terça-feira, 25 de agosto de 2009

PORTUGAL E O MUNDO 3


A terceira peça é a "Tábua da Aguada do Xeque" (uso a imagem que está no sítio e no DVD da Biblioteca Joanina), que pertence às Tábuas dos Roteiros da Índia de D. João de Castro (Tavoas dos lugares da costa da Índia, do século XVI), com aguarelas em papel, que pertence à Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC). D. João de Castro foi de certo modo percursor do "pai" dos estudos do magnetismo, o inglês William Gilbert.

Escreve no Catálogo o Prof. Rui Loureiro, da Universidade Nova de Lisboa:
"As Tábuas dos Roteiros da Índia - códice de proveniência incerta que se conserva na BGUC - estão desde há muito associadas ao nome de D. João de Castro, já que reúnem um conjunto de desenhos destinados a ilustrar dois dos seus mais célebres escritos (...) Quando, em finais de 1538 e inícios do ano seguinte, navegou até Cambaia, preparou um detalhado relatório da viagem, o Roteiro de Goa a Diu, obra repleta de informações essenciais para a navegação, que continha muitas informações e críticas inovadoras. (...) O enorme valor dos roteiros de D. João de Castro, que permaneceram inéditos em Portugal na época, circulando apenas em cópias manuscritas, reside não só no carácter inovador de muitas das observações neles registadas - sobre o magnetismo terrestre, sobre fenómenos atmosféricos, sobre técnicas de determinação de latitude -, mas também na atitude francamente experimental do seu autor, que deliberadamente tentava encontrar resposta para problemas práticos e teóricos da ciência náutica do seu tempo."

3 comentários:

  1. D. João de Castro é a grande figura da ciência portuguesa no período dos descobrimentos. Há um magnífico estudo em inglês do holandês R. Hooykaas sobre ele, mas está sepultado num volume editado em Portugal.
    É preciso dar mais atenção a essa obra notável.

    Onésimo Almeida

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  2. Caro Onésimo:

    Sim, concordo. No artigo "The Portugueses Discoveries and the Rise of modern science" inclu´´ido no volume "Selected Studies in the History of Science" (Univ. Coimbra, 1983) (não sei se é esse o volume a que se refere)chega ao ponto de o comparar com Francis Bacon:

    "João de Castro is a "precursor" of the great herald of the "New Philosophy" - Francis Bacon - who considered this change of methodological approach as the turning point of the history of science. Bacon blamed the Ancients for having constructed a world by reasoning instead of intelligent observation..."

    Um abraço

    Carlos Fiolhais

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  3. Caro Carlos:
    Não. Esse artigo foi quatro anos depois (com alterações) publicado no "British Journal for History of Science" 20, 4, 1987, pp. 453-473, com o título "The Rise of Modern Science: When and Why?.
    Refiro-me a um longo estudo sobre D. João de Castro que está sepultado nas "Obras Completas de D. João de Castro", publicadas pela Academia Internacional de Cultura Portuguesa, e ocupa o quarto e último volume. Escrito em inglês, ninguém dá por ele por não esperar que uma edição portuguesa contenha no final um volume quase todo preenchido com um ensaio em inglês.
    Há anos que ando a prometer a mim mesmo resgatá-lo dali e publicá-lo em volume separado em inglês. Cheguei mesmo a combinar isso com o seu aluno Floris Cohen, notável historiador da cência.
    Mas o tempo...

    Um abraço do

    Onésimo

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