segunda-feira, 26 de novembro de 2012

VALIDAR A HOMEOPATIA É SER CÚMPLICE DE UMA FRAUDE


Penso que é óptimo discordar e o unanimismo não é o objectivo de qualquer espaço de debate que verdadeiramente o seja. As publicações de Desidério Murcho (esta e esta) são por isso muito benvindas, pois são uma oportunidade de aprofundar a questão.

1. Eu nunca disse que a homeopatia deveria ser proibida. Eu defendo que é um erro regulamentá-la e que o Estado reconheça cédulas profissionais de quem a exerce, porque isso é uma validação que induz as pessoas em erro. Faz algum sentido o Estado reconhecer certificações de videntes ou astrólogos? Ou aprovar uma licenciatura em biologia de dragões e unicórnios? Não faz sentido dizer que há pessoas que estão habilitadas a exercer uma coisa que não funciona e outras que não.

2. A liberdade de escolha de que estamos a falar é a possibilidade de se poder escolher um tratamento que não funciona, tendo a expectativa de que funciona. Isto é uma fraude. Podem-se vender torradeiras avariadas, dizendo que funcionam? Deveria poder-se? Será que se deve também reconhecer o resgisto notarial de terrenos noutras dimensões? Como vivemos numa sociedade em que o consumo (entre outras coisas) é regulado com vista a proteger os consumidores, não me parece que faça sentido que o Estado seja neutro nesta questão, que é de consumo e de saúde pública.

3. As terapias alternativas não são inofensivas. Será que um seropositivo deve poder escolher entre os medicamentos anti-retrovirais e um suplemento vitamínico que nenhum efeito tem, e o Estado deve aprovar e comparticipar ambos os tratamentos? Isto não é um exagero teórico. Aconteceu realmente na Africa do Sul, pelas mãos de um criminoso chamado Matthias rath. Será que devemos induzir nas pessoas que viajam para regiões onde a malária é endémica a ideia de que é igualmente seguro escolher entre a profilaxia para a malaria convencional e um  remédio homeopático? Isto também não é um caso hipotético. Quando o Estado certifica profissionais de uma "medicina" que não funciona está-lhes a conferir um selo de validade, contribuindo para enganar as pessoas, e pondo a saúde de muita gente em risco desnecessariamente.

4. Compreendo o que diz Desidério Murcho acerca da liberdade de escolher coisas erradas e concordo que as pessoas devem ser livres de escolher. Mas devemos contribuir para que possam fazer as melhores escolhas possíveis. E regulamentar a homeopatia não é um contributo para esclarecer a questão. É lançar a confusão, criando o equívoco de que a homeopatia têm uma validade que não tem.

5. Não estamos a falar de impor legislativamente a ciência às pessoas. Estamos a falar do contrário: impor legislativamente a pseudociência às pessoas. Nesse chapéu de "liberdade" não deveríamos também permitir que o criacionismo seja ensinado nas aulas de ciência como uma teoria científica alternativa à evolução? Já foram feitas várias tentativas nesse sentido nos Estados Unidos, que passaram por vários processos judiciais. Afinal, também há mesmo muita gente que acreditda que os seres vivos foram desenhados por um grande arquitecto inteligente. O problema é que para tratar a SIDA, que é causada por um vírus em evolução rápida, é necessário reconher que a evolução ocorre. Ou que para tratar infecções com antibióticos (um excelente exemplo de produtos naturais usados para fins médicos) é necessário também ter em conta que as bactérias são capazes de evoluir e desenvolver resistência a antibióticos.

6. Na imagem está Matthias Rath, um licenciado em medicina que vende tratamentos que não funcionam para tratar doenças graves (como o cancro e a SIDA), mas em quem muita gente acredita, pois neles é levada a acreditar.

61 comentários:

  1. E eles ainda às voltas com a homeopatia. Andam mesmo desesperados, parece que não têm mais nada com que se preocuparem.Permito-me sugerir outro tema para debate. Que tal analisarem o que afirmam certos cientistas àcerca dos efeitos de mero placebo dos antidepressivos e dos seus nefastos efeitos colaterais ? Façam um artigo sobre essa matéria e coloquem-no aqui à discussão.Gostaria muito de ver se aqueles que defendem a retirada dos medicamentos homeopáticos das farmácias também viriam defender a retirada dos antidepressivos.

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    1. "Esta teoria do desequilíbrio químico é um mito. A ideia de que os antidepressivos podem curar a depressão de forma química é simplesmente errada"

      Irving Kirsch, director do programa de estudos sobre placebos da Harvard Medical School

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    2. Caro Anónimo,

      Como sabe que os antidepressivos não são mais que meros placebos?

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    3. Caro Leo

      Eu não sei se os antidepressivos são ou não mais do que meros placebos, mas sei que vários cientistas afirmam que o são. Citei o exemplo de Irving Kirsch, mas também poderia invocar a médica Marcia Angell e o psiquiatra Daniel Carlat, que perfilham o mesmo entendimento. Um estudo feito com mais de 3000 pacientes com depressão terá mostrado, segundo Kirsch, que os antidepressivos têm efeito quase de mero placebo e graves efeitos colaterais, mormente no que respeita a disfunções sexuais. Outros cientistas possuem entendimento diverso, como, por exemplo, aqueles que defendem a grande eficácia da Ketamina no traramento de depressões graves, como, por exemplo,o investigador Carlos Zarate, do National Institute Of Menthal Helth, dos EUA. Aquilo que sei, perante a análise desses estudos, é que não existe consenso na comunidade científica quanto à eficácia terapêutica dos anti-depressivos. E o que afirmo quanto aos antidepressivos, digo também em relação aos medicamentos homeopáticos: não há consenso sobre esta matéria. Luc Montagnier, por exemplo, reconhece a validade da homeopatia. Foi Prémio Nobel da Medicina em 2008. Não serve como argumento de autoridade, mas serve para mostrar que um médico respeitado é defensor da homeopatia. Portanto, quer no caso dos medicamentos homeopáticos, quer na situação dos antidepressivos, estamos perante temas polémicos e não consensuais. E, afinal, quem tem razão quanto à homeopatia e os antidepressivos ? No caso da Acunpunctura, depois de esta ter sido reconhecida pela Ordem dos Médicos, parece que afinal a razão estava do lado dos denegridos acunpunctores. A vida tem destas ironias.

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    4. Deixe-me acrescentar algo muito importante. Sabemos que certos antidepressivos não são mais que placebos porque foram feitos estudos clínicos que o demonstram.

      A questão se algum investigador defende a eficácia de uma substância terá de ser avaliada em função desses estudos. Uma coisa é assumir que muitos antidepressivos não são eficazes, outra é dizer que são todos.

      Quanto à homeopatia existe consenso sim. Em testes controlados, randomizados e cegos, não existe qualquer diferença entre um placebo e um produto homeopático. Os estudos que demostram efeito são sempre deficientes em termos de controlos.

      Luc Montagnier ganhou um nobel por uma válida investigação, não pelo seu apoio à homeopatia. Isto significa que até os investigadores cometem erros e que a sua obra deve ser analisada caso a caso.

      No caso da Acupunctura - nos testes que têm em conta os devidos controlos, as diferenças não são evidentes. Sabia que os pacientes não registam melhorias se tiverem um tratamento com falsa acunpunctura da verdadeira?

      Portanto, não, a razão não está do lado dos acunpuctores.

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    6. Caro Anónimo:
      Há muitas pessoas que ao ouvirem falar apenas na expressão MA (Medicinas Alternativas) têm uma reacção semelhante à do cão de Pavlov, mas desta vez salivando impropérios não só contra as ditas mas também contra pessoas como Desidério Murcho. Ora este coloca a questão noutros termos, não validando estas práticas cuja eficácia terapêutica diz desconhecer, mas defendendo apenas o seu reconhecimento oficial por achar que é preferível ao seu funcionamento nebuloso.
      Do ponto de vista prático qual é a diferença entre permitir-se que existam na semi-clandestinidade (como hoje acontece) ou legalmente enquadradas?
      O que é mais vantajoso, ou menos prejudicial (se se quiser)?
      Talvez se devesse começar a discussão por aqui e depois argumentar-se contra invocando a sua inutilidade ou os prejuízos que causam (ou possam causar).
      Ao enviesar a discussão gera-se um vozearia que não aproveita à discussão.
      Eu não sou suficientemente conhecedor para emitir opinião, apenas gostaria de ficar mais esclarecido, mas deste tipo de discussão, do género Assembleia da República, com ofensas pessoais e impropérios à mistura (da parte de alguns comentadores) é impossível aproveitar-se algo.

      Deixo apenas um testemunho em na 1.ª pessoa e outro ouvido a terceiros:
      1.º testemunho: Eu tive um problema inflamatório articular de alguma gravidade: a fisioterapia não teve quaisquer efeitos positivos; o médico de CG não tinha solução; o médico especialista igualmente, receitando-me apenas, após radiografia e ecografia, um forte e bem conhecido anti-inflamatório avisando-me que poderia ter efeitos secundários substanciais.
      Experimentei a acupunctura durante 3 meses com quem não sabia onde pôr as agulhas e o resultado foi gastar dinheiro (há muita charlatanice nas MA, provavelmente agravada pelo seu funcionarem em roda livre).
      Mudei para um acupunctor que sabia pôr as agulhas e que me disse: «a acupunctura não resolve todos os problemas das pessoas e não se aplica a todas as doenças, se não se tiver melhorias a partir da 3.ª sessão não vale a pena continuar; e só se deve fazer 12 sessões no máximo».
      As 2 hipóteses confirmaram-se, senti melhorias a partir da 3.ª sessão e fiz 12 sessões que me resolveram o problema. Passados 4 anos voltei a sentir alguns sintomas, embora mais ligeiros, voltei ao 2.º acupunctor que me resolveu o problema até hoje, já lá vão mais 2 anos.
      2.º testemunho (ouvido a terceiros): Um conhecido e muito conceituado cirurgião de Lisboa, feroz adversário destas «tretas» das MA, como lhe chamava, escarneceu-as nos «media» durante anos. Um seu familiar teve um problema de tal modo grave que perdeu a locomoção. Não sei por pressão de quem, ele próprio foi obrigado, como último recurso, a levá-lo a um osteopata. Entrou ao colo e saiu a andar, com dificuldade, como é óbvio, mas a andar pelos seus pés. Ele ficou incrédulo e disse em público, na rádio, eu ouvi-o, como ouvira anteriormente as suas prelecções contra as MA, dizer: «tive que me render à evidência». A palavra evidência é uma palavra-chave no discurso médico, como saberá.
      Conclusão: Dentro do chapéu das MA (não sei se por falta de regulamentação ou não) mistura-se muita coisa, a charlatanice pura mais abjecta e técnicas ou práticas terapêuticas bem antigas que têm dado resultados positivos: refiro-me apenas à acupunctura e à osteopatia.

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    7. Sim, seja o que for que é placebo não deve ser vendido como medicamento.

      O problema com os antidepressivos é que isso está em discussão ainda.

      Sabemos que não funcionam em muitas depressões e em jovens mas funcionam noutras.

      De qualquer modo a ciencia ajusta-se a essas coisas, altera protocolos e tira produtos do mercado (acontece, sim). A pseudociencia não, matem a mesma mentira enquanto vender e porta-se apenas como uma industria virada para o lucro.

      Quanto a esse senho Montagnier, é mentira que ele apoie a homeopatia segundo o próprio.


      É só argumentos da treta.

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    8. É mentira o que afirmei em relação a Luc Montagnier ? Então leia as suas declarações na revista Science de 24/12/2010, que claramente apoiam a homeopatia e a defesa da validade do princípio da memória de água. Não fale sem conhecimento de causa. Para palpiteiros e argumentos de treta já existem que baste.

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    9. É argumento da treta porque mesmo que seja verdade não adianta nada.

      Um erro não justifica outro erro.

      E depois repare que ele não diz que a homeopatia funciona. Ele diz que parte do que ela alega não é errado:

      ""I can't say that homeopathy is right in everything. What I can say now is that the high dilutions (used in homeopathy) are right. High dilutions of something are not nothing. They are water structures which mimic the original molecules.""

      Mas este senhor também acha que o DNA emite radiações electromagneticas que estão ligadas ao autismo:

      http://www.autismone.org/content/keynote-microbial-trac

      Propõe fazer enemas de lexivia a crianças:

      http://www.sciencebasedmedicine.org/index.php/bleaching-away-what-ails-you/

      E chega para mostrar como o homem é louco.

      Mas mesmo que não fosse, esse tipo de apelo À autoridade é sempre um argumento fraco. Escolher a dedo o especialista ou especialistas que queremo é asneira.

      E depois, como já disse, só porque alguem faz asneiras não quer dizer que os outros as façam, como parece alegar no caso dos antidepressivos.

      É por isso que são argumentos da treta. Não é tanto pelo homem ser defensor da homeopatia ou não, porque ele defende muita outra loucura. É porque nao interessa o que ele defende. Agora, como muita gente faz estes erros de raciocinio, parece-me adequado começar por notar que ele não defende a homeopatia como um todo. Apenas diz que há la coisas que são verdade. E logo coisas que sao mentira (já que se refere à memoria da agua).

      O que interessa são os argumentos que ele tem, o que diz o consenso cientifico e que comprensão podemos ter disso.

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    10. Sim tem razão em relação ao Luc Montagnier, ele refere que encontrou fenómenos que não deveriam estar lá, segundo a ciência do Passado. Ele também é bastante crítico da visão corrente sobre a SIDA. Muitas vezes parece que a maioria dos cientistas mais badalados por aí, estão mais preocupados em manter factos científicos do Passado do que a olhar para a frente, para os outros colegas cientistas que são pessoas de visão. Verifiquem no Site da APH, há cada vez mais evidência de erros tremendos na ciência, especialmente em custos humanos, e tanto cientista é corrido do "establishment" por ser herético, por assim dizer. Felizmente o mundo está a mudar. Aconselho os seguintes links e já nem falo em relação aos factos que se acumulam sobre a realidade da concepção de um Universo Eléctrico e as suas consequências sobre a nossa concepção das capacidades da água.

      http://larouchepac.com/node/17802
      e
      http://larouchepac.com/node/19140

      E, já agora, cuidado que a acupunctura, homeopatia e a fitoterapia, entre outras, quando praticadas por médicos têm substanciais diferenças filosóficas, o que as diferencial muito. Temos que entender que há grandes diferenças entre médicos e não médicos, pelo menos oficialmente, por exemplo, o uso da acupunctura defendida pelos médicos é um uso desligado da sua filosofia a "teoria da medicina chinesa", ou seja, é realmente vender gato por lebre. É uma luta contra este tipo de fraudes que os não médicos têm defendido neste país. É em silêncio que estes têm defendido práticas e um Saber que de outro modo estaria totalmente abastardado, em nome da ganância e do interesse das grandes corporações. São factos meus amigos.





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    11. E o senhor anónimo continua às voltas com os antidepressivos. Anda mesmo desesperado, parece que não tem mais nada com que se preocupar. Permita-me sugerir outro tema para debate. Que tal analisar o que afirmam certos cientistas acerca dos efeitos do abuso de antibióticos e os seus nefastos efeitos colaterais? Faça um artigo sobre essa matéria (de preferência, identificando-se) e coloque-o aqui ou noutro local publico para discussão.
      Faça-o e verá a resposta que os cientistas lhe podem dar.


      Red herrings há-os para todos os gostos...

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    12. "Cada nova ideia percorre até ao seu reconhecimento três fases: Primeiro é denunciada como ridículo, a seguir é veementemente combatida, apenas para ser em última análise referida por todos como uma coisa natural."
      Arthur Schopenhauer

      Aqui não é difícil descortinar que a ciência e a estupidez são sempre as últimas a chegar.

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  2. Ter a liberdade de escolher uma prática terapêutica dita alternativa não é o mesmo do que escolher uma torradeira avariada.

    Desmistificar charlatanices é importante. A 'memória da água' não faz sentido à luz da química. Mas a homeopatia, a quiropatia, o reiki e tantas outras práticas são mais do que slogans publicitários. Muitas estão embrenhadas em práticas culturais que temos que respeitar. Se escolhermos uma como objecto da nossa crítica científica ganhamos ao considerar o seu valor não só bioquímico e físico, como também antropológico e cultural.

    Percebo a tua preocupação com a propaganda, David. É um problema. Mas o saco que arranjaste e onde enfiaste todas as 'alternativas' é reaccionário. É um outro problema.

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    1. Nem todas as práticas culturais são merecedoras de respeito. A excisão feminina, as lutas entre animais com fins lúdicos, etc, são alguns exemplos.

      E a homeopatia está longe de ser uma prática cultural.

      De qualquer maneira, nada no texto do David Marçal indica falta de respeito pelas pessoas que a praticam.

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  3. Olá Leo,

    Percebeste que não falava só de homeopatia, não? Sinceramente não pesquisei o que é a homeopatia, não a conheço. Mas deve ter raízes culturais, não? A minha ideia não é provocar, para criticarmos um objecto ganhamos em conhece-lo em mais profundidade. Porque há excisão feminina? Qual é o valor cultural que tem? Que género de ritual é e qual é a sua significância? Eu sou um defensor dos direitos humanos e para me pronunciar sobre a excisão feminina vou ter que me debruçar sobre o assunto, estudá-lo e, neste sentido, respeitá-lo na sua dimensão.

    cumps

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    1. Tudo tem raízes culturais, até o facto de estarmos a discutir estes assuntos via internet.

      O que eu quis dizer é que só por ser uma prática cultural, ela não é merecedora de respeito automaticamente. A excisão feminina é uma mutilação - e se respeitamos e defendemos os direitos humanos, devemos é condená-la.

      Acima de tudo, e acima das suas tradições culturais, as pessoas, o bem estar delas devem ser respeitadas. Tal e qual como informá-las e defendê-las de práticas que podem pôr em risco a sua saúde. E é isso que o Estado, no mínimo deveria fazer, não validar práticas que não são mais que placebos.

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    2. Apelo à tradição é sempre um mau argumento para justificar uma mentira ou atrocidade.

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    3. Há muitas maneiras curiosas de rejeitar a liberdade sem nos apercebermos disso. Uma é a do David Marçal, que certamente tem as melhores intenções, mas não consegue perceber que a menos que uma pessoa provoque danos inequívocos a outra contra a vontade desta, ambas devem ter a liberdade de fazer o que lhes der na gana.

      Outra é o relativismo cultural: a ideia de que é permissível fazer algo desde que esteja inscrito numa tradição. É então irrelevante que as pessoas dessa tradição explicitamente protestem contra ela e tentem não ser vítimas dela.

      O que une ambos os casos é uma incapacidade para olhar para as pessoas. Num caso, olha-se não para o que as pessoas realmente querem, mas para o que seria boa ideia que quisessem, se partilhassem a formação científica que eu tenho e se tivessem o estilo de vida que eu tenho. No outro caso, olha-se não para o que as pessoas realmente querem ou rejeitam, mas apenas para o que um grupo tradições determina. Mas o que conta no pensamento moral e político não é a verdade científica, nem a sensatez desejável das decisões das pessoas, nem as tradições, nem a história. A única coisa que conta e que conta em absoluto são as próprias pessoas, e não abstracções como a verdade científica ou a tradição a que pertencemos. É preciso olhar para as pessoas. É urgente. É imperativo. Sem isso, estamos sempre a um passo de mais uma ditadura -- seja a da ciência, seja a da tradição, seja outra qualquer. O único problema que há em fazer algo a alguém é o facto de essa pessoa não querer que isso lhe seja feito e ser verdade que quem lho faz não gostaria que lho fizessem a ele. Fosse o David Marçal homeopata desejoso de ter um enquadramento legal como no Reino Unido, e discordaria da rejeição que ele mesmo agora defende. Quando proibimos ou desencorajamos ou dificultamos algo que as pessoas livremente querem fazer é preciso mais do que danos vagos. É preciso que pessoas que explicitamente não querem ser prejudicadas por tal coisa o sejam. A homeopatia regulamentada não prejudica seja quem for de modo inequívoco, nem obriga seja quem for a recorrer à homeopatia, nem impede que se continue a divulgar junto das pessoas as razões que existem para pensar que a homeopatia não é científica. É por isso que a posição do David Marçal é indefensável.

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    4. Realmente as pessoas são as mais importantes. O bem-estar e a segurança delas são extremamente importantes. É por isso que a liberdade não é fazer o que se quer, ao contrário do que o Desidério Murcho insiste.

      Em questões de saúde, as modas, ou práticas como colar copos à pele não devem ser equiparadas a práticas médicas. Isto é pensar nas pessoas.

      A homeopatia regulamentada prejudica sim. Vamos ver o caso do Reino Unido que tanto gosta, onde produtos homeopáticos são aconselhados como protecção contra a malária, onde produtos sem qualquer princípio activo são vendidos como vacinas. De onde saiem homeopatas sem fronteiras levar água e açúcar a populações debilitadas com cólera e sida.

      Se vamos fazer como no Reino Unido, então porque não começar pelo o que está a ser implementada neste momento? Porque é que vamos começar com 100 anos de atraso?

      Os casos que mencionei foram de tal maneira graves e irresponsáveis, que agora o Reino Unido está a fazer aquilo que devia ter feito no início se tivesse ponderado muito bem sobre a homeopatia.

      Se fosse uma legislação como aquela que está a começar ser implementada no Reino Unido, onde apenas as poções e tratamentos que tenham eficácia comprovada podem serem aceites como tratamentos, não estaríamos a ter esta conversa. De tal maneira, que os homeopatas já nem querem ser homeopatas e querem ser apenas vendedores de confeitaria...

      É muito desolador ver que o Estado português faça regulamentação assim, seguindo modas, sem pensar ponderadamente, sem reflectir no que está a regulamentar. Só porque sim.

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  4. A homeopatia foi inventada na primeira metade do século 19 e o seu inventor desconhecia a constante de Avogrado, serão no máximo muito ténues raízes culturais, aliás a falácia da antiguidade duma prática lhe garantir automaticamente credibilidade no caso da homeopatia é paradoxal.

    Mas hoje tem muitas características dum culto, duma crença, e tem a mesma eficácia à luz da Ciência do que uma oração das diversas espiritualidades para ser empregue como terapia oficial e, querem os crentes na homeopatia, credibilizá-la com o seu financiamento pelo Serviço Nacional de Saúde e o seu reconhecimento académico pelas Universidades.

    A Homeopatia é que ao fazer alegações falsas sobre a saúde não respeita a Medicina, e muito menos os doentes, invade uma dimensão que não é a sua.

    Nisso compara-se à Igreja venal da Inquisição anti-reformista, impõe uma Terra Plana sem se importar em causar mortes para o efeito.

    Hoje vem enroupada dum marketing "cool" e por embalagens muito atractivas, tem capacidade e músculo financeiro para pagar copiosas comissões às redes de Farmácias para os balconistas poderem ganhar um pouco mais com as vendas de água com açúcar para curar o cancro.

    Consegue isso na base dum culto, até tem uma seita Califórnia que a advoga, a New Age, nesse aspecto o João Cão está a ilustrar uma faceta muito relevante do modus operandi destes crime contra a saúde da humanidade pelo motivo do lucro.

    E sim, o facto de ir estudar melhor os assuntos é, na minha opinião, o grande benefício deste trabalho de denúncia das vigarices e de esclarecimento à Luz da Ciência em que o David Marçal se empenhou de forma corajosa e eloquente.

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    1. E que tal proibir a religião, os cursos de teologia, o enquadramento legal dos padres?

      As pessoas têm o direito a fazer o que consideramos idiota, desde que não prejudiquem de modo inequívoco pessoas que não queiram ser prejudicadas por isso. Não aceitar este princípio democrático elementar é ser salazarista.

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    2. Há um nome para estas falácias...

      Já seria outra coisa perguntar o que pensamos se o Estado viesse fazer o enquadramento legal dos exorcismos.

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    3. É só gente por aqui muito versada em Homeopatia. Os leitores gostariam por certo de saber quantos daqui leram as obras do tal alemão que inventou a tal Homeopatia, mas em alemão? É óbvio, lógico e elementar que para se entender profundamente as alegações, afirmações, estudos e raciocínio do tal Hahnemann é preciso no mínimo dominar o alemão para se poder fazer observações objectivas.
      Caso contrário seria como cantar o fado em chinamarquês ou noutro idioma, o que não faz muito sentido visto que seria uma incoerência em continuar a dizer-se que aquilo também era fado. Elementar.

      Quanto à ciência que nunca se engana, alguém se lembra ainda do médico, neurologista, investigador e professor, galardoado com o Nobel da medicina que fazia umas lobotomias ao que os seres humanos achavam muito pouca graça?
      Se quiserem mais exemplos de desastres galardoados e efectuados pela ciência é só pesquisarem.

      Alguém por aqui sabe ao certo como a SIDA apareceu e graças a quem?
      Cancro! Ninguém vai aqui na actualidade afirmar que o cancro é curado com quimio e radioterapia pois não? É que se o fizer arrisca-se a estar muito desactualizado com o que se passa de melhor pelo mundo.

      Quanto a Califórnias e outras americanices já todos sabemos que o que sai daquele país dum modo geral é quase aberrações e anormalidades. Portanto nem passo cartão.

      O que aqui tem sido argumentado pelos opositores de tudo que funciona, é que não gostam da "cor azul", termos pena mas coloquem à beira do prato se não gostam.

      Eu como cliente da Homeopatia, para mim é suficiente saber que é alemã, tenho cabeça feita para pensar por mim independentemente o que outros argumentem ou não e ainda sou capaz de tomar decisões sensatas, isso para mim basta.
      Ninguém aqui de bom senso irá afirmar que os veículos alemães não prestam, que a indústria alemã é ineficaz ou que os alemães são estúpidos, pois se o fizer ninguém com capacidade de pensar o vai levar minimamente a sério.

      Quanto ao Estado legislar, por amor de Deus, o Estado e respectivos governos nas últimas décadas é aquilo que todos sabemos, mete as mãos pelos pés e basta ver o desgoverno em que o país caiu, numa cratera bem funda e não se vislumbrou ainda uma saída.

      E quanto a lucros, ah sim as indústrias farmacêuticas bem podem cantar de satisfação ainda que ultimamente andem a apanhar coimas de muitas centenas de milhões, ainda assim sobram muitas centenas de milhões de lucros. Bem, não esquecer que o INFARMED também lucra e não é assim tão pouco, basta ver o seguinte caso, o medicamento homeopático já existe na Alemanha e está lá regulamentado, mesmo assim para ser comercializado em Portugal paga uns milhares de euros. Ora digam lá que este organismo não é esperto!

      Para se chegar a estas conclusões bastou pesquisar um pouco com o gugalhadas.

      PS. O Estado e os sucessivos governos até hoje não conseguiram regulamentar a antiga profissão, ou seja a prostituição.

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    4. O senhor fala do cancro como se fosse uma única doença. Já agora, o que propõe para curar os diversos cancros que existem?

      Sabemos como a Sida apareceu. Porque pergunta?

      Uma prática médica não deve ser julgada pelo país onde ela surgiu. Eu pelo menos não tomo decisões de saúde baseada nesse tipo de argumento.

      E ainda bem que fala no INFARMED - é que não é preciso ir à Alemanha para ter produtos homeopáticos à venda nas farmácias e classificados como medicamentos. É outro caso de regulamentação feita às cegas. Vá ver o que diz o Infarmed sobre a homeopatia...

      E novamente, as pessoas falam da indústria farmacêutica, mas esquecem que o maior laboratório de produtos homeopáticos - por acaso é francês - tem igualmente lucros, bastantes. Imagine! Coloca bolinhas de açúcar à venda como medicamentos nas farmácias do mundo. É realmente um jogo bastante lucrativo, este da homeopatia.

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  5. Prezado David Marçal,

    Como sabe, eu sou grande admirador deste blogue, tanto que tenho estado a traduzir os posts mais notaveis aqui publicados, a pedido de uma editora marciana que se interessa pelas incriveis potencialidades da mente superior dos habitantes do planeta Terra.

    Queria traduzir também esta série recente de postes que tratam da problematica abordada no seu texto, mas antes gostava de ter a certeza que percebi bem...

    De um lado, em nome da liberdade, o Desidério Murcho defende que devemos regulamentar a homeopatia, impondo regras imperativas, pois assim e apenas assim se repeita o direito sagrado e absoluto que qualquer pessoa tem de fazer o que lhe da na real gana, sem ter de justificar as suas escolhas perante os orgaos do estado (com minuscula, para não ter de escrever o estado opressor injusto e liberticida).

    Do outro lado, temos a sua posição, que defende que não podemos viver numa completa rebaldaria e que precisamos de limites objectivos impostos a todos, nomeadamente para proteger os mais fracos contra erros e abusos, pelo devemos abster-nos de regulamentar a actividade em causa ou de admitir a minima intervenção nesse assunto em nome do Estado (com maiuscula, para não ter de escrever o Estado Protector de Todos e Unico Detentor da Legitimidade Popular).

    E' isso, não é ?

    Boas

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  6. Uma das coisas mais interessantes da medicina é a dificuldade em falar dessa actividade com algum distanciamento, como se todos nós não tivessemos vivido (e nascido) condicionados presença ocasional (mas constante e regular) ao longo da vida e mesmo quando morrermos lá teremos um médico para atestar "morreu", "mas morreu de quê?" -- perguintará alguém, "morreu de morte", dirá alguém, ao que o avisado médico responderá, "é, ... foi o coração que parou", acrescentado, escreva aí, "morreu de paragem cardiaca!".

    Chegados a um certa idade todos nós teremos sentido a presença desse médico aí na nossa vida e ele, terá sido sempre competente e amável, cumpridor, honesto, inteligente, perspicaz e boa pessoa, mas seguro (sempre transmitiu muita segurança, por isso é que confiamos nele). Mas terá sido assim, serão médicos todos excelentes profissionais, que nunca erram?, (Sim! dizemos nós em coro, quer dizer não nunca erram, asseguramos) e os diagnósticos foram sempre correctos (ah, quase sempre, asseguramos com convicção) e os médicos foram sempre cordiais e amáveis (ah, ..., dentro do possível, vá sim acrescentamos). É que afinal estamos aqui vivos e de boa saúde.

    É que para nós isso de maus médicos (incompetentes e más pessoas) é algo de absurdo.

    Em todas as outras actividades isso é aceitável, mas na medicina não (como se isto fosse possível). Bom e ainda por cima duplamente certificados pelo estado e pela ciência. Sim confesso, um mau profissional e uma má prática médica são coisas impossíveis (vá-se lá saber a próxima vez que eu ponho a minha vida ou a minha sáúde nas mãos de uma dessas pessoas)

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  7. Na realidade sempre gostava que o David Marçal esclarecesse os leitores (do blog), sobre o que considera a legalização do tabaco e do vinho (produção, transformação e consumo), se existe tanto problema com a homeopatia, o que é que acha do estado por legalizar venenos, será que estará a incentivar a doença e a morte da população, será que as pessoas para este efeito não são consideradas imbecis, mas para a homeopatia já são?

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    1. 1 - Há uma diferença entre fumar e beber por gosto e fazê-lo sobre um pretexto que não é real.

      2- O estado limita em muito o uso dessas substancias: impostos altos no tabaco, proibição de fumar em qualquer espaço que seja, proibição de beber alcool em inumeras condições.

      3- O David Marçal não esta a propor proibir a pseudomedicina.

      Logo essa questão é pouco importante.

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    4. Nada como umas drogas legais como o álcool e os cigarros e afins, mesmo que matem milhões de pessoas num século em Portugal. Afinal às custas dos mortos e dos vivos-mortos o estado arrecada mais uns €€€ sob a forma de impostos para depois os atirar à banca.
      Um círculo encantador para gente encantada.

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  8. Estou muito agradecido ao David Marçal pela sua resposta ponderada, clara e muito frontal. Eis as minhas respostas.

    1) O estado concede cédulas profissionais às mais disparatadas profissões. A única condição, numa sociedade livre, é tais profissionais quererem ser regulamentados e não prejudicarem terceiros. Nada mais. Se todos os homeopatas são charlatões ou não, é algo que compete a quem quiser consultá-los decidir. A verdade, claro, é que nem todos o são, tal como nem todos os cientistas são charlatões. As pessoas têm muitas vezes crenças honestas e sinceras em coisas que outras pessoas consideram cientificamente indefensáveis.

    2) Caso houvesse várias pessoas dispostas a comprar torradeiras que não funcionam com a expectativa de que funcionam e não protestassem ao ver que não funcionam, não vejo como poderia eu ter o direito de as impedir de comprar tais coisas. O que o David precisa compreender é que as pessoas QUEREM a homeopatia. É irrelevante que não funcione, pois elas não se queixam. Daí que eu defenda o direito destas pessoas à homeopatia com melhor integração legislativa. Se toda a gente fosse como eu, certamente não haveria homeopatia. Só que as pessoas têm o direito de não serem todas como eu.

    3) Como já expliquei várias vezes, numa sociedade livre é politicamente irrelevante se a homeopatia prejudica as pessoas ou não, desde que elas escolham livremente a homeopatia, ao invés de esta lhes ser imposta. Se as pessoas querem livremente praticar boxe, mesmo que isso lhes provoque lesões cerebrais, têm o direito a isso. E se não integrarmos legislativamente o boxe será ainda pior para elas. Se integrarmos, podemos obrigar os clubes a seguir normas de segurança que visam proteger quem pratica este desporto. Idem para a homeopatia e é precisamente isso que acontece no Reino Unido, onde uma pessoa tem muito mais garantia de ter um atendimento homeopático de melhor qualidade do que em Portugal.

    4) Regulamentar a homeopatia pode realmente dar às pessoas a ideia de que tem uma legitimidade científica que não tem. Mas esse é um risco menor e que em qualquer caso já ocorre com muitas práticas, como a psicanálise. A própria legislação pode incluir a obrigatoriedade de o homeopata informar as pessoas que a sua prática terapêutica não tem legitimidade científica e os laboratórios podem ser obrigados a escrever precisamente isso nas embalagens. Você não pode fazer isto sem regulamentar a homeopatia.

    5) Regulamentar a homeopatia não é impor legislativamente a pseudociência, pois ninguém será obrigado a recorrer à homeopatia, e quem considera que esta não tem legitimidade científica continuará a ter a liberdade para alertar as pessoas para isso.

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    1. Desidério:

      Não é uma sociedade livre aquela em que o estado participa e é cumplice de actividades que lesam os seus cidadões por motivos de ignorancia. Não é proibir, é apenas não dar sinais de fazer parte de uma actividade reconhecida porque isso pressupõe uma série de coisas. As pessoas estão habituadas a que não haja à disposição armas e armadilhas para não se magoarem a si e aos outros.

      A liberdade deve ser ter escolhas boas, não escolhas más. E não é possivel dar liberdade absoluta e é preciso proteger as pessoas da sua propria ignorancia, pois ninguém pode saber tudo. Não em coisas que sejam matéria de opinião, mas em coisas que sabemos serem factos. Como disse, não é possivel regular a pseudomedicina sem fazer as pessoas assinarem um papel onde digam que sabem que o que estão a escolher é irracional e potencialmente perigoso. Mas isso não vai acontecer, não é essa a regulamentação que está em curso.


      A OMS diz que onde não há mais nada é legitimo recorrer aos curandeiros tradicionais e isso é visto pelo resto do mundo como um "endorsement" de qualquer coisa que tenha mais de 100 anos, seja perigosa ou não.

      Já é mau o suficiente o estado não fazer nada para alertar para a ineficacia e potencial perigo destas coisas, que deixe isto nas mãos de blogger e cientistas conscenciosos que no tempo livre tentam mostrar o que se sabe e até como sabemos os que sabemos. Quanto mais agora legitimar a actividade. Porque quer queira quer não, é isso que esta a ser feito. É esse o sentido que as coisas estão a tomar.


      A liberdade de irmos ao cinema e não termos de estar preocupados se o tecto no vai cair em cima tem de ser igual a de ir a um terapeuta e ele aplica e recomenda o que funciona.

      O exemplo da torradeira não presta porque as pessoas se queixam das torradeiras que não funcionam a não ser que as queiram para outra coisa. A diferença, fundamental, está na razão pela qual a pseudomedicina é escolhida. Porque as pessoas estão a escolher o que acham que é melhor para a saude. Logo aqui a analogia parte-se. Quem quiser verificar uma torradeira estragada não tem muita dificuldade. Mas verificar o que é melhor é um trabalho de decadas para milhares de especialistas e cuja comreensão minima demora anos de estudo. Se as pessoas decidissem escolher a homeopatia alegando quererem mesmo apenas não fazer nada e pagar para isso a alguem, a sua analogia ainda se comia, mas assim não tem nada a ver com nada. As pessoas alegam, para lá de toda a evidencia e plausibilidade teorica, que a homeopatia cumpre as suas pretenções. Isto põe as coisas num campo distinto.

      Mais uma vez relembro que isto não é a apologia de proibir, mas sim de não legitimar, que é o que regular vai fazer de facto.

      Por fim, parece-me que o perigo para a democracia não vem das coisas que podemos saber como sendo materia de facto ou não, mas da ambição desmesurada, agressividade natural dos homens, desigualdade na distribuição de riqueza, baixo QI, baixo nivel de educação. Quer-me parecer que considerar a proibição de uma coisa que as pessoas por ignorancia fazem mal a si proprias um ataque à democracia um pouco como permitir vender uranio nos supermercados pela mesma razão. É uma falácia da derrapagem.

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  9. Excelente post e excelente discussão - da minha parte prefiro que o estado não valide o que não pode a Ciência validar. E, dentro das MA, há muita charlatanice mas também há gente com valor (em Portugal os tradicionais endireitas resolviam às vezes casos que os médicos não conseguiam...), mas não estou a ver como é que o Estado, ao regulamentar uma fraude genérica, vai melhorar o estado da arte...

    PS - e, já agora, porque não uma Ordem dos Astrólogos...?!? LOL

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    1. Se os astrólogos quiserem organizar-se numa ordem e se você fosse astrólogo, como se sentiria que alguém lhe recusasse esse direito? O problema do pensamento ético e político e quão pouco as pessoas sabem pensar adequadamente sobre problemas éticos e políticos. Pensar sobre conflitos de interesses entre pessoas numa sociedade não é uma questão de ver quem tem a certificação científica do seu lado, mas antes e exclusivamente uma questão de saber se há uma maneira imparcial de rejeitar o que algumas pessoas querem. Não é uma maneira imparcial de rejeitar o que os astrólogos querem a afirmação de que eu, que não sou astrólogo e penso que é uma pseudociência, não quero que eles possam organizar-se e ser socialmente integrados e reconhecidos. A imposição aos outros das nossas ideias e formas de vida nunca é defensável para um defensor lúcido e informado da liberdade. Infelizmente, em Portugal nunca houve e continua a não haver uma tradição de defesa rigorosa da liberdade.

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    2. "mas não estou a ver como é que o Estado, ao regulamentar uma fraude genérica, vai melhorar o estado da arte.."

      LOLA

      É porque não conhece o seu Estado muito bem, o seu Estado é um artista e que artista, ora avalie lá o artista no caso BPN em que os contribuintes têm andado a ser impostados.

      Continue a rir que o artista também.

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  10. Na minha modesta opinião:
    http://i.imgur.com/VgQZN.jpg

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  11. A propósito de placebos e pseudo-ciências. Estudos alemães e britânicos entre outros e efectuados por entidades competentes e independentes, ao que tudo indica científicos, indicaram que a Medicina Alopática/Farmacêutica receitava placebos mas com efeitos secundários.
    Primeiro leiam o que lá fora em países do 1º mundo acontece antes de virem para aqui apregoar num país de 3ª mundo.

    Se a Homeopatia funciona ou não é outra história pelo menos até pode ser apontada como placebo mas não tem os efeitos secundários das drogas farmacêuticas.

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    1. Que estudos são esses? Pode dar links para esses placebos com efeitos secundários?

      É muito fácil algo não ter efeitos secundários quando não tem efeitos primários

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  12. Em minha modesta opinião, os políticos e políticas deviam ser regulamentadas pois geralmente têm sido estes e suas políticas que levam os países ao caos.

    Fiquem bem
    OMSK

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  13. Ciência da treta! Mas não foi ela que demorou milhares de anos até chegar à conclusão que a MTC-Acupuntura funciona ??!! Bom o que hoje a dita cuja, a tal ciência(!) sabe já os chineses sabiam há uns 3000 anos !!!

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    1. Sr. Anónimo pode ficar tranquilo porque a ciência não refutou coisa algum, a ciência por acaso até estar a dormir a sesta e não teve oportunidade de refutar nada, logo que ela acorde até lhe pode dar para refutar coisas, sabe-se lá, pode ser.

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    2. A ciência chegou à conclusão que a acupuntura funciona? Onde e como?

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    3. Sr. Leo Abrantes tenho a dizer-lhe que a ciência, que é um bicho feio e mal encarado, continua a dormir e ainda não acordou para refutar o que quer que seja, e não me parece que isso vá acontecer tão cedo.

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    4. e, em boa verdade, também não validou (se calhar até é um pouco neutra neste assunto). Mas se calhar há cientistas que validaram outros que refutaram (como em muitas outra situações). Mas se precisar da sua benção vai ter de esperar. De qualquer modo tenho de dizer-lhe que a própria ciência é um pouco avessa a unanimismos (excepto na matemática e na lógica).

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  14. Estou a ler a capa dum livro que me emprestaram que afirma o seguinte:
    "A pessoa que tem mais probabilidades de o matar não é um ladrão, um assaltante, um parente alienado ou um condutor embriagado. A pessoa que tem mais probabilidades de o matar é o seu médico"...do médico Vernon Coleman "Como impedir o seu médico de o matar"....espero que o livro não impeça de termos uma boa noite de sono....

    Respeitosamente
    Sokratas A.C.

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  15. até parece que na medicina convencional não há charlatanice e não fabricam mitos para ganhar dinheiro : a bem dizer não há ninguém saudável , está tudo cheio de colesterol , tensão alta , depressões e o diabo . e tanta pastilha que se vende ! uma mina.

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    1. Ah pois não, na medicina convencional não há nenhuma charlatanice, os médicos são todos puros e imaculados. E quanto à indústria farmacêutica, está repleta de anjinhos.Aqueles que só descascam nas medicinas alternativas fazem-me recordar um grande filme do Ettore Scola, " feios, porcos e maus". Ou seja, do lado dos homeopatas, acunpunctores e quejandos, apresentam-nos como a ralé da medicina. Do lado dos Senhores Professores e Doutores, tudo muito bem compassado e soletrado, é só finesse, erudição e inteligência suprema. Do estilo " intelectuais bem pensantes" que só tomam chá em taças de porcelana, não se misturam com a ralé, e depois vêm para aqui arengar umas postas de pescada da mais fina ortodoxia.

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    2. Há charltanice na medicina sim, quando são descobertos são repudiados pela classe médica e incorrem em prisão ou multas - veja-se até podem deixar de ser médicos.

      A indústria farmacêutica tem imensos casos de fraude, manipulação de dados, mentiras. E como sabemos disso? Porque apesar do sistema não ser perfeito, os medicamentos são continuamente monotorizados e avaliados. Quando se sabe que são fraude (placebos) ou perigosos (causam mais danos que benefícios) são retirados do mercado.

      Infelizmente, isso acontece à custa de muitas vidas. O que devíamos estar preocupados era que tratamentos e medicamentos fossem mais eficazmente controlados e encontrar mecanismos onde isto fosse cada vez mais difícil.

      Mas tudo isso não diz absolutamente NADA quanto à eficácia ou benefício das terapias alternativas.

      Até agora, ainda não vi um único produto homeopático que tenha sido retirado do mercado por falta de eficácia. Até hoje não vi nem um único homeopata a quem foi tirada a licença por ter recomendado os seus produtos para a malária, ou sida. Também nunca vi os homeopatas repudiarem um colega por terem recomendado aos pais não vacinarem os seus filhos.

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    3. Hum, segundo o Eurostat, em Portugal morre-se nos hospitais acima da média europeia.
      aqui há gato.
      Alguém investigou ou investiga? Se sim quem e de que forma?
      O que dizem as supostas entidades competentes?

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  16. 1) «Nesse chapéu de "liberdade" não deveríamos também permitir que o criacionismo seja ensinado nas aulas de ciência como uma teoria científica alternativa à evolução?» DMarçal
    2) «mas não consegue perceber que a menos que uma pessoa provoque danos inequívocos a outra contra a vontade desta, ambas devem ter a liberdade de fazer o que lhes der na gana» DMurcho
    3) «E é de arrepiar os poucos cabelos que me restam quando penso em David Marçal e Carlos Fiolhais a impor legislativamente a ciência às pessoas.» DMurcho
    4) «um licenciado em medicina que vende tratamentos que não funcionam para tratar doenças graves (como o cancro e a SIDA), mas em quem muita gente acredita, pois neles é levada a acreditar.» DMarçal

    Quanto a 1), devo dizer que este tipo de afirmação encerra perigos enormes. Como a maioria das pessoas aqui deve saber, imensos episódios da história da ciência têm por base mudanças bruscas de paradigma. Em muitos casos «um contra todos»... Tenho a certeza que muitos conceitos hoje aceites não seriam bem vistos em aulas de ciência há uns tempos atrás. Não sou criacionista (longe disso), mas quero que a ciência moderna dê o direito a alguém para dizer que não acredita na evolução ou que quer refinar o conceito. Depois terá de lidar com os milhões de provas a favor do evolucionismo. Mas a ciência tem de permitir a rotura. Imaginemos que, tendo acesso a toda a informação sobre o conhecimento actual (como os milhões de provas pró-evolucionismo), mesmo assim, uma pequena aldeia prefere ensinar criacionismo (não sei o que significa uma pequena aldeia preferir ensinar criacionismo, mas admitamos que é uma preferência honesta...). Não vejo porquê proibir. Neste e noutros pontos estou com DMurcho.

    Quanto a 2), discordo de DMurcho. Não acho que liberdade seja completamente equivalente a «a menos que uma pessoa provoque danos inequívocos a outra contra a vontade desta». Para mim é uma implicação, não uma equivalência. Haver liberdade implica que haja «a menos que uma pessoa provoque danos inequívocos a outra contra a vontade desta». A meu ver, a recíproca não é totalmente verdadeira.
    (continua)

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  17. Uma questão que eu gostaria de colocar aqui é se todas as "medecinas alternativas" são charlatanice ou se haverá casos válidos, se não como alternativa à medecina concvencional então como complementos. Tendo em conta a antiguidade de algumas é provável que alguns procedimentos sejam benéficos e eficazes ainda que a explicação proposta para que eles resultem seja exotéria (poderá smpre haver uma explicação mais cientifica alternativa). Não pretendo defender ou acusar a homeopatia em concreto ou as medecinas alternativas em geral mas em vários séculos de emperismo é provável que alguma delas em algum ponto tenham acertado. Afinal há medicamemntos aquiridos em farmácias que terão medicamentos equivalentes, isto é, com a mesma subtancia activa em Hervanários (por exemplo a valeriana). Convem também relembrar que quer os medicamentos sejam aquiridos em farmácias quer sejam adquiridos em hervanários poderão ter efeitos secundários. Por isso uma alternativa não é necessariamente melhor que a outra.Quanto à homeopatia em concreto desconfio muito, uma substância extremamente diluida não terá efeitos quer seja benéfica quer seja toxica. Muitas vezes a diferença daquilo que nos mata ou que nos salva não é a subtancia activa mas sim a sua quantidade. Os organismos afinal têm uma boa capacidade de autoreparação e defesa. Acho que uma boa politica é apenas tomar medicação quando realmente necessária (p.ex. um banho tépido poderá ser uma alternativa a um antipirético - obviamente para temperaturas não assustadoramente elevadas).

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  18. (continuação)

    Há uns tempos escrevi
    «Há uns tempos li sobre o caso de uma pessoa que, na internet, se oferecia para cortar braços e pernas e a matar de forma dolorosa quem estivesse interessado.

    Este caso extremo vai ao encontro (parece-me) do termo «(...)desde que não prejudiquem terceiros.(...)». Acontece que quem responder ao prestável indivíduo da internet parece não se encontrar de boa saúde mental (por facilidade, vamos definir que quem responda a tal proposta não se encontra bem de saúde). No entanto, uma pessoa pode estar mal de saúde mental hoje e estar bem amanhã. Quanto a mim, a sociedade deve dar alguma protecção a estes casos. Quero eu dizer que é necessário ter em conta a questão «desde que não prejudiquem primeiros». Com todos os perigos para a liberdade individual que a questão encerra...»

    Em relação ao caso DMurcho argumentou

    «Usando o exemplo acima da pessoa que se dispõe torturar e matar outra que a isso se disponha voluntariamente, não precisamos proibir tal coisa para precaver os casos de fragilidades mentais. O que precisamos é de regulamentar as coisas, de modo a que quem aceitar tal coisa seja submetido a um exame, para garantir que a sua decisão é tomada em plena liberdade e consciência, e não sob pressões psicológicas.»

    Aqui discordo. Se admitirmos que uma pessoa ofereça (sem impor) um assassinato, estamos numa anarquia. Eu quero uma sociedade com algumas regras, não uma anarquia. Trata-se de analisar as zonas cinzentas (o que é um processo muito dinâmico). Eu percebo o ponto de Desidério; tem semelhanças com a regulamentação das drogas (com que concordo). Mas não se trata do mesmo (na questão das drogas, as pessoas sabem ao que vão ou, em muitos casos, não conseguem evitar). Neste sentido não concordo com «Se eu tento convencer uma pessoa que uma dada terapia é danosa para si mesma, e nem sequer apenas ineficaz, mas a pessoa não se deixa persuadir, nada, RIGOROSAMENTE NADA, excepto uma mentalidade salazarista, poderá dar-me o direito de a obrigar» (Dmurcho). Penso que a ideia é certa na vastíssima maioria dos casos, mas há zonas cinzentas em que não se aplica. Não concordo com o RIGOROSAMENTE NADA. É possível conciliar uma imposição com a colocação no lugar dos outros.

    Quanto a 3), estou totalmente com DMurcho. Aqui também sou radical: no dia em que David Marçal e Carlos Fiolhais imposerem impor legislativamente a ciência às pessoas estamos novamente no tempo de Salazar. Mas parece-me que eles nem de longe, nem de perto, querem tal coisa.

    Quanto a 4), já tendo para a opinião de Marçal. Se for certo que o médico anda a matar gente (facilmente verificável), o caso está próximo do meu exemplo do desmembramento e morte e, na minha opinião, já não é zona cinzenta. Tem de haver legislação contra o dito «médico» (caso contrário estamos numa anarquia).

    Para acabar, penso que a discussão não pode avançar sem definir um pouco melhor a noção de liberdade. Não acho que seja só « a menos que uma pessoa provoque danos inequívocos a outra contra a vontade desta, ambas devem ter a liberdade de fazer o que lhes der na gana». Mas é um conceito complicado...

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    1. Obrigado pela ponderação e pela moderação. Só quero comentar que se uma pessoa quiser ser mutilada e morta por outra, sabe-se lá porquê, é ilegítimo que alguém a impeça. Outra coisa é assegurar que a sua decisão radical de ser mutilada e morta não é tomada sem a devida reflexão e ponderação. Este é um caso em que é sensato exigir salvaguardas, para que ela tenha tempo de reflectir e eventualmente voltar atrás. Mas se depois de todas essas salvaguardas ela insistir, não há maneira de justificar adequadamente que ela seja proibida de fazer o que só a ela a prejudica.

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  19. Em rigor David Marçal não defende a proibição da homeopatia, a sua prespectiva peregrina consiste em dizer que o estado não deve regulamentar aquela actividade a pertexto de as pessoas não saberem decidir o destino da sua vida (sabe-se lá porquê, porque serão porventura ignorantes, pouco esclarecidos, ... ). Segundo David Marçal esse papel de validação das actividades parece caber ao "estado" (ou pior à "ciência"), ou seja aqui já não devem ser pessoas é que quando se diz "estado" ou "ciências", não se trata de pessoas mas antes seres (singulares ou colectivos) iluminados (e eu que não sei quem os ilumina desconfio,... , vá esquisitices minhas)

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    1. É como as pessoas que dizem que nada têm contra os homossexuais, mas não querem que eles possam casar porque isso é validar por meio do estado o seu modo de vida.

      Devia ser óbvio que só quem condena e gostaria de acabar com todos os homossexuais (talvez fuzilando-os) pode pensar assim. Pois se tal estilo de vida nada tem de errado, tem direito ao mesmíssimo reconhecimento social que o estilo de vida heterossexual.

      Quem afirma não querer proibir a homeopatia, mas ao mesmo tempo querer que o estado a não reconheça está na mesmíssima situação. A única sombra de argumento que poderia ser usado seria a ideia de que as pessoas papalvas vão aceitar a homeopatia ingenuamente. Mas isto não funciona porque 1) elas já a aceitam, com ou sem o beneplácito estatal, e 2) com a integração legislativa é possível criar salvaguardas que garantam que qualquer pessoa que use a homeopatia tem de ser informada de que os cientistas consideram que aquilo não é ciência e não funciona.

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  20. Curiosidade.
    Temos um país atolado de leis, controlo e impostos.
    No entanto continuamos atolados no lodo da corrupção, cunhas, incompetência, incoerência, da falência e do despesismo contínuo e frequente.
    Ou seja pouco se aprendeu com o passado.
    Pelos vistos aqui alguns comentadores também pouco aprenderam, digo eu, sei lá...

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  21. Meu pai nunca permitiu que os descendentes levassem com vacinas. Ainda respiramos e mexemos.

    A minha gratidão vai para ti pai cheio de sabedoria e espero transmitir teus conhecimentos aos descendentes.

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  22. Grande Reportagem SIC (29 de Novembro 2012)
    Provavelmente, a melhor reportagem feita sobre o assunto.

    "Como as várias formas de medicina podem ser complementares"
    http://www.youtube.com/watch?v=wWmklmihn20&list=UL

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  23. Título: A confusão que reina em algumas cabecinhas!

    "Aconteceu realmente na Africa do Sul, pelas mãos de um criminoso chamado Matthias rath."
    O que é que este Dr. med Mathias Rath tem a ver com Portugal?! Nada, que eu saiba.
    É crime praticar a Vitaminoterapia ou Medicina Celular em Portugal? Que eu saiba não.
    O que têm estas terapias a ver com a Homeopatia? Nada.

    Em Portugal muito se fala e escreve e pouco se acerta. Nada de novo.

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