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quarta-feira, 6 de junho de 2018

NEANDERTAL



Na próxima 4ª feira, dia 13 de Junho, pelas 18h00, vai ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra.

Neandertal", por João Zilhão Arqueologo, Professor na Universidade de Barcelona e em Lisboa. Fundador e Director do Instituto Português de Arqueologia. Dirigiu a equipa que em 1998 descobriu o menino do lapedo, a primeira prova científica de peso a favor da miscigenação entre os neandertais e as populações de origem última africana que os especialistas designam como “primeiros seres humanos anatomicamente modernos”.

Esta palestra integra-se no ciclo "Ciência às Seis"*.

Resumo da palestra:
Na realidade, a “arte” pré-histórica é comunicação por imagens. O seu valor estético faz com que continue a causar admiração ao homem de hoje mesmo quando, na falta de um registo escrito ou de informadores orais, o significado preciso dessas imagens está para sempre perdido. Para o arqueólogo, as questões que ela coloca são por isso aquelas para as quais o método científico pode trazer respostas relativas aos modos de vida das gentes do passado. Por exemplo: Quando foi feita? Por quem foi feita? Como é que os lugares de “arte” se relacionam com os lugares de “habitação” e o que é essa relação nos diz sobre mundivisão, organização social, etc.? E, no que respeita à evolução humana: Como é que esta abordagem arqueológica da “arte” pré-histórica contribui para esclarecer questões relacionadas com as origens da comunicação por símbolos visuais? E, à luz das últimas datações obtidas para os primórdios da arte parietal na Península Ibérica, em que é essa abordagem contribui para uma melhor compreensão do homem de Neandertal? Destas questões se tratará.

*Este ciclo de palestras é coordenado por António Piedade, Bioquímico e Divulgador de Ciência.

ENTRADA LIVRE

Público-Alvo: Público em geral
Link para o evento no facebook

terça-feira, 15 de abril de 2014

Portugal, 1957

Publicação convidada, da arqueóloga Leonor Medeiros, investigadora na Michigan Technological University.

Nos passados anos 50 a American Geographical Society (fundada em 1851) publicou uma série de livros sobre vários países do mundo, todos com o mesmo formato e apresentação gráfica, apesar de escritos por diferentes autores. Nota-se neles um interesse pela cultura, história, geografia, gastronomia, e indústria dos países, embora sempre de um modo ligeiro, fazendo lembrar guias de viagens.

São o retrato de uma época, da abertura dos Estados Unidos ao mundo e da sua política internacional. No que diz respeito a Portugal, o livro à laia de guia tem muito do discurso típico do Estado Novo: os descobrimentos, o "somos pequenos mas grandes" e os estereótipos das regiões, mas também diz muito do país que fomos há já mais de meio século.

Kish, George. (1957) Portugal. New York: American Geographical Society









Para outra viagem no tempo, o guia da ex-Jugoslávia está disponível online.

Leonor Medeiros

quinta-feira, 26 de julho de 2012

“O Primeiro Alquimista – A Idade do Bronze em Portugal”


Recensão crítica primeiramente publicada na imprensa regional portuguesa:

Uma boa história é quase sempre a melhor maneira detransmitir informações e destas ficarem na memória de quem as ouve ou lê. No quediz respeito à divulgação de conhecimento científico o caso não é, de todo,diferente. Muito pelo contrário.

De facto, uma forma eficaz de transmitir conhecimentocientífico e alcançar leitores a ele alheios, é a de conseguir conciliarinformação rigorosa, e cientificamente bem fundamentada, nos interstícios deuma história que seja propagável, de fácil transmissão oral, passível dealimentar uma boa conversa. Uma boa história pode mais facilmente despertarvocações do que o melhor manual formal.

O livro intitulado “O Primeiro Alquimista – A Idade doBronze em Portugal” da autoria de Sofia Martinez, e que acaba de ser publicado(Junho de 2012) na editora A Esfera dos Livros, é um excelente exemplo do queatrás se disse. Trata-se de uma surpreendente história de “amor e coragem”, umaficção literária cheia de suspense e mistério, compaginada com o conhecimento obtidode dados arqueológicos bem fundamentados (implícitos na bibliografia presenteneste livro e, por exemplo, aqui, aqui e aqui) sobre um povo do início da Idade do Bronze e que poderia, de formacredível, ter habitado há cerca de 3750 anos a Fraga dos Corvos, situada naactual aldeia de Vilar do Monte no concelho de Macedo de Cavaleiros. “Toda a fundamentação científica do romance baseia-se nas investigaçõese no trabalho terreno das equipas arqueológicas que nos últimos 10 anos temescavado na Fraga dos Corvos”, confirma Sofia Martinez.

O presente livro, é o segundo romance da autora(depois de “Caçador e a Curandeira – Aventura de Dois Irmãos na Idade da Pedra”,editado em 2006 nas Edições Silabo), baseado numa pesquisa histórica rigorosa. Apartir do conhecimento científico decorrente das escavações e levantamentosarqueológicos efectuados no arqueossítio da Fraga dos Corvos, a autora desenvolvea ficção que descreve o ambiente sócio-cultural, os mitos e tradições, asdivindades, a estrutura da aldeia, das suas cabanas, da olaria. Assim como amaestria em descobrir, recolher, reduzir os minérios que permitem obter efundir o bronze, bem como das “expressões de poder dos pequenos chefes quelideram essas comunidades” e que “passam pelo controlo da produção dos metais enomeadamente dos machados de bronze de gume largo que, regionalmente, sedesignam como de tipo de bujões”, como escreve na nota histórica, que finalizao livro, o Doutor João Carlos de Senna-Martinez, Professor de Arqueologia naUniversidade de Lisboa.

Ao longo de onze capítulos, que começam por “Um mergulho dequatro mil anos”, Sofia Martinez envolve-nos numa história fértil em surpresas edescobertas que prendem a leitura e nos cativam do princípio ao fim. Um livromuito bem escrito e excelente para uma primeira introdução aos usos e costumesdos povos da Idade do Bronze que viveram nos actuais territórios portugueses deTrás-os-Montes.



Sofia Martinez aquando do lançamento de "O Primeiro Alquimista" em Macedos de Cavaleiros.

Sobre a autora:

Sofia Martinez (n. 1977, Lisboa) é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Colaborou no suplemento literário juvenil DN Jovem entre 1992 e 1995. Participou com dois contos na recolha "Mosaico", dedicada a Manuel Dias pelos autores dessa obra coletiva. Em 2006 publicou um primeiro romance, "O Caçador e a Curandeira". Tem contos e poemas em várias gavetas. Vive em Bruxelas desde 2007, com o marido e os dois filhos.

António Piedade
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

sábado, 21 de janeiro de 2012

A GRUTA DOS SONHOS ESQUECIDOS



Já chegou aos cinemas portugueses o filme em 3D sobre a gruta Chauvet, um santuário da arte rupestre.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

NOVOS LIVROS SOBRE HISTÓRIA DE ARTE E ARQUEOLOGIA


Informação recebida da Clássica Digitália:

O Conselho Editorial dos Classica Digitalia braço editorial do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da UC tem o gosto de anunciar dois livros de uma nova série, publicada em parceria com a Imprensa da Universidade de Coimbra. Trata-se da série CLASSICA INSTRVMENTA, dedicada a monografias de História de Arte e de Arqueologia.

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente (cujo endereço directo é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre. O preço indicado diz respeito ao volume impresso.

NOVIDADES EDITORIAIS

Colecção “Varia” — Série CLASSICA INSTRVMENTA
- Rui Morais, A colecção de vasos gregos do Museu de Farmácia (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2011) 77 p. (a cores). Prefácio de Maria Helena da Rocha Pereira.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/75
PVP: 17 € / Estudantes: 13 €

- Rui Morais, A colecção de lucernas romanas do Museu de Évora (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2011) 85 p. (a cores).
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/76
PVP: 17 € / Estudantes: 13 €

terça-feira, 24 de maio de 2011

O crime com 5000 anos e a areia nas sandálias

Participação da arqueóloga Leonor Medeiros na Final do FameLab, que venceu. Em menos de três minutos, como a arqueologia pode ajudar a contar a história de um crime com 5000 anos e de uma ida à praia algumas horas atrás.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

CÉREBRO COM 2500 ANOS



Crónica semanal publicada no "Diário de Coimbra".

A palavra “fóssil” deriva do étimo latino fossilis que significa desenterrado ou extraído da terra. O que é que está enterrado? Restos ou vestígios de animais, plantas e outros seres vivos que remontam a épocas passadas e que aparecem conservados em depósitos sedimentares, rochas encontradas no contexto geológico que é a crosta terrestre e cuja formação foi contemporânea desses seres vivos. Esta premissa permite inferir da idade do fóssil.

Os fósseis constituem o objecto de estudo da ciência designada por paleontologia, disciplina científica a que se deve a maior parte do conhecimento factual sobre o passado e evolução da vida no planeta Terra. A sua actividade experimental não se limita a encontrar fósseis, o que pode ser feito por qualquer cidadão independente da sua formação. O paleontólogo contextualiza o fóssil no registo geológico da história do planeta, reconstitui e interpreta o ecossistema passado, permite o conhecimento dos processos através dos quais a vida interage com o envolvente e evolui.

A ideia generalizada da raridade dos fósseis é falsa e talvez alimentada pela mediatização pontual e enfatizada da descoberta de um fóssil específico, cuja descoberta contribui para a explicação de um elemento em falta. É um pouco como as colecções de cromos. É relativamente fácil encontrar e acumular cromos e rapidamente preencher a caderneta respectiva até à situação da falta de um conjunto pequeno de cromos, ditos raros. O entusiasmo e a notícia empolgada é assim alimentada pela ansiedade de encontrar os poucos cromos em falta e raramente festa é feita quando a caderneta fica preenchida o suficiente para se ter uma ideia global da constelação.

O processo de geração de um fóssil (outro aspecto de interesse da paleontologia) é um fenómeno comum associado à morte e mineralização de um dado organismo. Na realidade, têm sido encontrados fósseis dos mais variados seres vivos, mesmo aqueles que viveram há milhares de milhões de anos.

Dependendo das condições de fossilização, todas as partes dos seres vivos podem deixar registo fóssil, mesmo os componentes orgânicos mais delicados como sejam os tecidos moles. A maior parte das vezes, são outras formas de vida (animais, bactérias, etc.) que degradam e reciclam os restos constituintes de um determinado ser vivo impedindo assim que essas partes fossilizem. A alteração da constituição hídrica dos tecidos orgânicos altera também o registo fóssil em relação à realidade do ser vivo assim deixa testemunho.

Neste contexto, é de registar a descoberta de um cérebro praticamente inteiro no interior de um crânio humano com cerca de 2500 anos de idade (673 – 482 a.C. o resultado da datação por radiocarbono). A conservação do tecido cerebral encontrado, não sendo única, espanta exactamente pela raridade deste tipo de achados. O tecido cerebral é rapidamente degradado a não ser que disso seja inibido por qualquer processo de mumificação ou por condições específicas do seu enterro.


O cérebro pertenceu a um homem, com idade entre 26 e 45 anos, que terá sido enforcado e de seguida ritualmente decapitado. O crânio descoberto em 2008, em Heslington, no estado de York, no Reino Unido, foi estudado por uma equipa multidisciplinar liderada pelo arqueólogo britânico Mark Johnson. Os cientistas investigaram não só as condições singulares que permitiram a conservação do fragmento cerebral preservado desde a Idade do Ferro, mas também análises histológicas e biomoleculares. Foi possível determinar a constituição em aminoácidos, lípidos e proteínas especificamente do tecido nervoso (uma proteína proteolítica da mielina e outra específica dos oligodendrócitos).

Os resultados agora colocados online num artigo a publicar no Journal of Archaeological Science indicam que o crânio deve ter sido enterrado rapidamente numa cova com uma grande espessura de argila húmida, em condições de muito baixo nível de oxigénio, o que, juntamente com outras condições encontradas, pode ter contribuído para a preservação dos tecidos encefálicos.

António Piedade