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sexta-feira, 13 de abril de 2012

HAJA LUZ!



O químico Jorge Calado começa o seu extraordinário livro "
Haja Luz" (IST Press), agora em segunda edição (paperback), com a invocação da estreia da "Criação" de Joseph Haydn, com o próprio compositor como maestro e Antonio Salieri ao piano. Foi em Viena em 1798. Eis uma recriação moderna e atenção ao emocioannte minuto 9,37 quando a palavra "licht" (luz) ressoa.
Leiam a introdução ao som da música de Haydn.

Carlos Fiolhais

sexta-feira, 23 de março de 2012

O SEGREDO DOS STRADIVARIUS





Minha crónica no semanário "Sol" de hoje (nno vídeo Eric Grossman toca Bach num Stradivarius):


O violino mais caro do mundo é um Stradivarius, que foi leiloado em Junho passado para ajudar as vítimas do grande tsunami do Japão ocorrido há um ano. O instrumento, conhecido por Lady Blunt, por ter pertencido a Anne Blunt, uma neta de Lord Byron, foi arrematado pela espantosa quantia de 11,2 milhões de euros. Os Stradivarius, do nome do seu construtor, o italiano Antonio Stradivari (1644-1737), com oficina em Cremona, no norte de Itália, são hoje violinos lendários. Só Giuseppe Guarneri, contemporâneo e conterrâneo de Stradivari, fabricou instrumentos assim tão caros. Porque são tão preciosos esses instrumentos? Que “não sei quê” os faz tão especiais? Não se tratará apenas da sua raridade (há apenas 600 Stradivarius em todo o mundo), mas sobretudo da magnífica qualidade do seu som. Nas mãos dos melhores intérpretes eles produzirão melodias que, segundo os entendidos, são incomparáveis.

Mas serão? De facto, podem-se comparar, e da comparação efectuada concluiu-se que, afinal, a superioridade dos Stradivarius pode ser um mito. O segredo dos Stradivarius parece inexistir. Um estudo publicado há pouco nos Proceedings of the National Academy of Sciences, cujo primeiro autor é Claudia Fritz, cientista francesa da Universidade Pierre e Marie Curie de Paris, revelou, que, ao contrário do que se esperava, excelentes músicos são incapazes de identificar instrumentos antigos no meio de instrumentos modernos. Num quarto escuro de um hotel, foi dado a músicos virtuosos que participavam no Concurso Internacional de Indianapolis, nos Estados Unidos, dois violinos, um moderno e outro antigo, muito mais caro, pedindo-lhes para tocar e dizer qual preferiam. Preferiram, em geral, o violino moderno. Numa segunda parte da experiência os investigadores pediram aos músicos para indicar o melhor instrumento num grupo de seis, dando-lhes vinte minutos para ensaios. Só oito dos 21 músicos participantes seleccionaram um violino antigo, apesar de haver dois Stradivarius e um Guarnerius. Esta experiência faz lembrar uma prova de vinhos, às cegas, na qual os provadores não conseguiram distinguir um vinho caro de um vinho barato...

Ficaram em causa algumas teorias sobre os instrumentos de cordas, pois havia quem dissesse que o que distingue os Stradivarius é o tipo da madeira, enquanto outros defendiam que é o seu tratamento e outros ainda os vernizes utilizados na cobertura. O debate continua pois são precisas mais experiências. Por exemplo, Earl Carlyss, violinista do famoso quarteto de cordas Juillard, não ficou impressionado com os testes de acústica. Respondeu que testar violinos num quarto de hotel numa experiência de olhos fechados era como escolher entre um Ford e um Ferrari sem sair do parque de estacionamento.