e a revista EPL, ex Europhysics Letters, pertencente à Sociedade Europeia de Física e publicada por um consórcio franco-italiano-britânico (EDP Sciences, Sociedade Italiana de Física e Institute of Physics).

A EPJ nasceu em 1998 da reunião de revistas de grande tradição como o Zeitschrift für Physik, o Journal de Physique e Il Nuovo Cimento, e ainda de periódicos menos conhecidos: Acta Physica Hungarica, Czechoslovak Journal of Physics e Portugaliae Physica. A nossa Portugaliae Physica, fundada em 1943 por pioneiros da Física moderna em Portugal, acabou em favor do projecto europeu. Por sua vez, a EPL, que agora está a celebrar 25 anos, reúne o apoio das várias sociedades de Física europeias federadas na Sociedade Europeia de Física, entre as quais a Sociedade Portuguesa de Física.

O extinto Zeitschrift fuer Physik remonta a 1920, tendo surgido, sob proposta de um comité de sábios que incluía Albert Einstein, como sequela dos Verhandlungen da Sociedade de Física de Berlim, iniciados no longínquo ano de 1845. Antes da Segunda Guerra Mundial era considerada uma das melhores revistas de Física do mundo. No pós-guerra, começou, porém, a perder terreno relativamente às publicações da Sociedade Americana de Física, como a Physical Review (PR), com alguns pergaminhos pois tinha sido fundada em 1893, e a Physical Review Letters (PRL), de 1958. Estas últimas detêm hoje a primazia na cena internacional, apresentando, em geral, factores de impacte mais elevados. De um modo pragmático os físicos, principalmente os mais jovens, preferem-nas para o envio dos seus artigos por saberem que os seus currículos ficam a brilhar mais de cada vez que vencem as barreiras dos referees da PR e da PRL. Contudo, os físicos do Velho Continente, incluindo os portugueses, bem poderiam privilegiar as revistas europeias, tentando mudar os factores de impacte e reforçando a coesão europeia.

Se a união dos países europeus tem sido algo atribulada na política não o tem sido menos na Física. Em contraste com a EPL, que reúne físicos de um e de outro lado do canal da Mancha, a EPJ, que se desdobra em secções devotadas aos vários ramos da Física (a última, EPJ – H, é dedicada a “perspectivas históricas da física contemporânea”), enfrenta revistas concorrentes da responsabilidade do Institute of Physics. A Europa, para falar a uma só voz na área da Física, necessita de uma maior colaboração dos físicos que trabalham no continente e nas ilhas britânicas. Se continuar segmentada como está na difusão de artigos originais de Física, dificilmente conseguirá enfrentar os Estados Unidos. Este ano, que na Física é o do centenário da descoberta do núcleo atómico, teve lugar recentemente em Lisboa, sob presidência portuguesa, uma reunião do Conselho Científico da EPJ, que agrega representantes de numerosos países europeus. Como, à beira Tejo, já houve, a nível político, a Declaração de Lisboa e o Tratado de Lisboa, espera-se que as Tágides possam de novo inspirar uma maior união europeia, desta vez dos físicos. Poder-se-á dizer que tanto a Declaração como o Tratado se revelaram menos frutíferos do que, nos momentos da respectiva assinatura, foi desejo geral. É verdade. Mas também é verdade que, a nível das ciências físicas, deveriam ser menores os impedimentos a um acrescido federalismo científico que dê força a todos e a cada um.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ENTREVISTA À REVISTA "QUERO SABER"


Entrevista que dei à jornalista Cristina Espada e que saiu no último número da revista "Quero Saber" (QS):

QS- Como surgiu o seu interesse pela ciência e, mais concretamente, pelo campo da Física?

CF- Surgiu quando eu era novo, quero dizer mais novo... Aliás o interesse pela ciência é uma maneira de nos conservarmos jovens porque, ao fazê-lo, estamos a manifestar uma das características humanas que se manifesta em maior grau na juventude, mas que nos pode e deve acompanhar pela vida fora: a curiosidade. Eu queria saber. Queria saber coisas que não ficava a saber, pelo menos logo, na escola. Via, adolescente, uma figura do livro de ciências em cuja legenda se dizia que o Universo era infinito e perguntava-me: "É mesmo infinito? Como é que eles sabem? Quem são eles?" Acho que começou aí o meu interesse em ser como "eles", isto é, cientista. Li muitos livros de divulgação, num tempo em que ainda não havia a Gradiva mas já havia Rómulo de Carvalho. Porquê a Física? Porque é o ramo da ciência que me parecia mais abrangente. Lida com o Universo todo, que, tanto quanto sabemos hoje, é infinito... E tem uma infinita variedade.

QS- O que o levou a tornar-se um divulgador de Ciência?

CF- Isso ocorreu bastante mais tarde quando acabei o doutoramento, aos 26 anos. Na Alemanha lia livros de divulgação. Era, no início dos anos 80, a época de Carl Sagan, que falava dos "biliões e biliões de estrelas" e da Terra como um "pequeno ponto azul". Quando cheguei estava a começara Gradiva. Escrevi ao editor Guilherme Valente, que ficou logo meu amigo, a fazer propostas. Comecei por traduzir livros: traduzi, por exemplo, o Feynman, comecei a escrever críticas de livros (no Expresso, ainda não havia o Público). Até que, em inícios dos anos 90, escrevi eu próprio um livro na Gradiva, "Física Divertida", baseado em palestras que entretanto tinha feito em escolas, que foi um êxito instantâneo. Hoje está traduzido para "brasileiro", espanhol e italiano. E tem uma sequela "Nova Física Divertida".

QS- É físico, professor e divulgador científico. O que vem primeiro? Como se conjugam as três profissões?

CF- Isso é como perguntar se gosto mais do pai ou da mãe. Gosto tanto de investigar como de ensinar e divulgar a ciência. Aliás a divulgação da ciência é uma extensão, para mim natural, do ensino. É o ensino informal, para outro público e, por vezes, por outros meios.

QS- Qual considera ter sido o marco mais importante da sua carreira?

CF- Um marco importante foi, sem dúvida, o doutoramento na Alemanha, em Frankfurt. Tive de me adaptar a nova língua e novos costumes. Aprendi muito, como se faz investigação e não só. Mais tarde, mais ou menos por altura do "Física Divertida" tive uma licença sabática, em New Orleans, nos Estados Unidos, durante a qual mudei de tema de investigação, passando da física nuclear para a física da matéria condensada. Nessa altura publiquei um artigo que, para minha surpresa, venceu na vida e já tem mais de 8000 citações. Actualmente, sou Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que é também um marco importante. É uma biblioteca com quase 500 anos por onde passaram grandes nomes da cultura portuguesa.

QS- Porque é que a Física é divertida?

CF- É natural a pergunta. Muita gente acha essa ciência aborrecida, muitos alunos dizem "chata"... Mas penso que não: a Física é uma "senhora" extremamente atraente para quem a queira conhecer melhor. Há histórias e factos da Física engraçadíssimos. O meu livro, com esse título um bocadinho provocatório, é um convite a esse conhecimento...

QS- Qual é o estado actual da Ciência em Portugal?

CF- A ciência em Portugal conheceu um Big Bang nos últimos 30 anos, portanto mais ou menos depois que eu vim da Alemanha (uma coincidência, apenas, claro...). Há muito mais centros de investigação, laboratórios, bolsas de estudo, investigadores, etc. Hoje em dia já não é preciso ir lá para fora para se fazer um doutoramento em qualquer ramo das ciências. Nalguns ramos faz-se ciência ao mais alto nível mundial. Escrevi um livro recente, que se encontra nalguns supermercados, "Ciência em Portugal", que dá conta desse "boom" da ciência. A divulgação da ciência cresceu também muito, veja-se por exemplo a rede de centros Ciência Viva (eu próprio criei um em Coimbra, que tem o nome de Rómulo de Carvalho). O ensino das ciências passou também a chegar a bastante mais gente, embora aí haja um problema: o aumento da quantidade não foi acompanhado de semelhante aumento de qualidade.

QS- O que falta fazer?

CF- Na investigação falta ligar mais e melhor alguns centros com as universidades. O sistema científico cresceu, em muitos casos, ao lado das universidades, o que a longo prazo não é bom para ninguém. E falta sustentar a ciência no futuro, pois ela tem estado muito dependente de apoios da União Europeia, que não continuarão sempre. A ligação da ciência com a economia, o que se consegue com a inovação, tem de ser mais fértil. Os nossos jovens cientistas, nalguns casos muito brilhantes, têm de ser mais apoiados, através da criação de lugares. Demos-lhe a bolsa, mas ainda não lhes demos a vida... E a nossa vida, o nosso futuro, depende largamente da vida, do futuro, deles...

QS- Porque investiu parte da sua carreira a tentar atrair os mais novos para a Ciência?

CF- Eu próprio me senti atraído para a ciência quando era novo através dos livros e dos artigos e palestras de divulgação. Se resultou comigo, poderia resultar com outros... Depois é algo que faço livremente e com gosto. Não é de modo nenhum uma obrigação de "carreira". E, como me dizem que sou útil, e eu sinto que posso ser útil, continuo...

QS- Como compatibilizar a necessidade de termos mais cientistas e engenheiros/atrair jovens para ciência com a realidade dos licenciados desempregados?

CF- As universidades não são agências de emprego: são sítios onde se cria e se transmite conhecimento ao mais alto nível. Não tem de estar a adaptar-se permanentemente às leis do trabalho a curto prazo. Claro que precisamos de mais cientistas e engenheiros para sermos um país mais desenvolvido. Essa é uma necessidade comum a todos os países que aspiram a maior desenvolvimento, porque a riqueza hoje depende do investimento em ciência e tecnologia. Quanto à infeliz situação de licenciados no desemprego, espero que a actual crise, que é tanto nacional como internacional, passe. Aos baixos hão-de seguir uns altos.

QS- Que conselho daria aos licenciados em Ciência que não conseguem trabalho na área de licenciatura?

CF- Os jovens têm de estar preparados para mudar de profissão, para adquirirem novas formações, serem flexíveis. O mundo muda mais rapidamente do que a escola. E, em muitos casos, podem ser empreendedores, isto é, criar o seu próprio emprego, em vez de estarem à espera que ele lhes apareça numa bandeja. Não é fácil, eu sei. Mas pode valer a pena.

QS- A Ciência e a Tecnologia já estão a ampliar as nossas capacidades físicas e intelectuais. Acredita que, um dia, homem e máquina se poderão tornar um só? Se sim, quando e em que moldes?

CF- O físico Niels Bohr dizia que "era muito difícil fazer previsões" acrescentando ironicamente "em especial do futuro". Eu não me atrevo, portanto. Mas a história recente tem mostrado que as máquinas têm progredido extraordinariamente. A minha geração viveu uma época de grande explosão da informática, devido à capacidade de fazer transístores cada vez mais pequenos e de os empacotar bem. Hoje um supercomputador já ganha no xadrez ao campeão do mundo. Para me ganhar a mim nem é preciso ser super, basta ser computador. Entretanto, há muitas coisas que os homens ainda fazem melhor que os computadores. Sei lá, fazer e responder a entrevistas, por exemplo... Respondendo em concreto, alguns cientistas e engenheiros acham que o nosso futuro são robôs, mentes mais poderosos em corpos indestrutíveis, e estão a trabalhar para isso. Vamos a ver o que conseguem...

QS- Que outros poderes está a ciência a dar ao ser humano?

CF- Eu tenho trabalhado em simulações computacionais. A máquina é uma extraordinária ampliação da mente humana, não apenas como guardiã de memória, mas como processador de informação. Uma máquinas pode fazer poderosas simulações, isto é, antecipações do futuro. É muito difícil fazer previsões do futuro, mas as máquinas ajudam... Pode-se saber por exemplo, com base em cálculos, que tempo vai fazer amanhã e até como será o sistema solar daqui a uns bons milhões de anos. No início da Revolução Científica Francis Bacon disse que "saber é poder". Hoje, podemos dizer que "saber é prever" e, portanto, "prever é poder". Quem sabe o que vai acontecer, estará muito mais precavido...

CF- Qual a maior conquista do Milipeia e o que ainda nos pode permitir descobrir?

CF- Começámos no meu centro de investigação a fazer um supercomputador juntando computadores, cerca de cem: foi a Centopeia. Depois adquirimos a Milipeia, o maior supercomputador nacional, com mais de meio milhar de processadores. Essa máquina tem estado à disposição da comunidade científica nacional e tem servido os mais variados fins, por exemplo investigação na bioquímica, na simulação de moléculas complexas,e na biomedicina. Mas a máquina, de tanto uso, já está a ficar um bocadinho cansado e já há mais e melhor no mercado. Acho que já merecemos uma máquina nova, uma Super-Milipeia, uma Megapeia. A ciência portuguesa merece.

QS- O que o levou a tornar-se um bloguista convicto e como avalia a experiência do blogue De Rerum Natura?

CF- Sim, há mais de três anos tenho esse blogue, com colegas e amigos, que está no topo dos blogues de ciência. Para mim foi uma nova experiência de fazer divulgação científica. Não há nada como experimentar para ver... A nossa marca é a forte ligação entre ciência e cultura: procuramos mostrar, nas linhas e entrelinhas, que a ciência é uma forma de cultura. Por exemplo, ciência e arte estão muito ligadas.

QS- E que balanço faz da experiência com o portal O mocho?

CF- Esse tem sido um grande portal de ensino das ciências onde temos colocado muitos materiais úteis para o ensino das ciências. É muito procurado, aqui e no Brasil. É pena que o uso das tecnologias da informação não tenha sido incrementado na escola pela aposta, pelo Ministério da Educação, em sítios como esse, que permitem ampliar mentes, que permitem derrubar os muros da escola, em vez de andar a distribuir maquinazinhas, os Magalhães, que rapidamente se tornam obsoletas. É muito mais fácil investir no hardware do que no software, mas eu e muitos colegas gostamos do que é difícil.

QS- De todos os livros que já publicou, qual o seu preferido, o que lhe deu mais gozo?

CF- Que pergunta! Sei lá... Gosto talvez mais dos últimos pois o "gozo" é mais recente. Escrevi há pouco, além de "A Ciência em Portugal", também "Breve História da Ciência em Portugal", com Décio Martins, um livrinho que condensa o essencial sobre o nosso passado científico. Tivemos momentos de luz, de criatividade no passado, separados por alguns períodos de sombra. A ciência é, por natureza, aberta e avançámos sempre que estivemos abertos ao exterior e estagnámos sempre que nos fechámos.

QS- Quais são, hoje, as questões científicas que mais o preocupam?

CF- Tenho um interesse grande por saber aquilo que a nanotecnologia, isto é, a engenharia à escala atómico-molecular, vai permitir. Já permite coisas incríveis e vai fazer mais. Como tenho estado numa grande biblioteca, lembro que o físico Feynman criou esse ramos quando colocou a questão sobre se toda a Enciclopédia Britânica cabe na cabeça de um alfinete. Cabe, sobrando muito espaço. De facto, cabe toda a Biblioteca da Universidade de Coimbra. Para dizer a verdade toda, cabem todas as bibliotecas do mundo. Como aproveitar em nosso favor essa enorme capacidade? E essa fantástica biblioteca que é o genoma humano também cabe...

QS- O que é que gostava de saber sobre a natureza das coisas que ainda não sabe?

CF- Há tantas questões em aberto. A mim não me interessam tanto as questões sobre os últimos blocos da matéria (há alguma coisa para lá dos quarks e electrões?), mas mais as possibilidades que há de combinar os blocos conhecidos, átomos e moléculas, para originar estruturas com novas potencialidades. Podemos juntar átomos e moléculas com uma variedade infinita... Muitas dessas formas são úteis, para guardar informação por exemplo, ou para tratar doenças.

QS- Tem algum gadget indispensável no seu dia-a-dia?

CF- Uso telemóvel como toda a gente. Quer dizer, o meu é, como o de muita gente, mais que um telefone móvel, é um pequeno computador, com MP3, GPS, Internet, etc. Faz muito mais coisas que um computador pessoal de há 30 anos... O que trago no bolso é física quântica - o que explica o funcionamento dos transístores- bem empacotada...

QS- Qual é o seu próximo desafio?

CF- Isso é segredo. Não lhe vou contar tudo hoje... Não se conta nunca tudo numa primeira conversa...

quinta-feira, 17 de março de 2011

NOVO BOLETIM DA BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Minhas palavras de apresentação do novo Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra, agora só electrónico e que pode ser lido, em open access, aqui.

O Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra tem uma história quase centenária , tendo passado pelas suas páginas relevantes contribuições para a biblioteconomia, e para a história do livro e da cultura [1]. Nos últimos anos, o seu âmbito tinha-se tornado mais ecléctico, ao sabor dos pedidos e sugestões variadas que recebia. Foi-se tornando claro que a Biblioteca Geral não tinha uma estrutura capaz de manter uma linha editorial, de encomendar artigos e de supervisionar adequadamente a respectiva impressão, nos moldes profissionais que os novos tempos exigiam. Evidência disso mesmo foi a irregularidade da sua publicação efectiva, só nominalmente anual, mas de facto muito irregular, com frequentes intervalos de dois, quatro ou sete anos entre os volumes. Acresce que circunstâncias de orçamento e de oportunidade não permitiram que o Boletim continuasse a ser publicado com regularidade. Assim, o último número (n.º 43) saiu em 1997.

O novo Director entrado em funções em 2004 entendeu que as publicações, nas condições então existentes, não deviam ser uma prioridade da Biblioteca Geral. Não é esse o núcleo da sua actividade, aquilo que sabemos fazer melhor. Por isso, foi celebrado um Protocolo com a Imprensa da Universidade para que todas as edições, incluindo as publicações periódicas e séries prestigiadas, como os Acta Universitatis Conimbrigensis ou os Acta Rediviva, pudessem ser feitas através daquela prestigiada chancela. De resto, a Biblioteca Geral só tinha tido intensa actividade editorial no século XX, depois da extinção por razões políticas da Imprensa da Universidade, que em boa hora pôde ressurgir.

Ao suspender-se a publicação, havia alguns inéditos em carteira, nalguns casos há longos anos, que os autores foram, entretanto, publicando onde puderam. Ao retomar agora a intenção de publicação na forma digital dos artigos entregues para publicação, apenas o do Professor Ebion de Lima permanecia inédito, e por isso o incluímos aqui, pedindo desculpa ao autor pela demora e agradecendo-lhe a disponibilidade. A presente versão do Boletim em forma digital é uma herdeira directa da versão em papel, sem alterações no título, nem modificações importantes de grafismo. Apenas o ISSN teve de mudar, para cumprir as regras do seu correcto uso bibliográfico.

Agora em formato electrónico, o Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra regressa, portanto, à sua casa original, a Imprensa da Universidade. E regressa também às suas origens, de certa forma, porque pretende voltar a focar-se nos temas da Biblioteca, na valorização dos seus fundos documentais e das suas actividades quotidianas. Pretende daqui para a frente ser uma montra de trabalhos realizados em torno dos fundos ou pelas pessoas que trabalham nesta Biblioteca ou noutras coordenados pelo Serviço Integrado de Bibliotecas da Universidade de Coimbra. Âmbito mais modesto, certamente, mas mais honesto, estamos em crer. Sem periodicidade assumida, obrigatória, sem grandes constrangimentos de orçamento ou de tamanho dos artigos, e com uma divulgação potencialmente muito maior, na Internet, uma vez que o Boletim surge em acesso livre na rede mundial, esperamos que o novo Boletim consiga fazer jus à qualidade que teve no passado.

Agradecemos a todos os colaboradores deste “Boletim” renascido e à Secção de Informação da Faculdade de Letras e à Imprensa da Universidade que proporcionaram os necessários meios técnicos. Agradecemos também e desde já a todos os potenciais colaboradores que estejam dispostos a ajudar na sua continuação, dando sequência a uma tradição antiga e satisfação às actuais necessidades. E agradecemos também, e finalmente, aos nossos leitores as reacções que nos puderem fazer chegar.

[1] Começopu em 1914, semestral, com o nome de Boletim bibliográfico da Biblioteca da Universidade de Coimbra, e passa a anual em 1934. Para trás tinha ficado outro título regular, o Archivo bibliographico, onde se começou a publicar o Catálogo dos Manuscriptos]

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

NOVA GAZETA DE FÍSICA

Informação recebida da Sociedade Portuguesa de Física:

Já se encontra publicado on-line em http://www.gazetadefisica.spf.pt
o último número da Gazeta de Física.

Trata-se de um número duplo dedicado a aplicações da Física à biologia e à medicina, com seis artigos sobre problemas diferentes, e progressos interessantes, nesta área tão decisiva na contribuição da física para a sociedade.

A Gazeta traz ainda muitas notícias sobre acontecimentos do ano findo.

Em particular,

- um artigo sobre o Prémio Nobel da Física, de Nuno Peres e João Lopes dos Santos, autores que conhecem bem os laureados de 2010 e a física do grafeno.

- a notícia por Jim Al-Khalili da apresentação do novo livro de S. Hawking, "The Grand Design", no Royal Albert Hall em Londres.

-o artigo de Carlos Fiolhais sobre "the portuguese connection" com a Royal Society em Londres, ligada a nomes como Isaac Newton.

"Last but not the least", a Gazeta regista o sucesso da participação portuguesa na XV Olimpíada Ibero-americana de Física, onde João Carlos Peralta Moreira da Escola Secundária Domingos Sequeira de Leiria foi premiado com uma medalha de ouro.

Desejamos a todos boas leituras.

Teresa Peña
Directora Editorial da Gazeta de Física

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

MUSEUS DE CIÊNCIA EM REVISTA


A revista “Museologia.pt” (dirigida por Clara Camacho), da responsabilidade do Instituto dos Museus e da Conservação (dirigido por João Brigola) e que se encontra à venda nas lojas dos Museus Portugueses e nas melhores livrarias (a distribuição é da editora QuidNovi do Porto), mais parece um livro, um livro muito bem desenhado e apresentado. Tenho nas mãos o volume 4, com data do ano passado, que, embora na mesma linha dos três primeiros, se distingue pela inclusão de um extenso dossiê sobre Museus de Ciência. Quem quiser conhecer o “estado da arte” dos museus de ciência portugueses, e mesmo dos museus congéneres a nível internacional, terá de ler este dossiê, diligente e competentemente preparado por Marta Lourenço, museóloga do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.

Os museus de ciência, tanto os modelos mais tradicionais como os modernos centros interactivos como ainda os modelos contemporâneos que combinam os dois tipos, estão na ordem do dia, como mostra o acréscimo de visitantes registado pelas estatísticas oficiais. Começa, de facto, a ser visível entre nós o reconhecimento do valor do património científico e técnico guardado e exposto nos museus com raízes históricas. O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra tem vindo a conquistar não apenas visitantes como a admiração do país e do mundo, como indicam os vários prémios alcançados: já tinha em 2008 ganho o Prémio Micheletti do Forum Europeu de Museus para o melhor museu europeu de ciência e tecnologia e acabou há dias de ser distinguido com um prémio nacional da APOM para o melhor serviço educativo. Ao mesmo tempo está bem lançado, no terreno, o projecto da sua extensão do Laboratório Químico para quase todo o edifício do Colégio de Jesus, um dos colégios jesuítas mais antigos do mundo e onde existem colecções de valor internacional (a identificação recente de uma colecção de peixes tropicais do século XVIII mostra que ainda existe entre nós valioso património ignoto). E colaborou com a Biblioteca Geral da Universidade na organização de uma exposição sobre a Royal Society que exibe instrumentos científicos do século XVIII na Biblioteca Joanina. Nos Museus da Politécnica da Universidade de Lisboa, está em curso um processo com vista à definição do conceito e do estatuto para a entidade que vai tomar o lugar do actual complexo museológico, que integra, além do Museu de Ciência (é “de” e não “da” como em Coimbra), o Museu Nacional de História Natural, e o Jardim Botânico com o Observatório Astronómico de ensino. Essas entidades já beneficiam de uma logística conjunta, mas poderão beneficiar de uma sinergia mais profunda, que permita atrair mais visitantes. Finalmente, na Universidade do Porto, talvez mais atrasada neste processo de renovação museológica, tem havido algumas exposições que não deixam margem para dúvidas sobre o enorme potencial museológico existente nos múltiplos espaços em que as suas colecções históricas estão divididas. A passagem em 2011 dos 100 anos das Faculdades de Ciências das Universidades de Lisboa, Coimbra e Porto será decerto uma ocasião para mostrar mais algum do rico património científico que as Universidades portuguesas mais antigas albergam e que escapou a catástrofes como fogos ou a esse fogo não menos doloroso que foi, por vezes, o esquecimento e a incúria. Há ainda colecções de ciência noutros sítios, como no imerecidamente escondido Museu da Academia das Ciências de Lisboa, no ingratamente extinto Museu Nacional da Ciência e da Técnica, em Coimbra, cujo espólio tarda em integrar no Museu da Ciência de Coimbra, e nas inexplicavelmente olvidadas colecções de outras escolas, desde as Escolas Politécnicas de Lisboa e Porto até às escolas secundárias espalhadas pelo país que herdaram um passado onde as ciências eram ensinadas numa base experimental. Para já não falar, porque seria outra conversa, dos muitos museus das técnicas, em geral de pequena dimensão (o Museu da Electricidade na Central Tejo, em Lisboa, é a excepção que confirma a regra), que estão também disseminados pelo território nacional.

O dossiê no mais recente número da “Museologia.pt” expõe com concisão e rigor a situação desse património: história, conteúdos, panorama actual e perspectivas. Centra a sua atenção nos museus ligados às ciências básicas (Matemática, Física e Química, incluindo a Astronomia na Matemática ou na Física, e incluindo na Física a Geofísica), deixando por isso um pouco de lado os não menos importantes museus de História Natural (que, como mostra o caso de Coimbra, são indissociáveis dos primeiros), os museus das técnicas (cujas temáticas, na maior parte dos casos, dificilmente se podem separar das ciências) e os chamados centros de ciência (aos quais alguns autores insistem em não chamar museus, por não possuírem património histórico, mas que têm muito em comum com os museus tradicionais, designadamente a defesa da cultura científica).

Marta Lourenço é a autora, além da Introdução sobre “Os Museus de Ciência hoje”, de um texto de fundo sobre “O Património Invisível. História, organização e preservação do patrimónuio científico em Portugal”. Pedro Casaleiro, museólogo que trabalha no Museu da Ciência de Coimbra, lança um olhar sobre algumas das experiências mais inovadoras na cena internacional da museologia científica (na qual, sem injustificadas modéstias, coloca o “seu” museu, ao lado de museus como a Wellcome Collection, em Londres, a Science Gallery na Irlanda, o Svalbard Museum, na Noruega, a Cosmocaixa, em Barcelona, e o Musée des Confluences, em Lyon), no seu texto “Museologia da Ciência. Perspectivas cruzadas numa década de excelência e inovação”. Ana Delicado, socióloga, escreve depois sobre “Museus, Divulgação da Ciência e Cultura Científica” acentuando o papel dos museus na apropriação da cultura científica pela sociedade. E Miguel Telles Antunes, geólogo, descreve a verdadeira “arca do tesouro” em vários domínios da ciência que se encontra na Academia de Ciências de Lisboa, a instituição que remonta ao final do século XVIII e que foi a nossa resposta à Royal Society e outras famosas sociedades científicas, no seu texto “História Antiga e Património da Academia das Ciências de Lisboa”. O dossiê é completado por uma secção internacional, que integra textos de dois grandes especialistas internacionais, o francês Michael van Praët, o coordenador da Comissão de Programa do Museu de Ciência de Coimbra, que escreve sobre “Museus e património das Ciências Naturais em França”, e o italiano Paollo Brenni que escreve sobre “Considerações sobre o restauro de instrumentos científicos”, um tema que interessa sobremaneira aos museus nacionais. Os museus de História Natural acabam por entrar nos artigos de Casaleiro, Antunes e van Praet. E os centros de ciência são também discutidos no artigo de Delicado. Na minha opinião, os modernos museus de ciência terão de saber integrar sabiamente as colecções com origem nas várias ciências, assim como escolher em cada caso as melhores maneiras de as mostrar. A ciência de ponta é hoje interdisciplinar, ainda que nem sempre o pareça dada a proliferação dos saberes especilizados, e a museologia científica, tem pela frente o difícil mas aliciante desafio de casar harmoniosamente o antigo com o novo.

Tudo lido e digerido, o leitor não pode deixar de extrair a conclusão, para onde a coordenadora aliás nos conduz logo de início, de que é assaz relevante o nosso património científico e que ele deve merecer especial carinho de todos nós, desde os simples cidadãos aos governantes. Fica com a ideia que, se têm sido feitos notáveis progressos nos últimos tempos, é a altura de esperar de nós próprios e dos responsáveis da res publica novos progressos, desejavelmente maiores, que consolidem e prossigam a obra encetada. Assim como a cultura científica é uma componente essencial da cultura, o património científico é uma componente essencial do nosso património, sem o qual não há nenhuma possibilidade de cultura. É altura de dar um grande futuro ao nosso passado.

- “Museologia.pt”, nº 4, 2010, Edição do Instituto Português dos Museus e da Conservação.

Na imagem: Sala do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

MUSEOLOGIA 4


Informação recebida do Instituto dos Museus e da Conservação:

No âmbito da actividade editorial do Instituto dos Museus e da Conservação, terá lugar no próximo dia 20 de Janeiro, às 18h00, no Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, a apresentação do número 4 da revista Museologia.pt

A revista, cujo dossiê temático é dedicado aos Museus de Ciência, será apresentada pelo Prof. Doutor Carlos Fiolhais. Na sessão irão ainda intervir o Prof. Doutor António Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, o Professor Doutor João Brigola, Director do Instituto dos Museus e da Conservação, o Dr. Francisco Melo, Administrador da Editora Quidnovi que patrocinou integralmente esta edição, a Dra. Clara Camacho, directora da Museologia.pt e a Dra. Marta Lourenço, do Museu de Ciência.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

KAIROS -REVISTA DE FILOSOFIA E CIÊNCIA


Está on-line, em versão integral, em português e inglês, o número um da revista "Kairos" do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa. O próximo número sairá em Abril de 2011. Ver aqui.

Na imagem: representação do deus grego Kairos (que significa "tempo certo", "tempo oportuno"), filho de Cronos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

100 anos da República

Informação recebida pelo De Rerum Natura.

Pinharanda Gomes apresenta o 6.º número da revista Nova Águia hoje (3.ª feira) no Palácio da Independência, pelas 17h00

A temática geral são os 100 anos da República, num balanço crítico sob uma visão social, cultural e política.

São igualmente destacadas quatro efemérides: o bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano; o centenário do nascimento de Miguel Reale; o cinquentenário do falecimento de Jaime Cortesão; o ano da morte de António Telmo, colaborador da "Nova Águia".

O tema do próximo número, a sair no primeiro semestre de 2011, será «Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa"

sábado, 11 de setembro de 2010

A anarquia e as leis da Física


Na página Web da Gazeta de Física aqui já pode ser descarregado em pdf o número 2 de 2010. Entre os vários artigos destaque para a lição inaugural da cátedra de Física Teórica do Imperial College de Londres proferida por João Magueijo sobre "A anarquia e as leis da Física".

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Nova revista sobre a história da física moderna

A editora Springer, associada a um conjunto se sociedades de Física de vários países da Europa, incluindo a Sociedade Portuguesa de Física (da qual sou o representante), edita a revista The European Physical Journal, com várias séries (A, B, C, etc.) conforme os subtemas de Física. Acaba de ser publicado o primeiro número do The European Physical Journal H dedicado à história da física moderna: no primeiro número, em acesso livre, podem ler-se artigos sobre a história do gluão, da teoria da turbulência, da teoria quântica dos campos e da abundãncia dos elementos químicos no Universo. Clicar aqui.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

NOVO JORNAL PARA A HISTÓRIA DA FÍSICA MODERNA


A Springer anunciou a publicação próxima da nova revista "European Journal of Physica H", dedicada à história da física moderna. O primeiro número estará visível "on-line"."European Journal of Physics" é uma série de revistas europeias, na qual Portugal participa, por nelas se ter integrado a revista "Portugaliae Physica".

Para mais informações ver aqui.

Revista "Filosofia e Ciência"

Informação recebida do Centro de Filosofia da Ciência da Universidade de Lisboa:

O Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa tem o prazer de anunciar a criação da Kairos. Revista de Filosofia & Ciência.

Trata-se de uma revista, com arbitragem científica, orientada para a publicação e difusão de textos (artigos, recensões, traduções…) que problematizem, reflictam e esclareçam as diversas relações entre a filosofia e as ciências.

A data limite das candidaturas de textos para o primeiro número é: 15 Maio 2010

O endereço de recepção de candidaturas de textos é: cfcul@fc.ul.pt

Informação mais detalhada sobre a revista – condições de submissão, estilo, etc. – está disponível em http://kairos.fc.ul.pt

segunda-feira, 19 de abril de 2010

DEZ MITOS DE PSICOLOGIA POPULAR


A revista "Skeptic" (que eu aguardo sempre e leio com prazer!) traz no seu último número (vol. 15, nº3, 2010) uma lista do top-ten dos mitos de psicologia popular, que são desmontadas pelos autores do artigo: S. Lilienfeld, S.J. Lynn, J. Ruscio e B. Beyerstein, do livro desses autores "5o Great Myths of Popular Psychology: Shattering Widespread Misconceptions About nHuman Behaviour", saído há pouco Wiley-Blackwell:

1- Só usamos 10% do nosso cérebro.

2- É melhor exprimir arrelia do que guardá-la para si.

3- A baixa auto-estima é uma fonte maior de problemas psicológicos.

4- A memória humana funciona como uma câmara vídeo.

5- A hipnose é um estado de "transe" único.

6- O teste do polígrafo é um meio adequado de detectar mentiras.

7- Os opostos atraem-se.

8- As pessoas com esquizofrenia têm múltiplas personalidades.

9- As luas cheias causam crimes e loucura.

10- Uma grande porção de criminosos usam com sucesso o argumento da insanidade para se defenderem.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nova Gazeta de Física

Mensagem recebida da Sociedade Portuguesa de Física (SPF):

Encontra-se disponível aqui o novo número da Gazeta de Física (GF). Desde há uma semana, a GF está no Facebook. Pode agora visitar a Gazeta no Facebook e faça-se "fan": com os mais e os menos jovens, esperamos assim alargar o impacto da Gazeta de Física.
Teresa Peña
(Vice-Presidente da SPF e Directora Editorial da GF)