segunda-feira, 7 de setembro de 2026

UM CAMINHO CURRICULAR PARA A FORMAÇÃO HUMANISTA?

Entenda-se este texto não como um elogio acrítico a uma nova escola de iniciativa privada, mas como uma reflexão acerca da estrutura curricular: a prevalecente nas diversas áreas e patamares da escolaridade (restrita às componentes disciplinares consideradas específicas) e a que deveria prevalecer (aberta, evidentemente, a essas componentes, mas também às que dão conta do conhecimento que, como humanidade conseguimos construir). Maria Helena Damião e Isaltina Martins 

Está a fazer um ano que o Expresso noticiou a criação de uma escola industrial de iniciativa privada, resultante da parceria entre um grupo empresarial, uma Escola Profissional e uma (agora) Universidade Politécnica (ver aqui). Legitimada por despacho do Secretário de Estado Adjunto e da Educação, funciona já neste ano lectivo, de 2026/2027, com seis cursos de nível IV e vagas para 124 alunos que tenham concluído o 9.º ano de escolaridade.

Imagem colhida aqui.

Numa ligação às actuais necessidades de profissionais do país, assentando na “ideia da dignificação das profissões e do valor do trabalho”, e procurando fazer a "ligação entre formação técnica, experiência prática e formação humana", o presidente do grupo empresarial quer, por um lado, “resgatar a tradição das antigas escolas industriais” e, por outro lado, desenvolver o pensamento dos alunos. É “uma nova visão do ensino profissionalizante”, diz.

Nova não será, até porque invoca experiências anteriores, mas será pouco comum nos actuais sistemas de ensino. Na verdade, fixados que estão em listas de competências técnicas e emocionais, os currículos, desde o ensino básico até ao superior, esquecem a responsabilidade educativa, que vai muito além dessas listas.

O presidente, afirma que, em paralelo com a qualificação técnica, obviamente fundamental no exercício profissional, os alunos serão estimulados a pensar, o que não é menos fundamental nesse exercício. Pensar significa aqui compreender os processos industriais de forma global, ter noção crítica da realidade e sensibilidade ética, manifestar criatividade, conseguir trabalhar em equipa, etc. 

Bom, dirá o leitor, estas belas intenções marcam presença em todos os discursos, sem que delas se vejam manifestações convincentes. Talvez o problema esteja na inexistência ou insipiência do método... No caso, o método está previsto e tem sido experimentado na formação contínua de profissionais (que temos acompanhado, precisamente por esta razão).

As escolas de artes, categoria em que esta se inclui, "formam artistas dos ofícios onde a teoria convive com a prática e a ciência com a arte, numa ideia de formação híbrida para incentivar a curiosidade, a beleza e a liberdade de pensamento”. A “missão desta escola é ser uma Bauhaus para os futuros trabalhadores que por aqui passam, por isso, terá a colaboração ”de artistas plásticos, visitas de poetas, romancistas e filósofos". Palavras do dito presidente.

Ver aqui, aqui e aqui.

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Entenda-se este texto não como um elogio acrítico a uma nova escola de iniciativa privada, mas como uma reflexão acerca da estrutura curricu...