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sábado, 30 de dezembro de 2017

Opinião: Íris Científica 4

Faz já doze anos que António Piedade publicou o seu primeiro livro Íris Científica (2005), pela editora Mar da Palavra. Foi preciso esperar seis anos para o leitor conhecer o seu segundo livro, Caminhos de Ciência (2011). A partir daí, o autor já não mais parou, apresentando ao público um novo livro ao ritmo de quase um por ano. Entretanto, poderíamos ir acompanhando a sua escrita sobre ciência nas crónicas que publica regularmente na imprensa regional. Têm sido, aliás, esses os textos que têm alimentado a coleção Íris Científica, que já vai no quarto volume. Este novo livro é constituído por trinta e três textos, divididos em duas partes: “Além no Espaço” e “Aqui na Terra”.



A coleção Íris Científica é muito mais do que uma coletânea de textos publicados na Imprensa Regional. Trata-se de uma seleção de temas, que nos dá a conhecer as mais recentes descobertas e avanços científicos, e que vai sendo atualizada anualmente. Para quem, por motivos profissionais ou por falta de tempo, não consegue acompanhar o conhecimento produzido em várias áreas da ciência, pode encontrar neste livro um resumo de uma parte da investigação realizada tanto a nível nacional como internacional. Além disso, por estar escrito de um modo claro para diversos públicos, tanto pode ser lido por jovens alunos como por adultos interessados na ciência. Estou certo que este livro ainda servirá para aqueles que, no futuro, tenham curiosidade em conhecer que ciência fora produzida no passado – o nosso presente. Porventura, ainda poderá servir de ponto de partida a futuros historiadores da ciência. Trata-se, pois, de uma coleção útil a ter por perto, em qualquer biblioteca pessoal. Que o ano 2018 traga o quinto número desta coleção.


domingo, 20 de dezembro de 2015

"Diálogos com Ciência" de António Piedade


A minha apresentação do livro "Diálogos com Ciência" de António Piedade, no dia 17 de Dezembro de 2015, no Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho. Procurei incorporar no texto algumas das ideias que surgiram do diálogo que se seguiu.

Diálogos com Ciência, edição de autor de António Piedade, é um livro em que a ciência e a escrita poética nos supreendem na forma de textos curtos, a maior parte na forma de diálogos entre pessoas de diferentes gerações ou meios culturais. É uma delícia ler este livro a sós ou acompanhado.

Os vários capítulos que nos remetem para temas desde a matemática à biologia molecular, passando pela física e pela química, são pequenos diamantes que podem ser lidos em voz alta ou até encenados (como já aconteceu com pelo menos um deles e foi feito por Mário Montenengro na apresentação). O formato de diálogo remete-nos, como refere Carlos Fiolhais no prefácio, para Galileu e Garcia da Orta, mas não faltam bons exemplos na história da ciência. Este formato, assim como a evocação de histórias que nos fascinam - inesperadas ou deliciosamente previsíveis, pessoais, picantes ou morais - tem muita eficácia na comunicação de ciência. O diálogo foi também usado por Jane Marcet no início do século XIX, nas suas conversas sobre química, envolvendo uma professora e duas alunas com feitios muito diferentes. No caso de Marcet, quando esses diálogos foram adaptados, por diferentes autores, para livros de ensino, perderam grande parte da sua eficácia e brilho. António Piedade, na apresentação do livro, também nos falou das suas experiências com as versões de um mesmo texto, ou tema, escritos na forma de diálogo, apresentando apenas as explicações científicas, ou transformados em poemas. (Um livro de poemas com cariz científico é um projecto que o autor vai referindo e que aguardamos com curiosidade).

O nível da linguagem colocada na voz das crianças, sem concessões a tratamentos simplistas ou infantilizantes, pode causar alguma estranheza, mas faz parte do encanto do livro. Lembrou-me logo o que escreveu Aquilino Ribeiro sobre os livros para crianças. O texto deve dar mais do que o que as pessoas - em especial as crianças - sabem ou esperam. António Piedade acrescenta que, para além do uso da linguagem científica sem simplificações - quase sempre revista por especialistas - deixa propositadamente algumas partes do texto apenas esboçadas para estimular a curiosidade. Eu acrescentaria que em alguns casos se deixa liberdade ao leitor para descobrir (sem sem avassadado com isso) que o assunto abordado é bastante complexo e, que muitas vezes, ainda não temos respostas completas. É assim que funciona a ciência, procurando respostas e não respondendo de forma dogmática e autoritária. E, embora existam provavelmente limites físicos e lógicos para a ciência, não é certo que os conheçamos todos.

Não vou desvendar o conteúdo do livro; deixo para o leitor o prazer da descoberta. Vou apenas referir alguns aspectos que me chamaram a atenção, não tanto para os analisar, mas para dar a minha visão deles através dos pensamentos a que estes me conduziram. Outros leitores terão outras visões e farão outras descobertas. Como é bem sabido - mas não é de mais relembrar - um bom livro é aquele que interroga o leitor e ultrapassa as intenções do autor, ganhando vida própria.

Por exemplo, o belo texto sobre os elementos químicos presentes no corpo humano levou-me às diferentes atitudes que as pessoas têm sobre o conhecimento científico relacionado com a quantificação do corpo humano. Lembrou-me um dos momentos mais poéticos da séria Breaking Bad em que o professor e uma aluna vão somando as massas dos elementos e falta sempre alguma massa, ou seja mais alguns elementos – não a alma ou a consciência que, embora não saibamos ainda bem o que é, sabemos com grande certeza não ter massa. De facto, sabermos quais são os elementos químicos ou moléculas presentes no corpo humano, não retira poesia, ou mistério ou a possibilidade do transcendente às nossas vidas. Outra evocação a que este texto me conduziu foi a de Sylvia Plath, a qual, depois do sofrimento psíquico que lhe causou a física, fez todos os possíveis para evitar estudar química. Para Sylvia, palavras bonitas como ouro, cobalto e alumínio apareciam transformadas em abreviaturas horrorosas com números à frente. E, em vez de palavras belas como caroteno e xantofila, na física apareciam símbolos que pareciam escorpiões. Este é, poderíamos conjecturar, um efeito Sylvia Plath menos conhecido: o fechamento à beleza de alguns aspectos da ciência. Esse fechamento pode surgir das nossas personalidades, mas também dos maus encontros. Sylvia Plath talvez não tivesse odiado a física e a química se tivesse tido conhecido a escrita científica poética de António Piedade a propósito destas duas ciências.

No capítulo sobre as lágrimas é impossível não pensar no famoso poema de António Gedeão - água e cloreto de sódio, nada mais – Lágrima de Preta. Mas o texto vai muito mais além e remete-nos também para a bioquímica e a fisiologia e biologia molecular das lágrimas. É também Vitorino Nemésio e os seus poemas de Limite de Idade que nos piscam os olhos inundados de lágrimas de diferentes composições químicas, consoantes são de alegria ou tristeza, comunicando sentimentos com a linguagem da química. Muito para além da água e cloreto de sódio.

Os capítulos das viagens, realizadas em 2010 e 2011, na linha de comboio Nobel que tem três paragens: Fisiologia e Medicina, Física e Química são muito felizes e têm um grande potencial para serem, nas escolas ou em trabalho com jovens, estendidos a outros anos (anteriores ou posteriores) ou incluir novas paragens. No próprio capítulo de 2011, o combóio é perdido na paragem da Física, não chegando os viajantes à paragem da Química, onde os aguardavam os quasi-cristais.

Os nomes das personagens são também curiosos e em alguns casos relacionados com a narrativa. No capítulo do aniversário da dupla-hélice – sessenta anos – gostei da evocação de Frederick Sanger e Rosalind Franklin (cujo nome se relaciona com o da neta da história – Rosália). O nome de Jaime - o avô – liga-se a James Watson (pode ser-se um avô maravilhoso e ao mesmo tempo uma pessoa desagradável e com ideias pouco simpáticas) e Francisco - o outro neto – a Francis Crick. António Piedade não identifica o Henrique que observa sangue ao miscroscópio, mas confidencia-nos que o Rui de Bem-me-quer? é inspirado no conhecido neurocientista português com o mesmo nome próprio.

Finalmente, alguns comentários sobre a bela capa que, parecendo uma pintura, é na realidade uma imagem do campo magnético no plano galáctico obtida pela ESA, e para a paginação. António Piedade explicou-nos que optou por usar uma letra de corpo suficentemente grande que não obrigasse os mais velhos a usar óculos e usou um espaçamenento entre linhas que ajudasse os mais novos a ler com mais facilidade. O resultado em termos de paginação pode parecer menos elegante do que o que costumamos encontrar em edições muito bonitas mas menos legíveis, mas é muito eficaz. Parafraseando Michael Faraday: o que um objecto que foi feito para ser usado – neste caso um livro para ser lido - tem de mais belo é a sua utilidade e eficácia.

Em suma, há muitas boas razões para ler e oferecer neste Natal Diálogos com Ciência - veja-se também as que refere João Lourenço Monteiro. Quem estiver interessado num exemplar envie um email para apiedade@ci.uc.pt.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Os "Diálogos" que me surpreenderam


Quando há uns dias verifiquei a caixa do correio, constatei que finalmente recebera uma encomenda esperada: era o novo livro do António Piedade, Diálogos com Ciência. Este livro acabou por ser uma surpresa em vários aspectos, como irei explicar. Antes, importa referir do que trata o seu conteúdo.


Como o autor já nos tem vindo a habituar, este é um livro de divulgação de ciência que aborda temas muito variados - da bioquímica, passando pela biologia celular e do desenvolvimento, indo até às ciências físico-químicas - mas sempre de modo simples e recorrendo a situações do quotidiano. O prefácio, de Carlos Fiolhais, faz uma boa introdução ao livro, e pode ser lido aqui

Quando comecei a ler o livro, esperava um conjunto de textos na linha das publicações anteriores, em que o autor pegava em artigos publicados em revistas científicas ou em descobertas de investigadores e que os explicava de modo acessível ao leitor leigo, como tem vindo a fazer com maior mestria ao longo dos anos. Foi uma expectativa gorada, porque encontrei algo completamente diferente: diálogos entre personagens, normalmente entre crianças/jovens e adultos, em que uns mostravam curiosidade e outros forneciam explicações, não de um modo "escolar", como se de uma relação aluno-professor se tratasse, mas numa sequência de conversas informais entre pessoas próximas. No entanto, apesar da forma não ir ao encontro do que esperava, não vejo isso como uma crítica mas antes como uma vantagem, e foi por isso que me surpreendi: o autor reinventou-se! Em vez de uma "Íris Científica 3" que esperava, deparei-me com algo inovador (embora já com alguns textos conhecidos, que aqui foram compilados). 

Outra surpresa, está relacionada com o público-alvo e com a receptividade do livro. Pensei eu que o público-alvo deste livro, pela maneira como está escrito e devido aos seus personagens, seria mais indicado para uma camada jovem ou até mesmo infantil. Enganei-me, porque os adultos que leram o livro adoraram-no. E descobri isto de modo casual: havia deixado o livro em cima da mesa e, num fim-de-semana em que estava com a casa cheia, as pessoas começaram a ler o livro e ficaram deslumbradas. Mas mais do que isso, gerou-se um burburinho em torno do livro, em que iam comentando certas histórias descritas pelo autor, assim como iam sugerindo que o livro deveria ser lido pelos seus conhecidos. Há muito tempo que não via esta reacção genuína por causa de um livro! E nem todos os intervenientes eram leigos, alguns eram profissionais da área das ciências. 

Assim, concluo que este livro é uma boa oferta não só para os mais jovens mas também para adultos, sejam eles leigos ou com conhecimentos científicos. Ou seja, é um livro que enquanto obra de divulgação científica cumpre o seu objectivo de levar o conhecimento a um público vasto. 

Aguardo o próximo projecto do autor.

(Nota do António Piedade: Quem estiver interessado num exemplar envie um email para apiedade@ci.uc.pt)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

PREFÁCIO A “DIÁLOGOS COM CIÊNCIA” DE ANTÓNIO PIEDADE

Meu prefácio ao último livro de António Piedade, que acaba de sair em edição de autor (pedidos ao próprio):



António Piedade, bioquímico e divulgador de ciência autor de Íris Científica (Mar da Palavra, 2005) e de Caminhos de Ciência (Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011) para além de algumas edições de autor que são tesouros da divulgação pouco conhecidos que o leitor será feliz se encontrar (como o livro infantil Silêncio prodigioso, 2012, e Íris Científica 2, 2014), brinda-nos com mais um volume, Diálogos com Ciência. Tem-se distinguido pelas suas crónicas dominicais no Diário de Coimbra, pela coordenação do projecto “Ciência na Imprensa Regional”, promovido pela Ciência Viva – Agência Nacional para a promoção da Ciência e da Tecnologia e pelo apoio à dinamização de actividades de divulgação de ciência no Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra.
Há em António Piedade uma perseverança notável desde o seu primeiro livro saído há dez anos. O seu objecto de escrita continua a ser a ciência, e não apenas a ciência bioquímica que ele domina mas também outras ciências como a matemática, a astronomia, a física e a química, e o estilo continua a ser a junção de pequenas peças numa prosa de laivos poéticos, que remete quase sempre para conversas do quotidiano. O tamanho dos seus textos tem a ver com o facto de eles terem vindo a lume na imprensa, competindo no espaço com as notícias e com a opinião. Por sua vez, a sua oficina literária bebe decerto inspiração em Rómulo de Carvalho, o professor de Física e Química que praticou tanto a pedagogia, a história e a divulgação como a poesia e o teatro (disfarçado sob o nome de António Gedeão). Num país onde a cultura científica ainda escasseia e onde nem sempre são devidamente premiados os esforços para a espalhar, António Piedade tem vindo, ao longo dos anos, a afirmar-se como uma voz tão distinta como segura, tanto nos livros como na imprensa como ainda na Web (destaco a sua participação de há anos no blogue de ciência e cultura científica De Rerum Natura). A sua persistência na comunicação de ciência ao grande público, adulto ou infanto-juvenil, por uma variedade de meios, merece encómios.

O diálogo é um género literário com grande tradição na história da ciência. Foi sob essa forma que o físico italiano Galileu Galilei escreveu diversos dos livros que trouxeram, no século XVII, a ciência moderna: nos Diálogos sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo (1632) Salviati, Simplício e Sagredo discutem a mecânica e os mesmos três personagens reaparecem na sua obra final Discursos e Demonstrações Matemáticas sobre Duas Novas Ciências (1638). Os dois livros são escritos em italiano para que a nova ciência pudesse extravasar dos estritos círculos dos letrados. No século anterior, mais precisamente em 1563, já o português Garcia da Orta tinha tentado romper o confinamento da ciência aos sábios ao escrever, na forma de diálogo e em bom português, os seus Colóquios dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia. Os personagens que trocam opiniões são o próprio Orta e o Doutor Ruano, um colega fictício que o visita. Tanto os livros de Galileu como o de Orta foram pioneiras na história das ciências que versam.

Na moderna divulgação de ciência, o diálogo tem ainda a propriedade de seduzir pela fluência das perguntas e respostas. O segredo do autor de divulgação será sempre o de colocar na boca dos seus personagens as perguntas e as respostas que o leitor presumivelmente terá a respeito do mundo, em particular das partes do mundo que mais o encantam. As respostas da ciência têm de ser interiorizadas pelos seres humanos que formulam as questões. E, para isso, nada funciona melhor do que a sua ligação dessas respostas à vida dos personagens.

Piedade começa por um diálogo sobre um aniversário entre uma menina de doze anos e o seu avô, no qual um jogo de números serve para mostrar a intemporalidade das proposições matemáticas. No texto seguinte, uma mãe que, inquirida pela filha sobre o aparecimento dos peixinhos num lago, lhe explica a semelhança entre a sua história pessoal e a dos peixes que está a ver: “Na alvorada do teu quarto dia chegaste ao interior do meu útero, e, na partitura do teu desenvolvimento, já estavas no estado de blastocisto. Ou seja, tu eras um conjunto de mais de 64 células.”. No texto seguinte, assistimos à conversa entre Joana e o seu irmão mais velho sobre a sucessão das estações do ano na Terra... ou em Marte (“Há Primavera em Marte?”). Depois, é outra menina que resolve, no Dia Mundial da Música, ir escutar os sons da Natureza. No texto seguinte, “Cores do Outono”, não há diálogo mas o leitor pode deliciar-se com uma descrição poético-científica da queda das folhas. Sente-se a presença de Gedeão, o autor de “Lágrima de Preta” em “O que tem a tua lágrima?”, um diálogo entre Rui e o seu tio. Depois, Patrícia interroga-se sobre os elementos químicos dentro de si: ela tem 33 quilogramas de moléculas de água, combinações de hidrogénio e oxigénio. A invocação de Gedeão volta em “O tio Antão”, uma conversa entre tio e sobrinho, no qual o primeiro transmite a ideia de movimento, por exemplo de um berlinde. Em “Um relógio que flui dentro de ti!”, Henrique observa ao microscópio uma gota de sangue, motivado por um artigo da Nature. Os dois textos que se seguem referem-se aos prémios Nobel de 2010 e 2011, apresentados sob a forma de metáforas ferroviárias. Na sequência surge Helena com uma flor na mão, um “bem-me-quer”, que é surpreendida por um amigo. No texto seguinte aparece o único personagem de fantasia, Etolas, o “arquitecto de minérios”. Na continuação dá-se um regresso à matemática, com um “Diálogo de zeros”, literalmente uma conversa entre zeros, e os “Doze Anos”, onde Ana conta pelos dedos. Para terminar, o avô Jaime e os seus dois netos gémeos celebram os 60 anos ao mesmo tempo do avô e da estrutura do ADN, já que Jaime nasceu no ano em que Watson e Crick identificaram a famosa dupla hélice.

Eis um passeio muito diversificado pela ciência: aniversários, peixes, estações do ano, sons, folhas, lágrimas, água, berlindes, sangue, comboios, números e código genético. Convido os leitores, jovens ou menos jovens, a lerem estas mini-histórias. Ficarão decerto seduzidos pela ciência que está omnipresente no livro, reflectindo a ciência que está por todo o lado, tanto à nossa volta como dentro de nós. Somos parte do mundo e somos também, tanto quanto sabemos, a única parte do mundo que se encanta e se interroga sobre ele. O encanto e o questionamento vão em paralelo, como bem mostra António Piedade.

(Nota do António Piedade: Quem estiver interessado num exemplar envie um email para apiedade@ci.uc.pt)