Segundo escreveu Desidério a propósito da condenação de seis cientistas pelo homicídio de pessoas que morreram no terramoto de L'Aquila em 2009:
Quando os cientistas italianos foram correctamente condenados porque mentiram à população dizendo-lhes o que cientificamente sabiam que era falso, pois sabiam perfeitamente que não se pode prever terramotos com precisão, quase todos os cientistas reagiram em defesa da classe e não em defesa da verdade. A verdade é que eles usaram o poder social da ciência para aconselhar as pessoas e em resultado disso morreram muitas pessoas.
Não. Eles não fizeram nada disso. Se há coisa de que podem ser acusados é de não terem partilhado o seu conhecimento científico, pois não abriram a boca. Nada disseram e foram usados como figurantes numa encenação levada a cabo por autoridades políticas locais e pela protecção civil. Não deviam ter deixado, é certo. Deveriam ter falado e retirado a falsa autoridade científica de quem falou em nome deles, dizendo disparates. A sua omissão é condenável, mas por homicídio é absurdo. Tanto poderiam ter falado eles, como inúmeros outros cientistas ou simples pessoas bem informadas. Porque não condena-los a todos? A decisão judicial, se vier a ser confirmada pelos tribunais superiores, é desastrosa para a ciência. Muitos cientistas sentir-se-ão inibidos de participar em comissões semelhantes e contribuir com o seu conhecimento em prol da sociedade. É um passo em direcção ao obscurantismo.