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quinta-feira, 21 de junho de 2018

OUTRAS TERRAS! MAIS VIDA NO UNIVERSO?


Na próxima 4ª feira, dia 27 de Junho, pelas 18h00, vai ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra "Outras Terras! Mais vida no Universo?" por Nuno Cardoso Santos,  Astrofísico, Investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Professor da Universidade do Porto, que tem participado na identificação diversos exoplanetas.


Nuno Cardoso Santos


Esta palestra integra-se no ciclo "Ciência às Seis"*.

Resumo da palestra:
"A descoberta nos últimos anos de centenas de planetas, de outros mundos no Universo, mostrou-nos que os sistemas planetários são comuns. A procura de outras Terras tornou-se num dos temas mais quentes da astrofísica moderna, motivando o desenvolvimento de novos instrumentos e missões espaciais. Mais ainda, a detecção de novos planetas cada vez mais parecidos com a nossa Terra abre enormes prespetivas de um dia podermos responder de forma positiva à pergunta "haverá vida noutros locais do Universo?". Nesta palestra vamos abordar o tema da procura de planetas em torno de outras estrelas, os chamados planetas extra-solares. Os princípios físicos mais usados pelos astrofísicos para detetar estes objetos serão descritos de forma simples. Vamos perceber como é que os astrofísicos "brincam" com a luz que nos chega das estrelas para detectar e caracterizar planetas distantes. Alguns exemplos dos resultados das pesquisas mais recentes serão igualmente mostrados. Finalmente, abordaremos o futuro deste excitante tema científico bem como a participação de Portugal nesta conquista, que em muito se assemelha à epopeia das descobertas nos séculos XV e XVI: será que iremos também encontrar outra habitantes numa outra "praia" da nossa Galáxia?"

*Este ciclo de palestras é coordenado por António Piedade, Bioquímico e Divulgador de Ciência.

ENTRADA LIVRE

Público-Alvo: Público em geral
Link para o evento no facebook

terça-feira, 3 de maio de 2016

À DESCOBERTA DE PLANETAS EXTRA-SOLARES



Sérgio Sousa em ESO La Silla, Chile Foto por Ana Couto Soares (C)2011


Na próxima 5ª feira, 5 de Maio de 2016, pelas 18h realiza-se no RÓMULO Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a palestra intitulada "À descoberta de planetas extra-solares"com o astrónomo Sérgio Sousa, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, no âmbito do ciclo Fronteiras da Ciência, coordenado por António Piedade, a decorrer até Julho de 2016.


Sinopse da palestra:
"Nesta palestra será feita uma revisão das descobertas de planetas extra-solares, apresentando as várias classes de planetas que foram descobertas até hoje. Serão abordadas as principais técnicas para a deteção de planetas extra-solares. Finalmente serão apresentados alguns dos grandes projetos observacionais para a deteção e caracterização de planetas extra-solares."


ENTRADA LIVRE 
Público-alvo: Público em geral

Facebook do evento

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

DÊ UM NOME PORTUGUÊS A UM PLANETA

Texto primeiramente publicado na imprensa regional.

Imagem artística de um sistema exoplanetário. Crédito ESO.

A contemplação do céu nocturno incendeia a imaginação, fertiliza o pensamento. A miríade de estrelas faz cintilar ideias na coreografia neuronal que sustenta a nossa mente.

A observação contínua desse céu profundo permitiu verificar uma regularidade cíclica que aproximou as estrelas distantes ao quotidiano humano. Desde os alvores das primeiras civilizações humanas, há seguramente mais de quatro mil anos, as estrelas e grupos delas foram baptizadas com nomes que relembravam os mitos da criação, deuses, animais, situações que espelhavam no céu as actividades humanas.

Com o advento da ciência moderna, principalmente pela introdução e progressiva utilização de telescópios, cada vez mais potentes, para a descoberta do Cosmos, novas estrelas foram sendo descobertas onde antes só havia breu. E todas elas receberam uma designação para as distinguir no catálogo estrelar.

Na última década do século XX, a observação e estudo detalhado das estrelas permitiu descobrir planetas (ou melhor, exoplanetas) que as orbitam. Desde então, já foram descobertos cerca de dois mil exoplanetas.

Relembro que a confirmação da descoberta do primeiro planeta extra-solar a orbitar uma estrela da chamada sequência principal, ou do tipo solar, foi anunciada a 6 de Outubro de 1995 por Michel Mayor e Didier Queloz, da Universidade de Genebra. Para celebrar o 20.º aniversário dessa confirmação, a União Astronómica Internacional lançou pela primeira vez um concurso internacional, o NameExoWorlds, que permite uma participação cidadã na tarefa de dar nomes a estrelas e aos seus planetas. Através de uma votação pública, que decorre até às 23h59 do dia 31 de Outubro de 2015 (Hora de Portugal Continental), é possível participar na atribuição de novos nomes para 20 sistemas planetários. O sítio na internet onde a votação está a decorrer é o seguinte: http://nameexoworlds.iau.org/

Entre os sistemas planetários a concurso encontra-se o sistema mu Arae, no qual um dos exoplanetas foi descoberto por uma equipa internacional liderada pelo investigador Nuno Cardoso Santos, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA).

Como homenagem, o Planetário do Porto – Centro Ciência Viva submeteu nomes da cultura portuguesa para este concurso. Se for a candidatura mais votada, a estrela Mu Arae passará a chamar-se Lusitânia, e os seus planetas, Adamastor, Esperança, Caravela e Saudade.

Para Nuno Cardoso Santos, citado num comunicado do IA, “um sistema planetário com nomes lusitanos faria justiça ao trabalho nesta área desenvolvido em Portugal, que é reconhecido internacionalmente. Talvez mais importante, ajudaria a reforçar a perceção positiva sobre a qualidade e o impacto da ciência que se faz no nosso país, em particular na área das ciências do espaço."

José Afonso (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), outro astrónomo português, comenta no mesmo comunicado do IA: “esta é uma oportunidade única de afirmar a cultura portuguesa para além do nosso planeta, batizando pela primeira vez, ‘em português’, um dos novos sistemas planetários - uma homenagem a um povo e a uma cultura que é ainda mais adequada quando consideramos a contribuição portuguesa para a descoberta e caracterização deste Sistema. E, quem sabe, talvez num futuro não muito distante os nossos descendentes assistam ao desembarque de colonizadores humanos nas ‘costas’ do planeta Esperança e se recordem da origem do seu nome”.

Situado a cerca de 50 anos-luz da Terra, o sistema planetário mu Arae tem quatro exoplanetas conhecidos, em órbita da estrela, visível a olho nu na constelação do Altar.

Pela parte que me toca, digo-vos que já votei na proposta portuguesa e apelo-vos que façam o mesmo. Para tal, basta ir a http://nameexoworlds.iau.org/systems/106), volto a relembrar, até às 23h59 do dia 31 de Outubro de 2015 (Hora de Portugal Continental) e ajudar a consagrar um sistema planetário com nomes da nossa cultura.

António Piedade

domingo, 1 de fevereiro de 2015

CINCO PLANETAS MUITO ANTIGOS

A partir do artigo publicado no Diário de Coimbra.

Imagem artística do sistema Kepler-444, com os seus cinco planetas do tipo terrestre, dois dos quais em trânsito. 
(Crédito: Tiago Campante/Peter Devine)


Há cerca de 13,8 mil milhões de anos ter-se-á iniciado a evolução do Universo em que existimos. Cerca de 380 mil de anos depois de ter ocorrido o evento designado por “Big Bang”, ter-se-ão formado os primeiros átomos e a luz pôde espalhar-se pelo espaço: o universo tinha-se tornado transparente à luz.

Os primeiros átomos, maioritariamente hidrogénio, deram origem à formação das estrelas de primeira geração, muito massivas, brilhantes e com tempos de vida muito curtos (3 milhões de anos, contra os 10 mil milhões para o nosso Sol). A explosão destas primeiras estrelas semeou o universo com o seu futuro. Novas estrelas formaram-se, com tempos de vida mais longos, e agregaram-se em galáxias. A galáxia a que pertencemos, a Via Láctea, ter-se-á formado há 13,6 mil milhões de anos. O nosso sistema solar formou-se há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Ter-se-ão formado sistemas planetários antes do nosso? Se sim, há quanto tempo?

Na década de 90 do século passado, descobrimos que o Sol não é a única estrela a ser orbitada por planetas. Outras estrelas também têm planetas e respectivos sistemas planetários. Desde então, já foram descobertos cerca de 2000 planetas (mais precisamente, exoplanetas) a orbitarem outras estrelas da nossa galáxia, mais ou menos distantes de nós.

Mas os avanços na instrumentação astronómica e astrofísica não param de nos surpreender e revolucionar o que julgávamos estabelecido, com as novas descobertas que nos proporcionam.

Agora, graças a dados que a missão espacial Kepler da NASA recolheu ao longo de 4 anos, uma equipa internacional, da qual fazem parte os investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Vardan Adibekyan, Nuno Santos e Sérgio Sousa, publicou a descoberta do sistema planetário Kepler-444 (ver animação) na edição do dia 27 de Janeiro da revista The Astrophysical Journal (ver artigo).

Este sistema tem cinco planetas, com tamanhos próximos do da Terra, e ter-se-á formado há 11,2 mil milhões de anos, próximo do início da Via Láctea. Quando a Terra se formou, os exoplanetas deste sistema já eram mais velhos do que a idade actual da Terra. Este é por isso o mais antigo sistema estelar conhecido a albergar exoplanetas do tipo terrestre.

Para Vardan Adibekyan, citado no comunicado de imprensa do IA, “a descoberta de um sistema com planetas do tipo terrestre, tão antigo como o Kepler-444, confirma que os primeiros planetas se formaram muito cedo na vida da nossa Galáxia, o que nos dá uma indicação de quando terá começado a era da formação planetária.

Este sistema, situado a pouco mais de 116 anos-luz, é um dos mais próximos observado pelo Kepler, que detectou o quinteto através do método dos trânsitos. Este sistema planetário é extremamente compacto, sendo as órbitas destes exoplanetas 5 vezes menores que a órbita de Mercúrio, o que significa que completam uma translação à volta da estrela em 10 dias ou menos. A estrela do sistema Kepler-444 é uma anã laranja, ligeiramente menor do que o Sol e com cerca de 5000 graus Celsius à superfície (o Sol tem cerca de 6000 graus).

Para o primeiro autor do artigo, o português Tiago Campante, da Universidade de Birmingham, esta descoberta tem implicações profundas nas teorias de formação planetária: “Agora sabemos que planetas do tamanho da Terra se formaram ao longo dos 13,8 mil milhões de anos do Universo, por isso potencialmente, poderão ter sido criadas as condições para o aparecimento de vida desde muito cedo na história do Universo”, pode ler-se no comunicado do IA.

Esta descoberta mostra, por outro lado, que apesar dos enormes avanços no conhecimento do universo, a nossa ignorância é ainda muito grande e temos muitas perguntas para as quais não temos respostas. Humildemente, continuamos a observar a fronteira do desconhecido.


António Piedade

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

OUTRAS TERRAS NO UNIVERSO


 Recensão publicada primeiramente na imprensa regional




Quando é que a humanidade se deu conta da existência de planetas? Quando é que a Terra “deixou” de ser o centro do Universo? Quem foi que imaginou pela primeira vez a existência de outros mundos nas estrelas? Como é que sabemos de que é que as estrelas são feitas e a que distância estão de nós? Como e quando foi descoberto o primeiro planeta (exoplaneta) fora do nosso sistema solar? Como é que os astrofísicos descobrem planetas a orbitar as estrelas que vemos no céu? Como é que os cientistas procuram vida nesses exoplanetas distantes?

As respostas a estas e outras perguntas encontram-se no livro “Outras Terras no Universo – uma história da descoberta de novos planetas”, publicado pela editora Gradiva em Novembro de 2012, na colecção Ciência Aberta, com o número 197. O seu prefácio pode ser lido aqui.

Este livro, que conta a história fascinante da descoberta de planetas, começando com os do nosso próprio sistema solar, está escrito na primeira pessoa do singular, mas também na primeira do plural. Na primeira pessoa, pois um dos autores, o português Nuno Cardoso Santos, investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e do Observatório Europeu doSul, um dos reputados astrofísicos mundiais que participam na descoberta de novos planetas, assume a sua individualidade narrativa ao nos apresentar a história e evolução da descoberta dos exoplanetas, numa escrita debruada com suspense e algum mistério, o que nos prende à leitura só por si já cativante.

A narrativa decorre também na primeira pessoa do plural uma vez que os cientistas Luís Tirapicos e Nuno Crato, entusiastas da astronomia e da excelência na divulgação de ciência, compartilham com Nuno Cardoso Santos a co-autoria do texto final.



A narrativa guia-nos cronologicamente desde o pensamento grego atomista, até ao espanto e fascínio da descoberta de exoplanetas, mas também da dificuldade da sua investigação. Descreve-nos, várias vezes ao longo do livro, aspectos do método experimental científico, “nuances” das personalidades dos cientistas que modulam as relações entre eles e a apresentação das suas descobertas, os avanços e recuos próprios do conhecimento científico assente em resultados que são alvo do escrutínio e verificação rigorosa pela comunidade científica internacional, resultados dependentes da tecnologia existente numa dada altura e de como os avanços desta permitem descobrir o que antes não era possível, ver o que antes se julgava aí não estar.

O livro é de leitura muito acessível e a informação está apresentada de uma forma clara e rigorosa. Ao longo de 217 páginas agrupadas em 9 capítulos (a saber: A pluralidade dos mundos habitados; A descoberta do sistema solar; Em busca de outros mundos: da teoria às primeiras tentativas; Afinal existem outros planetas?; Outros “sistemas solares”; Trânsitos: um novo olhar sobre os exoplanetas; À procura de outras Terras; Afinal, o que é um planeta?; A possibilidade de vida extraterrestre) o leitor aprende a olhar para o céu de uma forma mais conhecedora, uma vez que esta boa obra de divulgação científica nos informa sobre o conhecimento astrofísico mais recente. A sua leitura, coadjuvada por referências bibliográficas pertinentes, permite-nos compreender melhor o universo de que fazemos parte. Várias e oportunas notas de roda pé dissipam-nos dúvidas, esclarecem ainda mais o texto. 

Depois de o lermos, vemos, com a lente do nosso pensamento, as estrelas e os exoplanetas distantes mais próximos de nós, mergulhamos nas atmosferas destes e tacteamos as suas superfícies. É um livro que apela à nossa imaginação sobre a natureza das estrelas mas com os pés bem assentes no chão do conhecimento científico actual e possível.

Os autores sublinham-nos particularidades intrínsecas ao método científico. Como seja a de gerar modelos descritivos e preditivos do universo os quais estão sempre a ser revistos, ajustados ou mesmo rejeitados, perante as evidências de dados novos. É assim que o conhecimento científico avança ajustando-se gradualmente à informação factual que num dado momento possuímos do universo. Os autores também realçam a coragem humilde que existe no reconhecimento do erro, mas também o esforço, a persistência e o rigor presentes no registo de dados tecnicamente de difícil obtenção.

O livro constitui, por fim, um relato actualizado sobre o estado da arte nesta área do conhecimento científico, uma vez que refere descobertas registadas mesmo no final da sua escrita (Agosto de 2012) e investigações em curso no corrente e próximos anos. 

É assim um excelente guia para que possamos descodificar melhor as notícias que nos chegam e sempre chegarão sobre as descobertas que fazemos das estrelas que contemplamos há muitos milhares de anos.

É ainda um livro muito útil e oportuno que ajuda a abordar a temática da descoberta de exoplanetas em ambiente de sala de aula ou de biblioteca escolar.

António Piedade