terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Ciência Terá Limites?

Mesmo a propósito da discussão que aquece o nosso espaço de debate, recebemos por mail a seguinte informação:

“A Ciência terá Limites?” é a interrogação de partida para a Conferência Gulbenkian 2007 que se realiza a 25 e 26 de Outubro, no Auditório 2 da Fundação. A reflexão incidirá sobre a eventual crise ontológica na Ciência: se os progressos científicos têm motivado os avanços da história desde os tempos pré-socráticos, a Ciência estará agora a entrar num beco sem saída devido às limitações técnicas e à incapacidade de comprovar novas teorias? Esta vai ser a questão de fundo presente nas intervenções dos oradores convidados. O professor e ensaísta George Steiner, convidado a conceber esta conferência e João Caraça, director do Serviço de Ciência da Fundação, deixam duas perspectivas em forma de análise introdutória para estes dois dias de reflexão.

A conferência conta com um elenco de luxo, onde se inclui Lewis Wolpert, autor de «Six Impossible Things Before Breakfast - The Evolutionary Origin of Belief», que em Março proferiu uma palestra com o tema «A origem evolutiva da religião», integrada nas «Conferências sobre religião e evolução» da Fundação Calouste Gulbenkian. David Sloan Wilson, autor de «Darwin´s Cathedral: Evolution, Religion and the Nature of Society», foi então o primeiro conferencista de uma lista que incluiu Richard Sosis, da Universidade Hebraica de Jerusalém e os filósofos Alvin Plantinga e Keith Parsons.

Sobre George Steiner, que concebeu esta conferência, recomenda-se uma análise de Maria Helena Damião do livro «Elogio da Transmissão: O Professor e o Aluno», que Steiner escreveu em conjunto com Cecile Ladjali. Para saber mais detalhes sobre a a Conferência Gulbenkian 2007, pode consultar a Newsletter de Outubro da Fundação (formato pdf).

5 comentários:

  1. Os problemas actuais da ciência não são os seus limites nem as limitações técnicas, mas o contrário, o excesso intoxicante de tecnologia. O problema dos cientistas puros, na pura acepção clássica, que não têm culpa de nada, é o facto de estarem dominados por ubíquos tecno-engenheiros-empresários comercializadores de produtos de alta voluptuosidade, cujo fim é o mero lucro para contento da sua qualidade de accionistas. O cientista ficou cativo da artificilidade do laboratório. Hoje não há cintista fora de laboratório. Como tal, deixou de ser cientista e passou a ser técnico.

    A vertigem tecno-accionista está muito disseminada na sociedade. Assim, a mesma pessoa veste a pele do accionista que corre pela margem esquerda do rio, e as peles do consumidor, utente, doente, criança, velho que corre pela margem direita. O problema é que quando veste a pele da margem direita, autoapunhala-se pelas costas – mesmo que se diga sem querer – pela sua outra pele. Estes dois interesses são incompatíveis, e quando o conflito de interesses se instala quem ganha sempre é o da margem esquerda. Veja-se, só a mero título de exemplo, o rumo que está a levar o sistema de saúde em Portugal, para contento da bioengenharia biotecnológica empresarializada nas mãos das novas mafias sem rosto, os accionistas encantados.

    ResponderEliminar
  2. Pois, só é uma pena o Peter Woit, que aparece afiliado à "Columbia University", como se de um professor catedrático se tratasse, e no entanto não passa de um administrador da rede de computadores, doutorado em física frustrado, que considera os físicos de cordas culpados de não ter conseguido um lugar na academia, que não faz investigação nenhuma há dez anos ou mais e que se entretém, nos seus tempos livres, a escrever um blogue que se tornou tão popular que até virou livro.
    Havia tanta gente mais autorizada a criticar a teoria de cordas, prémios Nobel...

    Mas obrigado pela informação. Lá estarei.

    ResponderEliminar
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  4. E, citando apenas a frase que enaltece a paixão na docência:
    "Se o estudante sente que somos um pouco loucos, que estamos possuídos por aquilo que ensinamos, é já um primeiro passo. Não vai estar de acordo, talvez se ria, mas ouvirá. É nesse momento milagroso que o diálogo começa a estabelecer-se com uma paixão. Convém nunca tentarmos justificar-nos."
    in Elogio da Transmissão - GS e CL - D. Quixote, 2004, p 71

    ResponderEliminar
  5. Senhores,
    Quero adquirir um exemplar de "A ciência terá limites?". Sugerem como posso adquiri-lo? Atenciosamente, Ivar C O Vasconcelos (BRASIL). e-mail: ivcov@hotmail.com.

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.