segunda-feira, 6 de abril de 2009

Cursos de (De)Formação para Professores


Rui Baptista comenta a notícia "Esoterismo pode contar para a formação de professores", publicada este sábado pelo "Expresso", pela única via possível - a do riso:

“A educação consiste em saber dar à criança a quantidade certa de amor” (Sigmund Freud)

Sempre que uma pessoa se defronta com algo de impensável, é costume (do qual não sei a origem) dizer-se: “Desde que vi, no circo, um porco a andar de bicicleta já nada me espanta”. Mas será sempre assim? Dois factos levam-me a descrer.

O primeiro, reporta-se a um artigo publicado há anos no "Público" (08/05/2005), da autoria de Nuno Pacheco, com um título que não deixa dúvidas sobre a paródia em que se transformou o ensino em Portugal: “Brincar às escolas”! O segundo, diz respeito a um artigo acabado de sair no “Expresso” (04/04/2009) da autoria de Joana Pereira Bastos intitulado “Esoterismo pode contar para a progressão na carreira”.

A semelhança dos casos que geraram os artigos gemina-os no dislate – ambos se referem a acções imaginativas de formação de professores - embora seja diferente a progenitura: o primeiro foi organizado pela “Associação Sindical Pró-Ordem dos Professores” (baptismo ridículo, comparável ao de uma “Ordem dos Professores Pró-Associação Sindical”!) e o segundo pela Fundação Casa Índigo. Os dois tiveram a caução do Ministério da Educação (ME).

Segundo Eça, “o riso é a mais antiga e ainda mais terrível forma de crítica. Passe-se sete vezes uma gargalhada em volta de uma instituição, e a instituição alui-se”. Bem a propósito, foi este o destino que uma notícia sobre uma acção de (de)formação de professores mereceu de Nuno Pacheco. Ou seja, num artigo jocoso, de ponta a ponta, que ora transcrevo em parte (transcrevi-o na totalidade no meu livro “O Leito de Procusta”, 2005, ps. 83, 84): “Lê-se e, por melhor boa vontade, não se acredita. Não há pasmo que consiga descrever a sensação de estar perante tamanho disparate. Ainda vamos descobrir que os males do ensino se devem aos cortinados das escolas, ao mau ‘design’ dos equipamentos ou ao perfume usado pelos professores. Talvez ajude um pouco de meditação transcendental, talvez exercícios tântricos, talvez ‘feng shui’…”

Partamos, agora, ansiosos por novidades, para os objectivos da recente acção de (de)formação. São eles: “Aprendizagem de ‘técnicas pedagógicas para uma melhor integração das ‘crianças índigo, cristal, violeta, esmeralda, diamante ou douradas’, para além do conhecimento de ‘técnicas de regulação ou limpeza de energia’.

Por mais incrível que pareça (lá vem, outra vez, o porco e a bicicleta!) , o ME, sempre atento a tudo destruir sem nada construir, acreditou este curso ministrado pela Fundação Casa Índigo, que é, segundo o “Expresso”, “uma instituição baseada na teoria de que a ‘aura’ da crianças tem diferentes cores, em função da sua energia e da ligação que mantém com o Universo”. Nestas acções de formação, que dão créditos para a progressão na carreira, ”os docentes podem aprender ‘técnicas pedagógicas’ (…). Além de poderem igualmente ficar a conhecer ‘técnicas de regulação ou limpeza de energia’”.

Sobre os motivos da acreditação pelo ME deste tipo de acções poder-se-ão tirar, de entre outras, as seguintes ilações:

1.ª O ME sentindo-se incapaz de equacionar e resolver os problemas do ensino com medidas exotéricas enveredou pela via do esoterismo: as medidas agora são esotéricas.

2. ª O ME, com essa atitude, corre o risco de se transformar numa espécie de altar ou talvez capela de uma seita que cultiva as ciências ocultas.

3.ª O ME deve mandar encerrar, em respeito pela contenção das despesas públicas, todas as Faculdades de Psicologia e Ciências da Educação portuguesas por incapacidade de se tornarem parceiros científicos na investigação dos processos em melhorar o rendimento escolar sem ser pela via estatística.

4.ª O ME deve criar um corpo de incendiários para queimarem em fogueira pública todos os manuais de Psicologia e Ciências da Educação por transmitirem conhecimentos que atrasam e obstaculizam um país de faz-de-conta, um país com elevados níveis de escolaridade, espelhados em sucesso escolar sem paralelo neste mundo.

5.ª O ME pretende que todos os nacionais tenham escolaridade obrigatória de licenciado (antes de Bolonha) ou mestrado (depois de Bolonha), ainda que obtida à pala das miríficas “Novas Oportunidades” e “Provas de acesso ao ensino superior para maiores de 23 anos”, em concorrência desleal para com as escolas do ensino básico e secundário, que correm o perigo de se tornarem desnecessárias por a idade de 23 anos (e por que não 21 ou 22?) para além de ser um posto ter passado a ser um atestado de sapiência.

6.ª O ME providenciará a inscrição massiva dos novos diplomados, sem esperança no devir, nos Centros de Desemprego, com as cabeças cheias de nada e ocas de tudo, numa espécie da “Fundação Nacional de Alegria no Trabalho” (FNAT), do tempo da Outra Senhora, agora transformada em “Fundação Nacional de Tristeza no Descanso” (FNTD).

Como promessa, qual réstia de sol no céu plúmbeo de asneiras de cabo de esquadra, com copianço no pensamento de Sigmund Freud em epígrafe, surge a intenção da responsável da Fundação Casa Índigo: “O curso serve basicamente para os professores entenderem a necessidade de amar as crianças”. Até parece uma boa intenção. Mas, a exemplo do inferno, de boas intenções não estará o ME cheio?

Rui Baptista

14 comentários:

  1. Vou procurar não fazer mais comentários, é o último.
    Há poucos anos apareceu aqui na Benedita uma professora do 1º ciclo que quis desenvolver um projecto índigo. Não conheço pormenores mas acho que entre tantas "coisas", como o amor, havia muitas que não eram nem mais nem menos que outras de outros projectos, ou seja, globalmente era inofensivo. Só que, tcham-tcham... o padre não gostou e veio à escola. Alguém, eu não, foi ter com os pais que denunciaram a 'seita' e picou-os ainda mais, depois com uma lata só vista, disse à professora que este meio era muito conservador que merecia gente iluminada como ela, etc., etc., houve muita tensão, muita tensão mesmo. Padre versus índigos.
    Mas além dos 'azuis' já apareceu aqui na Benedita, nessas formações de um dia, uma senhora que a meio do discurso defendeu o criacionismo e a Idade Média como uma era particularmente iluminada. Assim. Bom, por acaso sabe qual era a formação da senhora? Jornalista, Professora e Psicóloga. Posso dizer o nome porque hoje andei a mexer em papéis e vi o panfleto.
    Por fim, para termos porcos de três cores, também já vieram à Benedita, entraram pela porta Norte, os sobredotados. Tudo bem, já é consensual que é gente desadaptada e merecem atenção mais cuidada. Só que às tantas a sobredotada diz-nos (a ideia era mais ou menos esta): uma criança com capacidades extraordinárias para o xadrez, por exemplo, só lhe devemos dar xadrez! Bom, alguém, não eu, perguntou se não seria melhor recuperá-la nas áreas menos fortes, integrá-la, etc.. Não! peças para comer! (estilo divulgador-mor: "especialização precoce", "treino intensivo", etc., etc.).

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  2. Um destes dias, na Fnac dirigi-me a uma secção que, sendo professor de profissão, só muito raramente lá vou, a das ciências de educação e psicologia. Deparei-me com uma boa dezena de livros sobre crianças Indigo. Não foi preciso sequer abrir um desses livros. Bastou olhar para as capas, títulos e subtítulos para perceber de imediato tratar-se de mais uma banha da cobra das grandes. Uma boa cagada, é o que é. Dificilmente me vão ver nos próximos tempos num escaparate de ciências da educação, pelo menos em língua portuguesa. É um horror o que se publica, o que se acredita, o que se perde tempo a estudar. Sendo eu professor, a área das ciências da educação, que deveria despertar-me interesse e gosto, é um lugar que evito sempre. Em língua portuguesa, já que em língua inglesa tenho conhecido alguns estudos que merecem o meu precioso tempo.

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  3. É fantástico. Uma amiga minha, professora de Português, concorreu ontem à recolocação: apesar de ter mestrado em Literatura do Século XX, o formulário obriga-a a concorrer com a formação inicial (licenciatura), como se a formação posterior de nada servisse. Para um Ministério que tanto advoga o valor da formação, tais critérios são estranhos... Mas se o mesmo Ministério dá créditos por banha-da-cobra com "certificado de garantia" como estas crianças indigo, então a atitude não é estranha, é suspeitosamente de lesa-cérebro!

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  4. Eu começo a achar que o estado da educação em Portugal está a passar de preocupante a desesperante. Ainda mais porque esta simpatia pelo New Age ou pela falta de rigor - também ponho como hipotese que as ditas acções de formação tenho sido aprovadas mais por desleixo que por reconhecimento da valor educativo dos mesmos; qualquer uma das situações é grave - parece ser uma atitude mais alargada da sociedade face ao conhecimento.

    Luís

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  5. Se o Rui Baptista tiver a coragem a determinação de ler todas as orientações, despachos e legislação emanada pelo "Ministério" da "Educação" verificará que as escolas foram transformadas em meras entidades de emissão de certificados, os professores em funcionários públicos cujo trabalho serve apenas para justificar o emprego de terceiros e os alunos na justificação da existência de dezenas e dezenas de "Escolas" "Superiores" de "Educação".

    Tudo o resto é conversa para entreter meninos.

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  6. Caro “Fartinho da Silva”: Usando um hábito de que não abdico, é sempre com agrado que leio, analiso, tiro ilações e tento, sem subterfúgios, responder aos comentários que honram os meus “post’s”.

    Desta feita começo pelo último comentário que me foi feito até este momento: o seu. E porquê? Porque nele é-me lançado um repto que apela à “minha coragem e determinação de ler todas as orientações, despachos e legislação emanada pelo ‘Ministério da Educação’” (sic.). Mas mais do que “coragem e determinação” para ler toda essa papelada nada higiénica sob o ponto de vista de saúde mental falta-me pachorra para o fazer. Mas vou-o fazendo, a contragosto, correndo o risco de me imbecilizar por contágio com quem os redige.

    Além de o fazer, tenho escrito imensos artigos (que quase lhes perdi a conta)e uns tantos ‘post’s’ neste blogue em que critico o estado andrajoso a que chegou o ensino em que o facilitismo com que se atribuem diplomas levou a Francisco Sousa Tavares a escrever que (cito de memória) antigamente Portugal era um país de analfabetos, hoje um país de burros diplomados.

    Mas falemos das escolas superiores de educação,segundo deduzo, mote do seu comentário . Recuo, para o efeito, mais de uma década atrás. Em artigo de opinião, escrevi:

    “Essa ofensiva [das escolas superiores de educação] tem sido bem clara, embora feita na escuridão da noite e de baionetas caladas. Inicialmente as Escolas Superiores de Educação destinavam-se a ministrar cursos com atribuição apenas do diploma de bacharel, para educadores de infância e professores do 1.º ciclo do ensino básico.

    Pouco tempo depois, assistiu-se a uma insólita conquista ao serem criadas as variantes de professor do 2.º ciclo do ensino básico que passaram a conceder diplomas de estudos superiores especializados, reprovável a todos os títulos porque neste grau de ensino leccionavam, na sua grande maioria, portadores de uma licenciatura universitária.Pouco depois, eram atribuídas licenciaturas politécnicas.

    Ou seja, em Portugal em princípios desacreditados de ancestral alquimia, em fim de século e virar de milénio, procurou-se um ‘ensino de qualidade’ pela drástica diminuição da exigência formativa dos respectivos professores.

    Nunca para aqueles que gostariam que a ofensiva dos politécnicos não encontrasse um baluarte defensivo pela frente que impedisse o seu avanço, como, por exemplo, Ana Maria Bettencourt, do corpo docente de uma escola superior de educação, quando diz, sem rebuço, que ‘em matéria de formação de professores, o pensamento dos reitores é pré-histórico’, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas fez-se ouvir em hora corajosa.Este órgão, em ‘dossier’ para ‘Repensar o Ensino Superior’, é da opinião que se torna necessário proceder ‘rapidamente à análise das funções das Escolas Superiores de Educação, considerando-se a oportunidade da sua reconversão, por exemplo, em centros de formação contínua de docentes do ensino não superior ou em escolas com outra vocação’.

    O documento do Conselho de Reitores, ‘Repensar o Ensino Superior’, deve ser tido como o rufar de tambores de quem se mostra disposto em defender princípios culturais e científicos seculares e o clarim da revolta de homens sábios perante o clima de desastre que se pode abater sobre a Universidade Portuguesa” (“Correio da Manhã”, 16 de Junho de 1996).

    Infelizmente, e é bom que se chamem os bois pelos nomes, os maiores sindicatos de professores, em benefício de muitos dos seus dirigentes e na intenção de angariar o maior número de sócios entre antigos diplomados pelas escolas do antigo Magistério Primário e actuais diplomados pelas actuais Escolas Superiores de Educação, tudo fizeram, em pactos vergonhosos que fariam corar de vergonha o próprio Fausto, para o actual “statu quo” que corrompe o sistema educativo nacional como alertei também em artigo de opinião:

    “Corria o ano de 87, quando o Ministro da Educação lançou o alarme: a relação entre o número de necessidades que temos nos ensinos básico e secundário, para os próximos anos, e o número de alunos da Faculdade de Letras é de um para três. Apesar disso, foi outorgada às Escolas Superiores de Educação autorização para poderem organizar cursos de formação de professores do ensino básico , nas variantes de português e francês!

    Estavam criadas, assim, condições para que o 1.º ciclo do básico (antiga instrução primária) ficasse carenciado de professores habilitados para ministrar os pilares de todo o ensino subsequente em que, actualmente, segundo uma entrevista televisiva do 1.º ministro, António Guterres (23. Out.p.p), ‘há alunos do 1.º ciclo do ensino básico que saem sem saber fazer contas’ “ (“Diário de Coimbra”, 21 de Novembro de 1996).

    Julgo que me fará a justiça de considerar que não me detive, para utilizar palavras suas,” em conversa para meninos”. Tentei chamar, isso sim, a atenção para a infantilização do nosso sistema educativo que bem se encaixa no poema “Liberdade”, de Fernando Pessoa: “Ai queprazer/Não cumprir um dever, / Ter um livro para ler/E não o fazer!/Ler é maçada,/Estudar é nada”.

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  7. Corrigenda: Na penúltima linha do 2.º §, onde está escrito "vou-o fazendo", deve ser lido "vou fazendo-o".

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  8. Caro “Anónimo” Luís: Sintetiza, em poucas palavras, o estado evolutivo (talvez melhor dizendo, involutivo) da Educação em Portugal:"de preocupante a desesperante".

    E neste “statu quo” cabe a muitos de nós uma certa responsabilidade pela apatia, ou mesmo desleixo, em deixarmos “correr o marfim” de haver em Portugal um ensino a duas velocidades. Um ensino, do secundário ao universitário, que mantém uma certa dignidade por não se deixar prostituir pela facilidade. Outro, um ensino rameiro (ou seja, de ave que passa de ramo em ramo) que encontra a sua expressão nas chamadas “Novas Oportunidades” (NO), que eu, sem sequer lhe mudar a sigla, baptizaria de “Novos Oportunismos” e no “Exame de Acesso ao Ensino Superior para Maiores de 23 anos”.

    Se bem deve estar lembrado, houve até um caso paradigmático: refiro-me concretamente à entrada em Medicina de um atleta olímpico português (claro está), de artes marciais, se não me engano, através destes dois processos. Que dizer daquele aluno que fez um percurso limpo na sua vida académica anterior (12 anos de escolaridade), com classificações na casa dos 18 ou mais valores, para entrar em Medicina e vê o seu acesso vedado, por vezes, por uma simples décima de valor? É esta sociedade que pretendemos para os nossos filhos ou netos? Uma sociedade de compadrio em que o mérito cede o passo à mediocridade? Eu não, e por isso me tenho batido, e continuarei a bater, com o desconforto e a incompreensão de medíocres. E sabe porquê? Por uma coisqa tão simples como esta: uma questão de cidadania.

    Se não forem vozes como a sua a comungarem, segundo depreendo, desta atitude de repulsa qualquer dia, não muito distante, os madraços deixarão de frequentar a escola tradicional por ser uma chatice, passe o plebeísmo.Farão o seu percurso em novas oportunidades e no acesso para maiores de 23 anos, enquanto, entretanto, vão ganhando uns cobres ou vivendo uma vida despreocupada em deixar correr os anos. Os 23 anos, chegam num fósforo!

    E já porque estamos com a mão na massa (não, não vou falar de casos de corrupção “stricto sensu”), que dizer de “universidades” privadas que venderam o canudo de licenciado e o tratamento de dr. ou engenheiro a altas figuras da nossa sociedade de faz de conta em que o hábito (ao contrário de que nos diziam) faz o monge?

    A hipótese simpática (aquilo que o povo define por pôr água na fervura) que faz das ditas acções terem sido aprovadas “mais por desleixo que pelo reconhecimento do valor educativo das mesmas”, não aquece nem arrefece: o facto, na sua essência, reside na sua aprovação e no descrédito que elas trazem a um sistema de avaliação de professores que nelas tem respaldo.

    Reconheço não estar num dia de optimismo. Mas como me dizia um amigo, já falecido, prefiro ser um pessimista que se engana a ser um optimista que se engana.

    Responderei aos outros comentários, para manter o mesmo critério adoptado até aqui, por ordem inversa de publicação.

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  9. Caro Rui Baptista

    Relativamente à sua opção "prefiro ser um pessimista que se engana a ser um optimista que se engana", eu tenho outra opção: prefiro ser um pessimista pedagógico e um optimista didáctico.

    Quanto ao resto, impecável q.b., elucidativo, esclarecedor e oportuno.

    Quanto ao assunto em si, continuamos no plano inclinado a caminho das mediocridade, que é a nossa etiqueta nos meandros europeístas.

    Se fomos fadados para isso não sei, mas que tudo nos puxa para baixo, a partir de cima, com tanta propaganda diária para tapar as fissuras e as mazelas do tecido pobre do Estado, não tenho a menor dúvida.

    Com uma diferença: Hitler, Mussolini, Franco e Mao-Tzé não apareciam todos os dias a perorar.

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  10. Na Amazônia ... "Tem hora que penso que vou morrer de tanto calor" (nordestina apontando o solo estorricado). Sobre a cena gravada pelo Fantástico é feita uma projeção do deserto por TODO NORTE NORDESTE. 1 Trilhão pra Banqueiros. A Terra geme. O bafo do fantoche risonho escracha a "pinta" da "cara" sacralizada pela Teo-Pulhítica. A Fuça ufanada ri e ri; rouba dos pobres pra dar pros ricos. A violência insuflada mantém cercados os jovens e apavora a Sociedade jogando jovens contra jovens, jovens contra adultos, pele contra pele, com mil pulhices todo dia reforçadas; e a Sociedade volta-se contra si mesma.
    Olhando a repórter o pulha disse: Vc não tem cara de banqueiro. Mensagem: Tô aqui pra dar dinheiro pra banqueiros. Como é que "eleitores" desse estrupício podem entender: Banqueiros são responsáveis pela crise. Então o canalha ladrão dissimula e joga a lenga de vigarista insuflando preconceito, e todos engolem a realidade ao avesso: o açulamento do preconceito esconde a raia do absurdo: “Vamos dar MAIS dinheiro a eles”. Os que tão sifu podem aplaudir enquanto o mucêgo-bêbo bóia refestelado nisso. Perguntem aos vermes dos rios em negro esgôto se querem que acabar com a podridão dos rios.
    Não há mais termos para traduzir um estado de coisa que já há muito passou de todas as raias do grave. O energúmeno mucêgo-bêbo sonso e putrefacto lança um pejo inominável sobre uma geração de infantes, que carregarão sobre si a insana e espúria lama do preconceito e a injustíssima culpa por terem PELE BRANCA e olhos azuis. Porque ninguém se deu conta de que está escrachado na cara de quantos quiserem ver que o desgraçado fantoche inútil aviltador da Democracia é um escroque que disfarça sua subserviência à cruzada do Nazi-Teo-Pulhismo. Nenhum canalha que agora bajula as mulheres e negros, aproximando-se da África, e usando os covardes que existem em todas as raças, terá sequer a pele raspada por todas essas criminosas bizarrices que já não suportamos ver mais todos os dias.
    Os esdrúxulos e odientos arremedos de “importantes” desvairaram-se na gana de subjugar as pessoas em todo o mundo à continuação da pulhice parasita, da vigarice vagabunda, que tem há séculos e séculos depredado a mentalidade das nações. É hora de pôr fim a esse desgraceiro destruidor da espécie humana; é hora de lixarmos a nossa cara na frente do espelho, e vermos que não podemos mais fazer nossa civilização sustentar um cancro imenso de vagabundos enganadores, que põem-se diante de nós com seus ares fétidos de autoridades benfazejas com pústulas fuças carcomidas, escondendo-se atrás de seus ritos grotescos de violência psicológica, impondo a covardia, a insanidade, acobertada por seus asseclas, que se postam dependurados em cargos e conluios.
    Os canalhas acoluinhados na sua ânsia de domínio nem se dão conta da infame difamação que recai sobre inúmeras crianças.
    Que ninguém com um pingo de consciência se engane: Os facínoras estão de mãos dadas para assegurar as deslavadas mentiras com que nos enganam; para continuar a tornar miserável a civilização humana.
    No meio das vozes que se estupefactam, no levantar do desenlace, aturdidos vemos a ignomínia se mexer como verme nos esgotos, grotescamente os grunhidos se misturam confusamente, deixando eufóricos os lastimáveis “domesticados” e viciados em adulações e fezes de cachorros.
    Estamos no barranco do descambo, com mãos estendidas para enganadores, ladrões, pulhas, salafrários, e vigaristas.
    É só um preconceitosinho, o resultado tá aí nessa pérola vista no Youtube:
    "THIIIIS IS MY MANNNN!! LULA E O CARA ... DAMN!n!N O LULA E O HEROI DOS NEGROS Q VIRAM ISSO !! .. NAO TEM COMO DESCORDA DELE .. OS NEGROS .. ESTAM SOFRENDO POR UM ERRO DELES BRANCOS!!" ... Impeachment. Nunca a Sociedade inteira será submetida à covardes como os que se amancomunavam para desgraçar a própria Raça. A raça desgraçada é a dos dependurados no saco imundo de pulhas,que suja a própria pele e a de outros.
    Está à tona como pús de furúnculo a espúria amancomunação dos que sorvem a insana gana de domínio das pessoas do mundo. A "Aparecida", a "Abençoada", e a "Madrasta Assassina", de mãos dadas, exaltam o fantoche aviltador da Democracia e da liberdade; impondo mentirosa cruzada formatadora de senzalas-mistas; distraem todos sob adulação, escondem intenções do lóbulo réptil fito nos povos. O Brasil está vendido nessa Ordem-Côrte Podre.
    Na Itália um Geólogo ao estudar as condições de terremotos fala pro vento, e, pasmem, um Físico ao antever a tragédia pela projeção dos gráficos dos estudos é PROCESSADO criminalmente. Pra quê estudar? Um Matemático fazendo pós-doc nos EUA é alvejado por um desesperado por falta de condições de vida. Enquanto isso o pulha, que subiu com vagabundagem, se estufa entregando a riqueza brasileira; esfregando sujeira na cara de todo todos os brasileiros e posando como “boa” “pinta” na mídia mais que vendida e tutelada pela espúria falta de escrúpulos dos fazedores de ouvintes que aplaudem “espertos”.
    A ignomínia é tão estapafúrdia que uma propaganda para “educar” crianças no trânsito escracha a dissenssão civil etária insuflando mêdo nos infantes contra os adultos, fazendo uma bruxa andrógina com conotação pederasta segurar o “pulso” da branca de neve.
    Na década de 80 os Sociólogos foram sistematicamente “calados”; já especificamente no Rio de Janeiro, desde o ano que a PuTrefacta Teo-Pulhítica usurpou com amedrontamento as áreas de representações civis, vem-se ensinando descaradamente que as pessoas se compram. Ensopa-se gente e mais gente com vapores de fezes e aliena-se a massa com recompensa pelo cúmulo da futilidade e açodamento da fofoca e adestramento de comportamento de vigia sobre a vida humana; tudo muito endossado pela “paz” ridícula dos alienados por interesses e demência psicológica.
    QUANTOS RESPONDERÃO POR TUDO ISSO?
    Haddammann Veron Sinn-Klyss

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  11. Caro João Boaventura:

    Veio estragar a minha metodologia de resposta aos dois comentários em lista de espera. E logo quando me preparava para o fazer.

    Apesar de tudo, muito agradeço e louvo os seus comentários cirúrgicos em pôr a descoberto a culpa da resignação em assistirmos impávidos e serenos a tudo que se passa à nossa volta numa espécie de fuga de responsabilidades que nos cabem em inalienável dever de cidadania.

    Ora, eu receio bem que uns tantos professores em torpor provocado e alimentado pelas conquistas apregoadas, "urbi et orbi", pelos respectivos sindicatos, em assuntos profissionais que, todavia, devem ir muito para além de aspectos salariais , de horários de trabalho, etc., se encontrem numa espécie de neurolepsia, ou seja, de total indiferença para com o que de real gravidade acontece à sua volta.

    Comentários como o seu, ao chamarem a atenção para acontecimentos que transcendem manifestações de rua como panaceia de emergência para o terramoto que deixou a cidadela do Saber e os muros do conhecimento sem pedra sobre pedra, correm o risco de serem hoje vozes a clamar no deserto. Mas como a esperança é a última a morrer, amanhã, pela certa, terão eco na consciência de todos nós, responsáveis, de uma forma ou outra, por um estado de coisas que hipoteca o futuro da juventude numa aldeia global cada vez mais exigente em aspectos de formação académica que não se deve esgotar em graus académicos de quem não está devidamente preparado para ganhar o pão, mesmo aquele pão que o diabo amassou!

    A acrescentar a tudo isto, assiste-se hoje ao ajoelhar e ao implorar no altar da soberaníssima Cunha por um lugar ao sol que deixa na sombra, ou mesmo na penumbra da amargura, os mais aptos que são ultrapassados em empregos para ganhar a vidinha, por medíocres que fazem da política um modo de vida com respaldo confortável, umas tantas vezes, em escandalosas sinecuras.

    “C’est l a vie”, dirão os mais resignados. Mas uma vida estuporada, convenhamos!

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  12. Fernando Gouveia: Concordo com o que escreve no seu comentário. Em regimes ditos democráticos (não nos esqueçamos que a antiga Alemanha Oriental se chamou República “Democrática” Alemã), a soberania popular, desvirtuando o que tem de mais positivo (o próprio Winston Churchill , mesmo pondo em causa a sua bondade não se escusou em reconhecer que, apesar de tudo, ainda se não tinha descoberto um regime político melhor) , torna-se serviçal , por vezes, do mais feroz autoritarismo como aquele que se verifica por parte do Ministério da Educação e seus corifeu: eu quero, eu posso, eu mando. Manda quem pode, nem sempre quem deve.

    “Et pour cause”, eu quero, eu posso, eu mando, aprovar acções de formação do tipo "banha-da-cobra" que bem atestam o seu destempero bem como de outras formações do mesmo género que foram vendidas aos professores privilegiando a mediocridade ao arrepio de outras acções de formação meritórias (que as houve também) , isentas de intenções “indigas” e insubordinadas a critérios em que o rei Midas espezinha a deusa Minerva.

    Todavia,num único ponto, atrevo-me a discordar de si. Compete-me o ónus da prova que possa sustentar essa minha discordância. Ela é tão simples como isto: a atitude não é “suspeitosamente de lesa-cérebro”. É isso, sim, insuspeitadamente de lesa- inteligência e de falta de bom senso. Do soberaníssimo bom senso de que nos falava Antero de Quental!

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  13. “Paulocosta”: Começo por discordar de si quando escreve: “Vou procurar não fazer mais comentários, é o último”.

    Se bem reparou, a alínea c), que preside às normas desejáveis para os comentários, é bem explícita: “São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias”.

    Mesmo que discordasse totalmente do meu 'post' (mas não me parece ser essa a intenção), esta norma dos autores do blogue derroga, desde logo, a sua intenção em se remeter a um silêncio futuro.

    Os factos que relata e que presenciou servem de testemunho válido para confusão que se gera em certas “mentes brilhantes”: “uma criança com capacidades extraordinárias para o xadrez, por exemplo, só lhe devemos dar xadrez!”

    Com este objectivo "pedagógico", amarramo-la de mãos e pés a uma mesa de xadrez, qual lapa fixada ao rochedo, privamo-la do movimento tão necessário ao seu desenvolvimento psicomotor e cabouco sólido para um eficaz desenvolvimento cognitivo e integral posterior, “et voilá”, estaremos em presença de um Eusebiozinho Macário contemporâneo incapaz de se defender se for esbofeteado pelos colegas, num tipo de meia ou mesmo um quarto de educação, criticada, em “As Farpas”, pela figura atlética de Ramalho Ortigão que nasceu, segundo ele próprio, para “Hércules de feira” e que por aí não se ficou tendo-se notabilizado no campo das Letras e do jornalismo panfletário.

    Para além disso os génios precoces quase nunca se assumem como génios na adultícia. Assim nada nos garante estarmos, com isso, a preparar um Garry Kasparov lusitano. Bem pelo contrário, na sua complexidade o cérebro para se desenvolver em toda a sua plenitude necessita de ser estimulado de todas as maneiras possíveis e variadas.

    Por isso, o seu testemunho teve, e tem, uma validade que não pode ser cerceada pelo seu desalento em não fazer novos comentários.

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  14. “Sinn-Kliss”: Do seu extenso e pungente libelo acusatório, que deduzo ter atravessado o Atlântico vindo do Brasil, retiro dois excertos, “verbo pro verbo”, que dizem respeito ao desrespeito por quem estuda com “sangue suor e lágrimas”:

    1.º excerto: “ Na Itália um Geólogo ao estudar as condições de terremotos fala pro vento, e, pasmem, um Físico ao antever a tragédia pela projeção dos gráficos dos estudos é PROCESSADO criminalmente. Pra quê estudar? Um Matemático fazendo pós-doc nos EUA é alvejado por um desesperado por falta de condições de vida”.

    2.º exerto: “Na década de 80 os Sociólogos foram sistematicamente ‘calados’".

    Como calculará, comungo da sua pergunta final sem para ela encontrar resposta, ao que julgo, a seu exemplo, e que cito, respeitando a sua intencional grafia em letras maiúsculas: “QUANTOS RESPONDERÃO POR TUDO ISSO?”

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1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.