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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Proibição de fumar dentro dos carros

Serei breve, não porque a notícia em si não mereça destaque pela controvérsia que está a gerar.

Mas vamos directamente aos factos que me levam a escrever estas linhas. Numa altura em que se discute o novo acordo ortográfico, parece-me bastante mais importante discutir a forma correcta de redigir em português. Hoje, por exemplo, no "Jornal da Noite da RTP" , em notícia de rodapé, lia-se esta pérola: "Proibição fumar carros".

E julgava eu que só se podia fumar, e fora de recintos fechados, cigarros, charutos e cachimbo. Pelos vistos, a partir de agora será proibido "fumar carros"... O que não se aprende na "caixa que mudou o futuro do mundo". Pobres crianças que desde pequeninas são intoxicadas de mau português.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Um cê a mais

Texto que circula pelas caixas de correio, assinado por Manuel Halpern, bem a propósito da introdução do Novo Acordo Ortogáfico nas salas de aula.

Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.

Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo?

Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.

Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.

Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Um cartaz feliz

Reproduzo ao lado o cartaz relativo ao II Encontro Internacional de Ensino do Português, promovido pela Escola Superior de Educação de Coimbra/Instituto Politécnico de Coimbra, que irá decorrer no próximo mês de Fevereiro.

Estranhando a imagem, que põe em destaque autores consagrados da nossa língua, procurei a informação escrita sobre tal encontro, tendo podido ler que se destina a "educadores, professores e investigadores em diferentes áreas e domínios do ensino da Língua Portuguesa" e se justifica pela necessidade de "reflectir sobre as práticas de ensino da língua mas também da leitura e, especificamente, do modo como a Escola ensina as novas gerações a ler, a escrever e a contactar com o texto literário."

Bate certo: o cartaz destaca autores consagrados de Língua Portuguesa e a informação escrita salienta como urgente repensar-se o contacto dos alunos com o texto literário.

Devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendida com esta convergência, pois durante muito tempo li em documentos de grande responsabilidade - documentos curriculares vigentes, provenientes do Ministério da Educação, por exemplo, e dissertações de investigadores de várias áreas, que não só a pedagogia - que o texto literário é apenas e só um tipo de texto, nem mais nem menos importante do que o publicitário, ou o informativo... que o mais importante é que os nossos alunos leiam o que lhes interessa para que a leitura seja realmente significativa...

E tudo isto que li se espelha nos manuais escolares de Língua Portuguesa do ensino básico: alguns não incluem um único autor consagrado, conhecendo eu pelo menos um que apresenta unicamente textos do seu autor; outros, não deixando de apresentarem textos do seu autor, incluem textos de crianças da mesma idade das crianças às quais o manual se destina, textos de entidades sociais várias, textos do quotidiano. Talvez, ainda mais lamentável, os manuais que, residualmente, incluem textos de autores consagrados apresentam-nos adaptados e com supressões grosseiras.

Talvez iniciativas como este encontro comecem a fazer emergir a consciência de que o referido caminho está completamente errado, sendo preciso reintroduzir os autores consagrados no ensino e, mais, -los num destacado primeiro plano, como o cartaz indica.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A língua e a cultura

Publiquei o artigo que se segue (com ligeiras variantes) no número 24 da revista académica Capa e Batina em Abril de 1969. Muita coisa mudou, mas os problemas nele aflorados, embora deslocados, talvez não sejam hoje tão diferentes dos de então. Terá interesse pensar no que mudou e no que permanece.

Tem andado na ordem do dia o problema da língua portuguesa. Em esferas oficias e não oficiais discursa-se e disputa-se sobre a questão, preceituando o ataque frontal ao estrangeirismo, pedindo a reposição do latim nos liceus, proclamando a necessidade do purismo linguístico, e outras coisas igualmente respeitáveis. É de crer, porém, que o problema da língua portuguesa seja mais vasto e mais fundo.

É mais vasto e mais fundo porque a questão da língua é de cultura e de vitalidade da cultura das massas; é de vitalidade cultural. Há necessidade de defender extrinsecamente uma língua quando ela não é suficientemente viva e dinâmica, quando ela não se defende por si através da desdobradora multivalência das suas formas, da procura e desenvolvimento de virtualidades novas que se vivifiquem e ao mesmo tempo a lancem num caminho de futuro e de tradição. Sem um sentido de futuro toda a tradição é morta e indigna, porque inútil. Uma língua defense-se a si própria crescendo e maturando-se.

Tal como tudo, uma língua que precisa que a defendam é porque não tem defesas próprias; e uma língua só tem defesas próprias quando cria raízes, isto é, tem consciência de si, se desenvolve e está viva. E a vitalidade de uma língua é um problema de consciência cultural, de individualidade cultural (...)

Antes mesmo deste problema andar na ordem do dia, há já algum tempo portanto, apareceu n’ A Capital um notável artigo de António José Saraiva em que, grande parte do problema, era visto e exposto com toda a clareza: «O Português vegeta exuberantemente, multiplica-se com uma sofreguidão animal, mas não se define e não se consciencializa, não assume a sua personalidade cultural».

A medida de uma consciência cultural dá-se ao nível da sua realização e da sua vivência. Só se assume aquilo de que se é consciente. Só se pode defender uma língua depois de a amarmos. E só se pode amar aquilo que existe verdadeira e vitalmente, que é original, dinâmico. E uma língua só é original e dinâmica quando cria os seus dinamismos e é lidada e tratada a nível de património.

Enquanto a escola continuar sendo uma mera campanha de alfabetização (fase que, felizmente, parece estar a ser ultrapassada) e o ensino dos liceus e das escolas técnicas continuar a estar vedado a uma grande parte, senão à maioria da população juvenil, e para a parte a que não está vedado, o ensino do português continuar a revestir o aspecto gramatical e árido, ou falsamente moralista que tem sido tradicional, o problema não pode mudar muito de feição. Nada há a fazer por uma língua se ela não é amada por toda uma população e não apenas por uma elite.

Não se pode conhecer nem amar, a um nível de nação, aquilo que só é ensinado a uma parte, e nem a esta da melhor maneira. Eis pois porque é preciso remodelar o ensino do português e estendê-lo a toda a população. Remodela-lo para o tornar vivo, dirigido no sentido de criar amor à língua, de criar o gosto pela leitura, através do texto, da declamação, da audição de poesia gravada ou lida, do exercício da dicção, de um verdadeiro estudo de sintaxe aplicada. E estendê-lo, para o tornar mais vivo, a toda a população através do livro barato e dos bons autores, das sessões públicas de divulgação a tentar conquistar as fábricas, os meios rurais e pequeno-burgueses.

Fazer isso, o que me parece ser o que há a fazer de imediato, é lançar as bases para a solução de todo o complexo problema que está por baixo e que é muito mais vasto. Com a tendência para o ensino gramatical e seco (...) como é o do nosso ensino médio (...) desapareceu quase completamente o verdadeiro gosto pela leitura. Sendo reduzido o geral gosto pela leitura, diminui imediatamente o comércio do livro, torna-se um produto sem sentido nem utilidade para grande parte da população. A leitura torna-se um gosto de elites, ou objecto de luxo para prateleira enfeitar.

Desgraçadamente os dois aspectos ligam-se, e isto porque, se o público é reduzido, as edições tornam-se pequenas, o que faz com que o livro fique caro para poder pagar a tipografia e os direitos de autor e o mais. Há imediatamente necessidade de justificar o preço com uma tendência para o luxo inútil das edições. Deste modo, uma pequena parte do público que lê livros, e que é a massa estudantil, acaba por pagar aquilo que lê por um preço feito para uma burguesia que, com certeza, não lê, ou lê pouco. Pagando caro o que não pode, compra menos, o que ainda agrava mais a questão. E deste modo a classe dos livreiros explora (ou vê-se forçada a explorar) uma massa que sente pesar sobre a sua bolsa a cultura como um grave prejuízo.

Tudo isto pela ausência de um público vasto a proporcionar grandes edições de bolso efectivamente acessíveis. É aqui que fundamentalmente é preciso actuar, a criação de uma vasta camada efectivamente apreciadora e consumidora de bons autores, com uma cultura linguística e estética de base. Ora, isto tem grandes implicações culturais, mas também, e não menos importantes, económicas. Até onde se poderá actuar com resultados?

Com um público restrito e edições pequenas, a classe dos escritores torna-se uma classe de deserdados em que só uns pouco conseguem um certo público e uma certa aceitação. Daqui até à psicologia do autor consagrado e do nome feito, como tal tantas vezes ameaçado de cristalização e de morte prematura, é um passo. Quer dizer, o ciclo natural do surgimento e da revelação de autores novos fica estrangulado, quer dizer ainda, a língua, também por este lado, não fica nas condições mais perfeitas para o seu desenvolvimento através de novas criações, novas formas, novas tentativa de conjugação e de superação, que são no fundo as condições de vitalidade e da defesa própria de uma língua.

Com o enfraquecimento da promoção de autores aumenta a descrença nas possibilidades literárias dos autores nacionais, realmente enfraquecido pelas condições exteriores, e abre-se a porta ao inculto parolismo de considerar a nossa literatura como somenos e de aceitar quantos autores estrangeiros apareçam. E eis por que a nossa actividade editorial está abarrotando de traduções, muitas de má qualidade e de autores muitas vezes secundários. E assim, como António José Saraiva dizia no citado artigo Mátria e Pátria, «em Lisboa traduz-se; em Coimbra conserva-se; o Porto consegue a custo manter a sua posição de capital do Portugal galego».

Isto é terrivelmente verdadeiro. Que é feito, em Coimbra, da actividade editorial de há vinte e tal anos? Nesta terra actualmente só quase se editam sebentas e manuais de Direito, para além, obviamente, de Miguel Torga. Nesta terra onde se revelaram autores como José Régio, Branquinho da Fonseca, Edmundo de Bettencourt, Vergílio Ferreira, Carlos de Oliveira, Fernando Namora, e tantos outros nomes, e movimentos como a Presença e o Neo-Realismo, já não tem escritores? Será que toda a gente se esqueceu disto? Sem literatura não há língua viva; sem público dificilmente há boa literatura. Para haver público é preciso haver cultura e consciência da unidade e vitalidade dessa cultura.

João Boavida

sábado, 31 de julho de 2010

Nomes próprios e apelidos

Comentários no meu post, “José Hermano Saraiva ‘versus’ José Saramago” (25/07/2010), sobre o apelido de pessoas com consoantes dobradas, sugerem-me este pequeno texto sobre nomes próprios que criam, por vezes, situações embaraçosas. Senão vejamos:

Uma Sofia ignorante? É uma questão de antonímia!

Ana é um doce nome de mulher. Perde a musicalidade com o casamento: senhora D. Ana. É uma questão de estado civil!

Uma feia Anabela, não se livra do comentário. “Anabela? Hum! Ana…feia! É uma questão de genética!

Minha Mãe teve uma amiga, de sua graça Felisbela que, de quando em quando, pondo os olhos em alvo, em longo e inconformado suspiro, dizia: “Bela não direi que não, agora feliz?!” Em boa verdade, era muito, mas mesmo muito, infeliz. Tanto como uma desgraçada nubente a quem o noivo foge, com a sua melhor e bela amiga, na véspera da boda. Mas essa não a sua desdita maior: era bem mais feia do que infeliz! Feia como as coisas feias. Apesar de tudo, tivera sorte. Ninguém se chama Infelizfeia! É uma questão de bom senso!

Há também aquela história verídica de um pai que à pergunta do funcionário da Conservatória do Registo Civil sobre o nome a registar à filha, respondeu: “Prante-lhe Ana”! E ela ficou “Prantelhana”. É uma questão de um regionalismo desconhecido do funcionário e de cacofonia!

Para terminar, agora, uma questão de apelido embaraçoso. Acerca de uma polémica, recordo-me de uma verrinosa resposta de Camilo a um literato brasileiro – cito de memória, sem garantir a exactidão dos nomes - que, de terras de Santa Cruz, encarregou alguém de Portugal de tirar um desforço físico do violento polemista de São Miguel de Seide. Sabedor do caso, respondeu Camilo no mesmo jornal: “O senhor António da Silva Filho deputa e delega no senhor fulano de tal a incumbência de me espancar". É uma questão de filiação!

Outros exemplo há, mas que normas da boa educação desaconselham a referência...

sábado, 26 de junho de 2010

O espectáculo do Absurdo

O Ensino do Português é um pequeno grande livro recentemente publicado e amplamente divulgado. A sua autora, Maria do Carmo Vieira, professora do Ensino Secundário, incapaz de se submeter ao "Absurdo" patente em muitas das actuais orientações para a educação escolar, apresenta e explora aquelas que mais impacto têm tido na aprendizagem do Português, não deixando de se deter, de modo muito lúcido, nas suas consequências...

Desse livro deixamos o seguinte extracto:

A “nova concepção de escola” que a reforma, implementada em 2003-2004, impôs, sem que houvesse um debate sério, e após anos de cauteloso e persistente trabalho, realizado pelo seus dinamizadores e apoiantes, é a representação meticulosa do espectáculo do Absurdo, sobre o fundo de cantos sedutores que atraem a Ignorância, para a Inércia e para a Preguiça de pensar, no desprezo pela educação da sensibilidade. Na base de teoria pedagógicas polémicas, já avaliadas e ultrapassadas, mas aceites acriticamente, se foi alicerçando o vício da facilidade, da ausência de reflexão e de criatividade, bem como a crença no êxito imediato e no esforço, em tudo contrário à experiência da própria vida, do saber e da arte.

O relato de um episódio que decorreu, no final da década de 80, na minha escola, mostra, com clareza, o raciocínio que iria determinar a imposição do discurso pedagógico hoje em voga. Foram os professores convocados, certo dia, para ouvir um grupo de colegas, destacados pelo Ministério da Educação, os quais na introdução feita, se apresentaram como mensageiros de uma “nova metodologia pedagógica”. Para ser mais explícito nos objectivos, um desses professores interpelou-nos: “Colegas, imaginem que estão numa sala de aula, o dia está radioso e um aluno, depois de olhar lá para fora, sugere que vão para o recreio jogar futebol. O que deveria fazer o professor?”

Perante o silêncio, resultante da estranheza, foi o colega que, impaciente, adiantou a resposta “Se eu fosse um professor tradicional, preocupado apenas em adiantar a matéria, contrariaria o aluno, dizendo-lhe que quando tocasse teria tempo de jogar futebol com os colegas. Pelo contrário, se fosse um professor compreensivo e atento aos aspectos pedagógicos aceitaria de bom grado a proposta, convidando a turma a participar nesse convívio tão necessário à aproximação professor-aluno”.

De forma muito espontânea pensei em voz alta"mas está tudo maluco", desabafo mal recebido pela falta de educação demonstrada, mas depressa desculpado por vir de alguém “certamente resistente à mudança”, nas palavras de um jovem professor ministerial. Iniciava-se assim a metodologia da facilidade e do lúdico pelo lúdico, bem como a atitude de ignorar o protesto.

As escolas que então optaram servilmente pela experimentação dessas inovações pedagógicas, descritas como verdades definitivas e incontornáveis, foram-nas integrando no seu quotidiano, numa aceitação acrítica e alheia às consequências. Nesse processo, pacientemente aguardado pelos seus mentores, que com subtileza o iam orientando, forma surgindo sugestões cuja concretização dependeria da “sensibilidade do professor”, expressão com que se procurou, de forma condescendente, atrair os dissidentes.

Referência completa: Vieira, M. C. (2010). O Ensino do Português. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, pp. 11-12.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O "sr." e o "Doutor"

Destaco da caixa de comentários ao post relativo ao programa "Plano Inclinado" com Guilherme Valente o seguinte do leitor Luís Neves:

"(...) Só um País subdesenvolvido como o nosso pode ter como Professores universitários consagrados pessoas como o sr. Medina Carreira, sr. Nuno Crato, e este inenarrável sr. Guilherme.
Dar crédito a qualquer uma das ideias deste trio de aposentados da razão, seria certamente o aniquilar de qualquer ideia de Futuro para Portugal e Abandonar a ideia de Escola Pública moderna.
Venha antes o Doutor Salazar ou Prof. Marcelo Caetano...
chiça... (...)"

E a resposta de Guilherme Valente:

"O meu Pai morreu quando eu tinha oito anos. Era advogado. A minha Mãe contava-me que quando era preso pela PIDE o tratavam por Sr. Valente, retirando o Dr., cujo uso era costume. Essa tentativa odiosa de humilhação ficou gravada a fogo na minha memória.

O meu nome é Guilherme Valente. Apenas. E um homem vale o que valerem os seus argumentos."

Luís Neves, que trata o editor da Gradiva por "sr. Guilherme" e o ex-presidente do conselho de ministros por "Doutor Salazar", é, ele próprio o confessa, um saudosista do Estado Novo. Hoje, porque há liberdade de expressão, pode dizer o que quiser, o que não acontecia antigamente. Mas convém realçar uma diferença importante entre os esbirros da PIDE e os saudosos dela: os primeiros tinham um rosto, os segundos nem isso.

Prova de aferição do 4.º ano (Excerto)

Parte da prova de aferição de Língua Portuguesa do 1.º ciclo do ensino básico:

"Lê a seguinte descrição de uma experiência.

A FORÇA DA GRAVIDADE

A força da gravidade puxa todos os objectos na vertical, para baixo, em direcção ao centro da Terra. Podes perguntar: e então a Lua não está sujeita à força da gravidade? Sim, claro que está. Mas então porque é que a Lua não cai sobre a Terra?

Para descobrires porque é que a Lua não cai, vais fazer uma experiência bastante engraçada. Vais fazer girar um copo com feijões, sem que os feijões caiam!

Para isso, tens de abrir dois buracos na boca de um copo de plástico e passar por eles um fio, de modo a fazeres uma asa (como se fosse um pequeno balde). Deita uma mão cheia de feijões no copo e, agarrando pela asa, põe o copo a girar. Os feijões caem durante o movimento?

Da mesma maneira que os feijões não caem quando pões o copo a girar, também a Lua não cai. Tal como o copo, a Lua não está parada: ela gira em volta da Terra, demorando 27 dias (ou melhor, 27 dias, 7 horas e 43 minutos) a dar uma volta completa. Sabes a que velocidade a Lua se move em torno da Terra? Move-se a quase 4000 km por hora!

Constança Providência, Nuno Crato, Manuel Paiva, Carlos Fiolhais, Ciência a Brincar 4: Descobre o Céu!, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2005 (texto adaptado).

7. Faz a lista do material referido no texto como necessário à realização da experiência descrita.
_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________________________________

8. Ordena, de 1 a 5, de acordo com o texto, as fases da experiência descrita. Repara que a primeira fase já está numerada.

Deitar uma mão cheia de feijões no copo.
1. Abrir dois buracos na boca de um copo de plástico.
Agarrar o copo pela asa.
Passar um fio pelos buracos, para fazer uma asa.
Pôr o copo a girar.

9. Assinala com X a opção que permite completar a afirmação, de acordo com o sentido do texto.

A Lua e os feijões da experiência não caem,
porque estão bem amarrados.
dão voltas incompletas.
giram à mesma velocidade.
estão em movimento.

10. Lê alguns dos conteúdos e dos títulos que fazem parte do livro de onde foi retirada a descrição da experiência apresentada.Associa cada um dos conteúdos ao respectivo título. Segue o exemplo.

CONTEÚDOS
1 Gratidão dos autores pela ajuda e colaboração que receberam.
Descrição de uma experiência sobre a força da gravidade.
Apresentação dos assuntos abordados ao longo do livro.

TÍTULOS
1 Agradecimentos
2 Introdução
3 Quantas estrelas há no céu?
4 Porque é que a Lua tem manchas?
5 Porque é que a Lua não cai?"

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Não ao acordo ortográfico

De uma professora de Língua Portuguesa, de muito mérito e uma lutadora incansável por causas em que acredita, a Dr.ª Maria do Carmo Vieira, transcrevo uma carta publicada hoje no Público, com o título em epígrafe.

A satisfação do pedido que nela faz, é o mínimo que todos nós, aqueles que com ela concordamos, podemos fazer em prol de uma das causas pelas quais se tem batido com a fibra de “antes quebrar do que torcer”: a qualidade do ensino. Reza a carta:

“Parece quase uma fatalidade comportamental não acreditarmos que a persistência em qualquer luta deve manter-se, enquanto os seus objectivos não forem atingidos. Nunca supusemos, por exemplo, que o que suavemente se preparava em matéria de pedagogia, na década de 80, raiando o ridículo e o absurdo, acabaria por se impor no ensino. Quando quisemos reagir de modo mais consistente, já era tarde demais. Felizmente, e como é natural no ser humano, a vontade de agir sobreveio e a luta pela qualidade do ensino recomeçou. Situação semelhante vivemos com o Acordo Ortográfico de 1990, urdido por um grupo de linguistas portugueses e brasileiros, indiferentes às críticas dos seus pares e à opinião dos falantes. Ainda que tenha surgido uma petição muito participada e entregue na AR, subscrita por 32.000 cidadãos, e que a Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, no relatório emitido (08.04.09), lembrasse que ‘as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em de conta, do ponto de vista técnico e político, a curto e médio prazo’, a recomendação não obteve qualquer resultado prático.

É certo que podemos insurgir-nos contra este paternalismo democrático, que a todo o momento reclama por cidadania, mas encara os cidadãos como crianças a quem se deve dar a oportunidade de ‘brincar ao faz de conta’, mas convenhamos que fomos nós próprios os culpados porquanto desistimos de uma luta convicta. Felizmente, reacendeu-se através de publicações (o linguista António Emiliano, ou Francisco Miguel Valada), e da Iniciativa Legislativa de Cidadãos, com força de projecto de lei, uma ideia que se deve a um dos assinantes da petição, João Pedro Graça. Sendo a ILC já uma realidade, cujo texto e documentação para recolha de assinaturas pode ser consultado em ‘http://ilcao.cedilha.net’, apelamos a quem não concorda com este Acordo Ortográfico que assine e recolha assinaturas, pois serão necessárias 35.000 em papel, de acordo com a lei. Simultaneamente, haverá sessões de debate, a primeira das quais a 24 de Abril, na Voz do Operário, pelas 21h30.”

quinta-feira, 15 de abril de 2010

SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO

Post convidado de Maria do Carmo Vieira:

Passando por Lisboa, em Abril de 1952, com destino a Paris, para assistir às comemorações em homenagem a Victor Hugo, e questionado por um repórter do «Diário de Lisboa», cuja entrevista foi reproduzida em alguns jornais brasileiros da época, Graciliano Ramos, o autor de Vidas Secas, Angústia ou Memórias do Cárcere, entre muitas outras obras, afirmou: "Portugal e Brasil são um todo, tão juntos, tão irmanados que penso ninguém pode cortar o cordão umbilical que os une... A nossa língua é a língua portuguesa. Quiseram um dia criar, artificialmente, a língua brasileira... Disparate. [...] Estamos aqui a falar português, e não brasileiro e português, não é verdade? [1]

Hoje, questionamo-nos sobre como, ingenuamente, sem uma luta consistente e duradoura, deixámos progredir uma aventura «cozinhada» por um grupo de linguistas, portugueses e brasileiros, arvorados em «donos da língua» portuguesa. Refiro-me obviamente ao Acordo Ortográfico (AO) de 1990 e à cumplicidade de encontros sem discussão pública, numa ostensiva indiferença à reacção crítica dos seus pares, destacando-se, entre muitos outros, o nome do linguista António Emiliano, com três livros publicados contra este AO, e dos próprios falantes.

Raiando o absurdo, ficámos a saber que houve linguistas brasileiros, «os mais radicais», que propuseram a substituição de «língua portuguesa» por «língua brasileira» atendendo, entre outras situações, à grandeza do número de habitantes. A propósito deste último argumento, tão caro também ao ex-Ministro da Cultura, citaria as palavras eloquentes de Francisco Miguel Valada [2], salientando que a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) «não existiria sem a língua portuguesa» ou que «A partir do momento em que pensarmos a língua exclusivamente em termos de dimensão populacional, área territorial ou poder económico, abriremos as portas para a justificação da adopção de qualquer instrumento técnico, independentemente da sua péssima qualidade».

Por detrás da bizarra e artificial «evolução da língua» por decreto, ou da pretensa preocupação em facilitar a compreensão, preconizando a uniformidade, escondem-se mal disfarçadas, estratégias político-económicas, em favor do Brasil, o elo mais forte, na perspectiva da dimensão populacional, ostensivamente invocada. Daí o não cumprimento do estabelecido, na pressa da entrada em vigor do Acordo, aceitando-se como natural a sua ratificação apenas por três dos oito países que integram a CPLP (Portugal, Brasil e Cabo-Verde), e excluindo-se à boa maneira colonizadora os restantes. Uma situação característica de jogos de interesses manipulados pelo mais forte, aquele que tem uma «maior capacidade de actuação», o que é intolerável quando o elemento preponderante da jogada constitui um património colectivo.

Um dos argumentos esfarrapados com que nos brindaram foi o facto de em traduções, sobretudo a nível da UE, poderem surgir equívocos na compreensão de algumas palavras, como se escrever «adoção» à maneira brasileira ou «adopção» à maneira portuguesa dificultasse o seu entendimento. Paradoxalmente, o problema já não se coloca se, no cumprimento do estabelecido pelo AO, os brasileiros escreverem «recepção» porque pronunciam o «p» e os portugueses «receção» porque o não pronunciam.

Na lógica subjacente à elaboração deste Acordo (escrever como se pronuncia), não deixa de ser extraordinário que o Professor Carlos Reis, um dos seus mais fervorosos apoiantes, contrarie agora (o Acordo entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2010) aquilo que então defendeu. Assim, encontramos no texto que publicou no último JL, a propósito do V Congresso Internacional da Língua Espanhola, «objecto», «susceptível», «sectores», «projectos», várias vezes «acção», palavras que assim escritas testemunham efectivamente a sua história etimológica, remetendo para a sugestiva frase de Bernardo Soares, no seu Livro do Desassossego, «A ortographia também é gente».

Em suma, o Acordo Ortográfico de 1990 «não veio resolver problema algum, já que nunca se verificou a mais ínfima dificuldade decorrente da existência de duas grafias oficiais da Língua Portuguesa», e o grupo de trabalho que o elaborou não só não teve em conta «a opinião da população em geral […] soberanamente desprezada», como ignorou «todos os pareceres das diversas entidades que sem qualquer hesitação condenaram o Acordo, no espírito, na forma e no conteúdo» [3]. Também no seguimento da petição entregue na Assembleia da República, subscrita por 32.000 cidadãos, a Comissão de Ética, Sociedade e Cultura emitiu um relatório (8.04.09), lembrando que «as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em conta, do ponto de vista técnico e político, a curto e a médio prazo», recomendação que, aliás, não teve qualquer efeito prático.

João Pedro Graça, tradutor, não resignado com a situação, lançou a ideia, e nela persistiu, de concretizar uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC), com força de projecto de lei, no intuito de pedir a suspensão da resolução da Assembleia da República nº 35/2008 relativa à aprovação do AO. E porque para a Assembleia da República aceitar discutir a ILC são necessárias 35.000 assinaturas, fica o apelo a todos os que se opõem ao Acordo Ortográfico que consultem o endereço electrónico http://ilcao.cedilha.net , onde poderão encontrar o texto da Iniciativa Legislativa, bem como documentação relativa ao modo de assinar e de recolher assinaturas.

Maria do Carmo Vieira

NOTAS

[1] «Prefácio» de João Alves das Neves in Graciliano Ramos (colecção «Antologia do Conto Moderno»).Coimbra, Atlântida, 1963.

[2] «O Acordo Ortográfico e o Sistema Solar», in Público de 3 de Abril de 2010. É também autor de Demanda, Deriva, Desastre – os três dês do Acordo Ortográfico. (Textiverso, 2009)
[3] Extractos retirados do texto da ILC.

sábado, 27 de março de 2010

Os apagadores de palavras

Novo texto de João Boavida, antes publicado no diário As Beiras.

Os jovens, e não só, hoje, inventam palavras para reduzir o dicionário. Que já não sabem o que seja mas de que têm alguma memória pelo que ouvem a avós e outros caretas de igual antiguidade. Esforçam-se bastante a inventá-las para não terem que se esforçar a aprender as já inventadas, numa criatividade autófaga, que vai comendo as raízes à própria criação. E assim vivem cada vez mais de subentendidos, contribuindo para que as nossas capacidades intelectuais sejam cada vez menos.

Curioso fenómeno de contra-cultura, que a cultura deixou criar e que, estando em processo de aceitação geral, fará do pensar - tarefa já penosa para tantos - um penar para todos e uma pena enorme para Portugal inteiro.

Mas como há autores que insistem no trabalho inverso de criar palavras novas, será interessante ver quem vencerá. Um dia haverá - talvez ainda - estudos sobre os resultados desta guerra entre os que precisam sempre de mais palavras e os que precisam cada vez mais de menos.

Porque há autores com o hábito das palavras nascidas ou renascidas. Mia Couto é um deles, inventa-as a toda a hora, e com um olhar inocente que irritaria os que todos os dias as apagam do falar. Se o lessem, claro. Aquilino Ribeiro e o brasileiro Guimarães Rosa também tinham essa mania. Iam ao mais recôndito do dicionário e traziam de lá, para a luz do dia, palavras inesperadas, belas e antigas. Outras vezes inventavam-nas. Irritando mesmo os que, ainda hoje, usam o dicionário «com mão diurna e nocturna», como dizia o nosso Herculano. Porque não se lêem duas páginas deles sem dar de caras com termos que carecem de consulta. E pior ainda: que nem sempre do dicionário constam. São regionalismos, ou inovações para traduzir uma ideia, expressar uma imagem que as palavras conhecidas não dão, ou não conseguem traduzir naquele matiz, ou para aquele pensamento. Porque, por vezes, uma ideia, uma força de sentimento ou uma intuição precisam de inventar palavras. Os Quatro sonetos a Afrodite Anadiómena, de Jorge de Sena, (Pandemos, Anósia, Urânia e Amátia) são um bom exemplo de palavras que não são nada e são tudo: sem significado conhecido ressoam com a força invisível de um magma das profundezas. Assim se enriquece a língua, e o pensamento que puxa por ela e por ela é puxado. Assim se torna mais inteligente um povo. Voltemos pois aos textos mais ricos e mais fortes, os que nos elevam e engrandecem, caros professores de Português. Os jovens, refilando embora, um dia agradecerão. De outro modo, nem isso ou assim nem de forma nenhuma.

terça-feira, 16 de março de 2010

Assim é que é Falar!

Assim é que é falar! 201 Perguntas, Respostas e Regras sobre o Português Falado e Escrito, da autoria de Maria Regina de Matos Rocha (também coord.), Maria João Casanova de Matos e Sandra Duarte Tavares, é uma obra em que se formulam perguntas que traduzem algumas das dúvidas mais frequentes de língua portuguesa. Juntamente com as respectivas respostas, enunciam-se regras, que, mantendo o rigor terminológico, apresentam uma linguagem acessível ao leitor não especializado.

• A palavra acordos pronuncia-se com o aberto, ou o fechado? Porquê?
• A palavra presidente tem feminino?
• Avenida Costa Simões ou Avenida de Costa Simões? Porquê?
• Arrendam-se apartamentos e alugam-se carros. Mas, porquê?
• Quando se exprime quantidade, devemos escrever demais, ou de mais?
• «Um dos que leram este livro…»? Ou «um dos que leu»?
• Há vírgulas obrigatórias, facultativas e proibidas?
• Afinal, quem é que deve agradecer dizendo obrigado? E obrigada?

«Precisaremos seguramente deste Assim é que é falar!, se pensarmos que bem falar e bem escrever são provas de respeito pelo nosso património (a língua é um bem patrimonial) e de afirmação de bom gosto. E assim trataremos a língua como quem faz a sua higiene pessoal ou se preocupa em vestir com elegância, mesmo que discreta. Sim, porque a língua também é gente...» Carlos Reis in Prefácio.

A obra será apresentada pelo Prof. Doutor Carlos Reis na Casa Municipal da Cultura de Coimbra na próxima quinta-feira, dia 18 de Março, pelas 18h30m.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

EM BUSCA DO CÉU QUE PERDEMOS


Informação recebida do Museu da Ciência da UC:

Equipa que, há um ano, partiu à descoberta do "céu dos nossos avós" vai revelar ao público os resultados de um projecto que já cativou parceiros um pouco por todo o mundo.

Como era o céu, antes de a Ciência moldar a forma como olhamos para ele? Uma equipa coordenada pelo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) e pelo Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT, Universidade Nova de Lisboa) partiu há um ano em busca do "céu dos nossos avós" e vai agora partilhar com o público o resultado da sua expedição pelos saberes do antigamente. A sessão terá lugar no dia 26 de Janeiro às 15 horas no Museu da Ciência da UC. A entrada é livre.

“Quando a lua tem um aro à volta no fim de três dias chove, ou se o mocho real levantar do Tejo e começar a cantar pelos altos, no fim de três dias chove, ou se no dia em que as ovelhas são batidas à tesoura, se ficarem deitadas muito tempo, no dia a seguir chove. Quem me ensinou isto foi o meu pai”. O depoimento do pastor Rui Sanches, do Rosmaninhal, é um dos muitos testemunhos recolhidos pelos parceiros do projecto "O Céu dos Nossos Avós", que de Norte a Sul do país procurou recolher os saberes ancestrais sobre o Universo.

Ao longo de um ano de recolha de depoimentos pessoais, contos, lendas, cantos, poesia e provérbios, a equipa coordenada pelo Museu da Ciência e pelo IELT revisitou um céu em vias de extinção: o céu que os nossos antepassados viam, a forma como o interpretavam com a ajuda dos saberes transmitidos de geração em geração. "Mesmo nos centros urbanos há ocultas convicções e referências (lexicais, por exemplo) a sol, céu, planetas sem que nelas se repare e sem nos apercebermos. Tanto mais que o céu nem sequer é visto...", revela Ana Paula Guimarães, do IELT.

Como é que em Portugal líamos o céu antes da Ciência nos dizer como devemos fazê-lo? Como é que um pastor sabia as horas sem precisar de recorrer a um relógio? O que é que os mais antigos faziam para prever o tempo? Que rituais ligados aos astros existiam e quais deles ainda persistem? Estas são algumas das questões para as quais os parceiros do projecto "O Céu dos Nossos Avós", integrado nas celebrações do Ano Internacional da Astronomia, procuraram e encontraram respostas, por vezes surpreendentes.

"O principal objectivo foi de facto alcançado. Temos agora uma rede de contactos que nos levam junto de populações muito diversas, algumas muito isoladas, como é o caso, por exemplo, das famílias de pastores da Beira Baixa, com quem o Núcleo de Pastorícia do Fundão trabalha de perto, tendo produzido o filme 'O Rebanho das Estrelas'", avança Carlota Simões, do Museu da Ciência da UC.

"O Rebanho das Estrelas" é, de resto, um dos principais protagonistas da sessão de apresentação pública do projecto "O Céu dos Nossos Avós", que tem cativado parceiros por todo o mundo, desde Portugal à Índia, passando pelos Estados Unidos e pelo Brasil.

Mas a recolha só agora começou. "Agora que chegámos às populações mais isoladas, vamos continuar a fazer recolhas de conhecimento tradicional, e um novo tema será lançado para 2010 no dia 26 de Janeiro, lançando um novo desafio a todos os nossos parceiros. Os textos obtidos serão posteriormente estudados por especialistas do IELT, e o material áudio e vídeo fará parte do site Memoria Media (http://www.memoriamedia.net/), cujo objectivo é precisamente preservar e disponibilizar a todos o nosso património cultural", revela Carlota Simões.

Os índios das marés

O Brasil, por intermédio de especialistas do Museu da Amazónia e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi um dos colaboradores mais activos do projecto, dinamizado pelo Museu da Ciência com a colaboração do IELT.

Do outro lado do Atlântico, o investigador Germano Afonso tem descoberto junto das populações indígenas da Amazónia factos surpreendentes sobre os conhecimentos astronómicos dos nossos antepassados. Por exemplo, percebeu que "muito antes da Teoria de Galileu, que não considerava a Lua, os indígenas que habitavam o Brasil já sabiam que ela é a principal causadora das marés".

"Em 1632, Galileu Galilei publicou o livro 'Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo; ptolomaico e copernicano', onde afirmava que a principal causa do fenómeno das marés seriam os dois movimentos circulares da Terra: desconsiderando a influência da Lua. Em 1612, o missionário capuchinho francês Claude d’Abbeville passou quatro meses entre os Tupinambá do Maranhão, da família tupi-guarani, localizados perto da Linha do Equador. No seu livro “Histoire de la mission de pères capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines”, publicado em Paris dezoito anos antes do livro de Galileu, d’Abbeville escreveu: 'Os Tupinambá atribuem à Lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois'", revela o especialista do Museu da Amazónia.

"Somente em 1687, setenta e três anos após a publicação de d’Abbeville, Isaac Newton demonstrou que a causa das marés é a atracção gravitacional do Sol e, principalmente, da Lua sobre a superfície da Terra", sublinha Germano Afonso, doutorado em Astronomia pela Universidade Pierre et Marie Curie, em Paris.

"O que achei mais interessante e me incentivou a pesquisar a Etnoastronomia Indígena foi verificar que localizei com os Guarani do Sul do Brasil a maioria das constelações dos extintos Tupinambás descritas por d’Abbeville, embora essas duas etnias pertencentes à mesma família Tupi-Guarani, sejam separadas por cerca de 400 anos no tempo e 3.000 quilómetros na distância", explica.

Segundo Germano Afonso, que estará presente na sessão do Museu da Ciência via Skype, os indígenas também observavam os movimentos aparentes do Sol para determinar, o meio dia solar, os pontos cardeais e as estações do ano utilizando o Gnômon, que consiste de uma haste cravada verticalmente no solo, da qual se observa a sombra projectada pelo Sol, sobre um terreno horizontal. "Ele é um dos mais simples e antigos instrumentos de Astronomia", revela.

Mais infomações sobre "O Céu dos Nossos Avós" poderão ser encontradas no site do Museu da Ciência da UC.

Criado a partir da ideia original do astrónomo Guilherme de Almeida, "O Céu dos Nossos Avós" é organizado pelo Museu da Ciência da UC e pelo IELT com a colaboração da Associação Cultural Camaleão, do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra, PédeXumbo, Instituto de Educação e Cidadania, Núcleo Museológico da Pastorícia do Fundão, Movimento de Animação Cultural Arte Popular Ibérica (MACAPI), Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, Universidades Seniores da Nazaré e de Celorico de Basto, Município de Idanha-a-Nova, Teatro Municipal da Guarda, Sindicato dos Trabalhadores Têxteis e da ACAIS - Associação do Centro de Apoio aos Idosos Sanjoanenses.

Organização:

- Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
- Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Universidade Nova de Lisboa

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

"O VERBO FOR", DE JOÃO UBALDO RIBEIRO

Um dos nossos leitores enviou-nos esta saborosa crónica de João Ubaldo Ribeiro (na foto), sobre o ensino da língua portuguesa, Prémio Camões de 2008. Foi no Brasil, mas podia ter sido em Portugal. A crónica foi publicada no jornal "O Globo" (e noutros jornais) na edição de 13 de setembro de 1998 (domingo) e integra o livro "O Conselheiro Come", Edição Nova Fronteira, 2000, p. 20.

"Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. Somos uma força histórica de grande valor. Se não agíssemos com o vigor necessário — evidentemente o condizente com a nossa condição provecta —, tudo sairia fora de controle, mais do que já está. O vestibular, é claro, jamais voltará ao que era outrora e talvez até desapareça, mas julgo necessário falar do antigo às novas gerações e lembrá-lo às minhas coevas (ao dicionário outra vez; domingo, dia de exercício).

O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês e sociologia, sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Tudo escrito tão ruybarbosianamente quanto possível, com citações decoradas, preferivelmente. Os textos em latim eram As Catilinárias ou a Eneida, dos quais até hoje sei o comecinho.

Havia provas escritas e orais. A escrita já dava nervosismo, da oral muitos nunca se recuperaram inteiramente, pela vida afora. Tirava-se o ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o martírio, insuperável por qualquer esporte radical desta juventude de hoje. A oral de latim era particularmente espetacular, porque se juntava uma multidão, para assistir à performance do saudoso mestre de Direito Romano Evandro Baltazar de Silveira. Franzino, sempre de colete e olhar vulpino (dicionário, dicionário), o mestre não perdoava.

— Traduza aí quousque tandem, Catilina, patientia nostra — dizia ele ao entanguido vestibulando.

— "Catilina, quanta paciência tens?" — retrucava o infeliz.

Era o bastante para o mestre se levantar, pôr as mãos sobre o estômago, olhar para a platéia como quem pede solidariedade e dar uma carreirinha em direção à porta da sala.

— Ai, minha barriga! — exclamava ele. — Deus, oh Deus, que fiz eu para ouvir tamanha asnice? Que pecados cometi, que ofensas Vos dirigi? Salvai essa alma de alimária. Senhor meu Pai!

Pode-se imaginar o resto do exame. Um amigo meu, que por sinal passou, chegou a enfiar, sem sentir, as unhas nas palmas das mãos, quando o mestre sentiu duas dores de barriga seguidas, na sua prova oral. Comigo, a coisa foi um pouco melhor, eu falava um latinzinho e ele me deu seis, nota do mais alto coturno em seu elenco.

O maior público das provas orais era o que já tinha ouvido falar alguma coisa do candidato e vinha vê-lo "dar um show". Eu dei show de português e inglês. O de português até que foi moleza, em certo sentido. O professor José Lima, de pé e tomando um cafezinho, me dirigiu as seguintes palavras aladas:

— Dou-lhe dez, se o senhor me disser qual é o sujeito da primeira oração do Hino Nacional!

— As margens plácidas — respondi instantaneamente e o mestre quase deixa cair a xícara.

— Por que não é indeterminado, "ouviram, etc."?

— Porque o "as" de "as margens plácidas" não é craseado. Quem ouviu foram as margens plácidas. É uma anástrofe, entre as muitas que existem no hino. "Nem teme quem te adora a própria morte": sujeito: "quem te adora." Se pusermos na ordem direta...

— Chega! — berrou ele. — Dez! Vá para a glória! A Bahia será sempre a Bahia!

Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. Uma bela vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. Mandava-se o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante. Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a responder nada. Então, eu, carrasco fictício, peguei no texto uma frase em que a palavra "for" tanto podia ser do verbo "ser" quanto do verbo "ir". Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.

— Esse "for" aí, que verbo é esse?

Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.

— Verbo for.

— Verbo o quê?

— Verbo for.

— Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.

— Eu fonho, tu fões, ele fõe - recitou ele, impávido. — Nós fomos, vós fondes, eles fõem.

Não, dessa vez ele não passou. Mas, se perseverou, deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica, ou ainda aposentado como marajá, ou as três coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais divertido do que hoje e, nos dias que correm, devidamente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. Eu tampouco fonho. Mas ele fõe."

João Ubaldo Ribeiro

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

UMA IDEIA PARA PORTUGAL


O jornal "I" pediu-me que indicasse uma "Ideia para Portugal" e dei esta, que foi hoje publicada:

"Fala-se muito da defesa da língua portuguesa, mas a verdade é que pouco se faz por isso. Que tal, numa acção concertada, colocar na Web o conteúdo integral de todos os livros em língua portuguesa que estejam no domínio público? Porque não andar com o Camilo e com o Eça no bolso, bastando pressionar numa tecla do telemóvel para os contactar?"

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Descubra os ERROS!



Parece que a "Face Oculta" está para durar. Mas não era sobre isso que queria falar. Queria só que jogassem comigo ao "descubra os erros".

Armando Vara enviou um carta ao conselho superior de supervisão do BCP pedindo "suspenção"/suspensão dos seus mandatos no banco. Mas teve o cuidado de dizer: é uma "suspenção"/suspensão e não uma "renuncia"/renúncia, pois isso poderia ser interpretado como "assumpção"/assunção* de culpa.

Veja a carta aqui e descubra os erros de ortografia do administrador do BCP que pelos vistos também suspendeu o Português.

:-(

É a vida.

Isto faz-me lembrar um livrinho muito engraçado que ofereci há dias à minha filha mais nova (a Beatriz de 7 anos). Intitula-se "A menina que não gostava de livros", da autoria de uma senhora indiana a viver no Canadá (Manjusha Pawagi). Muito interessante, fácil de ler e que incentiva a ler. Pode custar no início, como ao gato Max que ficou marcado na cauda com a forma de um grande livro que lhe caiu em cima :-) Mas ajuda pela vida fora, e é uma enorme fonte de prazer.

De vez em quando ofereça um livro ao seu filho(a). E leia-o com ele(a), substituindo algum do tempo em frente à televisão. Vai fazer toda a diferença.

*assumpção é uma variante de assunção

quarta-feira, 15 de julho de 2009

PORTUGUÊS E MATEMÁTICA

A opinião de Jorge Buescu no jornal "I "de 14 de Julho a propósito dos exames nacionais de Português e Matemática:

"Sem o domínio perfeito da língua materna é impossível o rigor na comunicação, na expressão oral e escrita. Muitas vezes, no ensino superior e na vida profissional, parte substancial dos problemas reside na deficiente compreensão de um texto. Um mau domínio da língua materna corresponde hoje a uma disfunção intelectual. A matemática desempenha o papel correspondente na estruturação do pensamento abstracto e do rigor lógico. É ainda a linguagem universal da Ciência e da Tecnologia. Hoje não é possível sequer formular ideias com um mínimo de sofisticação científica ou técnica sem o recurso à Matemática".

Jorge Buescu

quarta-feira, 22 de abril de 2009

CAMÕES, O CÉU E A TERRA


Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra (no quadro "Camões na gruta de Macau" de Francisco Augusto Metrass):

Camões transformou a geografia de lugares exóticos como as ilhas Maldivas e inculcou no imaginário português territórios paradisíacos como as Seychelles ou as ilhas do Caribe. Geração após geração, Camões continua a imortalizar o fascínio insular e a determinar a forma como viajamos. Os investigadores João Luís Fernandes e Isabel Almeida vão estar no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) para explorar as "Novas Terras" do poeta d'Os Lusíadas. A sessão decorre no dia 29 de Abril às 16 horas. A entrada é livre.

"A visão camoniana antecede a actual percepção da ilha enquanto lugar de atracção, enquanto Éden e território de sedução e enquanto espaço de centralidade turística. A visão camoniana mudou a geografia de lugares como as Maldivas e enriqueceu o imaginário colectivo com territórios paradisíacos como as Seychelles ou as ilhas do Caribe",
avança João Luís Fernandes, especialista em Geografia da Universidade de Coimbra.

Organizada pelo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) e pelo Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos (CIEC), a conferência "Novas Terras" é a primeira das três sessões do ciclo "Camões, o Céu e a Terra", dedicado à Ciência na obra de Luís de Camões.

"Vai ser um ciclo verdadeiramente surpreendente. Pelos temas escolhidos, pelo contraponto de perspectivas entre investigadores das ciências exactas e especialistas em Literatura, vão ser certamente conferências cativantes tanto para o público em geral como para audiências especializadas", garante o coordenador científico do CIEC, José Carlos Seabra Pereira.

Na sessão "Novas Terras", o geógrafo João Luís Fernandes explorará o modo como Camões mudou para sempre o imaginário turístico, o marketing e a paisagem cultural portuguesa. A par desta reflexão, o investigador fará ainda uma breve incursão pela geografia de Portugal e do mundo na época de Camões.

Professor de Geografia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, João Luís Fernandes é especialista em Geografia do Turismo e Geografia de Portugal e das comunidades de expressão portuguesa.

Na mesma conferência, Isabel Almeida, especialista em Literatura Portuguesa da Universidade de Lisboa, vai explorar a simbologia por detrás dos espaços da obra de Camões. "A Geografia e a poesia articularam-se? Como entra a Geografia n'Os Lusíadas? Explorando estas questões, seremos levados a notar que, na época camoniana, o "debuxo dos lugares" faz parte de uma intensa reflexão sobre possibilidades de conhecimento, comportamentos humanos e desejos de plenitude", explica a investigadora.

Isabel Almeida é professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e membro do CIEC. Estuda Literatura Portuguesa dos séculos XVI e XVII, com destaque para Camões e para o Padre António Vieira.

Integrado nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009) e dos duzentos anos do nascimento de Darwin e da publicação da sua obra mais influente, "A Origem das Espécies", o ciclo "Camões, o Céu e a Terra" prossegue a 21 de Maio com uma sessão dedicada aos "Novos Céus" de Camões. A investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia Carlota Simões e o professor de Literatura da Universidade Católica Portuguesa Luís Silva Pereira são os convidados de uma sessão dedicada à Astronomia camoniana.

As sessões sobre a Ciência em Camões terminam a 24 de Junho com as "Novas Gentes" da obra do poeta d'Os Lusíadas. A conferência sobre a importância da Antropologia na obra camoniana contará com a presença do antropólogo social Luís Quintais e do coordenador científico do CIEC, José Carlos Seabra Pereira.

Ciclo CAMÕES, O CÉU E A TERRA

29 de Abril: novas terras, 16.00, João Luís Fernandes (FLUC) e Isabel Almeida (FLUL)
21 de Maio: novos céus 16.00 Carlota Simões (FCTUC) e Luís Silva Pereira (UCP)
24 de Junho: novas gentes 16.00 Luís Quintais (FCTUC) e José Carlos Seabra Pereira (FLUC)

Organização:
Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos

segunda-feira, 23 de março de 2009

Alguns deslizes de linguagem

Aos longo do tempo, Cristóvão de Aguiar foi apontando, presumo, em papéis soltos, cadernos de notas e, quem sabe, contra-capas de livros, os mais diversos tipos de erros de português que, com frequência, surgem em anúncios, jornais, televisão, rádio, conversas... Um dia decidiu reunir alguns desses erros, comentá-los, corrigi-los e explicar a forma correcta de dizer e/ou de escrever. Vários erros têm direito a história... E assim nasceu o livro Charlas sobre a Língua Portuguesa: Alguns deslizes mais comuns de linguagem, que a Almedina acaba de editar.

Numa prosa muito clara e didáctica, misturada com bom humor, o escritor açoriano, que também foi durante muitos anos leitor de Inglês na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, dá um contributo para que o comum dos mortais que usa o português melhore a sua competência linguística.

Em Coimbra, a apresentação da obra será na próxima quarta-feira, dia 25 de Março, pelas 18h30, na Livraria Almedina-Estádio Cidade de Coimbra e está a cargo de Regina Rocha, linguista e professora de Português, co-autora de um livro com o mesmo propósito do de Cristovão de Aguiar e que se intitula Cuidado com a Língua!