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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Um prémio que deve chamar a atenção para a importância da cultura clássica na formação dos jovens


"A ideia de adaptar a Odisseia de Homero para Leitores jovens partiu de 
uma situação muito concreta: o convite que me foi endereçado por 
duas escolas secundárias (...) para falar aos alunos de Homero e da Guerra de Tróia. 
Percebi (...) que a minha tradução integral dos poemas homéricos não era 
apropriada para um público constituído por jovens. Era necessário adaptar o texto 
para que ele surgisse aos seus ouvidos com mais vida, menos redundâncias 
e menos contradições internas (...). No português utilizado, procurei a simplicidade,
mas achei anti-pedagógico infantilizar o vocabulário e as estruturas frásicas. 
Penso que é um dever de todos nós estimular nos mais jovens o gosto e a competências 
linguística na língua portuguesa. Se, ao mesmo tempo, esta leitura fizer nascer a 
curiosidade pela Antiguidade Clássica, dar-me-ei por plenamente realizado e satisfeito."

Frederico Lourenço, 2005, 327-328.


A primeira tradução que li de Frederico Lourenço foi A Odisseia de Homero adaptada para jovens, quando ela saiu.

Os olhos correm velozmente pelo texto como se alguém o dissesse de viva voz. As personagens ganham vida e movimentam-se em volta.

Não, não é apenas uma adaptação para jovens; é para todas as idades. É uma adaptação que leva pela mão, pelo menos a mim levou-me, à tradução integral.

Por isso, não fiquei nada admirada quando Frederico Lourenço ganhou, agora, mais um prémio - o prémio Pessoa.

Que este prémio tenha, entre outros méritos, o de chamar a atenção para a importância da cultura clássica na formação das pessoas que os jovens são. Cultura que tem de ser inequivocamente integrada no currículo académico e ser assumida pela escola pois é lá que está, ou deve estar, quem a conhece e a sabe dar a conhecer.
O livro começa assim: 
Uma visita inesperada (do Livro I - Telémaco no rasto do pai).
"Mil e duzentos anos antes do nascimento de Jesus Cristo, vivia na ilha grega de Ítaca um jovem príncipe chamado Telémaco. Seu pai tinha partido para a guerra quando ele ainda era bebé. Agora Telémaco era crescido, quase adulto - mas o pai ainda não tinha voltado. Já se sabia, em Ítaca, que a guerra acabara; todos sabiam que Tróia, a cidade inimiga, havia sido conquistada e destruída. Dando embora o desconto para as dificuldades de navegação e os perigos do mar, parecia estranho para os habitantes da ilha que Ulisses, o pai de Telémaco, não tivesse voltado para casa. 
Tão estranho que se espalhou o boato de que Ulisses tinha morrido. Em Ítaca, toda a população passou gradualmente a aceitar essa realidade. O palácio onde Telémaco vivia com Penélope, sua mãe, encheu-se de pretendentes, que queriam à força que a rainha Penélope voltasse a casar. Mas ela resistiu sempre, embora sem a certeza de que Ulisses estivesse vivo. Só havia uma pessoa em Ítaca que acreditava, no seu íntimo, que Ulisses haveria ainda de voltar. Era Telémaco, seu filho, que sonhava dia e noite com o pai. 
Na verdade, Ulisses não tinha morrido. Muitas tinham sido as aventuras e peripécias que tivera de enfrentar após a partida de Tróia. Mas, graças à sua extraordinária inteligência, conseguiu sempre sobreviver. O que a mulher e o filho não sabiam era que ele perdera a nau e todos os companheiros num naufrágio. Salvara-se a nado, sozinho, conseguindo chegar a uma ilha onde vivia uma deusa solitária, Calipso. Essa deusa afeiçoou-se de tal forma a Ulisses que não o deixou partir: queria que ele casasse com ela. Queria fazer dele um deus. Mas Ulisses, sempre pensando na mulher e no filho, nunca aceitou. 
Ora houve um dia em que os deuses, reunidos em concílio no Olimpo, a mais alta montanha da Grécia, decidiram resolver esse impasse. Atena, a deusa da sabedoria, protectora de Ulisses, convenceu Zeus, o pai dos deuses. Este decidiu mandar o deus Hermes, seu mensageiro, à ilha onde Ulisses estava retido, para que ele comunicasse a Calipso que chegara a hora de deixar partir Ulisses. 
Mas Atena lembrou-se ainda de outro mortal que lhe causava pena: o jovem Telémaco. E calçou nos pés as belas sandálias, sandálias mágicas, douradas e imortais, que com as rajadas do vento a levavam sobre o mar e sobre a vastidão da terra. Pegou numa forte lança de bronze, pesada, imponente, enorme: era a lança com que Atena vencia fileiras inteiras de heróis na guerra. Pois, além de deusa da sabedoria, era também uma deusa guerreira. 
Lançou-se veloz dos píncaros do Olimpo e logo chegou a Ítaca, à porta do palácio de Ulisses, à entrada do pátio. Segurando na mão a lança de bronze, a deusa alterara a sua aparência, para que ninguém a conhecesse. Transformou-se num homem de meia-idade, com aspecto nobre e tranquilo. 
Encontrou de imediato os pretendentes, que nesse momento se divertiam a jogar aos dados, sentados em peles de bois que, em sua arrogância, eles mesmos haviam morto. Escudeiros e criados misturavam em grandes taças água com vinho  (pois os gregos não bebiam o vinho puro). Outros criados lavavam as mesas com esponjas porosas; e outros ainda serviam carnes em grande abundância. 
O primeiro que avistou o homem estranho (na verdade a deusa disfarçada) foi Telémaco, que estava sentado no meio dos pretendentes com tristeza no coração, imaginando no seu espírito o pai achegar ali naquele momento para expulsar aqueles homens arrogantes. Se isso acontecesse (imaginava Telémaco), teria finalmente em seu próprio palácio a honra que lhe era devida. É que os pretendentes faziam troça dele e tratavam-no como criança. 
Estava então Telémaco sentado no meio dos pretendentes a pensar estas coisas, quando avistou o homem desconhecido. Levantou-se logo e dirigiu-se a ele, pois achava vergonhoso que um hóspede ficasse parado à entrada sem ninguém lhe dar as boas-vindas. Aproximou-se do estranho e deu-lhe a mão, recebendo dele a lança de bronze. E foi com estas palavras, que faziam parte da tradicional boa educação na Grécia, que Telémaco o cumprimentou: 
- Sê bem-vindo, ó estrangeiro! Será estimado em nossa casa! E, depois de ter comido, dir-me-ás no que poderei ajudar-te. 
Falando assim, indicou o caminho; e a deusa disfarçada seguiu-o. Quando já se encontravam dentro da alta casa, Telémaco encostou contra uma coluna a lança do hóspede, colocando-a no bem polido guarda-lanças, aí onde estavam muitas outras lanças, até algumas que tinham pertencido a Ulisses. Levando o hóspede pela mão, Telémaco sentou-o num belo trono trabalhado e estendeu uma toalha de linho; sob os pés, pôs um pequeno banco. Para si próprio, colocou ali perto outro assento, longe dos pretendentes, não fosse o estrangeiro  levado a recusar a refeição por causa do barulho..."
Edição consultada: Cotovia, 2005, pp. 13-16.  

domingo, 13 de setembro de 2015

A "Introdução à Cultura e Línguas Clássicas" está nas escolas

Uma nota da imprensa sobre a nova componente curricular de opção por parte das escolas designada por "Introdução à Cultura e Línguas Clássicas" 
"Pela primeira vez, os alunos mais novos (...) poderão ter aulas e descobrir curiosidades sobre o Latim e o Grego, graças a um novo projeto de Introdução à Cultura e Línguas Clássicas. Um dos objetivos desta iniciativa, destinada aos alunos desde o 1.º ao 9.º ano, é inverter a tendência dos últimos anos que quase condenou o Latim e o Grego ao esquecimento" (Ver aqui).

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A situação do ensino das Clássicas no ensino público português: 9 escolas, 13 turmas, 144 alunos

Pedimos aos leitores do De Rerum Natura para, caso conhecessem, nos referissem escolas portuguesas que (ainda) têm Clássicas. Agradecemos a sua pronta colaboração e damos conta dos resultados relativos às disciplinas de Latim e de Grego, deixando para posterior texto os resultados relativos a projectos que funcionam no ensino básico e secundário.

Durante o mês de Maio de 2014 realizámos um inventário das escolas públicas que, no presente ano lectivo, têm turmas de Latim e de Grego.

A metodologia que seguimos foi a indagação directa a professores inscritos na Associação de Professores de Latim e Grego, a escolas que têm tido estas duas disciplinas, a orientadores de estágio pedagógico e a departamentos do ensino superior. Usámos ainda um alerta na internet em dois sítios (facebook da Associação de Professores de Latim e Gregos e este blogue).

Os dados que apurámos foram os seguintes:
(1) Identificámos 9 escolas onde se ensina Latim (com 12 turmas, num total de 129 alunos), sendo que só numa delas se ensina Grego (1 turma com 15 alunos). No total são 144 os alunos inscritos numa língua clássica;
(2) O número de alunos por turma é reduzido, inferior ao estipulado para constituição de turmas (terminando o regime de excepção nesta matéria, não será possível constituir qualquer turma);
(3) Destaca-se uma acentuada diminuição de turmas (e, em consequência, de alunos) de Latim do 11.º ano para o 10.º ano (de 9 para 3 turmas; de 92 para 37 alunos);
(4) Tendo em conta (2) e (3) as escolas e os professores contactados disseram temer que a partir do próximo ano lectivo, 2014/2015, não seja possível abrir qualquer turma de Latim e, certamente, de Grego, dada a irrelevância destas duas disciplinas no prosseguimento de estudos.
Neste caso, os números falam por si.

Maria Helena Damião, Isaltina Martins e Alexandra Azevedo

sábado, 28 de setembro de 2013

Novidades da "Classica Digitalia"

Informação chegada ao De Rerum Natura



O Conselho Editorial dos Classica Digitalia tem o gosto de anunciar duas novas publicações, de parceria com a Imprensa da Universidade de Coimbra.

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente (cujo endereço direto é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre. O preço indicado diz respeito ao volume impresso.

Série “Varia” (Estudos)
Francisco de Oliveira (Coord.), Europatria (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, Classica Digitalia, 2013) 538 p. (Capa - imagem acima)
PVP:  20 € / Estudantes:  16 €

Série “Classica Instrumenta” (Estudos)
Rui MoraisMiguel Bandeira & Eliana Manuel Pinho, Itineraria Sacra. Bracara Augusta fidelis et antica (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, Classica Digitalia, 2013) 132 p. (a cores). 
PVP:  20 € / Estudantes:  16 €

sábado, 27 de abril de 2013

Uma notícia má e boa

Aqui já ao lado, em Espanha, a (re)atribuição do estatuto de "componente fundamental" do currículo escolar às Línguas e Cultura Clássica ocupa o centro do debate político.

É uma notícia má e boa.

É uma notícia má porque está em curso uma reforma educativa que lhes retira protaganismo. Sendo aprovada, tal como se apresenta, em Maio próximo, a Ley Orgánica para la Mejora de la Calidad Educativa (LOMCE), o Latin e o Grego passam de disciplinas obrigatórias a optativas, entre muitas outras, sendo que as escolas não têm necessariamente de as oferecer.

É uma notícia boa porque associações disciplinares, academias e investigadores têm feito tudo menos calar-se e, assim, conseguiram envolver grupos políticos (não interessa a orientação partidária) que mais do que se dizerem sensíveis ao assunto, têm-se movimentado para que, neste particular, não sejam feitas mudanças no currículo.

Encontramos em Espanha, neste momento classicistas e políticos a falar a uma só vós contra a maré de pensamento e contra o tempo...

A Sociedad Española de Estudios Clásicos (SEEC) não tem parado e entre as iniciativas da sua responsabilidade conta-se uma carta ao chefe do governo, onde se classifica a aprovação da Lei, tal se encontra redigida, uma «desgracia cultural» pois seria "una pérdida de la capacidad de reflexión lingüística de los alumnos y de toda su percepción y representación verbal, lo que implica una notable merma de sus posibilidades de adquirir conocimientos".

Na mesma linha, o político Eugenio Nasarre, baseado no que dizem os especialistas, defende abertamente o Latim como disciplina obrigatória:"ayuda al conocimiento de la lengua castellana, aporta un bagaje cultural enorme, desarrolla la capacidad para un razonamiento claro y bien estructurado – porque obliga a un procedimiento deductivo muy importante para el alumno – y mejora la redacción y expresión." 

O esforço conjunto parece estar a dar frutos pois a Comisión Permanente del Consejo de Estado emitiu, no passado dia 18, uma recomendação onde consta o seguinte:
1) Se recomienda que la Cultura Clásica sea de obligada oferta (p. 96).
2) Las específicas de 4.º de ESO (incluido el latín, por tanto), deberían ser de obligada oferta (p. 99). 
4) Las específicas del Bachillerato deberían ser de obligada oferta (p. 109). Eso asegura la oferta obligada del griego.

Nessa recomendação salienta-se, ainda, que: El mundo clásico reúne los elementos básicos de la identidad europea. Sin latín y griego, pensamiento griego e historia romana no se entiende nuestra posición en el mundo...

Se demos atenção a este assunto é porque pensamos que em Portugal, onde as Línguas e a Cultura Clássicas têm uma presença optativa e menos do que residual no currículo das escolas públicas, requer-se, tal como em Espanha, uma sensibilização da sociedade e dos políticos no sentido de os levar a perceberem o valor deste conhecimento. É um passo que tem de ser dado com urgência e muita determinação para que tal conhecimento volte a ser proporcionado a todos os alunos.
Maria Helena Damião e Alexandra Azevedo

Texto redigido a partir da informação recolhida principalmente aqui e aqui.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Novidades Editoriais da Classica Digitalia

Informação chegada ao De Rerum Natura.

A biblioteca Classica Digitalia tem o gosto de anunciar duas novas publicações, uma das quais em parceria com a Imprensa da Universidade de Coimbra.

- Série “Humanitas Supplementum” (Estudos) - José Ribeiro Ferreira, Delfim F. Leão, & Carlos A. Martins de Jesus (eds.): Nomos, Kosmos & Dike in Plutarch (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2012). 277 p.

- Série “Varia” (Estudos) - Delfim F. Leão, A globalização no mundo antigo. Do polites ao kosmopolites (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra / Classica Digitalia). 158 p.

Apraz-nos também informar que um dos livros editados em 2011 pelos Classica Digitalia acaba de ser publicado em inglês pela editora alemã De Gruyter:
- Gabriele Cornelli, In Search of Pythagoreanism. Pythagoreanism as an Historiographical Category ()

Neste mês de outubro, foram também publicados mais dez volumes nos Classica Digitalia Brasil, em parceria com a Annablume.

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente encontra-se disponível em acesso livre.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Novas publicações da Classica Digitalia

É com gosto que o De Rerum Natura volta a dar notícia de novas publicações da editorial Classica Digitalia, do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, como sempre  em formato de papel (cujo preço se indica) e digital (de acesso livre).

Série Humanitas Supplementum (Estudos) - Carmen Soares e Paula Barata Dias (coords.), Contributos para a história da alimentação na antiguidade (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2012) 116 p. PVP: 20 € / Estudantes: 16 € [capa dura]

Série Monografias (Estudos) - Isabel Castiajo, O teatro grego em contexto de representação (Coimbra, IUC/CECH, 2012). 173 p. PVP: 13 € / Estudantes: 10 €

Série Autores Gregos e Latinos (Traduções) - Delfim Leão e José Luís Brandão, Plutarco. Vidas de Sólon e Publícola. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2012). 207 p.:  PVP: 12 € / Estudantes: 9 €

terça-feira, 31 de julho de 2012

DE COMO UM DOS "DEUSES DO DARDO”, DO SÉC. XXI, DE CARLOS FIOLHAIS, ATINGIU MORTALMENTE UM ATLETA NO SÉC. XX,



E DE COMO NO SÉC. V a.C., ANTIFÃO NOS ESCLARECE, NAS SUAS TETRALOGIAS, AS CONSEQUÊNCIAS FILOSÓFICO-JURÍDICAS


por João Boaventura


Após a leitura do memorável trabalho, em epígrafe, do Professor Carlos Fiolhais, de imediato o associei a um acontecimento raro, o da morte do atleta sueco Bo Larsson, no Estádio Johanneshov de Estocolmo, quando participava numa corrida de estafetas, por ter sido atingido acidentalmente por um dardo lançado por outro atleta, durante um torneio de atletismo nocturno, segundo informava então o “Diário Popular”, de 29.08.1959.


E nesta sequência, sem vislumbre de qualquer consequência filosófica ou jurídica, resultante de tão infausto acontecimento, no século XX, o único recurso foi o de recorrer a um texto de debate fictício, do séc. V a.C., da autoria de Antifão, professor de eloquência e de direito, autor das referências, “Da verdade”, “Da concórdia”, e das “Tetralogias”, onde os seus discursos judiciários, constituíam modelos de argumentação, para factos que poderiam ocorrer, e serem pleiteados. Os três títulos eram os textos através dos quais Antifão transmitia os seus ensinamentos aos alunos, e assim se formariam os homens do direito desportivo.


Nas “Tetralogias”, esquematicamente, agrupam-se 4 discursos, cabendo dois ao advogado de acusação e dois ao de defesa:


  1. Exposição da acusação
  2. Argumentação da defesa
  3. Resposta
  4. Réplica

No caso presente os acusadores e os defensores são os pais do filho atingido pelo dardo e do do lançador do dardo mortífero, e cujos pleitos se reproduzem:


ANTIFÃO 1.



ANTIFÃO 2.ANTIFÃO 3.


In Anthologie des Textes Sportifs de l'Antiquité

Recueillis par Marcel Berger et Émile Moussat

Grasset, 3 ème Édition, Paris, 1927, pp 92-95


João Boaventura

sábado, 21 de julho de 2012

A erosão do Latim e do Grego

Texto da autoria de Paula Barata Dias, presidente da Associação Portuguesa de Estudos Clássicos, sobre situação agonizante do Latim e do Grego no nosso sistema de educativo. Situação que o De Rerum Natura tem acompanhado com atenção e preocupação.

O ensino do latim e do grego no ensino público em Portugal vive, de há muito, um enquadramento curricular modesto e precário, devido a intervenções legislativas desastradas que têm vindo a erodir as condições para a sua presença nas escolas.

A erosão vem de longe: desde reformulações precipitadas dos curricula escolares até às alterações nas competências requeridas para a profissionalização dos docentes na área de Português e de Línguas Clássicas, chegámos finalmente ao bem conhecido de todos despacho 5106-A/ de 2012. Neste diploma define-se um conjunto de normas relacionadas com as matrículas, distribuição dos alunos por escolas e agrupamentos, regime de funcionamento das escolas e constituição de turmas, que determina o número mínimo de vinte alunos para a abertura de disciplinas de opção.

O Ministério da Educação e Ciência foi alertado pelas escolas, associações científicas e sindicatos para as consequências da aplicação deste normativo para o ensino de disciplinas como Francês, Alemão, Latim e Grego, para nos limitarmos exclusivamente à área das línguas, sabendo contudo que este enquadramento é pernicioso para outras áreas disciplinares.

Contudo, o mesmo despacho, no ponto 5.3, admite:
A constituição ou a continuidade, a título excecional, de turmas com número inferior ou superior ao estabelecido nos números anteriores carece de autorização dos serviços do Ministério da Educação e Ciência territorialmente competentes, mediante análise de proposta fundamentada do diretor do agrupamento de escolas ou escola não agrupada, ouvido o conselho pedagógico.

Temos conhecimento de que foi emitida, no dia 17 de julho uma recomendação (n.º 4502) às Direcções Regionais (DREN; DREC; DREL; DREALENTEJO, DREALG) com carácter de urgência, para que autorizem a abertura de turmas das disciplinas de opção do 10.º e 11.º anos (com referência específica ao Latim e ao Grego) com número inferior a 20 alunos.

Essa possibilidade já se encontrava prevista no despacho acima referido, mas há Direções de escolas que, no momento de programar o número e tipo de turmas para o próximo ano letivo e da consequente afetação de recursos docentes para a sua lecionação, ignoram este ponto e não são suficientemente esclarecidas pelas Direções regionais ou outros organismos de tutela.

Face a esta circunstância, parece só restar uma alternativa: serem os professores, as famílias e os alunos interessados na manutenção destas disciplinas a insistir pelo seu cumprimento, pois há base legal para pedir autorização de abertura de turmas de Latim ou Grego com menos de 20 alunos.

Paula Barata Dias

domingo, 8 de julho de 2012

Pari passu

Temos dado conta no De Rerum Natura da situação crítica, e em cada ano lectivo mais crítica, do ensino das línguas e cultura clássicas em Portugal. No ano lectivo que se aproxima esse ensino poderá extinguir-se nas escolas públicas (em escolas privadas o seu lugar cresce). De facto, o número de vinte alunos como critério de constituição de turmas, a não ser adaptado a casos de disciplinas em que a procura é reduzida, impede as escolas que ainda disponibilizavam a opção de Latim e de Grego de o fazer.
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Numa escola, uma professora resiste, com colegas tem preparado, em tempo e condições muito exíguas, alunos que trazem para Portugal excelentes prémios internacionais. Percebendo, agora, que (talvez) a única possibilidade de manter as línguas e a cultura clássica no sistema de ensino seria a "oferta de escola", concebeu um programa, intitulado Pari Passu, que está disponível a quem o queira aproveitar gratuitamente.

Prevê-se um acompanhamento às escolas e professores aderente por parte de uma equipa que, entretanto, se formou. Não podia o De Rerum Natura deixar de falar (mais uma vez) com Alexandra Azevedo.


Poderá explicar aos leitores do De Rerum Natura como surgiu o programa Pari Passu.

O motivo que nos levou a pensar nele foi, não só o exemplo contínuo que nos chega de países germânicos ou anglo-saxónicos, em que o ensino das línguas e cultura clássicas tem ganho muitos adeptos por se considerar elementar e fundamental na educação das crianças e jovens, mas sobretudo o grave estado em que se encontra, no nosso país, o ensino das línguas e cultura clássicas. Cada vez é menor o número de alunos que estuda latim e consequentemente, menor o número de licenciados que dominam esta língua que é, afinal, a matriz da nossa. Estamos perante um facto objectivo que tem implicações graves no ensino da língua portuguesa. Estudar latim é um fim em si mesmo, mas é antes o princípio a partir do qual podem surgir melhorias na competência linguística dos alunos. Assim, não obstante a corrente empurrar-nos no sentido do conformismo e da desistência, decidimos aproveitar uma pequena abertura legal que a recente publicação das matrizes curriculares para o ensino básico permite e estruturar este programa que disponibilizamos às escolas de todo o país.

É um programa para todos os ciclos do ensino básico?
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Começamos pelo 2.º ciclo por se enquadrar perfeitamente nos objetivos do que foi legislado para a oferta complementar de escola. Caso o acolhimento seja positivo, pretendemos estendê-lo ao 1.º e 3.º ciclos, adaptando, naturalmente, os objectivos e as estratégias. A inserção neste ciclos é, no entanto, mais difícil no atual disposto legal.
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Como caracteriza, de modo geral, o programa?
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É um programa que flexível, adaptável às circunstâncias de cada escola, ao seu projeto educativo, ao seu crédito horário específico. A sua mais-valia é lançar uma linha de trabalho que em Portugal, não sendo nova (vários colégios privados têm programas análogos), constitui uma primeira abordagem no ensino público. .
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Quais são os objectivos que devem guiar a acção dos professores que o usarem?
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Visa, acima de tudo, contribuir para se ultrapassarem dificuldades que o afastamento do estudo das línguas e da cultura clássica poderá ter trazido aos nossos alunos: dificuldades na fluência de leitura e prosódia, na análise textual, no domínio vocabular, no raciocínio lógico, na expressão escrita e oral, na condução por valores que são a matriz da nossa convivência… Trata-se, portanto, de agir numa realidade que pode e deve ser alterada.
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O sítio na internet não está ainda completo, será completado pela equipa responsável e/ou pelos professores aderentes?
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A ideia é ser completado ao longo do ano por nós e por todos os que vierem a colaborar nele. Serão, pois, arquivadas sequências didáticas, materiais concebidos, instrumentos de avaliação, enfim, o que possa ser vantajoso em termos de estratégia de aprendizagem.
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Pari passu, significa…
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A par… Num passo igual… O nome do projeto tem um duplo objetivo: a igualdade de oportunidades culturais e linguísticas para todos os alunos e a evolução simultânea em português e na aprendizagem clássica.
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Votos de sucesso. 

sábado, 23 de junho de 2012

Como se no primeiro ano de Matemática aprendessem a tabuada…

Texto de Paula Barata Dias, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra na sequência de outro aqui publicado.

O texto de João Veloso é exato e terrível. Exacto, porque faz o diagnóstico de um sistema educativo que, desde há muito, maltrata as humanidades, entre elas as línguas clássicas, as "absolutamente marcadas pelo labéu da inutilidade" (para que servem? para que serve a música? para que serve a poesia?...). Terrível, porque sicut uoces praecantes in deserto, são cada vez menos os que alertam para os efetivos prejuízos da construção de um currículo de ensino não superior no qual as humanidades figuram com um enquadramento disforme, seccionado, com o maior desrespeito pelas línguas enquanto saber exato, varrendo-se, das ofertas escolares, o latim, o grego, mas também o alemão, o francês…

Sou professora de línguas clássicas no ensino superior, mas, contingências da vida universitária, tenho lecionado outras disciplinas, tendo-me passado pelas mãos algumas centenas de alunos. E assim, posso testemunhar algo que certamente outros professores já viram: o aluno universitário médio com défices severos não só de formação, mas também de estruturas mentais que lhe permitam aprender: exprime-se em períodos de 3 ou 4 palavras (mais do que isso é uma tese, ou então, interrompido por cadeias de monossílabos); o vocabulário é restrito, a ponto de inibir a compreensão oral de uma exposição do docente; raramente é capaz de ler bibliografia em língua estrangeira (qualquer que ela seja!); parece que a memória se encontra em completo repouso. Já encontrei alunos não treinados para a leitura silenciosa, ou que a acompanham com um mover abichanado dos lábios…

Após anos, planos e euros gastos com Planos Nacionais de Leitura; reformas curriculares; reformas de programas escolares; aplicação da TLEBS; e.escolas, chegámos a um estado bizarro: somos o único país de língua românica que coloca o latim como opção, a competir com a disciplina de Literatura Portuguesa (que escolha é esta?: então o aluno de humanidades é obrigado a escolher entre o latim e a literatura do país de que é cidadão?).

O quadro é penoso: somos o único país de língua ocidental (não estamos a cingir-nos apenas aos países românicos) em que o ensino de latim e grego em meio universitário, nas duas únicas licenciaturas de Estudos Clássicos a funcionar no país, admite níveis de iniciação para saberes nos quais, ao fim de três anos, saem licenciados. Seria como se, numa licenciatura em Matemática, os jovens entrassem no primeiro ano para aprender a tabuada…

PBDias

terça-feira, 19 de junho de 2012

Vitam regit sapientia, non fortuna

Texto recebido de João Veloso, professor de Linguística Geral e Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade do Porto sobre a situação crítica em que a cultura e as línguas clássicas se encontram no nosso país.

A recente regra que, em nome do economicismo que está a desmantelar o que de bom ainda resta na Escola Pública (maiúsculas propositadas), proíbe a abertura de disciplinas de opção com menos de 20 alunos é a estocada final no ensino do Latim e do Grego no sistema público de ensino secundário em Portugal.

Num país que tem aversão à sabedoria, às coisas difíceis, à maturação do raciocínio, ao esforço e concentração intelectuais, à reflexão demorada, ao pensamento abstrato, ao conhecimento de matérias sem visibilidade ou aplicação aparentemente imediatas – onde, em suma, as “ciências da comunicação” ou a “organização de eventos” estão mais cotadas, social e academicamente, do que a matemática, a física, a química, a história, a filosofia e a gramática, onde o lema dos concursos televisivos com maiores audiências parece ser “quanto mais boçal melhor”, onde os pais preferem inscrever os filhos em Espanhol em vez de Francês baseados na suposta maior facilidade daquele e na miragem de que tal escolha lhes abrirá um dia as portas de Medicina em Salamanca –, era esta a medida que faltava para acabar de vez com as línguas clássicas na oferta curricular efetiva em Portugal.

Como se não bastasse a sacrossanta pergunta de pais, professores e diretores de escola – “Latim e Grego para quê??!!” – impõem-se agora duas perguntas ainda mais desesperantes: “Latim e Grego onde?”; “Latim e Grego como?”.

Trata-se de uma situação que me incomoda. Incomoda-me como ex-aluno de Latim, como professor de Humanidades, como estudioso e especialista de Português, como pai de um jovem de 15 anos que quer ser arqueólogo e que quer muito matricular-se em Latim e Grego no 10º ano já no próximo ano letivo e incomoda-me como cidadão que, com a companhia de muitos outros compatriotas, quer um país culto, informado, sábio, melhor, mais elevado e mais instruído.

Por motivos pessoais e profissionais, o meu tempo é quase todo passado em escolas, escolas grandes e pequenas, ricas e pobres, boas e más, do litoral e do interior. Quando entro nas bibliotecas (agora chamam-lhes “centros de recursos educativos”…) de muitas dessas escolas, descubro sempre uma ou duas prateleiras com dicionários, gramáticas, manuais, livros e outros materiais de Latim e de Grego. É um vestígio e um sinal de que, há pouco mais de 10 anos, estas eram matérias ensinadas e estudadas em praticamente qualquer escola secundária, sempre com turmas reduzidas. Penso nas grandes cidades mas penso também em terreolas perdidas e afastadas dos centros urbanos, localidades insossas onde não havia centros comerciais, nem cinemas, nem hipermercados, nem autoestradas – mas havia meia dúzia de cabeças a aprender declinações, a traduzir Cícero e Horácio, a escutar uns professores que lhes falavam dos mitos e das histórias do passado remoto, dessa Antiguidade de que todos somos herdeiros mas de cuja herança afinal não somos dignos. Reflito, penso nos gregos que, onomatopeizando o balir das ovelhas ou as falas de outras nações, chamavam “bárbaros” aos que não sabiam a sua língua e concluo que já não é só na etimologia que estamos bárbaros, cada vez mais bárbaros. Os filhos dos jovens que há 15 anos, sem televisão por cabo nem microondas, aprendiam Latim e Grego já não podem ter acesso, mesmo que mais ricos materialmente e mesmo que querendo, a essa parcela da nossa herança cultural e linguística.

Dói-me particularmente que pessoas e instâncias que deveriam ter um papel afirmativo no combate a esta forma de obscurantismo – dos diretores das escolas e psicólogos escolares que fazem orientação vocacional até aos responsáveis ministeriais – se demitam, sacudam os ombros, lavem as mãos e abdiquem de uma função que também é deles: defender as áreas nucleares do saber e da cultura (palavra que não está definitivamente na moda, que não é um bem transacionável, que não interessa nem aos investidores, nem aos especuladores, nem às agências de rating). Só uma visão muito curta, de olho pequenino posto nas contas de créditos horários e no agrado à tutela, pode justificar a indiferença – quando não a hostilidade – perante a missão cultural da Escola, porque é só disto que se trata. A estes responsáveis (mas não só a eles, obviamente) cabe promover e preservar as disciplinas que não estão na mó de cima, assumir com orgulho que, apesar de todas as dificuldades, obstáculos e restrições, ainda é possível estudar matérias ameaçadas como o Latim e o Grego, duas línguas que não arrastam multidões, que nunca gozarão da popularidade e dos favores do público, mas de que o país não pode abdicar, a menos que se queira assumir oficialmente que entrámos mesmo em declínio e que voltamos a preferir o analfabetismo (que tem muitas faces).

“Estamos a precisar de outro Renascimento” – dizia-me o meu filho mais velho hoje à hora de almoço. Sim, infelizmente estamos. Voltámos ao tempo da necessidade de uma resistência cultural semiclandestina, como a dos monges da Idade Média que transmitiam dentro dos seus mosteiros, de geração em geração, a álgebra, o latim e o grego, a escolástica, o alfabeto e a gramática, a astronomia, a botânica, olhados com desconfiança pelo poder obscurantista e lutando, sem qualquer compensação e às vezes sendo perseguidos por isso, pela preservação de um saber ancestral. Ou, mutatis mutandis, à Polónia ocupada pelos nazis, na Segunda Guerra Mundial, em que os (ex-)estudantes das universidades encerradas pelos alemães se reuniam secretamente, correndo risco de vida, para ouvirem, a seu pedido, as lições clandestinas dos seus professores.

Convenhamos: a Torre do Tombo e muitos arquivos menores espalhados pelo país, os sítios arqueológicos, os laboratórios anónimos onde discretamente se faz muita investigação em ciência fundamental, muitos museus e monumentos nunca poderão competir com o karaoke, com o divertimento instantâneo e barato da popularucha televisão de massas, com os noticiários sensacionalistas, com o desporto-rei ou com a mexeriquice brejeira e universalizada. Nem por isso – espero! – se supõe que o Estado mande agora fechar museus e arquivos, enterrar espólios, encerrar escavações, observatórios e laboratórios a que falte público ou aclamação.

Há coisas que só a Escola pode ensinar. O latim e o grego estão entre essas matérias de que nunca nenhum instituto de vão de escada, nenhuma associação cultural de bairro (com todo o respeito), nenhum clube desportivo se irão abeirar. Por isso, a Escola tem na preservação deste saber um papel simplesmente insubstituível.

Não passará pela cabeça de ninguém, julgo eu, que a Escola e a Universidade portuguesas deixem um dia de oferecer formação em áreas científicas básicas como, além das que já enunciei neste texto, a biologia, a astronomia ou o direito. As línguas clássicas, por serem os códigos em que foram fixados muitos dos valores fundamentais que ainda hoje regem as nossas sociedades, pela compreensão mais esclarecida e aprofundada que nos proporcionam do léxico e das estruturas do português que falamos e estudamos (estudamos?), por serem as línguas em que foram escritos alguns dos mais importantes textos científicos, literários, jurídicos e filosóficos que estão na base de muito do conhecimento e da ética (ética?) do mundo contemporâneo, por serem em si mesmas objetos de conhecimento explícito (e estudo árduo), por ser – no caso do latim – a língua em que se encontra escrita muita da documentação que nos arquivos e acervos espalhados pelo país se encontra ainda por catalogar, estudar e editar, têm de estar, obrigatoriamente, no cômputo de tais áreas fulcrais e imprescindíveis.

Quanto a este ponto, não basta dizer que os planos curriculares do ensino secundário continuam a contemplar o Latim e o Grego – mas que os alunos e as suas famílias não os escolhem (tal como quando “os mercados” não compram a nossa dívida soberana ou “as audiências” não gostam de ópera na televisão), sacudindo responsabilidades e remetendo para o vulgo aquilo que o vulgo ignora. Estas áreas, pela sua delicadeza e pelo sério risco de extinção que enfrentam, precisam de medidas especiais de garantia, defesa, preservação e promoção, tal como, num passado recente, se fez para certas áreas ameaçadas no ensino superior (as artes e as “ciências navais”, por terem sido consideradas áreas estratégicas e em risco).

Todos sabemos dos problemas financeiros do país – que muitas vezes servem somente de desculpa e pretexto para muitas decisões que fazem parte de agendas ideológicas ou programáticas cada vez menos bem disfarçadas, sendo o desprezo por uma formação de ponta posta à disposição de ricos e pobres um dos pontos dessa agenda –, mas seria relativamente simples, assumida politicamente a relevância da questão (ablativo absoluto), pensar em medidas que impedissem a morte definitiva das disciplinas de Latim e Grego. Falo de medidas simples, não estrondosamente caras, inteiramente justificadas, como, p. ex., assegurar-se que, dentro de certas circunscrições geográficas e administrativas, a regra dos 20 alunos por turma pudesse ser flexibilizada (permitindo, p. ex., que em cada distrito ou concelho, ou em cada agrupamento de escolas, ou dentro de um raio quilométrico a definir, houvesse pelo menos uma escola a oferecer aos alunos interessados, ainda que em número inferior a 20, a possibilidade de se matricularem em Latim e Grego, e canalizando para essas escolas os alunos a quem, nas outras escolas das redondezas, não fosse dada essa opção). Ponto final.

Não o fazendo, além do prejuízo cultural que isso acarreta – digo sem qualquer sombra de dúvida que, se se consumar (como tudo indica que vai acontecer) a extinção definitiva do Latim e do Grego nas escolas secundárias do país, o sistema educativo e os seus responsáveis e decisores ficarão para a História como cúmplices e coautores de um retrocesso civilizacional e cultural – , estaremos, ainda por cima, a menosprezar e a desperdiçar o mérito profissional de centenas de excelentes profissionais. É preciso recordar que Portugal, que nem sempre foi assim, conta com uma longa e frutífera tradição de formação de professores de Português, Latim e Grego, dos melhores que se podem encontrar no mundo (sei do que estou a falar), a quem pura e simplesmente não é dada oportunidade de mostrar o que valem e de multiplicar o seu saber e a excelência profissional que detêm. Centenas de jovens desejosos de aprender Latim e Grego, com professores que os ensinariam admiravelmente, ficam assim impedidos de aceder a um recurso de exceção – tantas vezes desperdiçadamente direcionado para o ensino de outras matérias ou para o desempenho de tarefas não docentes que pouco contribuem para a melhoria do nível cultural da população.

Perante este cenário de definhamento e apagamento de uma área de conhecimento importante, não tenho quaisquer dúvidas em dizê-lo: daqui a uma geração, quando precisarmos de latinistas e helenistas – nenhum país “civilizado” os dispensa –, iremos importá-los, quiçá de países onde se falam línguas não românicas e/ou de países sem a herança greco-latina que caracteriza a nossa matriz civilizacional, e iremos deixar a nu o vergonhoso resultado de uma política míope e nada esclarecida.

Lamento que este tema não suscite maior debate nem maior interesse. É o reflexo da indiferença dos portugueses em geral pelas questões culturais, que, enquanto profissional da área, sinto de forma mais aguda no que toca ao “saber humanístico”. Como diziam hoje dois pais à porta da escola aonde fui deixar o meu filho mais novo, que fez a prova nacional de Língua Portuguesa, 6º ano: “hoje é fácil, é Português, não é preciso estudar; o pior é na quinta; Matemática é difícil, mas eu já disse ao meu: «não te preocupes com a Matemática; aquilo é mesmo difícil; tu tiras nega mas no país todos tiram»”. Ou como dizem alguns professores do meu mais velho (como também a mim mo disseram noutros tempos) : “Tu, com essas notas, vais para Letras?”. Em resumo: as humanidades são coisa fácil, que não exige esforço, são o refugo dos menos capacitados. As “ciências” sim, são difíceis, mas consolemo-nos, não vale a pena investir muito nelas porque é difícil para todos e o fracasso generalizado não nos deve envergonhar. Com este pano de fundo, a Escola não pode ficar quieta!

Com este pano de fundo, o que é verdadeiramente admirável é que um aluno português, um dos cento e poucos que ainda conseguiram estudar Latim numa escola pública portuguesa nos últimos dois anos, tenha ganho o prémio de melhor aluno europeu de Latim. Batendo-se com os melhores dos melhores no “Certamen Horatianum”, trouxe para Portugal a medalha de ouro. Chama-se António Gil Cucu, é aluno de uma das escolas em que eu próprio estudei Latim – Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto –, não ganhará nunca nem a admiração histérica nem os milhões que ganham os ídolos do futebol (muitos deles casos flagrantes de insucesso ou abandono escolar precoce). Porém, são-lhe devidas todas as honras e todas as medalhas que os jovens que prometem um futuro melhor para o nosso país deveriam receber. É a prova do que disse mais acima: Portugal tem dos melhores professores de Latim e Grego do mundo – é só deixá-los ensinar Latim e Grego.

João Veloso

terça-feira, 5 de junho de 2012

Três anos e mais três títulos na Classica Digitalia


Informação envida pelo Conselho Editorial dos Classica Digitalia (na imagem Paulo de Tarso).

Três novas publicações no momento em que o projeto editorial "Classica Digitalia" celebra 3 anos de existência. São 110 os volumes disponíveis em formato tradicional de papel e na biblioteca digital.

- José Augusto Ramos, Maria Cristina de Sousa Pimentel, Maria do Céu Fialho, Nuno Simões Rodrigues (coords.), Paulo de Tarso: grego e romano, judeu e cristão (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, CHUL, CEC, 2012). 306 p. PVP: 25 € / Estudantes: 20 € [capa dura]

 - Carlos A. Martins de Jesus, Claudio Castro Filho, José Ribeiro Ferreira (coords.), Hipólito e Fedra - nos caminhos de um mito (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2012). 228 p.  PVP: 20 € / Estudantes: 16 € [capa dura]

- Sofia de Carvalho, Representações e hermenêutica do Eu em Safo - Análise de quatro poemas (Coimbra, CECH, 2012). 142 p.  PVP: 11 € / Estudantes: 8 €

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um périplo instrutivo que contraria o abandono do ensino das humanidades na sociedade actual

A terminar a nota à recente vitória de Portugal no Certamen Horatianum (aqui, aqui e aqui), fizemos uma entrevista ao professor Jorge Moranguinho.

Muito objectivamente, qual é a situação do ensino das Clássicas no nosso país? Quantas escolas têm a opção? Quantos professores estão ligados a ela? Quantos alunos estão a aprender?

Por (in)consciência ou incompetência do Ministério da Educação, tem-se literalmente assistido a uma progressiva abolição das línguas clássicas no ensino secundário. São poucas as escolas que, hoje, incluem, na sua oferta formativa, o ensino do Latim e do Grego, ora por falta de alunos inscritos nessas disciplinas, ora por falta de professores com habilitações próprias para as lecionarem ou, o que também é verdade, que a tal se atrevam. O decréscimo de alunos que, por via de regra, todos os anos, se verifica na realização do exame nacional de Latim A é, muito provavelmente, a crónica de uma morte anunciada.
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Porque é que os alunos não têm Clássicas? 

De entre razões de vária ordem que levam os alunos a não ter as disciplinas de Latim e Grego no ensino secundário, destaco as seguintes: a maior certeza de um bom emprego através dos Cursos de Ciências e Tecnologias e de Ciências Socioeconómicas em detrimento dos Cursos de Línguas e Humanidades e de Artes Visuais; a ausência de ações de sensibilização durante o 9.º ano de escolaridade; a deficiente informação, muitas vezes prestada aos alunos, quando do ato de matrícula no 10.º ano de escolaridade; o facto de o Latim e o Grego serem disciplinas trabalhosas, que exigem estudo, se não diário, pelo menos regular.

Como vê o futuro das Clássicas entre nós?

Se nada for feito para alterar a grave situação em que se encontra o ensino das línguas clássicas, é com muita apreensão e ceticismo que vejo o seu futuro, não demorando muitos mais anos a que assistamos ao seu completo desaparecimento dos nossos currículos.

O que poderia ser feito para que as Clássicas chegassem a muitos mais alunos?

Sou de opinião de que o latim deveria ser uma língua obrigatória, desde o 7.º ao 12.º ano de escolaridade, com um programa que privilegiasse os conteúdos de funcionamento da língua no terceiro ciclo do ensino básico e de literatura no ensino secundário, abrangendo os conteúdos de civilização e cultura os dois níveis de ensino. Muito sinceramente, não vejo outra forma de compensar o latim do mal que lhe têm feito.

Incidindo no concurso, em que saiu vencedor com o aluno António Gil Cucu, ao comparar Portugal com outros países participantes, o que se lhe oferece dizer?

A participação de Portugal no Certamen Horatianum ou em concursos semelhantes permite-nos tomar consciência de realidades culturais e educativas completamente distintas da nossa, especialmente no que ao ensino do latim (e do grego) diz respeito. Em conversa com outros professores, facilmente nos damos conta da importância atribuída à disciplina de Latim nos diversos países europeus. Os estudantes estrangeiros, de facto, apresentam-se a concurso, no mínimo, com quatro anos de aprendizagem, o dobro dos de um estudante português. Sendo enormes as desvantagens em termos competitivos, o feito notável, alcançado pelo António, deveria pesar na consciência de quem tão mal tem tratado o latim. O primeiro lugar, atribuído a Portugal, premeia horas de estudo aturado que o António dedicou à sua preparação para o concurso, mas nunca poderá traduzir a valorização da disciplina de Latim na matriz dos cursos científico-humanísticos, porque, até aí, há muito, a tutela se encarregou de a ignorar.

Como conseguiu ensinar de modo tão eficaz que permitiu ao António ganhar?

O primeiro prémio foi tão surpreendente para o António quanto para mim, como seria para quaisquer alunos e professores portugueses, pelas razões anteriormente aduzidas. Não utilizaria o termo eficácia para descrever o êxito conseguido, até porque os louros vão inteirinhos para o António. A mim, coube-me a grata tarefa de continuar o excelente trabalho desenvolvido pela minha colega e amiga, Alexandra Azevedo, professora do António no 10.º ano de escolaridade. Treinei essencialmente, em contexto de sala de aula, as técnicas de tradução e os conteúdos de funcionamento da língua e, fora dela, sugeri algumas orientações metódicas quer para o estudo da vida e obra de Horácio quer para o comentário histórico, linguístico e literário exigido na prova.
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O que significa, na sua vida, ensinar Clássicas?

Nas línguas e culturas clássicas, reencontro a sabedoria, a simplicidade e a humanidade dos pensadores gregos e romanos que deram forma ao imaginário da cultura europeia. É para esse passeio pela Antiguidade que nos convida Roger-Pol Droit, autor de Voltar a Ler os Clássicos. Um périplo instrutivo que contraria o abandono do ensino das humanidades na sociedade actual. Há mais vida, contudo, para além do latim e do grego. E eu prezo-a muito!

Espero que numa próxima oportunidade possamos falar de um futuro menos assombrado para as Clássicas, ou, melhor, de um futuro menos assombrado para todos nós e para os que hão-de vir. Muito obrigada.

domingo, 13 de maio de 2012

Algo incompreendido e incompreensível

O Agrupamento de Escolas Rodrigues de Freitas, no Porto, é um caso de resistência e de sucesso no ensino das Clássicas. Quando em concursos internacionais, onde os melhores alunos europeus marcam presença, os nossos têm brilhado, ainda que com menos tempo de aprendizagem do que os restantes (ver aqui vídeo com os protagonistas do corrente ano). Nesta circunstância, é evidente que o ensino e, antes disso, a determinação em manter vivas as "línguas mortas" faz toda a diferença. Uma das professores que tem sido responsável por esse ensino e que tem mantido essa determinação é Alexandra Azevedo. É dela o texto que se segue.

As competições de latim, os «certamina», são um modo que os vários países europeus encontram para premiar o gosto pela cultura clássica, bem como o saber linguístico. Com a exceção da Espanha e da Grécia, onde o estudo do latim também tem perdido adeptos, a verdade é ser o latim uma disciplina de lugar inquestionável na maior parte dos países. Assim, e apenas para enumerar alguns, Itália, Bulgária, Roménia, Sérvia, Croácia, Suiça, França, Inglaterra e os eternos campeões destas competições, Áustria e Alemanha, são alguns dos países em que se estuda latim obrigatoriamente durante um período variável de 4 a 8 anos, consoante o país e as ambições de carreira dos alunos.

Recentemente, a Inglaterra tentou a introdução do latim no primeiro ciclo. Na Áustria, por exemplo os alunos de Medicina que não tiveram latim, por se encontrarem numa escola técnica (e são poucos !), terão obrigatoriamente de o estudar por um ano letivo na faculdade: um latim mais centrado no estudo vocabular e etimológico.

Também no resto do mundo, lembrando apenas México ou Estados Unidos, se comemora o estudo das línguas clássicas com provas deste género e até competições de caráter mais infantil e lúdico durante o período de férias de verão, em formato de acampamentos clássicos. São muitas as Universidades Americanas que incluem provas de latim e grego em jeito de concurso.

Em Itália, descendente mais direta de Roma, capital do Império, realizam-se provas comemorativas de autores latinos: César, Tito Lívio, Ovídio, Horácio, Cícero, Tácito, Séneca, sendo que só algumas delas são abertas a estrangeiros. Assim, a Europa estudiosa do latim inicia o seu ano letivo com competições nacionais para a escolha dos melhores candidatos, dado o elevado número de alunos que estudam esta língua, dividindo-se principalmente pelas três maiores – Certamen Ciceronianum, Certamen Horatianum e o Certamen Ovidianum Sulmonensis, provas comemorativas de Cícero, Horácio e Ovídio respetivamente. Estes testes pretendem sempre a tradução de um excerto da obra do autor, um comentário literário e, muitas vezes, um comentário gramatical.

Quem já viveu esta experiência sabe o entusiasmo que é chegar a Arpino, por exemplo, e observar cerca de 600 participantes, num convívio verdadeiramente salutar e europeu, e descobrir que afinal a raridade do estudo do latim só existe no nosso país. Essa constatação tem tanto de incómoda e triste, como de apanágio para a alma: afinal, a solidão e incompreensão que os latinistas sentem a nível do ensino no nosso país é apenas isso mesmo, algo incompreendido e incompreensível, sinónimo de um grande atraso cultural.

Alexandra Azevedo

sábado, 12 de maio de 2012

Não resisti a escolher o Latim

Demos aqui conhecimento da vitória de António Gil Cucu, aluno do ensino secundário, numa prova de tradução de Latim que teve lugar na passada semana em Venosa, Itália. Falámos com ele:

António, antes de mais, os sinceros parabéns do De Rerum Natura. Melhor aluno de Latim entre quantos alunos e e Portugal entre quantos países?

Agradeço-vos, também, antes de mais, a vossa atenção ao acontecimento. Havia uma prova para alunos italianos e outra para estrangeiros. Estrangeiros eram quatro austríacos, duas búlgaras, um croata, dois romenos, e claro, um português.

Como conseguiu? Sei que ainda não tem dois anos de estudo de Latim…

Nem eu percebi muito bem como consegui, especialmente por terem participado austríacos que, por costume, conseguem ''varrer'' a concorrência. Penso que foi uma surpresa para todos, pois nunca se espera que um ''portuguesinho'' consiga levar para casa alguma coisa nestes concursos... Foram muitas horas a traduzir odes (nunca havia traduzido um autor latino tão sistematicamente), muitas horas a ler excertos de livros sobre literatura, muita paciência para entender a métrica que serve de base à poesia latina, e sobretudo uma despreocupação total em relação a vencer ou perder: fui a Venosa para dar o meu melhor e para conhecer uma nova realidade, o prémio foi a dispensável mas saborosa cereja no topo do bolo!

E o que representa essa cereja para si?

Representa o reconhecimento de todo o trabalho que envolveu a minha preparação para este concurso, tanto para mim como para o professor Jorge Moranguinho e para a professora Alexandra Azevedo. Mas, como tantas vezes disse e pensei, durante o evento, tudo teria valido a pena na mesma pela maravilha da experiência: com prémio ou sem prémio.

São pouquíssimos os alunos que escolhem as Clássicas… Quase se estranha que alguém as escolha, por isso não resisto perguntar-lhe porque é que escolheu as Clássicas?

O primeiro motivo foi a curiosidade. Depois da rudimentar e superficial abordagem da origem dos vocábulos portugueses que se faz no nono ano, fiquei sempre com o bichinho do latim. Quando estava a matricular-me para o décimo ano não resisti a escolher Latim, ao vê-lo entre a lista de disciplinas possíveis, não obstante os comentários jocosos e às vezes reprovadores de algumas pessoas. Mas mantive-me confiante. Mal sabia eu que sorte tinha em viver no Porto e em me ter matriculado na escola certa... Agora, mais do que a curiosidade, move-me a necessidade: a necessidade de entender melhor a minha língua, a necessidade de entender melhor as outras línguas românicas, de entender a história e a cultura do mundo ocidental, de entender, sem intermédios, aquilo que nos legaram, em seus textos, autores das mais diferentes épocas da história.

Esta será a sua opção de estudos futuros?

Certamente. Já há muitos anos que o meu sonho é ser professor, ou linguista, ou filólogo. O latim é uma base indispensável a tudo isto. Pretendo seguir o curso de Estudos Clássicos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e, mais tarde, provavelmente, aprofundar o meu conhecimento também de outras línguas.

Quer fazer o favor de nos apresentar Horácio?

Conheço-o há pouco tempo, mas acho que o posso fazer. Descrevem-no como baixo, anafado, e eu não poderia imaginá-lo de outra forma. É um homem que se entrega aos prazeres do amor e do vinho (mas sempre com moderação!), de modo a aproveitar ao máximo o dia de hoje, pois os deuses podem guardar-nos os mais variados destinos para o dia de amanhã. Canta a beleza e a simplicidade da natureza, recusa-se a cantar temas demasiado sérios, e demonstra uma lealdade e admiração inspiradoras pelos seus amigos mais próximos. Este é o Horácio das Odes.

O texto que traduziu, que título tem, qual é o seu conteúdo?

Trata-se da quinta ode do terceiro livro. A principal mensagem desta ode seria, do meu ponto de vista, a valorização da maturidade amorosa (embora se possa alargar esta ideia às mais variadas dimensões), a crítica às coisas ''verdes''. O poeta aconselha-nos a não desejarmos o cacho ainda verde, esperemos que o Outono chegue e amadureça a uva, dando-lhe nova cor e novo sabor.

Que lugar ocupa Horácio na sua vida?

Fiquei a gostar de Horácio, mas há outros à frente na fila. Os meus poetas de estimação são Ary dos Santos e Florbela Espanca; já os prosadores são José Saramago e Domingos Monteiro. Se forçoso for separar os modernos dos clássicos, aqui Horácio já se encontra na posição mais simpática de segundo lugar, atrás de Júlio César.

Até um dia destes, em Coimbra.


Na fotografia (original): António, ao,centro com os dois concorrentes austríacos que foram premiados com menção honrosa e segundo prémio.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

De novo: uma escola, um professor, um aluno

Mais uma vez o Agrupamento Rodrigues de Freitas, no Porto (aqui, aqui, aqui e aqui), destacou-se num concurso europeu de língua e cultura clássica - «certamen horatianum» - que se realizou em Venosa, Itália, ontem, dia 6 de Maio. O trabalho a prémio era uma tradução latina, mais precisamente, de uma ode de Horácio e comentário literário a este poeta.


O aluno António Gil Cucu, do 11.º ano, preparado pelo professor Jorge Moranguinho, foi considerado o melhor aluno de latim a nível internacional.

Enquanto nos outros países concorrentes se estuda Latim durante quatro a oito anos, no nosso estuda-se durante dois anos. E são muito poucos, mesmo muito poucos, os alunos que têm oportunidade de o estudar...

Pode ver a notícia do jornal Público e no Jornal de Notícias.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Em torno das Danaides

Informação chegada ao De Rerum Natura.

Em torno das Danaides. Colóquio a propósito da estreia das Suplicantes, de Ésquilo

O Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, o Thíasos a o FESTEA - Tema Clássico convidam para um colóquio e uma peça de teatro.

O colóquio - Em torno das Danaides - decorre no próximo dia 4 de Maio (sexta-feira), a partir das 10 horas, no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra.

Nesse mesmo dia, às 21h30, decorrerá a estreia das Suplicantes, pelo Thíasos.

A entrada é livre. Contamos convosco! 

PROGRAMA:

10h00 Cocktail de abertura
10h30 Maria do Céu Fialho (UC): Eros e identidade nas “Suplicantes” de Ésquilo
11h00 Frederico Lourenço (UC): Canto e lirismo nas “Suplicantes” de Ésquilo.
11h30 Maria de Fátima Sousa e Silva (UC): Efeitos de cena nas Suplicantes, de Ésquilo.
12h00 Carlos A. Martins de Jesus (UC): Além de Ésquilo: a catarse das Danaides na literatura e nas artes plásticas (Leitura diacrónica e intersemiótica).
12h30 Discussão alargada
13h00-14h30 Almoço
14h30 Lia Nunes (encenadora): “As Suplicantes” em cena: tragédia e políticas de uma súplica.
15h00 Mesa redonda com o tradutor, a encenadora, os atores e a restante equipa da peça.

21h30 As Suplicantes, pelo Thíasos (estreia) – entrada livre.

Organização: Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos (Pragmática Teatral), Associação Cultural Thíasos, FESTEA – Tema Clássico. Apoios Museu Nacional Machado de Castro, Fundação Calouste Gulbenkian.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

SUPLICANTES DE ÉSQUILO

Informação recebida do grupo de teatro Thíasos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Crianças e jovens nas Vidas de Plutarco

Informação chegada ao De Rerum Natura.


A biblioteca Classica Digitalia tem o gosto de anunciar uma nova publicação da Série Ensaios.

Carmen Soares: Crianças e jovens nas Vidas de PlutarcoCoimbra, Classica Digitalia/CECH, 2011). 137. 
PVP: 10 € / Estudantes: 8 €

Os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. OeBook correspondente (cujo endereço direto é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre. O preço indicado diz respeito ao volume impresso.