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terça-feira, 15 de novembro de 2016

ComceptCon 2016: o Cérebro

O Cérebro é um dos órgãos mais fascinantes do nosso corpo. Mas o que sabemos sobre ele? O que andam os cientistas a investigar? Podemos confiar sempre nele? É à volta deste tema que a equipa da COMCEPT organiza, em colaboração com a Associação Viver a Ciência, a ComceptCon 2016

O evento, de entrada gratuita, terá lugar no Pólo de Indústrias Criativas da UPTEC, na Praça Coronel Pacheco, no Porto, dia 19 de Novembro de 2016, a partir das 10h.



Os temas são os seguintes:

- Excepcionalmente Normal: A Neurodiversidade em Humanos, por Ana Matos Pires (Médica Psiquiatra e Docente Universitária, Univ. Algarve)


- O Cérebro: Estado da Arte, por Diana Prata (investigadora do Instituto de Medicina Molecular, Univ. Lisboa)

- Humanidade 2.0: Melhoramento Cognitivo e Outros Vislumbres do Futuro, por Júlio Borlido dos Santos (comunicador de ciência no i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Univ. Porto)

- Ilusões Pertinentes: Confusões da Percepção Humana, por Maria Ribeiro (IBILI - Instituto de Imagem Biomédica e Ciências da Vida, Univ. de Coimbra)

- Total Recall: Podemos Confiar nas Nossas Memórias?, por Miguel Remondes (investigador do Instituto de Medicina Molecular, Univ. Lisboa)


Mais informações em: http://comcept.org/comceptcon-2016/ 

sábado, 17 de março de 2012

A geração médica portuguesa de 1911


Novo post de António Mota de Aguiar (na imagem, estátua de Sousa Martins em Lisboa, ao antigo Campo de Santana, hoje Campo dos Mártires da Pátria):

A primeira metade do século XX deu a Portugal numerosos e competentes cientistas. Já neste blogue descrevemos os currículos de alguns físicos, matemáticos, biólogos, médicos e astrónomos, que se destacaram pelos seus trabalhos nas décadas de 30 e 40 deste século. Mas o limiar do século ficou marcado por uma geração médica que dignificou a História da medicina do nosso país.

Três figuras marcaram o fim do século XIX: Manuel Bento de Sousa (1835-1899), José Tomás de Sousa Martins (1843-1887) e Miguel Bombarda (1815-1910) . Este último, foi professor e director do Hospital Rilhafoles em Lisboa e, graças ao seu empenho, e ao de Sousa Martins, criaram, respectivamente, em 1882 e 1897, o Instituto Bacteriológico e o Laboratório de Histologia, este último no Hospital Rilhafoles, tendo Miguel Bombarda nomeado Marck Athias para o dirigir. Diga-se, contudo, que estes três homens não foram cientistas nem experimentadores, mas essencialmente clínicos, oradores e polemistas. Porém, a sua acção na sociedade portuguesa de então e a criação das duas instituições mencionadas estiveram na base dos posteriores avanços da medicina em Portugal.

A medicina lisboeta do final deste século era essencialmente clínica e baseada no velho Hospital de S. José; a Escola Médico Cirúrgica estava instalada, em condições precárias, numa espécie de barracão, ao lado do Hospital, como escreveu Jaime Celestino da Costa (1915-2010).

Por esta altura, ouviam-se vocês discordantes que alertavam para o nosso atraso e avançavam soluções, como, por exemplo, Ricardo Jorge (1858-1939), que propunha soluções para a reforma do professorado e sua especialização técnica, pondo em evidência que “o grande mal, o maior mal, não é o analfabetismo, é o iletrismo das classes dirigentes”. “A um século de distância, o conceito parece-nos bastante actual”, conclui Jaime Celestino da Costa.

“Éramos parasitas da ciência alheia”, escreve ainda o mesmo professor, “…situação contra a qual os jovens queriam lutar. Mas iam contar com o apoio de grandes inovadores que tinham fugido ao iletrismo nacional”.

Foi graças a estes grandes inovadores que, em 1911, a Assembleia da República promulgava duas leis de importância decisiva. A 22 de Fevereiro a que reformava os estudos médicos, a 24 de Março a que criava novas Universidades e novas Faculdades. As Escolas Médicas de Lisboa e Porto transformaram-se em Faculdades, com estatuto universitário.

O psiquiatra e professor da Universidade de Coimbra Sobral Cid (1877-1941), na sua oração de sapiência, proferida em 1925, diz o seguinte:

“…seria injustiça, (…) não dar o devido relevo ao papel primordial da Régia Escola de Cirurgia de Lisboa, na regeneração do ensino superior. Usando larga e inteligentemente da lei de autonomia promulgada em 1907 pelo governo ditatorial do Conselheiro João Franco, a Escola Médica de Lisboa reformava-se a si mesmo e por si própria, antecipando-se e avantajando-se no campo das relações práticas, a todos os outros estabelecimentos de ensino superior. Foi uma admirável obra colectiva, em que todos os professores da época tiveram um quinhão de glória” .

Os fundadores (herdeiros das duas instituições cridas por Sousa Martins e Miguel Bombarda) desta nova medicina portuguesa foram Câmara Pestana (1863-1899) e Marck Athias (1875-1948). Os dois aperceberam-se da relevância de duas disciplinas nascidas da microscopia: a bateriologia e a histologia. Câmara Pestana, fundou, em 1892, o Instituto Bacteriológico que tem o seu nome, o qual, em virtude da sua morte prematura, aos 36 anos, vítima da epidemia da peste bubónica, levou o seu sucessor, Aníbal Bettencourt (1868-1930) a defender e desenvolver a sua obra.

No Laboratório de Histologia, Marck Athias deu um relevante impulso à investigação biológica, e contam-se como seus discípulos, Augusto Celestino da Costa (1884-1956), Geraldino de Brites e Abel Salazar (1889-1946), entre outros.

Desta geração áurea da medicina portuguesa, além dos nomes já citados, fazem parte:
Francisco Gentil (1878-1964), Azevedo Neves (1877-1955), Sílvio Rebello (1879-1933), Henrique Vilhena (1879-1958), Egas Moniz (1874-1955), Gama Pinto (1853-1945), Reynaldo dos Santos (1880-1970), Pulido Valente (1884-1963), Eduardo Mota (1817-1912), Carlos May Figueira (1829-1913), Sabino Coelho (1853-1938), Oliveira Feijão (1850-1918), José António Serrano (1851-1904), Silva Amado (1846-1925), Curry Cabral (1844-1920), Custódio Cabeça (1866-1936), Alfredo da Costa (1859-1910), José Gentil (1870-1941), Ferraz de Macedo (1838-1907), Bello Moraes (1868-1933), Moreira Júnior (1866-1952), Bettencourt Pita (1826-1907), Bettencourt Raposo (1853-1937), Sílvio Rachello (1879-1938), Salazar de Sousa (1871-1940), Carlos Tavares (1857-1913), Augusto Vasconcelos (1867-1951), Ferreira de Mira (1875-1953), e muitos outros.

“Obra colectiva, de grupo, rara entre nós, era a reforma espontânea de uma escola, coisa também rara e conduzida, coisa ainda mais rara, por um grupo de homens preparados – porque tinham procurado ser competentes” , escreveu Jaime Celestino da Costa.

Num outro texto, diz-nos ainda o mesmo professor:

“O movimento singular da geração de 1911 foi um caso especial – um oásis no contexto nacional – mas não podia sozinho mudar o rumo da história pátria”..

António Mota de Aguiar

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O CENTRO À FRENTE


Meu artigo na revista "C" de hoje (na imagem o Biocant em Cantanhede):

A decifração do genoma humano por menos de mil dólares era uma das metas mais perseguidas pela biomedicina. Previa-se para 2014 mas acabou de ser atingida: no recente Fórum Mundial de Davos, na Suíça, o norte-americano Jonathan Rothberg apresentou uma nova máquina. A sequenciação de um só genoma passou não apenas a ser mais barata (actualmente custa cerca de cinco mil dólares) como mais rápida: demora apenas duas horas, ao contrário da tecnologia actual, que exige algumas semanas.

Steve Jobs pagou cem mil dólares pela sequenciação do seu genoma, um preço só ao alcance de milionários. Com os preços agora anunciados, a sequenciação já está ao alcance dos nossos hospitais. E á se fala em máquinas que poderão fazer a sequenciação por menos de cem dólares com resultados a demorarem minutos.

Para que serve a sequenciação do genoma? Cada um de nós distingue-se pelo ADN, uma molécula em cada uma das suas células. Somos todos iguais, pois o genoma humano é quase todo igual, mas somos todos diferentes, pois as alterações individuais, apesar de pequenas, são significativas. Não é só a cor dos olhos que está no nosso genoma. Algumas doenças e a predisposição para muitas outras também lá estão. Há ainda alterações genéticas locais que causam disfunções que podem ser fatais (por exemplo, tumores cancerosos). Conhecendo o perfil genético de cada paciente, os médicos poderão, além de efectuar diagnósticos mais rápidos, prescrever medicamentos à medida, praticando o que se chama medicina personalizada, a medicina do futuro. Por outro lado, o tratamento estatístico dos dados de pessoas anónimas permitirá conhecer melhor o perfil de certas populações e fabricar fármacos melhores para todas elas. É um admirável mundo novo que se anuncia com a revolução em curso que, bem aproveitada, permitirá prestar melhores cuidados de saúde a um custo mais reduzido.

Um relatório que acaba de ser divulgado no Reino Unido por uma comissão nomeada pela Câmara dos Lordes recomenda a introdução de testes genéticos no Sistema de Saúde Inglês com a construção de uma plataforma informática que dê todas as garantias de segurança para armazenamento do genoma dos utentes. Mas isso, por muito novo que pareça, não é novo. O projecto Porgene, um consórcio formado pela Critical Software (uma empresa de tecnologia de grande sucesso, que inclui desde há, pouco a Agência Espacial Chinesa na sua lista de clientes depois da NASA e da Agência Espacial Europeia), pelo Biocant (o primeiro parque português de biotecnologia, que possui as únicas máquinas de sequenciação em Portugal) e a Universidade de Coimbra (com o Centro de Física Computacional, que detém o maior supercomputador no país, e o Centro de Direito Biomédico, que detém o know-how nas questões legais associadas aos progressos recentes em medicina), foi anunciado no passado da 11/11/2011, com grande cobertura pelas televisões (todos os canais), os jornais (Expresso, etc.) e Internet. Nessa data foram recolhidas amostras corporais das primeiras pessoas que quiseram contribuir. O projecto de construção de software de interpretação do genoma é candidato a fundos europeus e nacionais, aguardando-se pareceres e decisões que podem acelerar os trabalhos. O Centro, mais uma vez, está à frente na inovação. E faz com que, numa altura de crise, o país apareça também à frente.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

UM CÉREBRO EM FUGA NO SÉCULO XVI


Minha crónica no "Público" de hoje (na imagem, o famoso juramento de Amato Lusitano censurado, tal como está numa cópia da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra):

Completam-se neste ano cinco séculos após o nascimento, em Castelo Branco, não só de um dos maiores médicos portugueses mas também de um dos maiores médicos de todos os tempos. Chamava-se João Rodrigues, nome a que acrescentou o da sua terra natal, vindo mais tarde a adoptar o pseudónimo de Amato Lusitano, nome pelo qual ficou conhecido em toda a Europa.

Na sua época, passou-se a ver a abóbada celeste e também o corpo humano com outros olhos. Em 1543 eram publicados os livros Revolução dos Orbes Celestes, do astrónomo polaco Nicolau Copérnico, e Fábrica do Corpo Humano, do médico belga André Vesálio. Estas duas obras inauguraram a ciência moderna, fundada na observação e na experiência. Esse é, por isso, convencionalmente, o ano do nascimento da ciência tal como a conhecemos hoje. Seis anos antes, o rei D. João III tinha mudado a Universidade de Lisboa para Coimbra (não havia ainda a Biblioteca Joanina, que exibe actualmente uma exposição sobre Amato Lusitano). E, sete anos antes, o mesmo rei tinha estabelecido a Inquisição, que, embora no início quisesse contrariar a Reforma protestante, cedo se virou, entre nós, contra os judeus.

Amato Lusitano era judeu. Não admira, por isso, que tenha saído do país em 1534, nunca tendo regressado. Depois de ter estado em Antuérpia, obteve um lugar de professor de Medicina na Universidade de Ferrara, em Itália, onde, no exercício da dissecação de cadáveres, descobriu as válvulas venosas, uma observação que haveria de conduzir passadas algumas décadas à identificação do papel do coração no sistema circulatório. Tratou o Papa. Morreu, vítima de peste, em Salónica, então no Império Turco e hoje na Grécia, depois de ter passado em errância por várias cidades, como Ancona, em Itália, e Dubrovnick, hoje na Croácia. Tinha apenas 57 anos: a longevidade não era naqueles tempos o que é hoje, graças em boa parte aos progressos da medicina. Vesálio, por seu lado, só viveu 50 anos. Talvez se tenham encontrado, pois um colega e amigo de Amato em Ferrara era irmão de Vesálio (já na altura havia famílias com vários médicos!). Segundo alguns autores, Amato figura até no areópago dos doutores mais notáveis do seu tempo uma vez que aparece na portada do livro de Vesálio, debruçando-se sobre um corpo anatomizado.

As citações existem desde que há ciência. Vesálio conhecia o trabalho de Amato e citou-o para criticar o seu trabalho sobre as veias. Reciprocamente, Amato referiu também várias vezes Vesálio, também num tom crítico. Lê-se numa citação das Centúrias, uma compilação de casos clínicos e a sua obra maior:“Sobre a raiz da China me agrada falar aqui, visto que até agora, que eu saiba, pouco ou nada foi dito e tanto mais que André Vesálio, há poucos dias, publicou um livrinho a que pôs o título ‘A raiz dos chineses’, no qual (poderia dizê-lo sem hostilidade pessoal) nada se encontra, além do título, que diga respeito à raiz dos chinas. Com efeito, todo o livrinho é de Anatomia. Para o entender é necessário o charadista Édipo”. A raiz da China é uma planta trazida do Oriente pelos Portugueses, à qual eram atribuídas propriedades de cura da sífilis. Portugal desempenhou na época um papel extraordinário no mundo, que então começava a ser global, ao trazer e divulgar plantas medicinais de paragens remotas. Na mesma época, outro judeu português, Garcia de Orta, que rumou de Lisboa para a Índia no mesmo ano em que Amato se exilou, citou Vesálio a propósito da referida raiz, nos seus Colóquios dos Simples. Escreve o médico e botânico: “E destouta raiz da China dizem Vesálio e Laguna muitos males dizendo que é podre e sem virtude e que custa muito dinheiro, e não tenho que ver com que custe muito ou que custe pouco, nem que seja cara ou barata, antes me parece bem o que diz Mateolo Senense, que basta para esta raiz ser boa mesinha, tomá-la o Imperador Carlos V e aproveitar-lhe." Pois aqui está um dito bem moderno e que devia ser ouvido nesta época de redução dos orçamentos da saúde: não importa tanto o preço do medicamento, mas mais que o doente se cure.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"A VIDA SEXUAL" NA NET


Foi hoje anunciado em Coimbra, no final do Congresso Luso-Brasileiro de História da Ciência que está disponível mais um grande acervo de documentos de história da ciência portuguesa que pertencem ao espólio das Bibliotecas da Universidade de Coimbra, em particular a Biblioteca Geral. O repositório de funso antigo Almamater fica assim bastante enriquecido. Uma das obras é a tese de doutoramento de Egas Moniz, único Nobel português na área, "A Vida Sexual" aqui .

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A VIDA IMORTAL DE HENRIETTA LACKS


O melhor livro de ciência nos Estados Unidos, contando a incrível história de uma mulher morta que tem mais células vivas do que mortas (na imagem algumas células dela), apresentado por mim na Fábrica Ciência Viva de Aveiro, em mais um vídeo gravado por Sofia Barata à disposição de todos nas minhas "Escolhas de Livros" no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: é só clicar aqui.

sábado, 18 de junho de 2011

Juramento de Amato Lusitano, 1559.


Como ontem proferi na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Braga, a convite da Ordem dos Médicos, uma conferência sobre Vesálio, Amato Lusitano e Garcia da Orta: o nascimento da medicina moderna, li, durante a respectiva preparação, o juramento que Amato Lusitano, de quem este ano festejamos os cinco séculos de nascimento, deixou na sua última Centúria, escrita em Salónica, quando ele já professava abertamente a religião judaica. É um testemunho de toda uma vida quando ela já se aproximava no fim (morreu em 1568, no seu lugar de médico, lutando contra a peste). Reproduzo aqui uma das traduções portuguesas (o original é em latim) até porque os seus padrões éticos são ou deviam ser ainda hoje actuais:

Juramento Médico de Amato Lusitano

«Juro perante Deus imortal e pelos seus dez santíssimos mandamentos, dados no Monte Sinai ao povo hebreu, por intermédio de Moisés, após o cativeiro do Egipto, que na minha clínica nada tive mais a peito do que promover que a fé intacta das coisas chegasse ao conhecimento dos vindouros; e para isso nada fingi, acrescentei ou alterei em minha honra ou que não fosse em benefício dos mortais; não lisonjeei, nem censurei ninguém ou fui indulgente com quem quer que fosse por motivos de amizades particulares; sempre em tudo exigi a verdade; se sou perjuro, caia sobre mim a ira do Senhor e de Rafael, seu ministro, e ninguém mais tenha confiança no exercício da minha arte; quanto a honorários, que se costumam dar aos médicos, também fui sempre parcimonioso no pedir, tendo tratado muita gente com mediana recompensa e muita outra gratuitamente; muitas vezes rejeitei, firmemente, grandes salários, tendo sempre mais em vista que os doentes por minha intervenção recuperassem a saúde, do que tornar-me mais rico pela sua liberalidade ou pelos seus dinheiros; para tratar os doentes jamais curei de saber se eram hebreus, cristãos ou sequazes da lei maometana; não corri atrás das honras e das glórias e com igual cuidado tratei dos pobres e dos nascidos em nobreza; nunca provoquei a doença; nos prognósticos disse sempre o que sentia; não favoreci um farmacêutico mais do que outro, a não ser quando em algum reconhecia, porventura, mais perícia na arte e maior bondade de coração, porque então o preferia aos demais; ao receitar sempre atendi às possibilidades pecuniárias do doente, usando de relativa moderação nos medicamentos prescritos; nunca divulguei o segredo a mim confiado, nunca a ninguém propinei poção venenosa, com minha intervenção nunca foi provocado o aborto; nas minhas consultas e visitas médicas femininas nunca pratiquei a menor torpeza; em suma, jamais fiz coisa de que se envergonhasse um médico preclaro e egrégio.

Sempre tive diante dos olhos, para os imitar, os exemplos de Hipócrates e de Galeno, os pais da Medicina, não desprezando as obras monumentais de alguns outros excelentes mestres na Arte Médica; fui sempre diligente no estudo e por tal forma que nenhuma ocupação ou circunstância, por mais urgente que fosse, me desviou da leitura dos bons autores; nem o prejuízo dos interesses particulares, nem as viagens por mar, nem as minhas frequentes deambulações por terra, nem por fim o próprio exílio, me abalaram a alma, como convém ao homem sábio; os discípulos que até hoje tenho tido em grande número e em lugar dos filhos tenho educado, sempre os ensinei muito sinceramente a que se inspirassem no exemplo dos bons; os meus livros de Medicina nunca os publiquei com outra ambição que não fosse contribuir de qualquer modo para a saúde da humanidade.

Se o consegui, deixo a resposta ao julgamento dos outros, na certeza de que tal foi sempre a minha intenção e o maior dos meus desejos.

Feito em Salónica, no ano do Mundo 5.319 (1559 da nossa Era)."

Fonte: D’ESAGUY, Augusto, Oração e Juramento Médico de Moisés Maimonde e Amato Lusitano, Lisboa, 1955

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A PESTE BUBÓNICA NO PORTO DE RICARDO JORGE


Pode ver-se aqui a minha apresentação em vídeo, no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho em Coimbra, do livro "A Peste Bubónica no Porto" de Ricardo Jorge (editora Deriva).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Centúrias de Curas Medicinais de Amato Lusitano


Convite recebido da Ordem dos Médicos (este ano celebram-se os 500 anos do nascimento do grande médico português que ficou conhecido por Amato Lusitano):

O CELOM - Centro Editor Livreiro da Ordem dos Médicos tem a honra de convidar V. Ex.ª a assistir à apresentação do livro “Centúrias de Curas Medicinais” da autoria de Amato Lusitano, que terá lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa no dia 24 de Fevereiro de 2011, pelas 18h30. O livro será apresentado pela Profª. Doutora Isilda Rodrigues e pelo Prof. Dr. José Luís Dória.

Com a reedição desta obra, numa iniciativa da Ordem dos Médicos, o CELOM associa-se às comemorações dos 500 anos do nascimento de Amato Lusitano, que se celebram em 2011.

Sociedade de Geografia de Lisboa
Rua das Portas de Santo Antão, 100 1150-269 Lisboa
Tel.: 21 3425401/5068 - Fax 21 3464553

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Traços da medicina na azulejaria de Lisboa

Minha recensão do livro de Madalena Esperança Pina, com o título de cima, filmado no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: aqui.