terça-feira, 1 de julho de 2014

A LIQUIDAÇÃO DA CIÊNCIA


Na sequência do post "A FCT ensandeceu" a  agência Lusa telefonou-me colocando-me algumas perguntas sobre a avaliação das unidades de investigação feita pela FCT. As respostas que dei estão sumariadas aqui: 


Aproveito para agradecer as inúmeras mensagens de apoio que recebi. Vários colegas repararam, como eu, na arbitrariedade completa de várias classificações atribuídas e contaram-me situações que também são, como as que conheço, de caixão à cova. Se, nesta hora difícil para a ciência nacional, os investigadores forem capazes de se unir em torno do que é essencial, deixando de lado as pequenas tricas que os separam, e se forem capazes de ganhar o apoio dos cidadãos (que são afinal quem paga a ciência!), o governo ver-se-á obrigado a desistir do enorme e continuado disparate (ontem cortes nas bolsas, hoje cortes nas unidades de investigação, amanhã cortes noutra coisa qualquer), para benefício geral. Ganhariam os jovens altamente qualificados que estão a ser forçados a emigrar. Ganharia, acima de tudo e de todos, o país, que precisa de mais e melhor ciência para se guindar a níveis europeus e não de menos e pior ciência, num regresso a um passado que julgávamos ultrapassado.

2 comentários:

  1. O Instituto Politécnico de Santarém segue de vento em popa.

    Desta feita, com mais uma licenciatura na Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém em redes sociais

    http://www.oribatejo.pt/2014/06/30/politecnico-de-santarem-com-primeira-licenciatura-em-redes-sociais/

    Vejamos contudo o testemunho, na primeira pessoa, da esterilidade do solo em que se semeou uma parte significativa do ensino superior público.

    http://www.omirante.pt/index.asp?idEdicao=54&id=73715&idSeccao=544&Action=noticia#.U6GnUChXhfU

    Desde logo, pelo que um Sr. Professor, desta Escola, não refere…

    Vejamos pois, o que não refere.

    Não refere preparar as aulas, nem atender os alunos.

    Mais, não refere ter publicações de natureza científica. Com uma já longa carreira no ensino superior, não refere a publicação de nem 1 artigo científico…

    Também, não refere a sua participação em congressos científicos, nem em conferências da mesma natureza.

    Igualmente, não refere a orientação de teses, a participação em júris conferentes de grau académico, nem ser titular do grau académico de doutor.

    Por outro lado, é significante que refira que fez o mestrado há 22 anos porque tinha um horário lectivo de meia dúzia de horas por semana, e assim progrediu na carreira…

    Cerca de duas décadas volvidas, a descrição que faz da actividade docente é assaz cruel, horário lectivo por volta das 14 horas semanais, reuniões, elaboração e correção de testes e a investigação.

    Mas, não referindo ter publicado uma linha científica, ter participado numa conferência científica ou num congresso, o que investiga então este Sr. Professor? E, qual a relevância dessa sua investigação para o conhecimento científico, onde são absolutamente irrelevantes investigações desconhecidas…

    Entre o que refere, e o que não refere, estará a explicação porque trabalhava mais na actividade privada…

    Ainda que, eventualmente, então auferisse um salário mais elevado na actividade privada, por 10 horas de trabalho diário, por demostrar está que ganhasse mais na actividade privada.

    Será que a actividade privada remunerava um licenciado pela docência no ensino superior, a meio tempo, de forma tão generosa como certamente o ensino superior público o remunerou.

    Aliás, é notável - com o currículo académico que refere - que tenha uma carreira no ensino superior público, onde aufere remuneração equivalente à de professor universitário, sem sequer ter obtido o Doutoramento, grau académico habilitante do ingresso na carreira docente universitária.

    Acresce, perfilhar que o ensino superior (politécnico) não carece de professores doutorados, ou seja, dos mais habilitados academicamente. Ao que diz, ser uma “prevalência” do tempo de “António Guterres como primeiro-ministro”. À qual, defendendo a bondade das contratações de não doutorados, enquanto esteve no Conselho Directivo desta Escola, não terá dado grande acolhimento. Tal o desconchavo, que confessa a reserva da disciplina de fiscalidade para inspetores de finanças…

    O que não deixando de ser extraordinário, segue a orientação do Governo, em funções, que já na recta final do seu mandato, continua a tratar o ensino superior público, como se o mesmo qualitativamente fosse todo igual…

    Embora, na campanha eleitoral o Sr. Dr. Passos Coelho tenha prometido cortar nas gorduras do Estado, alcançada a chefia do executivo prontamente esqueceu a tão necessária reforma do Estado, avançando para cortes indiscriminados, sem cuidar se corta músculo, osso, ou mesmo órgão vital.

    Assim, não racionalizando a rede de estabelecimentos de ensino superior público, cortou as verbas às universidades públicas de referência, como a Universidade de Lisboa, a do Porto ou de Coimbra.

    Mas, como compreender que a opção deste Governo tenha sido a de asfixiar as universidades públicas de referência, e de não racionalização da rede de estabelecimentos de ensino superior público…

    Nesta matéria, quem viu claro foi o Sr. Reitor da Universidade de Lisboa

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=675024


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  2. Vejam,
    http://www.esdrm.pt/Documentos/Alunos/GuiaInformativo/GI_IPS.pdf

    http://www.oribatejo.pt/2014/02/06/jorge-justino-defende-ligacao-do-instituto-politecnico-de-santarem-ao-politecnico-de-leiria/

    Não fosse trágico, rir era o melhor remédio.

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