terça-feira, 28 de setembro de 2010

A DERROTA DO BUÇACO


Ontem assinalaram-se os 200 anos da batalha do Buçaco, que marcou o início do fim das invasões francesas. Eis o relato da coluna dos vencidos, feito pelo militar francês M. Guingret (in "Campanhas do Exército de Portugal. 1810", Livros Horizonte, 2010, introdução de António Ventura, p. 48):

"Durante o Inverno, suportei noites bem terríveis na Alemanha e na Polónia, mas a noite em que deixámos a posição do Buçaco é uma das épocas da minha vida em que me senti mais duramente afectado. A marcha lenta e grave do nosso exército, ocupado com o transporte dos seus numerosos feridos em macas, oferecia o aspecto de uma longa fila de carros fúnebres. O silêncio sombrio e triste da obscuridade era perturbado pelo barulho surdo e lúgubre das rodas da artilharia. Soldados maltratados esforçavam-se em vão por conter a expressão dos seus sofrimento; os gritos dilacerantes de dor, meio comprimidos pelos esforços de coragem, escapavam-se, em intervalos, do fundo das suas entranhas e faziam estremecer de compaixão até o coração menos sensível. Os cadáveres daqueles a quem a morte pusera termo ao sofrimento no meio desta marcha aflitiva, depostos na borda das valetas, serviam para fazer o reconhecimento da estrada, através da escuridão, às tropas que nos seguiam. os gritos agudos das aves de rapina que fugiam do meu refúgio e abandonavam os ninhos à medida que avançávamos, e de algumas que acompanhavam audaciosamente o exército, cobiçando a sua presa, acrescentavam algo ainda de mais sinistro a este cenário"

7 comentários:

  1. Ontem assinalaram-se os 200 (e não 300...) anos da batalha do Buçaco...

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  2. A este propósito, e a quem se interessar por história, poderá ler o que Mário Brandão escreveu sobre os Prejuízos causados à Universidade pela Terceira Invasão Francesa.

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  3. Para continuar:

    De parte a parte, com ferodidade,
    se combateu na serra do Buçaco,
    de qualquer lado havendo heroicidade,
    ninguém querendo dar parte de fraco.

    JCN

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  4. Continuando:

    Entre as forças francesas se encontrava
    além do filho eleito da vitória,
    o grande Ney, de natureza bava,
    futuro marechal que fez história.

    À sua espera tinham, preparado
    para se opor ao poderoso intruso,
    o destemido exércitoaglo-luso.

    Ninguém venceu, ningué foi derrotado,
    mas da águia as asas nunca desairadas
    saíram da batalha chamuscadas!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  5. Corrijo as gralhas "bava" por "brava" e "aglo" por "anglo". Acontece. JCN

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  6. Altero o 7º verso do soneto para:

    o grande Ney, que a todos ofuscava,

    Assim é que é! JCN

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