segunda-feira, 16 de julho de 2018

ÁLVARO GARRIDO E JOÃO QUEIRÓ EM TERTÚLIA NO CAFÉ SANTA CRUZ DE COIMBRA SOBRE "ÁGUA NA HISTÓRIA"


Ciência ao Luar (Por este rio acima) - Conjunto de Tertúlias sobre o tema "Água" 💧💦 realizadas à noite na esplanada do Café Santa Cruz na baixa de Coimbra. 🌃🌜

Dia 17, terça-feira, das 21h às 22h  - "Água na História" com Álvaro Garrido (Faculdade de Economia da UC) e João Filipe Queiró (Facu.

PARTICIPAÇÃO LIVRE E GRATUITA
Sem Inscrição.

Café Santa Cruz: http://www.cafesantacruz.com/

*Actividade realizada no âmbito do programa CIÊNCIA VIVA NO VERÃO EM REDE☀️️🌡promovido pela Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, que leva a Ciência à rua com centenas de acções de participação gratuita em todo o país, organizadas por centros ciência viva, instituições científicas, autarquias, empresas e associações científicas, a decorrer de 15 de Julho a 15 de Setembro.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

CANTATA DE BACH NA APRESENTAÇÃO DO LIVRO "POÇÕES E PAIXÕES" DE JOÃO PAULO ANDRÉ NO RÓMULO

No próximo dia 20 de Julho, sexta-feira, pelas 21h30, realizar-se-á no Rómulo. - Centro Ciência Viva da Universidae de Coimbra, situado no R/C do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, na Rua larga, na Alta da cidade,  uma sessão de apresentação do livro de João Paulo André (professor de Química da Universidade do Minho formado na Universidade de Coimbra) "Poções e Paixões. Química e Ópera", que foi há pouco publicado na colecção "Ciência Aberta" da Gradiva. O livro será apresentado por Sérgio Rodrigues (professor de Química na Universidade de Coimbra e autor do livro "Jardins de Cristais", publicado na mesma colecção) e Filipa Lã (soprano e investigadora na área da música no Centro de Estudos Sociais de Coimbra).

 O evento, introduzido por Carlos Fiolhais (director da colecção "Ciência Aberta"), será abrilhantado pela execução da cantata de Johann Sebastian Bach "Jauchzet Gott in Allen Landen". BWV 51, por um ensemble de alunos do Conservatório de Música de Coimbra dirigido pelo professor Manuel Costa.

 No fim haverá possibilidade de obter a obra autografada pelo autor. A entrada é livre. São benvindos todos os que se interessam por ciência ou música e, ainda mais, quem se interessar pela combinação  das duas.

BREVE NOTA SOBRE A NOMEAÇÃO DE SOFIA PORTELA PARA PRESIDENTE DA ADSE

De surpresa, foi nomeada hoje presidente da ADSE (até 2020) Sofia Lopes Portela. Ontem, enviei para o "Diário as Beiras" um novo artigo de opinião sobre a ADSE, reiterando o meu repúdio sobre a forma desumana como a gestão anterior da ADSE "expulsou" indivíduos casados com respectivos beneficiários enviando velhos e doentes para uma espécie de antecâmara da morte. Porque "o homem livre é aquele que não recua ir até ao fim da sua razão", como escreveu  Jules Renard,  será ele  aqui reproduzido, logo que publicado, por  depositar (alguma) esperança na recém-nomeada.

HUBERT REEVES EXPLICA I UNIVERSO EM BANDA DESENHADA

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Há que acabar com a lógica torneira aberta ou fechada na contratação científica


Meu artigo de opinião hoje no Público:

É meritória a iniciativa de alterar o panorama de abuso das bolsas de investigação científica que prevalece há décadas em Portugal. Por muitas confusões que essa transição possa gerar, é incomparavelmente melhor fazer alguma coisa para alterar isso do que não fazer nada. A actual tutela da ciência e os deputados da Assembleia da República merecem ser creditados por essa iniciativa, que é uma nova política para a ciência em Portugal. Trocar bolsas para doutorados por contratos de trabalho, mesmo que a prazo, é o patamar mínimo de decência neste momento.

Muitos dirigentes das instituições têm oferecido enorme resistência a este pacote de medidas. As instituições estão viciadas em bolsas e habituadas a planear as suas actividades tendo como referência o custo dos bolseiros. Foi o baixo custo das bolsas que permitiu o necessário e rápido crescimento do sistema científico em Portugal. Mas um contrato de trabalho a que corresponda o mesmo valor líquido de uma bolsa custa o dobro a quem paga, porque incorpora os custos da proteção social dos trabalhadores. As instituições e o país têm de assumir que custa mais contratar um investigador doutorado do que custava: custa o dobro. E isso é justo.

Na recente legislação de estímulo ao emprego científico persiste uma lógica de torneira aberta / torneira fechada, que tem pautado a contratação científica em Portugal (não é de agora). Há alturas em que estão abertos concursos e contratam-se 2000 ou 3000 pessoas. Depois a torneira fecha e passam-se cinco ou dez anos sem que se contrate praticamente ninguém, por muita competência que tenham os potenciais candidatos. Isso é seleccionar com base na data de nascimento. O ideal seria que as oportunidades de contratação fossem regulares: por exemplo 300 ou 400 pessoas por ano, todos os anos, sem interrupções. Claro que neste momento, tendo em conta a acumulação de doutorados em bolsas, com legítimas aspirações a um contrato de trabalho, se torna difícil dizer “vocês são 5000, mas só vão ser abertos 300 lugares porque temos de pensar nas oportunidades das pessoas que estão agora a iniciar um doutoramento”. Esse tipo de opção implicaria deitar para fora do sistema científico milhares de pessoas no presente (como aliás, tem acontecido) de modo a salvaguardar oportunidades para os doutorados do futuro. Não é fácil a transição de um sistema de torneira aberta e fechada para um sistema de rega contínua gota a gota.

Passar a generalidade das bolsas de pós-doutoramento a contratos de trabalho tem um mérito indiscutível. Mas é fundamental a transição para um sistema de contratação regular e não de enxurradas de contratos imprevisivelmente espaçadas. E isso deve obviamente incluir concursos para a entrada nos quadros das instituições, que sejam verdadeiramente abertos e não feitos a piscar o olho a um candidato específico.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

ALFREDO CAMPOS MATOS: 90 ANOS

Artigo do ensaísta Eugénio Lisboa, publicado no "Jornal de Letras" que se transcreve com todo o gosto: 

Nascido em 1928, na Póvoa de Varzim, Alfredo Campos Matos viria a licenciar-se em Arquitectura, pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, sendo a sua primeira obra o estúdio da casa do seu pai, na Póvoa de Varzim. Publica, em 1959, Algumas Considerações sobre Problemas da Arquitectura Contemporânea.

Autor de vários projectos que revelam um profundo conhecimento das grandes linhas de inovação da arquitectura contemporânea, ACM vai, em 1960, para Lisboa, onde trabalhará, até se reformar, na Direcção Geral da Urbanização, ocupação que, segundo Siza Vieira, “além de ter proporcionado ao projectista uma formação complementar abriu a CM novas oportunidades e permitiu-lhe viajar repetidamente e visitar, por exemplo, as chamadas «new towns» da Finlândia à Inglaterra”.

O futuro grande queirosianista não foi, portanto, um mero turista superficial, no campo da arquitectura, pelo contrário, foi um arquitecto empenhado, profundamente actualizado e actuante. Mas, muito cedo, a leitura do romance A Relíquia, de Eça de Queirós, o deslumbraria e o chamaria para essa “segunda profissão” de estudioso queirosiano, que nunca mais abandonou.

Biógrafo, analista, divulgador de imagens e de correspondência, ensaísta arguto, caçador de minúcias mais ou menos despercebidas do leitor desatento, CM, como bom e obstinado biógrafo, quis conhecer tudo. Dizia Lord Francis-Williams que “nem todos os segredos do coração humano são conhecidos dos biógrafos oficiais.” Campos Matos, até porque não é um “biógrafo oficial”, quis conhecer todos os segredos da alma do criador de Os Maias – e nisso, esforçadamente, se tem empenhado.

Trabalhador infatigável, amante da claridade e da simplicidade (que se conquista à custa de muito trabalho), Campos Matos tem dedicado ao opus queirosiano um inquirir lúcido e apaixonado, que acabou por frutificar numa vasta e sedutora bibliografia. Numa carta a Alberto d’Oliveira, Eça louvava, no bom estilo, as qualidades de “precisão, limpidez e ritmo que são qualidades da razão e das melhores”.

Foram estas qualidades que, desde muito cedo, seduziram o biógrafo Campos Matos, ao deparar-se com as obras do grande romancista. E foram também estas qualidades, penso eu, que porventura o terão atraído para outra das suas grandes “fixações”: António Sérgio, a quem dedicou atenção minuciosa e, além de uma Bibliografia publicada na Revista de História das Ideias, da Faculdade de Letras, de Coimbra (1983), um interessante e útil Diálogo com António Sérgio, também em 1983, com uma segunda edição aumentada, em 1989.

Por outro lado, CM chama, com grande eloquência, a atenção dos leitores para o ensaio de António Sérgio, “Notas sobre a imaginação, a fantasia e o problema psicológico-moral na obra novelística de Queiroz”, nestes termos: “Desde já afirmo que nada li de tão belo, tão inteligente e de tão original, dentre os milhares de páginas que me foi dado ler dos comentadores do autor do Padre Amaro.”

 Do seu vasto labor é difícil seleccionar as obras fundamentais, tantas são elas: desde o primeiro livro – Imagens do Portugal Queirosiano (1975) -, passando pelo monumental e preciosamente útil Dicionário de Eça de Queiroz, de 1988, com uma terceira edição em 2015, pela imprescindível Correspondência Emília de Castro – Eça de Queiroz (1995), que, para sempre, demoliu a lenda do “mariage de raison”, pela colectânea Sobre Eça de Queiroz (2002), pela Fotobiografia, de 2007, pela edição, em dois volumes, da Correspondência (2008), até chegarmos, por fim, à excelente Eça de Queiroz – Uma Biografia, de 2009, com uma 3.ª edição em 2017 e uma edição brasileira em 2014.

Depois da biografia de Gaspar Simões, de 1945, a de Campos Matos é, fora de qualquer dúvida, a mais importante que, entre nós, se publicou, corrigindo, com bom acervo de provas, alguns erros flagrantes da obra de Simões. Sobre as outras biografias que entre nós se têm publicado, dedicadas ao autor de O Primo Basílio, será também proveitoso – e mansamente capitoso – ler o livro de CM 7 Biografias de Eça de Queiroz (2008), com uma edição francesa do mesmo ano.

É curioso verificar-se como CM está sempre a voltar a pontos da biografia, para os retomar, os acrescentar, os aprofundar ou melhor esclarecer. É como se a biografia nunca estivesse definitivamente terminada e houvesse sempre que a melhorar e tornar mais rica e mais clara. Um simples olhar para a sua bibliografia nos elucida a este respeito. O próprio CM, numa passagem do seu artigo “Algumas notas acerca de Eça de Queiroz – Uma Biografia”, do seu último livro 94 Reflexões sobre Eça de Queiroz e Outros Escritos, observa: “Uma biografia é um género difícil, sempre em aberto e exige do autor um conhecimento tanto quanto possível integral do biografado e da sua obra.”

CM, apesar de uma bibliografia vasta e exaustiva, dedicada ao mago de A Cidade e as Serras, considera todo o seu labor “em aberto”, estando sempre pronto para mais um artigo, um folheto, um livrinho esclarecedor. Até porque considera Eça, curiosamente, um autor “difícil”, na medida em que a limpidez e simplicidade do seu estilo podem induzir no leitor uma involuntária desatenção a riquezas escondidas mas essenciais.

A acção de promover a obra e a personalidade do autor de A Capital não se circunscreveu, em CM, ao acto de escrever e publicar obras essenciais a uma leitura melhor e mais esclarecedora dos livros do Mestre. CM desempenhou tarefas importantes, como por exemplo:
- Foi membro do Conselho Cultural da Fundação Eça de Queirós. - Fez o inventário do Património da Casa de Tormes.
- O Instituto Camões chamou-o a colaborar nas celebrações por ocasião do Centenário da morte do escritor. Produziu então uma exposição itinerante intitulada Eça de Queirós – Marcos Biográficos e Literários (1845-1900), com o respectivo catálogo, tendo também escrito o guião do vídeo-filme Eça de Queirós, Realidade e Ficção.

De entre as obras ultimamente publicadas, CM salientaria, como de sua particular preferência, o Diário Íntimo de Carlos da Maia, que congeminou atribuir ao protagonista de Os Maias e que teria sido supostamente redigido após os acontecimentos relatados no romance de Eça. “… pus nesta obra”, observa CM, “«tudo o que tinha no saco», do que resultou uma enorme quantidade de informação não despicienda, onde convoquei nomes como Tolstoi, Balzac, Romain Rolland, Charcot, Flaubert, Maupassant, Proust, Martin du Gard, Ruskin, Stefan Zweig, Axel Munthe, Freud e vários outros autores nacionais.”

Obra substancial, CM “deu-lhe” realmente tudo quanto tinha a oferecer, atribuindo a autoria disso ao personagem de Eça. Justifica assim o feito:
“Ao cabo de quase noventa anos de vida, a memória vai-se enchendo e enriquecendo de múltiplas leituras, viagens, histórias, filmes, acontecimentos vividos, por mim e por outros, que nos acodem ao pensamento, já depurados pelo tempo, que desejo transmitir como experiência de vida. Pude convocar com pertinência Eça pois continuo a viver dentro dele, como costumo dizer, lendo-o e lendo tudo o que sobre ele se publica.” 
O Diário Íntimo seria, pois, uma súmula de vida que CM transferiu, generosamente, de si para o protagonista do grande romance de Eça. Nele nos propõe, entre muitas outras coisas, aquilo que é a última (?) palavra sobre alguns temas queirosianos, alguns frequentemente tratados anteriormente e aqui retomados para um “statement” final (final?).

Pensar-se que toda a profunda e fecunda actividade desenvolvida por CM está terminada é desconhecer a massa de que é feito este estudioso arguto e incansável. Com ele, está tudo sempre “em aberto”, para mais alguma incursão, para mais alguma sugestão, para mais alguma tentativa de acrescentar, melhorar, esclarecer.

domingo, 8 de julho de 2018

DIÁRIO DE UM NÁUFRAGO NAS FLORES E NO FAIAL


A CRIAÇÃO DA REAL BIBLIOTECA PÚBLICA DO PORTO


Terra no afélio

Informação do Observatório Astronómico de Lisboa:
Imagens do periélio (direita) e afélio (esquerda) obtidas em 2008. É evidente nesta imagem a diferença de diâmetro angular é de pouco mais de 3% entre as duas situações. Crédito: Nasa
No dia 6 de julho de 2018 pelas 18 horas, a Terra passará no ponto mais afastado do Sol, o afélio, a uma distância de 1,016696059 unidades astronómicas (UA). Ver-se-á o Sol mais pequeno do ano porque o seu diâmetro aparente (angular) atingiu o valor mínimo: 31,46’ (minutos de arco). Apesar do diâmetro verdadeiro do Sol se manter fixo (1,393 milhões de km), o ângulo observado entre o extremos esquerdo e direito do disco solar (diâmetro aparente) diminui ou aumenta, consoante a distância ao Sol se altera.

A distância média da Terra ao Sol é de 1 UA (Unidade Astronómica), ou seja 149,6 milhões de quilómetros. Na translação terrestre (movimento elíptico em torno do Sol) a distância solar varia diariamente: no periélio está mais próxima e no afélio está mais afastada deste.
Nota:
Embora a Terra esteja no afélio isso não impede que no hemisfério norte estejamos na época mais quente do ano (Verão). As estações do ano não dependem da distância ao Sol (que varia pouco porque a nossa órbita elíptica é quase circular) mas sim da inclinação do eixo da Terra em relação ao seu plano orbital.

NOVIDADES DA GRADIVA

Os Anos Trump - O Mundo em Transe
Eduardo Paz Ferreira

Trinta anos depois da queda do Muro de Berlim, o governo sueco reiniciou uma prática que havia suspendido: a publicação de um opúsculo entregue a todos os suecos e traduzido em 13 línguas, online, intitulado Se Chegar a Crise ou a Guerra, que procura ser um manual de sobrevivência. Mesmo admitindo que a Suécia não é o país em maior risco, impressiona a percepção do seu governo de que tornamos a viver num mundo perigoso, de muitas incertezas. Algumas já existiam antes da presidência Trump, mas outras são consequência dela ou foram por ela substancialmente reforçadas.

O livrinho em causa contém uma importante advertência aos cidadãos: caso ouçam a notícia de que foram dadas ordens para cessar a resistência, trata-se de fakenews (uma falsa notícia) e devem continuar a luta.

É este o aviso que aqui também assumimos: não nos renderemos.
Gradiva Junho 2018, Fora de Colecção, 236 pp., €13,00 €11,70 
https://www.gradiva.pt/cat%C3%A1logo/detalhe-do-produto/?product=44857

Hereges! - Os Assombrosos (e Perigosos) Primórdios da Filosofia Moderna
Steven Nadler , Ben Nadler

Esta narrativa gráfica divertida e esclarecedora conta a empolgante história dos pensadores do século XVII que desafiaram a autoridade – às vezes arriscando a exclusão, a prisão e até a morte – para estabelecer as bases da filosofia e da ciência modernas e ajudar a inaugurar um novo mundo. Com diálogos magistrais e ilustrações sugestivas, Hereges! proporciona uma introdução única ao nascimento do pensamento moderno em banda desenhada – inteligente, elegante e muitas vezes divertida.

Os seus protagonistas são filósofos e cientistas questionadores e controversos como Galileu, Descartes, Espinosa, Locke, Leibniz e Newton, que mudaram de forma substancial a maneira como vemos o mundo, a sociedade e a nós mesmos, pondo tudo em causa, desde a ideia de que a Terra é o centro do Universo à noção de que os reis têm o direito divino de governar. Mais
 apegados à razão do que à fé, esses pensadores defenderam novas perspectivas, encaradas como escandalosas, sobre a natureza, a religião, a política, o conhecimento e a mente humana.

Hereges! conta a história das ideias, vidas e tempos desses pensadores de uma maneira diferente e cativante. Acompanhando por toda a Europa as viagens e exílios desses vultos, a narrativa descreve os encontros e confrontos entre si – assim como os confrontos com as autoridades religiosa e régia – relatando os momentos-chave de um dos mais brilhantes períodos da história da filosofia e da ciência modernas.

«Uma admirável introdução ao nascimento do pensamento moderno: é uma obra rigorosa e única em banda desenhada.»
Aires Almeida, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
«Magistral e divertido.»
Anthony Gottlieb, autor de The Dream of Enlightenment
Gradiva Junho 2018, Fora de Colecção, 184 pp., €17,50 €15,75 
https://www.gradiva.pt/cat%C3%A1logo/detalhe-do-produto/?product=44848


O Primeiro Ranger Português - E.U.A., Lamego e Angola (1962 a 1965)
Rodolfo António Cabrita Bacelar Begonha
Uma vida repleta de desafios relevantes no contexto de uma carreira notável permitiria porventura que este fosse o segundo, o terceiro ou até o seu quarto livro. Todavia, este é o primeiro livro do Major-General Rodolfo Begonha, que nele convida os leitores para uma viagem aos «intensos» anos sessenta do século XX. Ao classificar-se em primeiro lugar nas provas de seleção para o Curso Ranger nos Estados Unidos da América – um curso com reconhecida dificuldade que será o primeiro português a concluir –, beneficia de uma experiência valiosa que marcará indelevelmente a sua vida e o respetivo rumo.

Usufruindo dos conhecimentos então apreendidos, coube-lhe a missão de organizar o 1º Curso de Instrutores e Monitores de Operações Especiais em Lamego, tendo também posteriormente a possibilidade de os aplicar nas missões que lhe foram confiadas no teatro de guerra em Angola. Nesse território, na altura ainda como Capitão, nunca perdeu de vista a preocupação com a segurança dos elementos da sua Companhia durante as operações
 realizadas sob o seu comando.

O primeiro ranger português relata estes acontecimentos na primeira pessoa, simultaneamente partilhando facetas da sua vida e factos com interesse histórico. Sem
 censurar observações inerentes à sua condição humana – com dúvidas e perplexidades –, oferece-nos uma obra escrita de modo propositadamente acessível a todos, cujo resultado se pauta por um esforço de isenção e de rigor, designadamente incluindo documentos da época.

Com lucidez e moderação, o autor evitou as armadilhas de reescrever a História ao sabor da sua vontade, da sua imaginação, de qualquer apelo revanchista ou preconceito de natureza política. Consequentemente, procurou ser fiel a si mesmo numa obra que, em diversas dimensões, é
 digna para o Exército e para a História que será passada às gerações vindouras.
Gradiva Junho 2018, Fora de Colecção, 236 pp., €14,00 €12,60 
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Os Manuscritos de Leiria - Uma História de Fidelidade e PaixãoOrlando Ferreira Barros

O que se conta neste livro é a história da jovem Palmira João e do mundo, o tempo e o lugar que em muito a terão determinado. Durante quinze anos e quatro meses suportou a ausência forçada do companheiro, fugido da polícia política. Tentações teve muitas, já que era considerada pelos machos leirienses como a mais bela mulher do planeta. E resistiu.
Sozinha e carente, suportou durante quinze anos e quatro meses o assédio, a língua invejosa e maldizente. Ligava-a ao seu homem o cordão umbilical das cartas manuscritas que alcançavam o leste da Europa. Até ao dia que ele – um bom Golias – doente e envelhecido, lhe entrou por uma porta que só Abril abriria.
Exausto, deitado na antiga cama que não o reconheceu, soltou da boca ressequida a última frase antes de penetrar na voragem da morte: «Este país vai continuar a ser uma merda, mas agora é o meu.»
Gradiva Junho 2018, Fora de Colecção, 272 pp.,€15,00 €13,50 
https://www.gradiva.pt/cat%C3%A1logo/detalhe-do-produto/?product=44846

sábado, 7 de julho de 2018

Levantar Voo em Horizontes Informáticos

                         

Meu artigo de opinião publicado hoje no "Jornal as Beiras", saído conjuntamente com o Semanário "Expresso":­ 

“A grande coisa neste mundo não é saber onde estamos, 
mas para que direcção estamos a ir.” 
 Oliver Wendell Holmes (1809-1984)

Estando eu a tentar arrumar a minha biblioteca de consulta constante, deparei-me num escaninho escondido de uma das suas prateleiras, como que a reprovar-me pelo esquecimento a que o votara, o meu “Livro de Curso” (1975), parte importante da minha saudosa juventude académica que deve ser recordada porque, como escreveu Pessoa, ”a memória é a consciência inserida no tempo”.

Em remorso tardio, reconcilio-me, assim, com a minha desarrumação para com os livros, alguns amarelecidos pelo tempo e com páginas roídas pelas traças por, a par de papéis em que fui ao longo dos anos tomando notas pessoais, serem eles minha fonte de consulta constante para a minha escrita mais ou menos elaborada, espalhando-os em desalinho pelo chão à mão de semear dada a minha declarada iliteracia informática e uma memória que se vai esvaindo com a velhice porque, recolhido de um texto de Eugénio Lisboa, segundo Ugo Belfi, “as memórias são como as pedras: o tempo e a distância corroem-nas como ácido”.

Ou seja, a minha iliteracia informática não me permite grandes voos em horizontes internéticos, apenas levantar os pés do chão com cuidados redobrados para não tropeçar num mare magnum de informação buscando eu muletas para esta penosa situação no desencanto de Ortega y Gasset: “Muitos meios e saber de pouco servem. Vivemos num tempo que se sente fabulosamente capaz de realizar, porém não sabe o que realizar. Domina todas as coisas, mas não é dono de si mesmo. Sente-se perdido na sua própria abundância. Com mais meios, mais saber, mais técnica do que nunca, afinal de contas o mundo actual vai, como o mais infeliz que tenha havido, permanentemente à deriva”. 

Porque “roubar a muitos é pesquisa, roubar a um só autor é plágio” (Wilson Minzer) reside aqui alguns dos perigos da informação aportada pelo mundo informático, utilizada, mesmo em provas de doutoramento pesquisadas na Net.

 Tentando retaguarda para a minha ignorância sobre este mundo novo, em corrida vertiginosa rumo ao futuro, procuro razão de mau pagador em Steve Balmmer, presidente da Microsoft: “Eu testo, mas não uso no dia-a-dia. Mais importante, meus filhos não usam. Eles são bons garotos”. E se, segundo o filósofo Erc Hoffer (1902-1983), “a única forma de prevermos o futuro é ter poder para formar o futuro”, talvez que esta minha “alergia” ao homem versus máquina se consubstancie no pólen letal libertado pelo filme “2001, Odisseia no Espaço” (1968) em que um computador, Hal 9000, de uma nave a caminho de Júpiter se revolta contra o respectivo comandante numa espécie de duelo ser pensante/inteligência artificial “podendo significar o fim da raça humana”, segundo Stephen Hawking um dos físicos mais brilhantes , ou mesmo o mais brilhante, da nossa contemporaneidade falecido em Março deste ano.

De igual modo, Erich Fromm (psicanalista e sociólogo alemão, 1900-1980) manifesta-se receoso de um futuro que ele já não conhecerá: “O problema não é que os computadores possam pensar como nós, mas que nós possamos pensar como os computadores”.

Será que estou a tentar encontrar desculpas esfarrapadas para a minha teimosa iliteracia informática? O futuro o dirá porque, como escreveu Mark Twain, com a ironia que o colocou no pedestal dos grandes humoristas da humanidade, “a profecia é algo muito difícil, especialmente em relação ao futuro!”

DIGNIDADE

Artigo de Maria do Carmo Vieira saído na revista Villa da Feira em Junho:


Já expressámos, por inúmeras vezes, a nossa convicção de que o pouco interesse pela Cultura, manifestado por parte de quem manda, resulta da opção consciente em anular o que é espiritual, talvez porque também nunca tenham sentido os seus efeitos benéficos, defendendo e valorizando superlativamente tudo o que conduza, com facilidade e rapidez, à obtenção de um pretenso bem-estar material. Quanto mais ignorantes forem as pessoas, quanto mais se traírem, expondo-se perigosamente ao abdicar de pensar por si próprias, mais facilmente serão conduzidas e enganadas sem a menor compaixão. Testemunha-o o crescente populismo, seja qual for a ideologia que dele se aproveite, e a sociedade global e profundamente desumanizada em que vivemos. Ideias que repetimos porque constante a preocupação que não sentimos abrandada.
Este desejo de moldar o ser humano, estando dele ausente sensibilidade, espírito crítico e responsabilidade, por falta de educação e de treino, começa paradoxalmente na escola, temática que nos é cara e sobre a qual nos temos debruçado com regularidade. A obsessão pela facilidade e a não valorização da reflexão e do estudo, aspectos visíveis, por exemplo, no ensino da Língua Materna, com o uso forçado do absurdo e controverso Acordo Ortográfico de 1990 (AO 90), são sinais evidentes de uma autoridade, no sentido de competência, posta em causa, uma situação que se verifica igualmente em poemas, falsamente atribuídos a Fernando Pessoa, ortónimo e heterónimo, lidos e analisados em sala de aula. A rapidez com que se vai à internet, em procura de material didáctico, ocasiona esta lástima e as vítimas perpetuarão a ignorância.
Há sempre quem se deixe aliciar pela facilidade e cultive a preguiça no estudo e na reflexão, atitudes que não impedem intervenções arrogantes sobre o que não se conhece. Testemunhámo-lo, não há muito, com uma jovem professora universitária que, irritada pelo facto de se mencionar que Luís de Camões, em Os Lusíadas, estaria em consonância com a tese africana, representativa da vontade da nobreza que defendia a expansão para África, e não para Oriente, como desejava a burguesia, perguntou «se o poeta deixara isso escrito». E não se contentando com a questão que tentava confundir quem a expusera, no caso, eu própria, quis pôr à prova o conhecimento sobre outra matéria camoniana, indagando vivamente se o poeta também deixara explicado quem era a «Rosa» do seu soneto, «Rosa minha gentil, que te partiste». Um verso pretensamente decorado, e quem sabe se transferido para os alunos, adulterando o belíssimo soneto que se inicia com «Alma minha gentil que te partiste».
Este inebriamento pela própria ignorância encontra companhia fértil em quase toda a comunicação social, criada ao som da voz-do-dono e da procura do espectacular, com realce para a televisão, pública ou privada. O modo como se desenvolvem, por exemplo, muitos dos programas televisivos, explorando a privacidade humana, em que se incluem as próprias crianças, ou encenando uma assistência, previamente domesticada, que grita, ri ou aplaude sempre que recebe ordem para gritar, rir ou aplaudir, sentada ou de pé, em perfeita sintonia com apresentadores freneticamente apalhaçados, e de um nível cultural e linguístico confrangedores, é bem sintomático da vontade de alienar e de deseducar que grassa na sociedade. Mesmo nos programas de índole cultural, nomeadamente na Rádio, damo-nos, por vezes, conta de uma ignorância ostentada não só em relação à Literatura, mas também, e sobremaneira, em relação à História (tão maltratada porque desprezada tem sido a memória). Em relação a este último caso, não é raro que se confundam datas de acontecimentos históricos, dignos de referência, ou se galhofe com acontecimentos dramáticos e figuras históricas, ou até se espicace o entrevistado, estudioso na matéria que expõe, para uma abordagem picante de um dado assunto, como forma de o aligeirar cativando facilmente os ouvintes, assim devem pensar. Gostam estes mercenários da cultura de se ouvir e por isso interrompem constantemente, rindo de contínuo.
O mesmo pacto com a mediocridade, exposta sem pejo, aconteceu com o AO 90. Na verdade, é confrangedor ler ou ouvir a argumentação sobre o assunto, por parte de algumas pessoas ligadas à cultura e à política, a começar pelos mentores de tal aberração que a grande maioria dos portugueses inteligentemente contesta. Como é possível aceitar o critério acientífico da «pronúncia» na ortografia ou que esta se torne factor de sucessivos equívocos? Como é possível defender a «unificação ortográfica» quando, por exemplo, «recepção» e «concepção» continuam a existir no Brasil, pelo critério da pronúncia, tendo sido transformadas, em Portugal, nas aberrantes «receção» e «conceção», segundo o mesmo critério (neste caso, «p» não pronunciado), pondo em causa a vertente cultural da ortografia, ou seja, a etimologia?
Confunde qualquer um a estreita cumplicidade entre a comunicação social, salvo raras excepções, e com destaque para o jornal Público, e a classe política, em que é justo relevar a postura crítica do Partido Comunista, cumplicidade desde sempre visível no pacto de silêncio relativamente ao AO 90. Sem pejo, escondeu-se o embuste que foi o processo relativo ao desenvolvimento do Tratado Internacional que pelo seu significado exigiria uma maior seriedade, e, sem pejo, impediu-se igualmente a discussão que a matéria requeria porque a Língua, património colectivo, não é pertença de uns tantos supostamente iluminados; um embuste é ainda a unificação ortográfica pretendida quando a própria diversidade geográfica e cultural, da mencionada «lusofonia», a impede. Lamentável é o facto de alguma intelectualidade, traindo a sua função, aceitar acriticamente a «pronúncia» como critério científico ou que as crianças sejam estupidamente usadas em nome da facilidade que não procuram.
Como se tudo isto não bastasse, festejou-se, há uns anos, a entrada, na CPLP, da Guiné Equatorial, paradoxalmente reconhecida como voz «lusófona», sem falar português, e perdoada na sua completa indiferença pelos direitos humanos. Depois do espanhol e do francês (processo de adesão à francofonia há 18 anos) o português é o seu terceiro idioma oficial (anunciado há 5 anos), mas ainda não falado, e, segundo informação vinda a público, os governantes têm tido acesso a acções de formação através da embaixada do Brasil.
Tentar enganar não é um comportamento digno de um político. Trair a inteligência, o estudo e a função de alertar não é um comportamento digno de um
intelectual; obedecer à estupidez e aceitá-la com resignação é abdicar da dignidade que devemos a nós próprios.
Contamos consigo para subscrever, caso ainda não o tenha feito, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico (ILCAO), ajudando-nos também a divulgá-la e a angariar as subscrições em falta (menos de 3000). Para o efeito, consulte e partilhe o sítio oficial da ILC: https://ilcao.com/subscricoes/subscrever/
Maria do Carmo Vieira

Professores para quê?

Georges Gusdorf publicou em 1963, um livro com o título Professores para quê? A pergunta marca uma inquietação que vem de longe, mas que há meio século, já próximo do "Maio de 68", este filósofo francês discutiu de uma forma sistemática e profunda, a um nível que faria história.

Deteve-se na relação única que se estabelece entre o professor e os alunos. Em concreto, no modo como o professor permite a (re)construção do conhecimento já construído pela humanidade para construção do pensamento dos alunos. Não, isto não é construtivismo, é a essência da educação escolar.

Esta perspectiva, partilhada por muitos outros autores, situados em diversos tempos e espaços (por exemplo, João Amós Coménio, John Dewey, Lev Vigostsky, Jerome Burner, Hannah Arendt, Michael Young, Carlota Boto, José Morais) define a identidade do professor. Identidade que se estabelece a partir do compromisso com aquilo que, afinal, tem valor do ponto de vista epistemológico e ético.

Numa altura em que se volta a insistir na ideia de que o professor
- tem de se tornar num mediador, num guia (em certo sentido, sempre foi um mediador, um guia) dado que, por razões de "mudanças de paradigma", não pode continuar a ter um papel "tradicional", ou
- é "ainda" preciso, mas ficando no ar a iminência da sua substituição por novas e fantásticas tecnologias
é importante voltarmos à pergunta: professores para quê?

Se a resposta for a conjectura de Gusdorf, encontramos a sua confirmação num trabalho de meta-análise que demorou cerca de uma década e meia a realizar, tendo sido publicado em 2008 e em 2009. O seu autor é John Hattie, professor da Universidade de Auckland.


Hattie, fez uma criteriosa revisão de mais de mais de 50.000 estudos (em língua inglesa) sobre os efeitos de múltiplas variáveis que podem interferir na aprendizagem (aqui ou aqui). A sua "meta-conclusão" nada tem de surpreendente: a variável mais relevante é a interacção (directa) professor-alunos, interacção que o (bom) professor organiza com a intenção de levar os alunos a aprender.

Podemos pensar: para quê tanto trabalho se o resultado é óbvio. Sê-lo-á, mas precisamos de dados desta natureza para explicar objectivamente a razão de os professores não poderem ser dispensados e de a sua função não poder ser mistificada.
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Mais informações aqui e aqui.

Dois novos volumes da Classica Digitalia

Informação chegada ao De Rerum Natura.

Os Classica Digitalia têm o gosto de anunciar 2 novas publicações, com chancela editorial da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Annablume.

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital, em acesso aberto.

NOVIDADES EDITORIAIS

Série “Humanitas Supplementum " [Estudos]

- Paola Bellomi, Claudio Castro Filho, Elisa Sartor (eds.), Desplazamientos de la tradición clásica en las culturas hispánicas (Coimbra e São Paulo, Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, 2018). 252 p.

[El presente libro reúne 12 trabajos sobre los influjos de la tradición clásica (las mitologías grecolatina y judío-cristiana, la filosofía griega y renacentista, el teatro clásico, etc.) en la producción cultural hispánica moderna y contemporánea, con especial enfoque en la literatura, la cultura popular y el cine. Dentro del amplio abanico de estudios propuestos, el monográfico se reparte en tres secciones temáticas. En la primera, se investigan las poéticas subjetivas en autores y autoras que se vuelcan sobre el tema del exilio y el imaginario odiseico. En la parte central, el libro enfoca la presencia de matrices mitológicas femeninas en la literatura hispánica reciente. La última sección está dedicada a estudios de cariz teórico sobre las relaciones entre mitologización y ficcionalidad en los artefactos culturales del mundo hispánico]

- V. M. Ramón Palerm, G. Sopeña Genzor & A. C. Vicente Sánchez (eds.), Irreligiosidad y literatura en la Atenas clásica (Coimbra e São Paulo, Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, 2018). 422 p.

[El análisis del fenómeno religioso en la literatura griega ha merecido una atención sólida en la tradición histórico-filológica más acreditada. Con todo, la tensión ‘religiosidad / irreligiosidad’ que comienza a prodigarse, particularmente en la Atenas Clásica, carece de estudios pormenorizados. Así, este volumen quiere ajustarse a la manifestación que el elemento irreligioso presenta en los géneros literarios de mayor incidencia en la Atenas Clásica: el drama, la oratoria, la historiografía. Tras una actualización científica de contribuciones especialmente relevantes para nuestro tema, ofrecemos un comentario de pasajes seleccionados, relativos a los géneros citados, que ilustren la dimensión de las categorías irreligiosas en la literatura de la Atenas Clásica. Hemos atendido a un principio metodológico: la verificación mediante criterios inductivos de la terminología irreligiosa que opera en los textos para, acto seguido, realizar las consideraciones oportunas. Esta labor queda completada con un epílogo: las reflexiones que los autores posteriores más significativos, desde Platón a Plutarco, efectuaron sobre el ‘problema irreligioso’]