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quarta-feira, 7 de março de 2012

FONTES PARA A HISTÓRIA DA CHINA E DE MACAU


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

A Biblioteca Geral, no âmbito da XIV Semana Cultural da Universidade de Coimbra, associa-se às comemorações do Dia da China “A Lusofonia e a China: Navegar o Passado, Viver o Presente e Precisar o Futuro”, organizando uma exposição documental e bibliográfica em que se pretende ilustrar a história da China e de Macau nos séculos XVI-XVIII.

Organizada em torno das origens das relações entre Portugal e a China, presentes nas primeiras obras escritas na Europa sobre a China, compreende o Tratado de Gaspar da Cruz, as Décadas de João de Barros, a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto e a Asia Portuguesa de Manuel de Faria e Sousa. Através das Cartas enviadas da Missão da China entre 1549-1584 e 1604-1607 pretendemos mostrar a ação preponderante que os missionários desempenharam na fundação, crescimento e conservação de Macau bem como os progressos alcançados na expansão do cristianismo na China nos séculos XVI e XVII. Entre os inúmeros missionários, que fruto da longa e continuada permanência escreveram sobre a China, privilegiámos as obras dos Padres Nicolas Trigault, Manuel Dias, Álvaro Semedo, François de Rougemont, Phillipe Couplet e Gabriel de Magalhães consideradas entre as mais estimadas, pelo conjunto de informações exatas e completas dando uma perspetiva política, cultural e espiritual do Império da China.

As viagens de exploração às Índias Orientais estão representadas na Histoire de la navigation e no Grand Routier de Mer de Jan Huygen van Linschoten, dois dos livros de viagens do século XVII que descrevem o Oriente; a cartografia está representada no primeiro mapa da China impresso por Ortelius, do cartógrafo Luís Jorge de Barbuda - Chinae olim Sinarum regionis nova descriptio – considerado durante mais de sessenta anos mapa padrão e o primeiro a mostrar a Grande Muralha e, no Novus Atlas Sinensis de Martino Martini, naquela que é a mais completa descrição geográfica da China. As dificuldades colocadas ao Padroado Português no Oriente e em particular à Missão de Macau a partir de 1683, em consequência das rivalidades entre a Missão da China e as Missões Estrangeiras de Paris, terão estado na origem de uma das mais importantes missões diplomáticas enviadas por D. João V (1725-1728), para o ilustrar, a Carta do Embaixador Alexandre Metelo de Sousa Meneses escrita de Macau em 1726 e a Relação da embaixada de D. João V de Portugal ao imperador Yongzheng, que conta a história da embaixada e o modo como foi recebido o embaixador.

Sala do Catálogo, de 7 de Março a 6 de Abril, no horário de funcionamento da biblioteca.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Os Africanos em Portugal: História e Memória (séculos XV-XXI)


Informação recebida neste blogue:

Exposição "Os Africanos em Portugal: História e Memória (séculos XV-XXI)"

10 de janeiro a 23 de fevereiro de 2012, Biblioteca Joanina, Universidade de Coimbra

Inauguração da exposição dia 10 de janeiro, pelas 15h00, com a presença de Isabel Castro Henriques (Universidade de Lisboa), que efetuará visita guiada e a conferência Os «Patrimónios Comuns Afro-Portugueses»: influências, autonomias, ambiguidades identitárias.

Enquadramento

As relações de Portugal com outros homens, outras culturas, outros mundos constituem uma questão incontornável para o estudo da construção da nação, da estruturação das identidades, da compreensão do que somos enquanto portugueses de ontem e de hoje. A África e os africanos ocupam um lugar central nesta problemática, pela longa duração dos contactos, pela natureza das formas relacionais, pela forma da sua presença no imaginário português.

A presença africana em Portugal difere de qualquer outra: se romanos e árabes deixaram vestígios reveladores dos seus projetos políticos, que os levaram a organizar operações coletivas, a utilizar exércitos, a colonizar os territ6rios, a maioria dos africanos não vieram de livre vontade, mas capturados ou comprados em África, para serem desembarcados como escravos no extremo ocidental do fragmento ibérico da Europa.

Despojados de tudo, esses homens, mulheres e crianças deixaram vestígios seculares através do país: se a sua visibilidade parece reduzida, pois não são eles nem monumentos, nem objetos de "arte': nem formas materiais, encontram-se de maneira significativa na densidade da participação africana na sociedade portuguesa: no trabalho, na produção, na Língua, na religião, na festa, na música e na dança, no corpo e na sexualidade, na toponímia, na imaterialidade dos nossos quotidianos. A história e a memória revelam-nos as suas marcas contidas, de forma estruturante, na constante reconstrução de Portugal.

A exposição é apresentada em vários painéis compostos por textos e fotografias relativas aos sete temas:

1 - Africanos: Uma nova mercadoria (séc. XV- XVI)
2 - Bairro do Mocambo em Lisboa
3 - A Integração dos Africanos (séc. XVI- XIX)
4 - A desumanização dos Africanos
5 - Estratégias Africanas
6 - Permanências e Mudanças (sécs. XVIII- XX)
7 - Novas Dinâmicas Africanas (Depois de 1974)

O Comité Português da UNESCO “A Rota do Escravo” assumiu a edição e o apoio da exposição. Contou também com os apoios do ACIDI (Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural),a Fundação Calouste Gulbenkian, a FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), a Fundação Portugal Africa, o IPAD, e a UCCLA (União da Cidades Capitais de Língua Portuguesa).

Organização: Bibliotecas da Universidade de Coimbra e Programas de doutoramento Patrimónios de Influência Portuguesa (CES/III), Pós-Colonialismos e Cidadania Global (CES/FEUC)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Amato Lusitano e a Renascença Médica


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Está patente na Biblioteca Joanina, de 15 de Outubro a 30 de Dezembro, a exposição “Amato Lusitano e a Renascença Médica”. No ano em que se comemoram os 500 anos do nascimento do ilustre médico português João Rodrigues de Castelo Branco, que na Europa da sua época ficou conhecido como Amato Lusitano, pretendemos evocar a sua vida e obra através dos trabalhos científicos que nos legou. A botânica e a anatomia foram as áreas de conhecimento privilegiadas nos seus estudos, que fomentaram a Renascença Médica do século XVI.

Reúnem-se edições das Enarrationes (Lyon, 1558) e das Centúrias médicas, a terceira, a quarta (Lyon, 1565), e a sétima (Veneza, 1566) , para além da edição póstuma que reúne as sete Centúrias (Bordéus, 1620), marcos de uma obra que, no seu conjunto, granjeou fama ao autor.

As obras de outros médicos da época, como André de Laguna, Pietro Andrea Mattioli e Garcia de Orta, ilustram várias questões da matéria médica peninsular e oriental e a controvérsia gerada nalguns casos.

A Renascença Médica, em particular anatómica, está representada por Amato Lusitano, Vesálio, Falópio, Acquapendente, Eustáquio e Guevara em edições produzidas nos mais importantes centros europeus ao longo do século XVI. Em particular, mostra-se o livro de Vesálio, recentemente restaurado, a Fábrica do Corpo Humano, de 1543.

Amato Lusitano viveu em várias cidades europeias ao longo da sua vida. Destaca-se na exposição o Itinerário do médico que trabalhou em diáspora de forma árdua, como o próprio tão bem ilustrou no seu famoso Juramento:

“Fui sempre diligente no estudo e por tal forma que nenhuma ocupação ou circunstância, por mais urgente que fosse, me desviou da leitura dos bons autores; nem o prejuízo dos interesses particulares, nem as viagens por mar, nem as minhas frequentes deambulações por terra, nem por fim o próprio exílio, me abalaram a alma, como convém ao homem sábio (…) os meus livros de medicina nunca os publiquei com outra ambição que não fosse contribuir de qualquer modo para a saúde da humanidade”.

Exposição | 15 de Outubro a 30 de Dezembro | Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra

Horário: 9:30 – 19:00

sábado, 23 de julho de 2011

12 livros de ciência + 12

Na próxima segunda-feira, dia 25 de Julho, o Pavilhão do Conhecimento em Lisboa, Centro Ciência Viva, faz doze anos e inaugura uma biblioteca nas suas instalações. Pediu-me para destacar 12 livros de divulgação científica de autores portugueses mais 12 livros de ciência infanto-juvenis também de autores portugueses. Fi-lo com todo o gosto e acabei, apesar de hesitar, de não excluir dois títulos de grande circulação da minha autoria, Física Divertida e Ciência a Brincar (este em co-autoria). A ordem é a alfabética do título.

- A Física no dia-a-dia, Rómulo de Carvalho, Relógio d’Água
- A matemática das coisas, Nuno Crato, Gradiva
- Conceitos fundamentais de Matemática, Bento de Jesus Caraça, Gradiva (nova edição)
- Como uma bola colorida: a Terra, património da Humanidade, Galopim de Carvalho, Âncora
- Como respiram os astronautas, Manuel Paiva, Gradiva
- Einstein... Albert Einstein, Jorge Dias de Deus e Teresa Peña, Gradiva
- Egas Moniz: uma biografia, João Lobo Antunes, Gradiva
- Física Divertida, Carlos Fiolhais, Gradiva
- Haja luz!, Jorge Calado, IST Press
- Mais rápido do que a luz, João Magueijo, Gradiva
- O Erro de Descartes: Emoção, Razão e Cérebro Humano, António Damásio, Publicações Europa-América
- O mistério do Bilhete de Identidade e outras histórias, Jorge Buescu, Gradiva

Lista Infantil/Juvenil

- As velas que abriram o mundo, Jorge Casimiro, Lisboa Editora
- Cadernos de Iniciação Científica, Rómulo de Carvalho, Relógio d'Água
- Ciência a Brincar, Constança Providência, Helena Alberto e Carlos Fiolhais, Bizâncio
- Ciência a Brincar 5 Descobre a Matemática, Carlota Simões, Bizâncio
- Descobrir as ribeiras, Mike Weber, Ana Ferreira e Assunção Santos, Afrontamento
- O bosque das figuras planas, Andreia Hall e Ângela Luzia, Âmbar
- O Coelho de Porto Santo e outras zoo-histórias de Portugal, Gradiva, Ana Isabel Queiroz e Carlos Pimenta, Gradiva - Júnior
- Os amigos da Menina do Mar, Raquel Gaspar e Ângelo Encarnação, Associação Viver a Ciência
- Pedro Nunes, Henrique Leitão, Plátano
- Pelo sistema solar vamos todos viajar, Regina Gouveia, Gatafunho
- Vamos cuidar da Terra: fazer pouco pode mudar muito, Catarina Schreck Reis e Anabela Marisa Azul e Helena Freitas Imprensa da Universidade de Coimbra
- Viagem pelo cérebro para pais e filhos, Luísa Albuquerque e Isabel Abreu, Sociedade Portuguesa de Neurociências e Ciência Viva

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Exposição "Mapas Antigos de Portugal" na Joanina

Da exposição "Mapas Antigos de Portugal" que está patente na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, mostrando alguns mapas da Colecção Nabais Conde da Biblioteca Geral, há imagens de todos os mapas, acompanhados das respectivas legendas, aqui.

quinta-feira, 24 de março de 2011

MAPAS ANTIGOS DE PORTUGAL


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (na figura o mapa de Portugal de Oretlius baseado em Álvaro Seco):

Eis, por ordem cronológica, a lista de mapas que constam da Exposição "Mapas Antigos de Portugal", que está patente na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra (Colecção Nabais Conde recentemente adquirida):

PTOLOMEU, ca 90-ca 168
Secunda Europe tabula [material cartográfico]. Escala [1 : 3 100 000]. [Ulme : per Lienhart Holle, 1482]. 1 mapa : gravura sobre madeira aguarelado à mão ; 388 x 537 mm.

Retirado de Cosmographie libri octo. Foi o monge beneditino Nicholas Germanus (fl. 1460-1475) quem primeiro divulgou e editou a Cosmographia. A Secunda Europe Tabula é a primeira edição impressa em Ulm por Lienhart Holle em 1482, do mapa da Hispania de Ptolomeu numa adaptação de Nicholas Germanus. As primeiras representações cartográficas impressas da Península Ibérica saíram na edição da Cosmographia de Ptolomeu e quase três décadas depois a Hispania terá uma Tabula Nova nas edições de Ulm.

PTOLOMEU, ca 90-ca 168
Hispanie Tabula Moderna [material cartográfico]. Escala [1 : 2 500 000]. [Ulme : Johannem Reger, 1486]. 1 mapa : gravura sobre madeira aguarelado à mão; 391 x 545 mm.

Retirado de Cosmographie libri octo. Uma outra edição de Ulm gravada sobre madeira e impressa por Johann Reger para Giusto de Albano em 1486, pertence ao conjunto das Tabulae modernae que, passaram a estar incluídas nas edições da obra ptolomaica, onde o mapa da Península Ibérica vai ser sucessivamente repetido em edições posteriores.

JODE, Gerard de, 1509-1591
Portugalliae quae olim Lusitania Vernando Alvaro Secco autore recens descriptio [material cartográfico]. Escala [1 : 1 200 000]. [Antuerpiae] : excud[ebat] Gerard de Jode, [1578]. 1 mapa : gravura sobre metal, p&b ; 315 x 525 mm.

Retirado de Speculum Orbis Terrarum. O Speculum... só conheceu duas edições, circunstância que contribuiu para que os exemplares existentes sejam extremamente raros. O mapa de Portugal que aí figura foi adaptado do original de Álvaro Seco e será reeditado muitas vezes, em atlas de diferentes de autores, funcionando como mapa “padrão”.

BRAUN, George, 1541-1622
Illustris civitatis Conimbriae in Lusitania ad flumen Illundam effigies [material cartográfico]. [Escala não determinada]. [Coloniae Agrippinae : Georgius Braunius, ca 1580]. 1 vista : gravura sobre cobre color. ; 284 x 458 mm.

Retirado de Civitates Orbis Terrarum. George Braun (1541-1622) foi o autor do texto e das cerca de quinhentas plantas/vistas de cidades na obra Civitates..., publicadas em seis volumes entre os anos de 1572 e 1618. A gravação das matrizes ficou a cargo de Frans Hogenberg (ca 1585-ca 1653) e, após a sua morte em 1590, pelo seu filho Abraham. Nesta gravura, temos uma perspectiva panorâmica da cidade de Coimbra a partir da margem sul do rio Mondego, onde se observam os antigos conventos de Santa Ana, Santa Clara e São Francisco.

ORTELIUS, Abraham, 1527-1598
Portugalliae quae olim Lusitania, novissima et exactissima descriptio, auctore Vernando Alvaro Secco [material cartográfico]. Escala [1 : 1 300 000]. [Antuerpiae : Christophorum Plantinum, 1584]. 1 mapa : gravura color. ; 337 x 508 mm.

Retirado de Theatrum Orbis Terrarum. A publicação do seu Theatrum..., editado em Antuérpia em 1570, vai transformá-lo num dos mais importantes cartógrafos do séc. XVI. Pela primeira vez uma obra reúne todos os elementos característicos de um atlas, é também o primeiro a ser composto por mapas de formato bifólio de tamanho uniforme especificamente gravados para o efeito. Abraham Ortelius recolheu mapas de autores de vários países, adaptando-os posteriormente para a sua inclusão no Theatrum... referenciando as fontes utilizadas no Catalogus auctorum tabularum geographicarum onde no n.º 11 indica expressamente a autoria como sendo de Fernando Álvaro Seco.

WAGHENAER, Lucas Janszoon, 1533?-1606
Zee caerte van Portugal, daer inne begreven de vermaerde Coop stadt van Lisbone S. Vues, met hare Rivieren Soe hem die selfde Landen verthoonen alsmen de Rivieren op en off zeiilt = Chartae maritimae Portugalliae, et celebris Emporii Lisbonae S. Ubalis, et fluviorum descriptio, veraque facies horum regionum, cum secundo et adverso fluctu navigantur fluvii Ioannes à Doetetu[m] [material cartográfico]. Escala [1 : 400 000 aprox.]. [Amsterdam : Cornelis Claesz, 1590]. 1 mapa : gravura sobre cobre color. ; 328 x 502 mm.

Retirado de Spieghel der Zeevaerdt. Ao longo do século XVI muitos seriam os roteiros publicados assim como algumas cartas, mas foi Lucas Janszoon Waghenaer (1533?-1606) quem teve a ideia de compilar aqueles textos informativos juntamente com cartas náuticas, numa só obra. No presente mapa está representada a costa desde o Cabo Carvoeiro até à Península de Tróia. No interior do mapa encontra-se um vazio, isto acontece porque o objectivo deste tipo de mapas era auxiliar os que navegassem a região representada, descrevendo minuciosamente o litoral. Baseados em textos descritivos, estes mapas apresentam algumas incongruências, como a localização de duas Sintras.

WAGHENAER , Lucas Janszoon, 1533?-1606
Beschriivinghe der Zee Custen vant Landt vã Argarbe en ee deel vande Condado, soe hem tlandt aldaer verthoont en in ghedaente en roesen is = Algarbae orae maritimae, et partis Condadae accurata descriptio, ac facies navigantibus apparens Lucas Iões aurigarius inventor ; Ioannes à Doetecum fecit [material cartográfico]. Escala [1 : 400 000 aprox.]. [Amsterdam : Cornelis Claesz, 1590]. 1 mapa : gravura sobre cobre color. ; 323 x 508 mm.

Retirado de Spieghel der Zeevaerdt. O sucesso que o Spieghel... teve, explica as inúmeras reedições feitas com os textos traduzidos para latim, alemão e francês, nas cidades de Leiden e Amsterdão. Estes mapas são de uma rara beleza, a exuberância das cartelas e das embarcações e seres que povoam o mar, encontram-se finamente gravados. Lucas Janszoon Waghnaer (1533?-1606), apresenta-nos mais um mapa com a costa algarvia que completa o conjunto da representação da costa portuguesa, foram gravados por por Jan Van Doetichum (15---1600) e impressos por Cornelis Claeszoon (1546?-1609). Baseados em textos descritivos, também estes mapas apresentam incongruências, como a forma irrealista de representar o Algarve.

WAGHENAER , Lucas Janszoon, 1533?-1606
Die Zee caerte van Portugal, tusschen Camino en Montego, alsoe dat landt all daer in siin ghedaente is, met alle siine haeven enn ondiepten, met groeter naersticheiit en uliedt ghecorrigeert = Ora maritima Portugalliae inter Caminum et Montegum, quemadmodum Regno illa in sua stat figura cum omnibus suis portubus, atq[ue] vadis sumo studió a Luca Ioannis aurigario descripta ; Ioannes á Doetecum fecit [material cartográfico]. Escala [1 : 200 000 aprox.]. [Amsterdam : Cornelis Claesz, 1590]. 1 mapa : gravura sobre cobre color. ; 330 x 521 mm.

Retirado de Spieghel der Zeevaerdt. Lucas Janszoon Waghenaer (1533-1606), piloto holandês que produziu o primeiro conjunto de cartas de navegação, sob o título Spieghel... ou Espelho do Mar. Estes lindíssimos mapas, gravados por por Jan Van Doetichum (15---1600) e impressos por Cornelis Claeszoon (1546?-1609), incorporaram as descobertas contemporâneas de navegação e definiram o padrão que foi seguido por mais de um século. Esta obra combina um atlas de cartas náuticas e roteiros com instruções para navegação em águas ocidentais e no noroeste costeiro da Europa. Foi a primeira obra com esta tipologia na história da cartografia. Este mapa representa uma parte do litoral português descrevendo as costas e as partes situadas mais a norte de Portugal, desde Viana até ao Cabo Mondego.

LINSCHOTEN, Jan Huygen van, 1563-1611
A Cidade de Angra na ilha de Iesu xpõ da Tercera que esta em 39 graos. Angrae Urbis Tercerae que insularum quas Azores vocant maxima & copioso glasti proventu ditissa … Auctor Ioannes Hugonius A. Linschoten aº 1595 … ; Baptista à Doetechum sculp. [material cartográfico]. [Amstelredam : Cornelis Claesz, 1596]. 1 vista : gravura sobre cobre color. ; 48,2 x 83,7 cm.

Retirado de Itinerario voyage ofte Schipvaert van Ian Hughen van Linschoten naer Oost ofte Portugaels Indien … Jan Huygen van Linschoten (1563-1611), mercador e explorador neerlandês, viajou pelas zonas de influência portuguesa na Ásia. Informações de viajantes como Linschoten, estão na origem do movimento de expansão comercial para a Índia e sudeste asiático levando à fundação da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais e da Companhia Britânica das Índias Orientais. Esta planta é considerada a primeira da cidade de Angra, na Ilha Terceira, destacando-se pela estrutura regular das ruas. A vista de Angra é concebida, dentro do conceito de urbanismo moderno e é tida como modelo para futuros traçados no Brasil e no Oriente.

VISSCHER, Nicolaas, I, 1618-1679
Nova et accurata tabula Hispaniae praecipius urbibus, vestitu, insignibus et antiquitatibus exornata per Nicolaum Visscher [material cartográfico]. Escala: [1 : 2 500 000]. [Amstelodami : s.n., 1633]. 1 mapa : gravura sobre cobre aguarelada ; 465 x 560 mm.

Retirado de Atlas Minor sive totius orbis terrarum. Claez Janz Visscher (1587-1652), discípulo de Jodocus Hondius, funda em Amesterdão cerca de 1620 uma editora especializada na edição de mapas e atlas. Adquiriu as matrizes de cobre e outros materiais a Peter van den Keere, um notável cartógrafo, pelo que na grande maioria as edições dos Visscher, consistiam em mapas impressos a partir das gravuras adquiridas de outros importantes editores. Os mapas do primeiro atlas publicado por Visscher são baseados nos editados por Peter van den Keere e Jodocus Hondius. No mapa da Península Ibérica, Visscher, num modelo muito semelhante ao de Blaeu e Henricus Hondius, enquadra a representação cartográfica propriamente dita, numa moldura onde pequenas janelas nos mostram vistas das principais cidades e trajes típicos do espaço representado.

ALLARD, Huych, 1673-1691
Nieuwe ende perfecte Caerte van het Coningryck Portugael ende Algarve ende nabuirige grensen Getrocken uyt de beste Auctoors Geographi ende Ingeniuers deses tydts Door Hugo Allardt exc.[udit] [material cartográfico]. Escala [1 : 1 000 000]. [Amsterdam] : Hugo Allardt exc.[udit], [ca 1650]. 1 mapa : gravura sobre metal color. ; 448 x 561 mm.

Huych (ou Hugo) Allard (1625-1691) fundou em Amesterdão um negócio familiar vocacionado para o comércio de estampas, mapas e atlas. A sua actividade consistia na reprodução de mapas e atlas tomados de outros impressores, sem deixarem de revelar qualidade no traço e de ser finamente gravados e raros. Dos seus trabalhos destacam-se Totius Neobelgii Nova et accuratissima tabula (ca 1764) e um outro mapa de 1690 Orbis sive Americae Septentrionalis”. A casa Allard editou o Atlas Maior e o Atlas Minor.

DUDLEY, Robert, 1574-1649
Carta particolare dell’Isole d’Asores com l’Isola di Madera [material cartográfico]. [In Fiorenza : nella Nuova Stamperia, per Giuseppe Cocchini, all’insegna della Stella : ad instanza di Jacopo Bagnoni, & AntonFrancesco, 1661]. 1 mapa : gravura sobre cobre p&b ; 461 x 746 mm.

O Arcano del mare é considerado o maior atlas do mundo, descrito por vezes, como o “mais sumptuoso [atlas] alguma vez realizado”, um dos mais complexos alguma vez produzidos, é o primeiro atlas de cartas náuticas que engloba todo o mundo e usa em todas as cartas a projecção de Mercator. O Arcano dos Mares ou Mistérios do Mar, rivaliza com atlas holandeses de Mercator, Ortelius e Blaeu, e representa um marco na cartografia produzida por um cartógrafo inglês no séc. XVII. O mapa que representa os Açores e a Madeira numa mesma folha, tem a particularidade de, a ocidente das ilhas das Flores e do Corvo, se representar uma ilha, denominada das “Garcias”, que não existe.

VISSCHER, Nicolaes Jansz, II, 1649-1702
Portugalliae et Algarbiae Regna, per Nicolaum Visscher [material cartográfico]. Escala [ca 1 : 1 500 000], 15 Milliaria Germanica = [7,20 cm]. [Amsterdam] : Nicolaum Visscher, [1696]. 1 mapa : gravura sobre cobre color. à mão ; 461 X 563 mm.

Retirado de Atlas Minor, sive geographia compendiosa quae orbis terrarum per paucas attamen novissimas ostenditura. O Atlas Minor foi publicado inicialmente por Nicolas Visscher II cerca de 1683 e teve várias edições até cerca de 1700. Depois da sua morte, a viúva Elisabeth Visscher também publicou várias edições do atlas, com o mesmo título até cerca de 1716, data em que vendeu os materiais a Peter Shenk, que continuou a publicar a partir dessas matrizes os mapas dos Visscher. O seu filho Nicholas Visscher, I (1618-1679) e depois o neto Nicolas II (1649-1702) continuaram a actividade, publicando atlas que actualizaram com novas informações, dando assim continuidade ao negócio da família durante o séc. XVIII.

CORONELLI, Vincenzo Maria, 1650-1718
Isole Canarie possedutte da S. M. Cattolica, e descritte dal P. M. Coronelli M. C. Cosmografo … ; Isola di Madera, ò du Bois la piu settentrionale delle Canarie scoperta nel 1420 da Gion Consaluez, e Tristano Varez per nome dell’Infante Henrico di Portogallo ; Veduta della citta di Fanchal nell’Isola di Madera [material cartográfico]. Escala [ca 1 : 421 000 – ca 1 : 2 500 000], 10 Miglia d’Italia = [4,4 cm] e 100 Miglia d’ Italia = [7,5 cm]. [In Venetia : Vincenzo Coronelli, 1696-1697]. 2 mapas e 1 vista numa folha : gravura sobre cobre aguarelado ; 450 x 602 mm.

Retirado de Isolario dell’Atlante Veneto. Vincenzo Maria Coronelli (1650-1718), franciscano, cosmógrafo veneziano, cartógrafo, editor e enciclopedista, ficou conhecido pelos seus atlas e globos. Na margem esquerda, mapa da Isole Canarie… encimado por título inserido em cartela com elementos vegetais. Na margem direita, panejamento simulando dobragem, com o mapa da Isola di Madera… na parte superior e, na parte inferior, a vista da cidade Veduta della citta di Fanchal nell’Isola di Madera. Mapa muito rico em beleza e na profusão de legendas com informações de carácter histórico completando a representação cartográfica.

SEUTTER, George Matthaüs, 1678-1757
Portugalliae et Algarbia Regna cum confinibus Hispaniae Provinc. simul vero peculiari mappa Brasiliae Regnum in America Meridionali, cujus ora maritima Regem Portugalliae Dominum veneratur et Primoenito Regio Infanti prope dicata floret, recentissima delineatione publici juris facta cura et studio Matthaei Seutteri... [material cartográfico]. Escala: [ca 1 : 1 500 000], 13 Miliaria Germanica Communia = [6,30]. Aug[sburg] : G. M. S., [ca 1740]. 1 mapa : gravura sobre cobre aguarelado ; 494 X 569 mm.

Retirado de Atlas Maior. Matthäus Seutter nasceu em Augsburg em 1678. Em 1697, inicia os seus estudos em Nuremberga e posteriormente trabalha com o editor Jeremias Wolff em Augsburg. Em 1710 estabelece o seu próprio negócio como impressor e editor. Da sua oficina sairam mais de 500 mapas sendo as suas obras mais conhecidas o Atlas Geographicus oder accurate Vorstellung der ganzen Welt publicado em 1725 que inclui 46 mapas; o Grosser Atlas ou Atlas Maior editado em 1734 com 131 mapas e, em 1744 Atlas Minor que inclui 64 mapas.

OTTENS, Reinier, I, 1698-1750
Nova regni Portugalliae et Algarbiae descriptio multis in locis emendata Reinier & Josua Ottens [material cartográfico]. Escala: [ca 1 : 1 300 000], 15 Miliaria Germanica Communia 15 in uno Gradu = [8,75 cm]. Amstelodami : apud Jacom. de la Feuille, [ca 1740]. 1 mapa : gravura sobre cobre aguarelado ; 497 x 588 mm.

Joachim Ottens (1663-1719) e os seus filhos Renier e Joshua Ottens foram proeminentes livreiros e editores de mapas holandeses entre 1680 e 1790. Joachim Ottens trabalhou como gravador para Frederick de Wit e estabelece-se por conta própria em 1711. Após a sua morte em 1719, os seus filhos Reinier (1698-1750) e Joshua (1704-1765) sucedem-lhe no negócio e tomam a seu cargo o destino da empresa. Nesta fase, que irá corresponder a uma grande actividade editorial, destaca-se o enorme contributo para a cartografia da publicação do Atlas Major em vários volumes. O mapa do Reino de Portugal e Algarve editado por Reinier Ottens foi impresso por Jacob de la Feuille (1668-1719) cartógrafo, gravador e editor com actividade em Amesterdão.

WERNER, Friedrich Bernhard, 1690-1776
Lissbona. Iohan Fried. Probst excudit [material cartográfico]. [Escala não determinada]. Aug[ustae] V[indelicorum] : [Iohan Fried. Probst excudit, ca. 1750]. 1 vista : gravura, p&b ; 321 x 1118 mm.

Retirado de Panoramic Town Views. Friedrich Bernhard Werner especializado em vistas panorâmicas de cidades, fez cerca de 100 gravuras para editores de Augsburg, editores de mapas, conhecidos como “herdeiros Woff” que incluía membros da família Probst – Johann Balthasar, Johann Friedrich e outros. A maioria das estampas desta colecção, foram executadas por Johann Friedrich Probst (1721-1781), indicando dados de impressão de 1750.
Considerada por muitos como a vista panorâmica mais deslumbrante de Lisboa, a gravura mostra pontos altos da cidade e arredores. O grande tamanho da impressão permite que se consiga apreciar detalhes arquitectónicos e paisagísticos.

Theatro da guerra em Portugal [material cartográfico manuscrito]. [Escala não determinada]. 1 mapa : gravura, p&b ; 433 x 812 mm.

Mapa de operações manuscrito, indicando o posicionamento de forças militares em Portugal durante as invasões Napoleónicas. As fortificações estão desenhadas a lápis indicando que o mapa está inacabado, desconhecendo-se o ano da sua realização. No verso do mapa existe uma nota manuscrita em francês, referindo que foi “encontrado em Castelo Branco em Portugal 11 de Abril de 1812 no equipamento de um oficial inglês” (Cette carte a été prise a Castel Branco en Portugal le 11 avril 1812 dans les equipages d’un officier anglais).

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Biblioteca e a Cidade


Informação sobre a exposição "A Biblioteca e a Cidade", comissariada pelo arquitecto Rui Lobo, que está patente este mês na Sala de S. Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

“A Biblioteca e a Cidade” é uma exposição que se organiza por ocasião da XIII Semana Cultural da Universidade de Coimbra, que tem por tema “Reinventar a Cidade”. Pretende-se mostrar, através da fotografia, um conjunto de bibliotecas de construção e/ou projecto recente (entre 1991 e 2011), no estrangeiro e em Portugal, que para além de darem resposta a aspectos concretos relacionados com as exigências funcionais da biblioteca contemporânea, procuram estabelecer uma relação dialogante com a cidade envolvente.

Nos últimos anos, tem-se posto em causa o papel do livro na sociedade contemporânea com a proliferação de meios informáticos e de sistemas virtuais. Paralelamente, a própria funcionalidade das bibliotecas tem sido relativizada a partir da consideração destas possibilidades alternativas de transmissão do conhecimento. Porém, e como nos recorda Alfonso Muñoz, se por um lado a transmissão de dados por sistemas electrónicos põe em causa o livro e a biblioteca, por outro, nunca na história se publicou tanto nem se construíram tantas bibliotecas.

A biblioteca contemporânea parece viver, assim, da sua capacidade de se constituir como lugar de encontro, de conexão e de intercâmbio, para além de dar resposta às suas funções tradicionais de depósito de livros e de informação e de oferta de espaço para a leitura. Neste sentido, a biblioteca continuará a ter, necessariamente, um lugar privilegiado na cidade dos próximos anos.

A exposição organiza-se por quatro módulos, correspondentes a quatro temas distintos, que enquadram os vários exemplos seleccionados.

No primeiro observam-se três bibliotecas levantadas com o intuito claro de se afirmarem como novos marcos urbanos, verdadeiros símbolos das cidades que as promoveram e levaram avante a sua edificação.

Num segundo painel temático aborda-se o tema da reabilitação arquitectónica e urbana, um tema cada vez mais pertinente nas cidades actuais, mostrando-se bibliotecas que foram exemplarmente instaladas em edifícios com valor histórico e patrimonial, ou cujo novo edifício contribuiu significativamente para determinada operação de requalificação urbana.

Um terceiro módulo comporta um conjunto de três bibliotecas universitárias, sendo naturalmente o contexto universitário, desde há muito, um meio privilegiado para o surgimento deste tipo de edifícios.

Finalmente, mostra-se um conjunto de três bibliotecas pensadas para o território nacional, fazendo-se um resumo possível do projecto contemporâneo da biblioteca no nosso país.

Rui Lobo

Uma ideia para LER

A revista LER, que completa este mês cem edições, pediu-me a partilha de uma «ideia concreta» para o futuro: Literatura, política, e ciência. Eis a minha resposta:

Todos os livros portugueses sem direitos de autor acessíveis na Net. As obras estão nas bibliotecas, a tecnologia é fácil, falta só a vontade política para congregar esforços. Seria a maneira de juntar literatura, ciência e política, que por vezes tão separadas andam ou, quando se juntam, é só aos pares. Seria um triângulo perfeito.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A BIBLIOTECA E A CIDADE


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (clicar para ver melhor).

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Inaugura Sala Doutor Luís de Albuquerque


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (na foto, o Doutor Luís de Albuquerque):

Inauguração da Sala Doutor Luís de Albuquerque na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

O Reitor da Universidade de Coimbra inaugura no próximo dia 9 de Fevereiro, pelas 12 horas, a Sala Doutor Luís de Albuquerque, no 3.o piso do edifício da Biblioteca Geral (BGUC). Essa sala reúne a biblioteca pessoal daquele engenheiro geógrafo, professor de Matemática e grande humanista, que se notabilizou sobretudo como historiador dos Descobrimentos. Por vontade do próprio esse fundo deu entrada há alguns anos na Biblioteca Geral e foi agora colocado à disposição do público, graças em boa parte a um projecto apoiado pela Fundação Gulbenkian. Estarão presentes, além do Reitor, o actual Director da BGUC, Carlos Fiolhais, o Presidente da Delegação do Centro da Ordem dos Engenheiros, Engenheiro Octávio Alexandrino, já que essa associação profissional à qual o Doutor Luís Albuquerque pertenceu se associou à iniciativa, e, em representação da família do homenageado, a Arquitecta Helena Albuquerque. Na ocasião, a filha entregará à Universidade de Coimbra parte restante do arquivo pessoal de Luís Albuquerque, designadamente correspondência com o escritor Virgílio Ferreira.

Luís de Albuquerque (1917-1992), Engenheiro Geógrafo de formação, Doutor em Matemática pela Universidade de Coimbra e Doutor /honoris causa/ em História pela Universidade de Lisboa, foi Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia em Coimbra. Ganhou justa fama como investigador da história da náutica, da cartografia e da expansão portuguesa, assuntos sobre os quais escreveu numerosos livros e artigos. Vice-Reitor da Universidade de Coimbra de 1978 a 1982, foi Director da BGUC de 1978 até se jubilar em 1987. Na sua direcção, modernizou os serviços, adquiriu núcleos bibliográficos e conseguiu a oferta de diversos manuscritos, nomeadamente a Carta-portulano de Diogo Homem (ca. 1566). Além disso, doou a sua própria biblioteca assim como espólio pessoal, incluindo manuscritos e documentos. Desde os tempos de assistente de Matemática que se interessou pela história e, em geral, pelas humanidades, colaborando, por exemplo, na revista "Vértice". Na política, foi Governador Civil de Coimbra no período a seguir ao 25 de Abril. Homem generoso, nos últimos anos da sua vida, desdobrou-se em colaborações e ajudas desinteressadas nos projectos mais variados em Portugal e no mundo inteiro.

Para o Director da Biblioteca Geral: "Esta inauguração é uma homenagem justíssima a um antigo Director muito estimado por todos nesta Casa. Ele conduziu a Biblioteca numa altura difícil depois do 25 de Abril, tendo recebido o testemunho do Doutor Guilherme Braga da Cruz e passado o mesmo ao Doutor Aníbal Pinto de Castro. As bibliotecas pessoais doadas de que esta é um belo exemplo exigem um tratamento técnico demorado, mas, quando se conjugam os meios e as vontades, os projectos chegam a bom termo. Neste caso estamos mais uma vez gratos à Fundação Gulbenkian que nos permitiu inaugurar, na Sala que era de formação, um espaço dedicado a uma personalidade cuja riqueza se revela pela variedade e qualidade da sua biblioteca."

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O fantástico manuscrito da Joanina

Perguntaram-me se o manuscrito referido no final do livro "História do Rei Transparente", da escritora espanhola Rosa Mantero (Edições Asa 2006), é verídico e respondi que é perfeita ficção tal como a maior parte desse romance histórico-fantástico que ganhou um prémio em Espanha para o melhor romance histórico. Deixo aqui o bocadinho com a referência à famosa Biblioteca (que também entrou no livro "Fórmula de Deus", José Rodrigues dos Santos, Gradiva):
"Segundo está recolhida no chamado Manuscrito de Fausse-Fontevrault (circa 1080), doado em 1770 pelo rei Luís XV da França à Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, Portugal, onde se conserva.

“Nos tempos antigos existiu um reino nem grande nem pequeno, nem rico nem pobre, nem totalmente feliz nem completamente desgraçado. O monarca do lugar governava às vezes quase bem, às vezes um pouco mal, como haviam feito seu pai, e o pai do seu pai, e o pai do pai do seu pai, e todos os seus antepassados, um antes do outro, até se perderem nas sombras da memória, pois a estirpe do Rei era longa e o Reino pacífico e estável, e todos os monarcas tinham morrido placidamente de velhos e na cama. Contudo, nosso Rei estava envelhecendo e não conseguia ter descendentes. Havia repudiado dez esposas consecutivas porque nenhuma lhe paria um herdeiro, e começava a se desesperar, pois temia que com ele se truncasse tão extensa linhagem. Numa noite de insônia, ocorreu-lhe uma idéia: aprisionar Margot, a Dama da Noite, a fada mais poderosa do seu Reino, e obrigá-la a cumprir seus desejos. Para isso enviou a Margot um emissário com ricos presentes e um convite para a grande festa que ele daria em palácio por motivo do repúdio à sua décima esposa e dos esponsais com a décima primeira. A fada, que era alegre e coquete, aceitou de imediato, e na noite da grande celebração chegou ao palácio numa carruagem puxada por cervos com os chifres pintados de ouro, e ataviada num traje deslumbrante confeccionado com vagalumes vivos…

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

1810: O SAQUE DA BIBLIOTECA JOANINA


Da banda desenhada recente de José Pires "A Batalha do Buçaco" (Âncora) reproduzo a imagem do saque da BIilioteca Joanina pelas tropas napoleónicas, derrotadas no Buçaco. É certo que nos franceses estiveram na Biblioteca, mas a representação impressionante da fúria invasora será um pouco exagerada...

Clicar para ver melhor.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

SANTIAGO NA PRISÃO


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Mostra Bibliográfica sobre Santiago 20 de Setembro a 30 de Outubro Prisões Académicas Horário: 9:30h - 20:00h

Estará patente no espaço das Prisões Académicas da Universidade de Coimbra, de 20 de Setembro a 30 de Outubro uma mostra bibliográfica sobre Santiago por ocasião do Ano Santo de 2010.

No ano em que se comemora em Santiago de Compostela o segundo Ano Santo do século XXI, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, evocando o Apóstolo Santiago, o Maior, expõe um pequeno núcleo de obras relativas ao seu apostolado, história, martírio e ligação do Apóstolo Santiago, Patrono de Espanha, ao Santuário que se tornou, desde a Idade Média, um dos mais importantes locais de peregrinação depois de Jerusalém e Roma.

O conjunto de obras que compõe a mostra está organizado em quatro núcleos - Vida do Apóstolo, Morte e Martírio, Santiago de Compostela lugar de peregrinação e Iconografia, procurando resgatar parte da biografia do Apóstolo.

No primeiro núcleo estão expostas as obras de Abdias, Bispo de Babilónia, Eusébio, Bispo de Cesareia e Isidoro de Sevilha, cujas obras versam sobre o estudo e a crítica bíblica, nomeadamente o Novo Testamento (Evangelhos e Actos dos Apóstolos) com as citações e relatos relativos à vida e apostolado de Tiago, a História da Igreja, o Cristianismo primitivo e o Martirológio. Na sua obra maior, a História Eclesiástica, Eusébio de Cesareia, considerado o pai da história da Igreja, compila e organiza um vastíssimo acervo documental, desde os apóstolos até ao seu tempo. Isidoro de Sevilha, no tratado sobre o nascimento e morte dos Padres De Ortu et Obitum Patrum, refere-se ao apóstolo Santiago, O Maior, numa breve biografia.

Nos segundo e terceiro núcleos encontram-se expostas as obras de Ambrosio de Morales e Enrique Flórez dois autores consagrados da História eclesiástica e da Espanha. Ambrosio de Morales (1513-1591) é nomeado em 1563 cronista do reino e é nesta qualidade que, a pedido de Felipe II, na obra La Cronica general de España, dá continuidade às Crónicas de España, iniciadas por Flórian de Ocampo. Ainda a pedido do monarca realiza as inúmeras viagens, cuja relação é descrita na obra, presente na mostra, Viagem de Ambrosio de Morales … a los reynos de Léon, y Galicia, y principado de Asturias, para reconocer las relíquias de Santos , sepulcros reales, y libros manuscritos de las catedrales e monasterios. Destaque ainda para a obra, de Enrique Flórez (1702-1773), a monumental España Sagrada. Na presente mostra podem ser vistos os tomos relativos à vinda do apóstolo a Espanha, a história da primitiva igreja de Iria Flávia e de Compostela até ao seu primeiro Arcebispo Diego Gelmirez que no século XII, converteu a catedral de Santiago numa referência, elevando a peregrinação a Compostela à semelhança de Jerusalém e Roma e, por último, um tomo com o texto da Crónica Compostelana.

Do último núcleo, Iconografia, mostramos três edições das Regras e estatutos de Ordem de Santiago, impressas por Hermão de Campos e Germão Galharde, representativas das imagens alusivas a Santiago enquanto apóstolo, cavaleiro e mártir.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

LIVROS DE QUíMICA NA BIBLIOTECA JOANINA


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra relativa a uma mostra de livros de Química aí patentes:

O visitante da Biblioteca Joanina raramente tem possibilidade de saber que livros se encontram por detrás das lombadas ricamente decoradas e tomar conhecimento de quais são os assuntos tratados nestas obras. No que respeita à Química encontram-se nesta Biblioteca alguns dos livros mais marcantes da sua história e dos primórdios do seu ensino em Portugal. Deste riquíssimo conjunto de obras que nos permite entender melhor o início do ensino da química em Portugal seleccionámos algumas das que consideramos mais marcantes para a presente mostra bibliográfica.

O Sceptical Chymist de Robert Boyle (1627-1691) é um dos livros mais importantes da história da química, sendo muitas vezes associado ao nascimento da química moderna. A edição original em inglês datada de 1661 é muito rara. Na mostra encontra-se uma compilação de obras de Boyle que inclui uma edição em latim datada de 1680 contemporânea da segunda edição inglesa deste livro.

As ideias, em particular a teoria do flogístico, expressas no livro Fundamenta Chymiae Dogmatica de Georg Stahl (1660-1734), influenciaram a química durante quase um século; na presente exposição encontra-se um exemplar datado de 1723.

Os Fundamenta chemiae praelectionibus publicis accomodata de Giovanni Scopoli (1723-1788) era o compêndio pelo qual Domingos Vandelli (1730-1816) ensinava enquanto não escrevia o livro de química que fazia parte do seu contrato com a Universidade. Trata-se de um livro da escola de Stahl, anterior às ideias de Lavoisier. O exemplar que pode ser visto na mostra é da primeira edição, datada de 1777.

Os Elementos de chimica e farmacia de Manuel Joaquim Henriques de Paiva (1752-1819) foram publicados em 1783 pela Academia das Ciências. Este livro é considerado o primeiro manual de química escrito em português, sendo em grande parte uma tradução anotada e adaptada do compêndio de Scopoli.

Os Elementos de Chimica de Vicente Coelho de Seabra (1764-1804), cujo primeiro volume saiu em 1788 são o primeiro livro moderno, no sentido das ideias de Lavoisier, escrito em Portugal. Esta obra é em muitos aspectos um livro inovador para a época, precedendo num ano a publicação do Traité élémentaire de chimie de Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794), cuja edição de 1805 se encontra na exposição. Infelizmente nem os Elementos de Chymica nem o próprio Vicente Seabra tiveram na época o impacto que mereciam.

Domingos Vandelli nunca chegou a escrever o compêndio de química. O seu sucessor, Tomé Rodrigues Sobral (1759-1829), ainda apresentou o plano de um livro pedagógico, mas aparentemente este também nunca foi concluído. O único livro de química que nos deixou Rodrigues Sobral é uma tradução datada de 1793 de um artigo da enciclopédia de Mr. de Morveau, o Tractado das Affinidades Chimicas, obra que ainda se insere na escola flogística.

Mesmo já existindo os livros de Henriques de Paiva e de Vicente Seabra, continuaram a ser adoptados como livros de ensino obras de autores estrangeiros; por exemplo uma tradução em castelhano do compêndio de Jean Antoine Chaptal (1756-1832), Elementos de química, cujo exemplar presente na exposição é datado de 1793.

Sérgio Rodrigues

Bibliografia

A. M. Amorim da Costa, Primórdios da Ciência Química em Portugal, Lisboa, ICLP, 1984.

A. M. Amorim da Costa, Thomé Rodrigues Sobral (1759-1829), a química ao serviço da comunidade, in História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal, Lisboa, Academia das Ciências, 1986, vol 1, pp 373-401.

A. J. Andrade de Gouveia, Químico esclarecido luso-brasileiro, Vicente Seabra (1764-1804), in História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal, Lisboa, Academia das Ciências, 1986, vol 1 , pp 8-35.

C. A. L. Filgueiras, As vicissitudes da ciência periférica: a vida e a obra de Manuel Joaquim Henriques de Paiva, Química Nova 14, 1991, 133.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A FÁBRICA DO CORPO HUMANO


Minha crónica no "Sol" de hoje:

Está patente na Biblioteca Nacional a exposição Arte Médica e Imagem do Corpo: de Hipócrates ao final do século XVIII, que mostra um rico acervo de obras de medicina. Entre elas pontifica uma das edições de um dos mais notáveis atlas de anatomia: De humani corporis fabrica (Fábrica do Corpo Humano), da autoria do belga Andreas Vesalius, saída da oficina de Johannes Oporinus, em Basileia, no ano de 1543.

Quem visitar essa bela cidade nas margens do Reno, onde nessa época também foram impressas obras do nosso Pedro Nunes, não pode deixar de ver o Museu de Anatomia, no quarteirão da velha universidade, onde se encontra o esqueleto de Jacob von Gebweiler, mais conhecido por “esqueleto de Basileia”. Von Gebweiler foi um criminoso executado no referido ano nessa cidade, por tentativa de assassínio da sua mulher. Vesalius, que estava aí para supervisionar a publicação do seu livro, dissecou o cadáver, numa demonstração pública, e ofereceu o resultado à Universidade local, que hoje se pode por isso orgulhar de possuir o mais antigo preparado anatómico do mundo. Também em Pádua, onde Vesalius ensinava, alguns juízes permitiam, em forte contraste com proibições antigas, a dissecação de cadáveres de condenados. Graças às experiências que realizou com as suas próprias mãos, Vesalius é autor de grandes avanços na medicina, contrariando as teses do grego Galeno, que, conforme ficou então claro, se tinha limitado a observar vísceras de animais. Vesalius gostava mesmo de dissecar simultaneamente humanos e macacos para que as diferenças ficassem claras.

Pouco depois da obra maior, saía um resumo para uso estudantil, contendo as principais estampas, desenhadas por um discípulo de Ticiano que, dado o pormenor e a exactidão, estava, com certeza, presente nos teatros anatómicos: a Epitome. Esta versão foi dedicada ao filho do imperador Carlos V, que viria a ser Filipe II de Espanha (I de Portugal), a quem Vesalius haveria de servir como médico. Segundo uma história, hoje considerada apócrifa, Filipe II teria comutado uma sentença de morte determinada pela Inquisição ao seu médico por grave erro profissional mandando-o em peregrinação à Terra Santa. Certo é que Vesalius morreu, aos 50 anos, num naufrágio nessa viagem, apesar de ter conseguido alcançar uma ilha grega.

Na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra existe um exemplar da primeira edição – sim, impressa em Basileia em 1543 - da Fábrica. No quadro da campanha SOS Livro Antigo, essa obra está a ser restaurada por especialistas da Biblioteca Nacional graças à generosidade da Sociedade Portuguesa de Neurociências, que decidiu recuperar e digitalizar o livro. Pela salvação desse tesouro todos lhe devemos estar gratos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA



Vale sempre a pena rever Carl Sagan. Eis aqui, dobrada em português, o excerto do episódio "A persistência da memória" de "Cosmos" em que ele fala dos livros e da biblioteca.