terça-feira, 5 de outubro de 2010

Físicos portugueses têm trabalhado com os Nobel da Física deste ano

















Com a devida vénia transcrevo, com correcção de pequenas gralhas, notícia do "Jornal de Notícias", que se serve de declarações que fiz hoje à Agência Lusa sobre o trabalho de físicos portugueses sobre o grafeno, que em parte resultou de colaboração com os laureados Nobel. Hoje, o Nuno Peres (à esquerda), o João Lopes dos Santos (à direita) e o Eduardo Castro (que ganhou neste ano o Prémio Bragança Gil da Sociedade Portuguesa de Física para a melhor tese de doutoramento em Física) estão também de parabéns!

"Três físicos portugueses João Lopes dos Santos, Nuno Peres e Eduardo Castro publicaram trabalhos científicos com os investigadores de origem russa André Geim e Konstantin Novoselov, galardoados hoje, terça-feira, com o prémio Nobel da Física.

Os trabalhos feitos em conjunto pelos três físicos portugueses e por André Geim e Konstantin Novoselov estão referidos num comunicado da academia sueca sobre o prémio.

Os dois galardoados foram responsáveis pela descoberta do grafeno, a forma bidimensional do carbono, com a espessura de apenas um átomo, no Centro de Nanotecnologia da Universidade de Manchester, no final de 2004.

O físico da Universidade de Coimbra Carlos Fiolhais congratulou-se com a entrega do prémio aos dois investigadores, algo que considerou "não ser muito normal no Nobel" dado que a descoberta é muito recente e salientou os trabalhos que ambos fizeram com investigadores portugueses.

"É fantástico para o nosso país haver portugueses a fazerem trabalhos com físicos reconhecidos e isso ser referenciado no comunicado da Academia", disse à agência Lusa.

Em 2007 foi publicado um artigo na revista Physical Review Letters elaborado por Novoselov, Geim e pelos três físicos portugueses.

No ano seguinte a revista Science publicou outro artigo da autoria de Greim e Novoselov e que contou com a participação de Nuno Peres, da Universidade do Minho.

Carlos Fiolhais explicou à Lusa de que se trata esta descoberta agora premiada a partir do elemento de carbono, um elemento muito comum que existe sobre várias formas como a grafite (lápis) ou o diamante.

"Os dois investigadores isolaram uma única folha de grafite (grafeno), que tem apenas a grossura de um átomo de carbono" explicou.

O investigador adiantou que a descoberta foi feita "por tentativa e erro" e que foi conseguida quando utilizaram "fita-cola".

"Colaram fita-cola na grafite, fizeram-no várias vezes e conseguiram diminuir a espessura da parte que arrancaram", acrescentou.

Quanto à aplicação prática desta descoberta, Carlos Fiolhais referiu as possíveis aplicações na electrónica, para fazer transístores.

"Ainda é cedo, mas há a promessa de se poder fazer transístores mais pequenos, electrónica mais leve, a utilizar nos computadores porque o grafeno é um material bom condutor, extremamente leve e fino", explicou.

Há a hipótese, segundo Carlos Fiolhais, de o carbono poder suceder ao silício nos transístores."

3 comentários:

Anónimo disse...

A HONRA DO CONVENTO

Nem tudo, ha que dizê-lo, em Portugal
vai francamente mal: há um sector
que, desde logo, pelo seu valor
ainda não nos deixa ficar mal.

Fora do que se tem por humanismo
em letargia ou quase mesmo ausência,
refiro-me aos domínios da ciência
com todo o seu concreto pragmatismo.

Aqui se avança e se investiga a sério
a par do que se faz noutros países
com semelhante, idêntico critério.

Tomando os cientistas por juízes
de lá de fora, eu digo com vaidade
que nem tudo entre nós é vacuidade!

JOÃO DE CASTRO NUNES

Anónimo disse...

Ganhámos o Nobel da Física!!!! Uau
Finalment....não!
Então?
Ah!
Ouve uma referência aos investigadores portugueses no comunicado da Academia Sueca!
Oh!
Mas também podiam ter referido o tipo ou miúda que inventarou a fita cola.
Artur

Sérgio O. Marques disse...

Então o Lopes dos Santos tem andado estes últimos anos metido no grafeno...

"POR UMA IA AO SERVIÇO DO POVO!"

Segunda parte do muitíssimo esclarecedor artigo de André Carmo, recentemente publicado no Maio , jornal online ( aqui ). A primeira parte po...