quinta-feira, 28 de maio de 2009

"PODEM SAIR"

A herança que a actual equipa do Ministério da Educação recebeu era bem pesada. Mas a que vai deixar é ainda mais pesada. O pior de tudo foi talvez o apoucamento dos professores, que causou um dano na educação que vai levar anos e anos a sarar. Para degradar o papel dos professores já havia o Magalhães e a Srª D. Margarida Moreira. Mas agora sabemos que também há o "Manual do Aplicador", que achincalha o corpo docente de uma maneira que não julgávamos possível. Como eu compreendo os professores a quem apetece aplicar uma das frases do "Manual" à equipa que escreveu e promulgou tal documento: "Podem sair"!

26 comentários:

  1. Pois... E um post do Desidério?? Para quando?? =/

    ResponderEliminar
  2. Carlos Fiolhais tem razão. É incompreensível que o actual governo tenha enveredado pelo apoucamento dos professores, quando o que se tornava necessário era exactamente o oposto, ou seja, o reforço da autoridade dos professores de forma a combater o mais imediato problema das escolas, que é a ausência de disciplina.

    Esta opção do governo apenas se pode compreender através da personalidade doentia de José Sócrates, um labrego oportunista e golpista, que deve alimentar um velho ódio à escola e aos professores. Basta ver a forma como arranjou uma (pseudo) licenciatura, para ele e para o amigo Vara, para perceber que este homem não tem qualquer respeito pela formação escolar e académica.

    ResponderEliminar
  3. Não posso deixar de discordar deste post.
    E escusam-me de me acusar de ser seguidor do Eng.º Sócrates porque batem à porta errada.
    Entendo que na sociedade portuguesa há várias classes profissionais que se julgam ter o direito de autodeterminação e não gostam da interferência do Governo.
    Eu que pago os meus impostos quero saber como é aplicado o meu dinheiro e não gosto de o ver a pagar salários de professores que dão más aulas, da mesma forma há dezenas de anos, com os resultados que se vêm.
    E por favor não me venham com o Magalhães...O Negroponte está a fazer o mesmo e isso provavelmente é considerado por vós como uma boa boa iniciativa. Falta-me a paciência para aturar este espirito português da maldicência...

    ResponderEliminar
  4. Os professores não foram apoucados. Eles próprios se têm vindo a apoucar desde há muitos anos. Com as consequências que se conhecem. Uma classe profissional que só olha para o seu umbigo e não vê que, mobilidade, insegurança no trabalho, trbalhar bem mais de 40 horas semanais, vencimento baseado no mérito, são o pão nosso de cada dia na maioria da população, não merece outra coisa. Aliás, todos os alienados são apoucados, e quando uma classe profissional se autodesliga da realidade, não pode esperar outra coisa. E é pena. Pois são importantes, e há profissionais que não mereciam ser apoucados; são excelentes. Mas o todo está a ser julgado pela parte. É natural.
    Parece que tudo se resume a carreiras (vencimentos, dinheiro). Não esquecer,as hierarquias são pirâmides que têm se estar pousadas numa base, não num vértice.

    ResponderEliminar
  5. Entendo o espírito crítico daqueles que aqui comentaram sobre os professores.
    Não esqueçamos que, durante muitos anos, o sistema precisou de adventícios para os quadros docentes das escolas. Muitos vieram para ganhar uns cobres, apenas. Nunca foram professores a sério.
    Mais tarde proliferaram as universidades privadas que abriramam as portas aos alunos com médias baixíssimas e que não tinham conseguido entrar nas universidades clássicas. Essas pessoas concluiram depois as suas licenciaturas com altas médias, passando à frente nos concursos de professores, dos que sairam mais mal classificados das universidades tradicionalmente mais exigentes.

    A D. Lurdes e o sr. Sócrates são excelentes exemplos destas distorções na formação de professores: veja-se a qualidade dos projectos de construção dele e a qualidade da prestação ministerial dela.

    Veja-se a "qualidade" destas instruções de exames: falam por si. São mais eloquentes do que mil discursos da oposição.

    Quem tem olhos que veja! Quem os tem e não quer ver...
    Há muitos outros factores que contribuiram para criar esta ideia de que os professores

    ResponderEliminar
  6. 1º Acho que apontar a disciplina como principal problema do sistema educativa é errado. O que falta é uma escola capaz de incutir e incentivar os alunos para os valorização do conhecimento e do esforço de aprendizagem. O ensino pode ser interessante e estimulante para os alunos sem que seja uma palhaçada. O problema é a forma como se encara a massificação do ensino em Portugal. Uma das respostas tem sido uma opção pelo facilitismo em vez de um reforço educativo que permita elevar os alunos até às boas notas e não o inverso. A organização curricular é, no meu ponto de vista, desadequada; todos têm as mesmas cadeiras, sem que haja desenvolvimento de áreas de interesse; os horários são pesados pelo numero excessivo de disciplinas; aulas complementares para alunos com dificuldades nem sempre existe ou são insuficientes.

    2º Acho que criticar os professores por terem empregos estáveis é absurdo. A crítica devia ir para uma sociedade que favorece a precariedade no emprego e que acaba por esmagar o poder negocial de quem trabalha.

    Luis

    ResponderEliminar
  7. Eu fui ver o manual de 2006 e gostaria de deixar o desafio :

    Qual a grande diferença ? qual o ponto aviltante ?


    um manual de procedimentos ou uma checklist pretende que nada seja esquecido, não é uma atestado de burrice, é um garante de qualidade e uniformidade nos processos. Não sei se é a melhor forma, mas é amplamente utilizada no sector privado e não me parece má prática.
    Como quando se contacta alguém telefonicamente há scripts que se seguem, ou quando se escreve profissionalmente um mail, etc.
    Numa organização que se pretende que as pessoas tenham comportamentos iguais , estes tem de ser escritos.

    Nota: não consegui encontrar o manual deste ano por isso pedir que me indiquem o que acham errado

    ResponderEliminar
  8. Duas observações.
    1. Em Portugal é tido como muito válido o argumento "no estrangeiro faz-se assim, logo..." e é muito utilizado nos meios universitários sobretudo quando o estrangeiro é o país em que se foi bolseiro. Ora há manuais do género em Universidades de língua inglesa, até penso que o manual do nosso Ministério terá sido tradução de outro, provavelmente em inglês, e não inventado pelo nosso Ministério. Que dizem?
    2. Os professores do secundário têm sido tratados como incapazes e já interiorizaram isso. Exemplo. Não há alteração, por menor que seja, ou inovação sem que eles reclamem "não no deram formação". Isto é, consideram-se incapazes de aprender por si e tudo tem de lhes ser explicado. Experimentem alterar o programa de Física ou de Matemática sem primeiro "dar formação" sobre como dar as novas matérias.
    3. Há muoita influêncioa do eduquês...o quaç está a avançar pelas Universidades perante a passividade dos professores destas. Até já o vocabulário adoptaram. Qual é o professor que não fala das competências dos seus alunos ou que fala em enino sem "barra aprendizagem"?
    4. Como notaram as minhas duas observações foram quatro. De propósito para ilustrar o espírito de rigor português.

    ResponderEliminar
  9. Eu disse que a ausência de disciplina era o mais imediato problema das escolas. Não disse que era o principal problema do sistema educativo. É diferente.

    Mas a disciplina é o problema mais imediato porque com alunos aos pulos nas aulas não se consegue ensinar coisa nenhuma. Os professores têm de possuir autoridade para pôr os selvagens na ordem.

    ResponderEliminar
  10. Mas é pulos ou púsios?

    ResponderEliminar
  11. No tempo da ditadura havia a censura.
    No tempo da democracia há a manipulação, que é uma forma de esconder a ditadura.

    O antigo socialismo soviético era um regime capitalista sem capitalistas, porque só era permitido um capitalista: o do Estado soviético.

    Pela andar da carruagem socrática o regime democrático caminha para o capitalismo e centralismo do Estado, não dando margem a capitalistas nem a banqueiros. Nos restantes sectores da sociedade o que se observa é a implantação do tríptico "problema-reacção-solução"

    O Estado democrático, dito Estado de Direito, cria primeiro o problema, depois espera pela reacção e, consequentemente avança para a solução do problema criado pelo Estado. É a chamada pescadinha pedagógica.

    No microcosmo da educação as configurações assemelham-se. O Estado criou um problema (os professores não prestam), depois esperou pela reacção (os professores sentiram-se humilhados e manifestaram-se); aí, perante o clamor, o Estado tinha que solucionar o problema, e escudou-se em legiferar sobre um problema inexistente criando uma corrente de "problema-reacção-solução", sem solução à vista.

    E daqui não saímos.

    ResponderEliminar
  12. O manual é melhor do que qualquer estatística. Mostra o estado em que estamos.

    No dia em que todos acharem este manual banal e útil, nesse mesmo dia, passamos a ser algo realmente difícil de descrever...

    Um país onde as pessoas não têm autonomia, não pensam, não são capazes de perceber o sentido das coisas. Esperemos que esse dia não chegue.

    Por favor, leiam o manual. Está aqui:
    http://www.gave.min-edu.pt/np3content/?newsId=245&fileName=ManualAplicador_2009.pdf

    Façam o vosso juízo. Lá diz ser obrigatório dizer em coro por esse país fora frases como

    "Estou a ser claro(a)?"
    "Esperem que chegue ao pé de vocês"

    Existem rectângulos destacados que destinguem uma ou duas palavras...

    É provavelmente um documento único no mundo. Esperemos que não chegue o dia...

    Carlos

    ResponderEliminar
  13. "Tendo surgido dúvidas quanto às razões pelas quais o Manual do Aplicador de Provas de Aferição especifica, de forma tão pormenorizada, os procedimentos a adoptar pelos Professores Aplicadores, esclarece-se:

    Em avaliações educacionais em larga escala, com a participação de milhares de Professores Aplicadores, é indispensável a existência de um manual muito detalhado - em termos de instruções e procedimentos - para garantir a equidade entre alunos e a fiabilidade dos resultados;
    O Manual do Aplicador de Provas de Aferição é, no que respeita aos pormenores referidos, essencialmente o mesmo desde há quase dez anos. De ano para ano são efectuadas pequenas alterações indispensáveis à sua adaptação à aplicação corrente;
    Em todos os programas internacionais de avaliação educacional (por exemplo, PISA-OCDE, TIMMS, etc.), os manuais do aplicador são ainda mais pormenorizados;
    Os Professores Aplicadores consideram o manual em causa como muito útil.
    Assim, os reparos feitos por alguns evidenciam o desconhecimento, (i) do que se passa na Escola Portuguesa há quase dez anos, (ii) dos procedimentos adoptados a nível internacional nestes casos, e (iii) da própria vontade dos professores, enquanto profissionais exigentes e dedicados.


    Lisboa, Maio, 2009.

    Carlos Pinto-Ferreira

    (Director do GAVE)"


    http://www.min-edu.pt/outerFrame.jsp?link=http%3A//www.gave.min-edu.pt/

    ResponderEliminar
  14. Há um provérbio chinês que diz que "só um grande homem pode ter simultâneamente os pés na terra e a cabeça nas núvens".
    O Engº Sócrates não é certamente um grande homem. E como é do género de ter mais os pés na terra que a cabeça nas núvens, irrita compreensivelmente a nossa "inteligentsia".
    O seu pragmatismo teimoso é positivo: avaliação dos professores e Magalhães merecem a minha total concordância.
    http://www.laptop.org/en/

    ResponderEliminar
  15. Discordo, tinha os pés na proscrita e defunta UNI ...

    ResponderEliminar
  16. E o software do Magalhães vinha com erros ortográficos, porque o "perito-tradutor" não utilizou o corrector para rever o texto em Português ...

    ResponderEliminar
  17. "escrevam o nome onde diz nome"
    "Estou a ser claro(a)?"
    "Querem fazer alguma pergunta?"
    "Uma outra coisa que eu tenho de vos
    dizer é que esta prova é muito importante"

    Atenção (a BOLD) que isto tem de ser textual!

    Ainda bem que copiámos este modelo do PISA-OCDE, TIMMS, etc., que têm manuais do aplicador ainda mais pormenorizados. Desta forma, com esta detalhada preocupação, copiando a nata da nata, já se vê luz para os nossos problemas.

    Carlos

    ResponderEliminar
  18. Caro Carlos:
    Isto é desanimador, você não leu os comentários acima de outros comentadores. Se tivesse lido sabia que o documento não é único no mundo.
    Parece que terá sido traduzido de outros idênticos de países muito avançados.
    Eu não gosto do manual, melhor, detesto. Mas a criticar-se, tem de se fazer uma crítica inteligente e não ao nível do mesmo manual.
    Com comentadores destes estamos feitos... Não lêem e só gostam de se fazer ouvir.

    ResponderEliminar
  19. Caros,
    O problema com o manual é que até agora os exames fizeram-se sem manuais e daí não decorreu problema algum. Como o actual ministério não passa de incompetência disfarçada, até os exames deram barraca nos anos anteriores. isto acontece porque ninguém se entende em matéria educativa com o actual executivo que não operacionalizou nenhuma reforma educativa desde que está no activo. Só reformou a carreira profissional dos professores, criando a ilusão de que o seu trabalho real, que é ensinar cientificamente e pedagogicamente com rigor, vai ser avaliado. Não vai, pelo menos com a actual proposta. Aliás, para que se note, o ministério retirou já a componente científica da avaliação.
    A profissão de professor é como todas as outras, tem vantagens e desvantagens. E é uma carreira variável. Por essa razão há professores que chegam a auferir de vencimentos no final de carreira de cerca de 2000€ e outros, a meio da carreira que ganham pouco mais de 800€ deslocados. A começar varia muito consoante o horário de cada docente: eu já ganhei vencimentos de 100 contos (há uns 8 anos atrás), deslocado a 200 km.

    ResponderEliminar
  20. Notas:
    De facto esta lógica é infalível: até agora não havia canetas de bola e os alunos aprendiam ( newton, descartes) , até agora não havia (Qualquer coisa) e mundo chegou a até aqui. Bem....

    Outra vez o Magalhães ? existe um momento em que as coisas começam a ficar ridículas. Esqueçam o Magalhães, acabou, veio para ficar, se não gostam, comprem um apple.
    Do documento:
    O teor das frases poderia ser melhorado, talvez, mas continuaria a ter de ter um script de leitura, e continuaria com os defeitos apontados ( ser idiotizante LOLL) . Talvez os professores, se investigassem o que se passa em termos de melhores práticas de (volto a referir) checklists e procedimentos, saberiam que todos estes processos implicam detalhar coisas aparentemente ridículas.

    Por exemplo , até poderia ser especificada e deveria a cor do giz, o tipo de quadro onde se deve escrever etc. Não por se achar que os professores são burros, mas por se querer uniformizar o processo, Garantir que nada falha e que todas as pessoas sabem o mesmo.

    Irra custa assim tanto a perceber ? e não é copiar o que se faz lá fora, é não andar a inventar a roda mil vezes. Há quem considere isso inteligente , mas há sempre quem resista À mudança.

    Sempre pensei que fazia parte do processo educativo ensinar a lidar com a mudança, e que fazia parte dos critérios de avaliação a adaptação a novas situações.

    Pelos vistos, os professores nesta aliena, a que distingue os melhores alunos dos simplesmente marrões, chumbaram sucessivamente.
    è pena, para os alunos

    ResponderEliminar
  21. Eu fiz um manual de aplicações designado por "Ida à latrina - manual de preceitos) o qual me ajudou imenso a fazer merda de melhor qualidade. Não o publico para evitar espionagem industrial.

    ResponderEliminar
  22. Pelo seu comentário , Vê-se que dentro do tema, deve ser um especialista.
    Cada um com a sua especialidade, boas evacuações

    ResponderEliminar
  23. Muito bem, ó Nuvens de Fumo. Há tipos que de merda percebem. Que lhes faça bom proveito.
    Aqui entre nós: cada vez mais se percebe que não vale a pena ler blogues e muito menos os comentários.

    ResponderEliminar
  24. Admito a forma como este (ou esta) Nuvens de fumo tenta defender o indefensável! É espantoso como o (ou a) Nuvens de fumo ainda não conseguiu perceber que os professores são LICENCIADOS, sendo quase 20% MESTRADOS e há até imagine DOUTORADOS, percebe? Acha que os professores não sabem de cor e salteado aquilo que devem fazer para vigiar (é disto que se trata) uma estúpida prova de aferição que ainda por cima não serve para RIGOROSAMENTE nada? E os alunos? Será que o os alunos depois de terem realizado centenas de testes, não sabem já de cor e salteado aquilo que devem fazer?

    Sabe de uma coisa? Abandonei o ensino secundário público depois de ter verificado que afinal eu já pouco trabalhava para os alunos. o que acabei por verificar é que mais de 40% do meu tempo era ocupado a preecher papelada inútil, relatórios da treta, grelhas da estúpidez e projectos que de projectos tinham apenas o nome, e para quê? Para justificar o emprego de terceiros! Hoje, os professores e os alunos trabalham apenas e só para justificar o emprego de terceiros. Esta é que é a realidade, o resto é conversa para entreter meninos...!

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.