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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Café com Ciência em Braga

Esta sexta-feira, dia 8 de Fevereiro, estarei em Braga para falar com o público sobre os avanços da ciência e tecnologia e a sua relação com a sociedade. É sempre com uma enorme alegria que visito o norte do país, ainda para mais tendo a oportunidade de conversar com as pessoas sobre um tema que me apaixona: a ciência. Espero por vocês.

A entrada é gratuita, mas é necessária inscrição: geral@casacienciabraga.org

Mais informações:
Data: Sexta-feira, 8 de Fevereiro, 21h30


segunda-feira, 30 de maio de 2016

A CIÊNCIA NA ESCOLA

Publicado no Diário das Beiras (21-01-2015)

Vivemos numa sociedade em que a aplicação do conhecimento científico é uma constante no nosso dia-a-dia. Imersos em ciência, mesmo que disso não nos apercebamos, é importante conhecê-la. Ter uma cultura geral científica é importante para sermos melhores cidadãos, para podermos ter a nossa própria opinião crítica, para podermos ser livres em democracia.

Perceber o que é a ciência, ajuda-nos a compreender melhor o mundo em que vivemos. Neste contexto, o papel da escola é indispensável enquanto instituição que garante o ensino formal das ciências, permitindo que todos os cidadãos tenham acesso a conceitos básicos sobre como a ciência permite entender o Universo em que existimos.
O ensino da ciência deve estar presente durante a maior parte da escolaridade e começar o mais cedo possível, de preferência logo no pré-escolar. De facto, é desejável ensinar princípios básicos da ciência na infância e dotar o pensamento das crianças com as bases para uma melhor compreensão futura do conhecimento científico. As crianças têm uma natural curiosidade para compreender o mundo em que crescem e a ciência ajuda-as a despertar a sua inteligência para descobrir a natureza e como ela funciona. Os comunicadores de ciência são agentes importantes nesta apresentação da ciência às crianças.

O ensino da ciência na escola não deve ficar só pelo ensino das matérias científicas. Deve permitir que os alunos experimentem, saibam como é que a ciência se faz, compreendam o método experimental científico.

É importante que os alunos saibam como é que a ciência funciona e avança. Neste aspecto, a escola deve promover o diálogo entre alunos e cientistas. E estes devem estar abertos a divulgar de forma acessível o seu trabalho científico e disponíveis para falar com os alunos sobre a sua actividade.

Este contacto dá sentido prático ao conhecimento científico que os alunos aprendem na escola. Ao apresentarem a utilidade da sua investigação, os cientistas fertilizam a curiosidade dos jovens, para além de os cativar e incentivar para uma eventual profissão na ciência. A proximidade com os cientistas torna a ciência real, mais humana e emotiva.

Os comunicadores de ciência têm aqui um papel muito importante, uma vez que apresentam um conhecimento de uma forma interdisciplinar e mostram a importância das diferentes disciplinas para o avanço do conhecimento científico. A comunicação do conhecimento científico é intrínseca à própria ciência. Sem comunicação não há ciência. Também por isso, o ensino escolar da ciência deve, para ficar completo, promover a comunicação entre cientistas e alunos, como se disse. E o papel dos comunicadores de ciência nesta tarefa é essencial, pois constrói a ponte entre as duas comunidades.

É que comunicar ciência é uma actividade cívica.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Os 5 vídeos pelos quais muitos esperavam

Em Novembro anunciei que iria decorrer no dia 21 desse mês a ComceptCon 2015, a convenção anual da COMCEPT, que nesse ano foi dedicada a vários tipos de Negacionismo em Ciência.

A boa notícia é que gravámos as palestras e disponibilizámos online para quem não conseguiu estar presente. Cada palestra tinha a duração de 30 min (embora alguns oradores se tenham alongado). Partilho-as agora:

Oradora: Xana Sá-Pinto (Universidade de Aveiro)

Oradora: Mónica Pina (Instituto Médico e Dentário Dra. Joaquina Corado)

Orador: Hugo Vaz (Museu Judaico do Porto)

Orador: Carlos Teixeira (Univ. Livre de Amesterdão e Instituto Superior Técnico)

Orador: Ricardo Cardoso Reis (Centro Astrofísica da Universidade do Porto - CAUP)


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

AJUDEMOS A CASA DAS CIÊNCIAS

Texto primeiramente publicado na imprensa regional.



A Casa das Ciências, o Portal Gulbenkian para Professores, foi criada em 2008 e apresentada no ano de 2009, mas é um projeto ainda assim desconhecido por muitos professores de ciências, o seu público-alvo. O seu acesso é gratuito e só requisita um registo. Este é um projeto muito interessante e que surgiu dentro da lógica de apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) à educação em Portugal, tanto na elaboração de conteúdos como no apoio a docentes.

A Casa das Ciências é um espaço virtual, um repositório de recursos educativos digitais (vídeos, animações, simuladores, apresentações, guiões, etc.) com uma característica única em Portugal: os recursos publicados passaram por uma revisão por pares, tanto na sua componente científica como pedagógica.

A Casa das Ciências tem três vertentes, representadas no Portal em três secções diferentes: Materiais, Banco de Imagens e WikiCiências. Acolhe ainda a publicação da Revista de Ciência Elementar.
Na secção dos Materiais os utilizadores encontram recursos educativos digitais que podem ser usados pelos professores de ciência. É objetivo primordial do Portal oferecer aos professores das diferentes áreas científicas, desde o ensino básico até aos primeiros anos do ensino superior, ferramentas digitais de qualidade e em português. Nesse sentido, todos os materiais submetidos pelos utilizadores passam por um processo de avaliação por pares, tanto a nível científico como pedagógico, como já se disse, mas convém sublinhar.

No Banco de Imagens é possível a qualquer utilizador submeter imagens que pense serem relevantes para o ensino das ciências e que passam depois por uma revisão editorial feita por um cientista da área em questão. Depois de publicadas, as imagens ficam disponíveis para download com uma licença Creative Commons (uso com atribuição da autoria). Quanto à WikiCiências, esta pretende ser uma enciclopédia online de referência para a consulta de termos relacionados com a ciência, em português e, claro, com validação por especialistas de cada uma das áreas científicas representadas.

A Revista de Ciência Elementar, já com cinco número editados, inclui artigos de cariz enciclopédico, mas também notícias e artigos de opinião.

Reforço, uma vez mais, o caráter gratuito de todas as valências da Casa das Ciências!

Desde a sua criação já foi visitada mais de 2,5 milhões de vezes. Possui 15 mil utilizadores registados, sendo maioritariamente utilizada por professores de ciências.

Até 2014, este projecto foi exclusivamente financiado pela FCG. Mas agora, este excelente projecto, único em Portugal, está num impasse, uma vez que o apoio da FCG cessou. Assim, os promotores deste projecto estão actualmente à procura de meios de financiamento alternativo para que a Casa não feche. Decorre neste momento uma campanha de crowdfunding que visa suportar financeiramente a Casa das Ciências nesta fase de transição. Agradece-se a todos a melhor e possível contribuição para não deixar morrer esta Casa.

A coordenação deste projecto é feita a partir da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto pelos professores Maria João Ramos, Alexandre Magalhães e Pedro Alexandrino Fernandes.

António Piedade

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O perigo do analfabetismo científico para a sociedade

Texto de Marcelo Knobel (Docente do Instituto de Física Gleb Wataghin e pró-reitor de graduação da Unicamp):

"Em entrevista recente à Folha, o recém-aposentado ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, afirmou que sua visão espiritualista de mundo seria confirmada pela física quântica, citando diversos autores, entre os quais Einstein ("A vida começa aos 70", em 18 de novembro).

Cito dois trechos:

1) "Depois, de uns 12 anos para cá, comecei a me interessar por física quântica, e ela me pareceu uma confirmação de tudo o que os espiritualistas afirmam. A física quântica, sobretudo os escritos de Dannah Zohar [especializada em aconselhamento espiritual e profissional]." 

2) "Einstein, físico quântico que era, cunhou uma expressão célebre: 'efeito do observador'. Ele percebeu que o observador desencadeava reações no objeto observado. (...) Claro que quando você joga teoria quântica para a teoria jurídica, se expõe a uma crítica mordaz. O sujeito diz: "Mas isso não é ciência jurídica'." 

Na verdade, a fascinante física quântica aplica-se somente a sistemas físicos na escala atômica, jamais a questões profissionais ou jurídicas. As analogias podem ser exercícios criativos ou poéticos até interessantes, mas não passam disso.

Ao buscar a palavra "quantum" em qualquer livraria virtual, é assombroso notar que a maioria das obras listadas refere-se a supostas explicações quânticas dos mais diversos aspectos da vida -da memória à cura de enfermidades, passando pelo sucesso no amor e na carreira.

Como físico, acredito em coisas incríveis, como entes que são ondas e partículas simultaneamente, universos multidimensionais, tempos e comprimentos que dependem da velocidade do objeto, estruturas nanoscópicas que podem atravessar verdadeiras paredes e muitos outros fenômenos que certamente não são nada intuitivos e continuam sendo impressionantes, mesmo após anos e anos de estudo.

Mas em ciência o importante é que as teorias sejam comprovadas seguindo critérios rígidos, metodologias adequadas e publicadas em periódicos de circulação internacional, para que outros pesquisadores possam tentar repetir os experimentos e modelos, verificando possíveis falhas e buscando explicações alternativas, com certo ceticismo. Não é o caso das ideias citadas pelo ministro.

Ocorre que, diariamente, somos inundados por inúmeras promessas de curas milagrosas, métodos de leitura ultrarrápidos, dietas infalíveis, riqueza sem esforço. A grande maioria desses milagres cotidianos são vestidos com alguma roupagem científica: linguagem um pouco mais rebuscada, aparente comprovação experimental, depoimentos de pesquisadores "renomados", alardeado acolhimento em grandes universidades. São casos típicos do que se costuma definir como pseudociência.

A maioria das pessoas vive perfeitamente bem sem saber diferenciar ciência de pseudociência. Mais cedo ou mais tarde, porém, em alguns momentos da vida esse conhecimento pode ser muito importante. Seja para decidir um tratamento médico, seja para analisar criticamente algum boato, seja para se posicionar frente a alguma decisão importante que certamente influenciará a vida de seus filhos e netos.

A sociedade como um todo deve assimilar a cultura científica. É importante a participação de instituições, grupos de interesse e processos coletivos estruturados em torno de sistemas de comunicação e difusão social da ciência, participação dos cidadãos e mecanismos de avaliação social da ciência.

Em uma sociedade onde a ciência e a tecnologia são agentes de mudanças econômicas e sociais, o analfabetismo científico, seja de quem for, pode ser um fator crucial para determinar decisões que afetarão nosso bem-estar social.

É impossível tomar uma decisão consciente se não se tem um mínimo de entendimento sobre ciência e tecnologia, como funcionam e como podem afetar nossas vidas."


Veja como é o mundo quântico:


segunda-feira, 2 de julho de 2012

TEDxCoimbra: A Ciência nas Escolas

Intervenção de Carlos Fiolhais no TEDxCoimbra sobre Educação realizado recentemente na Mamarrosa (Instituto de Educação e Cidadania):

domingo, 13 de maio de 2012

O CARVÃO E O DIAMANTE


O grande desafio que temos é o de saber lidar com a pressão, que nos revela quem somos. A combinação dos  três elementos (alta temperatura, pressão e o tempo) transforma o carvão (carbono) em diamante. Vejam o excelente  trabalho As Múltiplas Facetas do Diamante publicado na Revista USP n.71, São Paulo (Novembro de  2006) do Prof. Darcy Pedro Svizzero.
 (http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/revusp/n71/08.pdf)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vale a pena ter energia nuclear no Brasil?

Palestra: Um ano após Fukushima: vale a pena ter energia nuclear no Brasil?
Data: Hoje (10.05.2012)
Horário: 16:00 horas
Assista Transmissão ao vivo via Internet
iptv.usp.br

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Livre como em liberdade


Richard Stallman, o grande guru do software livre e presidente da Fundação para o Software Livre, está em Portugal. A sua entrevista ao Público acaba abruptamente, mas vale a pena conhecer as suas ideias contra-corrente.

Hoje estará às 14h no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

Como curiosidade, os sete pecados mortais do Windows, uma das campanhas da Fundação para o Software Livre.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O VALOR DO ENSINO EXPERIMENTAL


Minha apresentação no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho do livro "O Valor do Ensino Experimental", publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos: aqui.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL: UM RETRATO EUROPEU

Do sítio Web da Câmara Municipal do Porto transcrevemos o sumário da apresentação que ontem Carlos Fiolhais aí efectuou sobre "A Educação em Portugal: Um retrato europeu" num debate com Artur santos Silva e Maria de Lurdes Rodrigues (retirado daqui, onde se encontra o resumo das outras intervenções e os registos vídeos de todas elas):

"Educação: o futuro de Portugal" foi o tema da sessão desta quinta-feira do ciclo "Grandes Debates do Regime", que decorreu, como tem sido hábito, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Carlos Fiolhais, professor catedrático de Física da Universidade de Coimbra, Artur Santos Silva, Presidente do Conselho de Administração do BPI e Marioa de Lurdes Rodrigues, ex-titular da pasta da Educação, foram os oradores convidados.

A taxa de abandono escolar precoce em jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos é, actualmente, "o maior flagelo" de Portugal no domínio educacional, segundo revelou Carlos Fiolhais, que abordou o tema da palestra num contexto europeu, recorrendo para isso a diversos indicadores comparativos com o cenário registado, ao longo das últimas décadas, na União Europeia (UE).

Segundo o docente da Universidade de Coimbra, que é também responsável pelo programa de Educação da Fundação Francisco Manuel dos Santos, essa taxa, que em 2000 se cifrava nos 44%, desceu para 31% em 2009, um resultado positivo, mas que, na sua óptica, ainda é "mau", pelo facto de a UE ter registado uma média de 14% e pretender chegar a 10%, em 2020.

"Melhorámos bastante neste domínio, mas ainda estamos muito longe das metas pretendidas, pois, pior do que nós, só Malta", adiantou, referindo que, em Portugal, a taxa de abandono escolar é mais elevada nos homens do que nas mulheres.

Para Carlos Fiolhais, o grau de qualificação dos portugueses é, de uma forma geral, muito baixo, consequência - adiantou - de um forte "passivo" acumulado a esse nível ao longo dos anos. A percentagem da população activa com um grau superior nas áreas da ciência e tecnologia, ou equivalente, coloca Portugal no fundo da tabela europeia, entre a Roménia e a Turquia.

Em contrapartida, de 2000 a 2008, Portugal foi o país da UE que mais cresceu (193%!) em termos da formação de alunos diplomados em Ciência e Tecnologia, contribuindo assim para que o objectivo europeu de crescimento, que era apenas de 15%, tivesse sido largamente superado.

Ao nível da Ciência, que, para o orador, é indissociável da Educação ("sem Educação não há Ciência", afirmou), destaque para o facto de Portugal figurar no quarto lugar a nível europeu, no que respeita à percentagem de mulheres cientistas.

No entanto, apesar dos progressos registados, ainda há, em sua opinião, um défice acentuado no ensino das ciências, no que qualificou de "literacia científica". "O nosso problema, hoje, já não é, felizmente, o analfabetismo, mas sim o que poderemos chamar de 'analfabetismo científico'", observou, preconizando a necessidade de "mais e melhor Ciência, em particular na escola básica, incluindo até no jardim-de-infância.

"O factor chave é a preparação do professor ou educador, pois só alguém que trate a Ciência por tu a consegue transmitir aos jovens", afirmou Fiolhais, confessando nunca ter compreendido o significado do velho aforismo de que é "de pequenino que se torce o pepino".

"Nunca percebi essa história do pepino, pois é de pequenino que se torce o... destino
", concluiu.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O caso Escherichia coli



Minha crónica semanal publicada no "Diário de Coimbra".

Uma determinada descoberta científica é válida se for reprodutível e verificável através da experiência pela comunidade internacional de cientistas.

O que é que significa neste contexto validar? Significa que os resultados encontrados podem ser obtidos e confirmados por qualquer investigador ou cientista ao repetir o procedimento experimental efectuado em primeiro lugar pelos que alegam a sua descoberta. Repetidos os mesmos passos experimentais nas mesmas condições qualquer um poderá obter os mesmos resultados. Esta confirmação experimental inter-laboratorial, efectuada por cientistas diferentes em lugares diferentes, garante a reprodutibilidade dos resultados e logo a validação e aceitação dos mesmos. Isto confere segurança, credibilidade e “universalidade” à descoberta.

Mas isto ainda não é suficiente. A descoberta tem de ser partilhada, divulgada, para que a ela tenham acesso todos os que dela tenham necessidade ou todos os que sobre ela tenham curiosidade. E neste processo da validação é fundamental a sua publicação.

A publicação em revistas científicas dos resultados conjuntamente com a descrição das condições laboratoriais e experimentais em que foram obtidos está sujeita à validação por especialistas da área em causa, escolhidos pelos editores e tratados de forma anónima para tentar garantir a imparcialidade da aceitação ou sua rejeição. É a chamada revisão ou arbitragem pelos pares. Em geral, quanto maior for a exigência nesta arbitragem e verificação, maior será a segurança de que os resultados publicados são reprodutíveis e credíveis. Este procedimento é também a razão do prestígio de revistas científicas como a Nature ou a Science, mas seguramente o garante da qualidade científica da comunicação de conhecimento científico.

O sistema não é, porém, infalível.

O sistema de verificação e validação das descobertas e, portanto, da produção de conhecimento científico, tendo passado ao longo do tempo por várias circunstâncias e modelos, continua actualmente a ser alvo de debate acesso e contínuo, exactamente sobre a sua eficácia no rastreio e identificação de fraudes, da falta de honestidade intelectual, da probidade intelectual dos investigadores, do rigor nos resultados obtidos. Isto porque, apesar de todos os procedimentos indicados, que não são de censura mas sim de verificação, a história regista vários artigos fraudulentos publicados em revistas mesmo as mais prestigiadas. O sistema não é perfeito. (Altura da eterna exclamação interrogativa: haverá sistemas humanos perfeitos?!).

Se os cientistas insistem em referir as fontes que sustentam uma dada afirmação, não o fazem para tornar difícil o acesso à informação que pretendem transmitir, mas sim para sustentar a sua credibilidade. A diminuta literacia científica e de espírito crítico da população em geral permite que determinadas afirmações não sustentadas por quaisquer provas ou referências de credibilidade perturbem as sociedades do conhecimento. O caso actual sobre a identificação da fonte inicial de contaminação da bactéria Escherichia coli é disso um bom exemplo.

A questão não passa tanto pela discussão sobre a importância do aumento de um conhecimento geral sobre quais as bactérias que coabitam no nosso corpo, quais as patogénicas e porque é que o são, quais os mecanismos e meios de contaminação, etc. Este conhecimento é importante até para percebermos a higienização verificada ao longo do século XX e que permitiu a diminuição da mortalidade infantil, do tempo pós-operatório, a maior longevidade, etc. Mas não retira o lugar da "ferramenta" reflexiva que o nosso cérebro é para sermos bons receptores da informação que nos é transmitida.

A questão, no meu entender, passa pelo aumento de uma atitude crítica sobre a informação que recebemos sem qualquer interacção ou diálogo e que nos leva a reagir, por vezes em acto contínuo. de forma precipitada. Uma maior literacia científica cívica não passa tanto por um saber enciclopédico sobre quase tudo na população em geral, mas mais por uma atitude que valoriza o rigor na informação e a credibilidade das fontes. Estas têm de ser verificáveis para poderem gerar credibilidade. Com uma atitude crítica não só poderíamos aspirar a uma melhor saúde pública mas também a uma melhor economia e uma maior transparência na regulação dos mercados alimentares, para não fugir ao exemplo presente.

Estarei a exagerar? O caso E. coli demonstra exactamente que não.

(Continua - porque o caso ainda não acabou e carece ainda de muita verificação científica).

António Piedade

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tertúlia: "A escrita na comunicação de ciência"


Na próxima 3ª feira, dia 31 de Maio, pelas 18h00, vai realizar-se na Casa da Escrita, uma tertúlia sobre "A Escrita na Comunicação de Ciência".

A tertúlia, que é dirigida ao público e não só a cientistas, terá como intervenientes: a Vice-Reitora da Universidade de Coimbra a Doutora Clara Almeida Santos, o Doutor Carlos Fiolhais (Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho), o Doutor Victor Gil (Exploratório), o Doutor Paulo Gama Mota (Museu da Ciência da Universidade de Coimbra) e o Doutor João Maria André (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra).

Este painel será moderado por António Piedade, que também apresentará os resultados, inéditos, de um inquérito efectuado em Abril de 2011 exactamente sobre a comunicação de ciência através da escrita.

De notar que estarão reunidos nesta tertúlia os directores de três espaços dedicados à interacção da ciência com o publico geral: Museu da Ciência da UC, Exploratório Centro de Ciência Viva e o Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho.

Entrada Livre