sábado, 5 de julho de 2014

OS MELHORES CIENTISTAS DO PAÍS ESTÃO PARA A FCT ENTRE OS PIORES

Muitos parabéns aos cientistas portugueses Nuno Peres  (Universidade do Minho), Mário Figueiredo (IST, Universidade de Lisboa) e Miguel Araújo (Imperial College de Londres, CSIC - Espanha,  e cátedra "Rui Nabeiro" na Universidade de Évora) que acabam de ser distinguidos como os melhores cientistas portugueses (isto é, aqueles cujos trabalhos científicos tiveram mais impacto) no período 2002-2012 pela Thomson-Reuters, que gere a  mais prestigiada base de dados de produção científica, a Web of Knowdedge. Os artigos de Nuno Peres têm 13.839 citações, enquanto os de Mário Figueiredo têm 4622 no período indicado.

Este critério das citações, universalmente reconhecido como um dos indicadores de mérito, foi adoptado pela FCT no seu processo de avaliação, embora usando uma base de dados, a Scopus da empresa  Elsevier, menos prestigiada que a da Thomson-Reuters (e que o Estado português paga). Não posso porém - ninguém pode - dar os parabéns à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) que acaba de chumbar os centros de investigação de Nuno Peres, o Centro de Física do Porto e do Minho, e de Mário Figueiredo, o Instituto de Telecomunicações. Só não terá conseguido extinguir nem o Imperial College nem o CSIC nem a cátedra Rui Nabeiro de Évora, por não serem da sua alçada. Lá fora reconhece-se o mérito, cá dentro mandam-se fechar os laboratórios dos melhores cientistas.

Não sei se o ministro Nuno Crato já deu os parabéns aos cientistas portugueses de topo ou se fez como Cavaco e Silva que se calou, embatucado, quando Carlos do Carmo recebeu um prémio internacional. Talvez pudesse, perante a  manifesta  incompetência da FCT no processo de avaliação da ciência em Portugal, avaliar ele próprio essa agência. O resultado só poderá ser um valente chumbo. Quanto mais tempo demorar a chumbar a gestão da agência nacional de ciência e tecnologia pior será para a ciência em Portugal.

15 comentários:

  1. O melhor artigo é o que tem mais citações? No curto prazo, não é? Se for no longo prazo o autor pode já estar morto. Curioso critério. Que dirão os vindouros (daqui a 100 anos) do que se passa hoje. Não sei adivinhar o futuro mas...

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    1. É um critério falível, naturalmente, mas é objectivo e universalmente utilizado.
      Que outro recomenda?

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  2. Se calhar os ditos centros não estão à altura do mérito individual de alguns dos referidos membros...

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  3. O modo como a ciência (e a cultura, em geral) estão a ser tratadas terá mais impacto negativo sobre a economia a longo prazo do que o escândalo BES. No entanto, é o escândalo BES que enche as páginas dos jornais e os tempos de antena. Sobre o mais importante, o silêncio. Infeliz país!

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  4. De facto... nunca partilhei nem percebi o critério de o mais citado é o melhor...
    Pode ser citado por muitos para dizerem mal e contradizerem o que lá está escrito... para dizer mal dele tem de ser citado!

    Além disso, só é citado se for lido. Com a dificuldade que há em publicar, quem publica em revistas menos caras de adquirir será menos lido, menos conhecido, logo... menos citado!

    Outras razões prendem-se com o facto de uma área nova só ter o devido impacto anos mais tarde... logo... ninguém vai ler e/ou citar... anão ser quando o sujeito já for velho e não lucrar nada com isso

    Há pessoas que recebem o Nobel depois de mortas... quer isto dizer que fizeram um excelente trabalho em vida e que tal na época nem sequer foi reconhecido... fica a massa e o mérito para os herdeiros

    essa treta das citações só serve para empresas como a referida Thomson embolsar mais uns milhões a vender os seus produtos pois existem revistas de áreas específicas e de excelente qualidade que nem sequer constam do ranking da Thomson por pertencerem a empresas suas concorrentes

    É tudo uma questão de dinheiro e de ganhar mais com os papalvos que publicam os seus artigos sem receberem um tostão

    terem de pagar fortunas para receberem a revista na sua instituição

    e a dita empresa publica, vende e embolsa... tudo à custa dos papalvos terem de publicar para serem bem avaliados e serem citados na dita empresa para serem considerados bons

    usem a cabeça e mudem o sistema corrupto que por aí grassa

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  5. Caro M. Condes:
    Quem tem coragem para promover a mudança? Quem o fizer prejudica-se. Ir contra corrente só traz problemas.

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  6. Essa de se ter que pagar para escrever numa revista está demais!

    Por isso se entende que os professores mais velhos, quando se lhes fala colocar uma revista on line, gratuita, para descarregar a partir do servidor da instituição, ou seja custo zero e podendo ser imensamente divulgada na net, possuindo referee e sendo escrita em pelo menos 2 linguas, uma delas o inglês para a internacionalizarem, até ficam com os cabelos em pé! Que não pode ser, que se têm que seguir os canais normais e aguardar meses ou anos para publicar 1 artigo, quando claro, os supra-sumos, sabedores da verdade absoluta directores de revistas internacionais de referência (na maior parte de fachada) assim o permitirem, quando nos fizerem um favor de disponibilizarem duas dezenas de páginas para o efeito!

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  7. Ainda hoje estou para compreender que outro entrave que não a má vontade e desejo de controlar os outros, possa existir num mundo dominado pelas novas tecnologias, que pode e continua a impedir de se publicar, sobretudo os mais novos em início de carreira! É a falta de verba? Os livros já não precisam ser impressos, é a falta de divulgação? a internet resolve isso num instante, é a falta de refeers? isso resolve-se rápido dentro do mundo académico a nível global.
    Então o que pode ser esse entrave senão a vontade de afunilar sem necessidade a possibilidade de se publicar, com fins a lucrar com os trabalhos dos outros?
    Está montada uma grande fraude e uma grande negociata, a fct como não podia deixar de ser, está no meio dela também!

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  8. O que está aqui em causa não é apenas o síndroma da folha excel que tudo permeia desde as finanças de um país até à avaliação da ciência e até de pessoas em concursos.
    O que está em causa na avaliação das unidades de investigação são as irregularidades cometidas relativamente aos critérios definidos pela própria FCT, incluindo, nomeadamente, a ignorância das tais folhas excel, algumas das quais (e.g., "Bibliometric Study") se podem ver no site da FCT. Não é que o processo não seja transparente. Se o analisarmos em pormenor, veremos que é perfeitamente transparente: vêem-se perfeitamente as irregularidades.

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  9. O Português tem destas coisas: Do 25 de Abril até à crise actual foi meter funcionários públicos e criar despesa sem pretender-la pagar, agora cortam em tudo cegamente.
    Desde 1995 a 2010 a fct foi um forrobodó! Se muita coisa boa aconteceu (e de facto aconteceu) grande parte do dinheiro serviu para a engorda de poucos que faziam de conta que trabalhavam!
    Longe (ate 2010) vai o tempo em que os professores universitários com agregação dispunham de um horário pesadíssimo de 15/20 horas sem fazerem qualquer investigação, por módicas quantias mínimas que nós sabemos nunca menos de 2500 euros mensais base, fora regalias..

    A reforma da fct pode estar a ser mal feita, até concordo que sim, mas tenhamos atenção que é necessária, a baixa demografia estudantil está a chegar ao superior, não tarda teremos 20 professores por aluno!

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  10. De facto este liquidar da ciência em portugal está a dar um bocado nas vistas.

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  11. Muito gostava de saber quem se esconde por trás duma conta anónima para lançar desinformação. Os autores deste blog têm muito por onde contra-argumentar, pelo que me limito a rebater a falsidade do horário de trabalho.
    Um professor universitário a tempo inteiro não se limita a dar aulas (e isto é inclusive anterior ao actual modelo de investigação inaugurado com a FCT). Investiga (essa sempre foi uma das tarefas associadas ao cargo), escreve artigos científicos, orienta mestrados e doutoramentos (e por vezes também monografias de licenciatura), lê os mestrados e doutoramentos quando participa como arguente externo em júris, prepara aulas (quantas vezes aos fins de semana, sem horário fixo), prepara e corrige avaliações, atende alunos, participa (em diversos graus) na gestão da sua instituição de ensino, e cada vez mais é forçado a outras actividades burocráticas que implicam estar permanentemente a elaborar relatórios internos. 45 horas por semana serão uma estimativa por baixo. E não me venham com essa palavra chamada «regalias», que é um termo de novilíngua como os «colaboradores», como agora querem chamar aos trabalhadores e funcionários. Eu

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  12. ... até lhes podia chamar «extraterrestres», que nunca vi nenhuma «regalia» a passear-se por aí. Direitos sim, cada vez menos; deveres, muitos.

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  13. Não é verdade que o "critério das citações" seja "universalmente reconhecido como indicador de mérito"...

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