quinta-feira, 17 de novembro de 2022

SOBRE A INFILTRAÇÃO DE CERTAS EMPRESAS NA ESCOLA PÚBLICA POR VIA DA "EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA"

Nos anos mais recentes, a presença do ramo empresarial da cerveja ganhou solidez, dinamismo e sofisticação em escolas públicas, algumas com nome e tradição. A porta de entrada tem sido  adivinhe-se...  a da "educação para a cidadania", em especial da "educação para o empreendedorismo". Pode dizer-se que é um caso de "experiência pedagógica" adquirida por parte de certas empresas e também de legitimação política por parte do Ministério da Educação. A figura de stakeholder ("parceiro educativo"), constante em normativos da tutela, normaliza essa presença, que fica, agora, ao critério das escolas, a que não é alheia a influência das autarquias.

Importa que os educadores, no sentido mais amplo e sério da palavra, parem para pensar: esta prática, que se quer inscrita na propalada "responsabilidade social das empresas", é aceitável sob o ponto de vista ético? Deve ser aceite sem qualquer reflexão como se fosse normal? 

Para ajudar futuros educadores a pensarem sobre o assunto com base em conhecimento (convém que assim seja de modo a evitar a opinião desinformada) convidei o Professor Mário Frota, actualmente presidente emérito da apDC – DIREITO DO CONSUMO – Portugal. A síntese da sua contribuição pode ser lida em diversos sítios na internet, nomeadamente no Diário Online. Região Sul (ver aqui).

1 comentário:

Alberto disse...

Aqui vê-se claramente a aplicação, em contexto de sala de aula, do Domínio "Educação para a Cidadania", do Subdomínio "Bebidas Alcoólicas" e das Rubricas "Cerveja" e "Vinho Carrascão". O corpo docente, em perfeita união com o corpo dos seus colegas educadores de infância, deixam-se etilizar completamente, começando pela carne e acabando no espírito, o que lhes vai facilitar muito o processo da apropriação de teorias de avaliação de alunos absurdas e escanifobéticas, como são as o Projeto Maia. Do mal o menos: já há alunos de escolas de Lisboa, apoiados pelo senhor Ministro da Educação, que acreditam que faltando às aulas e entrando em estado de transe na esquadra da polícia, conseguem fazer parar o aquecimento global!
Estes são os heróis dos nossos dias, que não precisam de estudar, nem de pensar, para "levantar, hoje de novo, o Esplendor de Portugal".

"A escola como plataforma do comércio"

    Artigo de opinião do Professor Mário Frota, especialista em Direito do Consumo, publicado no jornal As Beiras de hoje, 12 de Maio de 20...