sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ainda os rankings


O "QS TOP WORLD UNIVERSITIES 2010" foi este ano, pela primeira vez, publicado em separado do Times Higher Education Supplement. A partir de 2010 a Times passa a ter uma parceria com a Thomson Reuters para organizar o seu ranking. No TOP200 (TIMES/TR) não aparece nenhuma universidade portuguesa, como acontece aliás no QS desde o seu início em 2005.

O método usado pela TIMES/TR para seriar as universidades é interessante, porque dá um peso significativo ao ensino (30%), à investigação (30%, quantidade de projectos, valor total e reputação), ao impacto na comunidade científica da investigação realizada (32,5%), mas também à transferência de tecnologia e inovação (2.5%) e à capacidade de atracção de alunos e staff (5%).

É importante realçar este quadro referente ao TOP200 da Times/Thomson-Reuters:


Estes números merecem alguma reflexão, nomeadamente no caminho que é necessário seguir para ter algumas universidades portuguesas no TOP100 das Universidades de todo o mundo (objectivo de longo prazo). Se repararem, no TOP100 não existem universidades portuguesas, nem espanholas, nem italianas, nem holandesas, nem belgas, nem dinamarquesas, nem austríacas, nem finlandesas, nem norueguesas, nem turcas. Mas no TOP200, já só Portugal e Itália não estão representados. A Turquia tem duas universidades no TOP200.

Este cenário repete-se no ranking QS.

Os rankings, apesar de toda a discussão, têm esta vantagem de mostrar um cenário global. E esse não é, infelizmente, nada animador para Portugal.


:-)

18 comentários:

  1. Mas o que terá acontecido à Universidade de Innsbruck para descer 187 lugares? Estranho ranking que de um ano para o outro leva a estas mudanças...

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  2. A triste realidade é que a diferença entre universidades portuguesas são relativamente pouco importantes: são todas mediocres. Em Lx ou fora de Lx.

    Porque será? Já alguém fez um diagnóstico sério sobre o assunto?

    Será que os novos regulamentos das universidades e o tal processo de Bolonha vão no bom sentido?

    O MCT te alguma ideia objectiva sobre isto que seja mais do que simples bitaites?

    SNG

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  3. Convém não esquecer que a estatística é certa em geral e errada em particular.

    Oscila entre o optimismo pedagógico e o pessimismo didáctico.

    Balança entre o global e o local.

    O global é bom porque o local está inserido, e o local também, porque fica a ser conhecido, já que essa é a vantagem do global, mesmo que a inserção da/s universidade/s não ocupe/m o/s lugar/es desejado/s.

    Tem duas consequências de livre escolha: para uns, o desejo de melhorar, para outros, o deixa andar.

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  4. Ainda há quem acredite nisto. Já houve crenças muito piores e não sabemos o que estará para vir no futuro.
    Porque não fazem rankings com pintores, poetas, escritores, futebolistas etc. Com futebolistas já fazem e quanto a escritores podem avaliar-se pelo número de romances escritos, os poetas pelo número médio de versos em cada poema, os pintores pelo número de cores utilizadas em cada quadro e de certeza que se podem inventar muitos outros critérios muito mais inteligentes do que os que sugiro. As minhas sugestões são baseadas no que já se faz na Ciência. Note-se que o critério não interessa muito, o que interessa é que quase todos acreditem

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  5. O pessoal que acredita nos rankings já estudou sob a orientação das ideias provenientes de Boston.

    Zé Carlos

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  6. Não duvido do rigor da metodologia mas fica a ideia que nem todas as universidades têm o mesmo detalhe no tratamento dos dados, o que torna difícil a compreensão. Por exemplo no QS, das 4 Universidades Portuguesas classificadas, Coimbra, Porto, Nova de Lisboa e Católica, apenas duas têm a classificação discriminada por área. Destas duas, das 5 áreas dispníveis, a de Coimbra tem classificação em 4 e o ranking varia entre 216 e 268 e depois aparece no geral em 396º lugar e a do Porto tem classificação em duas áreas, 232 e 264 e depois está em 451º lugar no geral. Não é impossível mas é estranho principalmente, porque não sei como contam as ausências de informação das áreas em que não mostram os dados.

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  7. Para dizer a verdade,
    tudo muda na existência:
    de Letras a Faculdade
    da Lusa-Atenas, coitada,
    em termos de concorrência
    deixou-se ficar parada,
    perdendo a sua excelência,
    nunca mais recuperada!

    JCN

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  8. Não nos devemos esquecer também do tendenciosismo destes rankigs. São rankings feito por americanos e avaliam todas as instituições do Mundo segundo os padrões da universidades americanas, pelo que não é de admirar que as instituições anglo-saxónicas sejam bastante favorecidas. Além do facto do sistema "Peer Review" ser bastante parcial e de um rigor discutível, estes rankings não têm em conta que na Europa Continental ou na Rússia as intituições de investigação costumas estar separadas das universidades. Basta ver que 4 dos 6 países com mais universidades no top 200 dos ranking são países de língua inglesa para ver a parcialidade com que este foi feito. Eu não compreendo como países conhecidos pela qualidade de ensino como a França e a Alemanha se encontram tão abaixo do Reino Unido, ou como é que não aparece nenhuma universidade russa, país que tem instituições fortíssimas na área das ciências naturais, graças às quais pode rivalizar cientificamente com os EUA durante a Guerra Fria e produzir vários vencedores do Prémio Nobel e vários matemáticos brilhantes.

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  9. O facto de eles meterem a Universidade de Coimbra como a melhor universidade portuguesa em enegnharia, à frente da Universidade Técnica de Lisboa(IST) e da Universidade do Porto(FEUP), mostra bem o que quem fez esse ranking conhece da realidade portuguesa (e provavelmente de outros países também), e mostra bem o que esse ranking vale.

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  10. Caros colegas comentadores analfabetos em estatística: eles não metem nenhuma Universidade em parte nenhuma, muito menos as portuguesas, lembrem-se que Bush nem sabia que Portugal existia, os americanos em geral não se preocupam com o lugar que calhará à Universidade da Estónia ou do Botão, ou da Beira Interior. Não é muito difícil escolher parâmetros que dêem certos resultados que se pretendem. Esses parâmetros podem ser escolhidos de maneira honesta e divulgados que não é fácil topar que estão escolhidos de modo a darem o que se pretende. Tudo isto cai no que se pode chamar problemas inversos. Bem, já perceberam ou querem que continue?

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  11. Um reparo ao comentador anterior. Que eu saiba não há nenhum país chamado botão. O botão continua a ser apenas aquele objecto muito útil da roupa, isto mesmo depois do acordo ortográfico.

    O país é Butão, caro analfabeto em geografia.

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  12. Entre botão e Butão
    há que saber destrinçar:
    um serve para apertar,
    mas para isso o outro não!

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  13. Esforço-me por me alfabetizar mas com pouco sucesso. Já aprendi com professores de Boston que sempre me aconselharam a não me esforçar muito, caso contrário ficaria traumatizado para toda a vida. E tinham razão, mais tarde comecei a querer aprender por mim próprio mas descobri que tinha uma mania de andar sempre a coberto do anonimato perfeitamente anormal. O tal de traumatismo. Comum a todos os anónimos.

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  14. Mas olha que a "Boston" aparece em 54 - isso deve-se aos seus famosos cursos de Verão com uma interacção social tão intensa cujos mestrados ditam o futuro da educação de um país inteiro - algures sabe-se lá onde, Purtogal ou Pertigal ou lá como se chama esse país. Geografia nunca foi a minha área.

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  15. De acordo com o acordo ortográfico tanto faz escrever Purtogal com Pertigal está sempre certo nem vale a pena pôr vírgulas.

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  16. Quem de máscara na cara
    ataca cobardemente
    à sepente s compara,
    o bicho mais repelente!

    JCN

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  17. Pois criticam tanto a Universidade de Boston mas afinal é melhor que qualquer Universidade portuguesa. Afinal os mestrados melhores são os feitos em Portugal ou os feitos em Boston?

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  18. Os de Boston são melhores porque nas aulas utilizam mais palavras por metro quadrado o que os faz subir nos ranks.

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