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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um convite de Oppenheimer

Tomo a liberdade de transcrever um extracto dum texto de Pedro Lomba, que vem na última página do jornal Público de hoje. Recorda um convite inesperado do físico Robert Oppenheimer ao literato George Steiner para se juntar à sua equipa. 

"Há uma entrevista de Georges Steiner (...) em que o conhecido crítico elogia a «grande generosidade das elites nos anos 50» por oposição ao nosso tempo. Para o demonstrar Steiner oferece o seu próprio exemplo quando uma vez presente como jornalista num jantar promovido pelo físico Robert Oppenheimer, recebeu o inesperado convite para ir trabalhar para o instituto que aquele dirigia em Princeton. Com pouco mais de 20 anos, sem currículo, sem nada que o recomendasse, Steiner tivera apenas a felicidade de ser «interessante» num simples jantar.

Os anos 50 são para mim um país longínquo do qual não posso escrever. Imagino, contudo, que essa generosidade das elites existisse mesmo, ao menos nas latitudes do mundo por onde andava Steiner, e que só ela poderia permitir que um rapaz brilhante, por ter mostrado entusiasmo e inteligência, mudasse tão radicalmente de vida e fosse trabalhar uma temporada para o meio dos génios.

Porque também imagino que nada da experiência narrada por Steiner seja hoje possível. Essa generosidade desinteressada das elites perdeu-se. Talvez porque as elites personificadas por Oppenheimer fossem verdadeiras elites, talvez porque seria hoje quase utópico que a pessoa no lugar de Oppenheimer decidisse pelos mesmos critérios de confiança. O jovem Steiner precisava de ser submetido a um rosário de testes, informações, referências, opiniões, e acabaria se calhar por ser vetado por não ter ferfil certo."


Na imagem: Robert Oppenheimer (retirada da Internet)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

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Publicado no "Diário de Coimbra" na sequência de uma outra crónica:

"Companheiros" de evolução, os piolhos, insectos parasitas sugadores de sangue, sem asas, continuam a parasitar-nos por maior que seja a tecnologia e medicina de que disponhamos. A espécie humana é parasitada por três espécies: o piolho da cabeça (Pediculus humanus capitis), o do corpo (Pediculus humanus humanus) e o piolho da zona púbica (Phthirus púbis). Qual deles o mais chato!?

Em idade escolar, pela maior extensão do contacto físico directo entre muitas crianças no mesmo espaço físico, é comum este parasita infestar o couro cabeludo da criançada. Refira-se que ele não escolhe cabeças, afectando indiscriminadamente infantes de todas as classes sociais e intelectuais, independentemente do seu cabelo, da sua cor de pele, simpatia política ou crença religiosa paternal. A sua atracção é pelo sangue humano de que são específicos. E todos os cabelos são bons para ancorar as suas lêndeas.

Como estes insectos de corpo achatado não possuem asas, está excluída a sua transmissão por via aérea. Acrescente-se que a sua presença não é sinónimo de falta de higiene mas sim de que houve um contacto directo entre um portador e o novo hospedeiro. Basta que exista uma criança contaminada para que a disseminação ocorra, sendo que a única forma de travar a infestação é a de uma acção de desparasitação colectiva sem excepções.

Assim, os avisos da detecção de piolhos numa determinada classe escolar devem ser levados a sério e com a necessária consciência de responsabilidade social e de higiene pública por todos os encarregados de educação, sem excepção. Basta a incúria de um para que todos continuem parasitados com os piolhos da sub-ordem Anoplura.

Consequências? Vergonha pública é a menor das consequências. Pediculose, incómodo devido à comichão e prurido que pode infectar secundariamente com Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes. Mas o efeito mais imediato é o do eventual menor rendimento escolar por noites mal dormidas, devido a comichão intensa, o que aumenta a sonolência da criança durante as aulas e testes. Ironicamente, um piolho da cabeça não suga conhecimento mas pode contribuir para uma negativa numa prova.

Pelo bem-estar de todos, assuma a sua responsabilidade social e ajude as suas crianças a eliminar esses chatos bichinhos parasitas!

António Piedade