domingo, 2 de agosto de 2009
'Caro Roosevelt, temos de fazer a bomba atómica'
Do "Diário de Noticias" de hoje trancrevemos a rubrica "Aconteceu no Verão" assinada por Rui Pedro Antunes:
"A minha responsabilidade na questão da bomba atómica limita--se a uma única intervenção: escrevi uma carta ao Presidente Roosevelt." Esta frase é de Albert Einstein que no seu livro Como eu vejo o mundo assume-se como um pacifista e descarta ter participado activamente na concepção da bomba.
Porém, como o "génio do século" sabia, tudo é relativo, acabando por ficar ligado à história de uma das armas mais mortíferas que a humanidade já conheceu. Foi precisamente há 70 anos, a 2 de Agosto de 1939, que o já então conceituado físico, decidiu enviar uma carta a Franklin Roosevelt exortando o presidente dos Estados Unidos a equacionar a hipótese de produzir a bomba atómica e alertando que a Alemanha nazi já estaria a fazer estudos nesse sentido. Esta "simples" carta é vista como um dos impulsos do Projecto Manhattan, o bem sucedido e implacável plano nuclear, de onde viriam a sair as bombas que devastaram Hiroshima e Nagasaqui em 1945.
Não seria de estranhar que o próprio Einstein tivesse esta preocupação pois ainda que tivesse nascido na Alemanha, era judeu e como explica o físico Carlos Fiolhais "tinha todos os motivos para não gostar dos nazis. Tinha sido perseguido e obrigado a emigrar". No entanto, foi Leó Szilárd que escreveu grande parte da carta e Einstein chegou a arrepender-se de a ter assinado.
Porém, nunca se tentou desculpabilizar e explicou mais tarde: "sabia ser necessária e urgente a organização de experiências de grande envergadura para o estudo e a realização da bomba atómica. E disse-o. Conhecia também o risco universal causado pela descoberta. Mas os sábios alemães estavam a braços com a mesma questão e tinham todas as hipóteses de resolvê-la." Na carta enviada a Roosevelt, Albert Einstein advertia para os perigos desta arma. "Uma única bomba desse tipo, levada por um barco e detonada num porto pode muito bem destruir todo o porto e parte da sua área envolvente", alertou.
Apesar de ter sido assinada por Einstein no início de Agosto, o economista Alexander Sachs só conseguiria entregar a carta em mãos ao presidente a 11 de Outubro, uma vez que Roosevelt seguia com preocupação a invasão da Polónia por parte das tropas hitlerianas.
No entanto, o presidente nem precisou de ler a carta, bastou ouvir um resumo de Sachs e autorizou, de imediato, a criação do Comité Consultivo de Urânio. Este organismo seria a antecâmara do Projecto Manhattan, que seria desenvolvido já em plena II Guerra Mundial. Assim, a carta de Einstein e Szilárd seria responsável por um megaplano que empregou mais de 130 mil pessoas e custou uma quantia que hoje equivale a 24 mil milhões de dólares. E claro levaria à construção da bomba atómica.
Nos seis anos até ao lançamento sobre Nagasaqui, Einstein afastar-se-ia da concepção da bomba, ao contrário de Szilárd empenhado em materializar a imagem literária de bombas atómicas a cair do céu, que H. G. Hells eternizou no seu romance de 1914, The World Set Free.
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5 comentários:
"Porém, como o "génio do século" sabia, tudo é relativo"
Um lixo destes num blog sobre ciencia. Bonito!
Sim, este blogue está cada vez mais vazio de ideias... :(
o projecto manhattan, como ficou conhecido o projecto americano de desenvolvimento da bomba atómica, é muito mais abrangente do que a simples carta de einstein. fazer depender a génese deste projecto do simple poder de persusssão de einstein é, simultaneamente, um exagero e uma simplificação.até porque a participação de einstein na concepção da bomba atómica foi minima , se comparado com outros cientistas, como fermi e oppenheimer...
Eistein nunca pregou que tudo era relativo, muito pelo contrário apenas demonstrou que a aparente discrepância entre espaço e tempo se dá por serem distintos, sua relatividade assim dar-se-á apenas mediante as leis físicas e os calculos de onde nos sustentamos.
isso esta muito vago... tem mais informaçães a serem tratadas aqui!!!
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