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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Asimov: centenário da escrita e leitura compulsivas

[O JL de 26 de agosto de 2020, traz artigos meus que vou aqui colocar sobre os vários centenários de autores de ficção científica. Falo de vários autores (aproveito para corrigir algumas gralhas), nascidos em 1920, que transbordaram, ou estão ligados, a a este universo.O Jornal recomenda, entretanto, várias obras dos autores publicadas recemente. Além destes trabalhos e de outros artigos, notas e sugestões, o JL tem entrevistas a Ondjaki e João Alvim, discute as feiras do livro de Lisboa e Porto, o teatro, a fotografia e outros assuntos. Boas leituras!]

Isaac Asimov, nome inglês de Isaak Yudavich Azimov, nasceu na Rússia, antigo União Soviética, a dois de janeiro de 1920, segundo o próprio, e morreu em Brooklyn a 6 de abril de 1992. Os dados parecem estar na Wikipédia, mas olhemos para eles com mais atenção.

Isaac descreve numa sua autobiografia desde que nasceu até aos anos 1950, publicada em 1979, que queria inicialmente ser médico e que se formou em ciências com um major em química, em 1939. Que fez um mestrado em química, insistindo muito com os professores, nomeadamente com Urey, prémio Nobel em 1934. Refere que adorava a química mas que pensava ganhar a vida a escrever. Embora, por essa altura, muitos manuscritos seus fossem rejeitados. A guerra apanhou-o e foi para a Marinha e só se doutorou em 1948. Ao mesmo tempo que fazia um pós-doc, concorria para vários lugares e foi sendo recusado. Acabou num inesperado lugar de professor de bioquímica numa escola médica de Boston, ele que desistiu de ser médico! Hoje, muitas pessoas acham que ele era bioquímico e de facto foi (mas antes foi químico). Fez alguma investigação e ensinou esta matéria. Mas o que gostava mais, diz, era de ensinar, escrever e divulgar. É engraçado que o seu primeiro livro famoso tenha surgido quando conseguiu esse lugar e na contracapa apareça a sua afiliação, o que o faz pensar em demissão. Diz-lhe o presidente da escola que se o livro era bom a escola não se importava de ficar associada a ele.

Muitos professores ensinam aquilo que não aprenderam, como é óbvio. Tiveram de estudar. As pessoas podem tornar-se especialistas se estudarem a sério. Lavoisier não era formado em química, mas sim em direito. Quando as coisas correm mal gostamos de dizer que as pessoas eram de outra área. Thomas Midgley Jr., ligado à gasolina com chumbo e os CFC, formou-se em mecânica e só depois obteve um doutoramento em química. Dirac era formado em engenharia antes de tornar o génio matemático e físico que conhecemos. Em Portugal atualmente (não vou referir nomes) torcem o nariz às pessoas que ensinam uma coisa e tiveram formação inicial noutra. São raros os que têm lugares fora do sua área inicial. Gostamos de referir o percurso, por exemplo, de Bento de Jesus Caraça, mas quando as coisas correm mal lembramo-nos da formação inicial...

Gosto especialmente do conto de Asimov sobre a galinha dos ovos de ouro (Mistérios, Vega, 1990). É a mesma história, mas travestida de ciência e tecnologia. Está muito bem feita porque as pessoas quase acreditam. A bioquímica é razoável, assim como a física nuclear. Mas nunca vimos uma galinha dos ovos de ouro e o investigador, levando-a para o laboratório, desmontando-a, mata-a e acaba com os ovos de ouro.

São também muito famosos os seus livros de contos sobre robôs. Mais ainda as suas leis da robótica que como é sabido têm mais de 70 anos. Hoje em dia, tempo da inteligência artificial (AI), de Internet das coisas (IoT), de e Big Data e comunicação permanente, presentes de forma ubíqua, em particular nos telemóveis, lembramo-nos por vezes que muitas das atividades decididas pelos computadores e feitas por máquinas. Os pilotos automáticos deram lugar às aterragens conduzidas por máquinas. Os carros autónomos comunicam como se fosse telepatia entre condutores gentis. As profissões e atividades transformam-se de forma imprevisível. Claro que temos as distopias do controlo como o 1984 e o Admirável Mundo Novo, mas não era isso que referia.

Referia-me ao conto do robô que aprendeu a mentir. Esse conto é admirável por si só e, na minha opinião, não precisa de sobrenatural. O robô lê pensamentos, ninguém sabe como, mas não era necessário explicitar que ele lia mesmo pensamentos. Ler pensamentos é interpretar os pensamentos, pensar o que os outros pensam. E as máquinas podem fazer isso muito bem. Podem aprender a perceber os sentimentos e agir em conformidade. Podem aprender a identificar padrões melhor que os humanos. Voltando atrás, um robô aprende a perceber o que as pessoas querem ouvir, mas ele dá também conta que de isso é muito complexo. Então pede romances e livros humanos, que segundo ele, seriam muito mais complexos do que os livros de mecânica quântica. O robot começa a perceber que a psicóloga de robôs de meia idade está a apaixonada, que um cientista quer o lugar do outro, e diz-lhes o que eles querem ouvir. Assim, temos uma psicóloga que se arranja e pinta e um cientista que é arrogante com o chefe que se vai demitir, o que surpreende por os robot nunca mentirem. Confrontado com a contradição, o robô não a consegue resolver e autodestrói-se. Hoje não seria assim com a lógica difusa, por exemplo.


Isaac Asimov morreu relativamente novo (pelos padrões de hoje), com 72 anos, e só começou a publicar regularmente depois dos 30 anos. Mais de quatrocentos dos seus cerca de quinhentos livros foram publicados depois dos cinquenta anos. Tem uma produtividade média de onze livros por ano e atingirá a sua produtividade máxima aos 69 anos com quase quarenta livros. A escola estava tão contente por ter esse autor entre os seus académicos que não lhe dava aulas regulares.

Em oposição, António Nobre só publicou um livro. Harper Lee também o queria fazer, mas descobriram um livro dela depois de morta (é muito perigoso estar morto).

Outro livro que acaba por conter todos os estilos e preocupações de Asimov é o Planeta dos deuses (Livros do Brasil, 1980) de 1972 publicado na coleção Argonauta. Na Terra, passado um século, em 2070, houve uma grande crise (não sabemos qual) e a população passa de seis para dois mil milhões, havendo uma colónia na Lua. Entretanto, descobriram um bomba de energia, chamada “bomba eletrónica” baseada na estabilidade inesperado do inexistente tungsténio 186. Esta bomba era conduzida por para-universo de leis diferentes que usava a segunda lei da termodinâmica para obter energia nos dois universos. Parecia violar aquela lei, mas lançando os problemas no outro universo mutuamente parecia não violar. Há obviamente vários problemas e contradições na ideia, mas parece plausível como toda a boa ficção. Mas os dois universo convergem para ter as mesmas leis e no final morrerão. Esperava-se que passado muito tempo. Os cientistas que duvidam são renegados e postos na prateleira. Há aqui um vislumbre de meio académico tacanho mas muito estilizado. O capítulo acaba (aliás todo o livro se baseia nesta citação) referido uma peça de Schiller, “mesmo os deuses são impotentes perante a estupidez.” Devemos notar que Asimov fez muitos guias, desde Shakespeare à medicina, passando pela Bíblia e era (a contragosto diz-se) presidente de uma das associação de sobredotados mais conhecida.

No segundo capítulo aparecem os “deuses”, extraterrestres avançados e muito diferentes. A ficção científica clássica - derivada da fantasia - em toda a sua glória. Duros e flexíveis, racionais e sensitivos, tríades cuja fusão é dificultada pelas variações das leis.  Finalmente temos um capítulo passado na Lua que tem um sincrotrão e pessoas que tendo nascido lá não têm músculos e ossos adaptados à gravidade da terra (este tema é tratado também por Robert Heinlein) que nunca teve um bomba eletrónica. Foi aí que aparecem a notícia da bomba contrária mas fica em aberto o que se passará a seguir. 

Este é grande mote da ficção científica, da literatura e da vida. Não sabermos o que se passará a seguir.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Os perigos das linhas de alta tensão e o estudo da REN de quem ninguém sabe nada


Mais um excelente texto de António Araújo no blogue Malomil, acerca dos perigos das linhas de alta tensão e de um estudo bizarro encomendado pela REN, de quem nunca mais ninguém ouviu falar. Este é também um tema abordado no livro "Pipocas com Telemóvel".

quinta-feira, 8 de março de 2012

Fazer luz sobre a luz: Ainda a conta da luz


Relatório mostra que consumidores pagam mais para sustentar subsídios a produtores de electricidade

REPORTAGEM TVI - 2012-03-07

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Como funcionam as centrais nucleares?

A esta pergunta responde de maneira simples a física Teresa Peña, do Instituto Superior Técnico: aqui. No fim de ler, o leitor ficará a saber as respostas às seguintes questões:

"O que é uma central nuclear? Para que serve o refrigerante num reactor nuclear? O moderador, o combustível nuclear e os fragmentos da fissão podem passar para fora da central? O que é a fissão nuclear? Como se forma césio e iodo no reactor nuclear? Por que é que pode ocorrer uma explosão de hidrogénio numa central nuclear? Em situação normal, sem cenário de acidente, há libertação radioactiva para o ambiente? Qual é dose colectiva efectiva causada num ciclo de combustível nuclear?"

domingo, 27 de março de 2011

OS REPUBLICANOS E O AQUECIMENTO GLOBAL


Habitual destaque semanal para a coluna "What's New" do físico norte-americano Robert Park:

IGNORANCE: HOUSE COMMITTEE VOTES TO OVERTURN NATURAL LAW.

"The price of gasoline at the pump is at the highest level ever for this time of year. That’s not all bad; raising the price is the only effective way to reduce consumption, thereby improving the environment and delaying the dreaded Hubbert peak. There are, however, two ways to raise the price to the consumer: increase the profit margin of the oil industry, or levy a large consumption tax. The revenue from a heavy consumption tax would help to pay the crushing costs of the Bush economy. You will not be surprised, however, to learn that the Republican Congress overwhelmingly prefers the first method, which will embodied in the Energy Tax Prevention Act of 2011, in preparation. But first they had to amend the Clean Air Act to eliminate the authority of the Environmental Protection Agency over greenhouse gases. According to an editorial in last week's Nature, the Republican disdain for climate science was evident in the "anger and distrust directed at scientists and scientific societies." The widespread melting of snow and ice, and rising global average sea level, is unequivocal evidence of global warming."

Robert Park

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mexia vs Mickey

Esta notícia sobre a pseudo-empresa EDP (sim porque uma instituição que tem monopólio e não se sujeita à concorrência é empresa só no papel) leva-me a fazer três perguntas simples.

Pergunta 1: Quando é que eu, contribuinte e cidadão nacional, posso escolher a empresa que me fornece electricidade?

Pergunta 2: Será que esta "perda" da EDP não se vai reflectir nas facturas daqueles que não podem "FUGIR" à EDP, isto é, nas facturas de todos nós?

Pergunta 3: Se o Dr. Mexia fosse substituído na administração da EDP pelo Rato Mickey a preto-e-branco, os resultados da EDP seriam diferentes?

Alguém me pode responder?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

NUCLEAR: JA, DANKE?


Minha crónica no "Sol" de hoje:

No final do século passado tornou-se comum, na Alemanha, a expressão Nein, Danke, quando se falava de energia nuclear. Em 1986 tinha acontecido o acidente de Chernobyl, que originou uma nuvem radioactiva sobre a Europa Central. A romancista alemã Christa Wolf escreveu um romance sobre o assunto: Acidente. Multiplicaram-se na época os protestos contra as centrais nucleares. No ano de 2000, o governo alemão, sensível a esses protestos, resolveu determinar o encerramento a médio prazo das 17 centrais nucleares existentes. E não seriam construídas outras.

Mas os tempos hoje são diferentes. No passado recente, o aumento das necessidades energéticas, o risco do aquecimento global, a instabilidade no Médio Oriente e o elevado custo das energias renováveis têm feito repensar a questão da energia nuclear. O governo alemão, presidido por Angela Merkel (que estudou Física e tem um doutoramento em Química Quântica), acaba de anunciar um adiamento do projectado fecho das centrais em funcionamento, concedendo uma moratória de oito anos para as centrais mais antigas e de 14 anos para as centrais mais recentes. A revista Der Spiegel noticiou com algum humor: “o governo deixa radiantes os amigos do átomo”. Isto acontece numa altura em que outros países europeus têm centrais em construção, em avançado estado de planeamento ou em fase preliminar de proposta. Na Europa, a Finlândia e a França estão a construir um reactor nuclear, e a Eslováquia dois. Países que torceram o nariz ao nuclear como o Reino Unido e a Itália têm agora centrais planeadas ou propostas. Fora da Europa, entre os países mais desenvolvidos, os Estados Unidos têm uma central em construção, o Canadá duas, o Japão também duas e a Rússia dez. E, em países com economias emergentes, o avanço do nuclear é ainda mais visível: a China tem 24 reactores em construção (além de 33 planeados e 120 propostos!), a Índia quatro e o Brasil um.

Em Portugal, onde a electricidade é das mais caras da Europa, o debate sobre a energia nuclear tem reaparecido a espaços, embora não seja tão nítido e produtivo como noutros países. O actual governo tem procurado evitá-lo e, quando não o pode fazer, tem-se pronunciado contra, preferindo defender as energias renováveis. O ex-governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio, do partido do governo, não hesitou, porém, antes de ir para a Europa, em defender o estudo da opção nuclear, apontando o exemplo finlandês. O principal partido da oposição, embora não advogue claramente a alternativa nuclear, tem-se pronunciado a favor da discussão sobre ela. Na minha opinião, o assunto não deve ser considerado tabu. A controvérsia que se vai agudizar nos próximos meses na Alemanha não deixará de ter um impacto aqui.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Aparelhos em Stand By


Este video faz parte de um projecto de investigação do Center for Environmental and Sustainability Research, da Universidade Nova de Lisboa.

Para colaborar basta responder a um pequeno questionário depois de ver o video, aqui.

A sinopse do projecto pode ser consultada aqui.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

CO2 é o prato sujo e lambido da energia


A razão pela qual conseguimos obter energia a partir dos alimentos e dos combustíveis é a mesma: electrões. Há coisas que têm mais electrões do que outras e, tal como numa barragem em que uma coluna de água de um lado tem tendência a passar para o outro movendo uma turbina para produzir energia, os electrões também têm tendência a passar das moléculas onde estão em maior abundância para outras em que estão menos concentrados. É isso que são os açúcares: uma espécie de albufeiras de electrões. E, tal como nas barragens, as células também têm uma espécie de umas turbinas e conseguem aproveitar a energia contida nessa transferência de electrões. Através da respiração celular, os electrões dos açúcares e de outros alimentos são entregues ao oxigénio, formando-se água que é depois expelida pelos pulmões ou transpirada (isto, no caso da respiração aeróbica).

Com os combustíveis é mais ou menos a mesma coisa. Com a diferença de que a respiração celular é um processo bem mais eficiente do que a combustão, uma vez que a oxidação dos alimentos é mais gradual e permite aproveitar melhor a energia (que em vez de ser libertada na forma de calor é convertida em ligações químicas que libertam energia quando são quebradas). Na combustão é muito simples: o combustível é queimado, ou seja os electrões dos hidrocarbonetos são passados rapidamente ao oxigénio, e liberta-se calor.

O que sobra tanto na combustão como na respiração celular, para além da supramencionada água, é o dióxido de carbono. No caso das nossas células acaba por ser expelido pelos pulmões. No caso dos carros é enviado para a atmosfera pelos tubos de escape, para causar o aquecimento global e essas coisas. A combustão nem sempre é completa: por exemplo da queima de lenha numa lareira sobram sempre resíduos sólidos, que são produtos de combustão incompleta. Mas o peso das cinzas nunca é o mesmo da lenha que lhes deu origem. A diferença de peso está no ar, na forma de dióxido de carbono e água.

Tudo isto para concluir que o dióxido de carbono, no que diz respeito à energia, é o fim da linha. São as espinhas, o prato sujo e lambido. Daí a minha surpresa, quando li no Expresso desta semana os seguintes títulos:

"CO2 pode ser combustível"

"Os cientistas dizem que é possível transformar o CO2 emitido numa grande fonte de energia"

Lendo o artigo, é explicado o processo. Passo a transcrevê-lo tal como vem no Expresso de 27 de Março:

"Como reciclar o dióxido de carbono

1. O excesso de electricidade gerado pela renováveis e pelas centrais nucleares à noite, quando o consumo é menor e o preço é mais baixo, é usado para fabricar hidrogénio por conversão directa, por electrólise (separação do hidrogénio e do oxigénio) da água do mar e da água quente das centrais nucleares.

2. As centrais termoeléctricas e a grande indústria (cimento, petroquímica, adubos, aço, queima de resíduos) produzem grandes quantidades de CO2 que são depois capturadas por unidades de absorção instaladas junto às fábricas.

3. O hidrogénio e o CO2 produzidos são combinados em reactores químicos. Daí resultam gás sintético (syngas), combustível automóvel sintético (synfuel), metanol (que pode ser convertido em synfuel ou em olefinas como o etileno, um gás) e combustível para as centrais termoeléctricas.

4. A combustão de todas estas fontes alternativas de energia de origem fóssil provoca novas emissões de dióxido de carbono, mas as geradas pelas centrais termoeléctricas e pela grande indústria são recicladas de novo. "

Ou seja, a verdadeira fonte de energia é o hidrogénio (que devolve electrões ao dióxido de carbono, já que é um potente redutor), cujo fabrico requer grandes quantidades de energia (a tal gerada pelos excessos das centrais nucleares e energias renováveis). Este processo é sem dúvida uma maneira de reutilizar o dióxido de carbono, mas o dióxido de carbono NÃO "pode ser combustível", NEM "transformado numa nova fonte de energia". Pois é preciso gastar energia para que um produto de transformação do dióxido de carbono possa ser usado como combustível. É um pouco como tentar vender uma "fonte de dinheiro" por 25€, quando essa "fonte" poderá dar no máximo 20€. Não é uma verdadeira fonte.

A tecnologia descrita é no fundo uma reutilização de átomos de carbono, que acabam por ser queimados novamente, libertando novamente CO2. Ou seja, o mesmo CO2 é emitido várias vezes (vai sendo reabastecido com electrões). Mas isso é diferente do CO2 ser uma fonte de combustível, porque a energia não está no CO2. Queimar CO2 seria um milagre (e os milagres têm uma fiabilidade duvidosa).

As plantas, através da fotossíntese, conseguem capturar o CO2 da atmosfera e transformá-lo em moléculas ricas em energia. Mas a origem dessa energia não está no CO2, mas sim num fotão que vem do Sol.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

CHU SOBRE ENERGIA


O Secretário de Estado da Energia norte-americano Steve Chu numa entrevista recente à "Technology Review" do MIT faz algumas revelações sobre opções que vai seguir: o projecto do grande depósito de resíduos nucleares da Yucca Mountain vai ser parado, existindo em alternativa soluções de reactores de reprocessamento, e o mesmo acontece com o programa de células de combustível para transportes que vinha da presidência Bush por ser tecnicamente inviável. Recomenda poupança energética e avisa que a energia solar não é neste momento uma opção por ser demasiado cara. Ler aqui.

E agora?

Um relatório da EIA divulga hoje as previsões da evolução do consumo mundial de energia. Se o relatório estivesse disponível umas horas antes, praticamente toda a apresentação no debate sobre energia nuclear de Joanaz de Melo, que não saiu da dimunuição dos consumos, tinha ido directamente para o lixo: a EIA prevê,até 2030, um aumento do consumo mundial de energia de 44%, com os países em desenvolvimento a assegurar a maior fatia deste aumento, cerca de 2/3.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Publicidade institucional

(Clique no cartaz para aumentar)

Em particular depois do Manifesto pela Divulgação da Energia Nuclear, discutir o nuclear está na ordem do dia. O Técnico não poderia deixar de se associar ao esclarecimento da opinião pública sobre o tema e assim amanhã terá lugar um debate que terei o prazer de moderar. Todos os nossos leitores estão desde já convidados para uma sessão que se espera muito animada.

Programa
14:15 – 14:30 Sessão de boas vindas
14:30 – 15:45 – Apresentação sobre “A Energia Nuclear em Portugal”
15:45 – Coffee Break
16:00 – Debate: “Energia Nuclear: Uma opção para Portugal?”