quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
Café com Ciência em Braga
sábado, 15 de outubro de 2016
Novas velhas crenças a dominarem a educação escolar
A actual equipa do Ministério da Educação está determinada (como a anterior e a anterior à anterior e a que antecedeu esta e outras) a elevar o nível de sucesso escolar, mais precisa e ambiciosamente, a torná-lo pleno.

Deixando de lado o sentido da expressão sucesso (e do seu contrário, insucesso, estabelecidos por referência a um critério classificativo), que preferia ver substituído por aprendizagem, a mensagem veiculada é a de que as super novas tecnologias da informação e da comunicação serão, indubitavelmente, o caminho.
A mensagem do ministério é corroborada por investigadores, formadores de professores, professores, representantes de empresas, responsáveis autárquicos, associações, conselhos e comissões várias. E, claro, pelos alunos, que dizem "adorar" os apelativos gadgtes,
Os jornalistas, de grandes e pequenos jornais, que têm sido profícuos a noticiar declarações e acontecimentos, em geral, negligenciam o aprofundamento da informação, o contraditório, a discussão, o esclarecimento, limitam-se a passar a mensagem que se espera que passem.
Veja-se o título acima - Novas tecnologias põem insucesso escolar a zero - que é tão acientífico como o anúncio de um produto para resolver os problemas de saúde de toda a gente. Será um desejo mas não é uma possibilidade real. Pelo menos duas razões justificam esta afirmação.
Em primeiro lugar porque, sendo certo que, com base no estado actual do conhecimento pedagógico, poderíamos melhorar substancialmente a aprendizagem (e devíamos empenhar-nos a fundo nisso) não conseguiremos que todos os alunos aprendam tudo o que pretendemos que aprendam e do modo como entendemos que o façam. Quem se situa no quadro da educação formal não tem esse saber, e o seu poder tem limites.
Em segundo lugar porque o ensino é afastado da estratégia. Tudo correrá bem se os alunos tiverem acesso aos muitos e sedutores gadgtes disponíveis, repletos de games com os correspondentes reforços imediatos. Enfim, se o professor se afastar deles e deixar de insistir em transmitir-lhes conhecimentos, porque, em rigor, daquilo que eles precisam é de desenvolver, de modo autónomo e colaborativo, "competências". A "motivação" advirá sobretudo destes "ingredientes" e será o caminho para se chegar ao tão almejado fim: o sucesso total.
A crença de que a aprendizagem é independente do ensino, de que os professores não são precisos para que os alunos adquiram a educação que se atribui à escola é devastadora. Ainda não tomámos consciência ou não queremos fazê-lo.
Sendo o ensino uma profissão profundamente humana é humanizadora, precisamos de professores que, antes de mais, entendam que a sua tarefa é artesanal e requer proximidade física. Serem excelentes técnicos de ensino (onde as tecnologias podem ser integradas) não contraria este desígnio, antes é integrado nele.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
O discurso actual sobre a escola: sete "slogans" para justificar uma "verdadeira revolução"
Ora, a escola, que deveria ser pioneira na preparação de todos e de cada um com vista ao triunfo individual e ao progresso da sociedade, encontra-se incompreensivelmente enclausurada no passado e, nessa medida, desajustada face a necessidades e ambições da geração que a frequenta. Urge, pois, construir a “escola do futuro", a verdadeira “escola do século XXI”, do século em que já estamos vai para a segunda década.
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| Imagem retirada daqui |
Na prolixa linguagem que dá forma ao discurso das mencionadas entidades, emerge o apelo a uma “verdadeira revolução”, justificada por argumentos que já se tornaram slogans . Vale a pena determo-nos nos mais recorrentes.
1. Os alunos de hoje são diferentes dos de gerações anteriores, mesmo das mais próximas, é talvez o slogan de partida. Depois da “geração X”, da segunda metade do passado século, aspirante a alguma coisa excepcional mas com a incerteza no horizonte, e da “geração Y”, do final desse século, habituada a conviver com as novíssimas tecnologias e envolvida em multitarefas que não requeiram grande dificuldade, esta “geração Z”, “nativa digital”, “líquida”, nascida na transição de milénio, movimenta-se por “zapping” na internet e, estando permanentemente “conectada”, acede, de modo imediato, às mais diversas informações.
2. A escola, tal como existe, “conservadora”, “tradicional”, será necessariamente, para esta geração, uma “catedral do tédio” (cf. Viana, 2016), eis um segundo slogan. Os espaços e os tempos prévia e rigidamente organizados, a estruturação do trabalho académico assumida pelo professor e o protagonismo que assume em sala de aula, o estudo pelo manual e as tarefas de aplicação, as rotinas de avaliação, só podem ser vistos como pouco ou nada atractivos, em última instância, aborrecidos e nada significativos por parte daqueles que já prolongam o seu corpo nos tablets e smartphones e neles ancoram a sua identidade. Ao contrário de se contrariar esse “modo de ser” há que compreendê-lo, acolhê-lo e potenciá-lo em temos de aprendizagem.
3. Passemos a um terceiro slogan: o currículo igual para todos, centrado em conhecimentos disciplinares excessivamente “teóricos”, não admite que cada um encontre ou manifeste a sua voz, expresse os seus talentos, capacidades, opiniões e expectativas, reconheça e projecte os seus afectos. A falta de enquadramento prático daquilo que se pretende que os alunos aprendam, a distância que se insiste em manter em relação à sua realidade concreta e às suas experiências quotidianas, a desatenção aos seus estilos de aprendizagem, bem-estar psicológico, conforto físico e, mesmo, opções estéticas, conduz à desmotivação e, esta, ao insucesso e ao abandono escolar. Se eles, alunos, os verdadeiros protagonistas do sistema educativo, estão “naturalmente” embrenhados com o digital, que os move nas várias dimensões da sua vida, será de libertar o currículo do conhecimento inerte e distante, abrindo-o ao conhecimento vivo e útil, que está à distância de um clique. Assim se preparará a nova geração para assumir um perfil existencial que já lhe é próprio, no qual se destacam as competências “empreendedoras” e de “cidadania”, com vista a realizar-se num “mercado de trabalho” dominado pela tecnologia e em constante transformação.
4. Chegamos a um quarto slogan que aponta no sentido de se levar os alunos a estabelecerem objectivos concretos para a sua aprendizagem, a recorrerem a abordagens pluri, multi, inter e trans-disciplinares para os alcançarem, a responderem a desafios que requerem respostas céleres e pragmáticas, a mostrarem flexibilidade, adaptabilidade e iniciativa, a descobrirem-se e a explorarem as suas vivências, sentimentos e emoções, a investirem em relações sociais diversificadas e gratificantes, a serem críticos, criativos e perseverantes. E, tudo isto de modo desejavelmente (pró-)activo e autónomo, numa lógica de emancipação face ao professor e ao poder que ele representa.
5. Operacionalizando o acima apontado chegamos a um quinto slogan: a escola deve integrar vias curriculares tão diferenciadas quanto os seus destinatários, todas elas dando supremacia a “actividades” concretizáveis através da “aprendizagem baseada em problemas” (inquiry-based learning), da “sala de aula invertida” ou “papéis invertidos na sala de aula” (invertid ou flipped clas-sroom), da pesquisa, seja ela individual ou colaborativa e cooperativa, de tutorias, se e quando os alunos sentirem necessidade de consultar o professor, de jogos (games), de preferência inspirados nos que lhe são familiares. De modo complementar, técnicas como o mindfulness, importadas de outros campos, aumentarão a sua atenção e concentração, evitando o stresse associado às tarefas académicas, ampliando a sua satisfação, bem-estar, auto-confiança, auto-conceito e auto-estima.
6. Sendo esta renovação metodológica importante não é bastante, pelo que tem de ser integrada num plano estratégico de fundo, um plano capaz de transformar a imagem e a essência da escola: impõe-se, pois, intervir no espaço e em recursos. Chegamos, assim, a um sexto slogan, já da ordem do material, que destaca a arquitectura, o design e a decoração como potentes factores de mobilização dos alunos. Admitindo que preferem estar com os seus pares em espaços abertos, coloridos, luminosos e multifuncionais – por exemplo, centros comerciais –, justifica-se recreá-los na escola , bem como espaços destinados a momentos de descontracção (espaços chill out). Apetrechados com mobiliário capaz de assegurar o conforto corporal, todos eles devem permitir aos alunos liberdade para se movimentarem e para realizarem as actividades que têm em mente, ficando a gestão do tempo ao seu critério. Tais espaços informais e agradáveis, que acolhem preferencialmente o lúdico, sendo distintos dos de trabalho, proporcionarão ambientes estimulantes onde a aprendizagem flui de modo espontâneo e sem esforço.
7. Ainda na ordem do material, mas transcendendo-o, chegámos ao sétimo e último slogan que se traduz na apologia do uso das mais recentes e sofisticadas tecnologias da informação e da comunicação como suporte da aprendizagem. Com os equipamentos e aplicações, cuja lista não pára de se expandir, os alunos têm acesso a toda a informação que se encontra disponível no espaço virtual, podendo seleccionar e/ou transformar a que lhes permite concretizar os seus propósitos e produzir algo a partir dela, fazer conjecturas e ensaiá-las, delinear e experimentar múltiplos cenários. Podem seguir, ao seu ritmo, programas amigáveis que os põem ao corrente das mais diversas matérias, sem terem a maçada de ouvir o professor ou sentirem retraimento devido à pressão que este possa exercer. Tudo isto deve concorrer para a construção de um novo tipo de pensamento, o “pensamento computacional” (cf. Alves, 2016).
Esse será, pois, o grande desígnio da escola do futuro, empolgante por prometer o próprio futuro. Sem essa escola não haverá, não poderá haver, futuro.
Alves, V. (2016). Escola do futuro já existe. Saiba onde é. Dinheiro vivo.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
O direito à privacidade
Situados na dinâmica da sociedade de final de século, Warren e Brandeis defendiam, de modo muito determinado, a necessidade de regulamentar a lei geral de protecção de pessoas e bens, pois viam que grandes ameaças, nunca antes consideradas, a podiam pôr em causa. Eram as ameaças ao "direito de estar só", ao "direito de ser deixado só".
À época, recentes invenções - fotografia instantânea - e negócios - aumento de circulação de jornais - conjugavam-se perigosamente para alimentar o que há de mais primário no ser humano: a intromissão na vida de outrem, apenas e só para apropriação de imagens, sentimentos e acontecimentos que só a eles dizem respeito. A dor, a devastação, que isso pode causar nas pessoas visadas pode ser imensa, conjecturavam.
Assim, seria preciso reconhecer "a principle which may be invoked to protect the privacy of the individual from invasion either by the too enterprising press, the photographer, or the possessor of any other modern device for recording or reproducing scenes or sounds".
Apesar da antecipação que Warren e Brandeis fizeram do futuro, o que eles não previram foi que a economia e o glamour da publicidade que lhe é associada ganhassem (tanta) vantagem ao direito e à ética. Nem previram também que a educação escolar se alheasse do princípio que formularam e, mais do que isso, que acabasse por o subverter.
Foi o que bastou para se configurar o cenário do "panóptico sempre ligado" (H. Rheingolg), onde se desenrola o fantástico “espetátulo da realidade”, pois "tudo vende mais se for real" (P. Sibilia).
Reduzidos a um pensamento que não integra outras palavras além daquelas, muito melosas, que nos são impingidas a que se aliam um inebriamento pelo brilho das luzes que se nos faz crer estarmos no cento de alguma coisa, consumimos "lampejos da intimidade alheia" (P. Sibilia) e damos a consumir "lampejos da nossa própria intimidade.
É verdade: neste cenário “suave e elegante” (P. Sibilia), nada nos detém no acesso aos outros, na vigilância, e controlo que deliberadamente fazemos dos seus passos; mas também nada nos detém no acesso que permitimos aos outros, que deliberadamente vigiam e controlam os nosso próprios passos.
Por isso, não... notícias como esta ou esta não me surpreendem. Afinal ‘Find My Friends’ e ‘Nearby Friends’ são duas expressões tão... envolventes!
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A nossa mão
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| Imagem retirada daqui. |
A sociedade, que tanto criticou as "torres de marfim", aplaude de pé: vá, se são tão inteligentes, mostrem do que são capazes: inventem soluções, mecanismos, o que puderem, mas que seja rentável.
E (um certo) pessoal das universidades - alunos incluídos -, produto desse tipo de sociedade, diz, como muitíssimo entusiasmo, "sim senhor", arregaça as mangas e avança... É um pessoal que apenas tem como limites a sua imaginação, porque não conhece outros, nem ninguém lhes diz que os há.
Daí resultam "coisas" que dão acesso à dupla irresistível: fama e dinheiro.
Referi aqui uma dessas "coisas", "made in Portugal", que me impressionou particularmente, tanto quanto outra de que agora tomei conhecimento e que vem da Suécia: o pagamento através da "scanização" da mão, da mão de carne e osso, da nossa mão (ler, por exemplo, aqui e aqui). É como o controlo no trabalho através da impressão digital, mas acho que pior... Ou será da mesma natureza?
Tão distante que Portugal é da Suécia, não apenas em termos de quilómetros, mas também em termos sociais e, no entanto, o mesmo tipo de estudantes universitários: auto-confiantes, pró-activos, sorridentes e, sim, empreendedores, desembaraçados na palavra, como se espera que sejam... Jovens inebriados com o seu próprio sucesso a quem entregamos o futuro e que não parecem vislumbrar nada além da técnica... analfabetos nessa zona esquisita que é a condição humana. Não, não sei se isso se deve à marginalização das humanidades no currículo...
E não são apenas eles, as estrelas, que têm este perfil, os que são ouvidos sobre os "inventos" parecem iguais, não vêem qualquer problema em nada, nem na leitura da expressões faciais de clientes para potenciar a venda de produtos, nem no uso da mão que pertence ao nosso corpo para fazer pagamentos numa caixa registadora... Tudo parece normal, trivial...
Não, estes jovens não surgem do nada, é a nós que devem ser pedidas contas, nós, professores, directores de departamentos e reitores que, nas universidades, somos responsáveis pela formação de pessoas e que aceitamos "projectos" à peça sem perguntarmos o que está em causa.
Mais elucidativas que as minhas palavras é o vídeo que se pode ver aqui.
sexta-feira, 21 de março de 2014
"Um poema em menos de um minuto"
Rara era a conversa ou escrito em que o nosso amável filósofo Agostinho da Silva não insistisse numa ideia algo profética, que marca, aliás, a sua obra: a Pessoa - porque (quem sabe?) criada à imagem de Deus e, nessa medida, com uma centelha divina na alma - não pode existir para trabalhar, mas para contemplar. O futuro da Humanidade, esse futuro onde se situa o Céu na Terra, não seria, não poderia ser, pois, o trabalho, mas a criação.
“A reconquista do Éden comportaria para o homem a libertação do trabalho, lava-lo-ia dessa mancha de animal doméstico sob o jugo, havia de o restituir ao que é o seu essencial carácter: o ser pensante” (in Ir à Índia sem abandonar Portugal, 1994, Assírio & Alvim, p. 6).Eis uma mensagem que nos envolve e eleva! Mesmo desconfiando deste auspício, pelo menos enquanto por cá andarmos, agrada-nos, certamente, imaginarmos máquinas, que inventamos, a executar as tarefas de subsistência - fundamentais é certo, mas que não estão à altura de "seres pensantes" - enquanto nos passeamos como "deuses por uma morna brisa da tarde", divagando, divagando... e, em resultado desse exercício, encontramos em nós, "medida de todas as coisas", belas ideias.
Belas ideias que podem ser eternizadas em artigos científicos ou em poema, por exemplo...
Deite-se a filosofia de Agostinho da Silva fora, porque, está visto, não serve!
O filósofo enganou-se, acontece. O que se delineia é, precisamente, o contrário: o nosso futuro há-de continuar a ser o trabalho; a criação, essa, vai ser privilégio da máquina.
Surgiu-me esta conjectura quando soube que artigos "científicos", produzidos por programas informáticos são, há que tempos, aceitem por revistas exigentíssimas, que previnem toda a fraude e erro com robustos requisitos de filtragem (aqui). Um espanto!
Não menos espantada fiquei quando, há pouco, li uma notícia que o Carlos Fiolhais me enviou: um programa informático produz poemas e rapidamente: "um poema em menos de um minuto". Sim senhor!
É o PoeTryMe, o "primeiro poeta artificial", que foi desenvolvido por um investigador da minha universidade, a Universidade de Coimbra. Comecei a ler o que se diz sobre a técnica, mas saltei linhas porque ainda tenho algum "preconceito" em relação a ela nesta matéria que julgo tão... (como direi?) humana. Mas, prometo voltar aos pormenores. Até porque tenho de me convencer que quem cria a técnica e a usa é... humano, logo, se calhar, vai dar ao mesmo.
Enfim, saltadas algumas linhas, li também que existe uma tal "Geração Automática de Poesia", que já tem catorze anos (não, essa não nasceu em Portugal) que é, nas palavras desse jovem informático, "uma nova forma de pensar a poesia e pode contribuir para estimular os poetas humanos, desafiando ainda mais a sua criatividade. Pode funcionar, quem sabe, como uma fonte de inspiração".
Pois é... quem sabe? A primeira leitura do soneto escrito pelo revolucionário poeta não me deixou, digamos, muito convencida... mas, afinal, um poema não faz uma obra, espero por outros para formar melhor opinião.
que a uma natural ou nativa
onde a estação da primavera
que coisa segue inspiração fer
artificial negra sem artífice
não há sinfonia sem harmonia
onde a composição da poesia
um dia natural outro postiço
um natural porto o nascidiço
com natural e puro coração
não fica chama nem inspiração
na sua harmonia apolínea
por mais poética que poesia
por mais simetria que harmonia
a linda máquina computador
Nota: Pode o leitor dar conta da notícia aqui.
quinta-feira, 6 de março de 2014
O futuro do ensino?
A propósito da notíciada produção de "artigos científicos" por computador (aqui), disse uma colega: "só falta um programa de computador que dê as aulas por nós [professores]".
Ora, já os há! E com aspecto de gente!
Há algum tempo soube que um professor universitário japonês produziu um cópia mecânica de si próprio para dar as aulas, ficando com mais tempo para investigar. O tempo não era, no seu entender, bastante para as duas coisas, de maneira que, sendo entendido no assunto, resolveu o problema desta maneira. Na altura pensei que a sua decisão poderia ser ao contrário: a cópia investigava enquanto ele-de-carne-e-osso dava aulas.
(Porque terá tomado a decisão no sentido em a que tomou: Porque dar aulas é menos importante do que investigar? Porque é uma tarefa menos exigente, que requer menos pensamento? Não fiquei a saber.)
Seguindo-lhe os passos soube que, qual criador entusiasmado com a criatura que produziu à sua medida, não parou por aí: seguiu-se a construção de um robot feminino sorridente - expressão fundamental de um professor universitário, informou-me alguém recentemente.
E não foi só ele que meteu mãos à obra, pelo que, neste momento, há vários professores-máquinas (por exemplo, aqui, aqui, aqui e aqui) com muitas vantagens apregoadas.
Muito interessante é o vídeo que se pode ver a seguir:
sábado, 18 de janeiro de 2014
O barulhito é o único problema!
"Uma escola na Bélgica divulgou online um vídeo onde dá conta da utilidade da tecnologia dos drones no âmbito da sala de aula. Os alunos que aproveitam os momentos de distração dos professores para copiar nos testes vão ter a sua vida dificultada, graças ao «vigilante voador» que patrulha os exames (...). O sistema implica a coordenação de duas pessoas: enquanto um pilota o engenho por via de controlo remoto, o outro assiste às imagens em directo para ver se algum aluno está a usar cábulas."Não percebendo uma palavra de flamengo, pedi a uma amiga residente na Bélgica para traduzir o que professores e alunos opinavam a respeito, num filme que a escola divulgou.
O que ela me disse foi o que eu havia adivinhado: coordenados, professores e alunos sublinharam a inovação tecnológica, a possibilidade real de controlar a fraude em exames, a possibilidade de o professor ser substituído por um funcionário, pois tudo ficar registado. E isto sem crítica que se notasse... Bem, apontaram um problema(zito): o barulho que o aparelhómetro faz.
Não podemos saber pelas notícias se há professores e alunos com opiniões diferentes destas, mas o facto de um professor (um só que seja) e de uma escola (uma só que seja) admitirem esta prática, é algo, pura e simplesmente, aterrador.
De facto, as escolas, através dos seus professores, em grande medida responsáveis pela formação do carácter, deveriam ser os primeiros a denunciar, a recusar a panóplia de estratégias e instrumentos (em que este tipo de drone se inclui), que quer consolidar, como nunca antes aconteceu, a lógica persecutória e de controlo social.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Ubuntu para telemóveis
Atenção ao ubuntu, mesmo nos computadores pessoais! O Steve Jobs está morto e o Windows já não é sinónimo de computador. Os mitos acerca das dificuldades de utilização dos sistemas Linux começam a cair: afinal, muita gente já anda todos os dias com um Linux no bolso! Em 2013 vai poder usar o mesmo no bolso e no computador. Com os preços elevados dos produtos Apple e com a crise, penso que há uma oportunidade para o ubuntu.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
OS MARCIANOS SOMOS NÓS
Não sabemos se existiu ou se existe vida em Marte. Os instrumentos do novo robô vão procurá-la e, passados alguns minutos, logo teremos notícias na Terra. Mas um dia havemos de ir a Marte, levando connosco a vida que lá eventualmente falta. Este é o único planeta conhecido, além do nosso, que tem condições para ser habitável pelo homem. Essas condições poderão ser melhoradas com o auxílio da tecnologia. Demorará, mas atrevo-me a prever: será tão ou mais confortável viver em Marte do que como aqui.
Carlos Fiolhais
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Yscope: uma invenção portuguesa!
Esta tecnologia, resulta da visão de um dos médicos do serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria. Para a desenvolver, foi estabelecida uma parceria com a empresa YDreams, e este é o resultado. O projecto começou há nove meses. Agora, há outros produtos concorrentes, de empresas estrangeiras. Mas este foi o primeiro! Entra agora em testes no bloco operatório e tem boas probabilidades de ser o primeiro a chegar ao mercado. E, segundo dizem os responsáveis pela sua concepção: é o melhor!
Um plano nacional para ensino da Informática

Texto recebido de Armando Vieira, físico e empresário:
O sector das tecnologias da informação está a fervilhar e a revolucionar o mundo. Numa economia deprimida, milhares de vagas no sector da informática estão por preencher, por falta de candidatos, em Portugal e por quase todo o mundo. O sector da tecnologia deve crescer muito acima de todos os outros até 2020 e com salários muito competitivos.
Se a tecnologia é o futuro, a escola está a fazer um trabalho lamentável na preparação dos jovens. Apesar da alta empregabilidade, o número de licenciados em informática não tem acompanhado a procura, e este, está longe de ser o curso mais desejado pelos alunos.
Pior, a nível do ensino secundário, praticamente não existe formação nesta área, e quando existe, basta um olhar de relance para perceber que os conteúdos rotulados de “ciência da computação” ou TIC, não mudaram nos últimos 10 anos. A maioria limita-se a aprender a usar o Microsoft Word e o PowerPoint.
Resultado? A maior parte dos alunos acaba o ensino secundário sem nunca ter aprendido conceitos básicos de programação ou de redes de computadores. Pior, adquirem ideias preconceituosas, quase todas falsas, sobre o mundo da informática: que é só para geeks, que é muito complicado, que é aborrecido… Na verdade, a informática é talvez das áreas mais criativas, abertas e ricas (em todos os sentidos da palavra) de se explorar.
A Informática oferece várias vantagens em relação, por exemplo, à matemática. Os alunos recebem um feedback imediato do seu esforço e normalmente ficam empolgados com o que conseguem fazer. Basta aprender uns comandos de HTML e já podem apresentar uma página web ao mundo.
A Informática não é considerada uma competência nuclear como a matemática ou as ciências, mas sim opcional e muitas vezes marginalizada. Porque não é a Informática uma competência nuclear nos curricula do ensino secundário? Porque não ensinamos os nossos jovens a programar e expressar a sua criatividade através da infinita gama de linguagens e plataformas disponíveis? Em Silicon Valley milhares de startups estão a reinventar o mundo e a tecnologia graças às possibilidades da informática e a investimentos agressivos de investidores privados. Porque não podemos fazer o mesmo em Portugal e apostar fortemente nas competências informáticas?
Talvez o maior problema seja o de encontrar professores qualificados e certificados. Mas não é uma tarefa impossível se for lançado um plano ambicioso e competitivo para formar e cativar esses talentos. Israel conhecida como a nação Start-Up tem a maior densidade de startups tecnológicas do mundo. Na década de 90 o governo lançou um ambicioso plano para por a informática em pé de igualdade com outras áreas nucleares. Resultado, o número de estudantes do ensino secundário que aprenderam a programar é praticamente o mesmo dos que estudaram física.
Mas lançar um plano ambicioso de ensino da informática não é sinónimo de povoar a sala de aulas com “Magalhães” ligados à Internet. Se este hardware não for complementado com programas curriculares rigorosos e bem estruturados a seu efeito pode ser mais noviço que benéfico.
Está na hora de lançar um audacioso plano de aprendizagem de informática nas escolas secundárias de forma a motivar e preparar os alunos para o futuro e não para o passado. Paralelamente, reforçar o número de vagas no ensino superior e profissional para satisfazer a procura do mercado de trabalho. Finalmente, será necessário incentivar que muitos licenciados, sem competências especializadas em informática, possam realizar algum tipo de reconversão rápida e possam aprender algo que possa fazer a diferença na altura de procurar emprego. Estamos a perder oportunidades únicas e não nos podemos dar ao luxo de o fazer.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Portugal na vanguarda da tecnologia de visualização médica
quarta-feira, 23 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
As 5 Ondas da Dominação Mundial pela China Moderna
terça-feira, 8 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
O FUTURO ESTÁ NOS GENES

Minha crónica no "Sol" de hoje (revista "Tabu"):
Depois da descodificação do genoma humano, terminada em 2003, a decifração do genoma humano por menos de mil dólares era uma das metas mais perseguidas pela medicina. Previa-se para 2014 mas foi há pouco atingida com o anúncio pelo norte-americano Jonathan Rothberg de uma nova máquina de sequenciar. A decifração de um só genoma passou não apenas a ser mais barata (actualmente custa cerca de 5000 dólares) como também mais rápida: demora horas em vez de semanas. Steve Jobs tinha pago cem mil dólares pela sequenciação do seu genoma. Com os preços agora anunciados, a sequenciação tornou-se acessível. E já se fala em máquinas que poderão sequenciar por menos de cem dólares com resultados a demorarem minutos.
Para que serve a sequenciação do genoma? Cada um de nós distingue-se pelo ADN, uma molécula finíssima, mas muito longa, que existe em cada uma das suas células. Somos todos iguais, pois o genoma humano é quase todo igual, mas somos todos diferentes, pois as alterações individuais, apesar de pequenas, são significativas. A cor dos olhos está no nosso genoma. E algumas doenças e, principalmente, a predisposição para muitas outras também lá estão. O conhecimento científico está a aumentar rapidamente neste domínio, sendo necessário criar “interfaces” de uso fácil pelos médicos para interpretação do genoma. Conhecendo o perfil genético de cada doente, os médicos poderão, além de efectuar diagnósticos mais precisos e prescrever medicamentos à medida, praticando a chamada medicina personalizada. Por outro lado, o tratamento estatístico dos dados anonimizados permitirá às empresas farmacêuticas conhecer melhor o perfil das populações e fabricar fármacos mais adequados para elas. O próprio poderá, conhecido o seu perfil genético, mudar o seu estilo de vida, preferindo por exemplo alimentos melhores para si. É um “admirável mundo novo” que se anuncia com a revolução em curso que, bem aproveitada, permitirá prestar melhores cuidados de saúde a um custo desejavelmente mais baixo.
Um relatório divulgado há cerca de um mês no Reino Unido em resposta a um apelo da Câmara dos Lordes recomendou a introdução de testes genéticos no Sistema de Saúde Inglês, o que implica a construção de uma plataforma informática que dê todas as garantias de segurança para armazenamento do genoma dos utentes e sua consulta. Entre nós, um projecto desse tipo, da responsabilidade de um consórcio formado pela Critical Software, pelo Biocant e pela Universidade de Coimbra, já tinha sido anunciado em Novembro passado. Nessa altura foram recolhidas amostras de sangue dos responsáveis do projecto para efeitos de sequenciação. O futuro dessas pessoas e, em geral, de todos nós está, de certo modo, que importa conhecer melhor, nos genes.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
IVEPESP - VALORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DA PESQUISA
INSTITUTO PARA A VALORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DA PESQUISA NO ESTADO DE SÃO PAULO (IVEPESP), pessoa jurídica de direito privado, de natureza e fins civis, destituída de fins lucrativos, com duração ilimitada, formalizado em 13 de dezembro de 2011, que tem por finalidade reunir profissionais da área da educação e da pesquisa cientifica e tecnológica do Estado de São Paulo visando implementar ações para a valorização da educação, da pesquisa científica e da inovação tecnológica. Mais informações: contato@ivepesp.org .
domingo, 1 de abril de 2012
I Encontro Acadêmico-Científico São Paulo-Baviera
No âmbito do “The Sixth Regional Leaders´Summit” uma delegação oficial do Estado Livre da Baveira, Alemanha, visitará São Paulo de 9 a 12 de abril. Esta delegação será composta, dentre outros, pelo Dr. Wolfgang Heubisch, Secretário de Ciência, Pesquisa e Arte do Estado, e reitores de universidades de renome do Estado. O Governo do Estado de São Paulo e o Consulado Geral da Alemanha em São Paulo estão apoiando esta visita. A delegação bavará será composta de cerca de 65 pessoas.
Durante a visita da delegação a São Paulo também esta programada para o dia 11/04/2012 a assinatura de um acordo de cooperação entre o Ministério de Ciência, Pesquisa e Arte e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) com a presença de toda a delegação. Este acordo viabilizará a realização de diversas atividades acadêmicas-científicas entre os Estados. A delegação deverá ainda participar de encontros com pesquisadores e interessados em São José dos Campos e Campinas.
A Baviera faz parte dos estados economicamente mais fortes da Europa. Com um produto interno bruto de 442 bilhões de euros a Baviera supera 20 dos 27 países-membros da UE. A capacidade econômica de 35.337 euros por habitante está claramente acima da média alemã e européia (posição de 2010). A Baviera é um dos mercados de maior poder de compra do mundo. Ao lado de Global Players como Allianz, Siemens, BMW, Audi, EADS, Adidas, Puma e MAN exalta-se na economia da Baviera uma densa rede de pequenas e médias indústrias, empresas de ofícios e prestadores de serviços. A Baviera ocupa o 1.º lugar no setor de seguros e o 2.º lugar no setor bancário dentro da Alemanha. No setor de turismo a Baviera encontra-se na liderança. As feiras de Munique e Nuremberg são de grande significado internacional. Também no campo de fomento de pesquisa e tecnologia a Baviera se encontra entre as melhores posições internacionais: os gastos para pesquisa e desenvolvimento somam mais de 3% do PIB. Em quase todas as novas tecnologias a Baviera ocupa posições de liderança nacional e internacional: começando pela tecnologia de informação e comunicação, passando pela biotecnologia e tecnologia genética até medicinal, energética e ambiental. O Centro Universitário da Baviera para América Latina (BAYLAT), que é uma organização estadual de serviços que incentiva as relações entre as instituições de ensino superior do Estado Livre da Baviera e da América Latina. Além disso, o BAYLAT tem como objetivo divulgar a Baviera como centro de pesquisa, ciência, ensino e inovação. O BAYLAT recebe apoio financeiro do Ministério da Ciência, Pesquisa e Arte do Estado da Baviera e a Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nürnberg disponibiliza toda a infraestrutura. A Dr.ª Irma de Melo-Reiners (irma.demelo@baylat.fau.de) é a Diretora Executiva do Centro Universitário da Baviera para América Latina (BAYLAT) que pode ser contatada para mais informações.





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