sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

FÓRUM MINISTERIAL DE ALTO NÍVEL DA OCDE CO-PRESIDIDO PELO MINISTRO DA EDUCAÇÃO DE PORTUGAL

Por Cátia Delgado

O Fórum Ministerial de Alto Nível da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) foi co-presidido pelo Ministro da Educação de Portugal. Não, não é propriamente motivo de orgulho nacional...

Decorreu, nos dias 7 e 8 de dezembro, em Paris, a Reunião dos Ministros da Educação da OCDE, sob o mote “Reconstruir uma sociedade inclusiva e equitativa através da educação”.

Co-presidida por Portugal, Noruega e Coreia do Sul, a delegação nacional contou com o Ministro da Educação e com o Secretário de Estado da Digitalização e Modernização Administrativa.

De entre o manancial de recursos produzidos neste âmbito, como é apanágio da OCDE, cuja estratégia de afirmação passa pela divulgação e autopromoção, destaco a Declaração para a Construção de Sociedades Equitativas através da Educação, endossada por 41 países, entre os quais se conta Portugal.

Nessa declaração todos os 41 países reconhecem, explicitamente, a legitimidade do referido organismo para ditar o rumo das políticas educativas nacionais

A título de exemplo, cito (p. 4): 

- CONGRATULAMO-NOS com o papel da OCDE ao apoiar os países membros e parceiros nos seus esforços para alcançar uma aprendizagem ao longo da vida de alta qualidade para todos, o que contribui para o desenvolvimento pessoal, crescimento económico justo e sustentável, coesão social e bem-estar.  

- RECONHECEMOS que as referências e análises educacionais da OCDE tornaram-se referências globais para a educação e ajudam a responder aos desafios de um mundo em mudança e à necessidade de desenvolver novas competências relevantes. 

- APELAMOS à OCDE que (...): 

• Crie e realize uma visão mais arrojada sobre como aproveitar espaços, tempo, tecnologia e recursos humanos para proporcionar 
oportunidades de aprendizagem 
mais eficazes e inclusivas,
com base em provas sólidas.

• Identifique e explore tendências emergentes que possam moldar o futuro da educação e fornecer uma plataforma de aprendizagem e colaboração entre pares, a fim de aprenderem uns com os outros e entre si, e com outros setores. 

Ou seja, à semelhança de mais 40 países entregamos a educação escolar pública a um organismo com fins económicos, de mercado.

7 comentários:

Anónimo disse...

Em 1494, Portugal assinou, com Espanha, o Tratado de Tordesilhas. A épica façanha da divisão do mundo, deixando de fora a Europa, entre os dois estados ibéricos, é um exemplo de um acordo internacional em que a voz d`El Rei de Portugal, D. João II, se fez ouvir bem alto.
No século XX, já com o Tratado de Tordesilhas fora de vigor, é a Europa Ocidental que vem buscar a Portugal um Cherne - nada mais, nada menos do que um Cherne! -, que, após um breve e brilhante período à frente do Governo da República Portuguesa, se via, assim, alçado, em termos meramente formais, a Presidente da Comissão Europeia.
Servem estes dois episódios históricos, um exaltante do orgulho português e o outro motivo de vergonha nacional, para nos fazer refletir sobre a copresidência de Portugal da Reunião dos Ministros da Educação da OCDE, subordinada ao tema “Reconstruir uma sociedade inclusiva e equitativa através da educação”, que decorreu nos dias 7 e 8 de dezembro.
Será que países altamente desenvolvidos, nos campos económico, educacional e científico, como é a Noruega, veem com bons olhos as propostas revolucionárias de aniquilação do ensino escolar, ou seja, daquele que vai além do senso comum, como está a ocorrer em países que ocupam, economicamente, a cauda da Europa, como é o caso de Portugal ?!
A eficiência dos espantalhos, mesmo quando se quer apenas defender as culturas hortícolas, é altamente discutível!

Anónimo disse...

Creio não errar ser o Nuno Bragança que a designava como a OCU, e explicava, para evitar maledicências, tratar-se da Organização do Capital Unido. Boas Festas!

Helena Damião disse...

Não sabemos bem, pelo menos eu não sei, que motivações concretas levam os países que a aderir, com entusiasmo (pelo menos aparentemente), às "políticas" para a "educação" de organizações como a OCDE. Serão, por certo, diversas. Uma delas, indicada por diversos autores (e que pode ser considerada negativa, não positiva, portanto) é o “Medo de ficar de fora” (Fear Of Missing Out - FOMO). Esse medo sobrepor-se-á à consciência (se é que ela existe) de que estamos a subordinar a educação (a formação das novas gerações) à economia (sem reocupações de justiça social)?
Cumprimentos, MHDamião

Rui Ferreira disse...

Sempre foi assim, quem não dispõe de propriedade intelectual faz uso daquilo que tem: o consentimento. Não fazendo a mais pequena ideia daquilo que deve ser feito para uma Educação de qualidade, o ministro da educação entrega-se a quem o pode ajudar na manutenção do cargo. Entendo-o porque é a sua única opção. O problema é que as decisões que daí advêm inviabilizam os projetos de vida da maioria dos alunos. É o futuro do país que fica em causa.

Anónimo disse...

Errata: onde se lê "Espanha", deve ler-se "Castela".

Anónimo disse...

O ministro Costa a pavimentar um futuro que já gostaria que fosse presente; ordinário

Anónimo disse...

Errata: onde se lê "século XX", deve ler-se "século XXI".

"A escola como plataforma do comércio"

    Artigo de opinião do Professor Mário Frota, especialista em Direito do Consumo, publicado no jornal As Beiras de hoje, 12 de Maio de 20...