segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Mesmo com o corpo alquebrado

Mesmo com o corpo alquebrado,

Não prescindo da voz.

Da liberdade

De dizer,

Ainda que num sopro,

Só a verdade.

Matais-me, inúteis figuras

Dos inúteis projetos

Sobre ribeiras cenosas

Como vossos rostos abjetos.

Matais perfidamente

O coração que da sua debilidade

Vos pôs ao corrente.

As crianças berram e choram,

Quase desmaio, dói-me o peito

A língua arrasta-se no chão!

Matais-me, pequenez nua,

Falso mérito, entre microscópios,

Sonhando um chão de ouro,

Com os olhos postos na lua.

Matais-me, oradores maníacos,

Pregoeiros que lúcidos apregoeis,

Espantalhos

Que do tabaco apenas sabeis

Que é uma planta.

Matais-me, vós que troçais

Dos pequenos comentários.

Matais-me, lidadores efeminados  

Que do início ao término

Só de boca pegueis

Os cornos de um touro.

Sem pão, morrerei,

Serei uma só história.

Mas, não nego que Copérnico

Se fez em Cracóvia.

Mas, não matais a minha voz,

A liberdade

Que nunca atraiçoarei.

2 comentários:

  1. Tudo treta! Já nascemos mortos.

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  2. Arrojada a intrepidez na qual acaba por se assenhorear em relação ao público alvo desta maledicência

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.

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