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terça-feira, 5 de abril de 2016

CONTRIBUTOS PARA A LUTA CONTRA AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

As alterações climáticas são uma realidade inegável: a temperatura média da Terra está a aumentar, os glaciares e a neve estão a derreter e o nível médio das águas do mar está a subir. A emissão de gases com efeito de estufa, como o CO2, é a causa do problema que importa travar ou solucionar. A captura do CO2 da atmosfera é uma das respostas possíveis a esta questão.

 Infografia sobre alterações climáticas pelos alunos da Escola Panamericana de Artes. Documento completo aqui

Liliana Tomé, do Laboratório de Tecnologias de Separação e Extracção ITQB NOVA, vai dar uma palestra sobre técnicas de captura de CO2 usando líquidos iónicos que constam no mais recente artigo científico do seu grupo de investigação na Chemical Society Review deste mês.

sábado, 16 de março de 2013

Francisco: um Papa com química


Algumas notícias referem que o recém eleito Papa, Francisco, é técnico químico, outras que tem uma graduação e mestrado em química, outras, ainda, que é engenheiro químico. Analisando as notícias, em especial as do seu país de origem, a Argentina, a verdade parece ser que se formou numa escola técnica como técnico de química mas, aos 21 anos, resolveu seguir o apelo da fé e tornar-se sacerdote, tendo a sua vida tomado o rumo que o levou a Papa.

Pode ser que a formação em química de Jorge Bergoglio tenha influenciado a sua personalidade e modo de encarar o mundo, mas pode também ser o caminho normal de um jovem inteligente, filho de pais com recursos modestos. Só Francisco poderá indicar a importância que a química teve (ou tem) na sua vida. O que parece certo é que a sua eleição e atitude estão a gerar uma química (em sentido metafórico) muito favorável entre os católicos.

Embora não tenham grande relevância para a definição da sua personalidade e para a esperança que o mundo coloca em Francisco, estas notícias contraditórias espelham, infelizmente, a confusão que existe na actualidade entre química e engenharia química. Da mesma forma que não se confundem farmacêuticos, médicos e enfermeiros, embora todos estejam ligados à saúde, também não se devem confundir engenheiros químicos e químicos, embora ambos estejam ligados à química. De facto, estas duas áreas são bastante diferentes e tratam de assuntos relacionados mas não iguais, usando ferramentas muito diferentes. A química tem como tema a constituição, propriedades e transformação dos materiais ao nível das pequenas quantidades. Trata da análise e síntese de materiais que já existem, ou participa na  invenção de novos materiais (os químicos têm inventado muitos, por exemplo, novos medicamentos), quase sempre em pequenas quantidades.  A engenharia química é um ramo da engenharia que trata de produzir os materiais que já  existiam (ou foram inventados) em grandes quantidades optimizando e controlando os processos de produção industriais. Dito de outra forma, o químico preocupa-se em analisar e sintetizar os materiais e as moléculas enquanto o engenheiro químico se preocupa em produzi-los em larga escala. Claro que há químicos a fazer engenharia química e vice-versa, assim como há químicos e engenheiros que podem ser professores, mas não se devem confundir estas áreas da actividade humana sob pena de empobrecermos as duas: as actividades humanas e a química.
  
Nas notícias dizem também que Francisco, natural de Buenos Aires, gosta de futebol, música clássica e dos escritos de outro porteño, Jorge Luis Borges. Vem, por isso, a propósito referir alguns textos de Borges em que se cruzam fé, alquimia e química. Também estas não devem ser confundidas e Borges não o faz. A fé e a alquimia são do domínio do religioso e filosófico enquanto a química é do domínio da ciência e da técnica. Podem complementar-se mas não se excluem.

Há pelo menos dois contos de Borges em que a química aparece sob a forma de enunciados de conservação. O Livro de Areia é infinito e por isso não pode ser queimado porque criaria um fumo infinito que sufocaria a Terra. Também na Rosa de Paracelso aparece um enunciado químico de conservação, mas neste caso envolvendo também a alquimia e a fé. Trata-se de um conto que evoca, na minha opinião, uma das mais belas e profundas parábolas da Bíblia sobre a Fé e os milagres.

Um candidato a discípulo faz uma longa jornada para encontrar Paracelso. Vê os seus alambiques cheios de pó e as fornalhas apagadas. Pergunta pela rosa e Paracelso admoesta-o por ser crédulo. Exige fé ao candidato mas este espera provas. Paracelso diz-lhe que o milagre não lhe trará a Fé. Atirada a rosa ao fogo, o candidato vê apenas cinza. Afinal, segundo Paracelso, a rosa é eterna, só a sua forma muda. De facto, os átomos da rosa não desaparecem quando esta se decompõe ou arde, apenas mudam para outros arranjos moleculares, formando novas substâncias. O candidato a discípulo julga perceber e deixa de ser crédulo, mas continua sem Fé. E parte sem esperar pelo renascimento da rosa a partir das cinzas.