terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O INÍCIO DO INFINITO


Traduzo a introdução de um dos melhores livros do ano: "The Beginning of Infinity. Explanations that Transform the World", do físico israelita David Deutsch (Allen Lane, 2011):

"Progresso ao mesmo tempo suficientemente rápido para ser notado e suficientemente estável para continuar ao longo de muitas gerações só foi alcançado uma vez na história da nossa espécie. Começou aproximadamente no tempo da Revolução Científica e ainda está em curso. Tem incluído melhorias não apenas na compreensão científica, mas também na tecnologia, nas instituições políticas, nos valores morais, na arte, e em todos os aspectos do bem-estar humano.

Desde que há progresso têm-se pronunciado alguns pensadores influentes negando que ele fosse genuíno, ou que ele fosse desejável, ou mesmo que o conceito fizesse sentido. Deviam ter sido mais sábios. Há, de facto, uma diferença objectiva entre uma explicação falsa e uma explicação verdadeira, entre um falhanço crónico para resolver um problema e a sua resolução, e também entre o errado e o certo, o feio e o belo, o sofrimento e o seu alívio - e, portanto, entre a estagnação e o progresso no seu sentido pleno.

Neste livro argumento que todo o progresso, tanto teórico como prático, resultou de uma única actividade humana: a busca daquilo que chamo boas explicações. Embora esta busca seja unicamente humana, a sua efectividade é um facto fundamental que diz respeito à realidade ao nível cósmico mais impessoal - designadamente pelo facto de se conformar com leis universais da Natureza que constituem verdadeiramente boas explicações. Esta relação simples entre o cósmico e o humano sugere-nos um papel central dos seres humanos no esquema cósmico das coisas.

Será que o progresso vai terminar - devido a uma catástrofe ou a algum tipo de completude - ou será que não ele tem limites? A resposta é esta última possibilidade. Tal inexistência de limites é o "infinito" que aparece no título do livro. Explicar o título e as condições sob as quais o progresso pode ou não ocorrer conduz-nos a uma viagem através de virtualmente todos os campos da ciência e da filosofia. Em cada um destes campos aprendemos que, embora o progresso não tenha necessariamente um fim, ele tem necessariamente um início, ou um acontecimento que o desencadeia, ou uma condição necessária para levantar voo e acelerar. Cada um destes inícios é o "início do infinito" visto na perspectiva desse campo específico. Mas todos eles são facetas de um atributo único da realidade, aquilo que eu chamo o início do infinito."

David Deutsch

1 comentário:

zenaide disse...

páginas destas fazem o meu espirito elevar-se!Sem mais comentários!Um Bom Natal !Ein sehr freues Xmas!

"A escola como plataforma do comércio"

    Artigo de opinião do Professor Mário Frota, especialista em Direito do Consumo, publicado no jornal As Beiras de hoje, 12 de Maio de 20...