Segundo o comissário europeu para a energia, Gunter Oettinger, o acidente nuclear no Japão é um
Apocalipse. E espera o pior nas próximas horas, até porque a situação parece estar "
fora de controlo". A
sequência de eventos mostra bem os esforços que foram feitos para impedir o desastre,
e o desespero perante a falha dos vários mecanismos de segurança.
Neste momento a situação deve estar, infelizmente, muito perto do nível 7, e muito provavelmente (dado o alarme das reacções da UE e da Rússia) vamos ter de redefinir a escala tendo este acidente como referência máxima. Na verdade, na sequência de eventos reportada pela CNN aparece a seguinte nota:
March 15, 11.10 p.m.: The IAEA reports that Monday's blast at reactor No.2 "may have affected the integrity of its primary containment vessel."
Isso pode significar o acesso mais ou menos directo de material radioactivo ao ambiente com libertação de
produtos e gases da fissão nuclear como o
Crípton 85 e
Césio 137 (com tempos de vida longos) ou o
Iodo 131 (com tempo de vida curto mas muito facilmente absorvido por muitos dos elementos da cadeia alimentar humana: leite e vegetais, por exemplo).
A energia nuclear tem este problema sério: é um processo muito perigoso para o homem e muito difícil de controlar quando algo corre mal. E a NATUREZA tem essa característica que o homem insiste em não ter em conta: gera com alguma facilidade sequências de eventos catastróficos que fazem falhar todos os nossos sistemas de segurança. A sequência de eventos no Japão, que conduziram à
falha de todos os sistemas de segurança, é verdadeiramente incrível.
Se aliarmos isso à incapacidade humana para aprender com os seus erros, desleixando a segurança em deterimento do retorno económico, verificamos que tudo isto se pode tornar num imenso pesadelo.
Iouli Andreev - especialista em segurança nuclear e um dos homens que participaram nas limpezas de Chernobyl depois do desastre de 1986 - disse à Reuters que a ganância da indústria e a influência empresarial sobre a
AIEA terão contribuído para o desastre japonês: "
Depois de Chernobyl, toda a força da indústria nuclear foi direccionada para esconder o acontecimento, para não manchar a sua reputação."
O problema com as centrais nucleares é esse mesmo: quando algo corre mal rapidamente a coisa se torna num problema GLOBAL de saúde pública e de segurança. Se isto pode acontecer no Japão, que é um país disciplinado, imaginem o que poderá acontecer num país mais caótico e desorganizado que tenha centrais nucleares.
:-(