Na passada quinta-feira o "Diário Económico" realizou em Lisboa um debate sobre a energia nuclear em Portugal. Como contribuição para a discussão em curso, deixamos aqui uma lista de "oportunidades" e "ameaças", seguida de uma conclusão, da autoria do engenheiro António Jardim, que amavelmente já noutro "post" partilhou com os leitores do De Rerum Natura os seus conhecimentos e a sua opinião sobre o assunto:
Oportunidades
É quase indiscutível que a instalação de uma central nuclear em Portugal diminuiria fortemente a emissão de gases com efeito de estufa, diminuiria a dependência estratégica e económica do petróleo, não deveria aumentar o preço da energia eléctrica, uma vez que só as centrais a gás a ciclo combinado têm capacidade de com elas competir em custos (dependendo, claro, do preço do gás), valorisaria (embora seja duvidoso em que medida e a que prazo) o urânio produzido em Portugal, e poderia ter alguns efeitos de arrastamento.
Ameaças
Criaria um risco não existente (embora baixo) de acidente nuclear, apresentaria para o promotor apresenta um risco económico grande em caso de acidente, obrigaria a investimentos muito significativos na melhoria da rede já que a potência “standard” actual (1700 MW) é enorme para a rede nacional, obrigaria a agir activamente no reprocessamento e armazenagem de resíduos e obrigaria a reconstituir um órgão público para acompanhar o processo, com os inerentes custos para o Orçamento do Estado.
Conclusão
Para países com uma rede grande, bem desenvolvida e interligada e que tenham sistemas de inspecção e controlo credíveis, não me parece que a opção nuclear seja de excluir a não ser que a questão do armazenamento de resíduos radioactivos seja mesmo preocupante a nível mundial. No entanto, para países como Portugal, na minha opinião, faz bastante mais sentido (embora a escolha apresente enormes dificuldades, nomeadamente a contabilização da ausência de emissões de dióxido de carbono) o país ou alguma empresa interessada investirem numa central integrada (partilhada?) na rede espanhola ou francesa do que numa só unidade em Portugal. Todos os riscos e custos ficariam assim, na minha opinião, bastante diluídos.
António Jardim
domingo, 19 de abril de 2009
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3 comentários:
A grande desvantagem continua relacionada com a disposição dos resíduos radioactivos (c.a., tempo de meia vida de 10 000 anos). Ou seja, todas estas discussões no bom modelo cost and benefit ou SWAT analysis é sem interesse enquanto o item já descrito não tiver solução. O meu receio é que este ressurgimento de debates e think tanks à volta da energia nuclear sirva como lubrificante a uma ideia com fraco apoio popular.
Numa altura em que me vejo obrigado a apontar o óbvio, todo este arsenal intelectual deveria rondar ideias para redução da utilização energética ao invés de propagar um estilo de vida que, se os actuais países emergentes lá chegarem, arruinarão o planeta... com ou sem energia nuclear.
Nuno Vieira Matos
Duas questões:
Da quantidade de energia que o País importa, alguém sabe indicar/responder qual a percentagem que advém da interligação da rede de transporte produzida por via nuclear?
E quais os custos para o País se essa energia fosse produzida por outro processo, que não o nuclear?
joão moreira
valorizaria
1ª pess. sing. cond. de valorizar
3ª pess. sing. cond. de valorizar
valorizar-
v. tr.
Dar valor ou valores a; aumentar o valor ou o préstimo de.
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