domingo, 25 de dezembro de 2022

CD a “A Química do Amor”



[Escrevi esta recensão para o Boletim da Sociedade Portuguesa da Química (todos os artigos estão online). Mas como esta pode demorar algum tempo a aparecer fica aqui o que escrevi e o link para obter o CD.]

“Há química em toda parte” é o título da primeira canção do CD, “A Química do Amor”, do grupo “Encerrado para Obras”. Este reúne uma parte das canções do espetáculo “Quimicomic” estreado em 2019, Ano Internacional da Tabela Periódica. São sete canções bem humoradas, com Letras e Música de David Cruz, cantadas por este e Cláudia Santos, dirigidas por João Balão e com arranjos muito interessantes e divertidos de David Cruz e João Balão. 

As seis primeiras canções são do espetáculo e a sétima foi composta para este disco e pensada para professores e alunos que queiram decorar a Tabela Periódica com mnemónicas divertidas. Estamos certos de que este CD e as suas músicas terão interesse não só para os professores de Química e para os amantes desta ciência, mas para todos, dada a qualidade e originalidade do resultado.  

As canções são muito divertidas e seguem a peça de teatro, onde são realizadas várias demonstrações científicas, em particular de Química. Lino Alcalino, um cientista distraído e bastante cómico, encontra o grande amor da sua vida em Fiona Fosfato, que veio do Brasil e por isso canta com sotaque. A primeira canção começa com Fiona a limpar a sujidade originada pelas experiências de Lino, mas rapidamente evolui para um dueto que é também uma análise do mundo centrada na Química. Naturalmente, há alguns atritos entre Fiona e Lino, os quais fazem parte da trama da peça e originam novas canções. Em algumas alturas, Fiona acusa Lino de ser “ácido,” mas isso é que ele não é, diz ele! O seu nome é “Lino Alcalino” e responde-lhe com um fado também muito engraçado sobre esse aspeto do pH.  

A canção seguinte, a qual dá nome ao disco, “A química do amor,” é também muito bem humorada e, de certa forma, bastante profunda. O resultado, envolvendo os neurotransmissores noradrenalina, dopamina e seritonina e as proteínas oxitocina e vasopressina e é também bastante interessante em termos musicais. 

Segue-se um “lamento” de Fiona por Lino lhe ligar menos de que esta esperaria, pois Lino distrai-se com as suas experiências: “Onde está a química do amor?” e a “Dança da couve roxa” onde Fiona mostra  que também sabe Química. Esta canção é especialmente interessante, pois procura contrariar alguns dos estereótipos da peça de teatro (os quais, sendo usados para potenciar o efeito cómico, podem acabar por contribuir tanto para o descrédito como para o reforço social destes). Assim, nunca é demais reafirmar a igualdade das mulheres perante a ciência.

As canções do espetáculo terminam com “Criogénica” que dá conta de uma discussão mais grave entre os dois. A letra é também muito divertida. É especialmente engraçado o verso “Você é mais fria que zero absoluto.” Ora os autores e os cientistas, assim como o público em geral, sabem (ou deveriam ser) que isso não é possível, mas as relações humanas envolvem muitas vezes estas impossibilidades e paradoxos. Felizmente, no espetáculo tudo acaba bem. É a “Química do amor” que é muito mais do que oxitocina, claro, mas também passa por esta molécula.

Finalmente, como referi, a última música “O Alfabeto do Universo”, apresenta várias mnemónicas divertidas para a Tabela Periódica e tem a particularidade de contar na orquestração com uma banda de música, a “Sociedade Filarmónica Lousanense.” 

Em resumo, é um CD muito interessante, original e bem humorado, de um espetáculo bem conseguido que vale a pena rever e ouvir.

(Para obter o CD pode usar-se https://encerradoparaobras.net/ que tem um formulário para esse efeito)

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