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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Em homenagem a Herberto Helder e Manoel de Oliveira

De vez em quando chega à minha caixa de correio electrónica a ligação para um novo e invariavelmente excelente texto publicado no blogue A nossa rádio.

O texto que hoje me chegou é sobre Herberto Helder (aqui).
O que me havia chegado antes é sobre Manoel de Oliveira (aqui).

Tanto um como outro são de ler e guardar.

sábado, 27 de julho de 2013

Ciência aos Quadradinhos






Porque a rir se dizem coisas muito sérias...

É urgente a construção de uma sociedade responsável, com capacidade de decisão matura/ fundamentada e detentora de um verdadeiro espírito de cidadania. Nesse sentido, é também obrigação de todos nós que nos movemos neste meio, mais que não seja responsabilidade moral, a implementação de uma série de práticas, desde a clarificação dos conceitos emergentes relativos aos avanços científicos/ tecnológicos que vivemos, à estimulação do pensamento crítico desde tenra idade, e ainda, ao favorecimento da proximidade entre os cientistas e o público em geral. E se colocar tudo isto em prática não é fácil, o grande busílis da questão está mesmo na linguagem a utilizar. Ora parece-me que a aliança entre a Ciência e a Arte in senso lato, duas formas de produção intelectual grandemente dependentes da criatividade, pode ser uma estratégia muito promissora para envolver o público e disseminar a “mensagem”. Adicionalmente, se a mensagem for passada a par de um suporte visual forte, assertivo, coerente e bem disposto, então teremos andado mais de meio caminho em direcção ao nosso propósito.

 Foi com estas ideias em mente, foi também tendo em conta os resultados alcançados pelas experiências iterativas de muitos anos a partilhar Ciência às mais diversas faixas etárias e tipos de público, e ainda, revivendo boas memórias dos projectos em que congrego alguma forma de arte figurativa ao processo de comunicação de Ciência, que me decidi a dar este passo. A ideia consiste em utilizar a arte sequencial animada para transmitir, dentro de quatro linhas, conceitos associados a conteúdos de Ciência. Mais concretamente através de cartoons sob a forma de quadro único ou tira. Para titubear os primeiros passos decidi-me pela área da Microbiologia. E porquê? Por (de)formação e porque os microrganismos ou os processos microbianos estão por todo o lado, desde o ambiente às notícias que vemos/lemos diariamente. Bom, mas a razão principal, a razão que me levou mesmo, mesmo a escolher a "vida à escala micro", prende-se com o facto dos microrganismos estarem amarrados com nó cego, a muitos preconceitos e conceitos errados. Errados e perigosos. Consulte-se num qualquer dicionário a palavra microrganismo, micróbio ao termo afim e dá logo vontade de bater na madeira, ao mesmo tempo que se murmura um "vade retro Satanás".

Mas dizer coisas sérias a brincar não é fácil! E a imaginação, Senhores? Ai, a imaginação e a criatividade não aparecem assim à hora marcada com um estalar de dedos. Então lancei o desafio, sob a forma de uma ferramenta de avaliação, aos meus alunos das licenciaturas em Biologia–Geologia e Mestrado Integrado em Engenharia Biológica e ainda, como tema de projecto de licenciatura em Biologia Aplicada com o título de "Microrganismos ao Quadradinhos". Acontece que a motivação e adesão foram enorme e os resultados, grosso modo, muito gratificantes. O cartoon em cima é um dos elementos da colecção com o título supra-citado, da autoria do aluno finalista em Biologia Aplicada, Daniel Ribeiro. O objectivo agora é burilar e maturar esta ideia de modo a poder faze-la sair do quadrado onde está confinada, para um círculo de acção mais alargado onde muitos possam usufruir. Cá por mim, espero que o raio do círculo seja bem grande...

domingo, 14 de outubro de 2012

Repetentes que repetem

O atelier de comunicação FBA, ganhou pela terceira vez, registe-se terceira vez, a distinção do American Institute of Graphic Arts (AIGA) com três trabalhos de design de livros. Os autores são Ana Boavida, João Bicker e Rita Marquito e as obras são as colecções “Ler Melhor” (guias para conhecer os clássicos portugueses), na imagem, “Celga” (livros científicos) e “Mnemosine” (textos da literatura universal).


Neste ano eram muito mais candidatos, para cima de mil, de todo o mundo, conforme se pode ler, por exemplo, aquiaqui e aqui.

Poderá apreciar estas belíssimas capas em papel nas livrarias. Entretanto, elas aqui ficam em suporte digital...




quarta-feira, 18 de julho de 2012

ARTES E CIÊNCIAS EM DIÁLOGO



Informação chegada ao De Rerum Natura:

COLÓQUIO INTERNACIONAL ARTES E CIÊNCIAS EM DIÁLOGO
UNIVERSIDADE DO ALGARVE

CALL FOR PAPERS

O Centro de Literaturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL), o Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) e o Centro de Biomedicina Molecular e Estrutural (CBME) organizam o Colóquio Internacional Artes e Ciências em diálogo, a ter lugar na Universidade do Algarve, nos dias 17 e 18 de janeiro de 2013.

Pretende-se promover um debate frutuoso entre as diferentes áreas das ciências (exatas, naturais, humanas, médicas…) e as diferentes áreas artísticas (literatura, música, artes visuais…) sobre não apenas aquilo que as distingue ou distancia, mas também sobre aquilo que podem ter em comum ou que as pode aproximar.

Tais abordagens poderão ser realizadas quer numa perspetiva histórica (história das ciências; história das artes), quer numa perspetiva centrada na atualidade e nos mais recentes desenvolvimentos evidenciados nos dois campos.

Qual o lugar da intuição, do inconsciente, da criatividade, da persuasão/ argumentação/ figura retórica ou da emoção e do belo nas ciências puras e/ou mesmo nas tecnológicas? Qual o lugar do rigor, da objetividade, do método, da experiência ou da realidade empírica nas diferentes expressões artísticas? Qual o papel das ciências humanas neste contexto das relações entre a arte e a ciência? Que diferenças e/ou semelhanças poderão existir entre a descoberta / formação da teoria científica e a criação estética / artística? Que diferenças se podem estabelecer entre o desenvolvimento científico e a temporalidade artística? Que imagens têm as comunidades acerca do mundo científico e do mundo da arte? Que contributos podem trazer a divulgação científica e a divulgação artística para o entendimento quer das especificidades de cada campo, quer dos pontos de contato e de partilha? No plano da educação, será importante o estabelecimento de pontes entre o ensino das ciências e o ensino das artes? Eis aqui apenas algumas questões em busca de respostas possíveis e geradoras seja de dinâmicas de estudo e aprofundamento científico e artístico, seja de dinâmicas de atratividade, relativamente aos novos públicos e aos futuros agentes dos campos científico e artístico. Outras dimensões pertinentes decerto surgirão nas propostas dos oradores.

A arquitetura, a ilustração científica, a fotografia, a arte fantástica e de ficção científica, as novas tecnologias ao serviço das ciências e das artes são alguns exemplos incontornáveis das possíveis relações de proximidade entre arte e ciência que contamos poder abordar neste Colóquio Internacional.

A Organização conta incluir no programa deste Colóquio uma Exposição de Fotografia Científica, precedida de um concurso de apuramento.

Línguas de trabalho: Português, Espanhol, Francês, Inglês.

Os interessados em participar neste Colóquio deverão enviar as suas propostas de comunicação (Título + Resumo + CV) impreterivelmente até à data limite (04 de outubro de 2012) e de acordo com as instruções da Organização (ver abaixo). As propostas serão anonimamente objeto de escrutínio pela Comissão Científica do Colóquio, sendo posteriormente comunicada a decisão final de aceitação ou de não aceitação aos respetivos proponentes. A Organização espera receber propostas, distribuídas em número equilibrado/proporcional, por parte de investigadores, docentes, especialistas da área das diferentes ciências (formais, teoréticas, históricas) e da área das diferentes artes (do audiovisual, da música, da literatura, da arquitetura, da representação, etc.).

Enviar propostas de comunicação para: arteciencia@ualg.pt
1) Título + Nome do proponente + Instituição a que pertence;
2) Resumo entre 300 e 350 palavras;
3) Curriculum Vitae abreviado (até 30 linhas)

Duração prevista para a apresentação das comunicações: 15 minutos.

Inscrição:
Participantes com comunicação (até 15 de novembro de 2012): 100 Euros
Participantes com comunicação (até 15 de dezembro de 2012): 140 Euros
Participantes sem comunicação (até 15 de dezembro de 2012): 150 Euros
Estudantes de Licenciaturas, Mestrados / Pós-Graduações e Doutoramentos da Universidade do Algarve: isentos
Membros dos Centros de Investigação organizadores do Colóquio: isentos.

A Organização prevê a publicação das respetivas Atas do Colóquio com as comunicações que vierem a ser aprovadas pela Comissão Científica.

Coordenação Geral:
João Carlos Carvalho (CLEPUL – UAlg)

Comissão Científica:
Ana Alexandra Carvalho (CLEPUL - UAlg)
Annabela Rita (CLEPUL - FLL)
António Branco (CIAC - UAlg)
António Faustino Carvalho (UAlg)
Bruno Silva (CIAC – UAlg)
Carlos Fiolhais (UC)
Célio da Conceição (UAlg)
Darlinda Moreira (UA)
João Carvalho (CLEPUL - UAlg)
José Bidarra (CIAC - UA)
José Eduardo Franco (CLEPUL - FLL)
Maria de Lurdes Cabral (UAlg)
Mirian Tavares (CIAC - UAlg)
Palmira Fontes da Costa (FCT – UNL)
Paulo Martel (CBME – UAlg)
Pedro Cabral Santos (CIAC – UAlg)
Pedro Ferré (UAlg)
Renata Araújo (UAlg)
Teresa Levy (FCUL)

domingo, 24 de junho de 2012

Educação Estética e Artística: Para que serve?

Informação chegada ao De Rerum Natura.

Seminário a realizar no próximo dia 29 de Junho, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Programa aqui.

Informações proporcionadas pela equipa organizadora:

- Que relevância tem a organização deste seminário?
Com algumas excepções, a Educação Estética e Artística constitui, no nosso sistema de ensino, um propósito consensualmente desejado mas… sempre adiado. Assim, o seminário surgiu da necessidade de consolidarmos um entendimento sobre o sentido dessa área, que entendemos ser o de formar modos de compreensão da realidade, de fruição e de criação. E isto desde os níveis mais básicos até aos mais elevados de escolaridade, proporcionando ao ser humano uma consciência mais ampla da relação com o outro e com o mundo. Correlativamente, detemo-nos no papel dos professores como agentes fundamentais na concretização desse propósito.

- Que intervenção poderá, à partida, interessar mais o público em geral?
O subtítulo – Para que serve? – é desafiador. Num momento em que os sistemas educativos, acompanhando a lógica social, enfatizam o valor instrumental do conhecimento, é importante discutir que saberes deve a escola veicular e para quê. Referindo Laborinho Lúcio (2008), “a acção educativa haverá sempre que conceber-se como um processo de libertação do indivíduo, que, reconhecendo-o como sujeito, lhe proporciona os instrumentos de pensamento e de cultura que lhe permitem agir como autor do seu tempo cultural e humano”. Mas, vamos além disso, apresentando estratégias pedagógico-didácticas de concretização desta área educativa que são assumidas e desenvolvidas por professores.

- Quais são as grandes problemáticas ligadas à educação estética e artística?
No momento o cenário é o seguinte: a última Revisão da Estrutura Curricular, que entrará em vigor no ano letivo 2012/2013, afirma, para o primeiro ciclo do ensino básico, “a identidade de disciplinas que se reúnem sob a designação de Expressões”. As Expressões constituem o campo ideal para a concretização da Educação Estética e Artística. Se conseguirmos “agarrar” esta possibilidade, poderemos avançar no propósito de que acima se falou. E podemos avançar em dois âmbitos igualmente importantes, que devem orientar o trabalho dos professores: da fruição (educação estética) e da criação (educação artística). A par destas questões, devemos ter consciência de que a Educação Estética e Artística não representa, ainda, uma atuação esclarecida, concertada, coerente, estruturada. Nem temos dela, ainda, avaliações acuradas em termos dos efeitos que desencadeia na aprendizagem. Mas queremos caminhar nesse sentido…

- E quais são os objetivos operacionais do seminário?
No presente seminário pretendemos conhecer propostas teóricas e atuações de vários atores que se têm destacado na área da Educação Estética e Artística, bem como compreender as condições nas quais essas propostas e atuações têm sido concretizadas, isto para, em conjunto, traçar orientações para o futuro.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

ONDE ESTÁS AGORA, Ó SAUDADE ETERNA?

Nova crónica da escritora Cristina Carvalho (na foto "O Artista", o filme ganhador de Óscares):
  

Eles existem. Ou dito de outro modo: eles existiram e existem. Trabalharam concentradamente, aplicaram as suas vidas, muitas vezes em situações extremas, na criação de obras – música, filmes, livros, pintura, escultura, fotografia. Os chamados “artistas”. Não vou agora falar de outras categorias, tais como, cientistas, investigadores, médicos, etc. Muitos saíram do país Portugal sempre pelas mesmas razões – a falta de reconhecimento, a falta de meios, a falta de incentivos. Saíram para nunca mais voltar. Outros ficaram, apesar de tudo. Fizeram sempre o que podiam fazer, porque era essa a sua condição: criar. E criar numa abstração e num alheamento que lhes permitiu concluir, sem ajudas de poderes instituídos mas com apoios sinceros e admirados, apoios de quem pouco ou nada tinha a não ser a vontade, a admiração, e neles a esperança: os amigos. Porque muitas vezes um amigo, na altura certa, faz mais por uma causa de artista do que uma nação inteira.

Durante a vida, ou tiveram profissões paralelas, por vezes mediáticas e o público lá se ia lembrando que existiam, ou então, apenas os interessados nas suas artes é que estavam a par das atividades que esses artistas desenvolviam.

Os pintores pintaram. Os músicos musicaram. Os escritores escreveram. Os cineastas filmaram. Etc, etc, etc.

E um dia, morreram. Uns inesperadamente, outros, inevitavelmente – como todos nós – por via da idade ou da doença. Eis que de repente, mal se sabe de certa morte, levanta-se uma inesperada vaga, uma imensa onda de encómios, de putativa saudade, de toda a espécie de louvores! De repente, sobre aqueles ou aquelas que emigraram em dor cultural, que desapareceram e cujo rasto, publicamente, se perdeu, recai toda a tristeza possível, o mais negro luto, o mais alto pranto. Durante dois ou três dias não se fala noutra coisa, os telejornais abrem com a notícia da perda da vida de tal e tal, os jornais ostentam uma gritaria de letras bem carregadas, nas rádios começa a passar, se fôr caso disso, músicas atrás de músicas até à exaustão. Depois, nos funerais, é o ministro disto, o ministro daquilo, o presidente, o rei, a rainha, a corte inteira, os amigos renascidos das cinzas e ainda cheios de fuligem, os beijos de circunstância, muito pesar, muita dor, muito adeus fugidio, muita consternação, muita bochecha corada por ali a deambular à volta do caixão a ver se consegue ser vista, muito choro, muito ranho.

E no fim, pouca, pouquíssima gente, além da família e dos amigos mais chegados, sabe do que foi a vida de quem acabou de morrer.

Ainda ontem, pouco ou nada se sabia dessas almas estrangeiradas, o que é que fizeram, como é que viveram, onde, como e com quem habitavam, porque saíram, porque não saíram. Quantos e quantos artistas votados ao abandono cultural a ponto de subsistir apenas pela ajuda de mãos amigas conseguiram arrastar-se até ao momento final? Quem lhes deu a mão? Quem os dignificou? Quem os deu a conhecer ao povo que somos nós todos?

Com certeza que existem exceções. Essas existem sempre. Mas não é da exceções que falo.

Falo da ostentação e de uma glorificação inútil, de fazer crer uma bem-aventurança e uma prosperidade, uma atenção que nunca existiu. Falo de um país que pouco ou nada liga aos seus artistas. Que nada tem para lhes dar. Falo de um país inculto que continua abafado pela letra efe – fado, futebol e Fátima – e que, sem desmerecer tal letra, relembro que o alfabeto tem mais umas quantas letras simpáticas e elegíveis tal como a letra a de amor, a letra e de emoção, a letra i de impulso, a letra o de orgulho e a letra u de único.

Isto para falar somente das vogais.

CRISTINA CARVALHO

domingo, 11 de março de 2012

Arte e Inteligência Artificial


Informação chegada ao De Rerum Natura (na imagem, quadro de Harold Cohen, feito por um programa de computador):

O projeto “Milplanaltos”, um ciclo de conferências que promove a discussão sobre arte, literatura, filosofia e ciência, está de volta ao Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

No próximo dia 13 de março, terça-feira, pelas 17 horas, Arte e Inteligência Artificial é o tema da nova sessão, conduzida por Penousal Machado, investigador e docente do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.

A entrada é livre.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ECOS EXPRESSIONISTAS

Existiu Expressionismo em Portugal. Responde Fernando Rosa Dias, o autor do livro "Ecos Expressionistas na Pintura Portuguesa entre Guerras" (Campo da Comunicação), que será lançado no Museu do Chiado no próximo dia 1 de Março, pelas 18 h, com apresentação de Raquel Henriques:

"A arte portuguesa entre-Guerras acompanha um tempo político nacional entre o desgaste da Primeira República e a afirmação do Estado Novo. Ela sucede ao fim da época mítica das primeiras vanguardas que deixou, entre Amadeo de Souza-Cardoso, Santa-Rita ou Cristiano Cruz, esforços míticos de acerto cultural. Mais calmo seria o imediato primeiro pós-Guerra, enquanto definhavam as possibilidades de acerto da Primeira República.

Outro projecto emergia com o Estado Novo e a imediata afirmação do Secretariado de Propaganda de António Ferro com novas esperanças para os artistas modernos. Se falamos do expressionismo entre-Guerras não é no sentido em que ele tenha sido nossa expressão, mas exactamente porque, por não o ter sido, foi a expressão mais próxima de uma alternativa à apatia mundana dos anos 20 e à acomodação ao Secretariado de Propaganda Nacional. Se recuamos ao tempo mítico dos anos 10, e ao círculo do Orpheu e do que várias vezes se chamou futurismo, é para encontrar aí um excesso de vanguarda para o próprio espaço português onde, mesmo que algo ecleticamente, um sentido expressionista se proporcionou. No fundo trabalhamos três tempos. Um primeiro tempo da Primeira República que para nós foi a inclusão dos casos vanguardistas dos exilados da Primeira Guerra, um segundo tempo ou segunda metade da Primeira República e da sua crise, a do primeiro pós-Guerra que é o da mundanidade artística dos anos 20; e a década seguinte relativa à afirmação e época de ouro do Estado Novo que é a mais importante do nosso ensaio. Porém, estes mesmos tempos são tratados pelas excepções que essa linha expressionista conseguiu agregar na sua travessia. (…)

Não podendo ser uma situação cultural, o expressionismo foi acontecendo em casos culturais: seja como acidente cultural em Amadeo, devaneio lírico em Júlio, drama em Eloy, ou alienação metafísica em Alvarez. Assim, mais que facto cultural, teve melhor sentido histórico como sucessão de espaçados actos culturais."

domingo, 12 de fevereiro de 2012

TRÊS POEMAS DE FERNANDO LANHAS


Retirados do catálogo "FERNANDO LANHAS" (Asa, 2001) da exposição retrospectiva no Museu de Serralves:

I
Deus não é
a forma que lhe atribuímos,
mas a sua verdade,
que inventamos,
é a única que entendemos.

XXVI

O Sol
os sóis
os navios.
Os navios usam-se;
entendemos os navios que fizemos.

Os sóis
não os inventamos.

XXVII

Seguimos
à beira de saber;
a cumprir
aquilo que não sabemos,
do lado
em que não se sabe.

Fernando Lanhas

FERNANDO LANHAS: O FILME



Docuemntário (ca. 50 minutos) da RTP sobre Fernando lanhas, o artista do Porto recentemente falecido que tanto e tão bem combinou arte e ciência.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Essa lógica instrumental da actividade artística

A arte é frequentemente declarada como estratégia eficaz para resolver os mais variados e profundos problemas da humanidade: da infelicidade ao tédio, passando pela maldade. Mais recentemente, tem sido convocada na educação de populações frágeis sob o ponto de vista social. Mas, talvez a arte seja apenas arte. E isso basta, é tudo, para a justificar como conhecimento.

Jorge Barreto Xavier, coordenador de um projecto de intervenção junto de crianças e jovens em risco designado por "Reinserção pela Arte", em entrevista à revista Pública de 8 de Janeiro passado (página 14) diz o seguinte:

"Não quisemos usar a actividade artística como remédio. A arte como terapia, como ocupação do tempo livre, essa lógica instrumental da actividade artística acaba por ser uma forma de apropriação superficial...

A educação pela arte é a melhor forma de se chegar a estes jovens?
Este projecto não foi feito no sentido de lhes dar só educação pela arte. Acreditámos que ia ajudá-los em termos educativos, mas nunca quisemos ser exclusivos. Contribuímos com objectos artísticos para sua formação e para lhes dar um contributo tanto para o quotidiano como para o futuro."

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O livro como objeto de culto

No De Rerum Natura demos notícia da atribuição, pela segunda vez, do mais prestigiado prémio de design gráfico - do American Institute of Graphic Arts (AIGA) - a Ana Boavida e a João Bicker. De volta a Coimbra, depois de o seu trabalho ter estado exposto, neste mês, em Nova Iorque, na sede do AIGA, perguntámos-lhe:

De Rerum Natura: Como foi vista a vossa obra num espaço de excelência como é a sede AIGA?

Ana Boavida: A sede do AIGA fica na 5.ª Avenida em Nova Iorque onde um frenesim constante passa para cima e para baixo. É estranho pensar que o nosso trabalho está exposto numa parede, virado para uma das avenidas mais movimentadas e conhecidas do mundo. E que ali, na inauguração da exposição, estava uma série de designers que reconhecemos como sendo dos melhores, vendo, comentando, convivendo...

De Rerum Natura: O contacto com obras seleccionadíssimas é, certamente, muito inspirador. O que trouxeram na vossa bagagem artística?

Ana Boavida: Na exposição 50 Books /50 Covers, onde estavam expostos os nossos livros, estavam mais 49 capas e 50 livros. Todos diferentes e todos bonitos, cada um no seu género. Desde grandes formatos em capa cartonada, passando por capas complexamente perfuradas a mini livros impecavelmente paginados em tamanho de caixa de fósforos, a variedade é grande mas a qualidade é sempre alta. E isso, por si só, é já bastante inspirador. Não há tipos de letra mal tratados, nem cores mal impressas. São todos bons objectos, desde a ideia ao resultado final, e isso faz deles uma bagagem muito inspiradora.

De Rerum Natura: Trabalhando em livros e com livros, saberá responder: que lugar ocupa o objecto livro no presente e no futuro?

Ana Boavida: Bom, isso é difícil afirmar com certezas mas, para nós, é uma evidência a evolução natural para os e-books. Parece-nos que já ninguém duvidará que é uma transição inevitável, tal como o foi na música há um par de anos. Por mais que gostemos de livros enquanto objetos físicos em papel, eles, desta forma massificada, irão seguramente diminuir. Não acredito que venham a desaparecer, irão até, muito provavelmente, valorizar-se, podendo passar a ser objetos de algum culto, como algo feito à mão, com tiragem reduzida, só para alguns... Por outro lado, o e-book será a solução sustentável para muito do que se lê que não precisa de ser livro: teses, artigos, manuais, trabalhos técnicos, literatura portátil, etc.. Foi revelador ver, precisamente no metro de Nova Iorque, a quantidade de pessoas que já lêem nesses dispositivos. Estão, claramente, a ser assimilados e fazem já parte da paisagem urbana. Mas, e para rematar, não acredito que os livros em papel estejam para desaparecer completamente, só vão tomar um lugar diferente. O aparecimento da fotografia, apesar dos receios de alguns, também não matou a pintura...

Fotografias cedidas por Ana Boavida.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Stand-up-comedy com cientistas em Aveiro

Informação recebida da Fábrica Ciência Viva de Aveiro:

A sessão do ciclo «Café, Livros e Ciência», a 10 de Dezembro na livraria Bertrand, no Fórum Aveiro começa às 15:30h com a actuação dos Cientistas em Pé, e o espectáculo «Salvar o Mundo a Rir ou a Tentar» e no final, Carlos Fiolhais e David Marçal apresentam o seu livro «Darwin aos tiros e outras histórias de ciência».

«Cientistas de Pé» é um projeto de stand-up-comedy com cientistas, criado em 2009 no âmbito da Noite Europeia dos Investigadores, uma iniciativa da Comissão Europeia.

Em 2010 o grupo venceu o Prémio Ideias Verdes, atribuído pela Fundação Luso e pelo Jornal Expresso, cuja concretização é a criação de um novo espectáculo sobre ambiente. Este novo espetáculo, o terceiro dos «Cientistas de Pé», intitula-se Salvar o Mundo ou Rir a Tentar, e estreou-se em setembro de 2011.

Com esta publicação, os autores Carlos Fiolhais e David Marçal reforçam o seu trabalho de divulgação científica, repleto de humor, relatando curiosas histórias de ciência e da vida dos cientistas, de diversas áreas científicas.

«Café, Livros e Ciência» resulta de uma parceria entre a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho e o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Repetentes

Ana Boavida e João Bicker, são dois designers de comunicação de Coimbra que, entre outros prémios nacionais e internacionais, ganharam em 2010 um dos mais cobiçados, melhor dito, o mais cobiçado, pelos designers de livros e de capas de livros de todo o mundo. E, neste ano repetiram!

É claro que, com eles, voltam a estar de parabéns o gabinete a que pertencem - FBA - e a editora Almedina.

Parabéns que neste ano, se é que isso é possível, ainda são mais reforçados, porquanto, além de o prémio ter sido atribuído por unanimidade, o júri foi presidido pelo mais reconhecido designer de capas de livros de Nova Iorque, de seu nome Chipp Kid.

Para quem não saiba, como era o meu caso, há 90 anos que a entidade que atribuiu (ininterruptamente) o prémio em causa é o American Institute of Graphic Arts (AIGA), passando os livros seleccionados a fazer parte dos seus quatro arquivos históricos: um virtual online e três físicos (na sede do AIGA, no Museu de Manuscritos e Livros Raros da Universidade de Columbia, e no Museu de Arte de Denver.

Para os leitores que estiverem em Nova Iorque ou que para lá se encaminhem, os livros com capas da Ana e do João estarão em exposição - AIGA 50/ 50 - que abre ao público no dia 8 de Dezembro, na 5a Avenida.

domingo, 23 de outubro de 2011

A Química e a Arte

Texto recebido de Regina Gouveia:

Sob proposta da IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), 2011 é o ano dedicado à Química.

Entre os muitos químicos notáveis ao longo dos tempos, houve alguns que se
notabilizaram noutros campos, nomeadamente na música e na literatura. São exemplos relevantes Aleksandr Borodin e Primo Levi.

Aleksandr Borodin (1833-1887) nasceu em São Petersburgo. Desde cedo demonstrou um invulgar talento musical. Foi um compositor brilhante. Talvez a sua obra mais conhecida seja o Príncipe Igor de que deixo um excerto, as Danças Guerreiras.

~

Apesar da sua paixão pela música, aos 17 anos ingressou na Academia Médico-Cirúrgica de São Petersburgo e em 1856 concluiu brilhantemente o curso. Mesmo antes da formatura já havia sido indicado para professor da Academia. A sua paixão pela química levou-o a escolher essa área para a sua tese de doutoramento. Durante a sua carreira viveu algum tempo em Heidelberg, onde vários químicos russos ao tempo trabalhavam e é aí que Borodin inicia a sua amizade com Mendeleev, um dos maiores génios da Química, criador da primeira versão do SISTEMA PERIÓDICO dos elementos químicos em que, para além da colocação ordenada dos elementos conhecidos, colocou outros que ainda não tinham sido descobertos e cujas propriedades previu, previsão essa mais tarde confirmada. O Sistema Periódico dos elementos, deu origem à actual Tabela Periódica, ferramenta essencial para qualquer químico.

O SISTEMA PERIÓDICO é também o título de um livro da autoria de Primo Levi

Primo Levi nasceu em Turim, em 1919. Os seus antepassados eram judeus originários da Provença e de Espanha. No liceu Primo foi um aluno tímido e trabalhador, muito interessado pela Química e pela Biologia. Em Julho de 1941, obteve o Doutoramento em Química. Participou na Resistência acabando por ser internado em Auschwitz. Em Março de 1975 é publicada a sua obra O Sistema Periódico. Este livro é uma colecção de pequenas histórias, a maioria episódios de sua vida mas também dois contos ficcionais que ele escreveu antes de ser enviado para Auschwitz, todos relacionados, de algum modo, aos elementos químicos. O vídeo seguinte faz referência a esta obra de Primo Levi.

Regina Gouveia

terça-feira, 16 de agosto de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Design português na Expo Shanghai premiado


Como trabalhei no design da exposição e livro (a sair muito em breve, com o apoio da Ciência VIva) sobre Membros Portugueses da Royal Society com a empresa FPGB, de Lisboa, foi com o maior gosto que recebi a notícia de que receberam o melhor prémio internacional de design. Desta vez foi com o design do Pavilhão Português de Xangai, mas já tinham ganho prémio semelhante com o design do Pavilhão de Portugal na Expo de Saragoça. Ver aqui. Eis o "press release":

"A FPGB - Consultoria e Design conquistou pela 2ª vez um Red Dot Design Award, considerado o mais prestigiado prémio internacional de design.

O júri internacional, composto por 15 especialistas, atribuiu esta distinção ao projecto desenvolvido para o Pavilhão de Portugal na Expo 2010 Shanghai. O projecto premiado englobou o design de conteúdos expositivos do Pavilhão de Portugal assim como todas as peças de comunicação, embalagens e sinalética.

A edição deste ano do Red Dot contou com a participação de 6.468 projectos de 40 países. Este concurso é promovido na Alemanha desde 1954 pelo Design Zentrum Nordrhein Westfalen e este ano a cerimónia de entrega de prémios terá lugar na Konzerthaus de Berlim dia 7 de Outubro.

O Pavilhão de Portugal registou cerca de 5 milhões de visitantes durante a Expo 2010, a maior exposição mundial de sempre, subordinada ao tema “Melhores Cidades, Maior Qualidade de Vida”. A Participação Portuguesa na Expo Shanghai foi coordenada pela Parque EXPO tendo como Comissário Geral Rolando Borges Martins."

quinta-feira, 21 de julho de 2011

2 Cyborgs Num Quarto Vazio



A marionet estreia esta quinta-feira, dia 21 de Julho, pelas 21h30,

2 Cyborgs Num Quarto Vazio

no regresso da companhia ao Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra. Esta é a terceira produção da companhia em 2011 e a estreia de Alexandre Lemos na encenação.


O corpo humano actualizado pelo seu próprio vício em extensões tecnológicas é o ponto de partida de mais uma produção da marionet. Tudo acontece num espaço vazio, muito vazio, ou muito cheio do desconforto que esse esvaziamento provoca em nós, habituados a um quotidiano sobrepovoado de informação. Nesse espaço encontramos um homem e uma mulher entregues à sua condição de cyborgs perceptível nas ausências de humanidade entre eles nesse quarto vazio que habitam por um tempo indefinido.

Como habitualmente nas peças da marionet a composição faz-se num diálogo entre forças criativas diversas desarrumando as noções disciplinares que encerram práticas como o Teatro e a Ciência em compartimentos isolados. E como já é habitual também, os profissionais das artes e das ciências beneficiam de desconto para assistir ao espectáculo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

VIVA O JORGE LIMA BARRETO !


Texto chegado a este blogue do poeta E. M. de Melo e Castro sobre a morte do músico Jorge Lima Barreto:

A MORTE DOI, MAS ALIVIA, MAS DOI E NADA FICA NA MESMA!

No entanto, oh! Jorge, não era preciso ir tão longe ... não tinhas apoios, mas em Portugal quem os tem? Sinto por mim, que não tinhas o direito de morrer... pelo menos por enquanto... porque a todos nos tocará a HORA. Não tinhas esse direito porque neste momento quem é válido e grande excede as fronteiras do país, seja de que modo for. Portugal fica um deserto, e no deserto nem as lágrimas medram. – Uma merda !

Se estavas só, tu sabias muito bem que todos estamos sós e esquecidos, a olharmos uns para os outros, uns tantos muito poucos, cada vez menos, a resistir ao desgaste que a mediocridade do tempo e das pseudo-pessoas-circulantes nos querem impor... Mas enganam-se porque o poder que julgam deter é ainda mais estúpido que elas!

Sei muito bem que a morte é uma forma de resistência. Mas aos que ainda não chegamos lá, compete-nos VIVER !

Viver com a tua música nos olhos !

E.M. de Melo e Castro
15 de julho de 2011 / São Paulo