A captação de imagens em vídeo, por alunos, duma sala de aula em rebuliço que foi recentemente divulgada na comunicação social, sugere-me três comentários.
1.º Ao contrário do que possa parecer, essas imagens não retratam fielmente a realidade quotidiana da turma em questão. E isto porque os alunos que filmaram e os que sabiam que estava a ser feita uma filmagem, provocaram ou acentuaram a destabilização para que o seu impacto fosse maior quando mostrada no exterior.
2.º Assim, a compreensão do que se passou exige uma análise objectiva e detalhada pelo que qualquer juízo que se faça do exterior é necessariamente conjectural. No entanto, arrisco dizer que vi ali a representação do estado do ensino: quando as circunstâncias são adversas não existe grande possibilidade de (só) um professor fazer o que quer que seja para as modificar.
Vi uma professora que, como tantos colegas de ofício, parece ter desistido dos alunos, porque não lhes resta mais nada a não ser desistir. Lutar contra orientações sem sentido, burocracias paralisantes, solicitações descabidas, imposições cegas, pressões inimagináveis cansa. Mas talvez o que mais canse, o que mais corroa, seja a solidão.
A quem é que um professor pode dizer que não consegue controlar os alunos, que não consegue que eles aprendam? A quem é que pode pedir ajuda? E para quê? Não, ninguém o irá ajudar. Em última instância, será julgado (e, talvez, avaliado) como “aquele que não consegue”. Ser professor sempre foi uma profissão de silêncio e de silêncios consentidos, que em certos momentos se levam ao extremo. Penso que estamos num desses momentos.
3.º Isto ainda que a direcção da escola em causa tenha vindo a público mostrar o seu apoio à professora. E bem. Mesmo que, estranhamente, o representasse dessa direcção tivesse afirmado desconhecer-se a situação (que nada faz crer que fosse pontual), reconheceu que existe um problema e que o problema é da escola. Claro que é, em primeiro lugar, da escola, e do sistema educativo, e da sociedade. Enquanto isso não for claro para toda a gente é escusado falar-se em responsabilidade pela educação.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
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