sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Viajando virtualmente pelas ruas Fleming de Espanha
terça-feira, 1 de setembro de 2020
De víbora na mão, em busca do tempo perdido, viagens pelos livros
De Víbora na Mão é um livro autobiográfico de Hervé Bazin de 1948, publicado em Portugal pela coleção Unibolso, provavelmente em 1985. Neste livro, se os filhos são terríveis e planeiam (e tentam) o assassinato da mãe, esta não é menos ao bater-lhes e a castigá-los. Em suma, um livro terrível! Estava a lê-lo, desta vez para anotar os aspectos químicos. Mas não era tanto isso que me interessava. Interessava-me mais a geografia, os tempos envolvidos e a relação, em termos de lugares e atitudes, com A Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, uma obra monumental em sete volumes que acaba um pouco antes da outra começar e que também estive a reler e anotar, e, ainda, Thérèse Desqueyroux, passado nas Landes e publicado em 1927 por François Mauriac (publicado, em Portugal, recentemente pela Cavalo de Ferro, em 2015). Estava eu nisso, a viajar pela França do início do século vinte, a comparar o conservadorismo patético de uns com o sensualismo dos outros. Compararava, sem grande profundidade, é certo, as diferentes atitudes, o dinheiro que a uns, arruinados, faltaria e que, os outros, velhos burgueses, teriam em excesso. Comparava a atitude perante os banhos de mar e a praia, evitada mas verdadeira, de Le Balle na Víbora, com a Balbec imaginária da Busca.
Mas a química voltou outra vez. A verdade é que todos os livros a têm. E só falo da Víbora na Mão. Esta tem, claro, o óleo de rícino, a pólvora piroxilada, também chamada pólvora sem fumo, as gotas de beladona, o cianureto (diz-se actualmente cianeto) de potássio, a ureia e a uremia, a curiosidade de Rayon ser também um lugar, entre outros. Mas esses eu já conhecia. O que me chamou mais a atenção acabou por ser um medicamento para uma crise de fígado, chamado, no livro, Algocoline Zizine. Uma pesquisa mostrou que era uma expressão que só aparecia neste livro e que esta obra era citada ipsis verbis num artigo antroplógico a propósito da questão de serem as “doenças de fígado” uma doença tipicamente francesa. Mais umas pesquisas e estas mostraram que os laboratórios Zizine ainda existem, mas agora são dedicados ao “medicamentos alternativos,” e que “algocoline,” poderia ser outro nome para analgésico. Se fosse o caso, qual seria a sua composição? Foi aí que vi que os laboratórios Zizine não tinham fabricado o “Algocoline Zizine” mas sim o “Alcholine Zizene,” de que há bastantes caixas metálicas à venda na internet. Será que o autor se enganou? Será que teve um liberdade poética? Será que não quis usar um nome registado? Não sei, o que sei é que o Alcholine Zizene era de facto uma marca registada e descrito como um “drenante hepático” (um laxante, diríamos hoje) composto de sulfato de magnésio e pectina. E foi assim que, de uma praia redescoberta pelos parisienses, Le Balle-Escoublanc, encontrei a química de um frasco de medicamento a vajar pela França dos livros. Façamos um passeio à feira do livro e encontremos outras viagens!
quarta-feira, 18 de março de 2020
Comportamentos a ter para evitar a COVID-19
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Conversas de Café: Pseudociência em Saúde
sexta-feira, 19 de julho de 2019
NEUROMITOLOGIA
Texto enviado por João Nunes, Neurologistasexta-feira, 17 de maio de 2019
Na Feira de Educação e Saúde de Belém
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
V Conferência do Solstício: Antibióticos
Mais informações:
Quando: Dia 15 de Dezembro, 18h
Local: Auditório da Escola-Oficina nº1, no Largo da Graça, 58, Lisboa
Organização: COMCEPT
terça-feira, 30 de outubro de 2018
Bernardino António Gomes (1768-1823): 250 anos do nascimento, 206 anos da purificação do primeiro alcalóide
Podemos perguntar por que razão não são mais conhecidas estas contribuições de Bernardino António Gomes e por que razão esta efeméride tão redonda (250 anos) está a passar, tanto quanto sabemos, quase despercebida. Obviamente a questão de Portugal ser um país periférico, sem grande tradição científica, tem sido relevante, mas não é essa a única razão.
Gomes, embora com grande entusiasmo pela investigação irá continuar essencialmente um médico (notável e pioneiro também na vacinação contra a varíola e no estudo da elefantíase entre outros trabalhos), mas não continuou o trabalho sobre a quina, nem o estendeu a outras plantas, nem motivou outros investigadores portugueses a continuaram esse trabalho. Se o trabalho analítico e químico de Bernardino António Gomes tivesse tido continuidade, teria tido com certeza muito mais visibilidade. Assim, aquilo que seria provavelmente a grande motivação e o resultado mais importante do trabalho: identificar a “virtude febrífuga das quinas” que designaríamos actualmente pela busca do princípio activo ou do composto responsável pelo efeito terapêutico, abrindo a possibilidade pioneira na ciência da época de obter este composto de outras formas, substituíndo a necessidade de recorrer à quina, foi rapidamente esquecido e não teve continuidade.
Bernardino António Gomes nasceu a 29 de Outubro de 1768 e foi baptizado, segundo Virgílo Machado, em Paredes do Coura, embora haja autores, incluindo o próprio filho homónimo, indicam como local de nascimento Arcos de Valdevez. Doutorou-se em medicina na Universidade de Coimbra em 1793, tendo ido exercer medicina para Aveiro até 1797. O interesse pela investigação chamava-o e muda-se para Lisboa onde pouco tempo depois é médico da Armada, embarcando para o Brasil. Dessa viagem surge uma publicação sobre a canela do Rio de Janeiro a que se seguirão vários outros trabalhos sobre plantas medicinais do Brasil. Casa em 1801 com Leonor Violante Mourão, jovem viúva sete anos mais nova com quem tem cinco filhos, o mais conhecido é o homónimo Bernardino António Gomes filho que foi professor da Universidade de Coimbra. Este casamento foi tumultuoso e envolveu separações e um divórico público que foi até já alvo de um estudo académico. Em 1806 publicou um trabalho sobre o tifo. Em 1812, esteve envolvido na fundação do Instituto Vacínico de que foi o primeiro director. Incansável investigador e autor, escreveu também sobre as boubas (peste bubónia), a desinfecção de cartas, doenças de pele, a elefantíase e a ténia. Em 1817 acompanhou como médico a princesa Maria Leopoldina até ao Rio de Janeiro. Morreu com 54 anos em Lisboa de “afecção malígna no estômago”. Foi sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa (1812), cavaleiro da Ordem de Cristo (1812), Médico Honorário da Câmara Real (1813), entre outras distinções.
Há ainda bastantes aspectos da vida e dos trabalhos de Bernardino António Gomes que merecem ser melhor estudados. Felizmente, há neste momento pelo menos duas investigadoras, estudantes de doutoramento, que estão a realizar estudos que poderão lançar mais alguma luz sobre os seus trabalhos. Conhecer e divulgar na justa medida a história das descobertas e polémicas em que se viu involvido é uma contribuição importante para entendermos melhor a nossa História e as razões das nossas dificuldades passadas e pode contribuir para uma maior confiança colectiva na ciência portuguesa.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
Uma biografia de António Arnaut
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Investigação em História da Medicina Tropical
A professora Isabel Amaral analisou o impacto da II Guerra Mundial na obra de Aldo Castellani (1877-1971) e a influência do médico na escola portuguesa de medicina tropical (1946-1971), partindo do estudo do espólio legado ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
MEDICALIZAÇÃO DA SOCIEDADE
Quarta-feira, 12 de Novembro, pelas 18h00, no espaço Rómulo de Carvalho Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra.
"Um dos fenómenos mais preocupantes que está a atingir a sociedade prende-se com a medicalização. O ser humano preocupa-se com a perda da saúde e quando lhe acenam com diagnósticos fabricados com o propósito de o perturbar aceita quaisquer propostas. A construção de novas doenças tem vindo a aumentar e a oferta de soluções também. Não há dia em que a comunicação social não chame a atenção para estes problemas.
A medicalização é uma constante. Curiosamente começou dentro da medicina, mas agora estendeu-se a todas as áreas. Uma das doenças construídas diz respeito à transformação de situações normais, e desejáveis, como é o caso da tristeza. A tristeza, um estado de alma, base de muita criatividade, acabou por ser considerada como doença e tratada como se fosse uma "depressão".
O resultado é fácil de ver, uma legião de dependentes de ansiolíticos e antidepressivos com todas as consequências daí resultantes. Mas o que é mais preocupante é a oferta de produtos para tudo e para nada, levando a um consumismo exagerado e sem qualquer valor. A população envelhece a olhos vistos e por isso tem de suportar algumas maleitas sem importância, sem correr risco de vida ou sofrer complicações graves de saúde. Frágeis, ansiosos, são um alvo preferencial de campanhas agressivas a fim de comprarem muitos produtos. Outra área que merece profunda reflexão diz respeito à alimentação. Hoje, cada alimento tem propriedades curativas e em função disso passaram a ser mais medicamentos do que outra coisa. Uma obscenidade.
Todos os dias surgem press releases a anunciar propriedades e mais propriedades de muitos produtos a ponto de parecerem ser uma forma miraculosa para resolver ou prevenir os diferentes problemas. São tantos alimentos que dificilmente se encontrará algum que não tenha propriedades terapêuticas. Outro aspeto preocupante é transformar certas situações, que deveriam ser consideradas como normais, em casos patológicos. E se logo a seguir for oferecida uma "solução", então, é certo e sabido que a procura irá aumentar.
Desmedicalizar a sociedade é um imperativo. Na prática não vai ser fácil, para não dizer impossível. Em primeiro lugar porque é uma fonte de negócio e em segundo porque as pessoas encontram explicações para os seus "problemas". O que é maravilhoso. Se a seguir tiverem à distância da sua bolsa a solução para os seus males, então, o negócio da medicalização tem o futuro garantido. E pelo que se vê por aí..."
Salvador Massano Cardoso
Esta palestra insere-se no ciclo "A Ciência no Dia-a-Dia" organizado por António Piedade.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
UMA VISITA POLITICAMENTE INCORRECTA AO CÉREBRO HUMANO
«Será a mente humana capaz de descobrir qualquer coisa que a transcenda» questiona o eminente neurocientista Alexandre Castro Caldas na introdução do seu mais recente livro “Uma visita POLITICAMENTE INCORRECTA ao cérebro humano”.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
"Passou-me ao lado"
O primeiro diz tratar-se de uma história autobiográfica com vinte anos, quando se encontrava ainda em a formação, mas que “iria assombrá-lo ao longo de toda a sua vida.
"Um jovem médico está de banco no hospital, à espera de conseguir dormir umas horas nessa noite, quando recebe um telefonema a dizer que tem de ir examinar um doente que acabou de dar entrada na urgência. Ao longo da noite, o doente, que sofre aparentemente de um problema pulmonar, piora apesar dos tratamentos que lhe vão sendo administrados. E acaba por morrer. A seguir, quando o médico recebe o resultado da autópsia, percebe que não soube ver um sintoma-chave do doente (um sopro cardíaco), apesar de ter estado, literalmente, à frente do seu nariz. Fez um diagnóstico errado – um erro fatal."Falar do erro, analisar o erro, com saber e ponderação, seja em medicina seja noutra área profissional que requeira grande responsabilidade pelas pessoas, constitui um passo fundamental para a sua desocultação e, em sequência, para a sua transformação em conhecimento, para a sua superação e para a sua prevenção.
Nota: Tive conhecimento desta história através do artigo de Ana Gerschenfeld, saído no Público (em papel) de hoje, dia 20 Março, página 29.
domingo, 2 de setembro de 2012
Primeiro reator nuclear multipropósito brasileiro
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Yscope: uma invenção portuguesa!
Esta tecnologia, resulta da visão de um dos médicos do serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria. Para a desenvolver, foi estabelecida uma parceria com a empresa YDreams, e este é o resultado. O projecto começou há nove meses. Agora, há outros produtos concorrentes, de empresas estrangeiras. Mas este foi o primeiro! Entra agora em testes no bloco operatório e tem boas probabilidades de ser o primeiro a chegar ao mercado. E, segundo dizem os responsáveis pela sua concepção: é o melhor!


















