quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ciência, pseudo-ciência e religião

Não resisti a meter uma colherada na «conversa» virtual entre o Desidério e o Ludi, que entretanto extravasou para outras paragens virtuais, mais concretamente para o Portal Philosofia do outro lado do Atlântico.

Um cientista, que normalmente não está muito preocupado com este tipo de definições, sabe implicitamente o que é ciência (e sabe ainda melhor o que não é ciência) mas tem alguma dificuldade em defini-la explicitamente. O coordenador do meu grupo de investigação dá uma definição implícita ostensiva de (boa) ciência a todos os nossos alunos de investigação com uma série de artigos de leitura imprescíndivel.

Aliás, deveria ser o papel da escola ensinar o que é ciência como se ensinam cores e tornar assim desnecessária uma definição explícita de ciência. O florescimento de pseudociências e irracionalidades sortidas indica que, infelizmente, esse não é o caso.

A ciência surgiu como resultado das tentativas humanas de responder aos muitos «porquês» que a observação dos fenómenos naturais nos colocam. As primeiras explicações adoptadas para os fenómenos físicos eram assentes no «sobrenatural», por exemplo, a tempestade era explicada como um capricho do(s) deus(es) dos ventos. Por ser um capricho, esta explicação era completamente inútil, uma vez que não permitia qualquer tipo de previsão metereológica - o desenvolvimento de métodos de previsão dos fenómenos estudados está associado à explicação científica dos mesmos. Claro que há alguns que ainda rezam ou dançam por chuva mas poucos acreditam em «teorias» alternativas de «intervenção» divina/mágica pelo facto de os cientistas ainda não preverem correctamente alguns fenómenos climatéricos.

A ciência é simplesmente o resultado «natural» da filosofia helénica, uma explicação natural dos fenómenos da natureza assente na experiência. Tal como em todas as formas de conhecimento, em ciência queremos responder às perguntas que a observação do mundo sensível nos coloca, mas o que distingue a ciência das outras formas de conhecimento é a forma como chegamos à resposta, o método científico.

De facto, com a revolução científica do século XVII, a ciência começou a afirmar-se como uma área autonóma, demarcação que tem a ver essencialmente com a construção do seu próprio método, desligado da reflexão filosófica. Isto é, desenvolveram-se «procedimentos epistemicamente virtuosos» para explicar naturalmente fenómenos observáveis, procedimentos esses que evoluiram para o que chamamos «método científico». E é o método científico, a forma sistemática, objectiva e rigorosa como a ciência investiga «aspectos da realidade», que a distingue de outras áreas do conhecimento humano, cada uma delas com a sua própria forma de investigar seriamente a natureza das coisas.

Assim, a ciência tenta explicar fenómenos observáveis propondo hipóteses, testando essas hipóteses de forma metódica e, se os testes comprovarem a hipótese, construindo modelos ou teorias que são apenas generalizações científicas baseadas em observações empíricas. Se alguma observação não for explicada pela teoria (ou modelo) ou se as previsões que permite falham, isso significa que esta tem uma aplicação limitada ( como as leis de Newton) ou que deve ser abandonada - se se arranjar uma explicação melhor, se tal não for possível, continuamos a aplicá-la mas conscientes das suas limitações.

É fácil distinguir pseudo-ciências, que vendem banha da cobra como algo «cientificamente» provado, porque falham os requisitos científicos, ou seja, são hipóteses (mirabolantes) não testadas, que contradizem resultados experimentais, são impossíveis de reproduzir e não têm qualquer utilidade de previsão -para além de normalmente serem fraseadas de forma que as torna inconfundíveis, no tal «arrozoado infeliz de termos científicos misturados pelo DJ Vibe».

Em relação a «verdades» religiosas, que não pretendem ser obtidas de forma científica, mas sim terem sido «reveladas» ou «inspiradas», seja pelo espírito santo seja pelo que for, o problema é que muitas pretendem ser «verdades» em relação ao mundo natural, logo acessíveis a exame experimental. Não é complicado confirmar que as «revelações» do deus Bhairavnath ao chefe de engenharia da Nepal Airlines Corporation sobre o problema de um Boeing 757 deixaram um pouquinho a desejar: o sacrifício exigido e consumado de duas cabras, uma preta e outra branca, não resolveu os problemas do avião.

Não interessa se estas «revelações» se referem a coisas supostamente «sobrenaturais», o natural e sobrenatural distinguem-se apenas se os conseguimos ou não explicar, por exemplo, durante muitos anos pensou-se que a esquizofrenia era uma possessão por seres «sobrenaturais» e hoje em dia são poucos os que consideram o exorcismo um bom tratamento para um esquizofrénico.

Também não interessa que as verdades religiosas se refiram a coisas imateriais se essas coisas imateriais tiverem efeitos observáveis, o fotão é imaterial, não tem massa, e ninguém pensa que emana de Mjolnir, o martelo mágico de Thor.

Assim, muitas verdades religiosas têm sido comprovadas falsas ao longo dos anos, empurrando as «revelações» para o perímetro da nossa ignorância. Claro que verdades referentes a seres que não sejam observáveis nem tenham efeitos no mundo sensível, o bule de chá de Bertrand Russell ou o que seja, estão completamente fora do domínio da ciência e lá permanecerão.

Para muitos, como Daniel Dennet, a religião é um fenómeno de origem humana, e portanto natural, que considera no livro «Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon» a ciência um dia poderá explicar, nomeadamente explicando o como e o porquê de os homens terem inventado os deuses. O filósofo usa essencialmente a biologia evolutiva e a economia como ferramentas para compreender a utilidade da religião na evolução social da humanidade.

A evolução social da humanidade e um perímetro da nossa ignorância cada vez mais longínquo explicam os conflitos que a religião tem com a ciência: para além da ambição comum de fornecerem uma leitura coerente do mundo sensível, a religião e a ciência ocupam o mesmo espaço, o do pensamento humano. Durante séculos, a religião manteve uma posição de preponderância, oferecendo aos homens uma verdade inquestionável e indispensável. Hoje verificamos exactamente o inverso e são poucos os que buscam nas religiões as respostas ao mundo sensível que estas durante milénios ofereceram ao Homem.

Acho excelente que o Alfredo afirme que «A teologia deve retirar das teorias científicas suficientemente fundamentadas as implicações que introduzam modificações no próprio discurso teológico» mas parece-me que de facto nenhuma teologia o está a fazer...

16 comentários:

  1. Prezada Palmira, em primeiro lugar quero deixar expresso aqui a lisonja de ter o Portal Philosophia mencionado em sua postagem, e agradecer-lhe por isso.

    Em segundo lugar gostaria de expressar também minha concordância com quase 100% de sua postagem. No entanto, como não poderia deixar de ser, destacaria um ponto que remeteu-me a pensamentos que talvez não estejam aderentes ao que foi dito (estritamente).

    Como você poderá constatar em minha última "colheirada" nesse delicioso embate de idéias entre o Desidério e o Ludwig, (in http://www.portalphilosophia.org/index.php?option=com_content&task=view&id=70&Itemid=63 - O Que Esgota a Racionalidade), onde coloco, conceitualmente, a Filosofia como um perscrutar pré-científico em caminhos que mais tarde a ciência virá chancelar. Pré-científico no sentido do que você mesma evidenciou : a não preocupação estrita com o método.

    Dessa forma, o esgotamento da racionalidade se daria na filosofia, enquanto que a ciência a limita no sentido de encerrar, dentro de sua metodologia, o ápice da racionalização possível no conhecimento objetivo de algo.

    Posso estar errado e talvez praticando algum nepotismo nisso, no entanto é difícil não ver uma necessária atitude fundamentalmente filosófica como pressuposto em se fazer ciências.

    Desde à formulação de hipóteses (seja em um caminho indutivo ou dedutivo), até na formulação de postulados que depreendam predições a serem testadas, o pensamento filosófico, a meu ver, precede, permeia e parte da ciência, mesmo que feito (e ultimamente só feito) pelo próprio cientista.

    Nesse caso (feito pelo próprio cientista), tendemos a considerar tudo parte do fazer ciência. Porém, epistemologicamente, parece-me claro que existam aí duas formas de pensamentos distintas.

    Talvez fique aqui a sugestão na elaboração de artigos que possam investigar isso : onde se delimita um pensamento característicamente científico e filosófico ?

    Um grande abraço desde aqui do Brasil.

    Gilberto Miranda Jr.
    www.portalphilosophia.org

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  2. Quando a ciência oferecer, a preços módicos (gratuitamente para os pobres), a ressurreição e a vida eterna, sem os actuais problemas e stress da nossa vida terrena, então poderá ocupar o lugar da religião.

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  3. Gostei imenso da posta que, como é característico na prosa científica, vai directa ao assunto sem grandes deambulações.

    Parabéns ao DRN pelo nível das conversas interbloguísticas que mantém, que normalmente não passam de lavagem de roupa suja ou troca de insultos.

    Na hipótese mirabolante de a TSF me escolher para sugerir o evento do ano eu indicaria o DRN sem dúvidas :)

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  4. António Parente:

    A ciência não faz promessas nem se pronuncia sobre fenómenos inobserváveis ou sem reflexos no mundo natural.

    Se fosse esse o papel e lugar das religiões também não vinha daí mal ao mundo. O problema é que as promessas de vida eterna em paraísos repletos ou não de virgens não são gratuitas e o preço é muitas vezes pago em sangue ou sofrimento dos outros.

    Para ver os problemas que a religião tem com a evolução social da humanidade basta ver a que se dedicaram as homilias dos representantes de variadissimas religiões nesta quadra.

    O nacional Policarpo, tal como o anglicano arcebispo de Gales elegeram como o maior problema da humanidade o ateísmo e a ciência (a confiança no "inteligência e engenho" do homem)...

    Também a 2ª encíclica do B16 é um ataque desbragado ao ateísmo, culpado segundo ele de todos os males do mundo. O que é uma "hipótese (mirabolante) não testada, que contradiz resultados experimentais, é impossível de reproduzir e não tem qualquer utilidade de previsão".

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  5. Estimado pedro

    Não misture alhos com bugalhos, por favor. O que está em causa é a capacidade da ciência substituir a religião na definição de normas éticas.

    Richard Dawkins entende que devia competir aos cientistas e aos filósofos a definição dos princípios éticos seguidos pela sociedade. Se em relação aos filósofos penso que existe a capacidade de pensarem questões de natureza ética tenho dúvidas que um físico, um biólgo ou um zoólogo, tenham qualidades, definidas pelas suas capacidades profissionais, que os habilitem a ditarem comportamentos sociais.

    Permita-me que, para terminar, afirme ser o seu raciocinio falacioso. Se vamos pelo sofrimento provocado aos outros então nem a religião nem a ciência ficam impunes. E podemos sempre encontrar coisas boas na religião e na ciência. Se conseguirmos potenciar as coisas boas e expurgarmos as más provavelmente construiremos um mundo melhor. Porque a religião e a ciência são os homens e as mulheres que as vão construindo.

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  6. Caro António Parente:

    Estou completamente confuso: o que têm as promessas da religião sobre " a ressurreição e a vida eterna" a preços módicos a ver com normas éticas?

    Também não percebo o que tem religião a ver com normas éticas e concordo totalmente com o Richard Dawkins: não cabe às religiões arbitrariamente "ditarem comportamentos sociais".

    Agradecia igualmente que me explicasse onde está a falácia do meu raciocínio que me passou ao lado. Não sei se pretende não ser verdade que as promessas de vida eterna não são gratuitas; as religiões que as fazem impõem condições para a concretização dessas promessas e muitas dessas condições (condenação do preservativo, discriminação de homossexuais, etc.) resultam em sofrimento e até morte de outras pessoas. Isto para não falar no terrorismo religioso e nas muitas mortes en nome de um deus e das suas revelações...

    Acrescento que a ciência não provoca sofrimento em ninguém (a não ser naqueles que veêm a suas falsas verdades dsmascaradas); está a confundir ciência com aplicações de ciência...

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  7. Sempre entendi a fé, religião, crenças e afins como um misto de medo da solidão "cósmica" com "desresponsabilização" ou exculpação e, simultaneamente, regulação dos nossos comportamentos: por um lado custa-nos a crer andarmos sós à deriva em volta do Sol (ou, para alguns, o Sol andar à nossa volta enquanto assentamos placidamente os nossos traseiros numa Terra plana), donde criarmos toda uma mitologia que olha por nós, nos castiga e, eventualmente, justifica com os seus desígnios as maiores barbaridades que fazemos. Uma confusão desnecessária e altamente perigosa, é o que é. Merry Squidmas!

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  8. Estimado pedro

    A religião funda-se na esperança. Um crente acredita, baseado na sua fé, que a existência de Deus não é um acto gratuito mas que existe um plano de vida que se for cumprido o leva ao conhecimento desse mesmo Deus.

    Não é fácil trocar uma esperança deste tipo, a negação de Deus, pelos benefícios materiais que a ciência nos pode oferecer. Porque a ciência pode oferecer a cura de doenças mas não oferece a imortalidade.

    Concordo com Richard Dawkins quando afirma que as religiões não devem arbitrariamente ditar comportamentos sociais. Mas têm todo o direito de fazerem propostas a que as pessoas voluntariamente aderem ou não. Podem participar no debate público, como aconteceu na questão do aborto.

    Eu estaria contra qualquer espécie de teocracia tal como estaria contra uma cientocracia ou uma filosocracia. Há princípios básicos, uma ética universal, chamemos-lhe assim, que são transversais à ciência, religião ou filosofia. Esse é o cimento social. Depois, existem, vias particulares que cada um tem a liberdade de seguir.

    Não me parece que o uso do preservativo conduza necessariamente à exclusão do paraíso. Mas é uma opinião pessoal, nada mais. Quanto à discriminação dos homossexuais seguramente que não conduz ao paraíso.

    Quanto ao terrorismo religioso e nas muitas mortes em nome de Deus e das revelações, penso que não existe uma religião única a que possa imputar todas as responsabilidades. É como pegar em Estaline e afirmar que por ter morto milhões de pessoas e ser ateu que todos os ateus são como Estaline ou que todos os ateus matam quem pensa diferente deles. Acredito que o pedro é uma pessoa extremamente pacífica tal como eu penso sê-lo. E como nós existem milhões de pessoas com uma cultura de não-violência. Compete a nós, como cidadãos conscientes, na luta pelos nossos ideiais, termos capacidade para sabermos conduzir a religião e o ateísmo que defendemos para vias pacíficas. O resto depende da nossa capacidade de convencer os outros de que estamos certo.

    Em relação à distinção entre a ciência e as aplicações da ciência, não creio que os nossos cientistas sejam assim tão ingénuos. Também se pode arranjar um argumento semelhante para a religião e as aplicações da religião... É o chamado "argumento pronto-a-vestir". Para mim não tem qualquer validade.

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  9. Prezada Palmira, fiz um artigo sobre seu post. Agradeceria muito se pudesse ler...

    http://www.portalphilosophia.org/index.php?option=com_content&task=view&id=81&Itemid=63

    Abraços

    Gilberto
    www.portalphilosophia.org

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  10. Olá Gilberto:

    Obrigado pela análise do meu post noutro de que gostei muito. O propósito do blog é exactamente discutir a natureza das coisas sob várias abordagens e acho que com estas «conversas» virtuais cumprimos esse propósito.

    Gostei especialmente da parte «Sobre a Origem da Ciência» (recordando alguns -muitos - ilustres membros da comunidade científica, tenho algumas dúvidas sobre afirmações produzidas na primeira...).

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  11. Palmira F. da Silva disse:

    "O filósofo usa essencialmente a biologia evolutiva e a economia como ferramentas para compreender a utilidade da religião na evolução social da humanidade."

    Claro que actualmente devido ao estadio evolutivo da sociedade humana a religião não faz falta nenhuma, tornou-se inutil, pois ela foi apenas um dos patamares dessa evolução.


    Gajo dos abraços disse:

    "Sempre entendi a fé, religião, crenças e afins como um misto de medo da solidão "cósmica" com "desresponsabilização" ou exculpação e, simultaneamente, regulação dos nossos comportamentos"


    Ora ai está a melhor definição que até hoje consegui encontrar do que realmente é a religião e concordo a 100% com ela!

    António Parente disse:

    "Não é fácil trocar uma esperança deste tipo, a negação de Deus, pelos benefícios materiais que a ciência nos pode oferecer. Porque a ciência pode oferecer a cura de doenças mas não oferece a imortalidade."

    António parente essa esperança assenta num nada, num vazio e numa auto ilusão, essa esperança é inutil enquanto que a esperança na ciencia assenta em provas e em factos mostrados e aplicações práticas.
    Voce procura a imortalidade é?
    Nem ciencia nem religião nem nada a podem dar porque ela é uma quimera, é uma fantasia, não existe e é uma invenção humana, quer queiramos quer não somos finitos como todos os seres vivos, nascemos vivemos e morremos, por isso devemos aproveitar da melhor forma a nossa estadia pela vida.

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  12. O problema da teoria da evolução é que a mesma não tem realmente suporte científico.

    Pelo menos, nunca foi mobilizado nenhum neste blogue. E os criacionistas não deixarão passar gato por lebre.

    As mutações pontuais não criam informação genética codificadora de estruturas e funções mais complexas, a selecção natural elimina gradualmente a informação genética disponível e não existe evidência fóssil da evolução gradual no registo fóssil.

    As demais mutações duplicam, deslocam, eliminam ou recombinam informação genética pré-existente.


    O registo fóssil, como se disse, atesta o nascimento abrupto e inteiramente funcional das espécies. Os fósseis vivos e os fósseis polistráticos demonstram a desadequação do registo fóssil como evidência da evolução.


    De resto, a recente despromoção da Lucy a macaca (no sentido não técnico do termo) e dos Neandertais a verdadeiros seres humanos só atesta o que os criacionistas sempre disseram: seres humanos são sempre seres humanos e macacos são sempre macacos.

    Isto não é banha da cobra, é inteiramente verdade.

    O Ludwig tenta sustentar uma visão naturalista e evolucionista da ciência. No entanto, a mesma dá como demonstrado o que é preciso demonstrar.

    O facto de a teoria da evolução ser uma tentativa naturalista de explicar a realidade não a torna por esse facto automaticamente verdadeira. A mesma tem que sobreviver ao teste dos factos. E a verdade é que não sobrevive.

    Agora ninguém tem culpa que a única alternativa plausível à teoria da evolução naturalista seja a criação instantânea por um Criador sobrenatural.

    De resto, as quantidades inabarcáveis de informação altamente complexa, especificada e integrada contidas no DNA são mais facilmente compatibilizadas com a criação sobrenatural, inteligente e instantânea do que com processos aleatórios ao longo de milhões de anos (puramente especulativos, já que não observados, reproduzidos ou testados por ninguém).

    O mesmo se diga da incrível e altamente improvável sintonia do Universo para a vida.


    O Ludwig Krippahl parte do princípio de que a única explicação cientificamente aceitável para a origem do Universo e da Vida tem que ser uma explicação naturalista.

    Mas essa pressuposição tem pelo menos três problemas:

    1) a mesma não é uma afirmação científica, mas ideológica;

    2) não existe nenhuma observação científica que justifique essa pressuposição;

    3) as explicações naturalistas do Universo e da Vida conhecidas pura e simplesmente não funcionam.

    E o problema não se resolve extrapolando a partir da origem dos cristais de gelo para a origem do DNA (Pamira Silva) ou tentando explicar a “ origem”do DNA com base na mitose e na meiose (Ludwig Krippahl), sendo que nestes casos de trata de processos de cópia de informação genética pré-existente, totalmente regulados pelo DNA.

    O problema da teoria da evolução é que não funciona no mundo real.

    O problema da teoria do Big Bang é exactamente o mesmo. Também não funciona no mundo real, a mesma só funciona na cabeça (porventura nebulosa) de alguns cientistas menos informados.

    As mutações e a selecção natural podem ser observadas por todos. A evolução nunca foi observada por ninguém.

    As afirmações sobre a evolução das espécies baseiam-se em extrapolações totalmente especulativas sobre observações realizadas no presente, insusceptíveis de validação directa.

    De resto, a recentemente anunciada “revolução do bipedalismo”, de acordo com a qual os chimpanzés e os orangutangos evoluiram a partir de primatas erectos (contra tudo o que se ensinou até agora), só mostra que o poder predictivo da teoria da evolução é nulo.

    Por estas e por outras, o criacionismo bíblico veio para ficar neste blogue.

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  13. "Por estas e por outras, o criacionismo bíblico veio para ficar neste blogue."

    As mentiras só vieram para este Blog quando alguém quis confundir Ciência com leitura literal da Bíblia - digo-o eu e diz quem sabe que a Ciência e a Religião não são incompatíveis, mas apenas que têm campos de acção diversos. Agora quem quer formatar a ciência actual com base em mitos babilónicos e semitas muito antigos e não aprendeu nada com séculos de aprendizagem de ciência, que só diz baboseiras copiadas (e mal...) de traduções de 3ª brasileiras...

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  14. Estimado armando quintas

    Eu sou feliz e tento aproveitar a vida o melhor possível mas isso não me impede de ter crenças que considero plausíveis.

    Baseado no princípio científico "nada se perde, tudo se transforma" acredito na transformação do meu corpo humano num corpo formado por neutrinos.

    É impossível? Porquê? Porque a ciência nunca o descobriu, observou ou explicou? O Big Bang existia antes da ciência o descobrir. Tudo o que se descobre sobre planetas, dinossauros, supernovas, etc, são coisas que existiam antes da ciência as descobrir. É aquilo que eu designo por conhecimento à anteriori, isto é, que existe antes de ser conhecimento. Pelo facto da ciência não encontrar não quer dizer que não exista ou não seja plausível.

    É esta excitação da descoberta que leva ao crescimento da ciência. Abrange hoje a ciência todos os aspectos da realidade? Claro que não. Deve a ciência ficar-se só pelo vísivel? Claro que não. Como muito bem me explicou o Ludwig o electrão não se vê mas está lá. E possivelmente há outras partículas que existem sem que tenhamos capacidade para as observar. E temos os buracos negros, a energia negra, a teoria das cordas, enfim, toda uma panóplia de coisas que só são observáveis indirectamente. Não são ciência por causa disso? Afirme isso e caem-lhe 5 mil físicos do CERN em cima.

    Sabe muito bem que os neutrinos existem embora não sejam observáveis directamente. E sabe muito bem, se não souber o meu colega perspectiva encarregar-se-à de o informar devidamente, que as características descritas para Jesus ressuscitado podem ser encaradas de um modo científico, como explica muito bem um físico cujo nome me escapa agora (Chico qualquer coisa), que escreveu um livro intitulado "a física do cristianismo", publicitado pelo De Rerum Natura o que lhe dá uma certa credibilidade pois não acredito que o Rerum nos venda gato por lebre como insinua o meu colega senhor prespectiva.

    Não poderá existir um processo pos-mortem que possibilite essa transformação? Pode, é plausível, pertence ao campo da fé e um dia poderá a ciência dizer-nos com rigor que é, ou não é, possível. Agora é só uma teoria, que eu chamo "fé", e que o armando, na sua infinita clarividência, chama "ilusão".

    Bom, ambos, eu e o armando, sabemos que a Terra se movia à volta do Sol mas que há muito tempo todos acreditavam que o Sol girava à volta da Terra.

    Talvez nestes tempos actuais eu seja o galileu e o armando o defensor do status quo.

    Bom 2008.

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  15. Caro António Parente, se acredita na imortalidade depois da morte(não é ironia) fico feliz por si mas não viva a sua vida em função disso, goze a sua vida por cá da melhor maneira possivel, pelo sim pelo não no caso de não haver essa dita imortalidade de que fala..
    Eu não defendo status nenhum, aliás sou anti status e anti imobilidade daqueles que querem a sociedade imutável para preservar os seus privilégios, e acredite que mundialmente já fazia falta uma revolução francesa..

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  16. Gostava que vissem este blog:

    http://designinteligente.blogspot.com/

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