sexta-feira, 6 de abril de 2007

CRIAÇÃO SEM DEUS


Recém regressado de Itália, leio (também para aprender italiano) de Telmo Pievani, o interessante livrinho "Creazoni senza Dio" (Criação sem Deus), publicado pela Einaudi em 2006 e que eu saiba ainda não traduzido noutras línguas.

Trata-se de um livro de bolso de 137 páginas (só custa oito euros!) que contém um claro e vigoroso ataque ao criacionismo que, vindo do outro lado do Atlântico, começa a ameaçar a Europa (em Portugal já se vêem sinais dessa ameaça, como sabe quem leu post anteriores dest blog). A citação que aparece logo por baixo do título não podia ser mais elucidativa:

"A evolução é um facto. Quem ataca Darwin não o faz por amor à verdade. Quem quer ensinar nas escola as afirmações do 'Desenho Inteligente' tem em mente uma sociedade antimoderna, condicionada por valores religiosos e dogmáticos".

O autor ensina filosofia da ciência na Universidade de Milano Bicocca. É autor de "Homo sapiens e altre catastrofi" (2002), "Introduzione alla filosofia della biologia" (2005) e "La Teoria dell'a evoluzione". Como outros filósofos e cientistas está activo no debate público, ao escrever por exemplo no diário "La Repubblica".

Esta obra é só um exemplo da resposta que a moderna sociedade italiana já está a dar aos que se dizem defensores do "desenho inteligente" mas que são inimigos da inteligência. E nós por cá? Consultadas as livrarias o que vemos de autores portugueses? E os jornais? Ninguém diz nada?

28 comentários:

  1. Gostava apenas de sublinhar que o título do livro é infeliz porque defende uma posição ateísta. Existem muitos cientistas evoucionistas crentes em Deus, encontrará bastantes exemplos por exemplo na comunidade judaica e mesmo cristã não fundamentalista. A questão de ter havido a possibilidade da vida de um ponto de vista teológico nunca foi, nem pode ser refutada pela ciência.

    ResponderEliminar
  2. Ao dizer não fundamentalista, pode-se ler não literalista.

    ResponderEliminar
  3. Infeliz só se for para o aff.

    Eu acho um título fantástico! Deus não é preciso para nada e já é mais que tempo que isso seja dito!

    Já chega destes pézinhos de lã para não "ofender" a susceptibilidade ultra sensível dos cristãos que ululam perseguição por dá cá aquela palha ... mas não há problemas nenhuns em ofender a sensibilidade ateia como os telejornais de hoje mostram. Estou farta desta treta!

    Parece que temos de dar uma de cristãos e começar a gritar que exigimos respeito para que pelo menos a televisão pública seja laica. Estou mais que farta das xaropadas que nos enfiam pela goela abaixo!

    No último censo não ficou em segundo lugar ateis e agnósticos? Também queremos respeito! E que a televisão pública não apresente um mito como se fosse a verdade verdadinha!

    ResponderEliminar
  4. Até parece que é crime defender posições ateístas! Ou ser ateísta...Bem gostavam muitos católicos que fosse mas não é! Ou como pretendia o Bernardo, gostavam mais que fossem expulsos do país.

    Haja paciência para a beatada! Irrita-me solenemente a intolerância desta gentinha, bolas.

    ResponderEliminar
  5. Ouça rita os seus critérios pelos vistos são apenas mediáticos. Estamos a falar dos critérios teológicos e nisso não há discussão possível. Conhece algum cientista que tenha provado cientificamente a inexistência de Deus? Se não conhece porque faz as afirmações que faz se procura defender critérios rigorosos e científicos?

    ResponderEliminar
  6. Todos os cientistas provaram que deus não é preciso para nada. não se pode provar a inexistência do coelho da páscoa, apenas que não é preciso inventar para explicar os ovos de páscoa.

    é o mesmo com deus. acho piada essa dos critérios teológicos, os teólogos a única coisa que fazem é remoer os mesmos mitos, dar volta oa texto para ficar muito palavroso (e vazio) mas não prova ponta de um corno.

    ResponderEliminar
  7. aff:

    deus dá sentido à vida de muitas pessoas e não tem sentido pra muitas outras.

    para mim é mesmo uma hipótese descartável.

    agora o facto de dar conforto a muitas pessoas não lhes dá direito em nome desse conforto de imporem aos restantes as mentiras que acompanham esse conforto. o criacionismo, mas não só.

    estou a pensar nas mentiras sobre os preservativos, na perseguição a homossexuais, etc..

    fiquem com o conforto e deixem os outros em paz que ninguém os vai chatear. agora não podem exigir que todos acreditem em mitos muito menos que sigam esses mitos se não acreditarem neles

    ResponderEliminar
  8. Rita está a divergir da questão. A questão colocada pelo título do livro é: pode a inexistência de Deus ser argumento a favor do evolucionismo?

    ResponderEliminar
  9. aff:

    Veja lá se entende:

    «A evolução é um facto. Quem ataca Darwin não o faz por amor à verdade. Quem quer ensinar nas escola as afirmações do 'Desenho Inteligente' tem em mente uma sociedade antimoderna, condicionada por valores religiosos e dogmáticos»

    fique lá com o seu amigo imaginário mas não tente negar factos indiscutíveis para defender esse amigo imaginário

    ResponderEliminar
  10. Rita eu poderia atacar Darwin afirmando que os seres vivos se diferenciam directamente por influência do meio sem colocar qualquer hipótese de selecção natural, isso implicaria necessáriamente que teria de acreditar em Deus?

    ResponderEliminar
  11. dizer que " os seres vivos se diferenciam directamente por influência do meio" é o mesmo que dizer selecção natural...

    ResponderEliminar
  12. Não não é, pense lá melhor, esqueça o que já aprendeu.

    ResponderEliminar
  13. e pode atacar darwin à vontade, darwin foi só um cientista, brilhante, mas que como todos cometeu erros. será que não percebe que a evolução é muito mais que darwinismo?

    não há nada, nadinha, zero, na biologia e microbiologia que não se sustente na evolução (e não em Darwin).

    ResponderEliminar
  14. O que isso tem a haver com Deus? Percebe?

    ResponderEliminar
  15. O que tem a ver com a criação?

    ResponderEliminar
  16. Nadinha de nada! E esse é o problema dos criacionistas: a ciência mostra o seu deus como inútil.

    Não é preciso deus para nada, deus não justifica nada e não interfere em nada. não há nada que não possa ser explicado apenas com recurso a causas naturais. a ciência nega o teísmo, um deus todo poderoso e que interfere no mundo porque não há uma única marca dessa interfer~encia.

    se for deísta ou panteísta, tudo bem, não há problemas mas há uma total incompatibilidade entre o teísmo e a ciência!

    ResponderEliminar
  17. Mostra o Deus na sua interpretação criacionista e literalista como inútil, mas não demonstra que é ontologica e teológicamente inútil. Daí o título do livro 'Criação sem Deus' ser completamente desadequado.

    ResponderEliminar
  18. completamente desadequado para o aff não para mim. para mim é perfeitamente adequado :)

    não percebo o que tem a ontologia a ver com o caso mas não admira que deus seja teológicamente útil: os teólogos e os padres ficavam sem emprego se admitissem o contrário.

    como é que a ICAR ia sustentar o luxo obsceno das cúpulas da igreja?

    ResponderEliminar
  19. pois, a icar tem aquele fundo com os dinheiros do mussolini e do hitler investido em imobiliárias, bancos, companhias de seguros e uma carteira de acções que rende para cima de uma pipa de massa e continuará a render se o estado italiano não se lembrar de os fazer pagar dinheiro sobre negócios especulativos.

    mas desde o assassínio de aldo moro que ninguém se lembra dessa...

    ResponderEliminar
  20. Julguei que estávamos a discutir um livro.

    ResponderEliminar
  21. Pois, estávamos a discutir um livro, destinado a combater as patetadas criacionistas, inventadas por cristãos que estão muito ofendidos por a ciência mostrar a inutilidade de Deus.

    E o título diz simplesmente isso: deus é inútil e desnecessário para explicar a criação. o que pelos vistos ofendeu muito o aff...

    ResponderEliminar
  22. Rita e você acha que se pode afirmar científicamente isso? A ciência tem uma explicação para a possibilidade de ter aparecido vida no universo vs não ter aparecido?

    ResponderEliminar
  23. 1. Evidentemente, a menos que o título seja «meramente» provocador, ele é cientificamente incompreensível e filosófica e teologicamente absurdo.

    É incompreensível do ponto de vista científico, porque a ciência nada sabe da «criação», nem pode falar de «criação» (esse pressuposto é já um erro «científico» do «criacionismo»).

    É filosófica e teologicamente um absurdo, porque se houver «criação» também há «Deus». A noção de «criação» (juntamente com a de pessoa) é um dos dados mais importantes da herança judaico-cristã, goste-se ou não, e marca toda a cultura ocidental e especialmente a Filosofia, sobretudo desde Santo Agostinho até Hegel.

    Por outras palavras, é um absurdo que um ateu use neste contexto o termo «criação». Que diga «natureza», «universo», mas não «criação»...

    Evidentemente, o título, tal como está, é provocador, vende mais.


    2. Pessoalmente, sou crente (não «criacionista»), mas tenho enorme admiração pelos ateus, porque eles «sabem» muito mais que os agnósticos. Parece-me, até, que sabem mais que os crentes. Basta ler alguns místicos clássicos, como S. João da Cruz ou Santa Teresa de Ávila, para ficar com «inveja» dos ateus... :o)

    Não me interessam aqui querelas pessoais, mas parece-me muito complicado que no estrito âmbito da ciência se possa dizer que Deus não tem qualquer realidade. Seria preferível dizer que o «factor Deus» não conta ou não tem relevância no âmbito da ciência. Dizer que Deus não existe ou que «que não é preciso para nada», quando extrapolado para um âmbito «absoluto» é a negação da própria ciência, é tecer juízos metafísicos, coisa que um cientista, enquanto cientista, não pode fazer.

    De resto -- isso seria outro tema --, noto que muitos dos que se dizem ateus, não são muito mais ateus que eu, porque o «deus» que eles dizem negar, também eu, que sou crente, o nego. Ou seja, o que habitualmente se nega são determinadas imagens idolátricas de Deus.


    3. Embora compreenda, até certo ponto, os receios de alguns em relação ao crescimento do criacionismo, parece-me algo exagerado este «toque a rebate», com uma linguagem que roça o insulto. Com algumas excepções (cfr. Polónia), a comunidade católica, que é a mais numerosa das «denominações» cristãs em Portugal, não alinha nas teses criacionistas. O Papa João Paulo II não deixou dúvidas quanto a isso. Há muitos cientistas católicos e a sua actividade científica não colide com a prática religiosa, nomeadamente com o uso dos primeiros capítulos do Génesis, enquanto textos religiosos. Lembro, como exemplo, o papel que Luís Archer teve nos estudos genéticos em Portugal. E é padre católico.

    ResponderEliminar
  24. O título diz: "Criação sem Deus". A palavra "cração" é usada como metáfora. Quem vê nisto um paradoxo cientifico não percebe muito de figuras de estilo.
    O título do livro só diz que Deus não é necessário... Não que Deus não existe. A polémica expressada em comentários anteriores é uma polémica inexistente. Quem crítica o título por ter uma "posição ateísta" não o compreende. O título (e o livro) não dizem nada sobre a existência ou a não-existência de Deus.

    ResponderEliminar
  25. O q me parec-se é q esse livro é um excremento de tal ordem que nem o titulo se aproveita,

    lol

    ResponderEliminar
  26. Isnaldo

    Criação Sem Deus, é de fato um título inadequado.

    O evolucionismo não está comprovado pela ciência, tratata-se apenas de uma teoria.

    O saber científico não lida com verdades absolutas. Essa teoria não sendo provada e surgindo uma outra teoria mais coerente com as observações científicas, será reduzida a um mito.

    Há inúmeras questões que a teoria da evolução não responde, por isso ela está sendo abondonada por alguns renomados e influentes. cientístas.

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.